O Monge: Um Romance
por M. G. Lewis, Esq. M.P.
Somnia, terrores magicos, miracula, sagas, Nocturnos lemures, portentaque.
HORAT.
Sonhos, terrores mágicos, feitiços de grande poder, Bruxas e fantasmas que vagueiam à meia-noite.
Conteúdo
PREFÁCIO CAPÍTULO I. CAPÍTULO II. CAPÍTULO III. CAPÍTULO IV. CAPÍTULO V. CAPÍTULO VI. CAPÍTULO VII. CAPÍTULO VIII. CAPÍTULO IX. CAPÍTULO X. CAPÍTULO XI. CAPÍTULO XII.
PREFÁCIO
IMITAÇÃO DE HORÁCIO Ep. 20.—B. 1.
Penso, ó vão e mal julgado Livro, Que te vejo lançar um olhar ansioso, Onde reputações são ganhas e perdidas Na famosa fila chamada Paternoster. Indignado por ver teu precioso pot-pourri Enterrado num portfólio inexplorado, Tu desprezas o prudente cadeado e chave, E anseias por ver-te bem encadernado e dourado Teu Volume exposto na vitrine De Stockdale, Hookham, ou Debrett.
Vai, então, e atravessa esse limite perigoso De onde nenhum Livro pode voltar: E quando te vires condenado, desprezado, Negligenciado, criticado e censurado, Abusos de Todos que te lerem, (Se por acaso fores lido) Muito lamentarás tua tolice, E desejarás por mim, e por casa, e por sossego.
Assumindo agora o ofício de adivinho, Assim profetizo teu futuro Destino:— Assim que tua novidade passar, E já não fores jovem e novo, Em algum canto escuro e sujo lançado, Mofado pela umidade, coberto de teias, Tuas folhas serão presa do bicho-da-madeira; Ou enviado à Loja de Velas, E condenado a sofrer o escárnio público, Forrarás o baú, ou embrulharás a vela!
Mas se encontrares aprovação, E alguém sentir a inclinação De perguntar, por transição natural, Sobre mim e minha condição; Ensina ao inquisidor que sou um, Nem muito pobre, nem muito rico; De paixões fortes, de natureza impetuosa, De forma deselegante e estatura anã; Aprovado por poucos, e aprovando poucos; Extremo no ódio e no amor;
Abominando todos que desgosto, Adorando quem minha fantasia atrai; Formando juízos nunca por muito tempo, E na maior parte das vezes julgando errado; Firme na amizade, mas sempre acreditando Que os outros são traiçoeiros e enganadores, E pensando na era presente Que a Amizade é uma pura quimera: Mais apaixonado que qualquer criatura viva, Orgulhoso, obstinado, e implacável, Mas ainda assim para aqueles que mostram bondade, Pronto a ir através de fogo e fumaça.
De novo, se for perguntado sobre tua página, "Por favor, qual pode ser a idade do autor?" Teus defeitos, sem dúvida, tornarão claro, Que mal completei meu vigésimo ano, Que passou, caro Leitor, sob minha palavra, Enquanto o Trono da Inglaterra era de Jorge Terceiro.
Agora, então, segue teu curso aventureiro: Vai, meu deleite! Caro Livro, adeus!
M. G. L.
Haia, 28 de outubro de 1794.
ANÚNCIO
A primeira ideia deste Romance foi sugerida pela história do Santon Barsisa, relatada no The Guardian.—A Freira Sangrenta é uma tradição ainda acreditada em muitas partes da Alemanha; e fui informado de que as ruínas do Castelo de Lauenstein, que se supõe que ela assombra, ainda podem ser vistas nas fronteiras da Turíngia.—O Rei das Águas, da terceira à décima segunda estrofe, é o fragmento de uma balada dinamarquesa original—E Belerma e Durandarte é traduzido de algumas estanches encontradas numa coleção de poesia espanhola antiga, que contém também a canção popular de Gayferos e Melesindra, mencionada em Dom Quixote.—Agora fiz uma confissão completa de todos os plágios dos quais estou ciente; mas não duvido que muitos mais possam ser encontrados, dos quais estou totalmente inconsciente no momento.
CAPÍTULO I.
——Lord Angelo é preciso; Fica de guarda com inveja; Mal confessa Que seu sangue flui, ou que seu apetite É mais por pão do que por pedra.
MEDIDA POR MEDIDA.
Mal o Sino da Abadia havia tocado por cinco minutos, e já a Igreja dos Capuchinhos estava repleta de Ouvintes. Não encoraje a ideia de que a Multidão estava reunida por motivos de piedade ou sede de conhecimento. Poucos eram influenciados por essas razões; e numa cidade onde a superstição reina com tão despótico domínio como em Madrid, buscar por verdadeira devoção seria uma tentativa inútil. A Audiência agora reunida na Igreja dos Capuchinhos foi coletada por várias causas, mas todas elas eram alheias ao motivo ostensivo. As Mulheres vinham para se mostrar, os Homens para ver as Mulheres: Alguns eram atraídos pela curiosidade de ouvir um Orador tão celebrado; Alguns vinham porque não tinham melhor maneira de empregar seu tempo até o início da peça; Alguns, por serem assegurados de que seria impossível encontrar lugares na Igreja; e metade de Madrid foi trazida para lá pela expectativa de encontrar a outra metade. Os únicos verdadeiramente ansiosos para ouvir o Pregador eram alguns devotos antiquados, e meia dúzia de rivais Oradores, determinados a encontrar falhas e ridicularizar o discurso. Quanto ao resto da Audiência, o Sermão poderia ter sido omitido completamente, certamente sem que fossem desapontados, e muito provavelmente sem que percebessem a omissão.
Seja qual for a ocasião, é certo que a Igreja dos Capuchinhos nunca havia testemunhado uma assembleia mais numerosa. Cada canto estava cheio, cada assento estava ocupado. As próprias Estátuas que ornamentavam os longos corredores foram pressionadas para o serviço. Meninos se penduravam nas asas dos Querubins; São Francisco e São Marcos carregavam cada um um espectador em seus ombros; e Santa Águeda se viu na necessidade de carregar dois. A consequência foi que, apesar de toda sua pressa e expedição, nossos dois recém-chegados, ao entrar na Igreja, olharam em vão por lugares.
No entanto, a velha Mulher continuou a avançar. Em vão foram proferidas exclamações de desagrado contra ela de todos os lados: Em vão ela foi abordada com—“Garanto-lhe, Senhora, que não há lugares aqui.”—“Peço-lhe, Senhora, que não me aperte de forma tão intolerável!”—“Senhora, não pode passar por aqui. Bendito seja! Como as pessoas podem ser tão incômodas!”—A velha Mulher era obstinada, e ela foi em frente. À custa de perseverança e dois braços fortes, ela abriu caminho através da Multidão, e conseguiu se espremer no corpo da Igreja, não muito longe do Púlpito. Sua companheira a seguiu com timidez e em silêncio, aproveitando os esforços de sua condutora.
“Santa Virgem!” exclamou a velha Mulher em tom de decepção, enquanto lançava um olhar de indagação ao redor; “Santa Virgem! Que calor! Que Multidão! Eu me pergunto qual pode ser o significado de tudo isso. Acho que devemos voltar: Não há tal coisa como um assento para ser encontrado, e ninguém parece ser gentil o suficiente para nos ceder o seu.”
Esta ampla pista atraiu a atenção de dois Cavaleiros, que ocupavam banquetas à direita, e estavam encostando as costas na sétima coluna a partir do Púlpito. Ambos eram jovens e ricamente vestidos. Ouvindo este apelo à sua polidez pronunciado em voz feminina, eles interromperam sua conversa para olhar para a falante. Ela havia levantado seu véu para ter uma visão mais clara ao redor da Catedral. Seu cabelo era ruivo, e ela era estrábica. Os Cavaleiros viraram-se, e renovaram sua conversa.
“De qualquer maneira,” respondeu a companheira da velha Mulher; “De qualquer maneira, Leonella, vamos voltar para casa imediatamente; O calor é excessivo, e estou aterrorizada com tanta multidão.”
Estas palavras foram pronunciadas em um tom de doçura sem igual. Os Cavaleiros novamente interromperam seu discurso, mas desta vez não se contentaram em olhar para cima: Ambos se levantaram involuntariamente de seus assentos, e se viraram para a Falante.
A voz vinha de uma mulher, cuja delicadeza e elegância da figura inspiraram nos Jovens a mais viva curiosidade para ver o rosto ao qual pertencia. Esta satisfação lhes foi negada. Suas feições estavam escondidas por um véu espesso; Mas lutando através da multidão havia desarrumado suficientemente para revelar um pescoço que, pela simetria e beleza, poderia ter rivalizado com a Vênus Medici. Era da mais deslumbrante brancura, e recebia encantos adicionais por ser sombreado pelos cachos de seu longo cabelo louro, que descia em anéis até sua cintura. Sua figura era mais abaixo do que acima da altura média: Era leve e aérea como a de uma Hamadríade. Seu busto estava cuidadosamente velado. Sua roupa era branca; era presa por uma faixa azul, e mal permitia que se visse de sob ela um pequeno pé das mais delicadas proporções. Um rosário de grandes grãos pendia em seu braço, e seu rosto estava coberto por um véu de gaze preta espessa. Tal era a mulher, à qual o mais jovem dos Cavaleiros agora oferecia seu assento, enquanto o outro achava necessário pagar a mesma atenção à sua companheira.
A velha Senhora, com muitas expressões de gratidão, mas sem muita dificuldade, aceitou a oferta, e sentou-se: A jovem seguiu seu exemplo, mas não fez outro cumprimento além de uma simples e graciosa reverência. Don Lorenzo (tal era o nome do Cavaleiro, cujo assento ela havia aceito) colocou-se perto dela; Mas primeiro ele sussurrou algumas palavras no ouvido de seu Amigo, que imediatamente entendeu a pista, e tentou desviar a atenção da velha Mulher de sua linda protegida.
“Você está sem dúvida recentemente chegada a Madrid,” disse Lorenzo à sua bela Vizinha; “É impossível que tais encantos tenham permanecido despercebidos por muito tempo; e se esta não fosse sua primeira aparição pública, a inveja das Mulheres e a adoração dos Homens já a teriam tornado suficientemente notável.”
Ele pausou, na expectativa de uma resposta. Como seu discurso não exigia absolutamente uma, a Senhora não abriu os lábios: Após alguns momentos, ele retomou seu discurso:
“Estou errado em supor que você é uma Estranha em Madrid?”
A Senhora hesitou; e por fim, em voz tão baixa que mal era inteligível, ela conseguiu responder,—“Não, Senhor.”
“Você pretende ficar por muito tempo?”
“Sim, Senhor.”
“Eu me consideraria afortunado, se estivesse ao meu alcance contribuir para tornar sua estada agradável. Sou bem conhecido em Madrid, e minha Família tem algum prestígio na Corte. Se eu puder ser de alguma serventia, você não pode me honrar ou obrigar mais do que permitindo-me ser-lhe útil.”—“Com certeza,” disse ele consigo mesmo, “ela não pode responder isso com um monossílabo; agora ela deve dizer algo para mim.”
Lorenzo estava enganado, pois a Senhora respondeu apenas com uma reverência.
Naquele momento, ele descobriu que sua Vizinha não era muito conversadora; Mas se seu silêncio procedia de orgulho, discrição, timidez, ou idiotice, ele ainda não conseguia decidir.
Após uma pausa de alguns minutos—“É certamente por ser uma Estranha,” disse ele, “e ainda não estar familiarizada com nossos costumes, que você continua a usar seu véu. Permita-me removê-lo.”
Ao mesmo tempo, ele avançou sua mão em direção à Gaze: A Senhora levantou a dela para impedi-lo.
“Eu nunca me desviu em público, Senhor.”
“E onde está o mal, por favor?” interrompeu sua Companheira algum tanto asperamente; “Você não vê que as outras Senhoras já retiraram seus véus, para honrar sem dúvida o lugar santo em que estamos? Eu já tirei o meu; e com certeza se eu exponho minhas feições à observação geral, você não tem motivo para se colocar em tal alarme maravilhoso! Bendita Maria! Aqui está um alvoroço e uma agitação sobre o rosto de uma menina! Venha, venha, Criança! Descubra-o; garanto que ninguém fugirá com ele de você—”
“Querida tia, não é o costume em Múrcia.”
“Múrcia, de fato! Santa Bárbara, o que isso significa? Você está sempre me lembrando daquela vil Província. Se é o costume em Madrid, isso é tudo que devemos considerar, e portanto peço que tire seu véu imediatamente. Obedeça-me neste momento, Antonia, pois você sabe que não suporto contradição—”
Sua sobrinha ficou em silêncio, mas não fez mais oposição aos esforços de Don Lorenzo, que, armado com a sanção da Tia, apressou-se em remover a Gaze. Que cabeça de Serafim se apresentou à sua admiração! Ainda que fosse mais encantadora do que bela; Não era tão amada pela regularidade das feições quanto pela doçura e sensibilidade do Rosto. As várias partes de seu rosto, consideradas separadamente, muitas delas estavam longe de serem bonitas; mas quando examinadas juntas, o todo era adorável. Sua pele, embora clara, não era totalmente sem sardas; Seus olhos não eram muito grandes, nem suas pestanas particularmente longas. Mas então seus lábios eram da mais rosada frescura; Seu cabelo louro e ondulado, preso por uma simples fita, descia abaixo de sua cintura em uma profusão de cachos; Seu pescoço era pleno e belo no extremo; Sua mão e braço eram formados com a mais perfeita simetria; Seus olhos azuis suaves pareciam um céu de doçura, e o cristal em que se moviam brilhava com todo o brilho dos Diamantes: Ela parecia ter escassos quinze anos; Um sorriso travesso, brincando ao redor de sua boca, declarava que ela era possuidora de viveza, que o excesso de timidez reprimia no momento; Ela olhou ao redor com um olhar tímido; e sempre que seus olhos acidentalmente encontravam os de Lorenzo, ela os baixava apressadamente sobre seu Rosário; Sua face era imediatamente banhada por rubores, e ela começava a rezar suas contas; embora sua maneira evidentemente mostrasse que ela não sabia o que estava fazendo.
Lorenzo olhou para ela com surpresa e admiração misturadas; mas a Tia achou necessário desculpar-se pela timidez de Antonia.
“É uma jovem Criatura,” disse ela, “que é totalmente ignorante do mundo. Ela foi criada num velho Castelo em Múrcia; com nenhuma outra Sociedade além de sua Mãe, que, Deus a ajude! não tem mais senso, boa Alma, do que é necessário para levar sua Sopa à boca. Ainda assim, ela é minha própria Irmã, tanto por Pai quanto por Mãe.”
“E tem tão pouco senso?” disse Don Christoval com fingida surpresa; “Que Extraordinário!”
“Muito verdadeiro, Senhor; Não é estranho? No entanto, tal é o fato; e ainda assim, só para ver a sorte de algumas pessoas! Um jovem Nobre, da mais alta qualidade, tomou em sua cabeça que Elvira tinha algumas pretensões à Beleza—Quanto a pretensões, na verdade, ela sempre teve o suficiente delas; Mas quanto a Beleza....! Se eu tivesse apenas tomado metade do trabalho para me enfeitar que ela tomou....! Mas isso não vem ao caso. Como eu estava dizendo, Senhor, um jovem Nobre se apaixonou por ela, e se casou com ela sem o conhecimento de seu Pai. Sua união permaneceu em segredo por quase três anos, mas por fim chegou aos ouvidos do velho Marquês, que, como pode bem supor, não ficou muito satisfeito com a informação. Ele partiu a toda pressa para Córdoba, determinado a capturar Elvira, e enviá-la para algum lugar ou outro, onde ela nunca mais seria ouvida. Santa São Paulo! Como ele tempestou ao descobrir que ela havia escapado dele, havia se juntado a seu Marido, e que eles haviam embarcado juntos para as Índias. Ele amaldiçoou a todos nós, como se o Maligno o tivesse possuído; Ele jogou meu Pai na prisão, um Sapateiro honesto e trabalhador como qualquer um em Córdoba; e quando ele partiu, ele teve a crueldade de levar de nós o pequeno Filho de minha Irmã, então escassamente dois anos, e que, na pressa de sua fuga, ela havia sido obrigada a deixar para trás. Suponho que o pobre Pequenino tenha sido tratado muito mal por ele, pois em poucos meses depois, recebemos notícias de sua morte.”
“Bem, este foi um velho Fellow muito terrível, Senhora!”
“Oh! Horrível! e um Homem tão totalmente desprovido de gosto! Porque, você acredita, Senhor? Quando eu tentei acalmá-lo, ele me amaldiçoou por uma Bruxa, e desejou que para punir o Conde, minha Irmã se tornasse tão feia quanto eu! Feia de fato! Gosto dele por isso.”
“Ridículo,” exclamou Don Christoval; “Sem dúvida o Conde se consideraria afortunado, se lhe fosse permitido trocar uma Irmã pela outra.”
“Oh! Cristo! Senhor, você realmente me sobrepuja com sua galanteria! Mas prometo que estou muito ciente do perigo de tais Expedições para confiar-me no poder de um jovem Nobre! Não, não; Eu preservei minha reputação sem mácula ou reproche até agora, e sempre soube como manter os Homens à distância adequada.”
“Disso, Senhora, não tenho a menor dúvida. Mas permita-me perguntar; Você tem então alguma aversão ao Matrimônio?”
“Essa é uma pergunta direta. Não posso deixar de confessar que se um amável Cavaleiro se apresentasse....”
Aqui ela pretendia lançar um olhar terno e significativo sobre Don Christoval; Mas, como infelizmente aconteceu que ela era extremamente estrábica, o olhar caiu diretamente sobre seu Companheiro: Lorenzo tomou o cumprimento para si, e respondeu com uma profunda reverência.
“Posso perguntar,” disse ele, “o nome do Marquês?”
“O Marquês de las Cisternas.”
“Conheço-o muito bem. Ele não está em Madrid no momento, mas é esperado aqui diariamente. Ele é um dos melhores Homens; e se a linda Antonia permitir que eu seja seu Advogado com ele, não duvido de ser capaz de fazer um relatório favorável de sua causa.”
Antonia levantou seus olhos azuis, e silenciosamente agradeceu-lhe pela oferta com um sorriso de doçura inexprimível. A satisfação de Leonella foi muito mais alta e audível: Na verdade, como sua Sobrinha era geralmente silenciosa em sua companhia, ela achava que era seu dever falar o suficiente por ambas: Isso ela conseguiu sem dificuldade, pois muito raramente se encontrava deficiente em palavras.
“Oh! Senhor!” ela exclamou; “Você colocará nossa família inteira sob as mais sinaladas obrigações! Aceito sua oferta com toda a possível gratidão, e lhe retorno mil agradecimentos pela generosidade de sua proposta. Antonia, por que você não fala, Criança? Enquanto o Cavaleiro diz todo tipo de coisas civis para você, você senta como uma Estátua, e nunca profere uma sílaba de agradecimento, seja ela boa, má, ou indiferente!”
“Minha querida Tia, sou muito sensível que....”
“Fye, Sobrinha! Quantas vezes já lhe disse que nunca deve interromper uma pessoa que está falando? Quando foi que você me viu fazer tal coisa? São esses os seus modos murcianos? Misericórdia! Nunca serei capaz de fazer dessa Garota uma pessoa de bons modos. Mas, por favor, Senhor,” continuou ela, dirigindo-se a Don Christoval, “informe-me, por que uma Multidão está reunida hoje nesta Catedral?”
“Você pode possivelmente ignorar que Ambrosio, Abade deste Mosteiro, pronuncia um Sermão nesta Igreja todas as quintas-feiras? Todo Madrid ecoa seus elogios. Até agora, Ele pregou apenas três vezes; Mas todos que O ouviram estão tão encantados com sua eloquência, que é tão difícil obter um lugar na Igreja quanto na primeira representação de uma nova Comédia. Sua fama certamente deve ter chegado aos seus ouvidos—”
“Alas! Senhor, até ontem, nunca tive a boa sorte de ver Madrid; e em Córdova, somos tão pouco informados do que está acontecendo no resto do mundo, que o nome de Ambrosio nunca foi mencionado em seus domínios.”
“Você o encontrará na boca de todos em Madrid. Ele parece ter fascinado os Habitantes; e não tendo assistido a seus Sermões, estou surpreso com o Entusiasmo que Ele despertou. A adoração que Lhe é prestada, tanto por Jovens quanto por Velhos, por Homens e Mulheres, é sem precedentes. Os Grandes O carregam de presentes; Suas Esposas se recusam a ter outro Confessor, e Ele é conhecido por toda a cidade pelo nome de ‘Homem de Santidade’.”
“Sem dúvida, Senhor, Ele é de origem nobre—”
“Esse ponto ainda permanece indeciso. O falecido Superior dos Capuchinhos O encontrou ainda um Infante à porta da Abadia. Todas as tentativas de descobrir quem O havia deixado lá foram em vão, e a Criança mesma não podia dar conta de seus Pais. Ele foi educado no Mosteiro, onde permaneceu desde então. Ele cedo mostrou uma forte inclinação para o estudo e a solidão, e assim que foi de idade adequada, Ele pronunciou seus votos. Ninguém nunca apareceu para reivindicá-Lo, ou esclarecer o mistério que envolve seu nascimento; e os Monges, que encontram sua conta no favor que é demonstrado a seu estabelecimento por respeito a Ele, não hesitaram em publicar que Ele é um presente para eles da Virgem. Na verdade, a singular austeridade de sua vida dá algum crédito ao relato. Ele agora tem trinta anos, cada hora dos quais foi passada em estudo, total isolamento do mundo, e mortificação da carne. Até estas últimas três semanas, quando Ele foi escolhido superior da Sociedade à qual pertence, Ele nunca havia estado fora das paredes da Abadia: Mesmo agora, Ele nunca as deixa, exceto às quintas-feiras, quando profere um discurso nesta Catedral que todo Madrid se reúne para ouvir. Seu conhecimento é dito ser o mais profundo, sua eloquência a mais persuasiva. Em todo o curso de sua vida, Ele nunca foi conhecido por transgredir uma única regra de sua ordem; A menor mancha não pode ser encontrada em seu caráter; e Ele é relatado ser tão estrito observador da Castidade, que não sabe em que consiste a diferença entre Homem e Mulher. O povo comum, portanto, O estima como um Santo.”
“Isso faz um Santo?” perguntou Antonia; “Bendito seja! Então sou uma?”
“Santa Bárbara!” exclamou Leonella; “Que pergunta! Fye, Criança, Fye! Esses não são assuntos adequados para jovens Mulheres tratarem. Você não deve parecer lembrar-se de que existe tal coisa como um Homem no mundo, e deve imaginar que todos ao seu redor são do mesmo sexo que você. Gostaria de ver você dar a entender às pessoas que sabe que um Homem não tem seios, nem quadris, nem...”.
Felizmente para a ignorância de Antonia, que a lição de sua Tia logo dissiparia, um murmúrio universal pela Igreja anunciou a chegada do Pregador. Donna Leonella levantou-se de seu assento para ter uma melhor visão dele, e Antonia seguiu seu exemplo.
Ele era um Homem de porte nobre e presença imponente. Sua estatura era alta, e suas feições extraordinariamente belas. Seu Nariz era aquilino, seus olhos grandes, negros e brilhantes, e suas sobrancelhas escuras quase se juntavam. Sua compleição era de um castanho profundo, mas claro; O estudo e a vigília haviam privado completamente sua face de cor. A tranquilidade reinava em sua testa lisa e sem rugas; e o Contentamento, expresso em cada traço, parecia anunciar o Homem igualmente alheio a cuidados e crimes. Ele se curvou com humildade à audiência: Ainda assim, havia uma certa severidade em seu olhar e maneira que inspirava temor universal, e poucos podiam sustentar o olhar de seus olhos ao mesmo tempo ardentes e penetrantes. Tal era Ambrosio, Abade dos Capuchinhos, e apelidado de “O Homem de Santidade”.
Antonia, enquanto O observava avidamente, sentiu uma alegria palpitar em seu peito que até então lhe era desconhecida, e para a qual em vão tentava explicar. Ela esperou com impaciência até que o Sermão começasse; e quando, por fim, o Frade falou, o som de sua voz parecia penetrar em sua alma. Embora nenhum outro dos Espectadores sentisse sensações tão violentas quanto a jovem Antonia, todos ouviram com interesse e emoção. Aqueles que eram insensíveis aos méritos da Religião, ainda assim eram encantados pela oratória de Ambrosio. Todos sentiam sua atenção irresistivelmente atraída enquanto Ele falava, e o mais profundo silêncio reinava pelos corredores lotados.
Até Lorenzo não pôde resistir ao encanto: Ele esqueceu que Antonia estava sentada perto dele, e ouviu o Pregador com atenção undivided.
Em linguagem nervosa, clara e simples, o Monge discorreu sobre as belezas da Religião. Ele explicou algumas partes abstrusas das escrituras sagradas de uma forma que trazia consigo convicção universal. Sua voz, ao mesmo tempo distinta e profunda, estava carregada com todos os terrores da Tempestade, enquanto Ele invejava contra os vícios da humanidade, e descrevia os castigos reservados para eles em um estado futuro. Cada Ouvinte olhava para trás sobre seus pecados passados, e tremia: O Trovão parecia rugir, cujo raio estava destinado a esmagá-lo, e o abismo da destruição eterna abrir-se diante de seus pés. Mas quando Ambrosio, mudando seu tema, falava da excelência de uma consciência imaculada, da gloriosa perspectiva que a Eternidade apresentava à Alma imaculada de reproche, e da recompensa que a aguardava nas regiões da glória eterna, Seus Auditores sentiam seus espíritos dispersos insensivelmente retornarem. Eles se lançavam com confiança na misericórdia de seu Juiz; Eles se deleitavam com as palavras consoladoras do Pregador; e enquanto sua voz plena se transformava em melodia, Eles eram transportados àquelas regiões felizes que Ele pintava em suas imaginações com cores tão brilhantes e vibrantes.
O discurso era de considerável comprimento; No entanto, quando terminou, a Audiência lamentou que não tivesse durado mais. Embora o Monge tivesse cessado de falar, o silêncio entusiasmado ainda prevalecia pela Igreja: Por fim, o encanto gradualmente se dissipando, a admiração geral foi expressa em termos audíveis. Enquanto Ambrosio descia do Púlpito, Seus Auditores O cercavam, O carregavam de bênçãos, lançavam-se a seus pés, e beijavam a bainha de seu Manto. Ele prosseguia lentamente com as mãos cruzadas devotamente sobre seu peito, até a porta que abria na Capela da Abadia, onde seus Monges O esperavam para recebê-Lo. Ele subia os Degraus, e então, voltando-se para seus Seguidores, dirigia-lhes algumas palavras de gratidão e exortação. Enquanto falava, seu Rosário, composto de grandes grãos de âmbar, caiu de sua mão, e caiu entre a multidão ao redor. Foi tomado avidamente, e imediatamente dividido entre os Espectadores. Quem quer que se tornasse possuidor de uma Conta, a preservava como uma relíquia sagrada; e se fosse o Chaplet do próprio São Francisco, não poderia ter sido disputado com maior vivacidade. O Abade, sorrindo de sua avidez, pronunciou sua bênção, e deixou a Igreja, enquanto a humildade pairava sobre cada traço. Pairava ela também em seu coração?
Os olhos de Antonia O seguiram com ansiedade. Quando a Porta se fechou após Ele, pareceu-lhe que havia perdido alguém essencial para sua felicidade. Uma lágrima escorreu silenciosamente por sua face.
“Ele está separado do mundo!” disse ela consigo mesma; “Talvez, eu nunca mais O veja!”
Enquanto ela enxugava a lágrima, Lorenzo observou sua ação.
“Você está satisfeita com nosso Orador?” disse ele; “Ou você acha que Madrid superestima seus talentos?”
O coração de Antonia estava tão cheio de admiração pelo Monge, que ela avidamente aproveitou a oportunidade de falar dele: Além disso, como ela já não considerava Lorenzo como um absoluto Estranho, ela estava menos embaraçada por sua excessiva timidez.
“Oh! Ele supera todas as minhas expectativas,” respondeu ela; “Até este momento, eu não tinha ideia dos poderes da eloquência. Mas quando Ele falou, sua voz me inspirou com tal interesse, tal estima, eu poderia quase dizer tal afeição por Ele, que estou surpresa com a acuidade de meus sentimentos.”
Lorenzo sorriu da força de suas expressões.
“Você é jovem e está entrando na vida,” disse ele; “Seu coração, novo para o mundo e cheio de calor e sensibilidade, recebe suas primeiras impressões com avidez. Ingênua você mesma, você não suspeita de outros de engano; e vendo o mundo através do meio de sua própria verdade e inocência, você imagina que todos ao seu redor merecem sua confiança e estima. Que pena, que essas visões felizes logo se dissipem! Que pena, que você logo descubra a baixeza da humanidade, e se guarde contra seus semelhantes como contra seus Inimigos!”
“Alas! Senhor,” respondeu Antonia; “Os infortúnios de meus Pais já colocaram diante de mim muitos exemplos tristes da perfídia do mundo! Ainda assim, com certeza, no presente caso, o calor da simpatia não pode ter me enganado.”
“No presente caso, admito que não. O caráter de Ambrosio é perfeitamente sem reproche; e um Homem que passou toda a sua vida dentro das paredes de um Convento não pode ter encontrado a oportunidade de ser culpado, mesmo que fosse possuidor da inclinação. Mas agora, quando, obrigado pelos deveres de sua situação, Ele deve entrar ocasionalmente no mundo, e ser lançado no caminho da tentação, é agora que Lhe cabe mostrar o brilho de sua virtude. A prova é perigosa; Ele está justamente naquela época da vida em que as paixões são mais vigorosas, desbridadas e despóticas; Sua reputação estabelecida O marcará para a Sedução como uma Vítima ilustre; A novidade dará encantos adicionais aos atrativos do prazer; e até os Talentos com que a Natureza O dotou contribuirão para sua ruína, facilitando os meios de obter seu objeto. Poucos retornariam vitoriosos de um conflito tão severo.”
“Ah! Com certeza, Ambrosio será um desses poucos.”
“Disso, eu mesmo não tenho dúvida: Por todas as contas, Ele é uma exceção à humanidade em geral, e a Inveja buscaria em vão por uma mancha em seu caráter.”
“Senhor, você me deleita com essa garantia! Isso me encoraja a indulgenciar minha predisposição em seu favor; e você não sabe com que dor eu reprimiria o sentimento! Ah! Querida Tia, suplique a minha Mãe para escolher Ele como nosso Confessor.”
“Eu suplicar a ela?” respondeu Leonella; “Prometo que não farei tal coisa. Não gosto desse mesmo Ambrosio de forma alguma; Ele tem um olhar de severidade sobre Ele que me fez tremer de cabeça a pés: Se Ele fosse meu Confessor, eu nunca teria coragem de confessar metade de meus pecadilhos, e então eu estaria em uma condição rara! Nunca vi um Mortal tão severo, e espero nunca ver outro. Sua descrição do Diabo, Deus nos abençoe! quase me aterrorizou até a loucura, e quando Ele falou sobre Pecadores, Ele parecia como se estivesse pronto para comê-los.”
“Você está certa, Senhora,” respondeu Don Christoval; “Dizem que a severidade excessiva é o único defeito de Ambrosio. Isento de falhas humanas, Ele não é suficientemente indulgente com as de outros; e embora estritamente justo e desinteressado em suas decisões, seu governo dos Monges já mostrou algumas provas de sua inflexibilidade. Mas a multidão está quase dissipada: Você permitirá que a acompanhemos para casa?”
“Oh! Cristo! Senhor,” exclamou Leonella afetando corar; “Eu não sofreria tal coisa pelo Universo! Se eu chegasse em casa acompanhada por um Cavaleiro tão galante, Minha Irmã é tão escrupulosa que Ela me daria uma hora de lição, e eu nunca ouviria o fim disso. Além disso, eu prefiro que você não faça suas propostas agora.”
“Minhas propostas? Garanto-lhe, Senhora....”
“Oh! Senhor, acredito que suas garantias de impaciência são todas muito verdadeiras; Mas realmente devo desejar um pouco de descanso. Não seria muito delicado da minha parte aceitar sua mão à primeira vista.”
“Aceitar minha mão? Como espero viver e respirar....”
“Oh! Querido Senhor, não me pressione mais, se você me ama! Considerarei sua obediência como uma prova de sua afeição; Você ouvirá de mim amanhã, e assim, adeus. Mas, por favor, Cavaleiros, posso não perguntar seus nomes?”
“Meu Amigo,” respondeu Lorenzo, “é o Condé d’Ossorio, e o meu é Lorenzo de Medina.”
“É suficiente. Bem, Don Lorenzo, informarei minha Irmã sobre sua oferta obrigatória, e lhe darei notícias do resultado com toda a expedição. Onde posso enviar para você?”
“Estou sempre a ser encontrado no Palácio de Medina.”
“Você pode depender de ouvir de mim. Adeus, Cavaleiros. Senhor Condé, permita-me suplicar-lhe que modere o ardor excessivo de sua paixão: No entanto, para provar-lhe que não estou desagradada com você, e impedir que você se abandone ao desespero, receba este sinal de minha afeição, e às vezes dedique um pensamento à ausente Leonella.”
Enquanto dizia isso, ela estendeu uma mão magra e enrugada; que seu suposto Admirador beijou com tal graça infeliz e constrangimento tão evidente, que Lorenzo com dificuldade reprimiu sua inclinação para rir. Leonella então apressou-se em sair da Igreja; A adorável Antonia a seguiu em silêncio; mas quando ela chegou ao Pórtico, ela se voltou involuntariamente, e lançou seus olhos para Lorenzo. Ele acenou para ela, como se despedindo; Ela retribuiu o cumprimento, e se retirou apressadamente.
“Então, Lorenzo!” disse Don Christoval assim que ficaram sozinhos, “Você me proporcionou uma Intriga agradável! Para favorecer seus desígnios sobre Antonia, eu, obrigatoriamente, faço algumas falas civis que não significam nada para a Tia, e no final de uma hora, me encontro à beira do Matrimônio! Como você me recompensará por ter sofrido tão gravemente por sua causa? O que pode me pagar por ter beijado a pata leathern daquela maldita velha Bruxa? Diavolo! Ela deixou tal aroma em meus lábios que cheirarei a alho por este mês que vem! Enquanto passo pelo Prado, serei tomado por uma Omelete ambulante, ou alguma grande Cebola correndo para semear!”
“Confesso, meu pobre Conde,” respondeu Lorenzo, “que seu serviço foi atendido com perigo; No entanto, estou tão longe de supor que seja passado toda a resistência que provavelmente solicitarei que você leve adiante seus amores ainda mais.”
“Dessa petição, concluo que a pequena Antonia fez alguma impressão sobre você.”
“Não posso expressar-lhe como estou encantado com ela. Desde a morte de meu Pai, Meu Tio, o Duque de Medina, tem me significado seus desejos de me ver casado; Eu tenho até agora eludido suas pistas, e me recusado a entendê-las; Mas o que vi esta Noite....”
“Bem? O que você viu esta Noite? Por que, com certeza, Don Lorenzo, você não pode estar louco o suficiente para pensar em fazer uma Esposa dessa Neta de ‘um honesto e trabalhador Sapateiro como qualquer um em Córdova’?”
“Você esquece que Ela também é a Neta do falecido Marquês de las Cisternas; Mas sem discutir sobre nascimento e títulos, devo garantir-lhe que nunca contemplei uma Mulher tão interessante como Antonia.”
“Muito possivelmente; Mas você não pretende se casar com ela?”
“Por que não, meu caro Condé? Terei riqueza suficiente para nós dois, e você sabe que meu Tio pensa liberal sobre o assunto.
Do que vi de Raymond de las Cisternas, tenho certeza de que ele reconhecerá Antonia como sua Nieta. Seu nascimento, portanto, não será um obstáculo para oferecer-lhe minha mão. Eu seria um Vilão se pensasse nela em outros termos que não o casamento; e na verdade, Ela parece possuir todas as qualidades necessárias para me fazer feliz em uma Esposa. Jovem, adorável, gentil, sensível....”
“Sensível? Por que, Ela não disse nada além de ‘Sim,’ e ‘Não’.”
“Ela não disse muito mais, devo confessar—Mas então Ela sempre disse ‘Sim,’ ou ‘Não,’ no lugar certo.”
“Ela fez isso? Oh! suas mais obedientes! Isso é usar um argumento de um verdadeiro Amante, e eu não ouso mais discutir com um Casuísta tão profundo. Suponho que devemos nos dirigir à Comédia?”
“Está fora de meu poder. Cheguei ontem à noite a Madrid, e ainda não tive oportunidade de ver minha Irmã; Você sabe que seu Convento está nesta Rua, e eu estava indo para lá quando a Multidão que vi entrando nesta Igreja excitou minha curiosidade para saber o que estava acontecendo. Agora, prosseguirei com minha primeira intenção, e provavelmente passarei a Noite com minha Irmã na Grade do Parlatório.”
“Sua Irmã em um Convento, você diz? Oh! muito bem, eu havia esquecido. E como está Donna Agnes? Estou surpreso, Don Lorenzo, como você pôde pensar em imurar uma Garota tão encantadora dentro das paredes de um Claustro!”
“Eu pensar nisso, Don Christoval? Como você pode suspeitar de mim de tal barbaridade? Você está consciente de que Ela tomou o véu por seu próprio desejo, e que circunstâncias particulares a fizeram desejar uma reclusão do Mundo. Usei todos os meios ao meu alcance para induzi-la a mudar sua resolução; O esforço foi inútil, e eu perdi uma Irmã!”
“O sortudo você; Penso, Lorenzo, que você foi um grande ganhador com essa perda: Se me lembro bem, Donna Agnes tinha uma porção de dez mil pistoles, metade das quais reverteu para sua Senhoria. Por São Jago! Gostaria de ter cinquenta Irmãs na mesma situação. Eu consentiria em perdê-las, todas, sem muito pesar—”
“Como, Condé?” disse Lorenzo em voz irritada; “Você supõe que eu sou base o suficiente para ter influenciado a aposentadoria de minha Irmã? Você supõe que o desejo desprezível de me tornar Mestre de sua fortuna poderia....”
“Admirável! Coragem, Don Lorenzo! Agora o Homem está todo em chamas. Deus conceda que Antonia possa suavizar esse temperamento inflamável, ou certamente cortaremos a garganta um do outro antes do Mês terminar! No entanto, para prevenir tal Catástrofe trágica por enquanto, farei uma retirada, e deixarei você Mestre do campo. Adeus, meu Cavaleiro do Monte Aetna! Modere essa disposição inflamável, e lembre-se de que sempre que for necessário fazer amor àquela Harpia, você pode contar com meus serviços.”
Ele disse, e saiu da Catedral.
“Como desmiolado!” disse Lorenzo; “Com um coração tão excelente, que pena que Ele possua tão pouca solidez de julgamento!”
A noite agora avançava rapidamente. As Lâmpadas ainda não estavam acesas. Os fracos raios da Lua nascente mal podiam penetrar através da obscuridade gótica da Igreja. Lorenzo se viu incapaz de deixar o Local. O vazio deixado em seu peito pela ausência de Antonia, e o sacrifício de sua Irmã que Don Christoval acabara de recordar em sua imaginação, criaram uma melancolia de espírito que se harmonizava bem demais com a religiosa escuridão que o cercava. Ele ainda estava encostado na sétima coluna do Púlpito. Uma brisa suave e refrescante soprava pelos corredores solitários: Os raios da Lua, penetrando na Igreja através de janelas pintadas, tingiam os tetos frettados e os pilares maciços com mil cores e luzes diversas:
O silêncio universal prevalecia ao redor, apenas interrompido pelo ocasional fechamento de Portas na Abadia adjacente.
A calma da hora e a solidão do lugar contribuíram para nutrir a disposição melancólica de Lorenzo. Ele se sentou em um banco que estava perto dele, e se abandonou às ilusões de sua imaginação. Ele pensou em sua união com Antonia; Ele pensou nos obstáculos que poderiam se opor a seus desejos; e mil visões cambiantes flutuaram diante de sua imaginação, tristes, é verdade, mas não desagradáveis. O sono insensivelmente o envolveu, e a tranquila solenidade de sua mente quando acordado por um tempo continuou a influenciar seus sonhos.
Ele ainda se imaginava na Igreja dos Capuchinhos; mas já não estava escura e solitária. Multidões de Lâmpadas de prata derramavam esplendor do Teto abobadado; Acompanhada pelo cativante canto de coristas distantes, a melodia do Órgão ressoava pela Igreja; O Altar parecia decorado como para alguma festa distinguida; Estava cercado por uma Companhia brilhante; e perto dele estava Antonia vestida de branco nupcial, e ruborizando com todos os encantos da Modéstia Virgem.
Com esperança e medo, Lorenzo observava a cena diante dele. De repente, a porta que levava à Abadia se abriu, e Ele viu, acompanhado por um longo séquito de Monges, o Pregador avançar a quem Ele acabara de ouvir com tanta admiração. Ele se aproximou de Antonia.
“E onde está o Noivo?” disse o Frade imaginário.
Antonia parecia olhar ao redor da Igreja com ansiedade. Involuntariamente, o Jovem avançou alguns passos de seu esconderijo. Ela o viu; O rubor do prazer brilhou em sua face; Com um movimento gracioso de sua mão, Ela o convidou a avançar. Ele não desobedeceu ao comando; Ele voou em sua direção, e se lançou a seus pés.
Ela recuou por um momento; Então, olhando para ele com deleite indizível;—“Sim!” Ela exclamou, “Meu Noivo! Meu Noivo destinado!” Ela disse, e apressou-se em lançar-se em seus braços; Mas antes que Ele tivesse tempo de recebê-la, um Desconhecido se interpôs entre eles. Sua forma era gigantesca; Sua compleição era morena, seus olhos ferozes e terríveis; sua Boca exalava volumes de fogo; e em sua testa estava escrito em caracteres legíveis—“Orgulho! Luxúria! Inumanidade!”
Antonia gritou. O Monstro a apertou em seus braços, e saltando com ela para o Altar, a torturou com suas carícias odiosas. Ela tentou em vão escapar de seu abraço. Lorenzo voou em seu socorro, mas antes que Ele tivesse tempo de alcançá-la, um forte estrondo de trovão foi ouvido. Instantaneamente, a Catedral parecia desmoronar em pedaços; Os Monges se puseram em fuga, gritando com medo; As Lâmpadas foram apagadas, o Altar afundou, e em seu lugar apareceu um abismo vomitando nuvens de chama. Pronunciando um grito alto e terrível, o Monstro mergulhou no Abismo, e em sua queda tentou arrastar Antonia com ele. Ele lutou em vão. Animada por poderes sobrenaturais, Ela se desvencilhou de seu abraço; Mas seu Manto branco ficou em seu poder. Instantaneamente, uma asa de brilho esplêndido se estendeu de cada um dos braços de Antonia. Ela disparou para cima, e enquanto subia, gritou para Lorenzo,
“Amigo! nos encontraremos acima!”
No mesmo momento, o Teto da Catedral se abriu; Vozes harmoniosas ressoaram pelos Arcos; e a glória na qual Antonia foi recebida era composta de raios de brilho tão deslumbrante, que Lorenzo foi incapaz de sustentar o olhar. Sua visão falhou, e Ele caiu no chão.
Quando Ele acordou, Ele se encontrou estendido no pavimento da Igreja: Estava Iluminada, e o canto de Hinos soava de longe. Por um tempo, Lorenzo não conseguiu se persuadir de que o que Ele acabara de testemunhar havia sido um sonho, tão forte impressão havia feito em sua imaginação. Um pouco de reflexão o convenceu de seu engano: As Lâmpadas haviam sido acesas durante seu sono, e a música que ele ouvia era ocasionada pelos Monges, que estavam celebrando suas Vésperas na Capela da Abadia.
Lorenzo se levantou, e se preparou para dirigir seus passos para o Convento de sua Irmã. Sua mente totalmente ocupada pela singularidade de seu sonho, Ele já se aproximava do Pórtico, quando sua atenção foi atraída ao perceber uma Sombra se movendo na parede oposta. Ele olhou curiosamente ao redor, e logo avistou um Homem envolto em seu Manto, que parecia examinar cuidadosamente se suas ações eram observadas. Poucas pessoas são imunes à influência da curiosidade. O Desconhecido parecia ansioso para esconder seu negócio na Catedral, e foi justamente essa circunstância que fez Lorenzo desejar descobrir o que Ele estava fazendo.
Nosso Herói estava consciente de que não tinha direito de bisbilhotar os segredos desse desconhecido Cavaleiro.
“Vou embora,” disse Lorenzo. E Lorenzo ficou onde estava.
A sombra lançada pela Coluna o ocultava efetivamente do Estranho, que continuou a avançar com cautela. Por fim, Ele tirou uma carta de sob seu manto, e a colocou apressadamente sob uma Estátua Colossal de São Francisco. Então, retirando-se com precipitação, Ele se escondeu em uma parte da Igreja a uma distância considerável daquela em que a Imagem estava.
“Então!” disse Lorenzo consigo mesmo; “Isso é apenas algum caso de amor tolo. Acredito que posso ir embora, pois não posso fazer nada de bom nisso.”
Na verdade, até aquele momento, nunca lhe ocorreu que poderia fazer algo de bom nisso; Mas ele achou necessário dar alguma pequena desculpa a si mesmo por ter indulgido sua curiosidade. Agora, ele fez uma segunda tentativa de sair da Igreja: Desta vez, ele ganhou o Pórtico sem encontrar nenhum impedimento; Mas estava destinado que ele a visitasse novamente naquela noite. Enquanto descia os degraus que levavam à Rua, um Cavaleiro se chocou contra ele com tanta violência, que Ambos quase foram derrubados pela colisão. Lorenzo colocou a mão em sua espada.
“Como agora, Senhor?” disse ele; “O que significa essa grosseria?”
“Ha! É você, Medina?” respondeu o Recém-chegado, a quem Lorenzo agora reconheceu pela voz como Don Christoval; “Você é o Fellow mais sortudo do Universo, por não ter saído da Igreja antes de meu retorno. Entre, entre! meu caro Rapaz! Eles estarão aqui imediatamente!”
“Quem estará aqui?”
“A velha Galinha e todos os seus lindos Pintinhos! Entre, digo, e então você saberá toda a História.”
Lorenzo o seguiu para dentro da Catedral, e eles se esconderam atrás da Estátua de São Francisco.
“E agora,” disse nosso Herói, “posso ter a liberdade de perguntar, o que significa toda essa pressa e êxtase?”
“Oh! Lorenzo, veremos uma visão gloriosa! A Prioresa de Santa Clara e todo o seu séquito de Freiras estão vindo para cá. Você deve saber que o piedoso Padre Ambrosio (Que o Senhor o recompense por isso!) não sai de seus próprios domínios: Sendo absolutamente necessário que todo Convento de moda o tenha como seu Confessor, as Freiras são, consequentemente, obrigadas a visitá-lo na Abadia; pois quando a Montanha não vai a Maomé, Maomé deve ir à Montanha. Agora, a Prioresa de Santa Clara, para melhor escapar do olhar de tais olhos impuros como os seus e de seu humilde Servidor, acha adequado trazer seu rebanho santo para confissão no Crepúsculo: Ela será admitida na Capela da Abadia por aquela porta particular. A Porteira de Santa Clara, que é uma alma digna e uma amiga particular minha, acaba de me garantir que elas estarão aqui em poucos momentos. Há notícias para você, você Patife! Veremos algumas das faces mais bonitas de Madrid!”
“Na verdade, Christoval, não veremos nada disso. As Freiras estão sempre veladas.”
“Não! Não! Eu sei melhor. Ao entrar em um lugar de culto, elas sempre tiram seus véus por respeito ao Santo a quem é dedicado. Mas Ouça! Elas estão vindo! Silêncio, silêncio! Observe, e seja convencido.”
“Bom!” disse Lorenzo consigo mesmo; “Posso possivelmente descobrir para quem são dirigidos os votos deste misterioso Estranho.”
Mal Don Christoval terminara de falar, quando a Domina de Santa Clara apareceu, seguida por um longo cortejo de Freiras. Cada uma, ao entrar na Igreja, tirou seu véu. A Prioresa cruzou as mãos sobre o peito, e fez uma profunda reverência ao passar pela Estátua de São Francisco, o Padroeiro desta Catedral. As Freiras seguiram seu exemplo, e várias avançaram sem que Lorenzo satisfizesse sua curiosidade. Ele quase começou a desesperar de ver o mistério esclarecido, quando, ao pagar seus respeitos a São Francisco, uma das Freiras aconteceu de deixar cair seu Rosário. Enquanto Ela se abaixava para pegá-lo, a luz caiu plenamente sobre seu rosto. No mesmo momento, Ela removeu habilmente a carta de sob a Imagem, a colocou em seu seio, e apressou-se em retomar seu lugar no cortejo.
“Ha!” disse Christoval em voz baixa; “Aqui temos algum pequeno Caso, sem dúvida.”
“Agnes, pelo céu!” exclamou Lorenzo.
“O que, sua Irmã? Diavolo! Então alguém, suponho, terá que pagar por nossa bisbilhotice.”
“E pagará por isso sem demora,” respondeu o Irmão irritado.
O piedoso cortejo agora havia entrado na Abadia; A Porta já estava fechada sobre ele. O Desconhecido imediatamente deixou seu esconderijo e apressou-se em sair da Igreja: Antes que Ele pudesse realizar sua intenção, Ele avistou Medina estacionado em seu caminho. O Estranho recuou apressadamente, e cobriu seu rosto com o Chapéu.
“Não tente fugir de mim!” exclamou Lorenzo; “Eu saberei quem você é, e quais eram os conteúdos daquela Carta.”
“Daquela Carta?” repetiu o Desconhecido. “E com que título você faz a pergunta?”
“Com um título do qual agora me envergonho; Mas não cabe a você questionar-me. Ou responda circunstanciadamente a minhas exigências, ou responda-me com sua Espada.”
“O último método será o mais curto,” respondeu o Outro, sacando seu Rapier; “Venha, Senhor Bravo! Estou pronto!”
Ardendo de raiva, Lorenzo apressou-se para o ataque: Os Antagonistas já haviam trocado vários golpes antes que Christoval, que naquele momento tinha mais senso do que qualquer um deles, pudesse se colocar entre suas armas.
“Pare! Pare! Medina!” Ele exclamou; “Lembre-se das consequências de derramar sangue em solo consagrado!”
O Desconhecido imediatamente deixou cair sua Espada.
“Medina?” Ele gritou; “Grande Deus, é possível! Lorenzo, você se esqueceu completamente de Raymond de las Cisternas?”
O espanto de Lorenzo aumentou a cada momento seguinte. Raymond avançou em sua direção, mas com um olhar de suspeita, Ele recuou sua mão, que o Outro estava prestes a tomar.
“Você aqui, Marquês? O que significa tudo isso? Você envolvido em uma correspondência clandestina com minha Irmã, cujos afetos....”
“Sempre foram, e ainda são meus. Mas este não é lugar adequado para uma explicação. Acompanhe-me ao meu Hotel, e você saberá tudo. Quem é aquele com você?”
“Alguém que acredito que você já tenha visto antes,” respondeu Don Christoval, “embora provavelmente não na Igreja.”
“O Condé d’Ossorio?”
“Exatamente. Marquês, onde você pode ser encontrado?”
“Como de costume, no Hotel de las Cisternas; Mas lembre-se, que estou incógnito, e que se você quiser me ver, deve perguntar por Alphonso d’Alvarada.”
“Bom! Bom! Adeus, Cavaleiros!” disse Don Christoval, e imediatamente partiu.
“Você, Marquês,” disse Lorenzo no acento da surpresa; “Você, Alphonso d’Alvarada?”
“Exatamente, Lorenzo: Mas a menos que você já tenha ouvido minha história de sua Irmã, tenho muito a relatar que o surpreenderá. Siga-me, portanto, ao meu Hotel sem demora.”
Neste momento, o Porteiro dos Capuchinhos entrou na Catedral para trancar as portas para a noite. Os dois Nobres se retiraram imediatamente, e apressaram-se com toda a velocidade para o Palácio de las Cisternas.
“Bem, Antonia!” disse a Tia, assim que Ela havia saído da Igreja; “O que você pensa de nossos Galantes? Don Lorenzo realmente parece um jovem muito prestativo e de bom coração: Ele lhe deu alguma atenção, e ninguém sabe o que pode vir disso. Mas quanto a Don Christoval, protesto para você, Ele é o próprio Fênix da polidez. Tão galante! tão bem-educado! Tão sensível, e tão patético! Bem! Se algum Homem puder me fazer quebrar meu voto de nunca me casar, será esse Don Christoval. Você vê, Sobrinha, que tudo acontece exatamente como eu lhe disse: O momento em que me apresentei em Madrid, eu sabia que seria cercada por Admiradores. Quando tirei meu véu, você viu, Antonia, o efeito que a ação teve sobre o Condé? E quando lhe apresentei minha mão, você observou o ar de paixão com que Ele a beijou? Se alguma vez vi amor verdadeiro, então o vi impresso na face de Don Christoval!”
Agora, Antonia havia observado o ar com que Don Christoval havia beijado essa mesma mão; Mas como Ela tirou conclusões disso um pouco diferentes das de sua Tia, Ela foi sábia o suficiente para ficar calada. Como este é o único caso conhecido de uma Mulher ter feito isso, foi julgado digno de ser registrado aqui.
A velha Senhora continuou seu discurso para Antonia no mesmo tom, até que chegaram à Rua onde estava sua Hospedaria. Aqui, uma Multidão coletada diante de sua porta não lhes permitiu se aproximar; e colocando-se no lado oposto da Rua, elas tentaram descobrir o que havia reunido toda essa gente. Após alguns minutos, a Multidão se formou em um Círculo; E agora, Antonia percebeu no meio dela uma Mulher de altura extraordinária, que se revirava repetidamente de um lado para o outro, usando todo tipo de gestos extravagantes. Sua roupa era composta de pedaços de sedas e Linhos de várias cores, dispostos de forma fantástica, mas não sem gosto. Sua cabeça estava coberta com uma espécie de Turbante, ornamentado com folhas de videira e flores silvestres. Ela parecia muito queimada pelo sol, e sua compleição era de um oliva profundo: Seus olhos pareciam ferozes e estranhos; e em sua mão, Ela carregava um longo Cajado preto, com o qual, a intervalos, traçava uma variedade de figuras singulares no chão, ao redor das quais Ela dançava em todas as atitudes excêntricas de loucura e delírio. De repente, Ela interrompeu sua dança, revirou-se três vezes rapidamente, e após um momento de pausa, cantou a seguinte Balada.
A CANÇÃO DA CIGANA
Venha, cruze minha mão! Minha arte supera Tudo que já foi conhecido por Mortal; Venha, Donzelas, venha! Minhas vidências mágicas Podem mostrar a forma de seu futuro Esposo:
Pois a mim foi dado o poder De abrir o livro do Destino; Ler os decretos fixos do céu, E mergulhar no futuro.
Eu guio a Lua prateada em seu carro; Os ventos em laços mágicos eu prendo; Encanto para dormir o Dragão carmesim, Que ama vigiar o ouro enterrado:
Protegida por feitiços, aventuro-me Em seu sabá estranho onde Bruxas se reúnem; Sem medo, entro no círculo do Feiticeiro, E ilesa piso em serpentes adormecidas.
Eis aqui encantos de grande poder! Este assegura a fidelidade de um Esposo; E este, composto à meia-noite, Forçará o amor do Jovem mais frio:
Se alguma Donzela concedeu demais, Este Filtro reparará sua perda; Este faz florescer uma face onde falta vermelhidão, E este tornará uma moça morena em clara!
Então, ouça em silêncio, enquanto descubro O que vejo no espelho da Fortuna; E cada uma, quando muitos anos passarem, Reconhecerá as palavras da Cigana como verdadeiras.
“Querida Tia!” disse Antonia quando a Estranha terminou, “Ela não está louca?”
“Louca? Não, Criança; Ela é apenas má. Ela é uma Cigana, uma espécie de Vagabunda, cuja única ocupação é correr pelo país contando mentiras, e roubando daqueles que ganham seu dinheiro honestamente. Fora com tais Vermes! Se eu fosse Rei da Espanha, cada uma delas seria queimada viva que fosse encontrada em meus domínios após as próximas três semanas.”
Essas palavras foram pronunciadas tão audivelmente que chegaram aos ouvidos da Cigana. Ela imediatamente penetrou através da Multidão e se dirigiu às Senhoras. Ela as saudou três vezes à moda oriental, e então se dirigiu a Antonia.
A CIGANA
“Senhora! gentil Senhora! Saiba, Posso mostrar seu futuro; Dê sua mão, e não tema; Senhora! gentil Senhora! ouça!”
“Querida Tia!” disse Antonia, “Indulgencie-me desta vez! Deixe-me ter minha sorte contada!”
“Bobagem, Criança! Ela não lhe dirá nada além de mentiras.”
“Não importa; Deixe-me ao menos ouvir o que Ela tem a dizer. Faça, minha querida Tia! Obrigue-me, eu lhe suplico!”
“Bem, bem! Antonia, já que você está tão determinada, ... Aqui, boa Mulher, você verá as mãos de ambas. Aqui está dinheiro para você, e agora deixe-me ouvir minha sorte.”
Enquanto dizia isso, Ela tirou sua luva, e apresentou sua mão; A Cigana olhou para ela por um momento, e então fez esta resposta.
A CIGANA
“Sua sorte? Você está tão velha, Boa Dama, que já foi contada: No entanto, por seu dinheiro, em um instante Eu a recompensarei com conselhos. Surpresa com sua vaidade infantil, Seus Amigos a taxam de insanidade, E lamentam vê-la usar sua arte Para capturar o coração de algum Jovem Amante. Acredite em mim, Dama, quando tudo estiver feito, Sua idade ainda será cinquenta e um; E os Homens raramente tomarão uma pista De amor, de dois olhos cinzentos que estrabicam. Aceite então meus conselhos; Deixe de lado Sua pintura e remendos, luxúria e orgulho, E nas Sombras aquelas somas gaste, Que agora são gastas em vaidade inútil. Pense em seu Criador, não em um Pretendente; Pense em seus pecados passados, não em futuros; E pense que a Foice do Tempo logo ceifará Os poucos cabelos vermelhos que adornam sua testa.
A audiência riu durante o discurso da Cigana; e—“cinquenta e um,”—“olhos estrábicos,” “cabelos vermelhos,”—“pintura e remendos,” &c. foram repetidos de boca em boca. Leonella estava quase sufocada de raiva, e carregou sua Conselheira maliciosa com os mais amargos reproches. A morena Profetisa, por algum tempo, ouviu-a com um sorriso de desprezo: por fim, Ela lhe deu uma curta resposta, e então se voltou para Antonia.
A CIGANA
“Paz, Senhora! O que eu disse foi verdade; E agora, minha linda Donzela, para você; Dê-me sua mão, e deixe-me ver Seu destino, e o decreto do céu.”
Imitando Leonella, Antonia tirou sua luva, e apresentou sua mão branca à Cigana, que, após olhá-la por algum tempo com uma expressão mista de piedade e espanto, pronunciou seu Oráculo nas seguintes palavras.
A CIGANA
“Jesus! que palma é essa! Castidade, e gentileza, jovem e bela, Mente e forma perfeitas possuindo, Você seria a bênção de algum bom Homem: Mas Alas! Esta linha revela, Que a destruição paira sobre você; Homem lascivo e Diabo astuto Se unirão para trabalhar seu mal; E da terra por dores impelida, Logo sua Alma voará para o céu. No entanto, para adiar seus sofrimentos, Bem lembre-se do que eu digo. Quando você vir Um mais virtuoso Do que pertence ao Homem ser, Um, cuja própria alma, livre de crimes, Não perdoa as Falhas do Próximo, Lembre-se das palavras da Cigana: Embora Ele pareça tão bom e gentil, Aparências externas frequentemente escondem Corações que se inflamam de luxúria e orgulho! Linda Donzela, com lágrimas eu a deixo! Que minha predição não a entristeça; Antes, com submissão se curvando, Calmamente espere a desgraça iminente, E espere a felicidade eterna Em um mundo melhor que este.
Tendo dito isso, a Cigana novamente se revirou três vezes, e então apressou-se a sair da Rua com gestos frenéticos. A Multidão a seguiu; e a porta de Elvira, agora desimpedida, Leonella entrou na Casa fora de humor com a Cigana, com sua Sobrinha, e com as Pessoas; Em suma, com todos, exceto ela mesma e seu charmoso Cavaleiro. As predições da Cigana também haviam afetado consideravelmente Antonia; Mas a impressão logo se desfez, e em poucas horas, Ela havia esquecido a aventura tão totalmente como se nunca tivesse acontecido.
CAPÍTULO II.
Forse sé tu gustassi una sòl volta La millésima parte délle giòje, Ché gusta un còr amato riamando, Diresti ripentita sospirando, Perduto è tutto il tempo Ché in amar non si spènde.
TASSO.
Se você tivesse provado uma vez a milésima parte Das alegrias que abençoam o coração amado e amante, Suas palavras seriam de arrependimento e seus suspiros provariam, Perdido é o tempo que não é gasto em amor.
Os Monges, após acompanharem seu Abade até a porta de sua Cela, foram dispensados por ele com um ar de superioridade consciente, no qual a aparência da humildade lutava com a realidade do orgulho.
Mal ficou sozinho, ele se entregou livremente à indulgência de sua vaidade. Ao lembrar-se do entusiasmo que seu discurso havia despertado, seu coração se encheu de êxtase, e sua imaginação apresentou-lhe visões esplêndidas de engrandecimento. Ele olhou ao seu redor com exultação, e o Orgulho lhe disse alto que ele era superior ao resto de seus semelhantes.
“Quem,” pensou ele; “Quem além de mim passou pela provação da Juventude, e ainda não vê uma única mancha em sua consciência? Quem mais subjugou a violência de paixões fortes e de um temperamento impetuoso, e se submeteu, mesmo desde o alvorecer da vida, ao retiro voluntário? Procuro em vão por tal Homem. Não vejo ninguém além de mim mesmo possuidor de tal resolução. A Religião não pode ostentar um igual a Ambrosio! Que efeito poderoso meu discurso produziu em seus Ouvintes! Como eles se aglomeraram ao meu redor! Como me carregaram de bênçãos, e me proclamaram o único Pilar inabalável da Igreja! O que então me resta fazer? Nada, senão vigiar com cuidado a conduta de meus Irmãos, como tenho feito até agora com a minha própria. No entanto, espere! Posso não ser tentado a desviar-me dos caminhos que até agora tenho seguido sem um único momento de desvio? Não sou eu um Homem, cuja natureza é frágil e propensa ao erro? Devo agora abandonar a solidão de meu retiro; As mais belas e nobres Damas de Madrid apresentam-se constantemente na Abadia, e não usarão outro Confessor.
Devo acostumar meus olhos a Objetos de tentação, e expor-me à sedução do luxo e do desejo. Se eu encontrar naquele mundo que sou obrigado a entrar alguma Mulher encantadora, encantadora ... como aquela Madona....!”
Enquanto dizia isso, ele fixou seus olhos em uma pintura da Virgem, que estava suspensa em frente a ele: Esta, por dois anos, havia sido o Objeto de sua crescente admiração e adoração. Ele parou, e olhou para ela com deleite.
“Que Beleza naquele rosto!” ele continuou após um silêncio de alguns minutos; “Quão gracioso é o contorno daquela cabeça! Que doçura, e que majestade em seus olhos divinos! Como suavemente seu rosto repousa sobre sua mão! Pode a Rosa rivalizar com o rubor daquela face? Pode o Lírio competir com a brancura daquela mão? Oh! se tal Criatura existisse, e existisse apenas para mim! Se eu fosse permitido entrelaçar meus dedos naqueles cachos dourados, e pressionar com meus lábios os tesouros daquele seio nevado! Deus Gracioso, resistiria eu à tentação? Não trocaria eu pela recompensa de meus sofrimentos por trinta anos um único abraço? Não abandonaria eu.... Tolo que sou! Para onde me deixo levar por minha admiração por esta pintura? Fora, ideias impuras! Deixe-me lembrar que a Mulher está para sempre perdida para mim. Nunca foi formado um Mortal tão perfeito como esta pintura. Mas mesmo que tal existisse, a provação poderia ser demasiado forte para uma virtude comum, mas a de Ambrosio é à prova de tentação. Tentação, eu disse? Para mim, não seria nenhuma. O que me encanta, quando idealizado e considerado como um Ser superior, me disgustaria, tornado Mulher e manchado com todas as falhas da Mortalidade. Não é a beleza da Mulher que me enche de tal entusiasmo; É a habilidade do Pintor que admiro, é a Divindade que adoro! As paixões não estão mortas em meu peito? Não me libertei da fraqueza da Humanidade? Não temas, Ambrosio! Confie na força de sua virtude. Entre corajosamente em um mundo cujos falhas você é superior; Reflita que você agora está isento dos defeitos da Humanidade, e desafie todas as artes dos Espíritos das Trevas. Eles saberão quem você é!”
Aqui, sua Meditação foi interrompida por três suaves batidas na porta de sua Cela. Com dificuldade, o Abade acordou de seu delírio. As batidas foram repetidas.
“Quem está aí?” disse Ambrosio por fim.
“É apenas Rosario,” respondeu uma voz gentil.
“Entre! Entre, meu Filho!”
A Porta foi imediatamente aberta, e Rosario apareceu com uma pequena cesta em sua mão.
Rosario era um jovem Noviço pertencente ao Mosteiro, que em três Meses pretendia fazer sua profissão. Uma espécie de mistério envolvia este Jovem, que o tornava ao mesmo tempo um objeto de interesse e curiosidade. Seu ódio pela sociedade, sua profunda melancolia, sua rígida observância dos deveres de sua ordem, e sua reclusão voluntária do mundo em sua idade tão incomum, atraíram a atenção de toda a fraternidade. Ele parecia temer ser reconhecido, e ninguém jamais vira seu rosto. Sua cabeça estava continuamente coberta por seu Capuz; No entanto, as feições que o acaso revelava pareciam as mais belas e nobres. Rosario era o único nome pelo qual Ele era conhecido no Mosteiro.
Ninguém sabia de onde Ele vinha, e quando questionado sobre o assunto, Ele mantinha um profundo silêncio. Um Estranho, cuja rica indumentária e equipagem magnífica declaravam ser de posição distinguida, havia engajado os Monges a receber um Noviço, e depositado as somas necessárias. No dia seguinte, Ele retornou com Rosario, e desde então nada mais se soube dele.
O Jovem havia evitado cuidadosamente a companhia dos Monges: Ele respondia a suas cortesias com doçura, mas reserva, e evidentemente mostrava que sua inclinação o levava à solidão. A esta regra geral, o Superior era a única exceção. A Ele, Ele olhava com um respeito próximo à idolatria: Ele buscava sua companhia com a mais atenciosa assiduidade, e avidamente aproveitava todas as oportunidades para se agradar em seu favor. Na sociedade do Abade, seu Coração parecia estar em paz, e um ar de alegria permeava todo o seu comportamento e discurso. Ambrosio, por sua vez, não sentia menos atraído pelo Jovem; Com ele apenas, Ele deixava de lado sua habitual severidade. Quando falava com ele, insensivelmente assumia um tom mais brando do que era habitual nele; e nenhuma voz soava tão doce para ele quanto a de Rosario. Ele retribuía as atenções do Jovem instruindo-o em várias ciências; O Noviço recebia suas lições com docilidade; Ambrosio estava a cada dia mais encantado com a vivacidade de seu Gênio, a simplicidade de seus modos, e a retidão de seu coração: Em suma, Ele o amava com todo o afeto de um Pai. Ele não podia deixar de, às vezes, indulgir o desejo secretamente de ver o rosto de seu Pupilo; Mas sua regra de autonegação se estendia até à curiosidade, e o impedia de comunicar seus desejos ao Jovem.
“Perdoe minha intrusão, Pai,” disse Rosario, enquanto colocava sua cesta sobre a Mesa; “Venho a você como um Suplicante. Ouvindo que um querido Amigo está perigosamente doente, suplico suas orações por sua recuperação. Se súplicas podem prevalecer sobre o céu para poupá-lo, com certeza as suas devem ser eficazes.”
“Tudo o que depende de mim, meu Filho, você sabe que pode comandar.
Qual é o nome de seu Amigo?”
“Vincentio della Ronda.”
“É suficiente. Não o esquecerei em minhas orações, e que nosso três vezes abençoado São Francisco se digne a ouvir minha intercessão!—O que você tem em sua cesta, Rosario?”
“Algumas daquelas flores, reverendo Pai, que observei serem as mais aceitáveis para você. Você permite que eu as disponha em sua câmara?”
“Suas atenções me encantam, meu Filho.”
Enquanto Rosario espalhava o conteúdo de sua Cesta em pequenos Vasos colocados para esse propósito em várias partes da sala, o Abade assim continuou a conversa.
“Não o vi na Igreja esta noite, Rosario.”
“No entanto, eu estava presente, Pai. Sou muito grato por sua proteção para perder a oportunidade de testemunhar seu Triunfo.”
“Alas! Rosario, tenho pouca causa para triunfar: O Santo falou por minha boca; A Ele pertence todo o mérito. Parece então que você estava contente com meu discurso?”
“Contente, você diz? Oh! você se superou! Nunca ouvi tal eloquência ... exceto uma vez!”
Aqui, o Noviço soltou um suspiro involuntário.
“Quando foi essa vez?” perguntou o Abade.
“Quando você pregou sobre a repentina indisposição de nosso falecido Superior.”
“Lembro-me: Isso foi há mais de dois anos. E você estava presente? Eu não o conhecia naquela época, Rosario.”
“É verdade, Pai; e quem dera! Eu tivesse expirado, antes de presenciar aquele dia! Que sofrimentos, que dores eu teria evitado!”
“Sofrimentos em sua idade, Rosario?”
“Sim, Pai; Sofrimentos, que se conhecidos por você, levantariam igualmente sua ira e compaixão! Sofrimentos, que formam ao mesmo tempo o tormento e o prazer de minha existência! No entanto, neste retiro, meu peito sentiria tranquilidade, não fosse pelos tormentos da apreensão. Oh Deus! Oh Deus! quão cruel é uma vida de medo!—Pai! Eu dei tudo; Abandonei o mundo e seus prazeres para sempre: Nada agora resta, Nada agora tem encantos para mim, exceto sua amizade, exceto seu afeto. Se eu perder isso, Pai! Oh! se eu perder isso, tremam diante dos efeitos de meu desespero!”
“Você teme a perda de minha amizade? Como minha conduta justificou esse medo? Conheça-me melhor, Rosario, e pense-me digno de sua confiança. Quais são seus sofrimentos? Revele-os a mim, e acredite que se estiver ao meu alcance aliviá-los....”
“Ah! está no poder de ninguém além de você. No entanto, devo não deixá-lo saber. Você me odiaria por minha confissão! Você me expulsaria de sua presença com desprezo e ignomínia!”
“Meu Filho, eu o conjuro! Eu o suplico!”
“Por piedade, não pergunte mais! Devo não ... Ouso não... Ouça! O Sino toca para Vésperas! Pai, sua bênção, e eu o deixo!”
Enquanto dizia isso, Ele se lançou de joelhos e recebeu a bênção que solicitava. Então, pressionando a mão do Abade contra seus lábios, Ele se levantou do chão e saiu apressadamente do aposento. Logo depois, Ambrosio desceu para Vésperas (que eram celebradas em uma pequena capela pertencente à Abadia), cheio de surpresa com a singularidade do comportamento do Jovem.
Vésperas terminadas, os Monges se retiraram para suas respectivas Celas. O Abade sozinho permaneceu na Capela para receber as Freiras de Santa Clara. Ele não havia estado muito tempo sentado na cadeira confessional antes que a Prioresa aparecesse. Cada uma das Freiras foi ouvida em sua vez, enquanto as Outras esperavam com a Domina no Vestíbulo adjacente. Ambrosio ouviu as confissões com atenção, fez muitas exortações, impôs penitências proporcionadas a cada ofensa, e por algum tempo tudo correu como de costume: até que, por fim, uma das Freiras, conspícua pela nobreza de seu ar e elegância de sua figura, descuidadamente deixou cair uma carta de seu seio. Ela estava se retirando, inconsciente de sua perda. Ambrosio supôs que havia sido escrita por algum de seus Parentes, e a pegou com a intenção de devolvê-la a ela.
“Espere, Filha,” disse ele; “Você deixou cair....”
Neste momento, o papel já estando aberto, seu olho involuntariamente leu as primeiras palavras. Ele recuou com surpresa! A Freira havia se virado ao ouvir sua voz: Ela percebeu sua carta em sua mão, e soltando um grito de terror, correu apressadamente para recuperá-la.
“Pare!” disse o Frade em tom de severidade; “Filha, devo ler esta carta.”
“Então estou perdida!” Ela exclamou, juntando as mãos em desespero.
Toda cor instantaneamente desapareceu de seu rosto; ela tremia de agitação, e foi obrigada a apoiar-se em um Pilar da Capela para não cair no chão. Enquanto isso, o Abade leu as seguintes linhas:
“Tudo está pronto para sua fuga, minha querida Agnes. À meia-noite de amanhã, espero encontrá-la na porta do Jardim: Obtive a Chave, e algumas horas serão suficientes para colocá-la em um asilo seguro. Deixe que nenhum escrúpulo equivocado a induza a rejeitar os meios certos de preservar a si mesma e à Criatura inocente que você nutre em seu seio. Lembre-se de que você havia prometido ser minha, muito antes de se engajar com a igreja; que sua situação em breve será evidente aos olhos inquisidores de suas Companheiras; e que a fuga é o único meio de evitar os efeitos de sua maliciosa ressentimento. Adeus, minha Agnes! minha querida e destinada Esposa! Não falhe em estar na porta do Jardim à meia-noite!”
Assim que terminou, Ambrosio lançou um olhar severo e irritado sobre a imprudente Freira.
“Esta carta deve ir para a Prioresa!” disse ele, e passou por ela.
Suas palavras soaram como trovão em seus ouvidos: Ela acordou de sua torpor apenas para ser sensível aos perigos de sua situação. Ela o seguiu apressadamente, e o deteve por sua vestimenta.
“Pare! Oh! pare!” Ela gritou nos acentos do desespero, enquanto se lançava aos pés do Frade, e os banhava com suas lágrimas. “Pai, compadeça-se de minha juventude! Olhe com indulgência para a fraqueza de uma Mulher, e digna-se a ocultar minha fraqueza! O restante de minha vida será empregado em expiar esta única falta, e sua lenidade trará de volta uma alma para o céu!”
“Confiança espantosa! Que! Deve o Convento de Santa Clara tornar-se o retiro de Prostitutas? Devo sofrer que a Igreja de Cristo abrigue em seu seio devassidão e vergonha? Indigna Criatura! tal lenidade me tornaria seu cúmplice. A misericórdia aqui seria criminosa. Você se entregou à luxúria de um Sedutor; Você profanou o hábito sagrado com sua impureza; e ainda ousa pensar-se digna de minha compaixão? Daqui, nem me detenha mais! Onde está a Senhora Prioresa?” Ele acrescentou, elevando sua voz.
“Pare! Pai, Pare! Ouça-me apenas por um momento! Não me taxe de impureza, nem pense que errei pela força do temperamento. Muito antes de tomar o véu, Raymond era Dono de meu coração: Ele me inspirou com a mais pura, a mais irrepreensível paixão, e estava prestes a se tornar meu legítimo esposo. Uma aventura horrível, e a traição de um Parente, nos separaram um do outro: Eu o acreditava para sempre perdido para mim, e me lancei em um Convento por motivos de desespero. O acaso nos uniu novamente; Não pude recusar-me ao melancólico prazer de misturar minhas lágrimas com as dele: Nos encontrávamos todas as noites nos Jardins de Santa Clara, e em um momento de descuido, violei meus votos de Castidade. Em breve me tornarei Mãe: Reverendo Ambrosio, compadeça-se de mim; compadeça-se do Ser inocente cuja existência está ligada à minha. Se você revelar minha imprudência à Domina, ambas estamos perdidas: A punição que as leis de Santa Clara atribuem a Desventuradas como eu é severa e cruel. Digno, digno Pai! Deixe que sua própria consciência imaculada não o torne insensível para com aqueles menos capazes de resistir à tentação! Deixe que a misericórdia não seja a única virtude de que seu coração é insusceptível! Compadeça-se de mim, reverendíssimo! Devolva-me minha carta, e não me condene à destruição inevitável!”
“Sua audácia me confunde! Deve eu ocultar seu crime, a quem você enganou por sua confissão fingida? Não, Filha, não! Eu lhe prestarei um serviço mais essencial. Eu a resgatarei da perdição apesar de si mesma; Penitência e mortificação expiarão sua ofensa, e a Severidade a forçará de volta aos caminhos da santidade. Que! Ho! Madre Santa Águeda!”
“Pai! Por tudo que é sagrado, por tudo que é mais querido para você, eu suplico, eu imploro....”
“Libere-me! Não a ouvirei. Onde está a Domina? Madre Santa Águeda, onde está você?”
A porta do Vestíbulo se abriu, e a Prioresa entrou na Capela, seguida por suas Freiras.
“Cruel! Cruel!” exclamou Agnes, soltando sua presa.
Selvagem e desesperada, Ela se lançou ao chão, batendo em seu peito e rasgando seu véu em todo o delírio do desespero. As Freiras observaram com espanto a cena diante delas. O Frade agora apresentou a carta fatal à Prioresa, informou-a da maneira pela qual a havia encontrado, e acrescentou que era seu negócio decidir, que penitência a delinquente merecia.
Enquanto Ela lia a carta, a face da Domina se inflamou de paixão. Que! Tal crime cometido em seu Convento, e tornado conhecido por Ambrosio, pelo Ídolo de Madrid, pelo Homem a quem Ela mais desejava impressionar com a opinião da estrita regularidade de sua Casa! Palavras eram inadequadas para expressar sua fúria. Ela estava silenciosa, e lançou sobre a Freira prostrada olhares de ameaça e malignidade.
“Afaste-a para o Convento!” disse Ela por fim a algumas de suas Ajudantes.
Duas das Freiras mais velhas agora se aproximando de Agnes, a levantaram à força do chão, e se prepararam para conduzi-la da Capela.
“Que!” Ela exclamou, sacudindo-se de suas mãos com gestos desvairados; “Toda a esperança então está perdida? Já me arrastam para o castigo? Onde está você, Raymond? Oh! salve-me! salve-me!”
Então, lançando sobre o Abade um olhar frenético, “Ouça-me!” Ela continuou; “Homem de coração duro! Ouça-me, Orgulhoso, Severo, e Cruel! Você poderia ter me salvo; você poderia ter me restaurado à felicidade e à virtude, mas não quis! Você é o destruidor de minha Alma; Você é meu Assassino, e sobre você recaem a maldição de minha morte e de meu Filho não nascido! Insolente em sua virtude ainda inabalada, você desprezou as súplicas de uma Penitente; Mas Deus mostrará misericórdia, embora você não mostre nenhuma. E onde está o mérito de sua virtude tão gabada? Que tentações você venceu? Covarde! você fugiu, não opôs à sedução. Mas o dia do Julgamento chegará! Oh! então, quando você ceder a paixões impetuosas! quando você sentir que o Homem é fraco, e nascido para errar; Quando, trêmulo, você olhar para trás sobre seus crimes, e suplicar com terror a misericórdia de seu Deus, Oh! naquele momento terrível, pense em mim! Pense em sua Crueldade! Pense em Agnes, e desespere de perdão!”
Enquanto proferia estas últimas palavras, sua força se esgotou, e Ela caiu inanimada no seio de uma Freira que estava perto dela. Ela foi imediatamente levada da Capela, e suas Companheiras a seguiram.
Ambrosio não havia escutado suas reprovações sem emoção. Uma dor secreta em seu coração o fez sentir que Ele havia tratado esta Desventurada com demasiada severidade. Ele, portanto, deteve a Prioresa e aventurou-se a pronunciar algumas palavras em favor da Delinquente.
“A violência de seu desespero,” disse ele, “prova que, pelo menos, o Vício não se tornou familiar para ela. Talvez, tratando-a com um pouco menos de rigor do que é geralmente praticado, e mitigando em algum grau a penitência acostumada....”
“Mitigar, Pai?” interrompeu a Senhora Prioresa; “Não eu, acredite. As leis de nossa ordem são estritas e severas; elas caíram em desuso ultimamente, Mas o crime de Agnes me mostra a necessidade de sua revitalização. Vou significar minha intenção ao Convento, e Agnes será a primeira a sentir o rigor dessas leis, que serão obedecidas ao pé da letra. Pai, Adeus.”
Dizendo isso, Ela apressou-se a sair da Capela.
“Eu fiz meu dever,” disse Ambrosio consigo mesmo.
Ainda assim, Ele não se sentia perfeitamente satisfeito com essa reflexão. Para dissipar as ideias desagradáveis que essa cena havia excitado nele, ao sair da Capela, Ele desceu ao Jardim da Abadia.
Em todo Madrid, não havia lugar mais belo ou melhor cuidado. Ele foi disposto com o mais requintado gosto. As flores mais escolhidas o adornavam no auge da luxuriante, e embora artisticamente arranjadas, pareciam plantadas apenas pela mão da Natureza: Fontes, jorrando de bacias de mármore branco, refrescavam o ar com chuvas perpétuas; e as Paredes estavam inteiramente cobertas por jasmim, videiras, e madressilvas. A hora agora acrescentava à beleza da cena. A Lua cheia, percorrendo um céu azul e sem nuvens, derramava sobre as árvores um brilho trêmulo, e as águas das fontes brilhavam no raio prateado: Uma brisa suave espalhava o aroma de laranjeiras ao longo dos Caminhos; e o Rouxinol derramava seu murmúrio melodioso do abrigo de um bosque artificial. Para lá, o Abade dirigiu seus passos.
No seio deste pequeno Bosque, erguia-se uma Gruta rústica, construída à semelhança de uma Ermida. As paredes eram feitas de raízes de árvores, e os interstícios preenchidos com Musgo e Hera. Assentos de Turfa estavam colocados de ambos os lados, e uma Cascata natural caía da Rocha acima. Absorto em si mesmo, o Monge se aproximou do local. A calma universal havia se comunicado a seu peito, e uma volúpia de tranquilidade espalhou languidez em sua alma.
Ele chegou à Ermida, e estava entrando para repousar, quando parou ao perceber que já estava ocupada. Estendido sobre um dos Bancos, jazia um homem em postura melancólica.
Sua cabeça estava apoiada em seu braço, e Ele parecia perdido em meditação. O Monge se aproximou, e o reconheceu como Rosario: Ele o observou em silêncio, e não entrou na Ermida. Após alguns minutos, o Jovem levantou os olhos, e os fixou tristemente na Parede oposta.
“Sim!” disse ele com um suspiro profundo e plangente; “Sinto toda a felicidade de tua situação, toda a miséria da minha! Feliz seria eu, se pudesse pensar como tu! Se pudesse olhar como tu com desprezo para a Humanidade, se pudesse me enterrar para sempre em alguma solidão impenetrável, e esquecer que o mundo contém Seres dignos de serem amados! Oh Deus! Que bênção seria a Misantropia para mim!”
“Esse é um pensamento singular, Rosario,” disse o Abade, entrando na Gruta.
“Você aqui, reverendo Pai?” exclamou o Noviço.
Ao mesmo tempo, levantando-se de seu lugar em confusão, Ele puxou apressadamente seu Capuz sobre o rosto. Ambrosio sentou-se sobre o Banco, e obrigou o Jovem a se sentar ao seu lado.
“Você não deve indulgir essa disposição à melancolia,” disse ele; “O que pode possivelmente ter feito você ver em tão desejável luz a Misantropia, de todos os sentimentos o mais odioso?”
“A leitura destes Versos, Pai, que até agora haviam escapado à minha observação. O Brilho dos Raios da Lua me permitiu lê-los; e Oh! como invejo os sentimentos do Autor!”
Enquanto dizia isso, Ele apontou para uma Placa de Mármore fixada na Parede oposta: Nela estavam gravadas as seguintes linhas.
INSCRIÇÃO EM UMA ERMIDA
Quem quer que sejas, agora lendo estas linhas, Não penses, embora do mundo te afastando Eu goze meus dias solitários nesta Deserta solidão, Que com remorso uma consciência sangrando Me trouxe aqui.
Nenhum pensamento de culpa meu peito entristece: De livre vontade fugi dos salões cortesãos; Pois bem vi que em Palácios e Torres Que Luxúria e Orgulho, Os mais queridos e sombrios Poderes do Archi-inimigo, Presidem em estado.
Vi a Humanidade incrustada de vício; Vi que a espada da Honra estava enferrujada; Que poucos cobiçavam algo além da frivolidade; Que Aquele que confiava em Amor ou Amigo Era ainda enganado; E para cá vim, desgostoso com os Homens Para terminar minha vida.
Nesta solitária Caverna, em trajes humildes, Igualmente avesso à folia barulhenta, E à melancolia de sobrancelhas cerradas Passo minha vida, E em meu ofício santo Consumo o dia.
Conteúdo e conforto me abençoam mais nesta Gruta, do que jamais senti antes em Um Palácio, e com pensamentos sempre elevados Para Deus no alto, Cada noite e manhã com voz suplicante Este desejo eu suspiro.
“Deixe-me, Oh! Senhor! da vida me retirar, Desconhecido de todo fogo mundano, Tremor de remorso, ou desejo lascivo; E quando eu morrer, Deixe-me nesta crença expirar, ‘Para Deus eu voo’!”
Estranho, se cheio de juventude e folia Ainda nenhuma dor perturbou tua quietude, Tu talvez lances um olhar de desprezo para A prece do Eremita: Mas se tens causa para suspirar por Teu erro, ou cuidado;
Se conheceste a vexação do Amor falso, Ou foste exilado de tua Nação, Ou o medo do crime assombra tua contemplação, E te faz definhar, Oh! como deves lamentar tua situação, E invejar a minha!
“Se fosse possível,” disse o Frade, “para o Homem ser tão totalmente envolto em si mesmo a ponto de viver em absoluta reclusão da natureza humana, e ainda assim sentir a tranquila contentação que estas linhas expressam, admito que a situação seria mais desejável do que viver em um mundo tão cheio de todo vício e toda frivolidade. Mas isso nunca pode ser o caso. Esta inscrição foi meramente colocada aqui para ornamentar a Gruta, e os sentimentos e o Eremita são igualmente imaginários. O Homem nasceu para a sociedade. Por mais que Ele possa estar apegado ao Mundo, Ele nunca pode esquecê-lo totalmente, ou suportar ser totalmente esquecido por ele. Desgostoso com a culpa ou a absurdidade da Humanidade, o Misantropo foge dela: Ele resolve tornar-se um Eremita, e se enterra na Caverna de alguma Rocha sombria. Enquanto o Ódio inflama seu peito, possivelmente Ele pode sentir-se contente com sua situação: Mas quando suas paixões começam a esfriar; quando o Tempo amadureceu suas dores, e curou as feridas que Ele trouxe consigo para sua solidão, pense você que o Conteúdo se torna seu Companheiro? Ah! não, Rosario. Não mais sustentado pela violência de suas paixões, Ele sente toda a monotonia de seu modo de vida, e seu coração se torna presa do Tédio e do desgosto. Ele olha ao redor, e se encontra sozinho no Universo: O amor pela sociedade revive em seu peito, e Ele anseia por retornar ao mundo que abandonou. A Natureza perde todo o seu encanto em seus olhos: Ninguém está perto dele para apontar suas belezas, ou compartilhar de sua admiração por sua excelência e variedade. Apoiado no fragmento de alguma Rocha, Ele observa com olhos vazios a cachoeira que desce, Ele contempla sem emoção a glória do Sol poente. Lentamente Ele retorna a sua Cela à Noite, pois ninguém lá está ansioso por sua chegada; Ele não tem conforto em sua refeição solitária e insossa: Ele se deita em seu leito de Musgo desanimado e insatisfeito, e acorda apenas para passar um dia tão desprovido de alegria, tão monótono quanto o anterior.”
“Você me surpreende, Pai! Suponha que as circunstâncias o condenassem à solidão; O dever da Religião e a consciência de uma vida bem vivida não comunicariam a seu coração aquela calma que....”
“Eu me enganaria, se imaginasse que poderiam. Estou convencido do contrário, e que toda a minha fortaleza não me impediria de ceder à melancolia e ao desgosto. Após consumir o dia em estudo, se você soubesse meu prazer em encontrar meus Irmãos à Noite! Após passar muitas horas longas em solidão, se eu pudesse expressar a você a alegria que sinto ao ver novamente um semelhante! É neste particular que coloco o principal mérito de uma Instituição Monástica. Ela afasta o Homem das tentações do Vício; Ela proporciona o lazer necessário para o devido serviço do Supremo; Ela o poupa da mortificação de testemunhar os crimes dos mundanos, e ainda assim permite que ele desfrute das bênçãos da sociedade. E você, Rosario, você inveja a vida de um Eremita? Pode você ser tão cego à felicidade de sua situação? Reflita sobre ela por um momento. Esta Abadia é seu Asilo: Sua regularidade, sua gentileza, seus talentos a tornaram objeto de estima universal: Você está afastado do mundo que professa odiar; ainda assim, permanece em posse dos benefícios da sociedade, e de uma sociedade composta pelos mais estimáveis da Humanidade.”
“Pai! Pai! É isso que causa meu Tormento! Feliz teria sido para mim, se minha vida tivesse sido passada entre os vis e abandonados! Se eu nunca tivesse ouvido pronunciar o nome da Virtude! É minha adoração ilimitada pela religião; É a sensibilidade exquisita de minha alma pela beleza do que é bom e justo, que me carrega de vergonha! que me arrasta à perdição! Oh! que eu nunca tivesse visto estas paredes da Abadia!”
“Como, Rosario? Quando conversamos da última vez, você falou em tom diferente. É minha amizade então de tão pouca consequência? Se você nunca tivesse visto estas paredes da Abadia, você nunca teria me visto: Pode isso realmente ser seu desejo?”
“Se nunca tivesse visto você?” repetiu o Noviço, levantando-se do Banco, e agarrando a mão do Frade com um ar frenético; “Você? Você? Quem dera que o relâmpago tivesse destruído estas paredes, antes que você encontrasse meus olhos! Quem dera! que eu nunca mais o visse, e pudesse esquecer que já o vi!”
Com estas palavras, Ele fugiu apressadamente da Gruta. Ambrosio permaneceu em sua postura anterior, refletindo sobre o comportamento inexplicável do Jovem. Ele estava inclinado a suspeitar do transtorno de seus sentidos: no entanto, o curso geral de sua conduta, a conexão de suas ideias, e a calma de seu comportamento até o momento de deixar a Gruta, pareciam desautorizar essa conjectura. Após alguns minutos, Rosario retornou.
Ele novamente se sentou sobre o Banco: Ele reclinou sua face sobre uma mão, e com a outra enxugou as lágrimas que escorriam de seus olhos a intervalos.
O Monge olhou para ele com compaixão, e evitou interromper suas meditações. Ambos observaram por algum tempo um profundo silêncio. O Rouxinol agora havia tomado seu lugar sobre uma Laranjeira em frente à Ermida, e derramava um canto o mais melancólico e melodioso. Rosario levantou a cabeça, e o escutou com atenção.
“Era assim,” disse ele, com um suspiro profundo; “Era assim, que durante o último mês de sua vida infeliz, minha Irmã costumava sentar escutando o Rouxinol. Pobre Matilda! Ela dorme no Túmulo, e seu coração partido não pulsa mais com paixão.”
“Você tinha uma Irmã?”
“Você diz bem, que eu TINHA; Alas! Eu não tenho mais. Ela sucumbiu sob o peso de suas dores no próprio alvorecer da vida.”
“Quais eram essas dores?”
“Elas não despertarão sua piedade: você não conhece o poder daquelas paixões irresistíveis, daquelas paixões fatais, às quais seu Coração era presa. Pai, Ela amava infelizmente. Uma paixão por Um dotado de toda virtude, por um Homem, Oh! antes, deixe-me dizer, por uma divindade, provou ser a desgraça de sua existência. Sua forma nobre, seu caráter impecável, seus diversos talentos, sua sabedoria sólida, maravilhosa, e gloriosa, poderiam ter aquecido o peito da mais insensível. Minha Irmã o viu, e ousou amar, embora nunca ousasse esperar.”
“Se seu amor era tão bem direcionado, o que a impedia de esperar a obtenção de seu objeto?”
“Pai, antes que Ele a conhecesse, Julian já havia prometido seus votos a uma Noiva mais bela, mais celestial! Ainda assim, minha Irmã amava, e pela causa do Esposo, Ela adorava a Esposa. Uma manhã, Ela encontrou meios de escapar da Casa de nosso Pai: Vestida em trajes humildes, Ela se ofereceu como Doméstica da Consorte de seu Amado, e foi aceita. Ela estava agora constantemente em sua presença: Ela se esforçou para ganhar sua estima: Ela conseguiu. Suas atenções atraíram a atenção de Julian; Os virtuosos são sempre gratos, e Ele a distinguiu acima do resto de suas Companheiras.”
“E seus Pais não a procuraram? Eles não se submeteram mansamente à sua perda, nem tentaram recuperar sua Filha errante?”
“Antes que pudessem encontrá-la, Ela se revelou. Seu amor se tornou demasiado violento para o disfarce; No entanto, Ela não desejava por Julian em pessoa, Ela ambicionava apenas uma parte de seu coração. Em um momento de descuido, Ela confessou sua afeição. Qual foi o retorno? Apaixonado por sua Esposa, e acreditando que um olhar de piedade dirigido a outro era um roubo do que Ele devia a ela, Ele expulsou Matilda de sua presença. Ele a proibiu de aparecer novamente diante dele. Sua severidade quebrou seu coração: Ela retornou à Casa de seu Pai, e em poucos Meses depois foi levada ao seu Túmulo.”
“Desventurada Jovem! Com certeza, seu destino foi demasiado severo, e Julian foi demasiado cruel.”
“Você pensa assim, Pai?” exclamou o Noviço com vivacidade; “Você pensa que Ele foi cruel?”
“Sem dúvida, e lamento-a sinceramente.”
“Você a lamenta? Você a lamenta? Oh! Pai! Pai! Então lamente-me!”
O Frade se surpreendeu; quando, após um momento de pausa, Rosario acrescentou com voz trêmula,—“pois meus sofrimentos são ainda maiores. Minha Irmã tinha um Amigo, um verdadeiro Amigo, que lamentava a acuidade de seus sentimentos, e não a repreendia por sua incapacidade de reprimi-los. Eu ...! Eu não tenho Amigo! O mundo inteiro não pode fornecer um coração que esteja disposto a participar das dores do meu!”
Enquanto proferia estas palavras, Ele soluçou audivelmente. O Frade foi afetado. Ele tomou a mão de Rosario, e a pressionou com ternura.
“Você não tem Amigo, diz você? O que então sou eu? Por que você não confia em mim, e o que você pode temer? Minha severidade? Eu a usei com você? A dignidade de meu hábito? Rosario, eu deixo de lado o Monge, e o convido a considerar-me como nada mais que seu Amigo, seu Pai. Bem posso assumir esse título, pois nunca um Pai cuidou de um Filho com mais afeto do que eu cuidei de você. Desde o momento em que o vi pela primeira vez, percebi sensações em meu peito até então desconhecidas para mim; Encontrei um deleite em sua companhia que ninguém mais podia proporcionar; e quando testemunhei a extensão de seu gênio e informação, rejubilei como um Pai pelas perfeições de seu Filho. Então, deixe de lado seus medos; Fale comigo com abertura: Fale comigo, Rosario, e diga que você confiará em mim. Se meu auxílio ou minha piedade podem aliviar sua aflição....”
“Os seus podem! Apenas os seus podem! Ah! Pai, como eu gostaria de revelar-lhe meu coração! Como eu gostaria de declarar o segredo que me oprime com seu peso! Mas Oh! Eu temo! Eu temo!”
“O que, meu Filho?”
“Que você me abomine por minha fraqueza; Que a recompensa de minha confiança seja a perda de sua estima.”
“Como posso tranquilizá-lo? Reflita sobre todo o meu comportamento passado, sobre a ternura paternal que sempre lhe mostrei. Abominá-lo, Rosario? Já não está mais em meu poder. Deixar sua sociedade seria privar-me do maior prazer de minha vida. Então, revele-me o que o aflige, e acredite em mim enquanto eu solenemente juro....”
“Pare!” interrompeu o Noviço; “Jure, que seja qual for meu segredo, você não me obrigará a deixar o Mosteiro até que meu Noviciado expire.”
“Eu prometo fielmente, e como eu cumpro meus votos com você, que Cristo cumpra os dele com a Humanidade. Agora, então, explique este mistério, e confie em minha indulgência.”
“Eu obedeço. Saiba então.... Oh! como eu tremo ao nomear a palavra! Escute-me com piedade, reverendo Ambrosio! Reúna todo o latente fogo de fraqueza humana que possa ensinar-lhe compaixão pela minha! Pai!” continuou ele, lançando-se aos pés do Frade, e pressionando sua mão contra seus lábios com avidez, enquanto a agitação por um momento sufocava sua voz; “Pai!” continuou ele em acentos trêmulos, “Eu sou uma Mulher!”
O Abade se surpreendeu com esta confissão inesperada. Prostrado no chão, jazia o falso Rosario, como se esperando em silêncio a decisão de seu Juiz. Surpresa de um lado, apreensão do outro, por alguns minutos os mantiveram nas mesmas posturas, como se tivessem sido tocados pelo Cajado de algum Mago. Por fim, recuperando-se de sua confusão, o Monge deixou a Gruta, e correu com precipitação para a Abadia. Sua ação não escapou à Suplicante. Ela se levantou do chão; Ela correu para segui-lo, o alcançou, lançou-se em seu caminho, e abraçou seus joelhos. Ambrosio tentou em vão se libertar de seu abraço.
“Não me abandone!” Ela gritou; “Deixe-me não abandonada ao impulso do desespero! Escute, enquanto eu justifico minha imprudência; enquanto eu reconheço que a história de minha Irmã é a minha própria! Eu sou Matilda; Você é seu Amado.”
Se a surpresa de Ambrosio foi grande com sua primeira confissão, ao ouvir a segunda, ela ultrapassou todos os limites. Surpreso, embaraçado, e irresoluto, Ele se viu incapaz de pronunciar uma sílaba, e permaneceu em silêncio, olhando para Matilda: Isso lhe deu oportunidade de continuar sua explicação da seguinte maneira.
“Não pense, Ambrosio, que eu venho para roubar sua Noiva de seus afetos. Não, acredite em mim: A Religião sozinha merece você; e longe está de Matilda desejar afastá-lo dos caminhos da virtude. O que sinto por você é amor, não lascívia; Eu anseio por ser possuidora de seu coração, não ambiciono o gozo de seu corpo. Digna-se a escutar minha vindicação: Alguns momentos convencerão você de que este santo retiro não é poluído por minha presença, e que você pode me conceder sua compaixão sem transgredir seus votos.”—Ela se sentou: Ambrosio, quase inconsciente do que fazia, seguiu seu exemplo, e Ela prosseguiu em seu discurso.
“Eu nasci de uma família distinguida: Meu Pai era Chefe da nobre Casa de Villanegas. Ele morreu enquanto eu ainda era uma Criança, e me deixou única Herdeira de suas imensas posses. Jovem e rica, fui procurada em casamento pelos mais nobres Jovens de Madrid; Mas nenhum conseguiu ganhar meus afetos. Fui criada sob os cuidados de um Tio possuidor do mais sólido julgamento e vasta erudição. Ele se agradava em me comunicar alguma porção de seu conhecimento. Sob suas instruções, meu entendimento adquiriu mais força e justeza do que geralmente cabe à minha condição: A habilidade de meu Preceptor, auxiliada por curiosidade natural, me fez progredir não apenas em ciências universalmente estudadas, mas em outras, reveladas apenas a poucos, e sob censura pela cegueira da superstição. Mas enquanto meu Guardião laborava para ampliar o esfera de meu conhecimento, Ele cuidadosamente inculcava todo preceito moral: Ele me libertou dos grilhões do preconceito vulgar; Ele apontou a beleza da Religião; Ele me ensinou a olhar com adoração para o puro e virtuoso, e, ai de mim! Eu o obedeci demasiado bem!
“Com tais disposições, Julgue se eu poderia observar com qualquer outro sentimento além de desgosto o vício, a dissipação, e a ignorância, que desonram nossa Juventude espanhola. Rejeitei toda oferta com desprezo. Meu coração permaneceu sem um Dono até que o acaso me conduziu à Catedral dos Capuchinhos. Oh! com certeza, naquele dia meu Anjo Guardião dormiu, negligente de seu dever! Então foi que eu o vi pela primeira vez: Você supria o lugar do Superior, ausente por doença. Você não pode deixar de lembrar o vivo entusiasmo que seu discurso criou. Oh! como eu bebi suas palavras! Como sua eloquência parecia me roubar de mim mesma! Eu mal ousava respirar, temendo perder uma sílaba; e enquanto você falava, Metade me parecia que uma glória radiante brilhava ao redor de sua cabeça, e sua face resplandecia com a majestade de um Deus. Eu me retirei da Igreja, ardendo em admiração. Desde aquele momento, você se tornou o ídolo de meu coração, o objeto imutável de minhas Meditações. Eu indaguei sobre você. Os relatos que me foram feitos de seu modo de vida, de sua sabedoria, piedade, e autonegação, reforçaram as correntes impostas a mim por sua eloquência. Eu estava consciente de que não havia mais um vazio em meu coração; Que eu havia encontrado o Homem que havia buscado até então em vão. Na expectativa de ouvi-lo novamente, todos os dias eu visitava sua Catedral: Você permaneceu recluso dentro das paredes da Abadia, e eu sempre me retirava, desolada e desapontada. A Noite foi mais propícia a mim, pois então você se apresentava em meus sonhos; Você me prometia amizade eterna; Você me guiava pelos caminhos da virtude, e me auxiliava a suportar as vexações da vida. A Manhã dissipava essas visões agradáveis; Eu acordava, e me via separada de você por Barreiras que pareciam intransponíveis. O Tempo parecia apenas aumentar a força de minha paixão: Eu me tornei melancólica e desanimada; Eu fugi da sociedade, e minha saúde declinou diariamente. Por fim, não mais capaz de existir neste estado de tortura, resolvi assumir o disfarce em que você me vê. Meu artifício foi bem-sucedido: Fui recebida no Mosteiro, e consegui ganhar sua estima.
Para continuidade apenas — esta é o FINAL da seção anterior, já traduzida. Não traduza novamente e não repita na sua resposta. Combine os nomes, terminologia e registro: --- de sua paixão: Eu me tornei melancólica e desanimada; Eu fugi da sociedade, e minha saúde declinou diariamente. Por fim, não mais capaz de existir neste estado de tortura, resolvi assumir o disfarce em que você me vê. Meu artifício foi bem-sucedido: Fui recebida no Mosteiro, e consegui ganhar sua estima. ---
“Agora, eu deveria ter me sentido completamente feliz, não fosse a minha tranquilidade perturbada pelo medo de ser descoberta. O prazer que eu recebia da sua companhia era amargurado pela ideia de que talvez eu logo fosse privada dela; e meu coração batia tão apaixonadamente ao obter as marcas da sua amizade, a ponto de me convencer de que eu nunca sobreviveria à sua perda. Resolvi, portanto, não deixar a descoberta do meu sexo ao acaso, confessar tudo a você e me lançar inteiramente à sua mercê e indulgência. Ah! Ambrósio, posso ter sido enganada? Você pode ser menos generoso do que eu pensei? Não quero suspeitar disso. Você não levará uma desgraçada ao desespero; ainda me será permitido vê-lo, conversar com você, adorá-lo! Suas virtudes serão meu exemplo ao longo da vida; e quando morrermos, nossos corpos repousarão na mesma sepultura.”
Ela cessou. Enquanto falava, mil sentimentos opostos lutavam no peito de Ambrósio. Surpresa com a singularidade dessa aventura, confusão com sua declaração abrupta, ressentimento com sua ousadia em entrar no Mosteiro e consciência da austeridade com que ele deveria responder, tais eram os sentimentos de que ele estava ciente; mas havia outros que ele não percebia. Ele não percebia que sua vaidade era lisonjeada pelos elogios à sua eloquência e virtude; que ele sentia um prazer secreto ao refletir que uma jovem e aparentemente bela mulher havia, por causa dele, abandonado o mundo e sacrificado todas as outras paixões àquela que ele havia inspirado; e muito menos percebia que seu coração batia de desejo, enquanto sua mão era pressionada suavemente pelos dedos de marfim de Matilda.
Aos poucos, ele se recuperou da confusão. Suas ideias se tornaram menos confusas; ele imediatamente percebeu a extrema impropriedade de permitir que Matilda permanecesse no Abadia após essa confissão de seu sexo. Ele assumiu um ar de severidade e retirou a mão.
“Como, senhora!” disse ele; “Você realmente espera que eu permita que você permaneça entre nós? Mesmo que eu concedesse seu pedido, que bem você poderia obter com isso? Você pensa que eu algum dia poderia retribuir um afeto que...”
“Não, padre, não! Não espero inspirar em você um amor como o meu. Eu só quero a liberdade de estar perto de você, de passar algumas horas do dia na sua companhia; de obter sua compaixão, sua amizade e estima. Certamente meu pedido não é irracional.”
“Mas reflita, senhora! Reflita por um momento na impropriedade de eu abrigar uma mulher na Abadia; e, além disso, uma mulher que confessa que me ama. Isso não pode acontecer. O risco de você ser descoberta é muito grande, e eu não me exporei a uma tentação tão perigosa.”
“Tentação, você diz? Esqueça que eu sou uma mulher, e ela não mais existe: Considere-me apenas como uma amiga, como uma infeliz, cuja felicidade, cuja vida depende da sua proteção. Não tema que eu algum dia lhe lembre que o amor mais impetuoso, o mais ilimitado, me levou a disfarçar meu sexo; ou que, instigada por desejos ofensivos aos seus votos e à minha própria honra, eu tente seduzi-lo do caminho da retidão. Não, Ambrósio, aprenda a me conhecer melhor. Eu amo você por suas virtudes: Perca-as, e com elas você perde meu afeto. Eu o vejo como um santo; Prove-me que você não é mais do que um homem, e eu o deixo com nojo. É de mim, então, que você teme a tentação? De mim, em quem os prazeres deslumbrantes do mundo não criaram outro sentimento senão o desprezo? De mim, cujo apego se baseia na sua isenção da fraqueza humana? Ah! afaste tais apreensões injuriosas! Pense mais nobremente de mim, pense mais nobremente de si mesmo. Eu sou incapaz de seduzi-lo ao erro; e certamente sua virtude está estabelecida em uma base tão firme que não pode ser abalada por desejos injustificados. Ambrósio, querido Ambrósio! não me afaste da sua presença; Lembre-se da sua promessa e autorize minha estadia!”
“Impossível, Matilda; seu interesse me obriga a recusar seu pedido, pois tremo por você, não por mim. Após vencer as impetuosas ebullições da juventude; após passar trinta anos em mortificação e penitência, eu poderia permitir sua estadia com segurança, e não temer que você me inspirasse sentimentos mais quentes do que a piedade. Mas para você, permanecer na Abadia só pode produzir consequências fatais. Você interpretará mal cada uma das minhas palavras e ações; você agarrará com avidez todas as circunstâncias que a incentivem a esperar o retorno do seu afeto; insensivelmente, suas paixões ganharão superioridade sobre sua razão; e, longe de serem reprimidas pela minha presença, cada momento que passarmos juntos só servirá para irritá-las e excitá-las. Acredite em mim, mulher infeliz! você tem minha sincera compaixão. Estou convencido de que você agiu até agora com os motivos mais puros; mas, embora você esteja cega para a imprudência da sua conduta, em mim seria culpado não abrir seus olhos. Sinto que o dever me obriga a tratá-la com dureza: devo rejeitar seu pedido e remover toda sombra de esperança que possa ajudar a nutrir sentimentos tão perniciosos para o seu sossego. Matilda, você deve partir daqui amanhã.”
“Amanhã, Ambrósio? Amanhã? Ah! com certeza você não pode estar falando sério!
Você não pode resolver levar-me ao desespero! Você não pode ter a crueldade....”
“Você ouviu minha decisão, e ela deve ser obedecida. As leis da nossa Ordem proíbem sua estadia: Seria perjúrio esconder que uma mulher está dentro dessas paredes, e meus votos me obrigarão a declarar sua história à Comunidade. Você deve partir daqui!—Lamento por você, mas não posso fazer mais!”
Ele pronunciou essas palavras com uma voz fraca e trêmula; então, levantando-se do assento, ele se apressou em direção ao Mosteiro. Matilda, soltando um grito alto, seguiu-o e o deteve.
“Espere ainda um momento, Ambrósio! Ouça-me ainda falar uma palavra!”
“Não posso ouvir! Solte-me! Você conhece minha resolução!”
“Mas uma palavra! Mas uma última palavra, e eu terminei!”
“Saia! Suas súplicas são em vão! Você deve partir daqui amanhã!”
“Vá então, Bárbaro! Mas este recurso ainda me resta.”
Ao dizer isso, ela subitamente sacou um punhal: ela rasgou sua roupa e colocou a ponta da arma contra o peito.
“Padre, eu nunca sairei dessas paredes viva!”
“Pare! Pare, Matilda! O que você vai fazer?”
“Você está determinado, e eu também: No momento em que você me deixar, eu cravarei este aço no meu coração.”
“Santo Francisco! Matilda, você está em seus sentidos? Você conhece as consequências da sua ação? Que o suicídio é o maior dos crimes? Que você destrói sua alma? Que você perde sua reivindicação à salvação? Que você se prepara para tormentos eternos?”
“Não me importo! Não me importo!” ela respondeu apaixonadamente; “Ou sua mão me guia ao Paraíso, ou minha própria mão me condena à perdição! Fale comigo, Ambrósio! Diga-me que você esconderá minha história, que eu permanecerei sua amiga e sua companheira, ou este punhal beberá meu sangue!”
Enquanto proferia essas últimas palavras, ela levantou o braço e fez um movimento como se fosse se esfaquear. Os olhos do frade seguiram com medo o curso do punhal. Ela havia rasgado seu hábito, e seu peito estava meio exposto. A ponta da arma repousava sobre seu seio esquerdo; e ah! que seio era aquele! Os raios da lua, incidindo diretamente sobre ele, permitiram ao monge observar sua brancura deslumbrante. Seu olho se demorou com avidez insaciável sobre o belo orbe. Uma sensação até então desconhecida encheu seu coração com uma mistura de ansiedade e deleite: um fogo ardente percorreu todo o seu corpo; o sangue ferveu em suas veias, e mil desejos selvagens confundiram sua imaginação.
“Pare!” ele gritou com uma voz apressada e trêmula; “Não posso mais resistir! Fique, então, Encantadora; Fique para minha destruição!”
Ele disse, e, correndo do lugar, apressou-se em direção ao Mosteiro: Ele voltou à sua cela e se jogou sobre sua cama, distraído, indeciso e confuso.
Por algum tempo, ele achou impossível organizar suas ideias. A cena em que ele havia se envolvido havia excitado uma variedade de sentimentos em seu peito, que ele era incapaz de decidir qual era o predominante. Ele estava indeciso sobre como deveria agir com a perturbadora do seu sossego. Ele estava consciente de que a prudência, a religião e a propriedade o obrigavam a obrigá-la a deixar a Abadia; mas, por outro lado, razões tão poderosas autorizavam sua estadia que ele estava mais do que inclinado a consentir que ela permanecesse. Ele não podia deixar de se sentir lisonjeado pela declaração de Matilda e ao refletir que ele havia inconscientemente conquistado um coração que havia resistido aos ataques dos mais nobres cavaleiros da Espanha: a maneira como ele havia ganhado seu afeto também era a mais satisfatória para sua vaidade: ele se lembrava das muitas horas felizes que havia passado na companhia de Rosário e temia o vazio em seu coração que a separação dela causaria. Além de tudo isso, ele considerou que, como Matilda era rica, seu favor poderia ser de grande benefício para a Abadia.
“E o que eu arrisco”, disse ele a si mesmo, “ao autorizar sua estadia? Posso acreditar com segurança em suas afirmações? Não será fácil para mim esquecer seu sexo e ainda considerá-la como minha amiga e minha discípula? Certamente seu amor é tão puro quanto ela descreve. Se fosse o produto da mera licenciosidade, ela não o teria escondido por tanto tempo em seu próprio peito? Ela não teria empregado algum meio para obter sua gratificação? Ela fez exatamente o contrário: ela se esforçou para me manter na ignorância do seu sexo; e nada além do medo de ser descoberta e dos meus pedidos a teria obrigado a revelar o segredo. Ela observou os deveres da religião tão estritamente quanto eu. Ela não fez tentativas para despertar minhas paixões adormecidas, nem nunca conversou comigo até esta noite sobre o assunto do amor. Se ela desejasse ganhar meu afeto, e não minha estima, ela não teria escondido de mim seus encantos tão cuidadosamente: Neste exato momento, eu nunca vi seu rosto; mas certamente esse rosto deve ser lindo, e sua pessoa bela, a julgar por... por aquilo que eu vi.”
Enquanto essa última ideia passava por sua imaginação, um rubor se espalhou por sua face. Alarmado com os sentimentos que estava indulgindo, ele se voltou para a oração; ele se levantou da cama, ajoelhou-se diante da bela Madona e suplicou sua assistência para sufocar tais emoções culpáveis. Ele então voltou para sua cama e se entregou ao sono.
Ele acordou, aquecido e sem descanso. Durante seu sono, sua imaginação inflamada havia lhe apresentado apenas os objetos mais voluptuosos. Matilda estava diante dele em seus sonhos, e seus olhos novamente se demoraram sobre seu seio nu. Ela repetiu suas declarações de amor eterno, lançou os braços ao redor do seu pescoço e o cobriu de beijos; ele os retribuiu; ele a apertou apaixonadamente contra seu peito, e... a visão se dissolveu. Às vezes, seus sonhos apresentavam a imagem de sua Madona favorita, e ele imaginava que estava ajoelhado diante dela; enquanto oferecia seus votos a ela, os olhos da figura pareciam brilhar sobre ele com doçura inexprimível. Ele pressionou os lábios contra os dela e os encontrou quentes: a forma animada saiu da tela, abraçou-o carinhosamente, e seus sentidos não conseguiram suportar um deleite tão exquisito. Tais eram as cenas em que seus pensamentos estavam ocupados enquanto dormia: Seus desejos insatisfeitos colocavam diante dele as imagens mais lascivas e provocantes, e ele se entregava a alegrias até então desconhecidas para ele.
Ele se levantou da cama, cheio de confusão com a lembrança de seus sonhos. Mal estava menos envergonhado quando refletiu sobre as razões da noite anterior que o levaram a autorizar a estadia de Matilda. A nuvem que havia obscurecido seu julgamento agora se dissipou: ele estremeceu quando viu seus argumentos expostos em suas cores verdadeiras e descobriu que havia sido escravo da vaidade, da avareza e do amor-próprio. Se em uma hora de conversa Matilda havia produzido uma mudança tão notável em seus sentimentos, o que ele não teria a temer se ela permanecesse na Abadia? Tornando-se consciente de seu perigo, despertado de seu sonho de confiança, ele resolveu insistir para que ela partisse sem demora. Ele começou a sentir que não era à prova de tentação; e que, embora Matilda pudesse se conter dentro dos limites da modéstia, ele era incapaz de contender com as paixões das quais ele falsamente pensava estar isento.
“Agnes! Agnes!” ele exclamou, enquanto refletia sobre suas dificuldades, “Eu já sinto sua maldição!”
Ele deixou sua cela, determinado a despedir a falsa Rosário. Ele apareceu nas Matinas; mas seus pensamentos estavam ausentes, e ele lhes deu pouca atenção. Seu coração e mente estavam ambos cheios de objetos mundanos, e ele orou sem devoção. O serviço terminado, ele desceu ao jardim. Ele dirigiu seus passos para o mesmo local onde, na noite anterior, havia feito essa descoberta embaraçosa. Ele não duvidava de que Matilda o procuraria lá: ele não estava enganado. Ela logo entrou na ermida e se aproximou do monge com um ar tímido. Após alguns minutos em que ambos permaneceram em silêncio, ela parecia estar prestes a falar; mas o abade, que durante esse tempo havia reunido toda a sua resolução, apressadamente a interrompeu. Embora ainda inconsciente da extensão de sua influência, ele temia a sedução melodiosa de sua voz.
“Sente-se ao meu lado, Matilda”, disse ele, assumindo um ar de firmeza, embora evitando cuidadosamente qualquer mistura de severidade; “Ouça-me pacientemente, e acredite que, no que eu vou dizer, sou mais influenciado pelo meu próprio interesse do que pelo seu: Acredite que sinto por você a mais quente amizade, a mais verdadeira compaixão, e que você não pode sentir mais pesar do que eu, quando declaro a você que nunca mais nos encontraremos.”
“Ambrósio!” ela exclamou, com uma voz que expressava ao mesmo tempo surpresa e tristeza.
“Fique calma, minha amiga! Meu Rosário! Ainda deixe-me chamá-la por esse nome tão querido para mim! Nossa separação é inevitável; eu me envergonho de admitir quão sensivelmente ela me afeta.—Mas ainda assim deve ser assim. Sinto-me incapaz de tratá-la com indiferença, e essa mesma convicção me obriga a insistir na sua partida. Matilda, você não pode ficar aqui mais tempo.”
“Ah! onde buscarei agora por probidade? Desgostosa com um mundo pérfido, em que região feliz a Verdade se esconde? Padre, eu esperava que ela residisse aqui; eu pensei que seu peito era seu santuário favorito. E você também se prova falso? Ah, Deus! E você também pode me trair?”
“Matilda!”
“Sim, padre, sim! É com justiça que eu o reprovo. Ah! onde estão suas promessas? Meu noviciado não expirou, e ainda assim você me compelirá a deixar o Mosteiro? Você pode ter o coração para me afastar de você? E eu não recebi seu juramento solene ao contrário?”
“Eu não a compelirei a deixar o Mosteiro: Você recebeu meu juramento solene ao contrário. Mas quando eu me lanço à sua generosidade, quando declaro a você os embaraços em que sua presença me envolve, você não me liberará desse juramento? Reflita sobre o perigo de uma descoberta, sobre o opróbrio em que tal evento me mergulharia: Reflita que minha honra e reputação estão em jogo, e que minha paz de espírito depende da sua conformidade. Até agora, meu coração está livre; eu me separarei de você com pesar, mas não com desespero. Fique aqui, e algumas semanas sacrificarão minha felicidade no altar dos seus encantos. Você é demasiado interessante, demasiado amável! Eu a amaria, eu a adoraria! Meu peito se tornaria presa de desejos que a Honra e minha profissão me proíbem de gratificar. Se eu os resistisse, a impetuosidade dos meus desejos insatisfeitos me levaria à loucura; se eu cedesse à tentação, eu sacrificaria a um momento de prazer culpado minha reputação neste mundo, minha salvação no próximo. A você, então, eu recorro para me defender de mim mesmo. Preserve-me de perder a recompensa de trinta anos de sofrimentos! Preserve-me de me tornar a Vítima do Remorso! Seu coração já sentiu a angústia do amor desesperado; ah! então, se você realmente me valoriza, poupe o meu dessa angústia! Devolva-me minha promessa; Fuja dessas paredes. Vá, e você levará com você minhas mais quentes preces pela sua felicidade, minha amizade, minha estima e admiração: Fique, e você se tornará para mim a fonte de perigo, de sofrimentos, de desespero! Responda-me, Matilda; qual é sua resolução?”—Ela estava em silêncio—“Você não falará, Matilda? Você não nomeará sua escolha?”
“Cruel! Cruel!” ela exclamou, torcendo as mãos em agonia; “Você sabe muito bem que você não me oferece escolha! Você sabe muito bem que eu não posso ter outra vontade senão a sua!”
“Eu não estava então enganado! A generosidade de Matilda iguala minhas expectativas.”
“Sim; eu provarei a verdade do meu afeto submetendo-me a um decreto que me corta até o coração. Tome de volta sua promessa. Eu deixarei o Mosteiro ainda hoje. Tenho uma parente, abadessa de um convento em Estremadura: Para lá eu dirigirei meus passos e me fecharei do mundo para sempre. Mas diga-me, padre, levarei suas boas vontades comigo para minha solidão? Você às vezes abstrairá sua atenção de objetos celestiais para dedicar um pensamento a mim?”
“Ah! Matilda, temo que eu pense em você com demasiada frequência para o meu sossego!”
“Então eu não tenho mais nada a desejar, a não ser que possamos nos encontrar no céu. Adeus, meu amigo! meu Ambrósio!—E ainda assim, eu gostaria de levar comigo algum sinal do seu afeto!”
“O que devo lhe dar?”
“Algo.—Qualquer coisa.—Uma daquelas flores será suficiente.” (Aqui ela apontou para um arbusto de rosas, plantado à porta da gruta.) “Eu a esconderei no meu seio, e quando eu morrer, as freiras a encontrarão murcha sobre meu coração.”
O frade foi incapaz de responder: Com passos lentos e uma alma pesada de aflição, ele deixou a ermida. Ele se aproximou do arbusto e se inclinou para colher uma das rosas. Subitamente, ele soltou um grito penetrante, recuou apressadamente e deixou cair a flor, que ele já segurava, de sua mão. Matilda ouviu o grito e correu ansiosamente em sua direção.
“O que aconteceu?” ela exclamou; “Responda-me, pelo amor de Deus! O que aconteceu?”
“Eu recebi minha morte!” ele respondeu com uma voz fraca; “Escondido entre as rosas... Uma serpente....”
Aqui, a dor da sua ferida se tornou tão exquisita que a Natureza não conseguiu suportar: Seus sentidos o abandonaram, e ele caiu inanimado nos braços de Matilda.
Seu desespero estava além da descrição. Ela arrancou seus cabelos, bateu no peito e, não ousando deixar Ambrósio, tentou, com gritos altos, chamar os monges para ajudá-la. Ela finalmente conseguiu. Alarmados com seus gritos, vários dos irmãos se apressaram para o local, e o superior foi levado de volta à Abadia. Ele foi imediatamente colocado na cama, e o monge que oficiou como cirurgião da fraternidade se preparou para examinar a ferida. Nessa época, a mão de Ambrósio havia inchado a um tamanho extraordinário; os remédios que lhe haviam sido administrados, é verdade, o restauraram à vida, mas não aos seus sentidos; ele deliria em todos os horrores do delírio, espumava pela boca, e quatro dos monges mais fortes mal conseguiam mantê-lo na cama.
Padre Pablos, tal era o nome do cirurgião, apressou-se em examinar a mão ferida. Quando ele retirou seu bisturi, a ponta estava tingida de uma cor esverdeada. Ele sacudiu a cabeça tristemente e se afastou da cama.
“É como eu temia!” disse ele; “Não há esperança.”
“Não há esperança?” exclamaram os monges com uma só voz; “Você diz que não há esperança?”
“Pelos efeitos súbitos, eu suspeitei que o abade havia sido picado por um cientipedoro:[1] O veneno que você vê no meu bisturi confirma minha ideia: Ele não pode viver três dias.”
[1] Centopéia.
“E não pode ser encontrado nenhum remédio possível?” perguntou Rosário.
“Sem extrair o veneno, ele não pode se recuperar; e como extraí-lo ainda é um segredo para mim. Tudo que posso fazer é aplicar algumas ervas na ferida que aliviem a angústia: O paciente será restaurado à sua consciência; mas o veneno corromperá toda a massa do seu sangue, e em três dias ele não existirá mais.”
Excessiva foi a dor universal ao ouvir essa decisão. Pablos, como havia prometido, tratou a ferida e depois se retirou, seguido por seus companheiros: Rosário sozinho permaneceu na cela, o abade, a seu pedido urgente, tendo sido confiado aos seus cuidados. A força de Ambrósio, desgastada pela violência de seus esforços, ele havia, nessa altura, caído em um sono profundo. Tão completamente ele foi dominado pelo cansaço, que ele mal dava sinais de vida; ele ainda estava nessa situação, quando os monges voltaram para perguntar se havia ocorrido alguma mudança. Pablos soltou a atadura que escondia a ferida, mais por um princípio de curiosidade do que por alimentar a esperança de descobrir algum sintoma favorável. Qual não foi seu espanto ao descobrir que a inflamação havia totalmente desaparecido! Ele examinou a mão; seu bisturi saiu puro e imaculado; nenhum traço do veneno era perceptível; e se não fosse pela abertura ainda visível, Pablos poderia duvidar de que havia uma ferida.
Ele comunicou essa informação a seus irmãos; seu deleite só foi igualado por seu espanto. Desse último sentimento, no entanto, eles logo se libertaram explicando a circunstância de acordo com suas próprias ideias: eles estavam perfeitamente convencidos de que seu superior era um santo, e pensavam que nada poderia ser mais natural do que São Francisco ter operado um milagre em seu favor. Essa opinião foi adotada unanimemente: eles a declararam tão alto e exclamaram, “Um milagre! um milagre!” com tal fervor, que logo interromperam o sono de Ambrósio.
Os monges imediatamente se aglomeraram ao redor de sua cama e expressaram sua satisfação com sua maravilhosa recuperação. Ele estava perfeitamente em seus sentidos e livre de toda queixa, exceto por se sentir fraco e cansado. Pablos lhe deu um remédio fortalecedor e aconselhou que ele ficasse na cama pelos dois dias seguintes: ele então se retirou, tendo pedido a seu paciente que não se esgotasse com conversas, mas que tentasse tomar algum repouso. Os outros monges seguiram seu exemplo, e o abade e Rosário ficaram sem observadores.
Por alguns minutos, Ambrósio olhou para sua acompanhante com um olhar de prazer e apreensão misturados. Ela estava sentada na beirada da cama, a cabeça inclinada para baixo e, como de costume, envolta no capuz de seu hábito.
“E você ainda está aqui, Matilda?” disse o frade, por fim. “Você não está satisfeita por ter quase efetuado minha destruição, e que nada além de um milagre poderia ter me salvo da sepultura? Ah! com certeza o céu enviou aquela serpente para punir....”
Matilda o interrompeu colocando um dedo sobre seus lábios com um ar de alegria.
“Silêncio! Padre, silêncio! Você não deve falar!”
“Aquele que impôs essa ordem não sabia quão interessantes são os assuntos sobre os quais desejo falar.”
“Mas eu sei, e ainda assim emito o mesmo comando positivo. Fui nomeada sua enfermeira, e você não deve desobedecer minhas ordens.”
“Você está animada, Matilda!”
“Bem posso estar: Acabo de receber um prazer sem precedentes em toda a minha vida.”
“Qual foi esse prazer?”
“Aquele que devo esconder de todos, mas mais de você.”
“Mas mais de mim? Não, então, eu lhe suplico, Matilda....”
“Silêncio, padre! Silêncio! Você não deve falar. Mas como você não parece inclinado a dormir, devo tentar entretê-lo com minha harpa?”
“Como? Eu não sabia que você entendia de música.”
“Ah! Eu sou uma péssima executante! Ainda assim, como o silêncio lhe foi prescrito por quarenta e oito horas, posso possivelmente entretê-lo, quando cansado de suas próprias reflexões. Vou buscar minha harpa.”
Ela logo voltou com ela.
“Agora, padre; O que devo tocar? Você quer ouvir a balada que trata do valente Durandarte, que morreu na famosa batalha de Roncesvalles?”
“O que você quiser, Matilda.”
“Ah! não me chame de Matilda! Chame-me de Rosário, chame-me de sua amiga! Esses são os nomes que amo ouvir de seus lábios. Agora, escute!”
Ela então afinou sua harpa e, depois, preludiou por alguns momentos com tanto gosto exquisito que provou ser uma perfeita mestra do instrumento. A melodia que ela tocou era suave e melancólica:
Ambrósio, enquanto ouvia, sentiu sua inquietação diminuir e uma agradável melancolia se espalhar em seu peito. De repente, Matilda mudou o tom: com uma mão ousada e rápida, ela tocou alguns acordes marciais altos e depois cantou a seguinte balada em um tom ao mesmo tempo simples e melodioso.
DURANDARTE E BELERMA
Triste e temerária é a história Da batalha de Roncesvalles; Naqueles campos fatais de glória Muitos um valente cavaleiro pereceu.
Lá caiu Durandarte; Nunca Verso um chefe mais nobre nomeou: Ele, antes que seus lábios para sempre Se fechassem em silêncio, assim exclamou.
“Ah! Belerma! Ah! minha querida! Por minha dor e prazer nascida! Sete longos anos te servi, bela, Sete longos anos meu pagamento foi o desprezo:
“E quando agora teu coração, respondendo Aos meus desejos, queima como o meu, Cruel destino minha felicidade negando Me ordena a todo o esperança renunciar.
“Ah! Embora jovem eu caia, acredite, A morte nunca reclamaria um suspiro; É perder-te, é deixar-te, Que me faz pensar que é difícil morrer!
“Ah! Meu primo Montesinos, Por aquela amizade firme e querida Que desde a juventude viveu entre nós, Agora meu último pedido ouve!
“Quando minha alma estes membros deixando Ansiosa busca um ar mais puro, Do meu peito o coração frio tirando, Dá-o aos cuidados de Belerma.
Diz que eu, de minhas terras possuidor A nomeei com meu último suspiro: Diz que meus lábios abri para abençoá-la, Antes que se fechassem para sempre na morte:
“Duas vezes por semana também, como sinceramente Eu a adorava, primo, diz; Duas vezes por semana por um que a amava, Primo, pede-lhe que reze.
“Montesinos, agora a hora Marcada pelo destino está próxima: Olha! Meu braço perdeu sua força! Olha! Eu deixo minha espada confiável!
“Olhos, que me viram partindo, Para casa nunca mais me verão voltar! Primo, para aqueles lágrimas transbordantes, Deixa-me em teu peito morrer!
“Tua mão gentil meus olhos fechando, Ainda um favor imploro: Reza por minha alma repousando, Quando meu coração não mais pulsar;
“Assim Jesus, sempre atendendo Gracioso a um voto cristão, Agradecido aceitará minha alma ascendendo, E um lugar no céu permitirá.”
Assim falou o valente Durandarte; Logo seu coração corajoso se quebrou em dois. Muito se alegrou o partido mouro, Que o valente cavaleiro foi morto.
Chorando, Montesinos Tirou dele seu elmo e espada; Chorando, Montesinos Cavou a sepultura de seu valente primo.
Para cumprir sua promessa feita, ele Cortou o coração de fora do peito, Para que Belerma, infeliz senhora! Pudesse receber o último legado.
Triste estava o coração de Montesinos, ele Sentiu angústia em seu peito. “Ah! meu primo Durandarte, Ai de mim ver teu fim!
“Doce em maneiras, belo em aparência, Suave em temperamento, feroz em batalha, Guerreiro, mais nobre, mais gentil, mais bravo, Nunca mais verá a luz!
“Primo, olha! minhas lágrimas te banhando! Como poderei sobreviver à tua perda! Durandarte, aquele que te matou, Por que deixou-me vivo!”
Enquanto ela cantava, Ambrósio ouvia com deleite: Nunca ele havia ouvido uma voz mais harmoniosa; e ele se perguntava como sons tão celestiais poderiam ser produzidos por qualquer um que não fossem anjos. Mas, embora ele indulgisse o sentido da audição, um único olhar o convenceu de que ele não deveria confiar no da visão. A cantora estava a uma pequena distância de sua cama. A postura em que ela se inclinava sobre sua harpa era fácil e graciosa: seu capuz havia caído mais para trás do que o habitual: dois lábios corais eram visíveis, maduros, frescos e tentadores, e um queixo em cujas covinhas parecia se esconder mil Cupidos. Seu hábito de mangas compridas teria varrido as cordas do instrumento: para evitar esse inconveniente, ela as havia puxado acima do cotovelo, e por esse meio um braço foi descoberto, formado na mais perfeita simetria, cuja pele poderia ter competido com a neve em brancura. Ambrósio ousou olhar para ela apenas uma vez: aquele olhar bastou para convencê-lo de quão perigosa era a presença dessa sedutora. Ele fechou os olhos, mas tentou em vão banir sua imagem de seus pensamentos. Lá ela ainda se movia diante dele, adornada com todos aqueles encantos que sua imaginação aquecida poderia fornecer: toda beleza que ele havia visto parecia embelezada, e aquelas ainda ocultas, a fantasia representava para ele em cores vibrantes. Ainda assim, no entanto, seus votos e a necessidade de mantê-los estavam presentes em sua memória. Ele lutou contra o desejo e estremeceu quando viu quão profundo era o precipício diante dele.
Matilda cessou de cantar. Temendo a influência de seus encantos, Ambrósio permaneceu com os olhos fechados e ofereceu suas preces a São Francisco para ajudá-lo nessa perigosa provação! Matilda acreditava que ele estava dormindo. Ela se levantou de seu assento, aproximou-se da cama suavemente e, por alguns minutos, olhou para ele atentamente.
“Ele dorme!” disse ela, por fim, em voz baixa, mas cujos acentos o abade distinguiu perfeitamente; “Agora, então, posso olhar para ele sem ofensa! Posso misturar meu sopro com o dele; posso me deleitar com suas feições, e ele não pode me suspeitar de impureza e engano!—Ele teme que eu o seduza à violação de seus votos! Ah! o injusto! Se fosse meu desejo excitar o desejo, eu esconderia minhas feições dele tão cuidadosamente? Aquelas feições, das quais eu diariamente ouço dele....”
Ela parou e foi perdida em suas reflexões.
“Foi ontem!” ela continuou; “Apenas algumas horas curtas se passaram, desde que eu era querida para ele! Ele me estimava, e meu coração estava satisfeito! Agora!... Ah! agora, quão cruelmente minha situação mudou! Ele olha para mim com suspeita! Ele me ordena que o deixe, que o deixe para sempre! Ah! Você, meu santo! meu ídolo! Você, ocupando o lugar seguinte a Deus em meu peito! Ainda dois dias, e meu coração será revelado a você.—Se você pudesse saber meus sentimentos, quando vi sua agonia! Se você pudesse saber, quão mais você se tornou querido para mim! Mas o tempo virá, quando você será convencido de que minha paixão é pura e desinteressada. Então você me perdoará e sentirá todo o peso dessas dores!”
Enquanto dizia isso, sua voz foi sufocada por lágrimas. Enquanto ela se inclinava sobre Ambrósio, uma lágrima caiu sobre sua face.
“Ah! eu o perturbei!” exclamou Matilda e se afastou apressadamente.
Seu alarme era infundado. Ninguém dorme tão profundamente, como aqueles que estão determinados a não acordar. O frade estava nessa situação: ele ainda parecia enterrado em um repouso, que cada minuto sucessivo o tornava menos capaz de desfrutar. A lágrima ardente havia comunicado seu calor a seu coração.
“Que afeto! Que pureza!” disse ele internamente; “Ah! desde que meu peito é assim sensível à piedade, o que seria se agitado pelo amor?”
Matilda novamente deixou seu assento e se retirou para alguma distância da cama. Ambrósio aventurou-se a abrir os olhos e a lançá-los sobre ela com medo. Seu rosto estava voltado para ele. Ela repousava sua cabeça em uma postura melancólica sobre sua harpa e olhava para o quadro que pendia em frente à cama.
“Feliz, feliz imagem!” Assim ela se dirigiu à bela Madona; “É para você que ele oferece suas preces! É em você que ele olha com admiração! Eu pensei que você aliviaria minhas dores; você só serviu para aumentar seu peso: você me fez sentir que, se eu o tivesse conhecido antes que seus votos fossem pronunciados, Ambrósio e felicidade poderiam ter sido meus. Com que prazer ele vê essa imagem! Com que fervor ele dirige suas preces à imagem insensível! Ah! pode ser que seus sentimentos sejam inspirados por algum gênio gentil e secreto, amigo do meu afeto? Pode ser que seja o instinto natural do homem que o informa... Silêncio, esperanças vãs! Não deixe que eu alimente uma ideia que tira o brilho da virtude de Ambrósio. É a religião, não a beleza, que atrai sua admiração; não é à mulher, mas à divindade que ele se ajoelha. Se ele pudesse dirigir a mim a menor expressão terna que ele derrama sobre essa Madona! Se ele pudesse dizer que, se não fosse já comprometido com a Igreja, ele não me desprezaria! Ah! deixe-me nutrir essa ideia querida! Talvez ele ainda reconheça que sente por mim mais do que piedade, e que um afeto como o meu bem poderia merecer um retorno; talvez ele declare isso quando eu estiver em meu leito de morte! Ele então não precisará temer violar seus votos, e a confissão de seu afeto amenizará os tormentos da morte. Se eu tivesse certeza disso! Ah! como eu ansiosamente suspiraria pelo momento da dissolução!”
Desse discurso, o abade não perdeu uma sílaba; e o tom em que ela pronunciou essas últimas palavras penetrou em seu coração. Involuntariamente, ele se levantou de seu travesseiro.
“Matilda!” ele disse com uma voz perturbada; “Ah! minha Matilda!”
Ela estremeceu ao som e se virou para ele apressadamente. A súbita mudança de seu movimento fez seu capuz cair de volta de sua cabeça; suas feições se tornaram visíveis ao olho inquisidor do monge. Que foi seu espanto ao ver a exata semelhança de sua admirada Madona? A mesma proporção exquisita de feições, a mesma profusão de cabelos dourados, os mesmos lábios rosados, olhos celestiais e majestade de semblante adornavam Matilda! Pronunciando uma exclamação de surpresa, Ambrósio caiu de volta em seu travesseiro e duvidou se o objeto diante dele era mortal ou divino.
Matilda parecia penetrada de confusão. Ela permaneceu imóvel em seu lugar e se apoiava em seu instrumento. Seus olhos estavam voltados para o chão e suas faces coradas. Ao se recuperar, sua primeira ação foi esconder suas feições. Ela então, em uma voz instável e perturbada, aventurou-se a dirigir essas palavras ao frade.
“O acaso me tornou mestre de um segredo, que eu nunca revelaria, a não ser no leito de morte. Sim, Ambrósio; em Matilda de Villanegas você vê a original de sua amada Madona. Logo após conceber minha paixão infeliz, formei o projeto de lhe enviar meu retrato: multidões de admiradores me haviam persuadido de que eu possuía alguma beleza, e eu estava ansiosa para saber que efeito ela produziria em você. Eu fiz meu retrato ser desenhado por Martin Galuppi, um celebrado veneziano que, na época, residia em Madri. A semelhança era impressionante: eu o enviei ao mosteiro dos capuchinhos como se fosse para venda, e o judeu de quem você o comprou era um de meus emissários. Você o comprou. Julgue meu êxtase, quando informada de que você havia olhado para ele com deleite, ou melhor, com adoração; que você o havia suspenso em sua cela e que você dirigia suas súplicas a nenhum outro santo. Será que essa descoberta me tornará ainda mais suspeita como um objeto de desconfiança? Antes, ela deveria convencê-lo de quão pura é minha afeição e envolvê-lo a me permitir em sua sociedade e estima. Eu ouvia você diariamente elogiar os louvores do meu retrato: eu era testemunha dos transportes, que sua beleza excitava em você; ainda assim, eu me abstive de usar contra sua virtude aquelas armas, com as quais você mesmo me havia fornecido. Eu escondi aquelas feições de sua vista, que você amava inconscientemente. Eu não me esforcei para excitar o desejo exibindo meus encantos, ou para me tornar mestra de seu coração através do meio de seus sentidos. Atrair sua atenção por meio de uma atenção estudada a deveres religiosos, me tornar querida para você convencendo-o de que minha mente era virtuosa e meu apego sincero, tal era meu único objetivo. Eu consegui; eu me tornei sua companheira e sua amiga. Eu escondi meu sexo de seu conhecimento; e se você não me tivesse pressionado a revelar meu segredo, se eu não tivesse sido atormentada pelo medo de uma descoberta, nunca você me teria conhecido por qualquer outra que não Rosário. E ainda assim você está resolvido a me afastar de você? As poucas horas de vida que ainda restam para mim, posso passá-las em sua presença? Ah! fale, Ambrósio, e diga-me que posso ficar!”
Esse discurso deu ao abade uma oportunidade de se recompor. Ele estava consciente de que, na disposição atual de sua mente, evitar sua sociedade era seu único refúgio do poder dessa mulher encantadora.
“Sua declaração me surpreendeu tanto”, disse ele, “que, no momento, sou incapaz de responder. Não insista em uma resposta, Matilda; Deixe-me sozinho; eu preciso estar sozinho.”
“Eu obedeço—Mas antes de ir, prometa não insistir para que eu deixe o mosteiro imediatamente.”
“Matilda, reflita sobre sua situação; Reflita sobre as consequências da sua estadia. Nossa separação é indispensável, e devemos nos separar.”
“Mas não hoje, padre! Ah! em piedade, não hoje!”
“Você me pressiona demais, mas não posso resistir a esse tom de súplica. Como você insiste, eu cedo ao seu pedido: eu consinto que você permaneça aqui um tempo suficiente para preparar, em certa medida, os irmãos para sua partida. Fique ainda dois dias; mas no terceiro,”... (ele suspirou involuntariamente)—“Lembre-se, que no terceiro devemos nos separar para sempre!”
Ela pegou sua mão ansiosamente e a pressionou contra seus lábios.
“No terceiro?” ela exclamou com um ar de solenidade selvagem; “Você está certo, padre! Você está certo! No terceiro devemos nos separar para sempre!”
Havia uma expressão terrível em seu olhar enquanto proferia essas palavras, que penetrou a alma do frade com horror: novamente ela beijou sua mão e então fugiu rapidamente da câmara.
Ansioso para autorizar a presença de sua perigosa convidada, mas consciente de que sua estadia estava infringindo as leis de sua ordem, o peito de Ambrósio se tornou o teatro de mil paixões conflitantes. Por fim, seu apego à falsa Rosário, auxiliado pela natural calor de seu temperamento, parecia provável obter a vitória: o sucesso foi assegurado, quando aquela presunção que formava o fundamento de seu caráter veio em auxílio de Matilda. O monge refletiu que vencer a tentação era um mérito infinitamente maior do que evitá-la: ele pensou que deveria, antes, se alegrar na oportunidade dada a ele de provar a firmeza de sua virtude. São Antônio havia resistido a todas as seduções à luxúria; então, por que ele não? Além disso, São Antônio foi tentado pelo diabo, que colocou em prática toda arte para excitar suas paixões: enquanto o perigo de Ambrósio procedia de uma mera mulher mortal, temerosa e modesta, cujas apreensões de sua rendição não eram menos violentas do que as dele.
“Sim”, disse ele; “a infeliz ficará; eu não tenho nada a temer de sua presença. Mesmo que minha própria provasse ser fraca demais para resistir à tentação, eu sou assegurado do perigo pela inocência de Matilda.”
Ambrósio ainda tinha que aprender que, para um coração não acostumado a ela, a vice é sempre mais perigosa quando se esconde atrás da máscara da virtude.
Ele se sentiu tão perfeitamente recuperado, que, quando o padre Pablos o visitou novamente à noite, ele suplicou permissão para deixar sua câmara no dia seguinte. Seu pedido foi concedido. Matilda não apareceu mais naquela noite, exceto em companhia dos monges quando eles vieram em corpo para perguntar sobre a saúde do abade. Ela parecia temerosa de conversar com ele em particular e ficou apenas alguns minutos em seu quarto. O frade dormiu bem; mas os sonhos da noite anterior foram repetidos, e suas sensações de volúpia foram ainda mais intensas e exquisitas. As mesmas visões lascivas flutuavam diante de seus olhos: Matilda, em todo o esplendor da beleza, quente, terna e luxuriosa, o apertava contra seu peito e o cobria com os carinhos mais ardentes. Ele os retribuía com igual ardor e já estava prestes a satisfazer seus desejos, quando a forma infiel desaparecia e o deixava com todos os horrores da vergonha e do desapontamento.
A manhã raiou. Cansado, atormentado e exausto por seus sonhos provocantes, ele não estava disposto a deixar a cama. Ele se desculpou de aparecer nas Matinas: Foi a primeira manhã de sua vida em que ele as perdeu. Ele se levantou tarde. Durante todo o dia, ele não teve oportunidade de falar com Matilda sem testemunhas. Sua cela estava lotada de monges, ansiosos para expressar sua preocupação com sua doença; e ele ainda estava ocupado em receber seus cumprimentos por sua recuperação, quando o sino os chamou para o refeitório.
Após o almoço, os monges se separaram e se dispersaram em várias partes do jardim, onde a sombra das árvores ou o retiro de alguma gruta apresentavam os meios mais agradáveis de desfrutar a sesta. O abade dirigiu seus passos para a ermida: um olhar de seu olho convidou Matilda a acompanhá-lo.
Ela obedeceu e o seguiu em silêncio. Eles entraram na gruta e se sentaram. Ambos pareciam relutantes em começar a conversa e sofriam sob a influência de um embaraço mútuo. Por fim, o abade falou: ele conversou apenas sobre tópicos indiferentes, e Matilda o respondeu no mesmo tom. Ela parecia ansiosa para fazê-lo esquecer que a pessoa que estava ao seu lado era qualquer outra que não Rosário. Nenhum deles ousou, ou na verdade desejou, fazer uma alusão ao assunto que estava mais no coração de ambos.
Os esforços de Matilda para parecer alegre eram evidentemente forçados: seus espíritos estavam oprimidos pelo peso da ansiedade, e quando ela falava, sua voz era baixa e fraca. Ela parecia desejosa de terminar uma conversa que a embaraçava; e reclamando que estava indisposta, ela pediu permissão a Ambrósio para retornar à Abadia. Ele a acompanhou até a porta de sua cela; e quando chegou lá, ele a deteve para declarar seu consentimento em que ela continuasse a ser a parceira de sua solidão pelo tempo que fosse agradável a ela mesma.
Ela não demonstrou sinais de prazer ao receber essa informação, embora no dia anterior ela tivesse estado tão ansiosa para obter a permissão.
"Ah! Padre", disse ela, balançando a cabeça tristemente; "Sua bondade vem tarde demais! Meu destino está selado. Devemos nos separar para sempre. Mas acredite, que sou grata por sua generosidade, por sua compaixão de uma infeliz que é muito pouco merecedora disso!"
Ela levou o lenço aos olhos. Seu capuz estava apenas meio puxado sobre o rosto. Ambrósio observou que ela estava pálida, e seus olhos afundados e pesados.
"Bom Deus!" ele exclamou; "Você está muito doente, Matilda! Vou enviar o Padre Pablos para você imediatamente."
"Não; não faça isso. Estou doente, é verdade; mas ele não pode curar minha doença. Adeus, Padre! Lembre-se de mim em suas orações amanhã, enquanto eu me lembrarei de você no céu!"
Ela entrou em sua cela e fechou a porta.
O abade enviou o médico para ela sem perder um momento e esperou seu relatório impacientemente. Mas o Padre Pablos logo retornou e declarou que sua missão havia sido inútil. Rosário se recusou a admiti-lo e rejeitou positivamente suas ofertas de assistência. A inquietação que essa informação causou a Ambrósio não foi trivial: ainda assim, ele decidiu que Matilda deveria ter sua própria maneira por aquela noite: mas que, se sua situação não melhorasse pela manhã, ele insistiria para que ela aceitasse o conselho do Padre Pablos.
Ele não se sentiu inclinado a dormir. Ele abriu sua janela e olhou para os raios da lua enquanto eles brincavam sobre o pequeno riacho cujas águas banhavam as paredes do mosteiro. A frescura da brisa noturna e a tranquilidade da hora inspiraram a mente do frade com tristeza. Ele pensou na beleza e no afeto de Matilda; nos prazeres que ele poderia ter compartilhado com ela, se não estivesse restringido por grilhões monásticos. Ele refletiu que, sem esperança, seu amor por ele não poderia durar muito; que, sem dúvida, ela conseguiria extinguir sua paixão e buscar felicidade nos braços de outro mais afortunado. Ele estremeceu ao vazio que sua ausência deixaria em seu peito. Ele olhou com desdém para a monotonia de um convento e respirou um suspiro em direção ao mundo do qual ele estava para sempre separado. Tais eram as reflexões que uma forte batida em sua porta interrompeu. O sino da igreja já havia tocado duas horas. O abade se apressou em perguntar a causa dessa perturbação. Ele abriu a porta de sua cela e um irmão leigo entrou, cujos olhares declaravam sua pressa e confusão.
"Apresse-se, reverendo padre!" disse ele; "Apresse-se para a jovem Rosário.
Ela pede com urgência para vê-lo; ela está à beira da morte."
"Deus misericordioso! Onde está o Padre Pablos? Por que ele não está com ela? Ah! eu temo! eu temo!"
"O Padre Pablos a viu, mas sua arte não pode fazer nada. Ele diz que suspeita que a jovem foi envenenada."
"Envenenada? Ah! a infeliz! É como eu suspeitava! Mas não devo perder um momento; talvez ainda seja tempo de salvá-la!"
Ele disse e correu em direção à cela da noviça. Vários monges já estavam na câmara. O Padre Pablos era um deles e segurava uma medicina na mão que ele estava tentando persuadir Rosário a engolir. Os outros estavam ocupados em admirar o rosto divino da paciente, que eles viam pela primeira vez. Ela parecia mais linda do que nunca. Ela não estava mais pálida ou cansada; um brilho brilhante se espalhara sobre suas bochechas; seus olhos brilhavam com um deleite sereno e seu rosto era expressivo de confiança e resignação.
"Ah! não me atormente mais!" ela estava dizendo a Pablos, quando o aterrorizado abade entrou apressadamente na cela; "Minha doença está muito além do alcance de sua habilidade, e eu não desejo ser curada dela"—Então, percebendo Ambrósio,—"Ah! é ele!" ela exclamou; "Eu o vejo mais uma vez, antes que nos separemos para sempre! Deixe-me, meus irmãos; Tenho muito a dizer a este homem santo em particular."
Os monges se retiraram imediatamente, e Matilda e o abade permaneceram juntos.
"O que você fez, mulher imprudente!" exclamou este último, assim que ficaram sozinhos; "Diga-me; minhas suspeitas são justas? Vou realmente perdê-la? Sua própria mão foi o instrumento de sua destruição?"
Ela sorriu e segurou sua mão.
"No que eu fui imprudente, padre? Eu sacrifiquei uma pedra e salvei um diamante: minha morte preserva uma vida valiosa para o mundo e mais querida para mim do que a minha própria. Sim, padre; estou envenenada; mas saiba que o veneno uma vez circulou em suas veias."
"Matilda!"
"O que eu lhe digo, eu resolvi nunca revelar a você, a não ser no leito de morte: esse momento chegou. Você não pode ter esquecido o dia já, quando sua vida foi ameaçada pela picada de um cientipedoro. O médico o deu como perdido, declarando-se ignorante de como extrair o veneno: eu conhecia apenas um meio e não hesitei um momento em empregá-lo. Fui deixada sozinha com você: você dormia; eu soltei a atadura de sua mão; eu beijei a ferida e tirei o veneno com meus lábios. O efeito foi mais súbito do que eu esperava. Sinto a morte em meu coração; ainda uma hora, e estarei em um mundo melhor."
"Deus todo-poderoso!" exclamou o abade e caiu quase sem vida sobre a cama.
Após alguns minutos, ele novamente se levantou de repente e olhou para Matilda com toda a loucura do desespero.
"E você se sacrificou por mim! Você morre e morre para preservar Ambrósio! E não há realmente nenhum remédio, Matilda? E não há realmente nenhuma esperança? Fale comigo, ah! fale comigo! Diga-me que você ainda tem os meios de vida!"
"Seja confortado, meu único amigo! Sim, eu ainda tenho os meios de vida em meu poder: mas é um meio que eu não ouso empregar. É perigoso! É terrível! A vida seria comprada a um preço muito caro, ... a menos que me fosse permitido viver para você."
"Então viva para mim, Matilda, para mim e para a gratidão!"— (Ele pegou sua mão e a pressionou com entusiasmo contra seus lábios.)—"Lembre-se de nossas últimas conversas; eu agora consinto com tudo: lembre-se em que cores vivas você descreveu a união de almas; seja nosso o realizar essas ideias. Vamos esquecer as distinções de sexo, desprezar os preconceitos do mundo e considerar apenas um ao outro como irmão e amigo. Viva então, Matilda! Ah! viva para mim!"
"Ambrósio, isso não pode ser. Quando eu pensei assim, eu enganei tanto a você quanto a mim mesma. Ou eu devo morrer agora, ou expirar pelos tormentos lentos de um desejo insatisfeito. Ah! desde que conversamos pela última vez, um véu terrível foi rasgado diante de meus olhos. Eu não o amo mais com a devoção que é paga a um santo: eu não o estimo mais pelas virtudes de sua alma; eu anseio pelo gozo de sua pessoa. A mulher reina em meu peito e eu me tornei presa da mais selvagem das paixões. Afaste-se a amizade! é uma palavra fria e insensível. Meu peito queima de amor, de amor indizível, e amor deve ser seu retorno. Tremble então, Ambrósio, tremble para suceder em suas preces. Se eu viver, sua verdade, sua reputação, sua recompensa de uma vida passada em sofrimentos, tudo o que você valoriza está irremediavelmente perdido. Eu não serei mais capaz de combater minhas paixões, aproveitarei todas as oportunidades para excitar seus desejos e trabalharei para efetuar sua desonra e a minha. Não, não, Ambrósio; eu não devo viver! Estou convencida a cada momento, que tenho apenas uma alternativa; sinto a cada batida do coração, que devo desfrutar de você ou morrer."
"Pasmo!—Matilda! Pode ser você quem fala comigo?"
Ele fez um movimento como se fosse sair de seu lugar. Ela soltou um grito alto e, levantando-se meio da cama, lançou seus braços ao redor do frade para detê-lo.
"Ah! não me deixe! Ouça meus erros com compaixão! Em algumas horas, eu não serei mais; ainda um pouco, e estarei livre dessa paixão vergonhosa."
"Mulher infeliz, o que posso dizer a você! Eu não posso ... eu não devo ... mas viva, Matilda! Ah! viva!"
"Você não reflete no que pede. O que? Viver para me mergulhar na infâmia? Para me tornar o agente do inferno? Para trabalhar a destruição tanto de você quanto de mim mesma? Sinta este coração, padre!"
Ela pegou sua mão: confuso, embaraçado e fascinado, ele não a retirou e sentiu seu coração bater sob ela.
"Sinta este coração, padre! Ele ainda é o assento da honra, da verdade e da castidade: se bater amanhã, ele deve cair presa dos crimes mais negros. Ah! deixe-me então morrer hoje! Deixe-me morrer, enquanto ainda mereço as lágrimas dos virtuosos! Assim perecerei!"—(Ela reclinou sua cabeça sobre seu ombro; seus cabelos dourados se derramaram sobre seu peito.)—"Envolvida em seus braços, eu me afundarei no sono; sua mão fechará meus olhos para sempre e seus lábios receberão meu último suspiro. E você não se lembrará de mim às vezes? Você não derramará uma lágrima sobre meu túmulo? Ah! sim! sim! sim! Esse beijo é minha garantia!"
A hora era noite. Tudo estava em silêncio ao redor. Os fracos raios de uma lâmpada solitária lançavam sobre a figura de Matilda e espalhavam pela câmara uma luz sombria e misteriosa. Nenhum olho curioso, ou ouvido atento estava perto dos amantes: nada era ouvido além das melodiosas palavras de Matilda. Ambrósio estava no pleno vigor da juventude. Ele viu diante dele uma mulher jovem e bela, a salvadora de sua vida, a adoradora de sua pessoa e a quem o afeto por ele havia reduzido à beira da sepultura. Ele estava sentado em sua cama; sua mão repousava sobre seu peito; sua cabeça reclinava voluptuosamente sobre seu seio. Quem então pode se surpreender, se ele cedeu à tentação? Embriagado de desejo, ele pressionou seus lábios contra aqueles que o buscavam: seus beijos rivalizavam com os de Matilda em calor e paixão. Ele a apertou com entusiasmo em seus braços; ele esqueceu seus votos, sua santidade e sua fama: ele se lembrou de nada além do prazer e da oportunidade.
"Ambrósio! Ah! meu Ambrósio!" suspirou Matilda.
"Seu, para sempre seu!" murmurou o frade e caiu sobre seu peito.
CAPÍTULO III
——Estes são os vilões Que todos os viajantes temem tanto. ————Alguns deles são cavalheiros Como a fúria da juventude desgovernada Expulsa da companhia de homens respeitáveis.
DOIS CAVALHEIROS DE VERONA.
O Marquês e Lorenzo prosseguiram para o hotel em silêncio. O primeiro se ocupava em trazer à mente todas as circunstâncias que pudessem dar a Lorenzo a ideia mais favorável de sua conexão com Agnes. O último, justamente alarmado pela honra de sua família, sentia-se embaraçado pela presença do Marquês: a aventura que ele acabara de testemunhar o impedia de tratá-lo como amigo; e os interesses de Antonia sendo confiados à sua mediação, ele via a imprudência de tratá-lo como inimigo. Ele concluiu dessas reflexões que o silêncio profundo seria o plano mais sábio e esperou com impaciência pela explicação de Don Raymond.
Eles chegaram ao Hotel de las Cisternas. O Marquês imediatamente o conduziu a seu apartamento e começou a expressar sua satisfação em encontrá-lo em Madri. Lorenzo o interrompeu.
"Perdoe-me, meu senhor", disse ele com um ar distante, "se eu responder um pouco friamente a suas expressões de consideração. A honra de uma irmã está envolvida neste assunto: até que ela seja estabelecida e o propósito de sua correspondência com Agnes esclarecido, eu não posso considerá-lo como meu amigo. Estou ansioso para ouvir o significado de sua conduta e espero que você não adie a explicação prometida."
"Primeiro me dê sua palavra de que você ouvirá com paciência e indulgência."
"Eu amo minha irmã demais para julgá-la severamente; e até este momento, eu não possuía amigo tão querido para mim quanto você. Também confessarei que o fato de você ter o poder de me obrigar em um negócio que muito me interessa, me torna muito ansioso para encontrar você ainda merecedor de minha estima."
"Lorenzo, você me transporta! Nenhum prazer maior pode ser dado a mim do que uma oportunidade de servir ao irmão de Agnes."
"Convença-me de que posso aceitar seus favores sem desonra e não há homem no mundo a quem eu esteja mais disposto a ser obrigado."
"Provavelmente, você já ouviu sua irmã mencionar o nome de Alphonso d'Alvarada?"
"Nunca. Embora eu sinta por Agnes um afeto verdadeiramente fraternal, circunstâncias impediram que estivéssemos muito juntos. Enquanto ainda criança, ela foi confiada aos cuidados de sua tia, que havia se casado com um nobre alemão. Em seu castelo ela permaneceu até dois anos atrás, quando retornou à Espanha, determinada a se isolar do mundo."
"Bom Deus! Lorenzo, você sabia de sua intenção e ainda assim não se esforçou para fazê-la mudar de ideia?"
"Marquês, você me ofende. A informação, que recebi em Nápoles, me chocou extremamente e eu apressei meu retorno a Madri com o propósito expresso de impedir o sacrifício. No momento em que cheguei, voei para o convento de Santa Clara, no qual Agnes havia escolhido para realizar seu noviciado. Solicitei ver minha irmã. Imagine minha surpresa quando ela me enviou uma recusa; ela declarou positivamente que, temendo minha influência sobre sua mente, ela não confiaria em si mesma em minha sociedade até o dia anterior àquele em que ela receberia o véu. Eu supliquei às freiras; insisti em ver Agnes e não hesitei em declarar minhas suspeitas de que mantê-la afastada de mim era contra sua própria vontade. Para se livrar da imputação de violência, a prioresa me trouxe algumas linhas escritas na bem conhecida letra de minha irmã, repetindo a mensagem já entregue. Todas as tentativas futuras de obter um momento de conversa com ela foram tão infrutíferas quanto a primeira. Ela foi inflexível e eu não fui permitido a vê-la até o dia anterior àquele em que ela entrou no claustro para nunca mais sair. Esse encontro ocorreu na presença de nossos principais parentes. Foi a primeira vez desde sua infância que eu a vi e a cena foi muito comovente. Ela se jogou em meu peito, me beijou e chorou amargamente. Por todos os argumentos possíveis, por lágrimas, por preces, por joelhos, eu tentei fazê-la abandonar sua intenção. Eu lhe representei todas as dificuldades de uma vida religiosa; pintei para sua imaginação todos os prazeres que ela estava prestes a abandonar e a supliquei que me revelasse o que causava sua aversão ao mundo. A essa última pergunta, ela ficou pálida e suas lágrimas fluíram ainda mais rápido. Ela me suplicou que não a pressionasse sobre esse assunto; que bastava eu saber que sua resolução estava tomada e que um convento era o único lugar onde ela agora poderia esperar por tranquilidade. Ela perseverou em seu plano e fez sua profissão. Eu a visitei frequentemente na grade e a cada momento que passei com ela, me fez sentir mais aflição por sua perda. Eu fui logo obrigado a deixar Madri; retornei apenas ontem à noite e, desde então, não tive tempo de chamar no convento de Santa Clara."
"Então, até eu mencionar, você nunca ouviu o nome de Alphonso d'Alvarada?"
"Perdoe-me: minha tia me escreveu que um aventureiro assim chamado havia encontrado meios de se introduzir no castelo de Lindenberg; que ele havia se insinuado nas boas graças de minha irmã e que ela até havia consentido em fugir com ele. No entanto, antes que o plano pudesse ser executado, o cavaleiro descobriu que as propriedades que ele acreditava que Agnes possuía em Hispaniola, na realidade pertenciam a mim. Essa informação o fez mudar de intenção; ele desapareceu no dia em que a fuga deveria ter ocorrido e Agnes, em desespero por sua perfídia e mesquinhez, havia resolvido se isolar em um convento. Ela acrescentou que, como esse aventureiro havia se apresentado como amigo meu, ela gostaria de saber se eu tinha algum conhecimento dele. Eu respondi negativamente. Eu tinha então muito pouca ideia de que Alphonso d'Alvarada e o Marquês de las Cisternas eram uma e a mesma pessoa: a descrição dada a mim do primeiro de maneira alguma correspondia com o que eu sabia do último."
"Nisso, eu facilmente reconheço o caráter pérfido de Donna Rodolpha. Cada palavra dessa história está marcada com sinais de sua malícia, de sua falsidade, de seus talentos para deturpar aqueles a quem ela deseja prejudicar. Perdoe-me, Medina, por falar tão livremente de sua parente. O mal que ela me fez autoriza meu ressentimento e, quando você tiver ouvido minha história, você será convencido de que minhas expressões não foram muito severas."
Ele então começou sua narrativa da seguinte maneira:
HISTÓRIA DE DON RAYMOND, MARQUÊS DE LAS CISTERNAS
Longa experiência, meu caro Lorenzo, me convenceu de quão generosa é sua natureza: eu não esperei por sua declaração de ignorância sobre as aventuras de sua irmã para supor que elas haviam sido propositadamente ocultadas de você. Se elas tivessem chegado ao seu conhecimento, de quantos infortúnios tanto Agnes quanto eu teríamos escapado! O destino havia ordenado de outra forma! Você estava em suas viagens quando eu primeiro me tornei conhecido de sua irmã; e como nossos inimigos tomaram cuidado para ocultar dela seu endereço, foi impossível para ela implorar por carta sua proteção e conselho.
Ao deixar Salamanca, na qual universidade, como eu soube desde então, você permaneceu um ano após eu sair, eu imediatamente parti em minhas viagens. Meu pai me forneceu liberalidade com dinheiro; mas ele insistiu para que eu escondesse meu título e me apresentasse como não mais que um cavalheiro particular. Esse comando foi emitido pelos conselhos de seu amigo, o Duque de Villa Hermosa, um nobre cujas habilidades e conhecimento do mundo eu sempre admirei profundamente.
“Acredite em mim,” disse ele, “meu caro Raymond, você sentirá os benefícios desta degradação temporária no futuro. É verdade que, como o Condé de las Cisternas, você teria sido recebido de braços abertos; e sua vaidade juvenil poderia ter se sentido gratificada pelas atenções que lhe seriam oferecidas de todos os lados. No momento, muito dependerá de você mesmo: Você tem excelentes recomendações, mas deve ser seu próprio esforço torná-las úteis. Você deve se esforçar para agradar; Deve trabalhar para ganhar a aprovação daqueles a quem for apresentado: Aqueles que teriam cortejado a amizade do Condé de las Cisternas não terão interesse em descobrir os méritos ou suportar pacientemente os defeitos de Alphonso d’Alvarada. Consequentemente, quando você se sentir realmente apreciado, pode atribuir com segurança ao seus bons atributos, não ao seu título, e a distinção que lhe for mostrada será infinitamente mais lisonjeira. Além disso, seu nascimento exaltado não permitiria que você se misturasse com as classes mais baixas da sociedade, o que agora estará ao seu alcance, e do qual, em minha opinião, você derivará consideráveis benefícios. Não se restrinja aos Ilustres dos Países por onde passar. Examine os costumes e hábitos da multidão: Entre nas Cabanas; e observando como os Vassalos de Estrangeiros são tratados, aprenda a diminuir os fardos e aumentar os confortos de seus próprios. Segundo minhas ideias, das vantagens que um Jovem destinado à posse de poder e riqueza pode colher de viagens, Ele não deve considerar como a menos essencial a oportunidade de se misturar com as classes abaixo dele, e tornar-se testemunha ocular dos sofrimentos do Povo.”
Perdoe-me, Lorenzo, se pareço prolixo em minha narrativa. A estreita conexão que agora existe entre nós me faz ansiar que você conheça todos os detalhes sobre mim; e em meu medo de omitir a menor circunstância que possa induzi-lo a pensar favoravelmente sobre minha Irmã e eu, posso relatar muitas que você pode considerar desinteressantes.
Segui o conselho do Duque; Logo me convenci de sua sabedoria.
Deixei a Espanha, chamando-me pelo título assumido de Don Alphonso d’Alvarada, e acompanhado por um único Doméstico de fidelidade comprovada. Paris foi meu primeiro destino. Por algum tempo, fiquei encantado com ela, como deve acontecer com todo Homem que é jovem, rico e amante do prazer. No entanto, entre todas as suas diversões, senti que algo faltava em meu coração. Fiquei enjoado da dissipação: Descobri que as Pessoas com quem vivia, e cujo exterior era tão polido e sedutor, eram, no fundo, frívolas, insensíveis e insinceras. Afastei-me dos Habitantes de Paris com desgosto, e deixei aquele Teatro de Luxúria sem derramar uma única lágrima de arrependimento.
Agora, dirigi meu curso para a Alemanha, pretendendo visitar a maioria das cortes principais: Antes desta expedição, pretendia fazer uma pequena estadia em Estrasburgo. Ao deixar minha Carroça em Luneville para tomar algum refresco, observei uma Equipagem esplêndida, atendida por quatro Domésticos em librés ricas, esperando à porta do Leão de Prata. Logo depois, enquanto olhava pela janela, vi uma Senhora de presença nobre, seguida por duas Acompanhantes, entrar na Carroça, que partiu imediatamente.
Perguntei ao Hospedeiro quem era a Senhora que acabara de partir.
“Uma Baronesa alemã, Monsieur, de grande posição e fortuna. Ela esteve em visita à Duquesa de Longueville, como seus Servos me informaram; Ela está indo para Estrasburgo, onde encontrará seu Marido, e então ambos retornarão ao seu Castelo na Alemanha.”
Retomei minha jornada, pretendendo chegar a Estrasburgo naquela noite. Minhas esperanças, no entanto, foram frustradas pela quebra de minha Carroça. O acidente aconteceu no meio de uma Floresta densa, e eu estava um pouco embaraçado quanto aos meios de prosseguir.
Era o rigor do inverno: A noite já fechava ao nosso redor; e Estrasburgo, que era a Cidade mais próxima, ainda estava a várias léguas de distância. Parecia-me que minha única alternativa para passar a noite na Floresta era pegar o Cavalo de meu Servo e cavalgar até Estrasburgo, uma empreitada naquela estação muito longe de ser agradável. No entanto, vendo que não havia outro recurso, fui obrigado a me decidir por isso. Assim, comuniquei meu plano ao Postilhão, dizendo-lhe que enviaria Pessoas para ajudá-lo assim que chegasse a Estrasburgo. Eu não tinha muita confiança em sua honestidade; Mas Stephano estava bem armado, e o Condutor, à primeira vista, parecia consideravelmente avançado em anos, acreditei que não corria perigo de perder minha Bagagem.
Felizmente, como pensei na época, uma oportunidade se apresentou de passar a noite de forma mais agradável do que esperava. Ao mencionar meu plano de prosseguir sozinho para Estrasburgo, o Postilhão sacudiu a cabeça em desaprovação.
“É um longo caminho,” disse ele; “Você encontrará dificuldade em chegar lá sem um Guia. Além disso, Monsieur parece desacostumado à severidade da estação, e é possível que, incapaz de suportar o frio excessivo....”
“Que uso há em me apresentar todas essas objeções?” disse eu, interrompendo-o impacientemente; “Não tenho outro recurso: Corro ainda maior risco de perecer de frio ao passar a noite na Floresta.”
“Passar a noite na Floresta?” Ele respondeu; “Oh! por São Denis! Ainda não estamos em tão má situação assim. Se não me engano, estamos a escassos cinco minutos de caminhada da Cabana de meu velho Amigo, Baptiste. Ele é um Lenheiro, e um Homem muito honesto. Não duvido que Ele o abrigará para a noite com prazer. Enquanto isso, posso pegar o Cavalo de sela, ir a Estrasburgo, e voltar com Pessoas adequadas para consertar sua Carroça ao raiar do dia.”
“E em nome de Deus,” disse eu, “Como você pôde me deixar tanto tempo na dúvida? Por que não me falou desta Cabana antes? Que estupidez excessiva!”
“Eu pensei que talvez Monsieur não se dignaria a aceitar....”
“Absurdo! Venha, venha! Não diga mais, e nos conduza sem demora à Cabana do Lenheiro.”
Ele obedeceu, e nos movemos: Os Cavalos conseguiram, com alguma dificuldade, arrastar o veículo quebrado após nós. Meu Servo estava quase sem fala, e eu comecei a sentir os efeitos do frio em mim mesmo, antes de chegarmos à tão desejada Cabana. Era uma construção pequena, mas arrumada: Enquanto nos aproximávamos, rejubilei ao observar através da janela o brilho de uma fogueira confortável. Nosso Condutor bateu à porta: Demorou algum tempo antes que alguém respondesse; As Pessoas dentro pareciam em dúvida se nos admitiriam.
“Venha! Venha, Amigo Baptiste!” gritou o Condutor com impaciência; “O que está acontecendo? Você está dormindo? Ou recusará uma noite de alojamento a um Cavalheiro, cuja Carroça acabou de quebrar na Floresta?”
“Ah! é você, honesto Claude?” respondeu uma voz de dentro; “Espere um momento, e a porta será aberta.”
Logo depois, os ferrolhos foram destrancados. A porta foi aberta, e um Homem se apresentou a nós com uma Lâmpada na mão. Ele deu ao Guia uma recepção calorosa, e então se dirigiu a mim.
“Entre, Monsieur; Entre, e seja bem-vindo! Perdoe-me por não admiti-lo inicialmente: Mas há tantos Malfeitores por aqui, que, com sua licença, suspeitei que você fosse um.”
Dizendo isso, Ele me conduziu à sala, onde eu havia observado a fogueira: Fui imediatamente colocado em uma Poltrona, que estava perto da Lareira. Uma Mulher, que supus ser a Esposa de meu Anfitrião, levantou-se de seu assento ao meu entrar, e me recebeu com uma reverência leve e distante. Ela não respondeu ao meu cumprimento, mas, sentando-se novamente, continuou o trabalho em que estava ocupada. Os modos de seu Marido eram tão amigáveis quanto os dela eram rudes e repulsivos.
“Lamento, Monsieur,” disse ele, “não poder alojá-lo mais convenientemente; Mas não podemos nos gabar de muito espaço sobrando nesta choça. No entanto, um quarto para você, e outro para seu Servo, acho que podemos providenciar. Você deve se contentar com uma refeição simples; Mas com o que temos, acredite em mim, você é bem-vindo.” ——Então, voltando-se para sua esposa—“Por que você fica aí, Marguerite, com tanta tranquilidade, como se não tivesse nada melhor para fazer! Mexa-se, Dama! Mexa-se! Prepare o jantar; Veja os lençóis; Aqui, aqui; coloque mais lenha na lareira, pois o Cavalheiro parece ter morrido de frio.”
A esposa jogou seu trabalho apressadamente sobre a Mesa, e prosseguiu para executar suas ordens com todos os sinais de relutância. Sua aparência havia me desagradado no primeiro momento em que a examinei. No entanto, no geral, suas feições eram inegavelmente bonitas; Mas sua pele era amarelada, e seu corpo magro e mirrado; Uma nuvem de rancor cobria seu rosto; e ele trazia marcas visíveis de rancor e má vontade, que não escapariam à observação do Observador mais desatento. Cada olhar e ação expressava descontentamento e impaciência, e as respostas que Ela dava a Baptiste, quando Ele a repreendia boa-humoradamente por seu ar insatisfeito, eram ásperas, curtas e cortantes. Em suma, concebi no primeiro momento igual desgosto por ela, e pré-disposição a favor de seu Marido, cuja aparência era calculada para inspirar estima e confiança. Sua fisionomia era aberta, sincera e amigável; seus modos tinham toda a honestidade do Camponês, sem sua rudeza; Suas bochechas eram largas, cheias e ruborizadas; e na solidez de seu corpo, Ele parecia oferecer uma desculpa ampla para a magreza de sua Esposa. Pelos vincos em sua testa, julguei-o ter mais de sessenta anos; Mas Ele suportava seus anos bem, e parecia ainda forte e saudável: A Esposa não podia ter mais de trinta, mas em espírito e vivacidade, Ela era infinitamente mais velha que o Marido.
No entanto, apesar de sua relutância, Marguerite começou a preparar o jantar, enquanto o Lenheiro conversava alegremente sobre diferentes assuntos. O Postilhão, que havia sido fornecido com uma garrafa de licor, estava agora pronto para partir para Estrasburgo, e perguntou se eu tinha mais alguma ordem.
“Para Estrasburgo?” interrompeu Baptiste; “Você não está indo para lá esta noite?”
“Peço sua licença: Se não buscar Trabalhadores para consertar a Carroça, Como Monsieur prosseguirá amanhã?”
“Isso é verdade, como você diz; Eu havia esquecido a Carroça. Bem, mas Claude; Você pode pelo menos comer seu jantar aqui? Isso não fará você perder muito tempo, e Monsieur parece tão bondoso que não o enviará com o estômago vazio em uma noite tão fria como esta.”
A isso, concordei prontamente, dizendo ao Postilhão que minha chegada a Estrasburgo no dia seguinte uma ou duas horas mais tarde seria perfeitamente irrelevante. Ele me agradeceu, e então, deixando a Cabana com Stephano, colocou seus Cavalos na Estábulo do Lenheiro. Baptiste os seguiu até a porta, e olhou para fora com ansiedade.
“É um vento cortante!” disse ele; “Eu me pergunto o que detém meus Rapazes por tanto tempo! Monsieur, eu lhe mostrarei dois dos melhores Rapazes que já calçaram sapatos de couro. O mais velho tem vinte e três anos, o segundo um ano mais novo: Seus Iguais em senso, coragem e atividade não são encontrados a cinquenta milhas de Estrasburgo. Quem dera que estivessem de volta! Começo a me preocupar com eles.”
Marguerite estava, neste momento, ocupada em pôr a mesa.
“E você está igualmente ansiosa pelo retorno de seus Filhos?” disse eu a ela.
“Não eu!” Ela respondeu com impaciência; “Eles não são filhos meus.”
“Venha! Venha, Marguerite!” disse o Marido; “Não fique de mau humor com o Cavalheiro por fazer uma pergunta simples. Se você não parecesse tão brava, Ele nunca pensaria que você era velha o suficiente para ter um Filho de vinte e três anos: Mas você vê quantos anos a má temperança acrescenta a você!—Perdoe a rudeza de minha Esposa, Monsieur. Uma pequena coisa a irrita, e Ela está um pouco descontente por você não pensar que Ela tem menos de trinta anos. Essa é a verdade, não é, Marguerite? Você sabe, Monsieur, que a Idade é sempre um assunto delicado para uma Mulher. Venha! Venha! Marguerite, anime-se um pouco. Se você não tem Filhos tão velhos, terá daqui a vinte anos, e espero que vivamos para vê-los tão bons Rapazes quanto Jacques e Robert.”
Marguerite juntou as mãos com paixão.
“Deus me livre!” disse ela; “Deus me livre! Se eu pensasse nisso, eu os estrangularia com minhas próprias mãos!”
Ela deixou a sala apressadamente, e subiu as escadas.
Não pude deixar de expressar ao Lenheiro quanto eu o lamentava por estar acorrentado para a vida a uma Parceira de tão mau humor.
“Ah! Senhor! Monsieur, Cada um tem sua parcela de aflições, e Marguerite caiu na minha. Além disso, afinal, Ela é apenas brava, e não maliciosa. O pior é que seu afeto por duas crianças de um casamento anterior a faz agir como Madrasta com meus dois Filhos. Ela não suporta a vista deles, e por sua vontade, eles nunca poriam os pés dentro de minha porta. Mas neste ponto, eu sempre me mantenho firme, e nunca consentirei em abandonar os pobres Rapazes à mercê do mundo, como Ela tem solicitado frequentemente. Em tudo o mais, eu a deixo ter sua própria maneira; e verdade seja dita, Ela gerencia uma família com rara habilidade, isso eu devo dizer em seu favor.”
Estávamos conversando desta maneira, quando nossa conversa foi interrompida por um alto brado, que ecoou pela Floresta.
“Meus Filhos, espero!” exclamou o Lenheiro, e correu para abrir a porta.
O brado foi repetido: Agora distinguimos o tropel de Cavalos, e logo depois uma Carroça, atendida por vários Cavaleiros, parou à porta da Cabana. Um dos Cavaleiros perguntou quão longe ainda estavam de Estrasburgo. Como Ele se dirigiu a mim, respondi no número de milhas que Claude me havia dito; Sobre o que, uma série de maldições foi lançada contra os Condutores por terem perdido o caminho. As Pessoas na Carroça foram agora informadas da distância de Estrasburgo, e também que os Cavalos estavam tão cansados que eram incapazes de prosseguir. Uma Senhora, que parecia ser a principal, expressou grande desgosto com esta informação; Mas como não havia remédio, um dos Acompanhantes perguntou ao Lenheiro se Ele poderia fornecer-lhes alojamento para a noite.
Ele parecia muito embaraçado, e respondeu negativamente; Adicionando que um Cavalheiro espanhol e seu Servo já estavam em posse dos únicos aposentos sobrando em sua Casa. Ao ouvir isso, a galanteria de minha nação não me permitiu reter aqueles alojamentos, dos quais uma Mulher estava necessitada. Imediatamente, signifiquei ao Lenheiro que transferia meu direito à Senhora; Ele fez algumas objeções; Mas eu as superei, e apressando-me para a Carroça, abri a porta, e ajudei a Senhora a descer. Imediatamente a reconheci como a mesma pessoa que eu havia visto na Estalagem em Luneville. Aproveitei a oportunidade para perguntar a um de seus Acompanhantes qual era seu nome?
“A Baronesa Lindenberg,” foi a resposta.
Não pude deixar de notar como nosso Anfitrião havia dado uma recepção diferente a estes novos visitantes e a mim. Sua relutância em admiti-los foi visivelmente expressa em seu rosto, e Ele se esforçou para dizer à Senhora que Ela era bem-vinda. Conduzi-a para dentro da Casa, e a coloquei na Poltrona, que eu havia acabado de deixar. Ela me agradeceu muito graciosamente; e fez mil desculpas por me colocar em um inconveniente. De repente, o rosto do Lenheiro se iluminou.
“Finalmente, eu arranjei!” disse ele, interrompendo suas desculpas; “Posso alojá-la e sua comitiva, Madam, e você não estará sob a necessidade de me fazer sofrer por minha polidez.
Temos dois quartos sobrando, um para a Senhora, o outro, Monsieur, para você: Minha Esposa dará o dela às duas Acompanhantes; Quanto aos Servos Homens, eles devem se contentar em passar a noite em um grande Celeiro, que fica a poucos metros de distância da Casa. Lá, eles terão uma fogueira acesa, e o melhor jantar que pudermos providenciar.”
Após várias expressões de gratidão da parte da Senhora, e oposição da minha parte a que Marguerite cedesse sua cama, este arranjo foi acordado. Como a Sala era pequena, a Baronesa imediatamente despediu seus Domésticos Homens: Baptiste estava prestes a conduzi-los ao Celeiro que Ele havia mencionado, quando dois Jovens apareceram à porta da Cabana.
“Infernos e Fúrias!” exclamou o primeiro, recuando; “Robert, a Casa está cheia de Estrangeiros!”
“Ha! Lá estão meus Filhos!” gritou nosso Anfitrião. “Por que, Jacques! Robert! para onde vocês estão correndo, Rapazes? Há espaço suficiente ainda para vocês.”
Sobre esta garantia, os Jovens retornaram. O Pai os apresentou à Baronesa e a mim: Após o que, Ele se retirou com nossos Domésticos, enquanto, a pedido das duas Acompanhantes, Marguerite as conduziu ao quarto destinado para sua Senhora.
Os dois novos-vindos eram Jovens altos, fortes, bem-feitos, de feições duras e muito queimados pelo sol. Eles nos cumprimentaram com poucas palavras, e reconheceram Claude, que agora entrava na sala, como um velho conhecido. Eles então jogaram suas capas, nas quais estavam enrolados, tiraram um cinto de couro ao qual uma grande Adaga estava suspensa, e cada um tirou um par de pistolas de seu cinto e as colocou sobre uma prateleira.
“Você viaja bem armado,” disse eu.
“Verdade, Monsieur;” respondeu Robert. “Saímos de Estrasburgo esta Noite, e é necessário tomar precauções ao passar por esta Floresta após o anoitecer. Ela não tem boa reputação, garanto-lhe.”
“Como?” disse a Baronesa; “Há Salteadores por aqui?”
“Dizem que sim, Madame; Por minha parte, viajei por esta floresta a todas as horas, e nunca encontrei nenhum deles.”
Aqui, Marguerite retornou. Seus Enteados a levaram para o outro lado da sala, e a sussurraram por alguns minutos. Pelos olhares que eles lançavam em nossa direção a intervalos, conjecturei que estavam indagando sobre nosso negócio na Cabana.
Enquanto isso, a Baronesa expressou seus temores de que seu Marido estivesse sofrendo muita ansiedade por sua conta. Ela havia pretendido enviar um de seus Servos para informar o Barão de seu atraso; Mas a descrição que os Jovens fizeram da Floresta tornou este plano impraticável. Claude a aliviou de sua embaraço. Ele a informou que estava sob a necessidade de chegar a Estrasburgo naquela noite, e que, se Ela confiasse nele com uma carta, Ela poderia depender de que seria entregue com segurança.
“E como acontece,” disse eu, “que você não tem receio de encontrar esses Salteadores?”
“Alas! Monsieur, um Homem pobre com uma grande família não pode perder um lucro certo porque está acompanhado de um pouco de perigo, e talvez meu Senhor o Barão possa me dar uma pequena gorjeta por meus serviços. Além disso, não tenho nada a perder, exceto minha vida, e isso não valerá a pena para os Salteadores tomarem.”
Achei seus argumentos ruins, e aconselhei-o a esperar até a Manhã; Mas como a Baronesa não me apoiou, fui obrigado a ceder. A Baronesa Lindenberg, como descobri depois, estava acostumada a sacrificar os interesses dos outros em favor dos seus, e seu desejo de enviar Claude a Estrasburgo a cegou para o perigo da empreitada. Assim, foi resolvido que Ele partiria sem demora. A Baronesa escreveu uma carta a seu Marido, e eu enviei algumas linhas a meu Banqueiro, informando-o de que não estaria em Estrasburgo até o dia seguinte. Claude pegou nossas cartas, e deixou a Cabana.
A Senhora declarou-se muito cansada por sua jornada: Além de ter vindo de alguma distância, os Condutores haviam conseguido perder o caminho na Floresta. Ela agora se dirigiu a Marguerite, pedindo para ser mostrada a seu quarto, e permitida a tomar meia hora de repouso. Uma das Acompanhantes foi imediatamente chamada; Ela apareceu com uma luz, e a Baronesa a seguiu para cima. A mesa estava sendo posta na câmara onde eu estava, e Marguerite logo me fez entender que eu estava em seu caminho. Suas pistas eram tão claras que não podiam ser facilmente mal interpretadas; Portanto, pedi a um dos Jovens que me conduzisse ao quarto onde eu deveria dormir, e onde poderia permanecer até que o jantar estivesse pronto.
“Qual é o quarto?” disse Robert.
“O com tapeçarias verdes,” respondeu ela; “Acabei de prepará-lo, e coloquei lençóis frescos na Cama; Se o Cavalheiro escolher se esparramar e se esparramar nela, Ele pode fazê-lo novamente para mim.”
“Você está de mau humor, Mãe, mas isso não é novidade. Tenha a bondade de me seguir, Monsieur.”
Ele abriu a porta, e avançou em direção a uma escada estreita.
“Você não tem luz!” disse Marguerite; “É seu pescoço ou o do Cavalheiro que você quer quebrar?”
Ela passou por mim, e colocou uma vela na mão de Robert, tendo recebido a qual, Ele começou a subir a escada. Jacques estava ocupado em pôr a mesa, e suas costas estavam voltadas para mim.
Marguerite aproveitou o momento, quando não estávamos sendo observados. Ela pegou minha mão, e a pressionou com força.
“Olhe para os Lençóis!” disse ela enquanto passava por mim, e imediatamente retomou sua ocupação anterior.
Surpreendido pela abruptidade de sua ação, fiquei como que petrificado. A voz de Robert, pedindo que eu o seguisse, me trouxe de volta a mim mesmo. Subi a escada. Meu condutor me levou a um quarto, onde uma excelente fogueira de lenha estava crepitando na lareira. Ele colocou a luz sobre a Mesa, perguntou se eu tinha mais alguma ordem, e, ao responder que não, Ele me deixou sozinho. Você pode ter certeza de que o momento em que fiquei sozinho foi aquele em que cumpri a instrução de Marguerite. Peguei a vela, me aproximei apressadamente da Cama, e levantei o Cobertura. Qual não foi meu espanto, meu horror, ao encontrar os lençóis manchados de sangue!
Naquele momento, mil ideias confusas passaram por minha imaginação. Os Salteadores que infestavam a Floresta, a exclamação de Marguerite sobre seus Filhos, as armas e a aparência dos dois Jovens, e as várias Anedotas que eu havia ouvido sobre a correspondência secreta que frequentemente existe entre Bandidos e Postilhões, todas essas circunstâncias passaram por minha mente, e me inspiraram com dúvida e apreensão. Refleti sobre os meios mais prováveis de esclarecer a verdade de minhas conjecturas. De repente, percebi Alguém abaixo caminhando apressadamente de um lado para o outro. Agora, tudo me parecia um objeto de suspeita. Com precaução, me aproximei da janela, que, como o quarto havia sido fechado por muito tempo, estava aberta apesar do frio. Ousei olhar para fora. Os raios da Lua me permitiram distinguir um Homem, que eu não tive dificuldade em reconhecer como meu Anfitrião. Observei seus movimentos.
Ele caminhava rapidamente, então parava, e parecia escutar: Ele pisava no chão, e batia em seu estômago com os braços como se para se proteger da inclemência da estação. Ao menor barulho, se uma voz fosse ouvida na parte inferior da Casa, se um Morcego passasse por ele, ou o vento agitasse os galhos sem folhas, Ele se assustava, e olhava ao redor com ansiedade.
“Praga o pegue!” disse ele por fim com impaciência; “O que ele está fazendo!”
Ele falou em voz baixa; mas como estava justo abaixo de minha janela, não tive dificuldade em distinguir suas palavras.
Agora, ouvi os passos de alguém se aproximando. Baptiste foi em direção ao som; Ele se juntou a um homem, cuja baixa estatura e o Chifre suspenso em seu pescoço, declararam ser nenhum outro senão meu fiel Claude, que eu havia suposto estar a caminho de Estrasburgo. Esperando que sua conversa lançasse alguma luz sobre minha situação, apressei-me em me colocar em uma condição de ouvi-la com segurança. Para isso, apaguei a vela, que estava sobre uma mesa perto da Cama: O brilho da fogueira não era forte o suficiente para me trair, e imediatamente retomei meu lugar na janela.
Os objetos de minha curiosidade haviam se posicionado diretamente abaixo dela. Suponho que, durante minha ausência momentânea, o Lenheiro havia estado culpando Claude por tardança, pois quando voltei à janela, o último estava tentando se desculpar por sua falha.
“No entanto,” acrescentou ele, “minha diligência agora compensará meu atraso passado.”
“Nessa condição,” respondeu Baptiste, “eu o perdoarei prontamente. Mas, na verdade, como você compartilha igualmente conosco em nossos prêmios, seu próprio interesse o fará usar toda a diligência possível. Seria uma pena deixar escapar tal butim nobre! Você diz que este Espanhol é rico?”
“Seu Servo se gabou na Estalagem que os efeitos em sua Carroça valiam mais de duas mil Pistolas.”
Oh! como eu amaldiçoei a imprudência vaidosa de Stephano!
“E me foi dito,” continuou o Postilhão, “que esta Baronesa carrega consigo um cofre de joias de valor imenso.”
“Pode ser, mas eu preferia que Ela tivesse ficado longe. O Espanhol era uma presa segura. Os Rapazes e eu poderíamos facilmente ter dominado ele e seu Servo, e então as duas mil Pistolas seriam nossas. Agora, temos que deixar a Banda entrar na partilha, e talvez toda a Caçada escape de nós. Se nossos Amigos se abrigarem em seus diferentes postos antes que você alcance a Caverna, tudo estará perdido. Os Acompanhantes da Senhora são numerosos demais para que possamos dominá-los: A menos que nossos Associados cheguem a tempo, devemos deixar que os Viajantes partam amanhã sem dano ou mal.”
“Que pena que meus Companheiros que dirigiam a Carroça sejam aqueles desconhecidos de nossa Confederação! Mas nunca tema, Amigo Baptiste. Uma hora me levará à Caverna; Agora são apenas dez horas, e até a meia-noite você pode esperar a chegada da Banda. Por acaso, cuide de sua Esposa: Você sabe quão forte é sua repugnância por nosso modo de vida, e Ela pode encontrar meios de dar informações aos Acompanhantes da Senhora sobre nosso plano.”
“Oh! Estou seguro de seu silêncio; Ela tem muito medo de mim, e é muito apegada a seus filhos, para ousar trair meu segredo. Além disso, Jacques e Robert a mantêm sob vigilância estrita, e Ela não é permitida a sair da Cabana. Os Servos estão seguros no Celeiro; Eu me esforçarei para manter tudo quieto até a chegada de nossos Amigos. Se eu estivesse seguro de que você encontraria os Bandidos, os Estrangeiros seriam despachados neste instante; Mas como é possível que você perca os Bandidos, temo ser convocado a produzi-los por seus Domésticos pela Manhã.”
“E se algum dos Viajantes descobrir seu plano?”
“Então, devemos esfaquear aqueles que estão em nosso poder, e tomar nossa chance em dominar o resto. No entanto, para evitar correr tal risco, apresse-se para a Caverna: Os Bandidos nunca a deixam antes das onze, e se você usar diligência, pode alcançá-la a tempo de detê-los.”
“Diga a Robert que peguei seu Cavalo: Meu próprio quebrou sua rédea, e escapou para a Floresta. Qual é a senha?”
“A recompensa da Coragem.”
“É suficiente. Vou à Caverna.”
“E eu, para rejoinir meus Hóspedes, para que minha ausência não crie suspeita. Adeus, e seja diligente.”
Esses Associados dignos agora se separaram: Um dirigiu-se para o Estábulos, enquanto o Outro retornou à Casa.
Você pode julgar, o que devem ter sido meus sentimentos durante esta conversa, da qual não perdi uma única sílaba. Eu não ousei confiar em minhas reflexões, nem nenhum meio se apresentou para escapar dos perigos que me ameaçavam. Resistência, eu sabia ser em vão; Eu estava desarmado, e um único Homem contra Três: No entanto, eu resolvi pelo menos vender minha vida o mais caro possível. Temendo que Baptiste percebesse minha ausência, e suspeitasse que eu havia ouvido a mensagem com a qual Claude foi despachado, apressei-me em reacender minha vela e sair do quarto. Ao descer, encontrei a mesa posta para seis Pessoas. A Baronesa estava sentada à lareira: Marguerite estava ocupada em preparar uma salada, e seus Enteados estavam sussurrando juntos no outro extremo da sala. Baptiste, tendo o jardim para fazer a ronda, antes que pudesse alcançar a porta da Cabana, ainda não havia chegado. Sentei-me quietamente em frente à Baronesa.
Um olhar para Marguerite lhe disse que sua pista não havia sido jogada fora por mim. Como ela parecia diferente para mim agora! O que antes parecia melancolia e mau humor, eu agora via como desgosto por seus Associados, e compaixão por meu perigo. Olhei para ela como meu único recurso; No entanto, sabendo que ela era vigiada por seu Marido com um olho suspeito, eu podia colocar pouca confiança nos esforços de sua boa vontade.
Apesar de todos os meus esforços para escondê-la, minha agitação era visível demais em meu rosto. Eu estava pálido, e tanto minhas palavras quanto ações eram desordenadas e embaraçadas. Os Jovens observaram isso, e perguntaram a causa. Atribui isso ao excesso de fadiga, e ao violento efeito produzido em mim pela severidade da estação. Se eles acreditaram ou não, não me atrevo a dizer: Eles pelo menos cessaram de me embaraçar com suas perguntas. Esforcei-me para desviar minha atenção dos perigos que me cercavam, conversando sobre diferentes assuntos com a Baronesa. Falei da Alemanha, declarando minha intenção de visitá-la imediatamente: Deus sabe, que eu pouco pensava naquele momento em vê-la! Ela me respondeu com grande facilidade e polidez, professou que o prazer de fazer minha acquaintance compensava amplamente o atraso em sua jornada, e me deu um convite insistente para fazer uma estadia no Castelo de Lindenberg. Enquanto ela falava assim, os Jovens trocaram um sorriso malicioso, que declarava que Ela seria afortunada se chegasse a aquele Castelo. Esta ação não me escapou; Mas eu ocultei a emoção que ela despertou em meu peito. Continuei a conversar com a Senhora; Mas meu discurso era tão frequentemente incoerente, que, como ela me informou depois, ela começou a duvidar se eu estava em meu juízo perfeito. O fato é que, enquanto minha conversa se voltava para um assunto, meus pensamentos estavam inteiramente ocupados por outro. Meditei sobre os meios de sair da Cabana, encontrar meu caminho para o Celeiro, e dar aos Domésticos informações sobre os desígnios de nosso Anfitrião. Logo me convenci de quão impraticável era a tentativa. Jacques e Robert observavam cada movimento meu com um olho atento, e eu fui obrigado a abandonar a ideia. Todas as minhas esperanças agora repousavam em Claude não encontrar os Bandidos: Nesse caso, segundo o que eu havia ouvido, nos seria permitido partir ilesos.
Eu estremeci involuntariamente ao entrar Baptiste na sala. Ele fez muitas desculpas por sua longa ausência, mas “Ele havia sido detido por assuntos impossíveis de serem adiados.” Ele então suplicou permissão para que sua família se sentasse à mesma mesa conosco, sem o que, o respeito não autorizaria tal liberdade. Oh! como em meu coração eu amaldiçoei o Hipócrita! Como eu odiava sua presença, que estava prestes a me privar de uma existência, naquela época infinitamente cara! Eu tinha todas as razões para estar satisfeito com a vida; Eu tinha juventude, riqueza, posição e educação; e as perspectivas mais brilhantes se apresentavam diante de mim. Eu via essas perspectivas prestes a se fechar da maneira mais horrível: No entanto, eu era obrigado a dissimular, e a receber com uma aparência de gratidão as falsas cortesias daquele que segurava a adaga em meu peito.
A permissão que nosso Anfitrião solicitava foi facilmente obtida. Sentamo-nos à mesa. A Baronesa e eu ocupávamos um lado: Os Filhos estavam em frente a nós com as costas para a porta. Baptiste tomou seu lugar ao lado da Baronesa no extremo superior, e o lugar ao seu lado foi deixado para sua Esposa. Ela logo entrou na sala, e colocou diante de nós uma refeição simples, mas confortável de Camponês. Nosso Anfitrião achou necessário se desculpar pela pobreza do jantar: “Ele não havia sido avisado de nossa vinda; Ele só podia nos oferecer tal refeição como havia sido destinada para sua própria família:”
“Mas,” acrescentou ele, “se algum acidente detiver meus nobres Hóspedes mais do que eles pretendem agora, espero dar-lhes um tratamento melhor.”
O Vilão! Eu bem sabia o acidente ao qual Ele aludia; Eu estremeci ao tratamento que Ele nos ensinava a esperar!
Minha Companheira de perigo parecia ter se livrado completamente de seu mau humor por ser atrasada. Ela ria, e conversava com a família com infinita alegria. Esforcei-me, mas em vão, para seguir seu exemplo. Meus espíritos eram visivelmente forçados, e a restrição que eu impunha a mim mesmo não escapou à observação de Baptiste.
“Venha, venha, Monsieur, anime-se!” disse ele; “Você parece não estar totalmente recuperado de sua fadiga. Para levantar seu ânimo, que tal um copo de excelente vinho velho que foi deixado por meu Pai? Deus o descanse, Ele está em um lugar melhor! Eu raramente produzo este vinho; Mas como não sou honrado com tais Hóspedes todos os dias, esta é uma ocasião que merece uma Garrafa.”
Ele então deu a sua Esposa uma Chave, e a instruiu onde encontrar o vinho de que Ele falava. Ela parecia de modo algum satisfeita com a comissão; Ela pegou a Chave com um ar embaraçado, e hesitou em sair da mesa.
“Você me ouviu?” disse Baptiste em tom irritado.
Marguerite lançou sobre ele um olhar de raiva e medo, e saiu da câmara. Seus olhos a seguiram com suspeita, até que Ela fechou a porta.
Ela logo retornou com uma garrafa selada com cera amarela. Ela a colocou sobre a mesa, e devolveu a Chave a seu Marido. Eu suspeitei que este licor não era apresentado a nós sem desígnio, e observei os movimentos de Marguerite com inquietação. Ela estava ocupada em enxaguar alguns Copos de chifre pequenos. Enquanto Ela os colocava diante de Baptiste, Ela viu que meu olho estava fixo nela; e no momento em que Ela pensou estar desobservada pelos Bandidos, Ela me fez um sinal com a cabeça para não provar o licor, Ela então retomou seu lugar.
Enquanto isso, nosso Anfitrião havia tirado a Rolha, e, enchendo dois dos Copos, os ofereceu à Senhora e a mim. Ela, inicialmente, fez algumas objeções, mas os pedidos de Baptiste eram tão insistentes, que Ela foi obrigada a cumprir. Temendo excitar suspeita, eu não hesitei em pegar o Copo que me foi apresentado. Pelo seu cheiro e cor, supus que fosse Champanhe; Mas algumas partículas de pó flutuando na superfície me convenceram de que não estava intacto. No entanto, eu não ousei expressar minha repugnância em bebê-lo; Eu o levantei aos lábios, e pareceu estar engolindo-o: De repente, saltando de minha cadeira, fiz o melhor de meu caminho em direção a um Vaso de água a alguma distância, no qual Marguerite havia estado enxaguando os Copos. Eu fingi cuspir o vinho com desgosto, e aproveitei a oportunidade para esvaziar o licor no Vaso.
Os Bandidos pareciam alarmados com minha ação. Jacques se levantou metade de sua cadeira, colocou a mão em seu peito, e eu descobri o cabo de uma adaga. Eu retornei a meu lugar com tranquilidade, e fingi não ter observado sua confusão.
“Você não agradou meu gosto, honesto Amigo,” disse eu, dirigindo-me a Baptiste. “Nunca posso beber Champanhe sem que ele produza uma violenta doença. Eu engoli algumas goles antes de perceber sua qualidade, e temo que sofra por minha imprudência.”
Baptiste e Jacques trocaram olhares de desconfiança.
“Talvez,” disse Robert, “o cheiro seja desagradável para você.”
Ele deixou sua cadeira, e removeu o Copo. Eu observei que Ele examinou se estava quase vazio.
“Ele deve ter bebido o suficiente,” disse ele a seu Irmão em voz baixa, enquanto se sentava novamente.
Marguerite parecia apreensiva de que eu tivesse provado o licor: Um olhar de meu olho a tranquilizou.
Eu esperei com ansiedade pelos efeitos que a Bebida produziria na Senhora. Eu não duvidava que as partículas que eu havia observado fossem venenosas, e lamentei que tivesse sido impossível me advertir do perigo. Mas poucos minutos se passaram antes que eu percebesse seus olhos se tornarem pesados; Sua cabeça caiu sobre seu ombro, e Ela caiu em um sono profundo. Eu fingi não atender a este circunstância, e continuei minha conversa com Baptiste, com toda a aparência de alegria que pude assumir. Mas Ele não me respondeu sem restrição. Ele me olhou com desconfiança e espanto, e eu vi que os Bandidos estavam frequentemente sussurrando entre si. Minha situação se tornava a cada momento mais dolorosa; Eu não sabia como dissipar a desconfiança que os Bandidos evidentemente nutriam por mim. Nesta nova dificuldade, a amigável Marguerite novamente me auxiliou. Ela passou atrás das Cadeiras de seus Enteados, parou por um momento em frente a mim, fechou os olhos, e reclinou sua cabeça sobre seu ombro. Esta pista imediatamente dissipou minha incerteza. Ela me disse que eu devia imitar a Baronesa, e fingir que o licor havia tomado seu pleno efeito sobre mim. Eu o fiz, e em poucos minutos parecia completamente dominado pelo sono.
“Então!” gritou Baptiste, quando eu caí de volta em minha cadeira; “Finalmente, ele dorme! Eu comecei a pensar que ele havia sentido nosso desígnio, e que seríamos forçados a despachá-lo de qualquer maneira.”
“E por que não despachá-lo de qualquer maneira?” perguntou o feroz Jacques. “Por que deixá-lo com a possibilidade de trair nosso segredo? Marguerite, dê-me uma de minhas Pistolas: Um único toque no gatilho o acabará de uma vez.”
“E supondo,” replicou o Pai, “Supondo que nossos Amigos não cheguem esta noite, que figura faremos quando os Servos perguntarem por ele pela Manhã! Não, não, Jacques; Devemos esperar por nossos Associados. Se eles se juntarem a nós, somos fortes o suficiente para despachar os Domésticos, bem como seus Mestres, e o butim é nosso; Se Claude não encontrar a Tropa, devemos ter paciência, e deixar que a presa escape de nossas mãos. Ah! Rapazes, Rapazes, se vocês tivessem chegado cinco minutos antes, o Espanhol teria sido liquidado, e duas mil Pistolas seriam nossas. Mas vocês estão sempre fora do caminho quando mais são necessários.
Vocês são os Rapazes mais azarados!”
“Bem, bem, Pai!” respondeu Jacques; “Se você tivesse sido de minha opinião, tudo estaria acabado agora. Você, Robert, Claude, e eu, por que os Estrangeiros eram apenas o dobro de nosso número, e eu garanto que poderíamos dominá-los. No entanto, Claude foi; É tarde demais para pensar nisso agora. Devemos esperar pacientemente pela chegada da Gangue; e se os Viajantes escaparem de nós esta noite, devemos tomar cuidado para emboscá-los amanhã.”
“Verdade! Verdade!” disse Baptiste; “Marguerite, você deu o sonífero às Acompanhantes?”
Ela respondeu afirmativamente.
“Tudo então está seguro. Venham, venham, Rapazes; Seja o que for que acontecer, não temos razão para nos queixar desta aventura. Não corremos perigo, podemos ganhar muito, e não podemos perder nada.”
Neste momento, ouvi um tropel de Cavalos. Oh! quão terrível foi o som para meus ouvidos. Um suor frio escorreu por minha testa, e senti todos os terrores da morte iminente. Eu não fui de modo algum tranquilizador ao ouvir a compassiva Marguerite exclamando nos acentos do desespero,
“Deus Todo-Poderoso! Eles estão perdidos!”
Felizmente, o Lenheiro e seus Filhos estavam ocupados demais com a chegada de seus Associados para atender a mim, ou a violência de minha agitação teria convencido eles de que meu sono era fingido.
“Abram! Abram!” exclamaram várias vozes do lado de fora da Cabana.
“Sim! Sim!” gritou Baptiste alegremente; “Eles são nossos Amigos com certeza! Agora, então, nosso butim é certo. Afastem-se! Rapazes, Afastem-se! Levem-nos ao Celeiro; Vocês sabem o que deve ser feito lá.”
Robert apressou-se em abrir a porta da Cabana.
“Mas primeiro,” disse Jacques, pegando suas armas; “primeiro, deixe-me despachar estes Dorminhocos.”
“Não, não, não!” replicou o Pai; “Vão ao Celeiro, onde sua presença é necessária. Deixe-me cuidar destes e das Mulheres acima.”
Neste momento, ouvi um tropel de Cavalos. Oh! quão terrível foi o som para meus ouvidos. Um suor frio escorreu por minha testa, e senti todos os terrores da morte iminente. Eu não fui de modo algum tranquilizador ao ouvir a compassiva Marguerite exclamando nos acentos do desespero,
“Deus Todo-Poderoso! Eles estão perdidos!”
Felizmente, o Lenheiro e seus Filhos estavam ocupados demais com a chegada de seus Associados para atender a mim, ou a violência de minha agitação teria convencido eles de que meu sono era fingido.
“Abram! Abram!” exclamaram várias vozes do lado de fora da Cabana.
“Sim! Sim!” gritou Baptiste alegremente; “Eles são nossos Amigos com certeza! Agora, então, nosso butim é certo. Afastem-se! Rapazes, Afastem-se! Levem-nos ao Celeiro; Vocês sabem o que deve ser feito lá.”
Robert apressou-se em abrir a porta da Cabana.
“Mas primeiro,” disse Jacques, pegando suas armas; “primeiro, deixe-me despachar estes Dorminhocos.”
“Não, não, não!” replicou o Pai; “Vão ao Celeiro, onde sua presença é necessária. Deixe-me cuidar destes e das Mulheres acima.”
Jacques obedeceu e seguiu seu irmão. Eles pareciam conversar com os recém-chegados por alguns minutos: Após isso, eu ouvi os bandidos desmontarem e, como supus, seguirem em direção ao celeiro.
“Então! Isso foi bem feito!” murmurou Baptiste; “Eles deixaram seus cavalos para poderem atacar os estranhos de surpresa. Bom! Bom! e agora ao trabalho.”
Eu o ouvi se aproximar de um pequeno armário que estava fixado em uma parte distante do quarto e destrancá-lo. Nesse momento, eu senti que fui sacudido suavemente.
“Agora! Agora!” sussurrou Marguerite.
Eu abri os olhos. Baptiste estava de costas para mim. Ninguém mais estava no quarto além de Marguerite e a senhora adormecida. O vilão havia pegado uma adaga do armário e parecia examinar se ela estava suficientemente afiada. Eu havia negligenciado em me armar; mas percebi que essa era minha única chance de escapar e resolvi não perder a oportunidade. Eu saltei de meu assento, me lancei repentinamente sobre Baptiste e, envolvendo minhas mãos em torno de seu pescoço, pressionei-o tão fortemente que o impedi de proferir um único grito. Você pode se lembrar de que eu era notável em Salamanca pela força de meu braço: ele agora me prestou um serviço essencial. Surpreso, aterrorizado e sem fôlego, o vilão não era um antagonista à altura. Eu o joguei no chão; eu o segurei ainda mais firmemente; e enquanto o imobilizava sem movimento no chão, Marguerite, arrancando a adaga de sua mão, a cravou repetidamente em seu coração até que ele expirou.
Mal esse ato horrível, mas necessário, foi perpetrado, Marguerite me chamou para segui-la.
“A fuga é nosso único refúgio!” disse ela; “Rápido! Rápido! Vamos!”
Eu não hesitei em obedecê-la: mas, relutante em deixar a baronesa à mercê da vingança dos ladrões, eu a levantei em meus braços, ainda adormecida, e segui Marguerite. Os cavalos dos bandidos estavam presos perto da porta: minha condutora saltou sobre um deles. Eu segui seu exemplo, coloquei a baronesa na minha frente e espolei meu cavalo. Nossa única esperança era chegar a Estrasburgo, que estava muito mais perto do que o pérfido Claude havia me assegurado. Marguerite conhecia bem o caminho e galopou na minha frente. Fomos obrigados a passar pelo celeiro, onde os ladrões estavam massacrando nossos criados. A porta estava aberta: distinguimos os gritos dos moribundos e as imprecações dos assassinos! O que eu senti naquele momento, a linguagem é incapaz de descrever!
Jacques ouviu o tropel de nossos cavalos enquanto passávamos pelo celeiro. Ele correu para a porta com uma tocha acesa na mão e facilmente reconheceu os fugitivos.
“Traídos! Traídos!” ele gritou para seus companheiros.
Imediatamente, eles deixaram seu trabalho sangrento e se apressaram para recuperar seus cavalos. Não ouvimos mais. Eu enterrei as esporas nos flancos de meu corcel e Marguerite estimulou o dela com a adaga, que já nos havia prestado um bom serviço. Voamos como o relâmpago e ganhamos as planícies abertas. Já o pináculo de Estrasburgo estava à vista, quando ouvimos os ladrões nos perseguindo. Marguerite olhou para trás e distinguiu nossos perseguidores descendo uma pequena colina, não muito distantes. Era em vão que incentivávamos nossos cavalos; o barulho se aproximava cada vez mais.
“Estamos perdidos!” ela exclamou; “Os vilões estão nos alcançando!”
“Avante! Avante!” respondi; “Eu ouço o tropel de cavalos vindo da cidade.”
Redobramos nossos esforços e logo nos deparamos com um numeroso grupo de cavaleiros, que vinham em nossa direção em alta velocidade. Eles estavam prestes a nos ultrapassar.
“Parem! Parem!” gritou Marguerite; “Salvemos-nos! Pelo amor de Deus, salvem-nos!”
O primeiro, que parecia agir como guia, imediatamente refreou seu cavalo.
“É ela! É ela!” exclamou ele, saltando do chão; “Parem, meu senhor, parem! Eles estão salvos! É minha mãe!”
No mesmo momento, Marguerite se jogou de seu cavalo, o abraçou em seus braços e o cobriu de beijos. Os outros cavaleiros pararam com a exclamação.
“A baronesa Lindenberg?” perguntou outro dos estranhos ansiosamente; “Onde ela está? Ela não está com vocês?”
Ele parou ao ver a baronesa deitada sem sentidos em meus braços. Apressadamente, ele a pegou de mim. O sono profundo em que ela estava mergulhada o fez, a princípio, temer por sua vida; mas a batida de seu coração logo o tranquilizou.
“Graças a Deus!” disse ele; “Ela escapou ilesa.”
Eu interrompi sua alegria ao apontar para os salteadores, que continuavam a se aproximar. Mal eu os havia mencionado, a maior parte do grupo, que parecia ser composto principalmente de soldados, apressou-se em ir ao encontro deles. Os vilões não pararam para receber seu ataque: percebendo seu perigo, eles viraram as cabeças de seus cavalos e fugiram para a floresta, para onde foram seguidos por nossos salvadores. Enquanto isso, o estranho, que eu supus ser o barão Lindenberg, após me agradecer por meu cuidado com sua senhora, propôs que retornássemos com toda a pressa para a cidade. A baronesa, sobre quem os efeitos do opiáceo ainda não haviam cessado, foi colocada na sua frente; Marguerite e seu filho remontaram seus cavalos; os criados do barão nos seguiram e logo chegamos à estalagem, onde ele havia tomado suas acomodações.
Isso foi no Austrian Eagle, onde meu banqueiro, a quem antes de sair de Paris eu havia informado de minha intenção de visitar Estrasburgo, havia preparado acomodações para mim. Eu me alegrei com essa circunstância. Ela me deu uma oportunidade de cultivar a amizade do barão, o que eu previa que seria de utilidade para mim na Alemanha. Imediatamente após nossa chegada, a senhora foi levada para a cama; um médico foi chamado, que prescreveu uma medicina capaz de contra-atacar os efeitos da poção sonífera e, depois que ela foi despejada em sua garganta, ela foi confiada aos cuidados da hospedeira. O barão então se dirigiu a mim e me suplicou que contasse os detalhes dessa aventura. Eu atendi a seu pedido instantaneamente; pois, preocupado com o destino de Stephano, a quem eu havia sido obrigado a abandonar à crueldade dos bandidos, eu achava impossível repousar até ter notícias dele. Eu recebi, mas tarde demais, a informação de que meu fiel servo havia perecido. Os soldados que haviam perseguido os salteadores retornaram enquanto eu estava ocupado em relatar minha aventura ao barão. Por seu relato, eu soube que os ladrões haviam sido alcançados: culpa e verdadeira coragem são incompatíveis; eles haviam se jogado aos pés de seus perseguidores, haviam se entregado sem lutar, haviam revelado seu esconderijo secreto, feito conhecido seus sinais pelos quais o resto da quadrilha poderia ser capturada e, em resumo, haviam demonstrado todos os sinais de covardia e baixeza. Por esse meio, toda a quadrilha, composta de cerca de sessenta pessoas, havia sido feita prisioneira, amarrada e conduzida a Estrasburgo. Alguns dos soldados se apressaram para a cabana, um dos salteadores servindo-lhes de guia. Sua primeira visita foi ao fatídico celeiro, onde eles foram felizes em encontrar dois dos criados do barão ainda vivos, embora desesperadamente feridos. O resto havia expirado sob as espadas dos ladrões e, entre esses, meu infeliz Stephano era um.
Alarmados com nossa fuga, os ladrões, em sua pressa para nos alcançar, haviam negligenciado visitar a cabana. Consequentemente, os soldados encontraram as duas criadas ilesas e mergulhadas no mesmo sono profundo que havia dominado sua senhora. Não havia mais ninguém encontrado na cabana, exceto uma criança de não mais de quatro anos, que os soldados trouxeram com eles. Estávamos nos ocupando com conjecturas sobre o nascimento dessa pequena infeliz, quando Marguerite correu para o quarto com a criança em seus braços. Ela caiu aos pés do oficial que estava nos fazendo esse relato e o agradeceu mil vezes pela preservação de seu filho.
Quando o primeiro ímpeto de ternura materna passou, eu supliquei que ela declarasse por que meios ela havia sido unida a um homem cujos princípios pareciam tão totalmente discordantes dos dela. Ela baixou os olhos e enxugou algumas lágrimas de sua face.
“Cavalheiros”, disse ela após um silêncio de alguns minutos, “eu gostaria de pedir um favor a vocês: vocês têm o direito de saber em quem conferem uma obrigação. Eu não vou, portanto, sufocar uma confissão que me cobre de vergonha; mas permitam-me compreendê-la em poucas palavras.
“Eu nasci em Estrasburgo de pais respeitáveis; seus nomes eu devo, no momento, ocultar: meu pai ainda vive e não merece ser envolvido em minha infâmia; se vocês concederem meu pedido, vocês serão informados de meu nome de família. Um vilão se tornou mestre de minhas afeições e, para segui-lo, eu deixei a casa de meu pai. Ainda que minhas paixões tenham sobrepujado minha virtude, eu não caí naquela degeneração de vícios, mas muito comumente o lote de mulheres que dão o primeiro passo falso. Eu amava meu sedutor; amava-o dearly! Eu fui fiel a sua cama; este bebê e o jovem que os alertou, meu senhor barão, do perigo de sua senhora, são os frutos de nosso afeto. Mesmo neste momento, eu lamento sua perda, embora seja a ele que eu devo todas as misérias de minha existência.
“Ele era de nobre nascimento, mas havia dissipado sua herança paterna. Seus parentes o consideravam uma desonra para seu nome e o descartaram completamente. Seus excessos atraíram a indignação da polícia. Ele foi obrigado a fugir de Estrasburgo e não viu outro recurso contra a mendicância senão uma união com os bandidos que infestavam a floresta vizinha e cuja quadrilha era composta principalmente de jovens de família na mesma situação que ele. Eu estava determinada a não abandoná-lo. Eu o segui para a caverna dos salteadores e compartilhei com ele a miséria inseparável de uma vida de pilhagem. Mas, embora eu estivesse ciente de que nossa existência era sustentada por saques, eu não sabia de todos os horrorosos detalhes ligados à profissão de meu amante. Esses ele ocultou de mim com o maior cuidado; ele estava consciente de que meus sentimentos não eram suficientemente depravados para olhar sem horror para o assassinato: ele supôs, e com justiça, que eu fugiria com repulsa dos abraços de um assassino. Oito anos de posse não haviam diminuído seu amor por mim; e ele cuidadosamente removeu de meu conhecimento todas as circunstâncias que pudessem me levar a suspeitar dos crimes em que ele participava com tanta frequência. Ele teve sucesso perfeito: não foi até após a morte de meu sedutor que eu descobri que suas mãos haviam sido manchadas com o sangue da inocência.
“Uma noite fatídica, ele foi trazido de volta para a caverna coberto de ferimentos: ele os recebeu ao atacar um viajante inglês, a quem seus companheiros imediatamente sacrificaram à sua vingança. Ele teve apenas tempo para me pedir perdão por todos os sofrimentos que ele me causara: ele pressionou minha mão contra seus lábios e expirou. Minha dor foi indescritível. Assim que sua violência diminuiu, eu resolvi retornar a Estrasburgo, lançar-me com meus dois filhos aos pés de meu pai e implorar seu perdão, embora eu pouco esperasse obtê-lo. Qual não foi minha consternação quando informada de que ninguém que conhecesse o segredo de seu esconderijo era permitido a deixar a quadrilha dos salteadores; que eu devia abandonar todas as esperanças de me reunir à sociedade e consentir imediatamente em aceitar um dos bandidos como meu marido! Minhas preces e remonstranças foram vãs. Eles sortearam para decidir em cuja posse eu cairia; eu me tornei propriedade do infame Baptiste. Um salteador, que havia sido monge, pronunciou sobre nós uma cerimônia burlesca em vez de religiosa: eu e meus filhos fomos entregues às mãos de meu novo marido e ele nos levou imediatamente para sua casa.
“Ele me assegurou que havia nutrido por mim o mais ardente afeto; mas que a amizade por meu falecido amante o havia obrigado a sufocar seus desejos. Ele tentou me reconciliar com meu destino e, por algum tempo, me tratou com respeito e gentileza: por fim, encontrando minha aversão mais crescente do que diminuindo, ele obteve aqueles favores pela violência, que eu persistia em recusar. Nenhum recurso me restava senão suportar minhas dores com paciência; eu estava consciente de que as merecia mais do que bem. A fuga era proibida: meus filhos estavam no poder de Baptiste e ele havia jurado que, se eu tentasse escapar, suas vidas pagariam por isso. Eu havia tido muitas oportunidades de testemunhar a barbárie de sua natureza para duvidar de que ele cumpriria sua ameaça à risca. A triste experiência me convencera dos horrores de minha situação: meu primeiro amante havia cuidadosamente os ocultado de mim; Baptiste, ao contrário, se regozijava em abrir meus olhos para as crueldades de sua profissão e se esforçava para me familiarizar com sangue e carnificina.
“Minha natureza era lasciva e ardente, mas não cruel: minha conduta havia sido imprudente, mas meu coração não era desprovido de princípios. Julguem então o que eu devo ter sentido ao ser uma testemunha constante de crimes os mais horríveis e revoltantes! Julguem como eu devo ter me entristecido ao ser unida a um homem que recebia o hóspede desprevenido com um ar de abertura e hospitalidade, no momento em que ele meditava sua destruição. O desalento e o descontentamento consumiam minha constituição: os poucos encantos que a natureza me concedera murcharam e a tristeza de meu semblante denunciava os sofrimentos de meu coração. Fui tentada mil vezes a pôr fim a minha existência; mas a lembrança de meus filhos deteve minha mão. Eu temia deixar meus queridos filhos no poder de meu tirano e temia mais por sua virtude do que por suas vidas. O segundo ainda era muito jovem para se beneficiar de minhas instruções; mas no coração de meu filho mais velho eu trabalhei incansavelmente para plantar aqueles princípios que pudessem habilitá-lo a evitar os crimes de seus pais. Ele me ouvia com docilidade, ou melhor, com avidez. Mesmo em sua tenra idade, ele mostrou que não era talhado para a sociedade de vilões; e o único conforto que eu desfrutava em meio a minhas dores era testemunhar as virtudes nascentes de meu Theodore.
“Essa era minha situação quando a perfídia do cocheiro de Don Alphonso o conduziu à cabana. Sua juventude, aparência e maneiras me interessaram profundamente em seu favor. A ausência dos filhos de meu marido me deu uma oportunidade que eu havia desejado encontrar e eu resolvi arriscar tudo para preservar o estranho. A vigilância de Baptiste me impediu de alertar Don Alphonso de seu perigo: eu sabia que minha traição ao segredo seria imediatamente punida com a morte; e, embora minha vida estivesse amargurada por calamidades, eu não tinha coragem para sacrificá-la em prol de preservar a de outra pessoa. Minha única esperança repousava em obter socorro de Estrasburgo: a isso eu resolvi tentar; e, se uma oportunidade surgisse de alertar Don Alphonso de seu perigo sem ser observada, eu estava determinada a aproveitá-la com avidez. Por ordens de Baptiste, eu subi para fazer a cama do estranho: eu espalhei sobre ela lençóis em que um viajante havia sido assassinado apenas algumas noites antes e que ainda estavam manchados de sangue. Eu esperava que essas marcas não escapariam à vigilância de nosso hóspede e que ele coletaria delas os desígnios de meu pérfido marido. Nem esse foi o único passo que dei para preservar o estranho. Theodore estava confinado à cama por doença. Eu entrei em seu quarto sem ser observada por meu tirano, comuniquei-lhe meu projeto e ele entrou nele com entusiasmo. Ele se levantou apesar de sua doença e se vestiu com toda pressa. Eu amarrei um dos lençóis em torno de seus braços e o baixei da janela. Ele correu para o estábulo, pegou o cavalo de Claude e apressou-se para Estrasburgo. Se ele fosse abordado pelos salteadores, ele deveria declarar que fora enviado em uma mensagem por Baptiste, mas, felizmente, ele alcançou a cidade sem encontrar nenhum obstáculo. Imediatamente após sua chegada a Estrasburgo, ele suplicou assistência da magistratura: sua história passou de boca em boca e, por fim, chegou ao conhecimento de meu senhor, o barão. Ansioso pela segurança de sua senhora, a quem ele sabia que estaria na estrada naquela noite, ocorreu-lhe que ela poderia ter caído nas mãos dos ladrões. Ele acompanhou Theodore, que guiou os soldados em direção à cabana, e chegou justo a tempo de nos salvar de cair mais uma vez nas mãos de nossos inimigos.”
Aqui, eu interrompi Marguerite para perguntar por que a poção sonífera havia sido apresentada a mim. Ela disse que Baptiste supunha que eu tivesse armas comigo e queria me incapacitar de fazer resistência: era uma precaução que ele sempre tomava, pois, como os viajantes não tinham esperanças de escapar, o desespero os incitaria a vender suas vidas caro.
O barão então pediu a Marguerite que informasse seus planos atuais. Eu me juntei a ele em declarar minha disposição de mostrar minha gratidão por ela pela preservação de minha vida.
“Desgostosa com um mundo”, ela respondeu, “no qual só encontrei misérias, meu único desejo é me retirar para um convento. Mas primeiro devo providenciar para meus filhos. Descubro que minha mãe não está mais entre os vivos, provavelmente levada a uma morte prematura por minha deserção! Meu pai ainda vive; ele não é um homem duro; talvez, senhores, apesar de minha ingratidão e imprudência, suas intercessões possam induzi-lo a me perdoar e a cuidar de meus infelizes netos. Se vocês obtiverem essa graça para mim, vocês terão recompensado meus serviços mil vezes!”
Tanto o barão quanto eu asseguramos a Marguerite que não pouparíamos esforços para obter seu perdão e que, mesmo que seu pai fosse inflexível, ela não precisaria se preocupar com o destino de seus filhos. Eu me comprometi a cuidar de Theodore e o barão prometeu tomar o mais novo sob sua proteção.
A grata mãe nos agradeceu com lágrimas pelo que ela chamou de generosidade, mas que, na verdade, era apenas um senso adequado de nossas obrigações para com ela. Ela então deixou o quarto para pôr seu filho mais novo para dormir, que a fadiga e o sono haviam completamente dominado.
“Qual é o tema?” disse eu.
“É uma cena que vi em um sonho,” respondeu Agnes, “e que me impressionou tanto que eu a desenhei ao acordar.”
“E qual é a cena?”
“Eu estava em um quarto do castelo, quando ouvi um barulho no grande salão. Abri a porta e olhei para dentro. Vi meu tio, a baronesa, Jacques e Robert, todos em pé em um grupo, olhando para algo que eu não conseguia ver. Suas faces estavam pálidas de terror, e eles pareciam petrificados de medo. Curiosa, avancei para descobrir a causa de sua agitação. Olhei na direção para a qual eles estavam olhando, e vi...”
“E o que você viu?”
“Vi... um espectro!”
“Um espectro?”
“Sim, um espectro terrível e horrível, com olhos flamejantes e uma face esquelética. Ele estava vestido com uma mortalha branca e segurava uma foice na mão. Eu fiquei paralisada de medo, mas não consegui olhar para outro lugar. O espectro se moveu em direção ao grupo, e eles recuaram em terror. Então, ele levantou a foice e...”
“E o que aconteceu?”
“Eu acordei. Foi apenas um sonho, mas me deixou tão impressionada que eu tive que desenhá-lo.”
Eu olhei para o desenho com uma sensação de inquietação. A descrição de Agnes me lembrou da história que eu havia ouvido sobre o castelo ser assombrado. Eu não acreditava em fantasmas, mas a coincidência era perturbadora.
“Agnes,” disse eu, “você já ouviu falar de algum fantasma que assombra o castelo?”
“Sim,” respondeu ela, “ouvi dizer que o castelo é assombrado por um monge que foi morto aqui há muitos anos. Dizem que ele aparece à meia-noite e vaga pelos corredores, procurando por algo que perdeu.”
Eu não dei muita atenção à história, mas a descrição de Agnes do espectro me deixou intrigado. Eu decidi investigar mais sobre o assunto, mas primeiro, precisava contar a ela sobre a declaração da baronesa.
“Agnes,” disse eu, “tenho algo importante para lhe dizer. A baronesa... ela me confessou que está apaixonada por mim.”
Agnes olhou para mim com surpresa.
“O quê?” disse ela, “A baronesa? Mas isso é impossível!”
“Infelizmente, é verdade,” respondi. “Ela me declarou seu amor, e eu tive que rejeitá-la. Mas ela não aceitou minha recusa, e ameaçou descobrir quem é minha verdadeira amada e puni-la por me roubar de seu coração.”
Agnes ficou em silêncio por um momento, absorvendo a notícia.
“Então, é por isso que ela tem sido tão fria comigo ultimamente,” disse ela finalmente. “Ela deve ter suspeitado de algo. Mas não se preocupe, Alphonso. Eu não permitirei que ela nos separe. Nós encontraremos uma maneira de escapar de seu controle e nos casarmos em segredo.”
Eu olhei para ela com admiração. Sua coragem e determinação me encheram de esperança.
“Você está disposta a fugir comigo?” perguntei.
“Sim,” respondeu ela, “eu farei qualquer coisa para ficar com você. Mas precisamos ser cuidadosos. A baronesa é poderosa e vingativa. Precisamos planejar nossa fuga com cuidado.”
Nós passamos a noite inteira planejando nossa fuga. Decidimos que eu iria para a Espanha e arranjaria tudo para nosso casamento, enquanto Agnes ficaria no castelo e esperaria por meu retorno. Eu prometi a ela que voltaria o mais rápido possível e que nada nos separaria.
No dia seguinte, eu parti para a Espanha, deixando Agnes no castelo. A viagem foi longa e difícil, mas eu estava determinado a voltar para ela. Quando cheguei à Espanha, eu imediatamente comecei a fazer os preparativos para nosso casamento. Eu escrevi para meu irmão, Lorenzo, e lhe contei sobre meus planos. Ele me apoiou e me ajudou a arranjar tudo.
Enquanto isso, Agnes estava no castelo, esperando por meu retorno. Ela estava sob a vigilância constante da baronesa, que suspeitava de algo. Agnes teve que ser cuidadosa e discreta, mas ela nunca perdeu a esperança de que eu voltaria para ela.
Finalmente, o dia de nosso casamento chegou. Eu voltei para o castelo e encontrei Agnes esperando por mim. Nós nos casamos em segredo, com apenas alguns amigos próximos como testemunhas. A baronesa descobriu nosso plano, mas era tarde demais para impedi-lo. Ela ficou furiosa, mas não pôde fazer nada para nos separar.
Nós vivemos felizes no castelo por muitos anos, cercados por nossos amigos e familiares. A baronesa, eventualmente, se reconciliou conosco e nos perdoou por nossa desobediência. Agnes e eu tivemos muitos filhos, e eles cresceram em um ambiente de amor e felicidade.
Mas a história não termina aqui. Muitos anos depois, eu estava caminhando pelo castelo quando ouvi um barulho estranho vindo do grande salão. Eu entrei e vi algo que me deixou paralisado de medo. Era o mesmo espectro que Agnes havia visto em seu sonho, com olhos flamejantes e uma face esquelética. Ele estava segurando uma foice na mão e olhando diretamente para mim.
Eu tentei fugir, mas minhas pernas não se moviam. O espectro se aproximou de mim, e eu senti um frio percorrer minha espinha. Então, ele levantou a foice e...
Eu acordei, suando frio e ofegante. Foi apenas um sonho, mas me deixou tão impressionado que eu tive que desenhá-lo. O desenho ficou na minha mesa por muitos anos, como um lembrete do poder dos sonhos e da imaginação.
E assim, a história de Agnes e eu termina, mas o mistério do castelo e do espectro permanece. Quem era o monge que foi morto no castelo? Por que ele ainda assombra os corredores? Essas são perguntas que nunca foram respondidas, e que continuam a intrigar aqueles que visitam o castelo até hoje.
Mas uma coisa é certa: o amor de Agnes e eu foi forte o suficiente para superar qualquer obstáculo, até mesmo a ameaça de um fantasma. E no final, foi o nosso amor que nos salvou e nos permitiu viver felizes para sempre.
Aqui estava um ajoelhado com os olhos erguidos para o céu, orando com a maior devoção; Ali, outro estava rastejando de quatro. Alguns escondiam o rosto em suas capas ou no colo de seus Companheiros; Outros haviam se escondido sob uma Mesa, sobre a qual os restos de um banquete eram visíveis; Enquanto outros, com bocas abertas e olhos arregalados, apontavam para uma Figura, suposto ter causado essa perturbação. Ela representava uma Mulher de estatura mais que humana, vestida no hábito de alguma ordem religiosa. Seu rosto estava velado; Em seu braço pendia um rosário de contas; Seu vestido estava em vários lugares manchado com o sangue que escorria de uma ferida em seu peito. Em uma mão, Ela segurava uma Lâmpada, na outra, uma grande Faca, e parecia avançar em direção aos portões de ferro do Salão.
“O que isso significa, Agnes?” disse eu; “Isso é alguma invenção sua?”
Ela lançou um olhar sobre o desenho.
“Oh! não,” respondeu ela; “É a invenção de cabeças muito mais sábias que a minha. Mas você pode possivelmente ter vivido em Lindenberg por três meses inteiros sem ouvir falar da Freira Sangrenta?”
“Você é a primeira que mencionou o nome para mim. Por favor, quem pode ser a Senhora?”
“Isso é mais do que posso pretender dizer. Todo o meu conhecimento de sua História vem de uma antiga tradição nesta família, que foi transmitida de Pai para Filho, e é firmemente acreditada em todos os domínios do Barão. Aliás, o Barão acredita nisso; e quanto à minha Tia, que tem uma tendência natural para o maravilhoso, Ela duvidaria mais da veracidade da Bíblia do que da Freira Sangrenta. Posso contar-lhe essa História?”
Eu respondi que Ela me obrigaria muito ao relatá-la: Ela retomou seu desenho, e então prosseguiu da seguinte forma com um tom de gravidade burlesca.
“É surpreendente que em todas as Crônicas de tempos passados, essa Personagem notável nunca seja mencionada uma vez. De bom grado eu contaria a você sua vida; Mas infelizmente, até após sua morte, Ela nunca foi conhecida por ter existido. Então, pela primeira vez, Ela achou necessário fazer algum barulho no mundo, e com essa intenção, Ela se atreveu a tomar posse do Castelo de Lindenberg. Tendo um bom gosto, Ela se instalou no melhor quarto da Casa: e uma vez estabelecida lá, Ela começou a se divertir derrubando mesas e cadeiras no meio da noite. Talvez Ela fosse uma má Dorminhoca, mas isso eu nunca consegui determinar. De acordo com a tradição, esse entretenimento começou há cerca de um Século. Ele foi acompanhado por gritos, uivos, gemidos, xingamentos, e muitos outros ruídos agradáveis do mesmo tipo. Mas embora um quarto em particular fosse mais especialmente honrado com suas visitas, Ela não se confinava totalmente a ele. Ela ocasionalmente se aventurava nas antigas Galerias, caminhava pelos amplos Salões, ou às vezes parava nas portas das Câmaras, onde chorava e gemia, para o terror universal dos Habitantes. Nestas excursões noturnas, Ela foi vista por diferentes Pessoas, que a descrevem como você a vê aqui, traçada pela mão de sua indigna Historiadora.”
A singularidade dessa história insensivelmente prendeu minha atenção.
“Ela nunca falou com aqueles que a encontraram?” disse eu.
“Não Ela. Os exemplos, de fato, que Ela deu todas as noites de seus talentos para a conversa, não eram de modo algum convidativos. Às vezes, o Castelo ecoava com xingamentos e execrações: Um Momento depois, Ela repetia seu Pai-Nosso: Agora, Ela uivava as mais horríveis blasfêmias, e então entoava o De Profundis, tão ordenadamente como se ainda estivesse no Coro. Em suma, Ela parecia um Ser muito caprichoso: Mas quer Ela orasse ou amaldiçoasse, quer fosse ímpia ou devota, Ela sempre conseguia aterrorizar seus Ouvintes até a loucura. O Castelo se tornou quase inabitável; e seu Senhor ficou tão assustado com essas festas noturnas, que uma bela manhã, Ele foi encontrado morto em sua cama. Esse sucesso pareceu agradar muito à Freira, pois agora Ela fazia mais barulho do que nunca. Mas o próximo Barão se mostrou mais esperto que ela. Ele apareceu com um famoso Exorcista em sua mão, que não temeu se trancar por uma noite no quarto assombrado. Lá, parece que Ele teve uma dura batalha com o Fantasma, antes que Ela prometesse se acalmar. Ela era teimosa, mas Ele era mais, e por fim, Ela consentiu em deixar os Habitantes do Castelo ter uma boa noite de sono. Por algum tempo, não se ouviu mais notícias dela. Mas ao fim de cinco anos, o Exorcista morreu, e então a Freira se aventurou a aparecer novamente. No entanto, Ela agora estava muito mais tratável e bem-comportada. Ela caminhava em silêncio, e nunca fazia sua aparição mais de uma vez a cada cinco anos. Este costume, se você acreditar no Barão, Ela ainda continua. Ele está plenamente convencido de que no dia cinco de maio de cada cinco anos, assim que o Relógio bate uma, a Porta do quarto assombrado se abre. (Observe que este quarto tem estado fechado por quase um Século.) Então, sai a Freira Fantasma com sua Lâmpada e faca: Ela desce a escada da Torre Oriental; e atravessa o grande Salão! Naquela noite, o Porteiro sempre deixa os Portões do Castelo abertos, em respeito à Aparição: Não que isso seja considerado de modo algum necessário, pois Ela poderia facilmente passar pela fechadura se quisesse; Mas meramente por polidez, e para evitar que ela faça sua saída de uma maneira tão prejudicial à dignidade de seu Fantasma.”
“E para onde Ela vai ao deixar o Castelo?”
“Para o Céu, espero; Mas se Ela vai, o lugar certamente não é de seu gosto, pois Ela sempre retorna após uma hora de ausência. A Senhora então se retira para seu quarto, e fica quieta por mais cinco anos.”
“E você acredita nisso, Agnes?”
“Como você pode fazer tal pergunta? Não, não, Alphonso! Eu tenho muitas razões para lamentar a influência da superstição para ser sua Vítima. No entanto, devo não confessar minha incredulidade à Baronesa: Ela não tem dúvida da verdade desta História. Quanto à Dame Cunegonda, minha Governanta, Ela protesta que há quinze anos viu o Espectro com seus próprios olhos. Ela me contou uma noite como Ela e vários outros Domésticos foram aterrorizados enquanto jantavam pela aparição da Freira Sangrenta, como o Fantasma é chamado no Castelo: Foi de sua narrativa que eu tirei este esboço, e você pode ter certeza de que Cunegonda não foi omitida. Lá está ela! Eu nunca me esquecerei de quão irritada Ela estava, e de quão feia Ela parecia enquanto me repreendia por ter feito seu retrato tão parecido com ela!”
Aqui, Ela apontou para uma figura burlesca de uma Mulher velha em uma atitude de terror.
Apesar da melancolia que me oprimia, não pude deixar de sorrir com a imaginação brincalhona de Agnes: Ela havia preservado perfeitamente a semelhança de Dame Cunegonda, mas havia tão exagerado cada defeito, e tornado cada traço tão irresistivelmente cômico, que eu podia facilmente conceber a raiva da Dama.
“A figura é admirável, minha querida Agnes! Eu não sabia que você possuía tais talentos para o ridículo.”
“Espere um momento,” respondeu ela; “Eu lhe mostrarei uma figura ainda mais ridícula que a de Dame Cunegonda. Se ela lhe agradar, você pode dispor dela como achar melhor.”
Ela se levantou, e foi para um Armário a alguma distância. Abrindo uma gaveta, Ela tirou uma pequena caixa, que abriu, e me apresentou.
“Você reconhece a semelhança?” disse ela sorrindo.
Era dela mesma.
Transportado pelo presente, eu pressionei o retrato contra meus lábios com paixão: Eu me joguei a seus pés, e declarei minha gratidão nos termos mais afetuosos e calorosos. Ela me escutou com complacência, e me assegurou que compartilhava de meus sentimentos: Quando, de repente, Ela soltou um grito alto, desprendeu a mão que eu segurava, e fugiu da sala por uma porta que dava para o Jardim. Surpreso com essa partida abrupta, eu me levantei apressadamente de meus joelhos. Eu vi com confusão a Baronesa parada perto de mim, ardendo de ciúmes, e quase sufocada de raiva. Ao recuperar de seu desmaio, Ela havia torturado sua imaginação para descobrir sua Rival oculta. Ninguém parecia merecer suas suspeitas mais do que Agnes. Ela imediatamente se apressou em encontrar sua Sobrinha, acusá-la de encorajar minhas atenções, e se certificar se suas conjecturas eram bem-fundadas. Infelizmente, Ela já havia visto o suficiente para não precisar de outra confirmação. Ela chegou à porta do quarto no momento exato em que Agnes me deu seu Retrato. Ela ouviu minha profissão de amor eterno por sua Rival, e me viu ajoelhado a seus pés. Ela avançou para nos separar; Estávamos ocupados demais um com o outro para perceber sua aproximação, e não estávamos cientes disso até que Agnes a viu parada ao meu lado.
Raiva da parte de Donna Rodolpha, embaraço da minha, por algum tempo nos mantiveram em silêncio. A Senhora se recuperou primeiro.
“Minhas suspeitas então eram justas,” disse ela; “A Coquetagem de minha Sobrinha triunfou, e é a ela que sou sacrificada. Em um aspecto, no entanto, sou afortunada: Não serei a única a lamentar uma paixão desapontada. Você também conhecerá, o que é amar sem esperança! Espero diariamente ordens para restaurar Agnes a seus Pais. Imediatamente após sua chegada na Espanha, Ela tomará o véu, e colocará um obstáculo insuperável à sua união. Você pode poupar suas súplicas.” Ela continuou, percebendo que eu estava prestes a falar; “Minha resolução é fixa e imutável. Sua Amante permanecerá uma Prisioneira fechada em seu quarto até que Ela troque este Castelo pelo Claustro. A solidão talvez a faça voltar a um senso de seu dever: Mas para evitar que você se oponha a esse evento desejado, devo informá-lo, Don Alphonso, que sua presença aqui não é mais agradável nem ao Barão nem a Mim. Não foi para falar bobagens com minha Sobrinha que seus Parentes o enviaram à Alemanha: Seu negócio era viajar, e eu sentiria muito em impedi-lo por mais tempo de um projeto tão excelente. Adeus, Senhor; Lembre-se de que amanhã de manhã nos encontramos pela última vez.”
Tendo dito isso, Ela lançou sobre mim um olhar de orgulho, desprezo e malícia, e saiu do aposento. Eu também me retirei para o meu, e consumi a noite planejando os meios de resgatar Agnes do poder de sua tirânica Tia.
Após a declaração positiva de sua Senhora, era impossível para mim fazer uma estadia mais longa no Castelo de Lindenberg. Assim, no dia seguinte, anunciei minha partida imediata. O Barão declarou que isso lhe causava sincero pesar; e Ele expressou sua opinião sobre mim tão calorosamente, que eu tentei ganhá-lo para meu interesse. Mal havia mencionado o nome de Agnes, quando Ele me interrompeu, e disse que estava totalmente fora de seu poder intervir no assunto. Vi que era em vão argumentar; A Baronesa governava seu Marido com domínio despótico, e eu facilmente percebi que Ela o havia prejudicado contra o casamento. Agnes não apareceu: Eu supliquei permissão para me despedir dela, mas meu pedido foi recusado. Fui obrigado a partir sem vê-la.
Ao me despedir, o Barão apertou minha mão afetuosamente, e me assegurou que assim que sua Sobrinha partisse, eu poderia considerar sua Casa como minha.
“Adeus, Don Alphonso!” disse a Baronesa, e estendeu sua mão para mim.
Eu a peguei, e ofereci levá-la aos lábios. Ela me impediu.
Seu Marido estava no outro extremo da sala, e fora de ouvido.
“Cuide-se,” continuou ela; “Meu amor se tornou ódio, e meu orgulho ferido não ficará sem vingança. Vá para onde quiser, minha vingança o seguirá!”
Ela acompanhou essas palavras com um olhar suficiente para me fazer tremer. Eu não respondi, mas me apressei em sair do Castelo.
Enquanto minha Carroça saía do Pátio, olhei para as janelas do quarto de sua Irmã. Ninguém estava visível lá: Eu me joguei de volta desanimado em minha Carroça. Eu estava acompanhado por nenhum outro servo além de um Francês que eu havia contratado em Estrasburgo no lugar de Stephano, e meu pequeno Pajem que eu havia mencionado antes. A fidelidade, inteligência e bom humor de Theodore já o haviam tornado caro para mim; Mas Ele agora se preparava para me impor uma obrigação, que me fazia considerá-lo como um Guardião Genial. Mal havíamos percorrido meia milha do Castelo, quando Ele cavalgou até a porta da Carroça.
“Anime-se, Senhor!” disse ele em Espanhol, que Ele já havia aprendido a falar com fluência e correção. “Enquanto você estava com o Barão, eu aproveitei o momento em que Dame Cunegonda estava abaixo, e subi ao quarto sobre o de Donna Agnes. Eu cantei o mais alto que pude uma pequena ária alemã bem conhecida por ela, esperando que Ela reconhecesse minha voz. Eu não me enganei, pois logo ouvi sua janela se abrir. Eu me apressei em deixar cair uma corda com a qual eu havia me fornecido: Ao ouvir a janela se fechar novamente, eu puxei a corda, e encontrei esta nota de papel presa a ela.”
Ele então me apresentou uma pequena nota endereçada a mim. Eu a abri com impaciência: Ela continha as seguintes palavras escritas a lápis:
“Esconda-se pela próxima quinzena em alguma Vila vizinha. Minha Tia acreditará que você deixou Lindenberg, e eu serei restaurada à liberdade. Estarei no Pavilhão Oeste à meia-noite do trigésimo. Não deixe de estar lá, e teremos uma oportunidade de concertar nossos planos futuros. Adeus.
“AGNES.”
Ao ler essas linhas, meus transportes ultrapassaram todos os limites; Nem eu coloquei limites às expressões de gratidão que eu derramei sobre Theodore. Na verdade, sua astúcia e atenção mereciam meu mais caloroso elogio. Você pode facilmente acreditar que eu não havia confiado a ele minha paixão por Agnes; Mas o astuto Jovem tinha discernimento demais para não descobrir meu segredo, e discrição demais para não ocultar seu conhecimento dele. Ele observava em silêncio o que estava acontecendo, e não se esforçava para se tornar um Agente no negócio até que meus interesses exigissem sua interferência. Eu igualmente admirava seu julgamento, sua penetração, sua astúcia, e sua fidelidade. Esta não foi a primeira ocasião em que eu o encontrei de infinita utilidade, e eu estava a cada dia mais convencido de sua rapidez e capacidade. Durante minha curta estadia em Estrasburgo, Ele havia se aplicado diligentemente a aprender os rudimentos do Espanhol: Ele continuou a estudá-lo, e com tanto sucesso que o falava com a mesma facilidade que sua língua nativa. Ele passava a maior parte de seu tempo lendo; Ele havia adquirido muita informação para sua Idade; e unia as vantagens de um rosto vivo e uma figura atraente a uma excelente compreensão e ao melhor dos corações. Ele agora tem quinze anos; Ele ainda está em meu serviço, e quando você o vir, tenho certeza de que Ele o agradará. Mas perdoe esta digressão: Eu retorno ao assunto que deixei.
Eu obedeci às instruções de Agnes. Eu fui para Munique. Lá, deixei minha Carroça sob os cuidados de Lucas, meu Servo Francês, e então voltei a cavalo para uma pequena Vila a cerca de quatro milhas de distância do Castelo de Lindenberg. Ao chegar lá, uma história foi contada ao Hospedeiro na cuja Estalagem eu desci, que o impediu de se surpreender com minha estadia tão longa em sua Casa. O velho Homem, felizmente, era crédulo e incurious: Ele acreditava em tudo o que eu dizia, e não buscava saber mais do que eu achava adequado contar. Ninguém estava comigo além de Theodore; Ambos estávamos disfarçados, e como nos mantínhamos fechados, não éramos suspeitos de sermos outros além do que parecíamos. Desta forma, a quinzena passou. Durante esse tempo, eu tive a agradável convicção de que Agnes estava mais uma vez em liberdade. Ela passava pela Vila com Dame Cunegonda: Ela parecia em saúde e espíritos, e falava com sua Companheira sem qualquer aparência de restrição.
“Quem são aquelas Senhoras?” disse eu ao meu Hospedeiro, enquanto a Carroça passava.
“A Sobrinha do Barão de Lindenberg com sua Governanta,” respondeu ele; “Ela vai regularmente toda sexta-feira ao Convento de Santa Catarina, no qual Ela foi criada, e que está situado a cerca de uma milha daqui.”
Você pode ter certeza de que eu esperava com impaciência pela próxima sexta-feira. Eu novamente vi minha amada Senhora. Ela lançou seus olhos sobre mim, enquanto passava pela porta da Estalagem. Um rubor que cobriu seu rosto me disse que, apesar de meu disfarce, eu havia sido reconhecido. Eu me curvei profundamente. Ela retribuiu o cumprimento com uma leve inclinação de cabeça, como se feita a um inferior, e olhou para outro lado até que a Carroça estivesse fora de vista.
A noite tão esperada, tão desejada, chegou. Era calma, e a Lua estava cheia. Assim que o Relógio bateu onze, eu me apressei para meu encontro, determinado a não chegar tarde demais. Theodore havia fornecido uma Escada; Eu subi o muro do Jardim sem dificuldade; O Pajem me seguiu, e puxou a Escada após nós. Eu me posicionei no Pavilhão Oeste, e esperei ansiosamente pela aproximação de Agnes. Cada brisa que sussurrava, cada folha que caía, eu acreditava ser seu passo, e me apressava em recebê-la. Assim, fui obrigado a passar uma hora inteira, cada minuto da qual parecia a mim uma era. O Sino do Castelo finalmente tocou meia-noite, e mal podia eu acreditar que a noite não estava mais adiantada. Outro quarto de hora se passou, e ouvi o passo leve de minha Amada se aproximando do Pavilhão com precaução. Eu voei para recebê-la, e a conduzi a um assento. Eu me joguei a seus pés, e estava expressando minha alegria em vê-la, quando Ela assim me interrompeu.
“Não temos tempo a perder, Alphonso: Os momentos são preciosos, pois embora não mais uma Prisioneira, Cunegonda observa cada passo meu. Um expresso chegou de meu Pai; Devo partir imediatamente para Madrid, e foi com dificuldade que obtive uma semana de adiamento. A superstição de meus Pais, apoiada pelas representações de minha cruel Tia, não me deixa esperança de amolecê-los à compaixão. Nesta situação, resolvi me confiar à sua honra: Deus conceda que você nunca me dê causa para me arrepender de minha resolução! A fuga é meu único recurso contra os horrores de um Convento, e minha imprudência deve ser desculpada pela urgência do perigo. Agora, escute o plano pelo qual espero efetuar minha fuga.
“Estamos agora no trigésimo de abril. No quinto dia a partir deste, a Freira Visionária é esperada para aparecer. Em minha última visita ao Convento, providenciei-me com um vestido adequado para o personagem: Uma Amiga, que deixei lá e a quem não fiz escrúpulo de confiar meu segredo, prontamente consentiu em me fornecer um hábito religioso. Forneça uma carruagem, e esteja com ela a uma pequena distância do grande Portão do Castelo. Assim que o Relógio bater uma, eu sairei de meu quarto, vestida no mesmo traje que o Fantasma é suposto usar. Quem quer que me encontre estará tão aterrorizado que não se oporá à minha fuga. Eu facilmente alcançarei a porta, e me jogarei sob sua proteção. Até aqui, o sucesso é certo: Mas Oh! Alphonso, se você me decepcionar! Se você desprezar minha imprudência e a recompensar com ingratidão, o Mundo não conterá um Ser mais infeliz que eu! Eu sinto todos os perigos aos quais estarei exposta. Eu sinto que estou lhe dando um direito de me tratar com leviandade: Mas eu confio em seu amor, em sua honra! O passo que estou prestes a dar, incitará meus Parentes contra mim: Se você me desertar, se você trair a confiança depositada em você, eu não terei amigo para punir seu insulto, ou apoiar minha causa. Em você sozinho repousa toda minha esperança, e se seu próprio coração não pleitear em meu favor, estou perdida para sempre!”
Ao ouvir essas palavras, meus transportes ultrapassaram todos os limites; Nem eu coloquei limites às expressões de gratidão que eu derramei sobre Theodore. Na verdade, sua astúcia e atenção mereciam meu mais caloroso elogio. Você pode facilmente acreditar que eu não havia confiado a ele minha paixão por Agnes; Mas o astuto Jovem tinha discernimento demais para não descobrir meu segredo, e discrição demais para não ocultar seu conhecimento dele. Ele observava em silêncio o que estava acontecendo, e não se esforçava para se tornar um Agente no negócio até que meus interesses exigissem sua interferência. Eu igualmente admirava seu julgamento, sua penetração, sua astúcia, e sua fidelidade. Esta não foi a primeira ocasião em que eu o encontrei de infinita utilidade, e eu estava a cada dia mais convencido de sua rapidez e capacidade. Durante minha curta estadia em Estrasburgo, Ele havia se aplicado diligentemente a aprender os rudimentos do Espanhol: Ele continuou a estudá-lo, e com tanto sucesso que o falava com a mesma facilidade que sua língua nativa. Ele passava a maior parte de seu tempo lendo; Ele havia adquirido muita informação para sua Idade; e unia as vantagens de um rosto vivo e uma figura atraente a uma excelente compreensão e ao melhor dos corações. Ele agora tem quinze anos; Ele ainda está em meu serviço, e quando você o vir, tenho certeza de que Ele o agradará. Mas perdoe esta digressão: Eu retorno ao assunto que deixei.
Eu obedeci às instruções de Agnes. Eu fui para Munique. Lá, deixei minha Carroça sob os cuidados de Lucas, meu Servo Francês, e então voltei a cavalo para uma pequena Vila a cerca de quatro milhas de distância do Castelo de Lindenberg. Ao chegar lá, uma história foi contada ao Hospedeiro na cuja Estalagem eu desci, que o impediu de se surpreender com minha estadia tão longa em sua Casa. O velho Homem, felizmente, era crédulo e incurious: Ele acreditava em tudo o que eu dizia, e não buscava saber mais do que eu achava adequado contar. Ninguém estava comigo além de Theodore; Ambos estávamos disfarçados, e como nos mantínhamos fechados, não éramos suspeitos de sermos outros além do que parecíamos. Desta forma, a quinzena passou. Durante esse tempo, eu tive a agradável convicção de que Agnes estava mais uma vez em liberdade. Ela passava pela Vila com Dame Cunegonda: Ela parecia em saúde e espíritos, e falava com sua Companheira sem qualquer aparência de restrição.
“Quem são aquelas Senhoras?” disse eu ao meu Hospedeiro, enquanto a Carroça passava.
“A Sobrinha do Barão de Lindenberg com sua Governanta,” respondeu ele; “Ela vai regularmente toda sexta-feira ao Convento de Santa Catarina, no qual Ela foi criada, e que está situado a cerca de uma milha daqui.”
Você pode ter certeza de que eu esperava com impaciência pela próxima sexta-feira. Eu novamente vi minha amada Senhora. Ela lançou seus olhos sobre mim, enquanto passava pela porta da Estalagem. Um rubor que cobriu seu rosto me disse que, apesar de meu disfarce, eu havia sido reconhecido. Eu me curvei profundamente. Ela retribuiu o cumprimento com uma leve inclinação de cabeça, como se feita a um inferior, e olhou para outro lado até que a Carroça estivesse fora de vista.
A noite tão esperada, tão desejada, chegou. Era calma, e a Lua estava cheia. Assim que o Relógio bateu onze, eu me apressei para meu encontro, determinado a não chegar tarde demais. Theodore havia fornecido uma Escada; Eu subi o muro do Jardim sem dificuldade; O Pajem me seguiu, e puxou a Escada após nós. Eu me posicionei no Pavilhão Oeste, e esperei ansiosamente pela aproximação de Agnes. Cada brisa que sussurrava, cada folha que caía, eu acreditava ser seu passo, e me apressava em recebê-la. Assim, fui obrigado a passar uma hora inteira, cada minuto da qual parecia a mim uma era. O Sino do Castelo finalmente tocou meia-noite, e mal podia eu acreditar que a noite não estava mais adiantada. Outro quarto de hora se passou, e ouvi o passo leve de minha Amada se aproximando do Pavilhão com precaução. Eu voei para recebê-la, e a conduzi a um assento. Eu me joguei a seus pés, e estava expressando minha alegria em vê-la, quando Ela assim me interrompeu.
“Não temos tempo a perder, Alphonso: Os momentos são preciosos, pois embora não mais uma Prisioneira, Cunegonda observa cada passo meu. Um expresso chegou de meu Pai; Devo partir imediatamente para Madrid, e foi com dificuldade que obtive uma semana de adiamento. A superstição de meus Pais, apoiada pelas representações de minha cruel Tia, não me deixa esperança de amolecê-los à compaixão. Nesta situação, resolvi me confiar à sua honra: Deus conceda que você nunca me dê causa para me arrepender de minha resolução! A fuga é meu único recurso contra os horrores de um Convento, e minha imprudência deve ser desculpada pela urgência do perigo. Agora, escute o plano pelo qual espero efetuar minha fuga.
“Estamos agora no trigésimo de abril. No quinto dia a partir deste, a Freira Visionária é esperada para aparecer. Em minha última visita ao Convento, providenciei-me com um vestido adequado para o personagem: Uma Amiga, que deixei lá e a quem não fiz escrúpulo de confiar meu segredo, prontamente consentiu em me fornecer um hábito religioso. Forneça uma carruagem, e esteja com ela a uma pequena distância do grande Portão do Castelo. Assim que o Relógio bater uma, eu sairei de meu quarto, vestida no mesmo traje que o Fantasma é suposto usar. Quem quer que me encontre estará tão aterrorizado que não se oporá à minha fuga. Eu facilmente alcançarei a porta, e me jogarei sob sua proteção. Até aqui, o sucesso é certo: Mas Oh! Alphonso, se você me decepcionar! Se você desprezar minha imprudência e a recompensar com ingratidão, o Mundo não conterá um Ser mais infeliz que eu! Eu sinto todos os perigos aos quais estarei exposta. Eu sinto que estou lhe dando um direito de me tratar com leviandade: Mas eu confio em seu amor, em sua honra! O passo que estou prestes a dar, incitará meus Parentes contra mim: Se você me desertar, se você trair a confiança depositada em você, eu não terei amigo para punir seu insulto, ou apoiar minha causa. Em você sozinho repousa toda minha esperança, e se seu próprio coração não pleitear em meu favor, estou perdida para sempre!”
O tom com que Ela pronunciou essas palavras era tão comovente, que, apesar de minha alegria ao receber sua promessa de me seguir, não pude deixar de ser afetado. Eu também me arrependi em segredo por não ter tomado a precaução de providenciar uma Carroça na Vila, caso em que eu poderia ter levado Agnes naquela mesma noite. Tal tentativa agora era impraticável: Nem Carroça nem Cavalos estavam disponíveis mais perto do que Munique, o que ficava a dois dias de viagem de Lindenberg. Eu, portanto, fui obrigado a seguir o plano dela, que, na verdade, parecia bem organizado: Seu disfarce a protegeria de ser impedida ao sair do Castelo, e lhe permitiria entrar na Carroça no próprio Portão sem dificuldade ou perda de tempo.
Agnes reclinou sua cabeça tristemente em meu ombro, e à luz da Lua, vi lágrimas escorrendo por seu rosto. Eu me esforcei para dissipar sua melancolia e a encorajei a olhar para o futuro com esperança. Eu proteste solenemente que sua virtude e inocência estariam seguras em minhas mãos, e que, até que a igreja a tornasse minha esposa legítima, sua honra seria para mim tão sagrada quanto a de uma Irmã. Eu lhe disse que meu primeiro cuidado seria encontrar Lorenzo e reconciliá-lo com nossa união; e eu continuava a falar nesse tom, quando um barulho do lado de fora me alarmou. De repente, a porta do Pavilhão foi aberta, e Cunegonda estava diante de nós. Ela havia ouvido Agnes sair de seu quarto, a seguiu até o Jardim, e percebeu sua entrada no Pavilhão. Favorecida pelas Árvores que o cercavam, e sem ser percebida por Theodore, que esperava a uma pequena distância, Ela se aproximou em silêncio e ouviu toda nossa conversa.
“Admirável!” gritou Cunegonda em uma voz estridente de raiva, enquanto Agnes soltava um grito alto; “Por São Bárbara, jovem Senhora, você tem uma excelente invenção! Você deve personificar a Freira Sangrenta, verdade? Que impiedade! Que incredulidade! Bem, eu tenho uma boa vontade de deixá-la seguir seu plano: Quando o verdadeiro Fantasma a encontrar, garanto que você estará em uma situação bem desagradável! Don Alphonso, você deveria ter vergonha de si mesmo por seduzir uma jovem Criatura ingênua a deixar sua família e Amigos: No entanto, pelo menos desta vez, eu frustarei seus planos malignos. A nobre Senhora será informada de todo o caso, e Agnes deve adiar seu papel de Espectro até uma melhor oportunidade. Adeus, Senhor— Donna Agnes, tenho a honra de conduzir sua Ghost-ship de volta ao seu aposento.”
Ela se aproximou do Sofá onde sua Pupila tremia estava sentada, pegou-a pela mão, e se preparou para levá-la do Pavilhão.
Eu a detive, e tentei por meio de súplicas, suavidade, promessas e lisonjas, ganhar sua adesão ao meu partido: Mas, vendo que tudo o que eu dizia era em vão, abandonei a vã tentativa.
“Sua teimosia deve ser seu próprio castigo,” disse eu; “Mas um recurso permanece para salvar Agnes e a mim, e não hesitarei em empregá-lo.”
Assustada com essa ameaça, Ela novamente tentou sair do Pavilhão; Mas eu a segurei pelo pulso, e a detive à força. No mesmo momento, Theodore, que havia seguido ela até o quarto, fechou a porta, e impediu sua fuga. Eu peguei o véu de Agnes: Eu o envolvi em torno da cabeça da Dama, que soltou gritos tão agudos que, apesar de nossa distância do Castelo, eu temia que fossem ouvidos. Por fim, consegui amordaçá-la tão completamente que Ela não podia produzir um único som. Theodore e eu, com alguma dificuldade, conseguimos amarrar suas mãos e pés com nossos lenços; E eu aconselhei Agnes a retornar a seu quarto com toda diligência. Eu prometi que nenhum mal aconteceria a Cunegonda, pedi que ela se lembrasse de que no dia cinco de maio eu estaria esperando no Grande Portão do Castelo, e me despedi dela com um abraço afetuoso. Tremendo e ansiosa, Ela mal teve forças para significar seu consentimento a meus planos, e fugiu de volta a seu aposento em desordem e confusão.
Enquanto isso, Theodore me ajudou a levar minha presa antiquada. Ela foi içada sobre o muro, colocada na frente de meu Cavalo como uma Mala, e eu galopei com ela para longe do Castelo de Lindenberg. A infeliz Dama nunca havia feito uma viagem mais desagradável em sua vida: Ela foi sacudida e chacoalhada até se tornar pouco mais que uma Múmia animada; para não mencionar seu susto quando atravessamos um pequeno Rio, através do qual era necessário passar para chegar à Vila. Antes de chegarmos à Estalagem, eu já havia decidido como lidar com a incômoda Cunegonda. Entramos na Rua onde a Estalagem estava, e enquanto o Pajem batia, eu esperei a uma pequena distância. O Hospedeiro abriu a porta com uma Lâmpada na mão.
“Dê-me a luz!” disse Theodore; “Meu Senhor está chegando.”
Ele pegou a Lâmpada apressadamente, e propositalmente a deixou cair no chão: O Hospedeiro retornou à Cozinha para reacender a Lâmpada, deixando a porta aberta. Eu aproveitei a escuridão, saltei de meu Cavalo com Cunegonda em meus braços, subi as escadas, alcancei meu quarto sem ser percebido, e, trancando a porta de um amplo Armário, a coloquei dentro, e então virei a Chave. O Hospedeiro e Theodore logo depois apareceram com luzes: O Primeiro expressou alguma surpresa por eu ter retornado tão tarde, mas não fez perguntas impertinentes. Ele logo saiu do quarto, e me deixou exultar com o sucesso de minha empreitada.
Eu imediatamente visitei minha Prisioneira. Eu tentei persuadi-la a se submeter com paciência a seu confinamento temporário. Minha tentativa foi infrutífera. Incapaz de falar ou se mover, Ela expressou sua raiva por seus olhares, e, exceto nas refeições, eu nunca a desamarrava ou a libertava da Mordaça. Nesses momentos, eu ficava sobre ela com uma espada desembainhada, e protestava que, se Ela emitisse um único grito, eu a mergulharia em seu peito. Assim que Ela terminava de comer, a Mordaça era recolocada. Eu estava consciente de que esse procedimento era cruel, e só podia ser justificado pela urgência das circunstâncias: Quanto a Theodore, Ele não tinha escrúpulos sobre o assunto. O cativeiro de Cunegonda o divertia além da medida. Durante sua estadia no Castelo, uma guerra contínua havia sido travada entre ele e a Dama; e agora que Ele a encontrava tão absolutamente em seu poder, Ele triunfava sem misericórdia. Ele parecia pensar em nada além de encontrar novos meios de atormentá-la: Às vezes, Ele fingia piedade por sua desgraça, então ria, abusava e imitava ela; Ele lhe pregava mil peças, cada uma mais provocante que a outra, e se divertia contando a ela que seu desaparecimento deve ter causado grande surpresa no Barão. Isso, de fato, era o caso. Ninguém, exceto Agnes, podia imaginar o que havia acontecido com Dame Cunegonda: Cada buraco e canto foi revistado por ela; Os Lagos foram dragados, e os Bosques sofreram uma exame minucioso. Ainda assim, nenhuma Dame Cunegonda apareceu. Agnes guardou o segredo, e eu guardei a Dama: A Baronesa, portanto, permaneceu em total ignorância sobre o destino da Mulher velha, mas suspeitava que ela havia morrido por suicídio. Assim passaram cinco dias, durante os quais eu havia preparado tudo necessário para minha empreitada. Ao sair de Agnes, eu havia feito meu primeiro negócio de despachar um Camponês com uma carta para Lucas em Munique, ordenando-lhe que cuidasse para que uma Carroça e quatro Cavalos chegassem por volta das dez horas do dia cinco de maio à Vila de Rosenwald. Ele obedeceu minhas instruções pontualmente: A Equipagem chegou no horário marcado. À medida que o período de fuga de sua Senhora se aproximava, a raiva de Cunegonda aumentava. Eu sinceramente acredito que o despeito e a paixão a teriam matado, se eu não tivesse, felizmente, descoberto sua preferência pelo Cherry Brandy. Com essa bebida favorita, Ela foi abundantemente fornecida, e Theodore sempre permanecendo para guardá-la, a Mordaça era ocasionalmente removida. O licor parecia ter um efeito maravilhoso em suavizar a acrimônia de sua natureza; e seu confinamento não admitindo outro divertimento, Ela ficava bêbada regularmente uma vez por dia, apenas para passar o tempo.
O dia cinco de maio chegou, um período por mim nunca a ser esquecido! Antes que o Relógio batesse meia-noite, eu me dirigi ao local da ação. Theodore me seguiu a cavalo. Eu escondi a Carroça em uma ampla Caverna da Colina, no cujo topo o Castelo estava situado: Esta Caverna era de considerável profundidade, e entre os camponeses era conhecida pelo nome de Buraco de Lindenberg. A noite estava calma e bela: Os raios da Lua caíam sobre as antigas Torres do Castelo, e lançavam sobre seus topos uma luz prateada. Tudo estava silencioso ao meu redor: Nada era ouvido, exceto a brisa noturna sussurrando entre as folhas, o latido distante de Cães de Vila, ou a Coruja que havia se estabelecido em um nicho da abandonada Torre Oriental. Eu ouvi seu grito melancólico, e olhei para cima. Ela estava sobre o parapeito de uma janela, que eu reconheci ser a do quarto assombrado. Isso me trouxe à memória a história da Freira Sangrenta, e eu suspirei enquanto refletia sobre a influência da superstição e a fraqueza da razão humana. De repente, ouvi um coro fraco romper o silêncio da noite.
“O que pode causar esse barulho, Theodore?”
“Um Estranho de distinção,” respondeu ele, “passou pela Vila hoje em seu caminho para o Castelo: Ele é relatado ser o Pai de Donna Agnes. Sem dúvida, o Barão deu um entretenimento para celebrar sua chegada.”
O Sino do Castelo anunciou a hora da meia-noite: Este era o sinal usual para a família se retirar para a Cama. Logo depois, percebi luzes no Castelo se movendo para trás e para frente em diferentes direções. Eu conjecturei que a companhia estava se separando. Eu podia ouvir as portas pesadas rangendo enquanto se abriam com dificuldade, e ao se fecharem novamente, as Janelas podres tremiam em suas molduras. O quarto de Agnes ficava no outro lado do Castelo. Eu temia que Ela não tivesse conseguido a Chave do quarto assombrado: Através deste, era necessário que ela passasse para alcançar a estreita Escada pela qual o Fantasma era suposto descer ao grande Salão. Agitado por essa apreensão, eu mantinha meus olhos constantemente fixos na janela, onde eu esperava perceber o brilho amigável de uma Lâmpada carregada por Agnes. Eu agora ouvi os pesados Portões serem destrancados. Pela vela em sua mão, eu distingui o velho Conrad, o Porteiro. Ele abriu as Portas do Portal bem largas, e se retirou. As luzes no Castelo gradualmente desapareceram, e por fim, todo o Edifício foi envolto em escuridão.
Enquanto eu estava sentado sobre um pedaço quebrado da colina, a tranquilidade da cena me inspirou com ideias melancólicas, mas não desagradáveis. O Castelo que estava totalmente à minha vista, formava um objeto igualmente imponente e pitoresco. Suas Paredes ponderosas tingidas pela lua com brilho solene, suas Torres antigas e parcialmente arruinadas se erguendo nas nuvens e parecendo desafiar as planícies ao redor, seus altos parapeitos cobertos de hera, e seus Portões dobráveis se expandindo em honra do Habitante Visionário, me tornaram sensível a um medo reverencial e triste. No entanto, essas sensações não me ocuparam tão completamente, a ponto de me impedir de testemunhar com impaciência o lento progresso do tempo. Eu me aproximei do Castelo, e me aventurei a caminhar ao redor dele. Alguns raios de luz ainda brilhavam no quarto de Agnes. Eu os observei com alegria. Eu ainda estava olhando para eles, quando percebi uma figura se aproximar da janela, e a Cortina foi cuidadosamente fechada para esconder a Lâmpada que queimava lá. Convencido por essa observação de que Agnes não havia abandonado nosso plano, eu retornei com um coração leve para meu posto anterior.
A meia-hora bateu! Os três quartos bateram! Meu peito batia alto com esperança e expectativa. Por fim, o som tão desejado foi ouvido. O Sino tocou “Uma”, e o Mansão ecoou com o barulho alto e solene. Eu olhei para a Janela do quarto assombrado. Mal haviam se passado cinco minutos, quando a luz esperada apareceu. Eu estava agora perto da Torre. A janela não estava tão longe do Chão, mas que eu imaginava perceber uma figura feminina com uma Lâmpada na mão se movendo lentamente pelo Apartamento. A luz logo desapareceu, e tudo estava novamente escuro e sombrio.
Brilhos ocasionais de luz irradiavam da Escada à medida que a linda Fantasma passava por elas. Eu tracei a luz através do Salão: Ela alcançou o Portal, e por fim, eu vi Agnes passar pelos Portões dobráveis. Ela estava vestida exatamente como Ela havia descrito o Espectro. Um rosário de Contas pendia em seu braço; sua cabeça estava envolta em um longo véu branco; Seu vestido de Freira estava manchado de sangue, e Ela havia tomado cuidado para providenciar uma Lâmpada e uma faca. Ela avançou em direção ao local onde eu estava. Eu voei para recebê-la, e a abracei em meus braços.
“Agnes!” disse eu enquanto a pressionava contra meu peito,
Agnes! Agnes! Tu és minha! Agnes! Agnes! Eu sou teu! Em minhas veias enquanto o sangue rolar, Tu és minha! Eu sou teu! Teu meu corpo! Tua minha alma!
Assustada e ofegante, Ela não conseguia falar: Ela deixou cair sua Lâmpada e faca, e desmaiou em meu peito em silêncio. Eu a levantei em meus braços, e a conduzi à Carroça. Theodore permaneceu para trás para libertar Dame Cunegonda. Eu também o encarreguei de uma carta para a Baronesa explicando todo o caso, e suplicando seus bons ofícios em reconciliar Don Gaston com minha união com sua Filha. Eu revelei a ela meu verdadeiro nome: Eu provei a ela que meu nascimento e expectativas me justificavam em pretender sua Sobrinha, e lhe assegurei que, embora estivesse fora de meu poder retornar seu amor, eu me esforçaria incessantemente para obter sua estima e amizade.
Eu entrei na Carroça, onde Agnes já estava sentada. Theodore fechou a porta, e os Postilhões partiram. Inicialmente, eu estava encantado com a rapidez de nosso progresso; Mas assim que estivemos fora de perigo de perseguição, eu pedi aos Condutores que moderassem seu passo. Eles tentaram em vão me obedecer. Os Cavalos se recusaram a responder às rédeas, e continuaram a correr com velocidade surpreendente. Os Postilhões redobraram seus esforços para detê-los, mas, chutando e se debatendo, os Animais logo se libertaram dessa restrição. Soltando um grito alto, os Condutores foram arremessados ao chão. Imediatamente, nuvens espessas obscureceram o céu: Os ventos uivaram ao nosso redor, os raios brilharam, e o Trovão rugiu tremendamente. Nunca vi uma Tempestade tão terrível! Assustados pelo estrondo de elementos em conflito, os Cavalos pareciam a cada momento aumentar sua velocidade. Nada podia interromper sua carreira; Eles arrastaram a Carroça através de Sebes e Valas, desceram os precipícios mais perigosos, e pareciam competir em velocidade com a rapidez dos ventos.
Todo esse tempo, minha Companheira estava inanimada em meus braços. Verdadeiramente alarmado com a magnitude do perigo, eu tentava em vão召 chamá-la de volta a seus sentidos; quando um estrondo alto anunciou que uma parada foi colocada em nosso progresso da maneira mais desagradável. A Carroça foi destruída em pedaços. Ao cair, eu bati minha têmpora contra uma pedra. A dor da ferida, a violência do choque, e a apreensão pela segurança de Agnes combinadas para me sobrecarregar tão completamente, que meus sentidos me abandonaram, e eu caí sem animação no chão.
Eu provavelmente permaneci por algum tempo nesta situação, pois quando abri os olhos, era pleno dia. Vários Camponeses estavam em torno de mim, e pareciam discutindo se minha recuperação era possível. Assim que pude emitir um som articulado, eu perguntei por Agnes. Qual não foi minha surpresa e angústia, quando me asseguraram que ninguém havia sido visto respondendo à descrição que eu dei dela! Eles me disseram que, ao irem para seu trabalho diário, haviam sido alarmados ao observar os fragmentos de minha Carroça, e ao ouvir os gemidos de um Cavalo, o único dos quatro que restava vivo: Os outros Três jaziam mortos ao meu lado. Ninguém estava perto de mim quando eles chegaram, e muito tempo havia sido perdido antes que eles conseguissem me recuperar. Ansioso além da expressão pela sorte de minha Companheira, eu supliquei aos Camponeses que se dispersassem em busca dela: Eu descrevi seu vestido, e prometi recompensas imensas a quem me trouxesse qualquer informação. Quanto a mim, era impossível que eu me juntasse à busca: Eu havia quebrado duas de minhas costelas na queda: Meu braço estava deslocado e pendia inutilmente ao meu lado; e minha perna esquerda estava tão terrivelmente esmagada, que eu nunca esperava recuperar seu uso.
Os Camponeses cumpriram meu pedido: Todos me deixaram, exceto Quatro, que fizeram uma maca de galhos e se prepararam para me levar à Cidade vizinha. Eu perguntei seu nome. Era Ratisbon, e eu mal podia me persuadir de que havia viajado a tal distância em uma única noite. Eu disse aos Camponeses que, às uma da manhã daquele dia, eu havia passado pela Vila de Rosenwald. Eles balançaram a cabeça duvidosamente, e fizeram sinais uns aos outros de que eu devia estar certamente delirante. Fui levado a uma Estalagem decente e imediatamente posto na cama. Um Médico foi chamado, que ajustou meu braço com sucesso. Ele então examinou meus outros ferimentos, e me disse que eu não precisava me preocupar com as consequências de nenhum deles; Mas ordenou que eu me mantivesse quieto, e me preparasse para uma cura tediosa e dolorosa. Eu respondi que, se Ele esperava me manter quieto, Ele devia primeiro tentar me dar alguma notícia de uma Senhora que havia saído de Rosenwald em minha companhia na noite anterior, e que estava comigo no momento em que a Carroça quebrou. Ele sorriu, e apenas respondeu, aconselhando-me a me acalmar, pois que todos os cuidados adequados seriam tomados comigo. Ao sair, a Hospedeira o encontrou à porta do quarto.
“O Cavalheiro não está totalmente em seu juízo;” Eu o ouvi dizer a ela em voz baixa; “É a consequência natural de sua queda, mas isso logo passará.”
Um após o outro, os Camponeses retornaram à Estalagem, e me informaram que nenhum traço havia sido descoberto de minha infeliz Amada.
A ansiedade agora se tornou desespero. Eu os supliquei a renovar sua busca nos termos mais urgentes, dobrando as promessas que já havia feito. Meu modo selvagem e frenético confirmou os espectadores na ideia de meu delírio. Nenhum sinal da Senhora tendo aparecido, eles acreditavam que ela era uma criatura fabricada por meu cérebro superaquecido, e não prestaram atenção a minhas súplicas. No entanto, a Hospedeira me assegurou que uma nova busca seria feita, mas eu descobri depois que sua promessa foi apenas dada para me acalmar. Nenhum passo adicional foi tomado no caso.
Embora minha Bagagem estivesse deixada em Munique sob os cuidados de meu Servo Francês, tendo me preparado para uma longa jornada, meu bolso estava abundantemente fornecido: Além disso, minha equipagem me provava ser de distinção, e em consequência, toda a atenção possível me foi prestada na Estalagem. O dia passou: Ainda nenhuma notícia chegou de Agnes. A ansiedade do medo agora deu lugar à desolação. Eu cessei de gritar por ela e fui mergulhado na profundidade de reflexões melancólicas. Percebendo-me silencioso e tranquilo, meus Atendentes acreditavam que meu delírio havia diminuído, e que meu mal havia tomado um rumo favorável. De acordo com a ordem do Médico, eu engoli um remédio calmante; e assim que a noite caiu, meus atendentes se retiraram e me deixaram para repousar.
Aquele repouso que eu buscava em vão. A agitação de meu peito afastava o sono. Inquieto em minha mente, apesar da fadiga de meu corpo, eu continuava a me revirar de um lado para o outro, até que o relógio de uma torre vizinha bateu "Uma". Enquanto eu ouvia o som triste e oco, e o ouvia se dissipar no vento, eu senti um frio repentino se espalhar por meu corpo. Eu estremei sem saber por quê; frios suores escorreram por minha testa e meus cabelos se arrepiaram de medo. De repente, eu ouvi passos lentos e pesados subindo a escada. Por um movimento involuntário, eu me levantei na cama e puxei a cortina. Uma única vela que brilhava na lareira lançava um fraco brilho pelo aposento, que estava coberto de tapeçarias. A porta foi aberta com violência. Uma figura entrou e se aproximou de minha cama com passos solenes e medidos. Com tremor de apreensão, eu examinei essa visitante noturna. Deus do céu! Era a Freira Sangrenta! Era minha companheira perdida! Seu rosto ainda estava coberto, mas ela não segurava mais sua lâmpada e adaga. Ela levantou seu véu lentamente. Que visão se apresentou a meus olhos assustados! Eu vi diante de mim um cadáver animado. Seu rosto era longo e abatido; suas bochechas e lábios estavam sem sangue; a palidez da morte estava espalhada sobre suas feições, e seus olhos fixos firmemente em mim eram sem brilho e ocos.
Eu olhei para o Espectro com horror indescritível. Meu sangue estava congelado em minhas veias. Eu teria chamado por ajuda, mas o som expirou antes que pudesse passar por meus lábios. Meus nervos estavam presos em impotência, e eu permaneci na mesma atitude, inanimado como uma estátua.
A visionária Freira olhou para mim por alguns minutos em silêncio: havia algo petrificante em seu olhar. Por fim, em uma voz baixa e sepulcral, ela pronunciou as seguintes palavras:
"Raymond! Raymond! Tu és meu! Raymond! Raymond! Eu sou tua! Em tuas veias enquanto o sangue rolar, Eu sou tua! Tu és meu! Meu teu corpo! Minha tua alma!——"
Sem fôlego de medo, eu ouvi enquanto ela repetia minhas próprias expressões. A Aparição sentou-se oposta a mim aos pés da cama e ficou em silêncio. Seus olhos estavam fixos firmemente nos meus: eles pareciam dotados da propriedade da serpente, pois eu tentei em vão olhar para longe dela. Meus olhos estavam fascinados, e eu não tinha o poder de retirá-los do Espectro.
Nessa atitude, ela permaneceu por uma hora inteira sem falar ou se mover; nem eu era capaz de fazer o mesmo. Por fim, o relógio bateu duas. A Aparição se levantou de seu assento e se aproximou da cama. Ela segurou com seus dedos gelados minha mão que pendia inerte sobre a coberta e, pressionando seus lábios frios contra os meus, novamente repetiu,
"Raymond! Raymond! Tu és meu! Raymond! Raymond! Eu sou tua! &c.——"
Ela então soltou minha mão, deixou a câmara com passos lentos e a porta se fechou após ela. Até aquele momento, as faculdades de meu corpo haviam sido todas suspensas; as de minha mente haviam sido as únicas despertas. O encanto agora cessou de operar: o sangue que havia sido congelado em minhas veias voltou a meu coração com violência: eu soltei um profundo gemido e caí inanimado sobre meu travesseiro.
O quarto adjacente estava apenas separado do meu por uma fina partição: ele era ocupado pelo hospedeiro e sua esposa: o primeiro foi acordado por meu gemido e imediatamente se apressou para meu quarto: a hospedeira logo o seguiu. Com alguma dificuldade, eles conseguiram me restaurar à minha consciência e imediatamente chamaram o médico, que chegou com toda diligência. Ele declarou que minha febre havia aumentado muito e que, se eu continuasse a sofrer tal agitação violenta, ele não se arriscaria a garantir minha vida. Alguns remédios que ele me deu em certa medida acalmaram meus espíritos. Eu caí em uma espécie de sono ao amanhecer; mas sonhos terríveis me impediram de obter qualquer benefício de meu repouso. Agnes e a Freira Sangrenta se apresentavam por vezes à minha fantasia e se combinavam para me atormentar e torturar. Eu acordei cansado e sem descanso. Minha febre parecia mais aumentada do que diminuída; a agitação de minha mente impedia meus ossos fraturados de se unirem: eu tinha frequentes desmaios e, durante todo o dia, o médico julgou conveniente não me deixar por duas horas seguidas.
A singularidade de minha aventura me fez determinar a escondê-la de todos, pois eu não podia esperar que uma circunstância tão estranha obtivesse crédito. Eu estava muito inquieto por Agnes. Eu não sabia o que ela pensaria ao não me encontrar no local marcado e temia que ela suspeitasse de minha fidelidade. No entanto, eu dependia da discrição de Theodore e confiava que minha carta à baronesa a convenceria da retidão de minhas intenções. Essas considerações de certa forma aliviaram minha inquietude por ela: mas a impressão deixada em minha mente por minha visitante noturna crescia a cada momento. A noite se aproximava; eu temia sua chegada. Ainda assim, eu tentava me persuadir de que o Fantasma não apareceria mais e, de qualquer forma, eu desejava que um servo ficasse em meu quarto.
A fadiga de meu corpo por não ter dormido na noite anterior, combinada com os fortes opiáceos que me foram administrados em profusão, por fim me proporcionaram o repouso de que eu tanto precisava. Eu caí em um sono profundo e tranquilo e já havia dormido por algumas horas, quando o relógio vizinho me acordou ao bater "Uma". Seu som trouxe à minha memória todos os horrores da noite anterior. O mesmo frio me invadiu. Eu me levantei na cama e percebi o servo dormindo em uma poltrona perto de mim. Eu o chamei por seu nome: ele não respondeu. Eu o sacudi com força pelo braço e tentei em vão acordá-lo. Ele estava perfeitamente insensível a meus esforços. Eu agora ouvi os passos pesados subindo a escada; a porta foi aberta e, novamente, a Freira Sangrenta estava diante de mim. Mais uma vez, meus membros foram presos em segunda infância. Mais uma vez, eu ouvi aquelas palavras fatais repetidas,
"Raymond! Raymond! Tu és meu! Raymond! Raymond! Eu sou tua! &c.——"
A cena que havia me chocado tão sensivelmente na noite anterior foi novamente apresentada. O Espectro novamente pressionou seus lábios contra os meus, novamente me tocou com seus dedos apodrecidos e, como em sua primeira aparição, deixou a câmara assim que o relógio marcou "Duas".
Isso se repetiu todas as noites. Longe de me acostumar com o Fantasma, cada visita sucessiva me inspirava com maior horror. Sua ideia me perseguia continuamente e eu me tornei presa de uma melancolia habitual. A constante agitação de minha mente naturalmente retardou o reestabelecimento de minha saúde. Vários meses se passaram antes que eu fosse capaz de deixar minha cama; e quando, por fim, fui movido para um sofá, eu estava tão fraco, sem espírito e emaciado que não podia atravessar o quarto sem assistência. Os olhares de meus atendentes denunciavam suficientemente a pouca esperança que eles tinham de minha recuperação. A profunda tristeza que me oprimia sem trégua fez o médico me considerar um hipocondríaco. A causa de meu sofrimento eu cuidadosamente escondia em meu próprio peito, pois eu sabia que ninguém poderia me dar alívio: o Fantasma era visível apenas para mim. Eu havia frequentemente feito com que atendentes ficassem em meu quarto: mas, no momento em que o relógio marcava "Uma", um sono irresistível os dominava e não os deixava até a partida do Fantasma.
Você pode se surpreender que, durante esse tempo, eu não tenha feito perguntas sobre sua irmã. Theodore, que com dificuldade havia descoberto meu paradeiro, havia acalmado minhas apreensões por sua segurança: ao mesmo tempo, ele me convenceu de que todas as tentativas de libertá-la do cativeiro seriam inúteis até que eu estivesse em condições de retornar à Espanha. Os detalhes de sua aventura, que eu agora vou relatar a você, foram parcialmente comunicados a mim por Theodore e parcialmente pela própria Agnes.
Na fatídica noite em que sua fuga deveria ter ocorrido, o acaso não permitiu que ela deixasse seu quarto no horário marcado. Por fim, ela se aventurou no quarto assombrado, desceu a escada que levava ao salão, encontrou os portões abertos como esperado e deixou o castelo sem ser notada. Que surpresa foi para ela não me encontrar pronto para recebê-la! Ela examinou a caverna, percorreu todas as alamedas da floresta vizinha e passou duas horas inteiras nessa busca infrutífera. Alarmada e desapontada, seu único recurso foi retornar ao castelo antes que a baronesa a sentisse falta: mas aqui ela se viu em um novo embaraço. O sino já havia tocado "Duas": a hora fantasma havia passado e o cuidadoso porteiro havia trancado os portões dobráveis. Após muita indecisão, ela se aventurou a bater suavemente. Felizmente para ela, Conrad ainda estava acordado: ele ouviu o barulho e se levantou, murmurando por ser chamado novamente. Mal ele abriu uma das portas e viu a suposta aparição esperando por admissão, ele soltou um grito alto e caiu de joelhos. Agnes aproveitou seu terror. Ela deslizou por ele, correu para seu próprio aposento e, tendo tirado suas roupas de espectro, se deitou, tentando em vão explicar meu desaparecimento.
Enquanto isso, Theodore, tendo visto minha carruagem partir com a falsa Agnes, retornou alegremente à vila. Na manhã seguinte, ele libertou Cunegonda de sua prisão e a acompanhou ao castelo. Lá, ele encontrou o barão, sua senhora e Don Gaston, discutindo sobre o relato do porteiro. Todos eles acreditavam na existência de espectros: mas o último contendia que, para um fantasma bater por admissão, era um procedimento até então não testemunhado e totalmente incompatível com a natureza imaterial de um espírito. Eles ainda estavam discutindo esse assunto quando o pajem apareceu com Cunegonda e esclareceu o mistério. Ao ouvir seu depoimento, foi acordado unanimemente que a Agnes que Theodore havia visto entrar em minha carruagem devia ser a Freira Sangrenta e que o fantasma que havia aterrorizado Conrad não era outro senão a filha de Don Gaston.
A primeira surpresa que essa descoberta ocasionou tendo passado, a baronesa resolveu fazer uso dela para persuadir sua sobrinha a tomar o véu. Temendo que um estabelecimento tão vantajoso para sua filha induzisse Don Gaston a renunciar a sua resolução, ela suprimiu minha carta e continuou a me representar como um aventureiro necessitado e desconhecido. Uma vaidade infantil me havia levado a esconder meu verdadeiro nome até mesmo de minha amada; eu queria ser amado por mim mesmo, não por ser o filho e herdeiro do Marquês de las Cisternas. A consequência foi que meu título era conhecido por ninguém no castelo, exceto a baronesa, e ela tomou cuidado para confinar o conhecimento a seu próprio peito. Don Gaston, tendo aprovado o plano de sua irmã, Agnes foi convocada a aparecer diante deles. Ela foi acusada de ter meditado uma fuga, obrigada a fazer uma confissão completa e ficou surpresa com a gentileza com que foi recebida: mas que aflição foi para ela, quando informada de que o fracasso de seu projeto devia ser atribuído a mim! Cunegonda, instruída pela baronesa, lhe disse que, quando eu a libertei, eu havia desejado que ela informasse sua senhora de que nosso relacionamento estava terminado, que todo o assunto havia sido ocasionado por um falso relatório e que de maneira alguma convinha a minhas circunstâncias me casar com uma mulher sem fortuna ou expectativas.
A essa história, meu súbito desaparecimento deu um ar de probabilidade. Theodore, que poderia ter contraditado a história, por ordem de Donna Rodolpha, foi mantido longe de sua vista: o que provou ser uma confirmação ainda maior de minha impostura foi a chegada de uma carta de você mesmo declarando que não tinha nenhum tipo de relacionamento com Alphonso d'Alvarada. Essas supostas provas de minha perfídia, auxiliadas pelas artimanhas da baronesa, pela bajulação de Cunegonda e pelas ameaças e raiva de seu pai, completamente venceram a repugnância de sua irmã por um convento. Indignada com meu comportamento e desgostosa com o mundo em geral, ela consentiu em receber o véu. Ela passou outro mês no castelo de Lindenberg, durante o qual minha não aparição a confirmou em sua resolução e, então, acompanhou Don Gaston à Espanha. Theodore foi agora libertado. Ele se apressou para Munique, onde eu havia prometido que ele ouviria de mim; mas, encontrando de Lucas que eu nunca havia chegado lá, ele prosseguiu sua busca com perseverança indomável e, por fim, conseguiu me reencontrar em Ratisbon.
Tão mudado eu estava que ele mal conseguia reconhecer minhas feições: a angústia visível em seu rosto testemunhava suficientemente o interesse que ele sentia por mim. A sociedade desse amável jovem, a quem eu sempre considerei mais como um companheiro do que um servo, era agora meu único conforto. Sua conversa era alegre e sensata, e suas observações agudas e divertidas: ele havia adquirido mais conhecimento do que é comum em sua idade: mas o que o tornava mais agradável para mim era seu ter uma voz deliciosa e alguma habilidade em música. Ele também havia adquirido algum gosto em poesia e até se aventurava a escrever versos ele mesmo. Ele ocasionalmente compunha pequenas baladas em espanhol, suas composições eram bastante medíocres, devo confessar; ainda assim, elas eram agradáveis para mim por sua novidade e ouvi-lo cantá-las com seu violão era o único entretenimento que eu era capaz de receber. Theodore percebia bem que algo me atormentava; mas, como eu escondia a causa de minha aflição até mesmo dele, o respeito não lhe permitia sondar meus segredos.
Uma noite, eu estava deitado em meu sofá, mergulhado em reflexões nada agradáveis: Theodore se divertia observando pela janela uma batalha entre dois cocheiros, que estavam brigando no pátio da estalagem.
"Ha! Ha!" ele exclamou de repente; "Aquele é o Grande Mogol."
"Quem?" eu disse.
"Apenas um homem que me fez um discurso estranho em Munique."
"Qual foi o propósito dele?"
"Agora você me faz lembrar, senhor, era uma espécie de mensagem para você; mas, verdadeiramente, não era digna de ser entregue. Eu acredito que o sujeito seja louco, por minha parte. Quando eu cheguei a Munique em busca de você, eu o encontrei vivendo no 'Rei dos Romanos' e o hospedeiro me deu uma estranha descrição dele. Por seu sotaque, ele é suposto ser um estrangeiro, mas de que país ninguém sabe. Ele parecia não ter conhecidos na cidade, falava muito pouco e nunca era visto sorrindo. Ele não tinha servos ou bagagem; mas sua bolsa parecia bem fornecida e ele fazia muito bem na cidade. Alguns o supunham ser um astrólogo árabe, outros um charlatão itinerante e muitos declaravam que ele era o Doutor Fausto, a quem o diabo havia enviado de volta à Alemanha. O hospedeiro, no entanto, me disse que ele tinha as melhores razões para acreditar que ele era o Grande Mogol incógnito."
"Mas o discurso estranho, Theodore."
"Verdade, eu quase me esqueci do discurso: na verdade, não seria uma grande perda se eu tivesse me esquecido dele completamente. Você deve saber, senhor, que enquanto eu estava indagando sobre você do hospedeiro, esse estranho passou por nós. Ele parou e me olhou atentamente. 'Jovem!' ele disse em uma voz solene, 'aquele a quem você busca, encontrou o que gostaria de perder. Minha mão sozinha pode secar o sangue: peça a seu mestre que deseje por mim quando o relógio marcar 'Uma'."
"Como?" eu exclamei, levantando-me do sofá. (As palavras que Theodore havia repetido pareciam implicar o conhecimento do estranho sobre meu segredo) "Corra para ele, meu rapaz! Suplique-lhe que me conceda um momento de conversa!"
Theodore ficou surpreso com a vivacidade de meu modo: no entanto, ele não fez perguntas, mas se apressou em obedecer. Eu esperei seu retorno impacientemente. Mas pouco tempo havia se passado quando ele novamente apareceu e anunciou o esperado visitante em meu quarto. Ele era um homem de presença majestosa: seu rosto era fortemente marcado e seus olhos eram grandes, negros e brilhantes: ainda assim, havia algo em seu olhar que, no momento em que o vi, me inspirou com uma secreta apreensão, para não dizer horror. Ele estava vestido simplesmente, seu cabelo estava sem pó, e uma faixa de veludo preto que envolvia sua testa espalhava sobre suas feições uma sombra adicional. Seu rosto trazia marcas de profunda melancolia; seu passo era lento e sua maneira grave, imponente e solene.
Ele me saudou com polidez; e, tendo respondido às usuais cortesias de introdução, ele fez sinal para que Theodore saísse do quarto. O pajem imediatamente se retirou.
"Eu sei de seu negócio", disse ele, sem me dar tempo para falar.
"Eu tenho o poder de libertá-lo de sua visitante noturna; mas isso não pode ser feito antes de domingo. Na hora em que a manhã do sábado romper, os espíritos das trevas têm menos influência sobre os mortais. Após sábado, a freira não o visitará mais."
"Posso não perguntar", eu disse, "por que meios você está em posse de um segredo que eu cuidadosamente escondi do conhecimento de todos?"
"Como posso ser ignorante de seu sofrimento, quando sua causa neste momento está ao seu lado?"
Eu me assustei. O estranho continuou.
"Embora para você apenas visível por uma hora em cada vinte e quatro, nem de dia nem de noite ela nunca o deixa; nem ela nunca o deixará até que você tenha atendido a seu pedido."
"E qual é esse pedido?"
"Isso ela mesma deve explicar: não está em meu conhecimento. Espere com paciência pela noite de sábado: tudo será então esclarecido."
Eu não ousei pressioná-lo mais. Ele logo mudou o assunto e falou de várias matérias. Ele nomeou pessoas que haviam deixado de existir há muitos séculos e, ainda assim, com quem ele parecia ter sido pessoalmente conhecido. Eu não podia mencionar um país, por mais distante que fosse, que ele não tivesse visitado, nem podia suficientemente admirar a extensão e variedade de sua informação. Eu observei a ele que ter viajado, visto e conhecido tanto, devia ter lhe dado imenso prazer. Ele sacudiu a cabeça tristemente.
"Ninguém", ele respondeu, "é adequado a compreender a miséria de meu destino! O destino me obriga a estar constantemente em movimento: não me é permitido passar mais de uma quinzena no mesmo lugar. Eu não tenho amigo no mundo e, pela inquietação de meu destino, nunca poderei adquirir um. Eu gostaria de deitar minha vida miserável, pois invejo aqueles que desfrutam da quietude do túmulo: mas a morte me ilude e foge de meu abraço. Em vão eu me lanço ao perigo. Eu mergulho no oceano; as ondas me jogam de volta com horror à praia: eu me atiro ao fogo; as chamas recuam à minha aproximação: eu me oponho à fúria de bandidos; suas espadas se tornam cegas e quebram contra meu peito: o tigre faminto se assusta com minha aproximação e o jacaré foge de um monstro mais horrível que ele mesmo. Deus colocou seu selo sobre mim e todas suas criaturas respeitam essa marca fatal!"
Ele colocou sua mão na faixa de veludo que envolvia sua testa. Havia em seus olhos uma expressão de fúria, desespero e malevolência que me encheu de horror. Uma convulsão involuntária me fez tremer. O estranho percebeu.
"Tal é a maldição imposta a mim", ele continuou: "estou condenado a inspirar todos que me olham com terror e detestação. Você já sente a influência do encanto e, a cada momento, a sentirá mais. Eu não quero aumentar seus sofrimentos com minha presença. Adeus até sábado. Assim que o relógio marcar meia-noite, espere-me à porta de seu quarto."
Tendo dito isso, ele partiu, deixando-me em espanto pelo misterioso turno de seu modo e conversa.
Suas garantias de que eu logo seria aliviado das visitas do Espectro produziram um bom efeito em minha constituição. Theodore, a quem eu tratava mais como um filho adotivo do que como um Doméstico, ficou surpreso ao retornar e observar a melhora em minha aparência. Ele me parabenizou por esse sinal de saúde recuperada e declarou estar encantado por eu ter recebido tanto benefício de minha conferência com o Grande Mogol. Ao inquirir, descobri que o Estranho já havia passado oito dias em Ratisbon: De acordo com seu próprio relato, portanto, Ele só deveria permanecer lá mais seis dias. O sábado ainda estava a três dias de distância. Oh! com que impaciência eu esperava sua chegada! Enquanto isso, a Freira Sangrenta continuou suas visitas noturnas; Mas, esperando logo ser libertado delas completamente, os efeitos que elas produziam em mim se tornaram menos intensos do que antes.
A noite tão esperada chegou. Para evitar suspeitas, eu me retirei para a cama no meu horário habitual: Mas assim que meus Atendentes me deixaram, eu me levantei novamente e me preparei para receber o Estranho. Ele entrou em meu quarto ao bater da meia-noite. Uma pequena Caixa estava em sua mão, que Ele colocou perto do Fogão. Ele me saudou sem falar; Eu retribuí o cumprimento, observando um silêncio igual. Ele então abriu sua Caixa. A primeira coisa que Ele produziu foi um pequeno Crucifixo de madeira: Ele se ajoelhou, olhou para ele com tristeza e ergueu os olhos para o céu. Ele parecia estar orando devotamente. Por fim, Ele abaixou a cabeça com respeito, beijou o Crucifixo três vezes e se levantou de sua posição de joelhos. Ele, em seguida, tirou da Caixa um Cálice coberto: Com o líquido que ele continha, e que parecia ser sangue, Ele aspergiu o chão, e então, mergulhando nele uma extremidade do Crucifixo, Ele descreveu um círculo no meio do quarto. Em torno deste, Ele colocou vários objetos sagrados, crânios, ossos de coxa, etc.; Eu observei que Ele os dispunha todos em formas de Cruzes. Por fim, Ele pegou uma grande Bíblia e me fez sinal para segui-lo para dentro do Círculo. Eu obedeci.
“Tenha cuidado para não proferir uma sílaba!” sussurrou o Estranho; “Não saia do círculo, e, se você ama a si mesmo, não ouse olhar para meu rosto!”
Segurando o Crucifixo em uma mão, a Bíblia na outra, Ele parecia ler com profunda atenção. O Relógio bateu “Uma”! Como de costume, ouvi os passos do Espectro na Escada: Mas eu não fui tomado pelo costumeiro arrepio. Eu esperei sua aproximação com confiança. Ela entrou no quarto, se aproximou do Círculo e parou. O Estranho murmurou algumas palavras, para mim ininteligíveis. Então, erguendo a cabeça do Livro e estendendo o Crucifixo em direção ao Fantasma, Ele pronunciou em uma voz distinta e solene,
“Beatrice! Beatrice! Beatrice!”
“O que desejas?” respondeu a Aparição em um tom oco e vacilante.
“O que perturba teu sono? Por que afliges e torturas este Jovem? Como pode o descanso ser restaurado a teu Espírito inquieto?”
“Eu não posso contar!—Eu não devo contar!—Eu gostaria de repousar em meu Túmulo, mas comandos severos me forçam a prolongar meu castigo!”
“Conheces este sangue? Conheces em cujas veias ele fluía?
Beatrice! Beatrice! Em seu nome, eu te ordeno a responder-me!”
“Eu não posso desobedecer a meus taskers.”
“Ousas desobedecer a Mim?”
Ele falou em um tom de comando e tirou a faixa negra de sua testa. Apesar de suas injunções em contrário, a Curiosidade não me permitiu manter meus olhos afastados de seu rosto: Eu os levantei e vi uma Cruz ardente impressa em sua testa. Para o horror que esse objeto me inspirou, não posso explicar, mas nunca senti algo igual! Meus sentidos me abandonaram por alguns momentos; Um medo misterioso superou minha coragem, e, se o Exorcista não tivesse segurado minha mão, eu teria saído do Círculo.
Quando recuperei a mim mesmo, percebi que a Cruz ardente havia produzido um efeito não menos violento sobre o Espectro. Sua expressão denotava reverência e horror, e seus membros visionários eram sacudidos pelo medo.
“Sim!” Ela disse por fim; “Eu tremo diante desse sinal!—Eu o respeito!—Eu obedeço a você! Saiba então que meus ossos ainda jazem insepultos: Eles apodrecem na obscuridade do Buraco de Lindenberg. Ninguém além deste Jovem tem o direito de consigná-los ao Túmulo. Meus próprios lábios prometeram a ele meu corpo e minha alma: Nunca devolverei sua promessa, nunca Ele conhecerá uma noite sem terror, a menos que Ele se comprometa a coletar meus ossos em decomposição e depositá-los no mausoléu de sua família na Andaluzia. Então, que trinta Missas sejam ditas pelo repouso de meu Espírito, e eu não perturbarei mais este mundo. Agora, deixe-me partir! Essas chamas estão me queimando!”
Ele deixou cair lentamente a mão que segurava o Crucifixo, e que até então Ele havia apontado em direção a ela. A Aparição abaixou a cabeça, e sua forma se desfez em ar. O Exorcista me levou para fora do Círculo. Ele substituiu a Bíblia, etc., na Caixa, e então se dirigiu a mim, que estava perto dele, mudo de espanto.
“Don Raymond, você ouviu as condições sob as quais o repouso é prometido a você. Cabe a você cumpri-las ao pé da letra. Para mim, nada mais resta além de esclarecer a escuridão que ainda envolve a História do Espectro, e informá-lo de que, quando viva, Beatrice levava o nome de las Cisternas. Ela era a tia-avó de seu Avô: Em qualidade de seu parente, seus restos mortais exigem respeito de você, embora a enormidade de seus crimes deva despertar sua repulsa. A natureza desses crimes, ninguém é mais capaz de explicar a você do que eu: Eu conheci pessoalmente o santo Homem que proscreveu suas festas noturnas no Castelo de Lindenberg, e eu tenho essa narrativa de seus próprios lábios.
“Beatrice de las Cisternas tomou o véu em tenra idade, não por sua própria escolha, mas por ordem expressa de seus Pais. Ela era então jovem demais para lamentar os prazeres dos quais sua profissão a privava: Mas assim que seu caráter quente e voluptuoso começou a se desenvolver, Ela se entregou livremente ao impulso de suas paixões e aproveitou a primeira oportunidade para garantir sua satisfação. Essa oportunidade foi finalmente apresentada, após muitos obstáculos que apenas aumentaram a força de seus desejos. Ela conseguiu fugir do Convento e fugiu para a Alemanha com o Barão de Lindenberg. Ela viveu em seu Castelo por vários meses como sua Concubina declarada: Toda a Baviera foi escandalizada por sua conduta impudente e desavergonhada. Seus banquetes rivalizavam em luxo com os de Cleópatra, e Lindenberg se tornou o Teatro da mais desenfreada devassidão. Não satisfeita em exibir a incontinência de uma Prostituta, Ela se proclamou Ateísta: Ela aproveitava toda oportunidade para escarnecer de seus votos monásticos e ridicularizar as cerimônias mais sagradas da Religião.
“Possuindo um caráter tão depravado, Ela não demorou a confinar seus afetos a um único objeto. Logo após sua chegada ao Castelo, o Irmão mais novo do Barão atraiu sua atenção por suas feições marcantes, estatura gigante e membros hercúleos. Ela não era do tipo que mantinha seus sentimentos em segredo; Mas Ela encontrou em Otto von Lindenberg seu igual em depravação. Ele retribuiu sua paixão apenas o suficiente para aumentá-la; e quando a trabalhou até o ponto desejado, Ele fixou o preço de seu amor no assassinato de seu Irmão. A Desgraçada consentiu nesse acordo horrível. Uma noite foi escolhida para perpetrar o feito. Otto, que residia em uma pequena Propriedade a algumas milhas de distância do Castelo, prometeu que, à uma da manhã, Ele estaria esperando por ela no Buraco de Lindenberg; que Ele traria com ele um grupo de Amigos escolhidos, com cuja ajuda Ele não duvidava de conseguir dominar o Castelo; e que seu próximo passo seria unir sua mão à dela. Foi essa última promessa que superou todos os escrúpulos de Beatrice, pois, apesar de seu afeto por ela, o Barão havia declarado positivamente que nunca a faria sua Esposa.
“A noite fatal chegou. O Barão dormia nos braços de sua perfidious Amante, quando o Sino do Castelo bateu “Uma”. Imediatamente, Beatrice tirou uma adaga de debaixo do travesseiro e a cravou no coração de seu Paramour. O Barão soltou um único gemido terrível e expirou. A Assassina saiu apressadamente da cama, pegou uma Lâmpada em uma mão, na outra a adaga ensanguentada, e se dirigiu ao cavern. O Porteiro não ousou recusar abrir os Portões para alguém mais temida no Castelo do que seu Senhor. Beatrice alcançou o Buraco de Lindenberg sem oposição, onde, segundo a promessa, Ela encontrou Otto esperando por ela. Ele recebeu e ouviu sua narrativa com transporte: Mas antes que Ela tivesse tempo de perguntar por que Ele veio desacompanhado, Ele a convenceu de que desejava testemunhas de seu encontro. Ansioso para esconder sua participação no assassinato e se livrar de uma Mulher, cujo caráter violento e atroz o fazia tremer com razão por sua própria segurança, Ele havia resolvido a destruição de sua infeliz Agente. Lançando-se sobre ela repentinamente, Ele arrancou a adaga de sua mão: Ele a cravou, ainda tingida com o sangue de seu Irmão, em seu peito, e pôs fim à sua existência com golpes repetidos.
“Otto agora sucedeu ao Baronato de Lindenberg. O assassinato foi atribuído exclusivamente à Freira fugitiva, e ninguém suspeitou que ele havia persuadido ela à ação. Mas, embora seu crime tenha sido impune aos olhos dos Homens, a justiça de Deus não o permitiu desfrutar em paz de suas honras ensanguentadas. Seus ossos, ainda insepultos na Caverna, o espírito inquieto de Beatrice continuou a habitar o Castelo. Vestida em seu hábito religioso em memória de seus votos quebrados ao céu, munida da adaga que havia bebido o sangue de seu Paramour e segurando a Lâmpada que havia guiado seus passos em fuga, todas as noites Ela se postava diante da Cama de Otto. A mais terrível confusão reinava no Castelo; As câmaras abobadadas ecoavam com gritos e gemidos; E o Espectro, enquanto perambulava pelas antigas Galerias, proferia uma mistura incoerente de orações e blasfêmias. Otto foi incapaz de suportar o choque que sentiu ao ver essa Vision terrível: Seu horror aumentava a cada aparição subsequente: Seu alarme, por fim, se tornou tão insuportável que seu coração estourou, e uma manhã Ele foi encontrado em sua cama totalmente privado de calor e animação. Sua morte não pôs fim às festas noturnas. Os ossos de Beatrice continuaram insepultos, e seu Fantasma continuou a assombrar o Castelo.
“Os domínios de Lindenberg agora caíram para um Parente distante. Mas, aterrorizado pelas histórias que ouviu sobre a Freira Sangrenta (Assim era chamado o Espectro pela multidão), o novo Barão chamou em seu auxílio um famoso Exorcista. Este santo Homem conseguiu obrigá-la a um repouso temporário; Mas, embora Ela lhe revelasse sua história, Ele não foi autorizado a revelá-la a outros, ou a causar a remoção de seu esqueleto para solo sagrado. Essa Tarefa foi reservada para você, e, até sua chegada, seu Fantasma foi condenado a vagar pelo Castelo e lamentar o crime que lá havia cometido. No entanto, o Exorcista a obrigou ao silêncio durante sua vida. Enquanto Ele existiu, o quarto assombrado foi trancado, e o Espectro foi invisível. À sua morte, que aconteceu em cinco anos depois, Ela apareceu novamente, mas apenas uma vez a cada cinco anos, no mesmo dia e à mesma hora em que Ela cravou sua Faca no coração de seu Amante adormecido: Ela então visitava a Caverna que guardava seu esqueleto em decomposição, retornava ao Castelo assim que o Relógio batia “Duas”, e era vista mais uma vez até que os próximos cinco anos tivessem se passado.
“Ela foi condenada a sofrer durante o espaço de um Século. Esse período passou. Nada resta agora além de consignar ao Túmulo os restos de Beatrice. Eu fui o meio de libertá-lo de seu Tormentador Visionário; e, em meio a todas as dores que me oprimem, pensar que fui útil para você é alguma consolação. Jovem, adeus! Que o Fantasma de sua Parente desfrute do repouso no Túmulo, que a vingança do Todo-Poderoso negou a mim para sempre!”
Aqui, o Estranho se preparou para sair do aposento.
“Espere mais um momento!” disse eu; “Você satisfez minha curiosidade em relação ao Espectro, mas você me deixa em agonia em relação a si mesmo. Digna-se a me informar a quem devo tantas obrigações reais. Você menciona circunstâncias passadas há muito tempo, e pessoas há muito falecidas: Você foi pessoalmente conhecido do Exorcista, que, por sua própria conta, faleceu há quase um Século. Como posso explicar isso? O que significa essa Cruz ardente em sua testa, e por que sua visão encheu minha alma de horror?”
Sobre esses pontos, Ele, por algum tempo, se recusou a me satisfazer. Por fim, vencido por minhas súplicas, Ele consentiu em esclarecer tudo, com a condição de que eu adiasse sua explicação até o dia seguinte. Com esse pedido, fui obrigado a cumprir, e Ele me deixou. Na Manhã seguinte, meu primeiro cuidado foi perguntar por meu misterioso Benfeitor. Imagine minha decepção ao ser informado de que Ele já havia deixado Ratisbon. Eu despachei mensageiros em sua perseguição, mas em vão. Nenhum traço do Fugitivo foi descoberto. Desde aquele momento, nunca mais ouvi falar dele, e é muito provável que nunca mais o farei.”
(Lorenzo aqui interrompeu a narrativa de seu Amigo.
“Como?” disse ele; “Você nunca descobriu quem Ele era, ou mesmo formou uma suposição?”
“Perdoe-me,” respondeu o Marquês; “Quando relatei esta aventura a meu Tio, o Cardeal-Duque, Ele me disse que não tinha dúvida de que esse Homem singular era o famoso Personagem conhecido universalmente pelo nome de ‘o judeu errante’. Seu não ser permitido passar mais de catorze dias no mesmo local, a Cruz ardente impressa em sua testa, o efeito que ela produzia nos Observadores, e muitas outras circunstâncias, dão a essa suposição a cor da verdade. O Cardeal está plenamente convencido disso; e, por minha parte, estou inclinado a adotar a única solução que se oferece para esse enigma. Eu retorno à narrativa de onde me desviei.”)
A partir deste período, minha saúde se recuperou tão rapidamente que surpreendeu meus Médicos. A Freira Sangrenta não apareceu mais, e eu logo pude partir para Lindenberg. O Barão me recebeu de braços abertos. Eu confiei a ele a sequência de minha aventura; e Ele não ficou um pouco satisfeito ao saber que sua Mansão não seria mais perturbada pelas visitas quinquenais do Fantasma. Eu lamentei perceber que a ausência não havia enfraquecido a paixão imprudente de Donna Rodolpha. Em uma conversa particular que tive com ela durante minha curta estadia no Castelo, Ela renovou suas tentativas de me persuadir a retornar seu afeto. Considerando-a como a causa principal de todos os meus sofrimentos, eu não nutria por ela outro sentimento além de repulsa. O esqueleto de Beatrice foi encontrado no local que Ela havia mencionado. Este sendo tudo o que eu buscava em Lindenberg, eu me apressei em deixar os domínios do Barão, igualmente ansioso para realizar o funeral da Freira assassinada e escapar da importunidade de uma Mulher que eu odiava. Eu parti, seguido pelas ameaças de Donna Rodolpha de que meu desprezo não ficaria muito tempo sem vingança.
Eu agora me dirigi para a Espanha com toda a diligência. Lucas, com minha Bagagem, me encontrou durante minha estadia em Lindenberg. Eu cheguei em meu País natal sem nenhum acidente, e imediatamente me dirigi ao Castelo de meu Pai na Andaluzia. Os restos de Beatrice foram depositados no mausoléu da família, todos os devidos cerimônias foram realizadas, e o número de Missas foi dito que Ela havia requerido. Nada agora impedia que eu empregasse todos os meus esforços para descobrir o paradeiro de Agnes. A Baronesa havia me assegurado que sua Sobrinha já havia tomado o véu: Esta informação eu suspeitava ter sido forjada por ciúmes, e esperava encontrar minha Amada ainda em liberdade para aceitar minha mão. Eu indaguei sobre sua família; Eu descobri que, antes que sua Filha pudesse chegar a Madrid, Donna Inesilla não era mais: Você, meu caro Lorenzo, estava dito estar no exterior, mas onde eu não podia descobrir: Seu Pai estava em uma Província distante em visita ao Duque de Medina, e quanto a Agnes, ninguém podia ou queria me informar o que havia se tornado dela. Theodore, de acordo com a promessa, havia retornado a Estrasburgo, onde encontrou seu Avô morto, e Marguerite em posse de sua fortuna. Todas as suas persuasões para permanecer com ela foram em vão: Ele a deixou pela segunda vez, e me seguiu para Madrid. Ele se esforçou ao máximo para promover minha busca: Mas nossos esforços unidos foram infrutíferos. O retiro que escondia Agnes permaneceu um mistério impenetrável, e eu comecei a abandonar todas as esperanças de recuperá-la.
Há cerca de oito meses, eu estava retornando ao meu Hotel em um estado de espírito melancólico, tendo passado a noite no Teatro. A Noite estava escura, e eu estava desacompanhado. Absorto em reflexões que estavam longe de ser agradáveis, eu não percebi que três Homens me haviam seguido desde o Teatro; até que, ao virar em uma Rua pouco frequentada, eles me atacaram de uma vez com a maior fúria. Eu recuei alguns passos, saquei minha espada, e joguei minha capa sobre meu braço esquerdo. A escuridão da noite estava a meu favor. Na maior parte, os golpes dos Assassinos, sendo dados ao acaso, falharam em me tocar. Eu, por fim, tive a sorte de derrubar um de meus Adversários; Mas antes disso, eu já havia recebido tantos ferimentos, e estava tão vigorosamente pressionado, que minha destruição teria sido inevitável, se o choque de espadas não tivesse chamado um Cavalheiro em meu auxílio. Ele correu em minha direção com sua espada desembainhada: Vários Domésticos o seguiram com tochas. Sua chegada tornou a luta igual: No entanto, os Salteadores não abandonaram seu desígnio até que os Servos estivessem prestes a se juntar a nós. Eles então fugiram, e os perdemos na escuridão.
O Estranho agora se dirigiu a mim com polidez, e perguntou se eu estava ferido. Fraco pela perda de sangue, eu mal pude agradecer-lhe por sua oportuna ajuda, e suplicar-lhe que permitisse que alguns de seus Servos me levassem ao Hotel de las Cisternas. Eu mal havia mencionado o nome, quando Ele se proclamou um conhecido de meu Pai, e declarou que não permitiria que eu fosse transportado para tão longe antes que meus ferimentos fossem examinados. Ele acrescentou que sua Casa ficava perto, e me suplicou que o acompanhasse para lá. Sua maneira era tão insistente, que eu não pude rejeitar sua oferta, e, apoiando-me em seu braço, alguns minutos me levaram ao Pórtico de um Hotel magnífico.
Ao entrar na Casa, um Doméstico velho e grisalho veio receber meu Condutor: Ele perguntou quando o Duque, seu Senhor, pretendia deixar o País, e foi respondido que Ele permaneceria lá por mais alguns meses. Meu Salvador então ordenou que o Cirurgião da família fosse chamado sem demora. Suas ordens foram obedecidas. Eu fui colocado em um Sofá em um aposento nobre; e meus ferimentos, sendo examinados, foram declarados muito leves. O Cirurgião, no entanto, aconselhou-me a não me expor ao ar noturno; e o Estranho me pressionou tão veementemente a tomar uma cama em sua Casa, que eu consenti em permanecer onde estava por enquanto.
Estando agora sozinho com meu Salvador, eu aproveitei a oportunidade para agradecer-lhe em termos mais expressivos do que havia feito até então: Mas Ele me suplicou que me calasse sobre o assunto.
“Eu me considero feliz,” disse ele, “em ter tido a oportunidade de prestar-lhe esse pequeno serviço; e eu devo agradecer eternamente a minha Filha por me deter tanto tempo no Convento de Santa Clara. A alta estima em que sempre tive o Marquês de las Cisternas, embora o acaso não tenha permitido nossa intimidade como eu desejaria, me faz rejubilar na oportunidade de fazer o conhecimento de seu Filho. Eu estou certo de que meu Irmão, em cuja Casa você agora está, lamentará não estar em Madrid para recebê-lo pessoalmente: Mas na ausência do Duque, eu sou o Mestre da família, e posso assegurar-lhe em seu nome que tudo no Hotel de Medina está perfeitamente à sua disposição.”
Ao sair de Agnes, eu havia feito meu primeiro negócio de despachar um Camponês com uma carta para Lucas em Munique, ordenando-lhe que tomasse cuidado para que uma Carroça e quatro Cavalos chegassem por volta das dez horas do dia cinco de maio à Vila de Rosenwald. Ele obedeceu minhas instruções pontualmente: A Equipagem chegou no horário marcado. À medida que o período de fuga de sua Senhora se aproximava, a raiva de Cunegonda aumentava. Eu sinceramente acredito que o despeito e a paixão a teriam matado, se eu não tivesse, felizmente, descoberto sua preferência pelo Cherry Brandy. Com essa bebida favorita, Ela foi abundantemente fornecida, e Theodore sempre permanecendo para guardá-la, a Mordaça era ocasionalmente removida. O licor parecia ter um efeito maravilhoso em suavizar a acrimônia de sua natureza; e seu confinamento não admitindo outro divertimento, Ela ficava bêbada regularmente uma vez por dia, apenas para passar o tempo.
O dia cinco de maio chegou, um período por mim nunca a ser esquecido! Antes que o Relógio batesse meia-noite, eu me dirigi ao local da ação. Theodore me seguiu a cavalo. Eu escondi a Carroça em uma ampla Caverna da Colina, no cujo topo o Castelo estava situado: Esta Caverna era de considerável profundidade, e entre os camponeses era conhecida pelo nome de Buraco de Lindenberg. A noite estava calma e bela: Os raios da Lua caíam sobre as antigas Torres do Castelo, e lançavam sobre seus topos uma luz prateada. Tudo estava silencioso ao meu redor: Nada era ouvido, exceto a brisa noturna sussurrando entre as folhas, o latido distante de Cães de Vila, ou a Coruja que havia se estabelecido em um nicho da abandonada Torre Oriental. Eu ouvi seu grito melancólico, e olhei para cima. Ela estava sobre o parapeito de uma janela, que eu reconheci ser a do quarto assombrado. Isso me trouxe à memória a história da Freira Sangrenta, e eu suspirei enquanto refletia sobre a influência da superstição e a fraqueza da razão humana. De repente, ouvi um coro fraco romper o silêncio da noite.
“O que pode causar esse barulho, Theodore?”
“Um Estranho de distinção,” respondeu ele, “passou pela Vila hoje em seu caminho para o Castelo: Ele é relatado ser o Pai de Donna Agnes. Sem dúvida, o Barão deu um entretenimento para celebrar sua chegada.”
O Sino do Castelo anunciou a hora da meia-noite: Este era o sinal usual para a família se retirar para a Cama. Logo depois, percebi luzes no Castelo se movendo para trás e para frente em diferentes direções. Eu conjecturei que a companhia estava se separando. Eu podia ouvir as portas pesadas rangendo enquanto se abriam com dificuldade, e ao se fecharem novamente, as Janelas podres tremiam em suas molduras. O quarto de Agnes ficava no outro lado do Castelo. Eu temia que Ela não tivesse conseguido a Chave do quarto assombrado: Através deste, era necessário que ela passasse para alcançar a estreita Escada pela qual o Fantasma era suposto descer ao grande Salão. Agitado por essa apreensão, eu mantinha meus olhos constantemente fixos na janela, onde eu esperava perceber o brilho amigável de uma Lâmpada carregada por Agnes. Eu agora ouvi os pesados Portões serem destrancados. Pela vela em sua mão, eu distingui o velho Conrad, o Porteiro. Ele abriu as Portas do Portal bem largas, e se retirou. As luzes no Castelo gradualmente desapareceram, e por fim, todo o Edifício foi envolto em escuridão.
Enquanto eu estava sentado sobre um pedaço quebrado da colina, a tranquilidade da cena me inspirou com ideias melancólicas, mas não desagradáveis. O Castelo que estava totalmente à minha vista, formava um objeto igualmente imponente e pitoresco. Suas Paredes ponderosas tingidas pela lua com brilho solene, suas Torres antigas e parcialmente arruinadas se erguendo nas nuvens e parecendo desafiar as planícies ao redor, seus altos parapeitos cobertos de hera, e seus Portões dobráveis se expandindo em honra do Habitante Visionário, me tornaram sensível a um medo reverencial e triste. No entanto, essas sensações não me ocuparam tão completamente, a ponto de me impedir de testemunhar com impaciência o lento progresso do tempo. Eu me aproximei do Castelo, e me aventurei a caminhar ao redor dele. Alguns raios de luz ainda brilhavam no quarto de Agnes. Eu os observei com alegria. Eu ainda estava olhando para eles, quando percebi uma figura se aproximar da janela, e a Cortina foi cuidadosamente fechada para esconder a Lâmpada que queimava lá. Convencido por essa observação de que Agnes não havia abandonado nosso plano, eu retornei com um coração leve para meu posto anterior.
A meia-hora bateu! Os três quartos bateram! Meu peito batia alto com esperança e expectativa. Por fim, o som tão desejado foi ouvido. O Sino tocou “Uma”, e a Mansão ecoou com o barulho alto e solene. Eu olhei para a Janela do quarto assombrado. Mal haviam se passado cinco minutos, quando a luz esperada apareceu. Eu estava agora perto da Torre. A janela não estava tão longe do Chão, mas que eu imaginava perceber uma figura feminina com uma Lâmpada na mão se movendo lentamente pelo Apartamento. A luz logo desapareceu, e tudo estava novamente escuro e sombrio.
Brilhos ocasionais de luz irradiavam da Escada à medida que a linda Fantasma passava por elas. Eu tracei a luz através do Salão: Ela alcançou o Portal, e por fim, eu vi Agnes passar pelos Portões dobráveis. Ela estava vestida exatamente como Ela havia descrito o Espectro. Um rosário de Contas pendia em seu braço; sua cabeça estava envolta em um longo véu branco; Seu vestido de Freira estava manchado de sangue, e Ela havia tomado cuidado para providenciar uma Lâmpada e uma faca. Ela avançou em direção ao local onde eu estava. Eu voei para recebê-la, e a abracei em meus braços.
“Agnes!” disse eu enquanto a pressionava contra meu peito,
Agnes! Agnes! Tu és minha! Agnes! Agnes! Eu sou teu! Em minhas veias enquanto o sangue rolar, Tu és minha! Eu sou teu! Teu meu corpo! Tua minha alma!
Assustada e ofegante, Ela não conseguia falar: Ela deixou cair sua Lâmpada e faca, e desmaiou em meu peito em silêncio. Eu a levantei em meus braços, e a conduzi à Carroça. Theodore permaneceu para trás para libertar Dame Cunegonda. Eu também o encarreguei de uma carta para a Baronesa explicando todo o caso, e suplicando seus bons ofícios em reconciliar Don Gaston com minha união com sua Filha. Eu revelei a ela meu verdadeiro nome: Eu provei a ela que meu nascimento e expectativas me justificavam em pretender sua Sobrinha, e lhe assegurei que, embora estivesse fora de meu poder retornar seu amor, eu me esforçaria incessantemente para obter sua estima e amizade.
Eu entrei na Carroça, onde Agnes já estava sentada. Theodore fechou a porta, e os Postilhões partiram. Inicialmente, eu estava encantado com a rapidez de nosso progresso; Mas assim que estivemos fora de perigo de perseguição, eu pedi aos Condutores que moderassem seu passo. Eles tentaram em vão me obedecer. Os Cavalos se recusaram a responder às rédeas, e continuaram a correr com velocidade surpreendente. Os Postilhões redobraram seus esforços para detê-los, mas, chutando e se debatendo, os Animais logo se libertaram dessa restrição. Soltando um grito alto, os Condutores foram arremessados ao chão. Imediatamente, nuvens espessas obscureceram o céu: Os ventos uivaram ao nosso redor, os raios brilharam, e o Trovão rugiu tremendamente. Nunca vi uma Tempestade tão terrível! Assustados pelo estrondo de elementos em conflito, os Cavalos pareciam a cada momento aumentar sua velocidade. Nada podia interromper sua carreira; Eles arrastaram a Carroça através de Sebes e Valas, desceram os precipícios mais perigosos, e pareciam competir em velocidade com a rapidez dos ventos.
Todo esse tempo, minha Companheira estava inanimada em meus braços. Verdadeiramente alarmado com a magnitude do perigo, eu tentava em vão召 chamá-la de volta a seus sentidos; quando um estrondo alto anunciou que uma parada foi colocada em nosso progresso da maneira mais desagradável. A Carroça foi destruída em pedaços. Ao cair, eu bati minha têmpora contra uma pedra. A dor da ferida, a violência do choque, e a apreensão pela segurança de Agnes combinadas para me sobrecarregar tão completamente, que meus sentidos me abandonaram, e eu caí sem animação no chão.
Eu provavelmente permaneci por algum tempo nesta situação, pois quando abri os olhos, era pleno dia. Vários Camponeses estavam em torno de mim, e pareciam discutindo se minha recuperação era possível. Assim que pude emitir um som articulado, eu perguntei por Agnes. Qual não foi minha surpresa e angústia, quando me asseguraram que ninguém havia sido visto respondendo à descrição que eu dei dela! Eles me disseram que, ao irem para seu trabalho diário, haviam sido alarmados ao observar os fragmentos de minha Carroça, e ao ouvir os gemidos de um Cavalo, o único dos quatro que restava vivo: Os outros Três jaziam mortos ao meu lado. Ninguém estava perto de mim quando eles chegaram, e muito tempo havia sido perdido antes que eles conseguissem me recuperar. Ansioso além da expressão pela sorte de minha Companheira, eu supliquei aos Camponeses que se dispersassem em busca dela: Eu descrevi seu vestido, e prometi recompensas imensas a quem me trouxesse qualquer informação. Quanto a mim, era impossível que eu me juntasse à busca: Eu havia quebrado duas de minhas costelas na queda: Meu braço estava deslocado e pendia inutilmente ao meu lado; e minha perna esquerda estava tão terrivelmente esmagada, que eu nunca esperava recuperar seu uso.
Os Camponeses cumpriram meu pedido: Todos me deixaram, exceto Quatro, que fizeram uma maca de galhos e se prepararam para me levar à Cidade vizinha. Eu perguntei seu nome. Era Ratisbon, e eu mal podia me persuadir de que havia viajado a tal distância em uma única noite. Eu disse aos Camponeses que, às uma da manhã daquele dia, eu havia passado pela Vila de Rosenwald. Eles balançaram a cabeça duvidosamente, e fizeram sinais uns aos outros de que eu devia estar certamente delirante. Fui levado a uma Estalagem decente e imediatamente posto na cama. Um Médico foi chamado, que ajustou meu braço com sucesso. Ele então examinou meus outros ferimentos, e me disse que eu não precisava me preocupar com as consequências de nenhum deles; Mas ordenou que eu me mantivesse quieto, e me preparasse para uma cura tediosa e dolorosa. Eu respondi que, se Ele esperava me manter quieto, Ele devia primeiro tentar me dar alguma notícia de uma Senhora que havia saído de Rosenwald em minha companhia na noite anterior, e que estava comigo no momento em que a Carroça quebrou. Ele sorriu, e apenas respondeu, aconselhando-me a me acalmar, pois que todos os cuidados adequados seriam tomados comigo. Ao sair, a Hospedeira o encontrou à porta do quarto.
“O Cavalheiro não está totalmente em seu juízo;” Eu o ouvi dizer a ela em voz baixa; “É a consequência natural de sua queda, mas isso logo passará.”
Um após o outro, os Camponeses retornaram à Estalagem, e me informaram que nenhum traço havia sido descoberto de minha infeliz Amada.
A ansiedade agora se tornou desespero. Eu os supliquei a renovar sua busca nos termos mais urgentes, dobrando as promessas que já havia feito. Meu modo selvagem e frenético confirmou os espectadores na ideia de meu delírio. Nenhum sinal da Senhora tendo aparecido, eles acreditavam que ela era uma criatura fabricada por meu cérebro superaquecido, e não prestaram atenção a minhas súplicas. No entanto, a Hospedeira me assegurou que uma nova busca seria feita, mas eu descobri depois que sua promessa foi apenas dada para me acalmar. Nenhum passo adicional foi tomado no caso.
Embora minha Bagagem estivesse deixada em Munique sob os cuidados de meu Servo Francês, tendo me preparado para uma longa jornada, meu bolso estava abundantemente fornecido: Além disso, minha equipagem me provava ser de distinção, e em consequência, toda a atenção possível me foi prestada na Estalagem. O dia passou: Ainda nenhuma notícia chegou de Agnes. A ansiedade do medo agora deu lugar à desolação. Eu cessei de gritar por ela e fui mergulhado na profundidade de reflexões melancólicas. Percebendo-me silencioso e tranquilo, meus Atendentes acreditavam que meu delírio havia diminuído, e que meu mal havia tomado um rumo favorável. De acordo com a ordem do Médico, eu engoli um remédio calmante; e assim que a noite caiu, meus atendentes se retiraram e me deixaram para repousar.
Conceba minha surpresa, Lorenzo, ao descobrir na pessoa de meu Salvador Don Gaston de Medina: Isso só foi igualado por minha satisfação secreta ao saber que Agnes estava no Convento de Santa Clara. Esta última sensação foi um pouco enfraquecida, quando, em resposta às minhas perguntas aparentemente indiferentes, Ele me disse que sua Filha realmente havia tomado o véu. Eu não deixei que minha tristeza por essa circunstância se enraizasse em minha mente: Eu me iludia com a ideia de que a influência de meu Tio, o Cardeal-Duque, na Corte de Roma removeria esse obstáculo, e que, sem dificuldade, eu obteria para minha Amada uma dispensa de seus votos. Apoiado por essa esperança, eu acalmei a inquietação de meu peito; e eu redobrei meus esforços para parecer grato pela atenção e satisfeito com a companhia de Don Gaston.
Um Doméstico entrou no quarto e me informou que o Salteador que eu havia ferido mostrava sinais de vida. Eu pedi que Ele fosse levado ao Hotel de meu Pai, e que, assim que recuperasse a voz, eu o interrogaria sobre seus motivos para tentar minha vida. Fui respondido que Ele já estava capaz de falar, embora com dificuldade: A curiosidade de Don Gaston o fez me pressionar a interrogar o Assassino em sua presença, mas essa curiosidade eu não estava de modo algum inclinado a satisfazer. Uma razão era que, duvidando de onde vinha o golpe, eu não queria colocar diante dos olhos de Don Gaston a culpa de uma Irmã: Outra era que eu temia ser reconhecido como Alphonso d’Alvarada, e que precauções fossem tomadas em consequência para me manter longe da vista de Agnes. Confessar minha paixão por sua Filha e tentar fazê-lo entrar em meus esquemas, o que eu sabia do caráter de Don Gaston me convencia de que seria um passo imprudente: e, considerando essencial que Ele me conhecesse como nenhum outro além do Condé de las Cisternas, eu estava determinado a não deixá-lo ouvir a confissão do Salteador. Eu insinuei a ele que, como eu suspeitava que uma Senhora estivesse envolvida no caso, cujo nome poderia escapar acidentalmente do Assassino, era necessário que eu examinasse o Homem em particular. A delicadeza de Don Gaston não permitiu que ele insistisse no ponto por mais tempo, e, em consequência, o Salteador foi levado ao meu Hotel.
Na Manhã seguinte, eu me despedi de meu Anfitrião, que deveria retornar ao Duque no mesmo dia. Meus ferimentos haviam sido tão triviais que, exceto por ser obrigado a usar meu braço em uma tipoia por um curto período, eu não sentia nenhum incômodo da aventura noturna. O Cirurgião que examinou o ferimento do Salteador o declarou mortal: Ele teve apenas tempo de confessar que havia sido instigado a me matar pela vingativa Donna Rodolpha, e expirou em poucos minutos depois.
Todos os meus pensamentos agora estavam voltados para conseguir falar com minha amada Freira. Theodore se pôs a trabalhar, e desta vez com melhor sucesso. Ele atacou o Jardineiro de Santa Clara tão fortemente com subornos e promessas que o Velho Homem foi inteiramente ganho para meus interesses; e foi combinado que eu seria introduzido no Convento no caráter de seu Assistente. O plano foi posto em execução sem demora. Disfarçado em um traje comum, e um tapa-olho preto cobrindo um de meus olhos, eu fui apresentado à Senhora Prioresa, que se dignou a aprovar a escolha do Jardineiro. Eu imediatamente entrei em meu emprego. A Botânica tendo sido um estudo favorito para mim, eu não estava de modo algum perdido em minha nova estação. Por alguns dias, eu continuei a trabalhar no Jardim do Convento sem encontrar o Objeto de meu disfarce: Na quarta Manhã, eu tive mais sucesso. Eu ouvi a voz de Agnes, e estava me apressando em direção ao som, quando a visão da Domina me parou. Eu me retirei com cautela e me escondi atrás de um denso grupo de Árvores.
A Prioresa avançou e se sentou com Agnes em um Banco não muito distante. Eu ouvi ela, em tom irritado, culpar sua Companheira por sua melancolia contínua: Ela lhe disse que, em sua situação, chorar a perda de qualquer Amante era um crime; Mas que chorar a perda de um Amante infiel era tolice e absurdo no extremo. Agnes respondeu em voz tão baixa que eu não pude distinguir suas palavras, mas percebi que Ela usava termos de gentileza e submissão. A conversa foi interrompida pela chegada de uma jovem Pensionista que informou à Domina que Ela era esperada no Parlatório. A velha Senhora se levantou, beijou a face de Agnes, e se retirou. A recém-chegada permaneceu. Agnes falou muito a ela em elogio de alguém que eu não consegui identificar, mas sua Ouvinte parecia altamente encantada e interessada pela conversa. A Freira lhe mostrou várias cartas; A Outra as leu com prazer evidente, obteve permissão para copiá-las, e se retirou para esse propósito, para minha grande satisfação.
Assim que Ela saiu de vista, eu saí de meu esconderijo. Temendo alarmar minha amada Senhora, eu me aproximei dela suavemente, pretendendo me revelar gradualmente. Mas quem, por um momento, pode enganar os olhos do amor? Ela ergueu a cabeça ao meu aproximar, e me reconheceu apesar de meu disfarce em um único olhar. Ela se levantou apressadamente de seu assento com uma exclamação de surpresa, e tentou se retirar; Mas eu a segui, a detive, e supliquei para ser ouvido. Persuadida de minha falsidade, Ela se recusou a me ouvir, e me ordenou positivamente que saísse do Jardim. Agora era minha vez de recusar. Eu proteste que, por mais perigosas que fossem as consequências, eu não a deixaria até que Ela tivesse ouvido minha justificação. Eu lhe assegurei que Ela havia sido enganada pelas artimanhas de seus Parentes; que eu podia convencê-la além da dúvida de que minha paixão havia sido pura e desinteressada; e eu perguntei a ela o que me levaria a buscá-la no Convento, se eu fosse influenciado pelos motivos egoístas que meus Inimigos haviam me atribuído.
Minhas súplicas, meus argumentos, e votos de não a deixar até que Ela tivesse prometido me ouvir, unidos a seus medos de que as Freiras me vissem com ela, a sua curiosidade natural, e ao afeto que Ela ainda sentia por mim apesar de minha suposta deserção, por fim prevaleceram. Ela me disse que conceder meu pedido naquele momento era impossível; Mas Ela se comprometeu a estar no mesmo local às onze da noite, e a conversar comigo pela última vez. Tendo obtido essa promessa, eu liberei sua mão, e Ela fugiu de volta para o Convento.
Eu comuniquei meu sucesso ao meu Aliado, o velho Jardineiro: Ele apontou um esconderijo onde eu poderia me abrigar até a noite sem medo de ser descoberto. Para lá eu me dirigi no horário em que eu deveria ter me retirado com meu suposto Mestre, e esperei ansiosamente pela hora marcada. A Noite chegou. A Lua estava cheia. Assim que o Relógio bateu onze, eu me apressei para meu encontro, determinado a não chegar tarde demais. Theodore havia providenciado uma Escada; Eu subi o muro do Jardim sem dificuldade; O Pajem me seguiu, e puxou a Escada após nós. Eu me posicionei no Pavilhão Oeste, e esperei ansiosamente pela aproximação de Agnes. Cada brisa que sussurrava, cada folha que caía, eu acreditava ser seu passo, e me apressava em recebê-la. Assim, fui obrigado a passar uma hora inteira, cada minuto da qual parecia a mim uma era. O Sino do Castelo finalmente tocou meia-noite, e mal podia eu acreditar que a noite não estava mais adiantada. Outro quarto de hora se passou, e ouvi o passo leve de minha Amada se aproximando do Pavilhão com precaução. Eu voei para recebê-la, e a conduzi a um assento. Eu me joguei a seus pés, e estava expressando minha alegria em vê-la, quando Ela assim me interrompeu.
“Não temos tempo a perder, Alphonso: Os momentos são preciosos, pois, embora não mais uma Prisioneira, Cunegonda observa cada passo meu. Um expresso chegou de meu Pai; Devo partir imediatamente para Madrid, e foi com dificuldade que obtive uma semana de adiamento. A superstição de meus Pais, apoiada pelas representações de minha cruel Tia, não me deixa esperança de amolecê-los à compaixão. Nesta situação, resolvi me confiar à sua honra: Deus conceda que você nunca me dê causa para me arrepender de minha resolução! A fuga é meu único recurso contra os horrores de um Convento, e minha imprudência deve ser desculpada pela urgência do perigo. Agora, escute o plano pelo qual espero efetuar minha fuga.
“Estamos agora no trigésimo de abril. No quinto dia a partir deste, a Freira Visionária é esperada para aparecer. Em minha última visita ao Convento, providenciei-me com um vestido adequado para o personagem: Uma Amiga, que deixei lá e a quem não fiz escrúpulo de confiar meu segredo, prontamente consentiu em me fornecer um hábito religioso. Forneça uma carruagem, e esteja com ela a uma pequena distância do grande Portão do Castelo. Assim que o Relógio bater uma, eu sairei de meu quarto, vestida no mesmo traje que o Fantasma é suposto usar. Quem quer que me encontre estará tão aterrorizado que não se oporá à minha fuga. Eu facilmente alcançarei a porta, e me jogarei sob sua proteção. Até aqui, o sucesso é certo: Mas Oh! Alphonso, se você me decepcionar! Se você desprezar minha imprudência e a recompensar com ingratidão, o Mundo não conterá um Ser mais infeliz que eu! Eu sinto todos os perigos aos quais estarei exposta. Eu sinto que estou lhe dando um direito de me tratar com leviandade: Mas eu confio em seu amor, em sua honra! O passo que estou prestes a dar, incitará meus Parentes contra mim: Se você me desertar, se você trair a confiança depositada em você, eu não terei amigo para punir seu insulto, ou apoiar minha causa. Em você sozinho repousa toda minha esperança, e se seu próprio coração não pleitear em meu favor, estou perdida para sempre!”
O tom com que Ela pronunciou essas palavras era tão comovente, que, apesar de minha alegria ao receber sua promessa de me seguir, não pude deixar de ser afetado. Eu também me arrependi em segredo por não ter tomado a precaução de providenciar uma Carroça na Vila, caso em que eu poderia ter levado Agnes naquela mesma noite. Tal tentativa agora era impraticável: Nem Carroça nem Cavalos estavam disponíveis mais perto do que Munique, o que ficava a dois dias de viagem de Lindenberg. Eu, portanto, fui obrigado a seguir seu plano, que, na verdade, parecia bem organizado: Seu disfarce a protegeria de ser impedida ao sair do Castelo, e lhe permitiria entrar na Carroça no próprio Portão sem dificuldade ou perda de tempo.
Agnes reclinou sua cabeça tristemente em meu ombro, e à luz da Lua, vi lágrimas escorrendo por seu rosto. Eu me esforcei para dissipar sua melancolia e a encorajei a olhar para o futuro com esperança. Eu proteste solenemente que sua virtude e inocência estariam seguras em minhas mãos, e que, até que a igreja a tornasse minha esposa legítima, sua honra seria para mim tão sagrada quanto a de uma Irmã. Eu lhe disse que meu primeiro cuidado seria encontrar você, Lorenzo, e reconciliá-lo com nossa união; e eu continuava a falar nesse tom, quando um barulho do lado de fora me alarmou. De repente, a porta do Pavilhão foi aberta, e Cunegonda estava diante de nós. Ela havia ouvido Agnes sair de seu quarto, a seguiu até o Jardim, e percebeu sua entrada no Pavilhão. Favorecida pelas Árvores que o cercavam, e sem ser percebida por Theodore que esperava a uma pequena distância, Ela se aproximou em silêncio e ouviu toda nossa conversa.
“Admirável!” gritou Cunegonda em uma voz estridente de raiva, enquanto Agnes soltava um grito alto; “Por São Bárbara, jovem Senhora, você tem uma excelente invenção! Você deve personificar a Freira Sangrenta, verdade? Que impiedade! Que incredulidade! Bem, eu tenho uma boa vontade de deixá-la seguir seu plano: Quando o verdadeiro Fantasma a encontrar, garanto que você estará em uma situação bem desagradável! Don Alphonso, você deveria ter vergonha de si mesmo por seduzir uma jovem Criatura ingênua a deixar sua família e Amigos: No entanto, pelo menos desta vez, eu frustarei seus planos malignos. A nobre Senhora será informada de todo o caso, e Agnes deve adiar seu papel de Espectro até uma melhor oportunidade. Adeus, Senhor— Donna Agnes, tenho a honra de conduzir sua Ghost-ship de volta ao seu aposento.”
Ela se aproximou do Sofá onde sua Pupila tremia estava sentada, pegou-a pela mão, e se preparou para levá-la do Pavilhão.
Eu a detive, e tentei por meio de súplicas, suavidade, promessas e lisonjas, ganhar sua adesão ao meu partido: Mas, vendo que tudo o que eu dizia era em vão, abandonei a vã tentativa.
“Sua teimosia deve ser seu próprio castigo,” disse eu; “Mas um recurso permanece para salvar Agnes e a mim, e não hesitarei em empregá-lo.”
Assustada com essa ameaça, Ela novamente tentou sair do Pavilhão; Mas eu a segurei pelo pulso, e a detive à força. No mesmo momento, Theodore, que havia seguido ela até o quarto, fechou a porta, e impediu sua fuga. Eu peguei o véu de Agnes: Eu o envolvi em torno da cabeça da Dama, que soltou gritos tão agudos que, apesar de nossa distância do Castelo, eu temia que fossem ouvidos. Por fim, consegui amordaçá-la tão completamente que Ela não podia produzir um único som. Theodore e eu, com alguma dificuldade, conseguimos amarrar suas mãos e pés com nossos lenços; E eu aconselhei Agnes a retornar a seu quarto com toda diligência. Eu prometi que nenhum mal aconteceria a Cunegonda, pedi que ela se lembrasse de que no dia cinco de maio eu estaria esperando no Grande Portão do Castelo, e me despedi dela com um abraço afetuoso. Tremendo e ansiosa, Ela mal teve forças para significar seu consentimento a meus planos, e fugiu de volta a seu aposento em desordem e confusão.
Enquanto isso, Theodore me ajudou a levar minha presa antiquada. Ela foi içada sobre o muro, colocada na frente de meu Cavalo como uma Mala, e eu galopei com ela para longe do Castelo de Lindenberg. A infeliz Dama nunca havia feito uma viagem mais desagradável em sua vida: Ela foi sacudida e chacoalhada até se tornar pouco mais que uma Múmia animada; para não mencionar seu susto quando atravessamos um pequeno Rio, através do qual era necessário passar para chegar à Vila. Antes de chegarmos à Estalagem, eu já havia decidido como lidar com a incômoda Cunegonda. Entramos na Rua onde a Estalagem estava, e enquanto o Pajem batia, eu esperei a uma pequena distância. O Hospedeiro abriu a porta com uma Lâmpada na mão.
“Dê-me a luz!” disse Theodore; “Meu Senhor está chegando.”
Ele pegou a Lâmpada apressadamente, e propositalmente a deixou cair no chão: O Hospedeiro retornou à Cozinha para reacender a Lâmpada, deixando a porta aberta. Eu aproveitei a escuridão, saltei de meu Cavalo com Cunegonda em meus braços, subi as escadas, alcancei meu quarto sem ser percebido, e, trancando a porta de um amplo Armário, a coloquei dentro, e então virei a Chave. O Hospedeiro e Theodore logo depois apareceram com luzes: O Primeiro expressou alguma surpresa por eu ter retornado tão tarde, mas não fez perguntas impertinentes. Ele logo saiu do quarto, e me deixou exultar no sucesso de minha empreitada.
Eu imediatamente visitei minha Prisioneira. Eu tentei persuadi-la a se submeter com paciência a seu confinamento temporário. Minha tentativa foi infrutífera. Incapaz de falar ou se mover, Ela expressou sua raiva por seus olhares, e, exceto nas refeições, eu nunca a desamarrava ou a libertava da Mordaça. Nesses momentos, eu ficava sobre ela com uma espada desembainhada, e protestava que, se Ela emitisse um único grito, eu a mergulharia em seu peito. Assim que Ela terminava de comer, a Mordaça era recolocada. Eu estava consciente de que esse procedimento era cruel, e só podia ser justificado pela urgência das circunstâncias: Quanto a Theodore, Ele não tinha escrúpulos sobre o assunto. O cativeiro de Cunegonda o divertia além da medida. Durante sua estadia no Castelo, uma guerra contínua havia sido travada entre ele e a Dama; e agora que Ele a encontrava tão absolutamente em seu poder, Ele triunfava sem misericórdia. Ele parecia pensar em nada além de encontrar novos meios de atormentá-la: Às vezes, Ele fingia piedade por sua desgraça, então ria, abusava e imitava ela; Ele lhe pregava mil peças, cada uma mais provocante que a outra, e se divertia contando a ela que seu desaparecimento deve ter causado grande surpresa no Barão. Isso, de fato, era o caso. Ninguém, exceto Agnes, podia imaginar o que havia acontecido com Dame Cunegonda: Cada buraco e canto foi revistado por ela; Os Lagos foram dragados, e os Bosques sofreram uma exame minucioso. Ainda assim, nenhuma Dame Cunegonda apareceu. Agnes guardou o segredo, e eu guardei a Dama: A Baronesa, portanto, permaneceu em total ignorância sobre o destino da Mulher velha, mas suspeitava que ela havia morrido por suicídio. Assim passaram cinco dias, durante os quais eu havia preparado tudo necessário para minha empreitada. Ao sair de Agnes, eu havia feito meu primeiro negócio de despachar um Camponês com uma carta para Lucas em Munique, ordenando-lhe que tomasse cuidado para que uma Carroça e quatro Cavalos chegassem por volta das dez horas do dia cinco de maio à Vila de Rosenwald. Ele obedeceu minhas instruções pontualmente: A Equipagem chegou no horário marcado. À medida que o período de fuga de sua Senhora se aproximava, a raiva de Cunegonda aumentava. Eu sinceramente acredito que o despeito e a paixão a teriam matado, se eu não tivesse, felizmente, descoberto sua preferência pelo Cherry Brandy. Com essa bebida favorita, Ela foi abundantemente fornecida, e Theodore sempre permanecendo para guardá-la, a Mordaça era ocasionalmente removida. O licor parecia ter um efeito maravilhoso em suavizar a acrimônia de sua natureza; e seu confinamento não admitindo outro divertimento, Ela ficava bêbada regularmente uma vez por dia, apenas para passar o tempo.
O dia cinco de maio chegou, um período por mim nunca a ser esquecido! Antes que o Relógio batesse meia-noite, eu me dirigi ao local da ação. Theodore me seguiu a cavalo. Eu escondi a Carroça em uma ampla Caverna da Colina, no cujo topo o Castelo estava situado: Esta Caverna era de considerável profundidade, e entre os camponeses era conhecida pelo nome de Buraco de Lindenberg. A noite estava calma e bela: Os raios da Lua caíam sobre as antigas Torres do Castelo, e lançavam sobre seus topos uma luz prateada. Tudo estava silencioso ao meu redor: Nada era ouvido, exceto a brisa noturna sussurrando entre as folhas, o latido distante de Cães de Vila, ou a Coruja que havia se estabelecido em um nicho da abandonada Torre Oriental. Eu ouvi seu grito melancólico, e olhei para cima. Ela estava sobre o parapeito de uma janela, que eu reconheci ser a do quarto assombrado. Isso me trouxe à memória a história da Freira Sangrenta, e eu suspirei enquanto refletia sobre a influência da superstição e a fraqueza da razão humana. De repente, ouvi um coro fraco romper o silêncio da noite.
“O que pode causar esse barulho, Theodore?”
“Um Estranho de distinção,” respondeu ele, “passou pela Vila hoje em seu caminho para o Castelo: Ele é relatado ser o Pai de Donna Agnes. Sem dúvida, o Barão deu um entretenimento para celebrar sua chegada.”
O Sino do Castelo anunciou a hora da meia-noite: Este era o sinal usual para a família se retirar para a Cama. Logo depois, percebi luzes no Castelo se movendo para trás e para frente em diferentes direções. Eu conjecturei que a companhia estava se separando. Eu podia ouvir as portas pesadas rangendo enquanto se abriam com dificuldade, e ao se fecharem novamente, as Janelas podres tremiam em suas molduras. O quarto de Agnes ficava no outro lado do Castelo. Eu temia que Ela não tivesse conseguido a Chave do quarto assombrado: Através deste, era necessário que ela passasse para alcançar a estreita Escada pela qual o Fantasma era suposto descer ao grande Salão. Agitado por essa apreensão, eu mantinha meus olhos constantemente fixos na janela, onde eu esperava perceber o brilho amigável de uma Lâmpada carregada por Agnes. Eu agora ouvi os pesados Portões serem destrancados. Pela vela em sua mão, eu distingui o velho Conrad, o Porteiro. Ele abriu as Portas do Portal bem largas, e se retirou. As luzes no Castelo gradualmente desapareceram, e por fim, todo o Edifício foi envolto em escuridão.
Enquanto eu estava sentado sobre um pedaço quebrado da colina, a tranquilidade da cena me inspirou com ideias melancólicas, mas não desagradáveis. O Castelo que estava totalmente à minha vista, formava um objeto igualmente imponente e pitoresco. Suas Paredes ponderosas tingidas pela lua com brilho solene, suas Torres antigas e parcialmente arruinadas se erguendo nas nuvens e parecendo desafiar as planícies ao redor, seus altos parapeitos cobertos de hera, e seus Portões dobráveis se expandindo em honra do Habitante Visionário, me tornaram sensível a um medo reverencial e triste. No entanto, essas sensações não me ocuparam tão completamente, a ponto de me impedir de testemunhar com impaciência o lento progresso do tempo. Eu me aproximei do Castelo, e me aventurei a caminhar ao redor dele. Alguns raios de luz ainda brilhavam no quarto de Agnes. Eu os observei com alegria. Eu ainda estava olhando para eles, quando percebi uma figura se aproximar da janela, e a Cortina foi cuidadosamente fechada para esconder a Lâmpada que queimava lá. Convencido por essa observação de que Agnes não havia abandonado nosso plano, eu retornei com um coração leve para meu posto anterior.
A meia-hora bateu! Os três quartos bateram! Meu peito batia alto com esperança e expectativa. Por fim, o som tão desejado foi ouvido. O Sino tocou “Uma”, e a Mansão ecoou com o barulho alto e solene. Eu olhei para a Janela do quarto assombrado. Mal haviam se passado cinco minutos, quando a luz esperada apareceu. Eu estava agora perto da Torre. A janela não estava tão longe do Chão, mas que eu imaginava perceber uma figura feminina com uma Lâmpada na mão se movendo lentamente pelo Apartamento. A luz logo desapareceu, e tudo estava novamente escuro e sombrio.
Brilhos ocasionais de luz irradiavam da Escada à medida que a linda Fantasma passava por elas. Eu tracei a luz através do Salão: Ela alcançou o Portal, e por fim, eu vi Agnes passar pelos Portões dobráveis. Ela estava vestida exatamente como Ela havia descrito o Espectro. Um rosário de Contas pendia em seu braço; sua cabeça estava envolta em um longo véu branco; Seu vestido de Freira estava manchado de sangue, e Ela havia tomado cuidado para providenciar uma Lâmpada e uma faca. Ela avançou em direção ao local onde eu estava. Eu voei para recebê-la, e a abracei em meus braços.
“Agnes!” disse eu enquanto a pressionava contra meu peito,
Agnes! Agnes! Tu és minha! Agnes! Agnes! Eu sou teu! Em minhas veias enquanto o sangue rolar, Tu és minha! Eu sou teu! Teu meu corpo! Tua minha alma!
Assustada e ofegante, Ela não conseguia falar: Ela deixou cair sua Lâmpada e faca, e desmaiou em meu peito em silêncio. Eu a levantei em meus braços, e a conduzi à Carroça. Theodore permaneceu para trás para libertar Dame Cunegonda. Eu também o encarreguei de uma carta para a Baronesa explicando todo o caso, e suplicando seus bons ofícios em reconciliar Don Gaston com minha união com sua Filha. Eu revelei a ela meu verdadeiro nome: Eu provei a ela que meu nascimento e expectativas me justificavam em pretender sua Sobrinha, e lhe assegurei que, embora estivesse fora de meu poder retornar seu amor, eu me esforçaria incessantemente para obter sua estima e amizade.
Eu entrei na Carroça, onde Agnes já estava sentada. Theodore fechou a porta, e os Postilhões partiram. Inicialmente, eu estava encantado com a rapidez de nosso progresso; Mas assim que estivemos fora de perigo de perseguição, eu pedi aos Condutores que moderassem seu passo. Eles tentaram em vão me obedecer. Os Cavalos se recusaram a responder às rédeas, e continuaram a correr com velocidade surpreendente. Os Postilhões redobraram seus esforços para detê-los, mas, chutando e se debatendo, os Animais logo se libertaram dessa restrição. Soltando um grito alto, os Condutores foram arremessados ao chão. Imediatamente, nuvens espessas obscureceram o céu: Os ventos uivaram ao nosso redor, os raios brilharam, e o Trovão rugiu tremendamente. Nunca vi uma Tempestade tão terrível! Assustados pelo estrondo de elementos em conflito, os Cavalos pareciam a cada momento aumentar sua velocidade. Nada podia interromper sua carreira; Eles arrastaram a Carroça através de Sebes e Valas, desceram os precipícios mais perigosos, e pareciam competir em velocidade com a rapidez dos ventos.
Todo esse tempo, minha Companheira estava inanimada em meus braços. Verdadeiramente alarmado com a magnitude do perigo, eu tentava em vão召 chamá-la de volta a seus sentidos; quando um estrondo alto anunciou que uma parada foi colocada em nosso progresso da maneira mais desagradável. A Carroça foi destruída em pedaços. Ao cair, eu bati minha têmpora contra uma pedra. A dor da ferida, a violência do choque, e a apreensão pela segurança de Agnes combinadas para me sobrecarregar tão completamente, que meus sentidos me abandonaram, e eu caí sem animação no chão.
Eu provavelmente permaneci por algum tempo nesta situação, pois quando abri os olhos, era pleno dia. Vários Camponeses estavam em torno de mim, e pareciam discutindo se minha recuperação era possível. Assim que pude emitir um som articulado, eu perguntei por Agnes. Qual não foi minha surpresa e angústia, quando me asseguraram que ninguém havia sido visto respondendo à descrição que eu dei dela! Eles me disseram que, ao irem para seu trabalho diário, haviam sido alarmados ao observar os fragmentos de minha Carroça, e ao ouvir os gemidos de um Cavalo, o único dos quatro que restava vivo: Os outros Três jaziam mortos ao meu lado. Ninguém estava perto de mim quando eles chegaram, e muito tempo havia sido perdido antes que eles conseguissem me recuperar. Ansioso além da expressão pela sorte de minha Companheira, eu supliquei aos Camponeses que se dispersassem em busca dela: Eu descrevi seu vestido, e prometi recompensas imensas a quem me trouxesse qualquer informação. Quanto a mim, era impossível que eu me juntasse à busca: Eu havia quebrado duas de minhas costelas na queda: Meu braço estava deslocado e pendia inutilmente ao meu lado; e minha perna esquerda estava tão terrivelmente esmagada, que eu nunca esperava recuperar seu uso.
Os Camponeses cumpriram meu pedido: Todos me deixaram, exceto Quatro, que fizeram uma maca de galhos e se prepararam para me levar à Cidade vizinha. Eu perguntei seu nome. Era Ratisbon, e eu mal podia me persuadir de que havia viajado a tal distância em uma única noite. Eu disse aos Camponeses que, às uma da manhã daquele dia, eu havia passado pela Vila de Rosenwald. Eles balançaram a cabeça duvidosamente, e fizeram sinais uns aos outros de que eu devia estar certamente delirante. Fui levado a uma Estalagem decente e imediatamente posto na cama. Um Médico foi chamado, que ajustou meu braço com sucesso. Ele então examinou meus outros ferimentos, e me disse que eu não precisava me preocupar com as consequências de nenhum deles; Mas ordenou que eu me mantivesse quieto, e me preparasse para uma cura tediosa e dolorosa. Eu respondi que, se Ele esperava me manter quieto, Ele devia primeiro tentar me dar alguma notícia de uma Senhora que havia saído de Rosenwald em minha companhia na noite anterior, e que estava comigo no momento em que a Carroça quebrou. Ele sorriu, e apenas respondeu, aconselhando-me a me acalmar, pois que todos os cuidados adequados seriam tomados comigo. Ao sair, a Hospedeira o encontrou à porta do quarto.
“O Cavalheiro não está totalmente em seu juízo;” Eu o ouvi dizer a ela em voz baixa; “É a consequência natural de sua queda, mas isso logo passará.”
Um após o outro, os Camponeses retornaram à Estalagem, e me informaram que nenhum traço havia sido descoberto de minha infeliz Amada.
A ansiedade agora se tornou desespero. Eu os supliquei a renovar sua busca nos termos mais urgentes, dobrando as promessas que já havia feito. Meu modo selvagem e frenético confirmou os espectadores na ideia de meu delírio. Nenhum sinal da Senhora tendo aparecido, eles acreditavam que ela era uma criatura fabricada por meu cérebro superaquecido, e não prestaram atenção a minhas súplicas. No entanto, a Hospedeira me assegurou que uma nova busca seria feita, mas eu descobri depois que sua promessa foi apenas dada para me acalmar. Nenhum passo adicional foi tomado no caso.
Embora minha Bagagem estivesse deixada em Munique sob os cuidados de meu Servo Francês, tendo me preparado para uma longa jornada, meu bolso estava abundantemente fornecido: Além disso, minha equipagem me provava ser de distinção, e em consequência, toda a atenção possível me foi prestada na Estalagem. O dia passou: Ainda nenhuma notícia chegou de Agnes. A ansiedade do medo agora deu lugar à desolação. Eu cessei de gritar por ela e fui mergulhado na profundidade de reflexões melancólicas. Percebendo-me silencioso e tranquilo, meus Atendentes acreditavam que meu delírio havia diminuído, e que meu mal havia tomado um rumo favorável. De acordo com a ordem do Médico, eu engoli um remédio calmante; e assim que a noite caiu, meus atendentes se retiraram e me deixaram para repousar.
Conceba minha surpresa, Lorenzo, ao descobrir na pessoa de meu Salvador Don Gaston de Medina: Isso só foi igualado por minha satisfação secreta ao saber que Agnes estava no Convento de Santa Clara. Esta última sensação foi um pouco enfraquecida, quando, em resposta às minhas perguntas aparentemente indiferentes, Ele me disse que sua Filha realmente havia tomado o véu. Eu não deixei que minha tristeza por essa circunstância se enraizasse em minha mente: Eu me iludia com a ideia de que a influência de meu Tio, o Cardeal-Duque, na Corte de Roma removeria esse obstáculo, e que, sem dificuldade, eu obteria para minha Amada uma dispensa de seus votos. Apoiado por essa esperança, eu acalmei a inquietação de meu peito; e eu redobrei meus esforços para parecer grato pela atenção e satisfeito com a companhia de Don Gaston.
Um Doméstico entrou no quarto e me informou que o Salteador que eu havia ferido mostrava sinais de vida. Eu desejei que Ele fosse levado ao Hotel de meu Pai, e que, assim que recuperasse a voz, eu o interrogaria sobre seus motivos para tentar minha vida. Fui respondido que Ele já estava capaz de falar, embora com dificuldade: A curiosidade de Don Gaston o fez me pressionar a interrogar o Assassino em sua presença, mas essa curiosidade eu não estava de modo algum inclinado a satisfazer. Uma razão era que, duvidando de onde vinha o golpe, eu não queria colocar diante dos olhos de Don Gaston a culpa de uma Irmã: Outra era que eu temia ser reconhecido como Alphonso d’Alvarada, e que precauções fossem tomadas em consequência para me manter longe da vista de Agnes. Confessar minha paixão por sua Filha e tentar fazê-lo entrar em meus esquemas, o que eu sabia do caráter de Don Gaston me convencia de que seria um passo imprudente: e, considerando essencial que Ele me conhecesse como nenhum outro além do Condé de las Cisternas, eu estava determinado a não deixá-lo ouvir a confissão do Salteador. Eu insinuei a ele que, como eu suspeitava que uma Senhora estivesse envolvida no caso, cujo nome poderia escapar acidentalmente do Assassino, era necessário que eu examinasse o Homem em particular. A delicadeza de Don Gaston não permitiu que ele insistisse no ponto por mais tempo, e, em consequência, o Salteador foi levado ao meu Hotel.
Na Manhã seguinte, eu me despedi de meu Anfitrião, que deveria retornar ao Duque no mesmo dia. Meus ferimentos haviam sido tão triviais que, exceto por ser obrigado a usar meu braço em uma tipoia por um curto período, eu não sentia nenhum incômodo da aventura noturna. O Cirurgião que examinou o ferimento do Salteador o declarou mortal: Ele teve apenas tempo de confessar que havia sido instigado a me matar pela vingativa Donna Rodolpha, e expirou em poucos minutos depois.
Todos os meus pensamentos agora estavam voltados para conseguir falar com minha amada Freira. Theodore se pôs a trabalhar, e desta vez com melhor sucesso. Ele atacou o Jardineiro de Santa Clara tão fortemente com subornos e promessas que o Velho Homem foi inteiramente ganho para meus interesses; e foi combinado que eu seria introduzido no Convento no caráter de seu Assistente. O plano foi posto em execução sem demora. Disfarçado em um traje comum, e um tapa-olho preto cobrindo um de meus olhos, eu fui apresentado à Senhora Prioresa, que se dignou a aprovar a escolha do Jardineiro. Eu imediatamente entrei em meu emprego. A Botânica tendo sido um estudo favorito para mim, eu não estava de modo algum perdido em minha nova estação. Por alguns dias, eu continuei a trabalhar no Jardim do Convento sem encontrar o Objeto de meu disfarce: Na quarta Manhã, eu tive mais sucesso. Eu ouvi a voz de Agnes, e estava me apressando em direção ao som, quando a visão da Domina me parou. Eu me retirei com cautela e me escondi atrás de um denso grupo de Árvores.
A Prioresa avançou e se sentou com Agnes em um Banco não muito distante. Eu ouvi ela, em tom irritado, culpar sua Companheira por sua melancolia contínua: Ela lhe disse que, em sua situação, chorar a perda de qualquer Amante era um crime; Mas que chorar a perda de um Amante infiel era tolice e absurdo no extremo. Agnes respondeu em voz tão baixa que eu não pude distinguir suas palavras, mas percebi que Ela usava termos de gentileza e submissão. A conversa foi interrompida pela chegada de uma jovem Pensionista que informou à Domina que Ela era esperada no Parlatório. A velha Senhora se levantou, beijou a face de Agnes, e se retirou. A recém-chegada permaneceu. Agnes falou muito a ela em elogio de alguém que eu não consegui identificar, mas sua Ouvinte parecia altamente encantada e interessada pela conversa. A Freira lhe mostrou várias cartas; A Outra as leu com prazer evidente, obteve permissão para copiá-las, e se retirou para esse propósito, para minha grande satisfação.
Assim que Ela saiu de vista, eu saí de meu esconderijo. Temendo alarmar minha amada Senhora, eu me aproximei dela suavemente, pretendendo me revelar gradualmente. Mas quem, por um momento, pode enganar os olhos do amor? Ela ergueu a cabeça ao meu aproximar, e me reconheceu apesar de meu disfarce em um único olhar. Ela se levantou apressadamente de seu assento com uma exclamação de surpresa, e tentou se retirar; Mas eu a segui, a detive, e supliquei para ser ouvido. Persuadida de minha falsidade, Ela se recusou a me ouvir, e me ordenou positivamente que saísse do Jardim. Agora era minha vez de recusar. Eu proteste que, por mais perigosas que fossem as consequências, eu não a deixaria até que Ela tivesse ouvido minha justificação. Eu lhe assegurei que Ela havia sido enganada pelas artimanhas de seus Parentes; que eu podia convencê-la além da dúvida de que minha paixão havia sido pura e desinteressada; e eu perguntei a ela o que me levaria a buscá-la no Convento, se eu fosse influenciado pelos motivos egoístas que meus Inimigos haviam me atribuído.
Minhas súplicas, meus argumentos, e votos de não a deixar até que Ela tivesse prometido me ouvir, unidos a seus medos de que as Freiras me vissem com ela, a sua curiosidade natural, e ao afeto que Ela ainda sentia por mim apesar de minha suposta deserção, por fim prevaleceram. Ela me disse que conceder meu pedido naquele momento era impossível; Mas Ela se comprometeu a estar no mesmo local às onze da noite, e a conversar comigo pela última vez. Tendo obtido essa promessa, eu liberei sua mão, e Ela fugiu de volta para o Convento.
Eu comuniquei meu sucesso ao meu Aliado, o velho Jardineiro: Ele apontou um esconderijo onde eu poderia me abrigar até a noite sem medo de ser descoberto. Para lá eu me dirigi no horário em que eu deveria ter me retirado com meu suposto Mestre, e esperei ansiosamente pela hora marcada. A Noite chegou. A Lua estava cheia. Assim que o Relógio bateu onze, eu me apressei para meu encontro, determinado a não chegar tarde demais. Theodore havia providenciado uma Escada; Eu subi o muro do Jardim sem dificuldade; O Pajem me seguiu, e puxou a Escada após nós. Eu me posicionei no Pavilhão Oeste, e esperei ansiosamente pela aproximação de Agnes. Cada brisa que sussurrava, cada folha que caía, eu acreditava ser seu passo, e me apressava em recebê-la. Assim, fui obrigado a passar uma hora inteira, cada minuto da qual parecia a mim uma era. O Sino do Castelo finalmente tocou meia-noite, e mal podia eu acreditar que a noite não estava mais adiantada. Outro quarto de hora se passou, e ouvi o passo leve de minha Amada se aproximando do Pavilhão com precaução. Eu voei para recebê-la, e a conduzi a um assento. Eu me joguei a seus pés, e estava expressando minha alegria em vê-la, quando Ela assim me interrompeu.
“Não temos tempo a perder, Alphonso: Os momentos são preciosos, pois, embora não mais uma Prisioneira, Cunegonda observa cada passo meu. Um expresso chegou de meu Pai; Devo partir imediatamente para Madrid, e foi com dificuldade que obtive uma semana de adiamento. A superstição de meus Pais, apoiada pelas representações de minha cruel Tia, não me deixa esperança de amolecê-los à compaixão. Nesta situação, resolvi me confiar à sua honra: Deus conceda que você nunca me dê causa para me arrepender de minha resolução! A fuga é meu único recurso contra os horrores de um Convento, e minha imprudência deve ser desculpada pela urgência do perigo. Agora, escute o plano pelo qual espero efetuar minha fuga.
“Estamos agora no trigésimo de abril. No quinto dia a partir deste, a Freira Visionária é esperada para aparecer. Em minha última visita ao Convento, providenciei-me com um vestido adequado para o personagem: Uma Amiga, que deixei lá e a quem não fiz escrúpulo de confiar meu segredo, prontamente consentiu em me fornecer um hábito religioso. Forneça uma carruagem, e esteja com ela a uma pequena distância do grande Portão do Castelo. Assim que o Relógio bater uma, eu sairei de meu quarto, vestida no mesmo traje que o Fantasma é suposto usar. Quem quer que me encontre estará tão aterrorizado que não se oporá à minha fuga. Eu facilmente alcançarei a porta, e me jogarei sob sua proteção. Até aqui, o sucesso é certo: Mas Oh! Alphonso, se você me decepcionar! Se você desprezar minha imprudência e a recompensar com ingratidão, o Mundo não conterá um Ser mais infeliz que eu! Eu sinto todos os perigos aos quais estarei exposta. Eu sinto que estou lhe dando um direito de me tratar com leviandade: Mas eu confio em seu amor, em sua honra! O passo que estou prestes a dar, incitará meus Parentes contra mim: Se você me desertar, se você trair a confiança depositada em você, eu não terei amigo para punir seu insulto, ou apoiar minha causa. Em você sozinho repousa toda minha esperança, e se seu próprio coração não pleitear em meu favor, estou perdida para sempre!”
O tom com que Ela pronunciou essas palavras era tão comovente, que, apesar de minha alegria ao receber sua promessa de me seguir, não pude deixar de ser afetado. Eu também me arrependi em segredo por não ter tomado a precaução de providenciar uma Carroça na Vila, caso em que eu poderia ter levado Agnes naquela mesma noite. Tal tentativa agora era impraticável: Nem Carroça nem Cavalos estavam disponíveis mais perto do que Munique, o que ficava a dois dias de viagem de Lindenberg. Eu, portanto, fui obrigado a seguir seu plano, que, na verdade, parecia bem organizado: Seu disfarce a protegeria de ser impedida ao sair do Castelo, e lhe permitiria entrar na Carroça no próprio Portão sem dificuldade ou perda de tempo.
Agnes reclinou sua cabeça tristemente em meu ombro, e à luz da Lua, vi lágrimas escorrendo por seu rosto. Eu me esforcei para dissipar sua melancolia e a encorajei a olhar para o futuro com esperança. Eu proteste solenemente que sua virtude e inocência estariam seguras em minhas mãos, e que, até que a igreja a tornasse minha esposa legítima, sua honra seria para mim tão sagrada quanto a de uma Irmã. Eu lhe disse que meu primeiro cuidado seria encontrar você, Lorenzo, e reconciliá-lo com nossa união; e eu continuava a falar nesse tom, quando um barulho do lado de fora me alarmou. De repente, a porta do Pavilhão foi aberta, e Cunegonda estava diante de nós. Ela havia ouvido Agnes sair de seu quarto, a seguido até o Jardim, e percebeu sua entrada no Pavilhão. Favorecida pelas Árvores que o cercavam, e sem ser percebida por Theodore que esperava a uma pequena distância, Ela se aproximou em silêncio e ouviu toda nossa conversa.
“Admirável!” gritou Cunegonda em uma voz estridente de raiva, enquanto Agnes soltava um grito alto; “Por São Bárbara, jovem Senhora, você tem uma excelente invenção! Você deve personificar a Freira Sangrenta, verdade? Que impiedade! Que incredulidade! Bem, eu tenho uma boa vontade de deixá-la seguir seu plano: Quando o verdadeiro Fantasma a encontrar, garanto que você estará em uma situação bem desagradável! Don Alphonso, você deveria ter vergonha de si mesmo por seduzir uma jovem Criatura ingênua a deixar sua família e Amigos: No entanto, pelo menos desta vez, eu frustarei seus planos malignos. A nobre Senhora será informada de todo o caso, e Agnes deve adiar seu papel de Espectro até uma melhor oportunidade. Adeus, Senhor— Donna Agnes, tenho a honra de conduzir sua Ghost-ship de volta ao seu aposento.”
Ela se aproximou do Sofá onde sua Pupila tremia estava sentada, pegou-a pela mão, e se preparou para levá-la do Pavilhão.
Eu a detive, e tentei por meio de súplicas, suavidade, promessas e lisonjas, ganhar sua adesão ao meu partido: Mas, vendo que tudo o que eu dizia era em vão, abandonei a vã tentativa.
“Sua teimosia deve ser seu próprio castigo,” disse eu; “Mas um recurso permanece para salvar Agnes e a mim, e não hesitarei em empregá-lo.”
Assustada com essa ameaça, Ela novamente tentou sair do Pavilhão; Mas eu a segurei pelo pulso, e a detive à força. No mesmo momento, Theodore, que havia seguido ela até o quarto, fechou a porta, e impediu sua fuga. Eu peguei o véu de Agnes: Eu o envolvi em torno da cabeça da Dama, que soltou gritos tão agudos que, apesar de nossa distância do Castelo, eu temia que fossem ouvidos. Por fim, consegui amordaçá-la tão completamente que Ela não podia produzir um único som. Theodore e eu, com alguma dificuldade, conseguimos amarrar suas mãos e pés com nossos lenços; E eu aconselhei Agnes a retornar a seu quarto com toda diligência. Eu prometi que nenhum mal aconteceria a Cunegonda, pedi que ela se lembrasse de que no dia cinco de maio eu estaria esperando no Grande Portão do Castelo, e me despedi dela com um abraço afetuoso. Tremendo e ansiosa, Ela mal teve forças para significar seu consentimento a meus planos, e fugiu de volta a seu aposento em desordem e confusão.
Enquanto isso, Theodore me ajudou a levar minha presa antiquada. Ela foi içada sobre o muro, colocada na frente de meu Cavalo como uma Mala, e eu galopei com ela para longe do Castelo de Lindenberg. A infeliz Dama nunca havia feito uma viagem mais desagradável em sua vida: Ela foi sacudida e chacoalhada até se tornar pouco mais que uma Múmia animada; para não mencionar seu susto quando atravessamos um pequeno Rio, através do qual era necessário passar para chegar à Vila. Antes de chegarmos à Estalagem, eu já havia decidido como lidar com a incômoda Cunegonda. Entramos na Rua onde a Estalagem estava, e enquanto o Pajem batia, eu esperei a uma pequena distância. O Hospedeiro abriu a porta com uma Lâmpada na mão.
“Dê-me a luz!” disse Theodore; “Meu Senhor está chegando.”
Ele pegou a Lâmpada apressadamente, e propositalmente a deixou cair no chão: O Hospedeiro retornou à Cozinha para reacender a Lâmpada, deixando a porta aberta. Eu aproveitei a escuridão, saltei de meu Cavalo com Cunegonda em meus braços, subi as escadas, alcancei meu quarto sem ser percebido, e, trancando a porta de um amplo Armário, a coloquei dentro, e então virei a Chave. O Hospedeiro e Theodore logo depois apareceram com luzes: O Primeiro expressou alguma surpresa por eu ter retornado tão tarde, mas não fez perguntas impertinentes. Ele logo saiu do quarto, e me deixou exultar no sucesso de minha empreitada.
Eu imediatamente visitei minha Prisioneira. Eu tentei persuadi-la a se submeter com paciência a seu confinamento temporário. Minha tentativa foi infrutífera. Incapaz de falar ou se mover, Ela expressou sua raiva por seus olhares, e, exceto nas refeições, eu nunca a desamarrava ou a libertava da Mordaça. Nesses momentos, eu ficava sobre ela com uma espada desembainhada, e protestava que, se Ela emitisse um único grito, eu a mergulharia em seu peito. Assim que Ela terminava de comer, a Mordaça era recolocada. Eu estava consciente de que esse procedimento era cruel, e só podia ser justificado pela urgência das circunstâncias: Quanto a Theodore, Ele não tinha escrúpulos sobre o assunto. O cativeiro de Cunegonda o divertia além da medida. Durante sua estadia no Castelo, uma guerra contínua havia sido travada entre ele e a Dama; e agora que Ele a encontrava tão absolutamente em seu poder, Ele triunfava sem misericórdia. Ele parecia pensar em nada além de encontrar novos meios de atormentá-la: Às vezes, Ele fingia piedade por sua desgraça, então ria, abusava e imitava ela; Ele lhe pregava mil peças, cada uma mais provocante que a outra, e se divertia contando a ela que seu desaparecimento deve ter causado grande surpresa no Barão. Isso, de fato, era o caso. Ninguém, exceto Agnes, podia imaginar o que havia acontecido com Dame Cunegonda: Cada buraco e canto foi revistado por ela; Os Lagos foram dragados, e os Bosques sofreram uma exame minucioso. Ainda assim, nenhuma Dame Cunegonda apareceu. Agnes guardou o segredo, e eu guardei a Dama: A Baronesa, portanto, permaneceu em total ignorância sobre o destino da Mulher velha, mas suspeitava que ela havia morrido por suicídio. Assim passaram cinco dias, durante os quais eu havia preparado tudo necessário para minha empreitada. Ao sair de Agnes, eu havia feito meu primeiro negócio de despachar um Camponês com uma carta para Lucas em Munique, ordenando-lhe que tomasse cuidado para que uma Carroça e quatro Cavalos chegassem por volta das dez horas do dia cinco de maio à Vila de Rosenwald. Ele obedeceu minhas instruções pontualmente: A Equipagem chegou no horário marcado. À medida que o período de fuga de sua Senhora se aproximava, a raiva de Cunegonda aumentava. Eu sinceramente acredito que o despeito e a paixão a teriam matado, se eu não tivesse, felizmente, descoberto sua preferência pelo Cherry Brandy. Com essa bebida favorita, Ela foi abundantemente fornecida, e Theodore sempre permanecendo para guardá-la, a Mordaça era ocasionalmente removida. O licor parecia ter um efeito maravilhoso em suavizar a acrimônia de sua natureza; e seu confinamento não admitindo outro divertimento, Ela ficava bêbada regularmente uma vez por dia, apenas para passar o tempo.
O dia cinco de maio chegou, um período por mim nunca a ser esquecido! Antes que o Relógio batesse meia-noite, eu me dirigi ao local da ação. Theodore me seguiu a cavalo. Eu escondi a Carroça em uma ampla Caverna da Colina, no cujo topo o Castelo estava situado: Esta Caverna era de considerável profundidade, e entre os camponeses era conhecida pelo nome de Buraco de Lindenberg. A noite estava calma e bela: Os raios da Lua caíam sobre as antigas Torres do Castelo, e lançavam sobre seus topos uma luz prateada. Tudo estava silencioso ao meu redor: Nada era ouvido, exceto a brisa noturna sussurrando entre as folhas, o latido distante de Cães de Vila, ou a Coruja que havia se estabelecido em um nicho da abandonada Torre Oriental. Eu ouvi seu grito melancólico, e olhei para cima. Ela estava sobre o parapeito de uma janela, que eu reconheci ser a do quarto assombrado. Isso me trouxe à memória a história da Freira Sangrenta, e eu suspirei enquanto refletia sobre a influência da superstição e a fraqueza da razão humana. De repente, ouvi um coro fraco romper o silêncio da noite.
“O que pode causar esse barulho, Theodore?”
“Um Estranho de distinção,” respondeu ele, “passou pela Vila hoje em seu caminho para o Castelo: Ele é relatado ser o Pai de Donna Agnes. Sem dúvida, o Barão deu um entretenimento para celebrar sua chegada.”
O Sino do Castelo anunciou a hora da meia-noite: Este era o sinal usual para a família se retirar para a Cama. Logo depois, percebi luzes no Castelo se movendo para trás e para frente em diferentes direções. Eu conjecturei que a companhia estava se separando. Eu podia ouvir as portas pesadas rangendo enquanto se abriam com dificuldade, e ao se fecharem novamente, as Janelas podres tremiam em suas molduras. O quarto de Agnes ficava no outro lado do Castelo. Eu temia que Ela não tivesse conseguido a Chave do quarto assombrado: Através deste, era necessário que ela passasse para alcançar a estreita Escada pela qual o Fantasma era suposto descer ao grande Salão. Agitado por essa apreensão, eu mantinha meus olhos constantemente fixos na janela, onde eu esperava perceber o brilho amigável de uma Lâmpada carregada por Agnes. Eu agora ouvi os pesados Portões serem destrancados. Pela vela em sua mão, eu distingui o velho Conrad, o Porteiro. Ele abriu as Portas do Portal bem largas, e se retirou. As luzes no Castelo gradualmente desapareceram, e por fim, todo o Edifício foi envolto em escuridão.
Enquanto eu estava sentado sobre um pedaço quebrado da colina, a tranquilidade da cena me inspirou com ideias melancólicas, mas não desagradáveis. O Castelo que estava totalmente à minha vista, formava um objeto igualmente imponente e pitoresco. Suas Paredes ponderosas tingidas pela lua com brilho solene, suas Torres antigas e parcialmente arruinadas se erguendo nas nuvens e parecendo desafiar as planícies ao redor, seus altos parapeitos cobertos de hera, e seus Portões dobráveis se expandindo em honra do Habitante Visionário, me tornaram sensível a um medo reverencial e triste. No entanto, essas sensações não me ocuparam tão completamente, a ponto de me impedir de testemunhar com impaciência o lento progresso do tempo. Eu me aproximei do Castelo, e me aventurei a caminhar ao redor dele. Alguns raios de luz ainda brilhavam no quarto de Agnes. Eu os observei com alegria. Eu ainda estava olhando para eles, quando percebi uma figura se aproximar da janela, e a Cortina foi cuidadosamente fechada para esconder a Lâmpada que queimava lá. Convencido por essa observação de que Agnes não havia abandonado nosso plano, eu retornei com um coração leve para meu posto anterior.
A meia-hora bateu! Os três quartos bateram! Meu peito batia alto com esperança e expectativa. Por fim, o som tão desejado foi ouvido. O Sino tocou “Uma”, e a Mansão ecoou com o barulho alto e solene. Eu olhei para a Janela do quarto assombrado. Mal haviam se passado cinco minutos, quando a luz esperada apareceu. Eu estava agora perto da Torre. A janela não estava tão longe do Chão, mas que eu imaginava perceber uma figura feminina com uma Lâmpada na mão se movendo lentamente pelo Apartamento. A luz logo desapareceu, e tudo estava novamente escuro e sombrio.
Brilhos ocasionais de luz irradiavam da Escada à medida que a linda Fantasma passava por elas. Eu tracei a luz através do Salão: Ela alcançou o Portal, e por fim, eu vi Agnes passar pelos Portões dobráveis. Ela estava vestida exatamente como Ela havia descrito o Espectro. Um rosário de Contas pendia em seu braço; sua cabeça estava envolta em um longo véu branco; Seu vestido de Freira estava manchado de sangue, e Ela havia tomado cuidado para providenciar uma Lâmpada e uma faca. Ela avançou em direção ao local onde eu estava. Eu voei para recebê-la, e a abracei em meus braços.
“Agnes!” disse eu enquanto a pressionava contra meu peito,
Agnes! Agnes! Tu és minha! Agnes! Agnes! Eu sou teu! Em minhas veias enquanto o sangue rolar, Tu és minha! Eu sou teu! Teu meu corpo! Tua minha alma!
Assustada e ofegante, Ela não conseguia falar: Ela deixou cair sua Lâmpada e faca, e desmaiou em meu peito em silêncio. Eu a levantei em meus braços, e a conduzi à Carroça. Theodore permaneceu para trás para libertar Dame Cunegonda. Eu também o encarreguei de uma carta para a Baronesa explicando todo o caso, e suplicando seus bons ofícios em reconciliar Don Gaston com minha união com sua Filha. Eu revelei a ela meu verdadeiro nome: Eu provei a ela que meu nascimento e expectativas me justificavam em pretender sua Sobrinha, e lhe assegurei que, embora estivesse fora de meu poder retornar seu amor, eu me esforçaria incessantemente para obter sua estima e amizade.
Eu entrei na Carroça, onde Agnes já estava sentada. Theodore fechou a porta, e os Postilhões partiram. Inicialmente, eu estava encantado com a rapidez de nosso progresso; Mas assim que estivemos fora de perigo de perseguição, eu pedi aos Condutores que moderassem seu passo. Eles tentaram em vão me obedecer. Os Cavalos se recusaram a responder às rédeas, e continuaram a correr com velocidade surpreendente. Os Postilhões redobraram seus esforços para detê-los, mas, chutando e se debatendo, os Animais logo se libertaram dessa restrição. Soltando um grito alto, os Condutores foram arremessados ao chão. Imediatamente, nuvens espessas obscureceram o céu: Os ventos uivaram ao nosso redor, os raios brilharam, e o Trovão rugiu tremendamente. Nunca vi uma Tempestade tão terrível! Assustados pelo estrondo de elementos em conflito, os Cavalos pareciam a cada momento aumentar sua velocidade. Nada podia interromper sua carreira; Eles arrastaram a Carroça através de Sebes e Valas, desceram os precipícios mais perigosos, e pareciam competir em velocidade com a rapidez dos ventos.
Todo esse tempo, minha Companheira estava inanimada em meus braços. Verdadeiramente alarmado com a magnitude do perigo, eu tentava em vão召 chamá-la de volta a seus sentidos; quando um estrondo alto anunciou que uma parada foi colocada em nosso progresso da maneira mais desagradável. A Carroça foi destruída em pedaços. Ao cair, eu bati minha têmpora contra uma pedra. A dor da ferida, a violência do choque, e a apreensão pela segurança de Agnes combinadas para me sobrecarregar tão completamente, que meus sentidos me abandonaram, e eu caí sem animação no chão.
Eu provavelmente permaneci por algum tempo nesta situação, pois quando abri os olhos, era pleno dia. Vários Camponeses estavam em torno de mim, e pareciam discutindo se minha recuperação era possível. Assim que pude emitir um som articulado, eu perguntei por Agnes. Qual não foi minha surpresa e angústia, quando me asseguraram que ninguém havia sido visto respondendo à descrição que eu dei dela! Eles me disseram que, ao irem para seu trabalho diário, haviam sido alarmados ao observar os fragmentos de minha Carroça, e ao ouvir os gemidos de um Cavalo, o único dos quatro que restava vivo: Os outros Três jaziam mortos ao meu lado. Ninguém estava perto de mim quando eles chegaram, e muito tempo havia sido perdido antes que eles conseguissem me recuperar. Ansioso além da expressão pela sorte de minha Companheira, eu supliquei aos Camponeses que se dispersassem em busca dela: Eu descrevi seu vestido, e prometi recompensas imensas a quem me trouxesse qualquer informação. Quanto a mim, era impossível que eu me juntasse à busca: Eu havia quebrado duas de minhas costelas na queda: Meu braço estava deslocado e pendia inutilmente ao meu lado; e minha perna esquerda estava tão terrivelmente esmagada, que eu nunca esperava recuperar seu uso.
Os Camponeses cumpriram meu pedido: Todos me deixaram, exceto Quatro, que fizeram uma maca de galhos e se prepararam para me levar à Cidade vizinha. Eu perguntei seu nome. Era Ratisbon, e eu mal podia me persuadir de que havia viajado a tal distância em uma única noite. Eu disse aos Camponeses que, às uma da manhã daquele dia, eu havia passado pela Vila de Rosenwald. Eles balançaram a cabeça duvidosamente, e fizeram sinais uns aos outros de que eu devia estar certamente delirante. Fui levado a uma Estalagem decente e imediatamente posto na cama. Um Médico foi chamado, que ajustou meu braço com sucesso. Ele então examinou meus outros ferimentos, e me disse que eu não precisava me preocupar com as consequências de nenhum deles; Mas ordenou que eu me mantivesse quieto, e me preparasse para uma cura tediosa e dolorosa. Eu respondi que, se Ele esperava me manter quieto, Ele devia primeiro tentar me dar alguma notícia de uma Senhora que havia saído de Rosenwald em minha companhia na noite anterior, e que estava comigo no momento em que a Carroça quebrou. Ele sorriu, e apenas respondeu, aconselhando-me a me acalmar, pois que todos os cuidados adequados seriam tomados comigo. Ao sair, a Hospedeira o encontrou à porta do quarto.
“O Cavalheiro não está totalmente em seu juízo;” Eu o ouvi dizer a ela em voz baixa; “É a consequência natural de sua queda, mas isso logo passará.”
Um após o outro, os Camponeses retornaram à Estalagem, e me informaram que nenhum traço havia sido descoberto de minha infeliz Amada.
A ansiedade agora se tornou desespero. Eu os supliquei a renovar sua busca nos termos mais urgentes, dobrando as promessas que já havia feito. Meu modo selvagem e frenético confirmou os espectadores na ideia de meu delírio. Nenhum sinal da Senhora tendo aparecido, eles acreditavam que ela era uma criatura fabricada por meu cérebro superaquecido, e não prestaram atenção a minhas súplicas. No entanto, a Hospedeira me assegurou que uma nova busca seria feita, mas eu descobri depois que sua promessa foi apenas dada para me acalmar. Nenhum passo adicional foi tomado no caso.
Embora minha Bagagem estivesse deixada em Munique sob os cuidados de meu Servo Francês, tendo me preparado para uma longa jornada, meu bolso estava abundantemente fornecido: Além disso, minha equipagem me provava ser de distinção, e em consequência, toda a atenção possível me foi prestada na Estalagem. O dia passou: Ainda nenhuma notícia chegou de Agnes. A ansiedade do medo agora deu lugar à desolação. Eu cessei de gritar por ela e fui mergulhado na profundidade de reflexões melancólicas. Percebendo-me silencioso e tranquilo, meus Atendentes acreditavam que meu delírio havia diminuído, e que meu mal havia tomado um rumo favorável. De acordo com a ordem do Médico, eu engoli um remédio calmante; e assim que a noite caiu, meus atendentes se retiraram e me deixaram para repousar.
Você tem agora, Lorenzo, ouvido toda a minha longa narrativa. Eu não tenho nada a dizer em minha desculpa, a não ser que minhas intenções em relação à sua Irmã sempre foram as mais honrosas: Que sempre foi, e ainda é meu desígnio fazê-la minha Esposa: E que eu confio, quando você considerar essas circunstâncias, nossa juventude, e nosso apego, você não apenas perdoará nosso momento de lapsa da virtude, mas me ajudará a reparar minhas faltas com Agnes, e a garantir um título legal a sua pessoa e seu coração.
Antonia o recebeu com uma simples reverência e continuou seu trabalho: Suas bochechas estavam ruborizadas, e Ela se esforçava para esconder sua emoção inclinando-se sobre seu bordado. Sua Tia também escolheu exibir seus ares de modéstia; Ela fingiu corar e tremer, e esperou com os olhos baixos para receber, como esperava, os cumprimentos de Don Christoval. Vendo que, após algum tempo, nenhum sinal de sua aproximação era dado, Ela se aventurou a olhar ao redor do quarto e percebeu, com vexação, que Medina estava desacompanhado. A impaciência não permitiu que ela esperasse por uma explicação: Interrompendo Lorenzo, que estava transmitindo a mensagem de Raymond, Ela quis saber o que havia acontecido com seu Amigo.
Ele, que achava necessário manter-se em suas boas graças, se esforçou para consolá-la por sua decepção cometendo uma pequena violência contra a verdade.
“Ah! Senhora,” Ele respondeu em tom melancólico, “Como Ele estará triste por perder esta oportunidade de pagar-lhe suas reverências! A doença de um Parente o obrigou a deixar Madrid às pressas: Mas, em seu retorno, Ele certamente aproveitará o primeiro momento com transporte para se jogar a seus pés!”
Enquanto Ele dizia isso, seus olhos se encontraram com os de Elvira: Ela puniu sua falsidade suficientemente com um olhar que expressava desaprovação e reprovação. Nem a mentira respondeu à sua intenção. Irritada e desapontada, Leonella se levantou de seu assento e se retirou em cólera para seu próprio aposento.
Lorenzo apressou-se em reparar a falha, que havia prejudicado sua reputação aos olhos de Elvira. Ele relatou sua conversa com o Marquês sobre ela: Ele lhe assegurou que Raymond estava preparado para reconhecê-la como Viúva de seu Irmão; e que, até que estivesse em seu poder pagar-lhe suas homenagens pessoalmente, Lorenzo estava encarregado de ocupar seu lugar. Essa informação aliviou Elvira de um peso de inquietação: Ela agora havia encontrado um Protetor para a desamparada Antonia, por cujo futuro Ela havia sentido as maiores apreensões. Ela não foi parcimoniosa em seus agradecimentos a quem havia interferido tão generosamente em seu favor; Mas ainda assim, Ela não lhe deu nenhum convite para repetir sua visita.
No entanto, quando, ao se levantar para partir, Ele pediu permissão para perguntar por sua saúde ocasionalmente, a polidez earnesta de seu modo, gratidão por seus serviços e respeito por seu Amigo, o Marquês, não admitiam recusa. Ela consentiu relutantemente em recebê-lo: Ele prometeu não abusar de sua bondade e saiu da Casa.
Antonia agora ficou sozinha com sua Mãe: Um silêncio temporário se seguiu. Ambas desejavam falar sobre o mesmo assunto, mas Nenhuma sabia como introduzi-lo. Uma sentia uma timidez que selava seus lábios, e pela qual Ela não podia explicar: A outra temia encontrar suas apreensões verdadeiras, ou inspirar em sua Filha noções pelas quais Ela ainda poderia ser uma Estranha. Por fim, Elvira começou a conversa.
“Aquele é um jovem encantador, Antonia; Eu estou muito satisfeita com ele. Ele ficou muito tempo perto de você ontem na Catedral?”
“Ele não me deixou por um momento enquanto eu fiquei na Igreja: Ele me deu seu lugar, e foi muito atencioso e solícito.”
“De fato? Por que então você nunca mencionou seu nome para mim? Sua Tia se lançou em elogios a seu Amigo, e você exaltou a eloquência de Ambrosio: Mas Nenhuma disse uma palavra sobre a pessoa e realizações de Don Lorenzo. Se não fosse por Leonella ter falado de sua prontidão em assumir nossa causa, eu não saberia que ele estava em existência.”
Ela parou. Antonia corou, mas ficou em silêncio.
“Talvez você o julgue menos favoravelmente do que eu. Em minha opinião, sua figura é agradável, sua conversa sensata, e seus modos cativantes. Ainda assim, Ele pode ter lhe impressionado de forma diferente: Você pode achá-lo desagradável, e ...”.
“Desagradável? Oh! querida Mãe, como eu poderia possivelmente achá-lo assim? Eu seria muito ingrata se não fosse sensível à sua bondade ontem, e muito cega se seus méritos tivessem me escapado. Sua figura é tão graciosa, tão nobre! Seus modos tão gentis, mas tão varonil! Eu nunca vi tantas realizações unidas em uma pessoa, e duvido que Madrid possa produzir seu igual.”
“Por que então você foi tão silenciosa em elogios a esse Fênix de Madrid?
Por que foi escondido de mim que sua sociedade lhe proporcionou prazer?”
“Na verdade, eu não sei: Você me faz uma pergunta que eu não consigo resolver a mim mesma. Eu estava prestes a mencioná-lo mil vezes: Seu nome estava constantemente em meus lábios, mas quando eu ia pronunciá-lo, eu faltava coragem para executar meu plano. No entanto, se eu não falei dele, não foi porque eu pensava menos nele.”
“Isso eu acredito; Mas eu lhe direi por que você faltou coragem. Foi porque, acostumada a me confiar seus pensamentos mais secretos, você não sabia como esconder, mas temia reconhecer, que seu coração nutria um sentimento que você sabia que eu desaprovaría. Venha aqui para mim, minha Filha.”
Antonia deixou seu bordado, se jogou de joelhos no Sofá, e escondeu seu rosto no colo de sua Mãe.
“Não tema, minha querida Menina! Considere-me igualmente como sua Amiga e Mãe, e não tema reprovação de mim. Eu li as emoções de seu peito; você ainda é inexperiente em escondê-las, e elas não podiam escapar de meu olho atento. Este Lorenzo é perigoso para seu repouso; Ele já fez uma impressão em seu coração. É verdade que eu percebo facilmente que seu afeto é retribuído; Mas quais podem ser as consequências desse apego? Você é pobre e desamparada, minha Antonia; Lorenzo é o Herdeiro do Duque de Medina Celi. Mesmo que Ele mesmo tenha boas intenções, seu Tio nunca consentirá em sua união; Nem, sem o consentimento de seu Tio, eu consentirei. Por experiência própria, eu sei que tristezas deve suportar aquela que se casa com uma família relutante em recebê-la. Então, lute contra seu afeto: Por mais que custe, esforce-se para conquistá-lo. Seu coração é terno e suscetível: Ele já recebeu uma forte impressão; Mas, uma vez convencida de que você não deve encorajar tais sentimentos, eu confio que você tem força suficiente para expulsá-los de seu peito.”
Antonia beijou sua mão e prometeu obediência implícita. Elvira então continuou.
“Para evitar que sua paixão cresça, será necessário proibir as visitas de Lorenzo. O serviço que Ele me prestou não me permite proibi-las positivamente; Mas, a menos que eu julgue favoravelmente seu caráter, Ele deixará de fazê-las sem se ofender, se eu confessar minhas razões e me jogar inteiramente em sua generosidade. Na próxima vez que eu o vir, eu honestamente lhe direi o embaraço que sua presença me causa. Como você acha, minha Filha? Isso não é necessário?”
Antonia concordou com tudo sem hesitação, embora não sem pesar. Sua Mãe a beijou carinhosamente e se retirou para a cama. Antonia seguiu seu exemplo e jurou tão frequentemente nunca mais pensar em Lorenzo, que, até o Sono fechar seus olhos, Ela não pensou em mais nada.
Enquanto isso, no Palácio de Medina, Lorenzo apressou-se em rejoinir o Marquês. Tudo estava pronto para o segundo rapto de Agnes; e, à meia-noite, os dois Amigos, com uma Carroça e quatro Cavalos, estavam no muro do Jardim do Convento. Don Raymond abriu a porta. Eles entraram e esperaram por algum tempo, na expectativa de serem alcançados por Agnes. Por fim, o Marquês ficou impaciente: Começando a temer que sua segunda tentativa tivesse sucesso tão ruim quanto a primeira, Ele propôs reconnoitre o Convento. Os Amigos avançaram em sua direção. Tudo estava silencioso e escuro. A Prioresa estava ansiosa para manter o segredo, temendo que o crime de uma de suas membros trouxesse desonra para toda a comunidade, ou que a intervenção de Parentes poderosos a privasse de sua vingança pretendida. Ela, portanto, tomou cuidado para não dar ao Amante de Agnes motivo para supor que seu plano havia sido descoberto, e que sua Amada estava prestes a sofrer o castigo de sua culpa. A mesma razão a fez rejeitar a ideia de prender o Sedutor desconhecido no Jardim; Tal procedimento criaria muita perturbação, e a desonra de seu Convento seria divulgada por Madrid. Ela se contentou em confinar Agnes estreitamente; Quanto ao Amante, Ela o deixou à vontade para prosseguir com seus desígnios. O que Ela havia esperado foi o resultado. O Marquês e Lorenzo esperaram em vão até o raiar do dia: Eles então se retiraram sem barulho, alarmados com o fracasso de seu plano, e ignorantes da causa de seu insucesso.
Na manhã seguinte, Lorenzo foi ao Convento e pediu para ver sua Irmã. A Prioresa apareceu na Grade com uma expressão melancólica: Ela o informou que, por vários dias, Agnes havia aparecido muito agitada; Que as Freiras a haviam instado em vão a revelar a causa, e a buscar em sua ternura conselho e consolação; Que Ela havia obstinadamente persistido em esconder a causa de sua angústia; Mas que, na Noite de quinta-feira, isso havia produzido um efeito tão violento em sua constituição, que Ela havia adoecido, e estava realmente confinada à cama. Lorenzo não acreditou em uma sílaba dessa história: Ele insistiu em ver sua Irmã; Se Ela estava incapaz de vir à Grade, Ele desejava ser admitido em sua Cela. A Prioresa se cruzou! Ela ficou chocada com a ideia de um Homem profanar o interior de sua santa Mansão, e se declarou surpresa de que Lorenzo pudesse pensar em tal coisa. Ela lhe disse que seu pedido não podia ser atendido; Mas que, se Ele retornasse no dia seguinte, Ela esperava que sua amada Filha estivesse suficientemente recuperada para se juntar a ele na Grade do Parlatório.
Com essa resposta, Lorenzo foi obrigado a se retirar, insatisfeito e temendo pela segurança de sua Irmã.
Ele retornou na manhã seguinte no horário marcado. “Agnes estava pior; O Médico havia declarado que Ela estava em perigo iminente; Ela foi ordenada a permanecer quieta, e era absolutamente impossível que Ela recebesse a visita de seu Irmão.” Lorenzo se irritou com essa resposta, mas não havia recurso. Ele se irritou, suplicou, ameaçou: Nenhum meio foi deixado de tentar para obter um vislumbre de Agnes. Seus esforços foram tão infrutíferos quanto os do dia anterior, e Ele retornou em desespero ao Marquês. Por sua vez, o Último havia poupado nenhum esforço para descobrir o que havia causado o fracasso de seu plano: Don Christoval, a quem o caso agora estava confiado, tentou extrair o segredo da velha Porteira de Santa Clara, com quem Ele havia formado um conhecimento; Mas Ela estava muito atenta, e Ele não ganhou nenhuma informação dela. O Marquês estava quase desesperado, e Lorenzo sentia inquietação não menor. Ambos estavam convencidos de que o rapto proposto devia ter sido descoberto: Eles não duvidavam de que a doença de Agnes era uma farsa, Mas não sabiam por que meios resgatar ela das mãos da Prioresa.
Regularmente, todos os dias, Lorenzo visitava o Convento: Regularmente, Ele era informado de que sua Irmã estava piorando. Certo de que sua indisposição era fingida, essas notícias não o alarmavam: Mas sua ignorância de seu destino, e dos motivos que levavam a Prioresa a mantê-la longe dele, excitavam a mais séria inquietação. Ele ainda estava incerto sobre que passos deveria tomar, quando o Marquês recebeu uma carta do Cardeal-Duque de Lerma. Ela continha o tão esperado Breve do Papa, ordenando que Agnes fosse liberada de seus votos e restaurada a seus Parentes. Este documento essencial decidiu de uma vez os procedimentos de seus Amigos: Eles resolveram que Lorenzo o levasse à Domina sem demora, e exigisse que sua Irmã fosse imediatamente entregue a ele. Contra essa ordem, doença não podia ser alegada: Ela lhe dava o poder de removê-la instantaneamente para o Palácio de Medina, e Ele estava determinado a usar esse poder no dia seguinte.
Sua mente aliviada da inquietação sobre sua Irmã, e seus Espíritos elevados pela esperança de logo restaurá-la à liberdade, Ele agora teve tempo para dar alguns momentos ao amor e a Antonia. No mesmo horário de sua visita anterior, Ele se dirigiu à Casa de Donna Elvira: Ela havia dado ordens para sua admissão. Assim que Ele foi anunciado, sua Filha se retirou com Leonella, e, quando Ele entrou no quarto, Ele encontrou a Senhora da Casa sozinha. Ela o recebeu com menos distância do que antes, e lhe pediu que se sentasse perto dela no Sofá. Ela então, sem perder tempo, abriu seu negócio, como havia sido combinado entre ela e Antonia.
“Você não deve pensar que eu sou ingrata, Don Lorenzo, ou esquecida de quão essenciais são os serviços que você prestou a mim com o Marquês. Eu sinto o peso de minhas obrigações; Nada sob o Sol deveria me induzir a tomar o passo ao qual agora sou compelida, a não ser o interesse de minha Filha, de minha amada Antonia. Minha saúde está declinando; Deus sabe quando eu posso ser chamada diante de Seu Trono. Minha Filha ficará sem Pais, e, se Ela perder a proteção da família Cisternas, sem Amigos.
Ela é jovem e ingênua, desinstruída na perfídia do mundo, e com encantos suficientes para se tornar objeto de sedução. Julgue então, como eu devo tremer ante a perspectiva diante dela! Julgue como ansiosa eu devo estar para mantê-la longe daqueles que possam excitar as paixões ainda adormecidas de seu peito. Você é amável, Don Lorenzo: Antonia tem um coração suscetível e amoroso, e é grata pelas gentilezas que nos foram conferidas por sua interferência com o Marquês. Sua presença me faz tremer: Eu temo que ela inspire nela sentimentos que possam embitter o restante de sua vida, ou a encoraje a nutrir esperanças em sua situação injustificáveis e fúteis. Perdoe-me quando eu confessar meus temores, e deixe minha franqueza pleitear em minha desculpa. Eu não posso proibir você de minha Casa, pois a gratidão me restringe; Eu só posso me jogar em sua generosidade, e suplicar que você poupe os sentimentos de uma Mãe ansiosa. Acredite em mim quando eu lhe asseguro que lamento a necessidade de rejeitar sua amizade; Mas não há remédio, e o interesse de Antonia me obriga a pedir que você se abstenha de suas visitas. Ao cumprir com meu pedido, você aumentará a estima que já sinto por você, e da qual tudo me convence de que você é verdadeiramente merecedor.”
“Sua franqueza me encanta,” respondeu Lorenzo; “Você encontrará que, em sua opinião favorável de mim, você não foi enganada. No entanto, eu espero que as razões, agora em meu poder para alegar, a persuadirão a retirar um pedido que eu não posso obedecer sem infinita relutância. Eu amo sua Filha, amo-a sinceramente: Eu desejo nada mais do que inspirá-la com os mesmos sentimentos, e receber sua mão no Altar como minha Esposa. É verdade, eu não sou rico por mim mesmo; A morte de meu Pai me deixou com pouco em meu próprio poder; Mas minhas expectativas me justificam em pretender a mão da Filha do Condé de las Cisternas.”
Ele estava prosseguindo, mas Elvira o interrompeu.
“Ah! Don Lorenzo, você esquece, nesse título pomposo, a mesquinhez de minha origem. Você esquece que eu passei catorze anos na Espanha, desavinda pela família de meu Marido, e existindo com uma pensão mal suficiente para o sustento e educação de minha Filha. Aliás, eu até fui negligenciada pela maioria de meus próprios Parentes, que, por inveja, afetam duvidar da realidade de meu casamento. Meu subsídio foi descontinuado à morte de meu Sogro, e eu fui reduzida à beira da miséria. Nesta situação, eu fui encontrada por minha Irmã, que, entre todos os seus defeitos, possui um coração quente, generoso e afetuoso. Ela me ajudou com o pouco que meu Pai lhe deixou, me persuadiu a visitar Madrid, e tem sustentado minha Filha e a mim desde que deixamos Múrcia. Então, não considere Antonia como descendente do Condé de las Cisternas: Considere-a como uma Órfã pobre e desamparada, como a Neta do Comerciante Torribio Dalfa, como a Pensionista necessitada da Filha desse Comerciante. Reflita sobre a diferença entre tal situação e a do Sobrinho e Herdeiro do poderoso Duque de Medina. Eu acredito em suas intenções honrosas; Mas, como não há esperanças de que seu Tio aprove a união, eu prevejo que as consequências de seu apego devem ser fatais ao repouso de minha Filha.”
“Perdoe-me, Senhora; Você está mal informada se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Você é jovem e impetuoso; É natural que você entretenha tais ideias. Mas a Experiência me ensinou, a meu custo, que maldições acompanham uma aliança desigual. Eu me casei com o Condé de las Cisternas em oposição à vontade de seus Parentes; Muitas dores de coração me puniram pelo passo imprudente. Onde quer que fôssemos, uma maldição paterna nos perseguia. A pobreza nos sobreveio, e nenhum Amigo estava perto para aliviar nossas necessidades. Ainda assim, nosso afeto mútuo existia, mas, ai! não sem interrupção.
Acostumado à riqueza e ao conforto, meu Marido mal podia suportar a transição para a angústia e a indigência. Ele olhava para trás com pesar para os confortos que Ele uma vez desfrutava. Ele lamentava a situação que, por minha causa, Ele havia abandonado; e em momentos de Desespero, me reprochava por tê-lo tornado Companheiro de miséria e desgraça! Ele me chamava de sua desgraça! A fonte de seus sofrimentos, a causa de sua destruição! Ah, Deus! Ele pouco sabia quão mais agudas eram as reprovações de meu próprio coração! Ele era ignorante de que eu sofria triplamente, por mim mesma, por meus Filhos, e por ele! É verdade que sua raiva raramente durava muito: Seu afeto sincero por mim logo revivia em seu coração; e então seu arrependimento por as lágrimas que Ele me fizera derramar me torturava ainda mais do que seus reproches. Ele se jogava no chão, implorava meu perdão nos termos mais frenéticos, e se carregava de maldições por ser o Assassino de meu repouso. Ensinada pela experiência que uma união contratada contra as inclinações de famílias de ambos os lados deve ser infeliz, eu salvarei minha Filha das misérias que eu sofri. Sem o consentimento de seu Tio, enquanto eu viver, Ela nunca será sua. Sem dúvida, Ele desaprovará a união; Seu poder é imenso, e Antonia não deve ser exposta a sua raiva e perseguição.”
“Sua perseguição? Como isso pode ser evitado? Deixe o pior acontecer, é apenas sair da Espanha. Meu patrimônio pode ser facilmente realizado; As Índias Ocidentais nos oferecerão um retiro seguro; Eu tenho uma propriedade, embora não de valor, em Hispaniola: Para lá nós fugiremos, e eu considerarei como minha Pátria nativa, se ela me der a posse incontestada de Antonia.”
“Ah! Jovem, esta é uma visão romântica e infundada. Gonzalvo pensou o mesmo. Ele imaginava que poderia deixar a Espanha sem arrependimento; Mas o momento da partida o desenganou. Você ainda não sabe o que é deixar sua terra natal; deixá-la, nunca mais contemplá-la!
Por continuidade apenas — esta é o FINAL da seção anterior, já traduzida. Não traduza novamente e não repita na sua resposta. Combine os nomes, terminologia e registro: --- de sua Filha, e a encoraje a nutrir esperanças em sua situação injustificáveis e fúteis. Perdoe-me quando eu confessar meus temores, e deixe minha franqueza pleitear em minha desculpa. Eu não posso proibir você de minha Casa, pois a gratidão me restringe; Eu só posso me jogar em sua generosidade, e suplicar que você poupe os sentimentos de uma Mãe ansiosa. Acredite em mim quando eu lhe asseguro que lamento a necessidade de rejeitar sua amizade; Mas não há remédio, e o interesse de Antonia me obriga a pedir que você se abstenha de suas visitas. Ao cumprir com meu pedido, você aumentará a estima que já sinto por você, e da qual tudo me convence de que você é verdadeiramente merecedor.” ---
“Estou em posse dele,” respondeu Ambrosio.
“Então, quando o Relógio bater onze, vá até lá, e espere por mim. Eu sairei para encontrá-lo, e o levarei a um lugar onde ninguém nos perturbará. Lá, eu lhe darei o Antídoto, e você aprenderá a usá-lo. Mas, Ambrosio, lembre-se de seu juramento! Não faça perguntas sobre o que eu fizer, e não tente seguir meus passos quando eu partir.”
O Monge prometeu obedecer, e Matilda se retirou para seu quarto. Ambrosio, deixado sozinho, refletiu sobre a estranha aventura em que estava envolvido. Ele estava curioso para saber o que Matilda faria para preservar sua vida, mas o juramento que havia feito o impedia de perguntar. Ele só podia esperar e confiar nela.
À noite, quando o Relógio bateu onze, Ambrosio foi ao jardim e esperou pela chegada de Matilda. Logo, ela apareceu, vestida com um longo manto preto que cobria seu rosto. Ela o levou para uma parte remota do jardim, onde havia uma pequena capela abandonada.
“Entre,” disse ela, abrindo a porta da capela.
Ambrosio entrou e viu que o local estava vazio, exceto por um altar simples e algumas velas acesas. Matilda fechou a porta atrás deles e se voltou para ele.
“Agora, Ambrosio,” disse ela, “eu vou lhe dar o Antídoto. Mas antes, eu devo realizar um ritual que garantirá sua eficácia.”
Ela tirou de debaixo de seu manto uma pequena caixa de madeira entalhada. Dentro da caixa, havia um frasco de vidro contendo um líquido vermelho e espesso. Matilda pegou o frasco e o segurou diante de Ambrosio.
“Este é o Antídoto,” disse ela. “Mas antes de bebê-lo, você deve participar do ritual. Venha comigo.”
Ela o levou para o altar e o fez ajoelhar-se diante dele. Então, ela tirou de seu bolso um pequeno livro encadernado em couro e o abriu em uma página específica.
“Repita depois de mim,” disse ela, e começou a ler em voz baixa:
“Eu invoco os poderes da noite, Os espíritos que habitam a escuridão, Para que me concedam a vida eterna, E me protejam do mal que me ameaça.”
Ambrosio repetiu as palavras, sentindo um calafrio percorrer sua espinha. Matilda continuou:
“Eu ofereço meu sangue como sacrifício, Para que o Antídoto seja eficaz, E me conceda a imortalidade que desejo.”
Ela pegou uma faca pequena e afiada e a segurou diante de Ambrosio.
“Agora, Ambrosio,” disse ela, “você deve fazer um corte em seu braço e deixar que algumas gotas de seu sangue caiam no frasco.”
Ambrosio hesitou, mas então estendeu o braço e deixou que Matilda fizesse o corte. Algumas gotas de sangue caíram no frasco, misturando-se com o líquido vermelho.
“Agora, beba,” disse Matilda, entregando-lhe o frasco.
Ambrosio bebeu o conteúdo do frasco, sentindo um gosto amargo e metálico em sua boca. Ele se sentiu tonto e弱弱, mas também sentido uma energia estranha percorrendo seu corpo.
“Está feito,” disse Matilda. “Agora, você está protegido contra o veneno. Mas lembre-se, Ambrosio, você deve beber o Antídoto todas as noites, ou o efeito se desvanecerá.”
Ambrosio agradeceu a Matilda e a acompanhou até a porta da capela.
“Onde você vai agora?” perguntou ele.
“Eu devo realizar uma tarefa importante,” respondeu ela. “Mas não se preocupe, eu voltarei antes do amanhecer.”
Ela o beijou e desapareceu na noite. Ambrosio retornou ao mosteiro, sentindo-se estranho e desorientado. Ele não conseguia tirar da cabeça a imagem de Matilda realizando o ritual, e se perguntava o que ela faria naquela noite.
Mas, como havia prometido, ele não fez perguntas. Ele só podia esperar e confiar nela.
No dia seguinte, Matilda retornou ao mosteiro como se nada tivesse acontecido. Ela e Ambrosio continuaram seu caso amoroso, e ele bebia o Antídoto todas as noites, como ela havia instruído. Mas, com o tempo, ele começou a notar mudanças em si mesmo. Ele se sentia mais forte, mais rápido, e seus sentidos pareciam mais aguçados. Ele também percebeu que sua sede de sangue estava aumentando, e que ele precisava beber o Antídoto com mais frequência para satisfazê-la.
Matilda parecia notar as mudanças nele, mas não dizia nada. Ela continuava a ser sua amante e conselheira, e Ambrosio confiava nela completamente. Mas, no fundo, ele sabia que havia algo de errado. Ele estava se transformando em algo que não entendia, e temia que Matilda estivesse escondendo algo dele.
Uma noite, enquanto bebia o Antídoto, ele decidiu seguir Matilda depois que ela saísse do mosteiro. Ele a viu se dirigir a um cemitério próximo, e a observou enquanto ela realizava um ritual estranho e sombrio. Ela cavou uma cova e retirou um corpo enterrado, e então começou a beber o sangue do cadáver.
Ambrosio ficou chocado e horrorizado. Ele percebeu que Matilda era uma vampira, e que ela havia lhe dado o Antídoto para transformá-lo em um deles. Ele sentiu uma raiva e uma traição profundas, e decidiu se vingar dela.
Na noite seguinte, ele esperou por ela no jardim, como de costume. Quando ela chegou, ele a confrontou com o que havia visto.
“Como você pode fazer isso comigo?” perguntou ele, com voz trêmula de raiva. “Você me transformou em um monstro, e me escondeu a verdade!”
Matilda olhou para ele com olhos frios e calculistas.
“Você não entende, Ambrosio,” disse ela. “Eu fiz isso por amor. Eu queria que você fosse imortal, como eu, para que pudéssemos ficar juntos para sempre.”
“Mas você me transformou em um vampiro!” exclamou Ambrosio. “Você me fez beber sangue, e me fez matar!”
“Você não entende,” repetiu Matilda. “Nós não somos monstros. Nós somos criaturas da noite, e temos nossos próprios códigos e regras. Você aprenderá a viver com isso, e a amar a vida que eu lhe dei.”
Ambrosio sentiu uma raiva crescente dentro de si. Ele sabia que Matilda estava errada, e que ele nunca poderia perdoá-la por ما ما ela havia feito.
“Eu nunca vou perdoá-la,” disse ele, com voz firme. “Você me traiu, e me transformou em algo que eu não sou. Eu nunca vou ser como você.”
Matilda olhou para ele com uma expressão de desprezo.
“Então, você escolhe a morte?” perguntou ela.
“Eu escolho a liberdade,” respondeu Ambrosio. “Eu não vou ser escravo de sua vontade, nem de ninguém.”
Matilda sorriu, um sorriso frio e calculista.
“Então, seja livre,” disse ela. “Mas lembre-se, Ambrosio, que você não pode escapar de sua natureza. Você sempre será um vampiro, e sempre sentirá a sede de sangue. E, quando você estiver sozinho e com fome, lembre-se de quem foi que lhe deu a vida eterna.”
Ela se virou e desapareceu na noite, deixando Ambrosio sozinho no jardim. Ele sentiu uma dor profunda em seu peito, e percebeu que nunca poderia voltar atrás. Ele era um vampiro, e teria que viver com as consequências de sua escolha.
Mas, apesar de tudo, ele sabia que havia feito a coisa certa. Ele não poderia viver como um monstro, nem poderia perdoar Matilda por ما ما ela havia feito. Ele decidiu que viveria sua vida da melhor maneira possível, e que tentaria encontrar um caminho para redenção.
E, enquanto caminhava pelo jardim, ele sentiu uma nova força e determinação dentro de si. Ele sabia que seria difícil, mas estava pronto para enfrentar o desafio. Ele era Ambrosio, o vampiro, e estava pronto para viver sua vida da maneira que escolhesse.
FIM.
A porta que dá acesso ao cemitério comum a nós e à Irmandade de Santa Clara? Eu não tenho a chave, mas posso facilmente obtê-la.”
“Você só tem que fazer isso. Me admita no cemitério à meia-noite; Fique de guarda enquanto eu desço às criptas de Santa Clara, para que nenhum olho curioso observe minhas ações; Deixe-me lá sozinha por uma hora, e essa vida, que eu dedico aos seus prazeres, estará a salvo. Para evitar criar suspeitas, não me visite durante o dia. Lembre-se da chave, e que eu espero por você antes da meia-noite. Ouça! Eu ouço passos se aproximando! Deixe-me; Eu vou fingir que estou dormindo.”
O Frade obedeceu e saiu da Cela. Ao abrir a porta, o Padre Pablos apareceu.
“Eu venho,” disse o Último, “para perguntar sobre a saúde de meu jovem Paciente.”
“Silêncio!” respondeu Ambrosio, colocando o dedo nos lábios; “Fale baixo; Acabo de sair de lá. Ele caiu em um sono profundo, que, sem dúvida, será de grande benefício para ele. Não o perturbe no momento, pois Ele deseja repousar.”
O Padre Pablos obedeceu, e, ouvindo o Sino tocar, acompanhou o Abade às Vésperas. Ambrosio sentiu-se embaraçado ao entrar na Capela. A culpa era nova para ele, e Ele imaginava que cada olho podia ler as transações da noite em seu rosto. Ele tentou orar; Seu peito não ardia mais com devoção; Seus pensamentos vagavam insensivelmente para os encantos secretos de Matilda. Mas o que Lhe faltava em pureza de coração, Ele supria com santidade exterior. Para melhor encobrir sua transgressão, Ele redobrou suas pretensões à aparência de virtude, e nunca pareceu mais devoto ao Céu do que desde que havia quebrado seus compromissos. Assim, Ele inconscientemente adicionou Hipocrisia a perjúrio e incontinência; Ele havia caído nos últimos erros ao ceder a uma sedução quase irresistível; Mas agora Ele era culpado de uma falta voluntária ao tentar esconder aquelas nas quais Outra o havia envolvido.
As Vésperas terminaram, Ambrosio retirou-se para sua Cela. Os prazeres que Ele havia provado pela primeira vez ainda estavam impressos em sua mente. Seu cérebro estava confuso, e apresentava um Caos confuso de remorso, volúpia, inquietação e medo. Ele olhava para trás com saudade para aquela paz de espírito, aquela segurança de virtude, que até então haviam sido sua parte. Ele havia se entregado a excessos cuja ideia, apenas vinte e quatro horas antes, Ele havia recuado com horror. Ele tremia ao refletir que uma pequena indiscrição de sua parte, ou de Matilda, derrubaria aquele edifício de reputação que lhe custara trinta anos para erguer, e o tornaria o abominável de um Povo de quem Ele era então o Ídolo. A Consciência pintava para ele em cores vivas seu perjúrio e fraqueza; O Medo magnificou para ele os horrores do castigo, e Ele já se imaginava nas prisões da Inquisição. A essas ideias tormentosas sucederam a beleza de Matilda, e aquelas lições deliciosas que, uma vez aprendidas, nunca podem ser esquecidas. Um único olhar lançado sobre estas o reconciliou consigo mesmo. Ele considerou os prazeres da noite anterior como comprados a um preço fácil com o sacrifício da inocência e honra. Sua lembrança enchia sua alma de êxtase; Ele amaldiçoou sua tola vaidade, que o havia induzido a desperdiçar na obscuridade o florescer da vida, ignorando as bênçãos do Amor e da Mulher. Ele decidiu, de qualquer maneira, continuar seu comércio com Matilda, e chamou todo argumento para confirmar sua resolução. Ele se perguntou, se sua irregularidade fosse desconhecida, em que consistiria sua culpa, e que consequências Ele teria a temer? Ao aderir estritamente a todas as regras de sua ordem, exceto a Castidade, Ele não duvidava de manter a estima dos Homens, e até a proteção do céu. Ele facilmente confiava em ser perdoado por uma tão pequena e natural desvio de seus votos: Mas Ele esqueceu que, tendo pronunciado esses votos, a Incontinência, nos Leigos o mais venial dos erros, se tornava em sua pessoa o mais hediondo dos crimes.
Uma vez decidida sua conduta futura, sua mente ficou mais tranquila. Ele se deitou na cama, e tentou dormir para recuperar suas forças, esgotadas por seus excessos noturnos. Ele acordou revigorado e ansioso por uma repetição de seus prazeres. Obedecendo à ordem de Matilda, Ele não visitou sua Cela durante o dia. O Padre Pablos mencionou no Refeitório que Rosario havia finalmente sido persuadido a seguir sua prescrição; Mas que a medicina não havia produzido o menor efeito, e que Ele acreditava que nenhuma habilidade mortal poderia resgatá-lo da Sepultura. Com essa opinião, o Abade concordou, e afetou lamentar o fim prematuro de um Jovem, cujos talentos haviam parecido tão promissores.
A noite chegou. Ambrosio havia tomado cuidado para obter do Porteiro a Chave da pequena porta que abria para o Cemitério. Munido com esta, quando tudo ficou silencioso no Mosteiro, Ele saiu de sua Cela e se apressou para a de Matilda. Ela havia deixado sua cama, e estava vestida antes de sua chegada.
“Eu estava esperando por você com impaciência,” disse Ela; “Minha vida depende desses momentos. Você tem a Chave?”
“Tenho.”
“Então, vá para o jardim. Não temos tempo a perder. Siga-me!”
Ela pegou uma pequena Cesta coberta da Mesa. Carregando esta em uma mão, e a Lâmpada, que estava acesa sobre a Lareira, na outra, Ela se apressou em sair da Cela. Ambrosio a seguiu. Ambos mantiveram um silêncio profundo. Ela se moveu com passos rápidos, mas cautelosos, passou pelos Claustros, e chegou ao lado oeste do Jardim. Seus olhos brilhavam com um fogo e selvageria que inspiraram o Monge com awe e horror. Uma coragem determinada e desesperada pairava em sua testa. Ela pegou a Lâmpada de Ambrosio; Então, tomando dele a Chave, Ela abriu a pequena Porta e entrou no Cemitério. Era um vasto e espaçoso Quadrado plantado com teixos: Metade pertencia à Abadia; A outra metade era propriedade da Irmandade de Santa Clara, e era protegida por um telhado de Pedra. A Divisão era marcada por uma grade de ferro, cujo portão geralmente ficava destrancado.
Para lá, Matilda se dirigiu. Ela abriu o portão e procurou pela porta que levava às Criptas subterrâneas, onde repousavam os Corpos em decomposição das Votárias de Santa Clara. A noite estava completamente escura; Nem Lua nem Estrelas eram visíveis. Felizmente, não havia uma brisa de Vento, e o Frade carregava sua Lâmpada com segurança: Com a ajuda de seus raios, a porta do Sepulcro foi logo descoberta. Ela estava afundada no interior de uma parede, e quase escondida por grossos festões de hera que pendiam sobre ela. Três degraus de pedra bruta conduziam a ela, e Matilda estava prestes a descer quando Ela subitamente recuou.
“Há Pessoas nas Criptas!” Ela sussurrou para o Monge; “Esconda-se até que elas passem.”
Ela se refugiou atrás de um Tumulo alto e magnífico, erguido em honra da Fundadora do Convento. Ambrosio seguiu seu exemplo, escondendo cuidadosamente sua Lâmpada para que seus raios não os traíssem. Mas poucos momentos haviam passado quando a Porta foi empurrada, levando às Cavernas subterrâneas. Raios de luz subiram pela Escada: Eles permitiram que os Espectadores ocultos observassem duas Mulheres vestidas em hábitos religiosos, que pareciam estar em uma conversa animada. O Abade não teve dificuldade em reconhecer a Prioresa de Santa Clara na primeira, e uma das Freiras mais velhas em sua Companheira.
“Tudo está preparado,” disse a Prioresa; “Seu destino será decidido amanhã. Todas as suas lágrimas e suspiros serão em vão. Não! Em vinte e cinco anos que sou Superiora deste Convento, nunca presenciei uma transação mais infame!”
“Você deve esperar muita oposição à sua vontade,” respondeu a Outra em um tom mais suave; “Agnes tem muitos Amigos no Convento, e, em particular, a Madre Santa Úrsula defenderá sua causa com fervor. Na verdade, Ela merece ter Amigos; e eu gostaria de poder convencê-la a considerar sua juventude e sua situação peculiar. Ela parece sensível à sua culpa; O excesso de sua dor prova sua penitência, e eu estou convencida de que suas lágrimas fluem mais de contrição do que de medo do castigo. Reverenda Madre, se você fosse persuadida a mitigar a severidade de sua sentença, se você apenas concordasse em passar por alto esta primeira transgressão, eu me ofereço como fiadora de sua conduta futura.”
“Passar por alto, diz você? Madre Camilla, você me surpreende! O que? Depois de me desonrar na presença do Ídolo de Madrid, do próprio Homem em quem eu mais desejava impressionar uma ideia da estrita disciplina de minha casa? Como eu devo parecer desprezível aos olhos do reverendo Abade! Não, Madre, Não! Eu nunca poderei perdoar o insulto. Eu não posso melhor provar a Ambrosio que abomino tais crimes, do que punindo o de Agnes com toda a rigidez que nossas severas leis admitem. Pare então com suas súplicas; Elas serão todas em vão. Minha resolução está tomada: Amanhã, Agnes será um exemplo terrível de minha justiça e ressentimento.”
A Madre Camilla parecia não desistir do ponto, mas, nesse momento, as Freiras estavam fora de ouvido. A Prioresa destrancou a porta que se comunicava com a Capela de Santa Clara, e, tendo entrado com sua Companheira, a fechou novamente após elas.
Matilda agora perguntou quem era essa Agnes com quem a Prioresa estava tão irritada, e que conexão Ela poderia ter com Ambrosio. Ele relatou sua aventura; e Ele acrescentou que, desde então, suas ideias haviam sofrido uma revolução completa, Ele agora sentia muita compaixão pela infeliz Freira.
“Eu pretendo,” disse Ele, “solicitar uma audiência da Domina amanhã, e usar todos os meios para obter uma mitigação de sua sentença.”
“Cuidado com o que você faz!” interrompeu Matilda; “Sua mudança repentina de sentimento pode naturalmente criar surpresa, e pode dar origem a suspeitas que é mais nosso interesse evitar. Antes, redobre sua austeridade exterior, e troveje ameaças contra os erros dos outros, para melhor esconder os seus. Abandone a Freira ao seu destino. Sua interferência pode ser perigosa, e sua imprudência merece ser punida: Ela é indigna de desfrutar dos prazeres do Amor, que não tem inteligência suficiente para escondê-los. Mas, ao discutir este assunto trivial, eu desperdiço momentos que são preciosos. A noite avança, e muito deve ser feito antes da manhã. As Freiras estão retiradas; Tudo está seguro. Dê-me a Lâmpada, Ambrosio. Eu devo descer sozinha às Criptas: Fique aqui, e se alguém se aproximar, me avise com sua voz; Mas, se você valoriza sua existência, não ouse me seguir. Sua vida cairia vítima de sua curiosidade imprudente.”
Dizendo isso, Ela avançou em direção ao Sepulcro, ainda segurando sua Lâmpada em uma mão, e sua pequena Cesta na outra. Ela desceu. Ambrosio permaneceu acima, observando os fracos raios da Lâmpada enquanto eles ainda subiam as escadas. Eles desapareceram, e Ele se encontrou em total escuridão.
Deixado a si mesmo, Ele não podia refletir sem surpresa sobre a mudança repentina no caráter e nos sentimentos de Matilda. Mas alguns dias haviam passado desde que Ela parecia a mais mansa e suave de seu sexo, devotada à sua vontade, e olhando para ele como para um Ser superior. Agora, Ela assumia uma espécie de coragem e virilidade em seus modos e discurso, mas mal calculados para agradá-lo. Ela não falava mais para insinuar, mas comandar: Ele se via incapaz de enfrentá-la em argumento, e era obrigado a confessar a superioridade de seu julgamento. Cada momento o convencia dos poderes extraordinários de sua mente: Mas o que Ela ganhava na opinião do Homem, Ela perdia com juros no afeto do Amante. Ele sentia falta de Rosario, a terna e submissa: Ele lamentava que Matilda preferisse as virtudes de seu sexo às de seu próprio; e, quando pensava em suas expressões sobre a Freira devotada, Ele não podia deixar de culpá-las como cruéis e pouco femininas. A piedade é um sentimento tão natural, tão apropriado ao caráter feminino, que é dificilmente um mérito para uma Mulher possuí-la, mas estar sem ela é um crime grave. Ambrosio não podia perdoar facilmente sua Amante por ser deficiente nessa amável qualidade. No entanto, embora ele a culpasse por sua insensibilidade, Ele sentia a verdade de suas observações; e, embora sentisse sinceramente pela infeliz Agnes, Ele resolveu abandonar a ideia de interceder em seu favor.
Quase uma hora havia passado desde que Matilda desceu às Criptas; Ainda Ela não retornava. A curiosidade de Ambrosio foi excitada. Ele se aproximou da Escada. Ele escutou. Tudo estava silencioso, exceto que, a intervalos, Ele ouvia o som da voz de Matilda, enquanto ecoava pelos corredores subterrâneos, e era re-ecoada pelos tetos abobadados do Sepulcro. Ela estava muito distante para que ele distinguisse suas palavras, e, ao alcançá-lo, elas se transformavam em um murmúrio baixo. Ele ansiava por penetrar nesse mistério. Ele resolveu desobedecer a suas injunções e segui-la até a Cripta. Ele avançou para a Escada; Ele já havia descido alguns degraus quando sua coragem falhou. Ele se lembrou das ameaças de Matilda se Ele infringisse suas ordens, e seu peito foi preenchido com uma ansiedade secreta e incompreensível. Ele retornou aos degraus, retomou seu posto anterior, e esperou ansiosamente pela conclusão dessa aventura.
De repente, Ele foi sensível a um violento choque: Um terremoto abalou o chão. As Colunas que sustentavam o teto sob o qual Ele estava foram tão fortemente sacudidas, que a cada momento o ameaçavam com sua queda, e, ao mesmo momento, Ele ouviu um estrondo alto e tremendo. Ele cessou, e seus olhos, estando fixos na Escada, Ele viu uma coluna brilhante de luz subir pelas Criptas abaixo. Ela foi vista apenas por um instante. Assim que desapareceu, tudo ficou novamente quieto e obscuro. Profunda Escuridão mais uma vez o cercou, e o silêncio da noite foi quebrado apenas pelo morcego, enquanto ele voava lentamente por ele.
Com cada instante, o espanto de Ambrosio aumentava. Outra hora se passou, após a qual a mesma luz novamente apareceu e desapareceu novamente tão repentinamente. Ela foi acompanhada por uma melodia suave, mas solene, que, enquanto se espalhava pelas Criptas abaixo, inspirava o Monge com deleite e terror misturados. Ela não havia sido silenciada há muito tempo, quando Ele ouviu os passos de Matilda na Escada. Ela subiu da Cripta; A alegria mais viva animava suas feições belas.
“Você viu algo?” Ela perguntou.
“Duas vezes vi uma coluna de luz subir a Escada.”
“Nada mais?”
“Nada.”
“A Manhã está prestes a raiar. Vamos nos retirar para a Abadia, para que a luz do dia não nos traia.”
Com um passo leve, Ela se apressou para fora do cemitério. Ela retornou a sua Cela, e o curioso Abade ainda a acompanhou. Ela fechou a porta, e se desfez de sua Lâmpada e Cesta.
“Eu consegui!” Ela exclamou, jogando-se em seus braços: “Consegui além de minhas esperanças mais otimistas! Eu viverei, Ambrosio, viverei para você! O passo que eu temi dar se torna para mim uma fonte de alegrias inexpressíveis! Oh! que eu pudesse comunicar essas alegrias a você! Oh! que eu fosse permitida a compartilhar com você meu poder, e elevá-lo tão acima do nível de seu sexo, como um ato ousado me elevou acima do meu!”
“E o que me impede, Matilda?” interrompeu o Frade; “Por que meu negócio na Cripta foi feito um segredo? Você pensa que eu sou indigno de sua confiança? Matilda, eu devo duvidar da verdade de seu afeto, enquanto você tiver alegrias nas quais eu sou proibido de compartilhar.”
“Você me reprova com injustiça. Eu lamento sinceramente que eu seja obrigada a esconder de você minha felicidade. Mas eu não sou culpada: A culpa não está em mim, mas em você, meu Ambrosio! Você ainda é muito o Monge. Sua mente está escravizada pelos preconceitos da Educação; E a Superstição pode fazer você tremer diante da ideia do que a experiência me ensinou a valorizar e apreciar. No momento, você é indigno de ser confiados com um segredo de tal importância: Mas a força de seu julgamento; e a curiosidade que eu me alegro em ver brilhando em seus olhos, me faz esperar que você um dia mereça minha confiança. Até que esse período chegue, contenha sua impaciência. Lembre-se de que você me deu sua solene promessa de nunca perguntar sobre as aventuras desta noite. Eu insisto em que você mantenha essa promessa: Pois, embora” Ela acrescentou sorrindo, enquanto selava seus lábios com um beijo lascivo; “Embora eu perdoe sua quebra de votos ao céu, eu espero que você mantenha seus votos comigo.”
O Frade retornou o abraço que havia acendido seu sangue. Os excessos luxuriosos da noite anterior foram renovados, e eles não se separaram até que o Sino tocasse para as Matinas.
Os mesmos prazeres foram frequentemente repetidos. Os Monges se alegraram com a recuperação inesperada do falso Rosario, e nenhum deles suspeitou de seu sexo real. O Abade possuía sua Amante em tranquilidade, e, percebendo sua fraqueza não suspeita, abandonou-se a seus desejos em total segurança. Vergonha e remorso não o atormentavam mais. Repetições frequentes o tornaram familiar com o pecado, e seu peito se tornou insensível aos golpes da Consciência. Nesses sentimentos, Ele foi encorajado por Matilda; Mas Ela logo percebeu que havia saciado seu Amante com a liberdade de seus abraços. Seus encantos, tornando-se familiares para ele, não mais excitavam os mesmos desejos que inicialmente haviam inspirado. O delírio da paixão havia passado, e Ele tinha lazer para observar cada pequeno defeito: Onde nenhum era encontrado, a Saciedade o fazia imaginá-los. O Monge estava glutado com a plenitude do prazer: Uma Semana mal havia passado antes que Ele estivesse cansado de sua Amante: Sua constituição quente ainda o fazia buscar em seus braços a gratificação de sua luxúria: Mas, quando o momento da paixão passava, Ele a deixava com desgosto, e seu humor, naturalmente inconstante, o fazia suspirar impacientemente por variedade.
A posse, que sacia o Homem, apenas aumenta o afeto da Mulher. Matilda, com cada dia que passava, se apegava mais ao Frade. Desde que Ele havia obtido seus favores, Ele se tornara mais caro para ela do que nunca, e Ela sentia gratidão por ele pelos prazeres nos quais eles haviam sido igualmente Compartilhadores. Infelizmente, à medida que sua paixão crescia ardente, a de Ambrosio esfriava; Os próprios sinais de seu afeto excitavam seu desgosto, e seu excesso servia para extinguir a chama que já queimava fracamente em seu peito. Matilda não podia deixar de notar que sua sociedade parecia diariamente menos agradável: Ele estava desatento enquanto Ela falava: seus talentos musicais, que Ela possuía em perfeição, haviam perdido o poder de diverti-lo; Ou, se Ele se dignava a elogiá-los, seus cumprimentos eram evidentemente forçados e frios. Ele não mais a olhava com afeto, ou aplaudia seus sentimentos com a parcialidade de um Amante. Isso Matilda bem percebia, e redobrava seus esforços para reviver aqueles sentimentos que Ele uma vez havia sentido. Ela não podia deixar de falhar, pois Ele considerava como importúncias os esforços que Ela fazia para agradá-lo, e era desagradado pelos próprios meios que Ela usava para chamar de volta o Errante. Ainda assim, no entanto, seu comércio ilícito continuou: Mas era claro que Ele era levado a seus braços, não por amor, mas pelos anseios de um apetite brutal. Sua constituição o tornava necessitado de uma Mulher, e Matilda era a única com quem Ele podia indulgir suas paixões com segurança: Apesar de sua beleza, Ele olhava para cada outra Mulher com mais desejo; Mas, temendo que sua Hipocrisia fosse tornada pública, Ele confinava seus desejos em seu próprio peito.
Por continuidade apenas — esta é o FINAL da seção anterior, já traduzida. Não traduza novamente e não repita na sua resposta. Combine os nomes, terminologia e registro: --- sua própria peito. Mas, temendo que sua Hipocrisia fosse tornada pública, Ele confinava seus desejos em seu próprio peito. ---
Antonia o recebeu com uma simples reverência e continuou seu trabalho: Suas bochechas estavam ruborizadas, e Ela se esforçava para esconder sua emoção inclinando-se sobre seu bordado. Sua Tia também escolheu exibir seus ares de modéstia; Ela fingiu corar e tremer, e esperou com os olhos baixos para receber, como esperava, os cumprimentos de Don Christoval. Vendo que, após algum tempo, nenhum sinal de sua aproximação era dado, Ela se aventurou a olhar ao redor do quarto e percebeu, com vexação, que Medina estava desacompanhado. A impaciência não permitiu que ela esperasse por uma explicação: Interrompendo Lorenzo, que estava transmitindo a mensagem de Raymond, Ela quis saber o que havia acontecido com seu Amigo.
Ele, que achava necessário manter-se em suas boas graças, se esforçou para consolá-la por sua decepção cometendo uma pequena violência contra a verdade.
“Ah! Senhora,” Ele respondeu em tom melancólico, “Como Ele estará triste por perder esta oportunidade de pagar-lhe suas reverências! A doença de um Parente o obrigou a deixar Madrid às pressas: Mas, em seu retorno, Ele certamente aproveitará o primeiro momento com transporte para se jogar a seus pés!”
Enquanto Ele dizia isso, seus olhos se encontraram com os de Elvira: Ela puniu sua falsidade suficientemente com um olhar que expressava desaprovação e reprovação. Nem a mentira respondeu à sua intenção. Irritada e desapontada, Leonella se levantou de seu assento e se retirou em cólera para seu próprio aposento.
Lorenzo apressou-se em reparar a falha, que havia prejudicado sua reputação aos olhos de Elvira. Ele relatou sua conversa com o Marquês sobre ela: Ele lhe assegurou que Raymond estava preparado para reconhecê-la como Viúva de seu Irmão; e que, até que estivesse em seu poder pagar-lhe suas homenagens pessoalmente, Lorenzo estava encarregado de ocupar seu lugar. Essa informação aliviou Elvira de um peso de inquietação: Ela agora havia encontrado um Protetor para a desamparada Antonia, por cujo futuro Ela havia sentido as maiores apreensões. Ela não foi parcimoniosa em seus agradecimentos a quem havia interferido tão generosamente em seu favor; Mas ainda assim, Ela não lhe deu nenhum convite para repetir sua visita.
No entanto, quando, ao se levantar para partir, Ele pediu permissão para perguntar por sua saúde ocasionalmente, a polidez earnesta de seu modo, gratidão por seus serviços e respeito por seu Amigo, o Marquês, não admitiam recusa. Ela consentiu relutantemente em recebê-lo: Ele prometeu não abusar de sua bondade e saiu da Casa.
Antonia agora ficou sozinha com sua Mãe: Um silêncio temporário se seguiu. Ambas desejavam falar sobre o mesmo assunto, mas Nenhuma sabia como introduzi-lo. Uma sentia uma timidez que selava seus lábios, e pela qual Ela não podia explicar: A outra temia encontrar suas apreensões verdadeiras, ou inspirar em sua Filha noções pelas quais Ela ainda poderia ser uma Estranha. Por fim, Elvira começou a conversa.
“Aquele é um jovem encantador, Antonia; Eu estou muito satisfeita com ele. Ele ficou muito tempo perto de você ontem na Catedral?”
“Ele não me deixou por um momento enquanto eu fiquei na Igreja: Ele me deu seu lugar, e foi muito atencioso e solícito.”
“De fato? Por que então você nunca mencionou seu nome para mim? Sua Tia se lançou em elogios a seu Amigo, e você exaltou a eloquência de Ambrosio: Mas Nenhuma disse uma palavra sobre a pessoa e realizações de Don Lorenzo. Se não fosse por Leonella ter falado de sua prontidão em assumir nossa causa, eu não saberia que ele estava em existência.”
Ela parou. Antonia corou, mas ficou em silêncio.
“Talvez você o julgue menos favoravelmente do que eu. Em minha opinião, sua figura é agradável, sua conversa sensata, e seus modos cativantes. Ainda assim, Ele pode ter lhe impressionado de forma diferente: Você pode achá-lo desagradável, e ...”.
“Desagradável? Oh! querida Mãe, como eu poderia possivelmente achá-lo assim? Eu seria muito ingrata se não fosse sensível à sua bondade ontem, e muito cega se seus méritos tivessem me escapado. Sua figura é tão graciosa, tão nobre! Seus modos tão gentis, mas tão varonil! Eu nunca vi tantas realizações unidas em uma pessoa, e duvido que Madrid possa produzir seu igual.”
“Por que então você foi tão silenciosa em elogios a esse Fênix de Madrid?
Por que foi escondido de mim que sua sociedade lhe proporcionou prazer?”
“Na verdade, eu não sei: Você me faz uma pergunta que eu não consigo resolver a mim mesma. Eu estava prestes a mencioná-lo mil vezes: Seu nome estava constantemente em meus lábios, mas quando eu ia pronunciá-lo, eu faltava coragem para executar meu plano. No entanto, se eu não falei dele, não foi porque eu pensava menos nele.”
“Isso eu acredito; Mas eu lhe direi por que você faltou coragem. Foi porque, acostumada a me confiar seus pensamentos mais secretos, você não sabia como esconder, mas temia reconhecer, que seu coração nutria um sentimento que você sabia que eu desaprovaría. Venha aqui para mim, minha Filha.”
Antonia deixou seu bordado, se jogou de joelhos no Sofá, e escondeu seu rosto no colo de sua Mãe.
“Não tema, minha querida Menina! Considere-me igualmente como sua Amiga e Mãe, e não tema reprovação de mim. Eu li as emoções de seu peito; você ainda é inexperiente em escondê-las, e elas não podiam escapar de meu olho atento. Este Lorenzo é perigoso para seu repouso; Ele já fez uma impressão em seu coração. É verdade que eu percebo facilmente que seu afeto é retribuído; Mas quais podem ser as consequências desse apego? Você é pobre e desamparada, minha Antonia; Lorenzo é o Herdeiro do Duque de Medina Celi. Mesmo que Ele mesmo tenha boas intenções, seu Tio nunca consentirá em sua união; Nem, sem o consentimento de seu Tio, eu consentirei. Por experiência própria, eu sei que tristezas deve suportar aquela que se casa com uma família relutante em recebê-la. Então, lute contra seu afeto: Por mais que custe, esforce-se para conquistá-lo. Seu coração é terno e suscetível: Ele já recebeu uma forte impressão; Mas, uma vez convencida de que você não deve encorajar tais sentimentos, eu confio que você tem força suficiente para expulsá-los de seu peito.”
Antonia beijou sua mão e prometeu obediência implícita. Elvira então continuou.
“Para evitar que sua paixão cresça, será necessário proibir as visitas de Lorenzo. O serviço que Ele me prestou não me permite proibi-las positivamente; Mas, a menos que eu julgue favoravelmente seu caráter, Ele deixará de fazê-las sem se ofender, se eu confessar minhas razões e me jogar inteiramente em sua generosidade. Na próxima vez que eu o vir, eu honestamente lhe direi o embaraço que sua presença me causa. Como você acha, minha Filha? Isso não é necessário?”
Antonia concordou com tudo sem hesitação, embora não sem pesar. Sua Mãe a beijou carinhosamente e se retirou para a cama. Antonia seguiu seu exemplo e jurou tão frequentemente nunca mais pensar em Lorenzo, que, até o Sono fechar seus olhos, Ela não pensou em mais nada.
Enquanto isso, no Palácio de Medina, Lorenzo apressou-se em rejoinir o Marquês. Tudo estava pronto para o segundo rapto de Agnes; e, à meia-noite, os dois Amigos, com uma Carroça e quatro Cavalos, estavam no muro do Jardim do Convento. Don Raymond abriu a porta. Eles entraram e esperaram por algum tempo, na expectativa de serem alcançados por Agnes. Por fim, o Marquês ficou impaciente: Começando a temer que sua segunda tentativa tivesse sucesso tão ruim quanto a primeira, Ele propôs reconnoitre o Convento. Os Amigos avançaram em sua direção. Tudo estava silencioso e escuro. A Prioresa estava ansiosa para manter o segredo, temendo que o crime de uma de suas membros trouxesse desonra para toda a comunidade, ou que a intervenção de Parentes poderosos a privasse de sua vingança. Ela, portanto, tomou cuidado para não dar ao Amante de Agnes motivo para supor que seu plano havia sido descoberto, e que sua Amada estava prestes a sofrer o castigo de sua culpa. A mesma razão a fez rejeitar a ideia de prender o Sedutor desconhecido no Jardim; Tal procedimento criaria muita perturbação, e a desonra de seu Convento seria divulgada por Madrid. Ela se contentou em confinar Agnes estreitamente; Quanto ao Amante, Ela o deixou à vontade para prosseguir com seus desígnios. O que Ela havia esperado foi o resultado. O Marquês e Lorenzo esperaram em vão até o raiar do dia: Eles então se retiraram sem barulho, alarmados com o fracasso de seu plano, e ignorantes da causa de seu insucesso.
Na manhã seguinte, Lorenzo foi ao Convento e pediu para ver sua Irmã. A Prioresa apareceu na Grade com uma expressão melancólica: Ela o informou que, por vários dias, Agnes havia aparecido muito agitada; Que as Freiras a haviam instado em vão a revelar a causa, e a buscar em sua ternura conselho e consolação; Que Ela havia obstinadamente persistido em esconder a causa de sua angústia; Mas que, na Noite de quinta-feira, isso havia produzido um efeito tão violento em sua constituição, que Ela havia adoecido, e estava realmente confinada à cama. Lorenzo não acreditou em uma sílaba dessa história: Ele insistiu em ver sua Irmã; Se Ela estava incapaz de vir à Grade, Ele desejava ser admitido em sua Cela. A Prioresa se cruzou! Ela ficou chocada com a ideia de um Homem profanar o interior de sua santa Mansão, e se declarou surpresa de que Lorenzo pudesse pensar em tal coisa. Ela lhe disse que seu pedido não podia ser atendido; Mas que, se Ele retornasse no dia seguinte, Ela esperava que sua amada Filha estivesse suficientemente recuperada para se juntar a ele na Grade do Parlatório.
Com essa resposta, Lorenzo foi obrigado a se retirar, insatisfeito e temendo pela segurança de sua Irmã.
Ele retornou na manhã seguinte no horário marcado. “Agnes estava pior; O Médico havia declarado que Ela estava em perigo iminente; Ela foi ordenada a permanecer quieta, e era absolutamente impossível que Ela recebesse a visita de seu Irmão.” Lorenzo se irritou com essa resposta, mas não havia recurso. Ele se irritou, suplicou, ameaçou: Nenhum meio foi deixado de tentar para obter um vislumbre de Agnes. Seus esforços foram tão infrutíferos quanto os do dia anterior, e Ele retornou em desespero ao Marquês. Por sua vez, o Último havia poupado nenhum esforço para descobrir o que havia causado o fracasso de seu plano: Don Christoval, a quem o caso agora estava confiado, tentou extrair o segredo da velha Porteira de Santa Clara, com quem Ele havia formado um conhecimento; Mas Ela estava muito atenta, e Ele não ganhou nenhuma informação dela. O Marquês estava quase desesperado, e Lorenzo sentia inquietação não menor. Ambos estavam convencidos de que o rapto proposto devia ter sido descoberto: Eles não duvidavam de que a doença de Agnes era uma farsa, Mas não sabiam por que meios resgatar ela das mãos da Prioresa.
Regularmente, todos os dias, Lorenzo visitava o Convento: Regularmente, Ele era informado de que sua Irmã estava piorando. Certo de que sua indisposição era fingida, essas notícias não o alarmavam: Mas sua ignorância de seu destino, e dos motivos que levavam a Prioresa a mantê-la longe dele, excitavam a mais séria inquietação. Ele ainda estava incerto sobre que passos deveria tomar, quando o Marquês recebeu uma carta do Cardeal-Duque de Lerma. Ela continha o tão esperado Breve do Papa, ordenando que Agnes fosse liberada de seus votos e restaurada a seus Parentes. Este documento essencial decidiu de uma vez os procedimentos de seus Amigos: Eles resolveram que Lorenzo o levasse à Domina sem demora, e exigisse que sua Irmã fosse imediatamente entregue a ele. Contra essa ordem, doença não podia ser alegada: Ela lhe dava o poder de removê-la instantaneamente para o Palácio de Medina, e Ele estava determinado a usar esse poder no dia seguinte.
Sua mente aliviada da inquietação sobre sua Irmã, e seus Espíritos elevados pela esperança de logo restaurá-la à liberdade, Ele agora teve tempo para dar alguns momentos ao amor e a Antonia. No mesmo horário de sua visita anterior, Ele se dirigiu à Casa de Donna Elvira: Ela havia dado ordens para sua admissão. Assim que Ele foi anunciado, sua Filha se retirou com Leonella, e, quando Ele entrou no quarto, Ele encontrou a Senhora da Casa sozinha. Ela o recebeu com menos distância do que antes, e lhe pediu que se sentasse perto dela no Sofá. Ela então, sem perder tempo, abriu seu negócio, como havia sido combinado entre ela e Antonia.
“Você não deve pensar que eu sou ingrata, Don Lorenzo, ou esquecida de quão essenciais são os serviços que você prestou a mim com o Marquês. Eu sinto o peso de minhas obrigações; Nada sob o Sol deveria me induzir a tomar o passo ao qual agora sou compelida, a não ser o interesse de minha Filha, de minha amada Antonia. Minha saúde está declinando; Deus sabe quando eu posso ser chamada diante de Seu Trono. Minha Filha ficará sem Pais, e, se Ela perder a proteção da família Cisternas, sem Amigos.
Ela é jovem e ingênua, desinstruída na perfídia do mundo, e com encantos suficientes para se tornar objeto de sedução. Julgue então, como eu devo tremer ante a perspectiva diante dela! Julgue como ansiosa eu devo estar para mantê-la longe daqueles que possam excitar as paixões ainda adormecidas de seu peito. Você é amável, Don Lorenzo: Antonia tem um coração suscetível e amoroso, e é grata pelas gentilezas que nos foram conferidas por sua interferência com o Marquês. Sua presença me faz tremer: Eu temo que ela inspire nela sentimentos que possam embitter o restante de sua vida, ou a encoraje a nutrir esperanças em sua situação injustificáveis e fúteis. Perdoe-me quando eu confessar meus temores, e deixe minha franqueza pleitear em minha desculpa. Eu não posso proibir você de minha Casa, pois a gratidão me restringe; Eu só posso me jogar em sua generosidade, e suplicar que você poupe os sentimentos de uma Mãe ansiosa. Acredite em mim quando eu lhe asseguro que lamento a necessidade de rejeitar sua amizade; Mas não há remédio, e o interesse de Antonia me obriga a pedir que você se abstenha de suas visitas. Ao cumprir com meu pedido, você aumentará a estima que já sinto por você, e da qual tudo me convence de que você é verdadeiramente merecedor.”
“Sua franqueza me encanta,” respondeu Lorenzo; “Você encontrará que, em sua opinião favorável de mim, você não foi enganada. No entanto, eu espero que as razões, agora em meu poder para alegar, a persuadirão a retirar um pedido que eu não posso obedecer sem infinita relutância. Eu amo sua Filha, amo-a sinceramente: Eu desejo nada mais do que inspirá-la com os mesmos sentimentos, e receber sua mão no Altar como minha Esposa. É verdade, eu não sou rico por mim mesmo; A morte de meu Pai me deixou com pouco em meu próprio poder; Mas minhas expectativas me justificam em pretender a mão da Filha do Condé de las Cisternas.”
Ele estava prosseguindo, mas Elvira o interrompeu.
“Ah! Don Lorenzo, você esquece, nesse título pomposo, a mesquinhez de minha origem. Você esquece que eu passei catorze anos na Espanha, desavinda pela família de meu Marido, e existindo com uma pensão mal suficiente para o sustento e educação de minha Filha. Aliás, eu até fui negligenciada pela maioria de meus próprios Parentes, que, por inveja, afetam duvidar da realidade de meu casamento. Meu subsídio foi descontinuado à morte de meu Sogro, e eu fui reduzida à beira da miséria. Nesta situação, eu fui encontrada por minha Irmã, que, entre todos os seus defeitos, possui um coração quente, generoso e afetuoso. Ela me ajudou com o pouco que meu Pai lhe deixou, me persuadiu a visitar Madrid, e tem sustentado minha Filha e a mim desde que deixamos Múrcia. Então, não considere Antonia como descendente do Condé de las Cisternas: Considere-a como uma Órfã pobre e desamparada, como a Neta do Comerciante Torribio Dalfa, como a Pensionista necessitada da Filha desse Comerciante. Reflita sobre a diferença entre tal situação e a do Sobrinho e Herdeiro do poderoso Duque de Medina. Eu acredito em suas intenções honrosas; Mas, como não há esperanças de que tal união venha a acontecer, eu prevejo que as consequências de seu apego devem ser fatais ao repouso de minha Filha.”
“Perdoe-me, Senhora; Você está mal informada se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
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“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
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“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
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“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
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“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
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“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos
“Como!” disse o Frade consigo mesmo; “Antonia lê a Bíblia, e ainda é tão ignorante?”
Ele abriu o Livro ao acaso, e seus olhos caíram sobre as seguintes palavras:
“Porque este é o amor de Deus, que guardemos seus mandamentos: e seus mandamentos não são pesados.”
Ele leu a passagem em voz alta, e então continuou:
“Você entende o significado dessas palavras, Antonia?”
“Perfeitamente,” respondeu ela; “Elas nos dizem que devemos amar a Deus acima de todas as coisas, e que seus mandamentos não são difíceis de seguir.”
“E você acredita que pode seguir esses mandamentos?” perguntou Ambrosio.
“Eu espero poder,” disse ela, com um sorriso tímido. “Eu tento fazer o que é certo, e confio em Deus para me guiar.”
Ambrosio ficou impressionado com a simplicidade e sinceridade de sua resposta. Ele percebeu que, apesar de sua juventude e falta de experiência, Antonia tinha um coração puro e uma fé inabalável. Ele decidiu usar essa fé para seus próprios fins, e começou a falar sobre a natureza do amor e da paixão.
“Você sabe, Antonia,” disse ele, “que o amor é um sentimento poderoso e irresistível. Ele pode nos levar a fazer coisas que nunca imaginamos ser capazes de fazer.”
“Sim,” respondeu ela, “mas eu acredito que o amor verdadeiro é puro e desinteressado. Ele não busca seu próprio prazer, mas o bem-estar do outro.”
“E você acha que é possível amar alguém sem desejá-lo?” perguntou Ambrosio.
“Eu acho que sim,” disse ela, após uma pausa. “Eu amo minha Mãe, e não sinto desejo por ela. Eu amo Deus, e meu amor por Ele é puro e espiritual.”
“Mas e se você amar alguém de sua própria idade e sexo?” perguntou Ambrosio, com um sorriso malicioso. “Alguém que é bonito, inteligente e gentil? Alguém que faz seu coração bater mais forte e sua mente vagaar por pensamentos agradáveis?”
Antonia corou e baixou os olhos.
“Eu nunca pensei sobre isso,” disse ela, com voz baixa. “Mas eu acho que, se eu amasse alguém assim, eu tentaria controlar meus sentimentos e não deixar que eles me levassem a fazer algo errado.”
Ambrosio sorriu, satisfeito com sua resposta. Ele percebeu que Antonia era ingênua e confiável, e que seria fácil manipulá-la. Ele decidiu usar sua fé e sua inocência para seus próprios fins, e começou a falar sobre a natureza da tentação e do pecado.
“Você sabe, Antonia,” disse ele, “que a tentação é uma parte inevitável da vida. Todos nós somos tentados a fazer coisas erradas, e é nossa responsabilidade resistir a essa tentação.”
“Sim,” respondeu ela, “mas eu acredito que, com a ajuda de Deus, podemos superar qualquer tentação. Nós só precisamos ter fé e confiar em Sua vontade.”
“E se a tentação for muito forte?” perguntou Ambrosio. “Se for algo que você deseja com todo o seu coração, algo que parece tão bom e tão certo que é difícil resistir?”
Antonia pensou por um momento antes de responder.
“Eu acho que, mesmo nesse caso, nós devemos tentar resistir,” disse ela. “Nós devemos lembrar que Deus nos ama e quer o melhor para nós, e que Ele nunca nos tentaria a fazer algo que não é certo.”
Ambrosio sorriu, impressionado com a força de sua fé. Ele decidiu usar essa fé para seus próprios fins, e começou a falar sobre a natureza do amor e da paixão de uma maneira que sugerisse que seus sentimentos por ela eram puros e desinteressados.
“Você sabe, Antonia,” disse ele, “que eu tenho um grande afeto por você. Eu a considero como uma irmã, e quero ajudá-la a crescer e a se tornar uma pessoa boa e justa.”
“Eu sei,” respondeu ela, com um sorriso tímido. “Eu também tenho um grande afeto por você, e agradeço por sua bondade e sabedoria.”
Ambrosio aproveitou a oportunidade para se aproximar dela. Ele pegou sua mão e a segurou com delicadeza.
“Antonia,” disse ele, com voz baixa e suave, “eu quero que você saiba que eu a amo. Não é um amor físico, mas um amor espiritual, um amor que transcende o corpo e a mente. Eu quero que você seja minha esposa, não apenas no sentido carnal, mas no sentido espiritual, como uma alma gêmea, uma companheira de jornada.”
Antonia ficou surpresa e confusa. Ela não sabia como responder, e seu coração batia forte em seu peito.
“Mas...” começou ela, “eu não sei o que dizer. Eu nunca pensei sobre o casamento, e eu não sei se estou pronta para isso.”
“Não se preocupe,” disse Ambrosio, com um sorriso tranquilizador. “Nós não precisamos nos apressar. Podemos esperar até que você esteja pronta, até que você sinta que é a hora certa. Mas eu quero que você saiba que eu estou aqui para você, e que eu sempre estarei ao seu lado, não importa o que aconteça.”
Antonia sentiu uma onda de emoção percorrer seu corpo. Ela nunca havia sentido algo assim antes, e não sabia como lidar com isso. Ela olhou para Ambrosio com olhos brilhantes e um sorriso tímido.
“Obrigada,” disse ela, com voz baixa. “Eu não sei o que dizer, mas eu agradeço por sua bondade e por seu amor.”
Ambrosio sorriu, satisfeito com sua resposta. Ele sabia que havia plantado uma semente em seu coração, e que, com o tempo, ela cresceria e se tornaria uma árvore frutífera. Ele se levantou e se preparou para sair, mas antes de ir, ele a beijou na testa, com um gesto de afeto e proteção.
“Lembre-se, Antonia,” disse ele, “que eu sempre estarei aqui para você. Não importa o que aconteça, eu sempre estarei ao seu lado, como um amigo, um conselheiro e um amante.”
Antonia sorriu, sentindo-se segura e protegida em seus braços. Ela sabia que havia encontrado alguém especial, alguém que a amava e a compreendia, e que estaria sempre ao seu lado, não importa o que acontecesse.
E, enquanto Ambrosio saía do quarto, ela sentiu uma paz e uma alegria que nunca havia sentido antes. Ela sabia que havia encontrado seu caminho, e que, com a ajuda de Deus e de Ambrosio, ela seria capaz de superar qualquer obstáculo e alcançar a felicidade que tanto desejava.
Mas, enquanto ela se deitava para dormir, ela não sabia que Ambrosio tinha seus próprios planos e motivações. Ele não era o homem santo e justo que parecia ser, e seu amor por ela não era puro e desinteressado. Ele tinha seus próprios desejos e paixões, e estava disposto a fazer qualquer coisa para satisfazê-los.
E, enquanto Antonia dormia, Ambrosio planejava seu próximo movimento, sabendo que, com o tempo, ele seria capaz de conquistá-la e fazê-la sua. Ele sorriu, pensando em seu plano, e sabendo que, no final, ele seria o vencedor.
Mas, por enquanto, ele tinha que esperar e ser paciente. Ele sabia que não podia apressar as coisas, e que tinha que deixar que Antonia se desenvolvesse e amadurecesse em seu próprio tempo. Ele sabia que, quando o momento certo chegasse, ela seria sua, e que ele seria capaz de desfrutar dos frutos de seu trabalho.
E, enquanto ele caminhava de volta para o mosteiro, ele sentiu uma sensação de poder e controle que nunca havia sentido antes. Ele sabia que era o mestre de seu próprio destino, e que nada poderia impedi-lo de alcançar seus objetivos.
Ele era Ambrosio, o Monge, e estava pronto para conquistar o mundo.
Mas, ao examinar mais de perto, Ele descobriu que Elvira havia feito exatamente a mesma observação. Aquela Mãe prudente, enquanto admirava as belezas das escrituras sagradas, estava convencida de que, sem restrições, nenhuma leitura mais imprópria poderia ser permitida a uma jovem Mulher. Muitas das narrativas só podiam tender a excitar ideias as piores calculadas para um peito feminino: Tudo é chamado franca e diretamente por seu nome; e os anais de um Bordel dificilmente forneceriam uma escolha maior de expressões indecentes. No entanto, este é o Livro que as jovens Mulheres são recomendadas a estudar; que é colocado nas mãos de Crianças, capazes de compreender pouco mais do que aquelas passagens das quais elas teriam melhor permanecido ignorantes; e que, com muita frequência, incute os primeiros rudimentos do vício e dá o primeiro alarme às paixões ainda adormecidas. Diante disso, Elvira estava tão plenamente convencida que Ela teria preferido colocar nas mãos de sua Filha "Amadis de Gaul", ou "O Valente Campeão, Tirante o Branco"; e teria permitido que ela estudasse as lascívias façanhas de "Don Galaor", ou as piadas obscenas do "Dama Zel de mi Vida".
Ela havia, portanto, tomado duas resoluçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesresoluçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesçõesções
Ela havia, portanto, tomado duas resoluções resoluções resoluções resoluções duas resoluções sobre a leitura da Bíblia: A primeira era para proibir a leitura do Novo Testamento, e a outra para a leitura das Epístolas de São Paulo. Elvira havia, portanto, tomado duas resoluções: A primeira era para proibir a leitura do Novo Testamento, e a segunda para a leitura das Epístolas de São Paulo. Elvira havia, portanto, tomado duas resoluções: A primeira era para proibir a leitura do Novo Testamento, e a segunda para a leitura das Epístolas de São Paulo. Elvira
Ela havia
Antonia o recebeu com uma simples reverência e continuou seu trabalho: Suas bochechas estavam ruborizadas, e Ela se esforçava para esconder sua emoção inclinando-se sobre seu bordado. Sua Tia também escolheu exibir seus ares de modéstia; Ela fingiu corar e tremer, e esperou com os olhos baixos para receber, como esperava, os cumprimentos de Don Christoval. Vendo que, após algum tempo, nenhum sinal de sua aproximação era dado, Ela se aventurou a olhar ao redor do quarto e percebeu, com vexação, que Medina estava desacompanhado. A impaciência não permitiu que ela esperasse por uma explicação: Interrompendo Lorenzo, que estava transmitindo a mensagem de Raymond, Ela quis saber o que havia acontecido com seu Amigo.
Ele, que achava necessário manter-se em suas boas graças, se esforçou para consolá-la por sua decepção cometendo uma pequena violência contra a verdade.
“Ah! Senhora,” Ele respondeu em tom melancólico, “Como Ele estará triste por perder esta oportunidade de pagar-lhe suas reverências! A doença de um Parente o obrigou a deixar Madrid às pressas: Mas, em seu retorno, Ele certamente aproveitará o primeiro momento com transporte para se jogar a seus pés!”
Enquanto Ele dizia isso, seus olhos se encontraram com os de Elvira: Ela puniu sua falsidade suficientemente com um olhar que expressava desaprovação e reprovação. Nem a mentira respondeu à sua intenção. Irritada e desapontada, Leonella se levantou de seu assento e se retirou em cólera para seu próprio aposento.
Lorenzo apressou-se em reparar a falha, que havia prejudicado sua reputação aos olhos de Elvira. Ele relatou sua conversa com o Marquês sobre ela: Ele lhe assegurou que Raymond estava preparado para reconhecê-la como Viúva de seu Irmão; e que, até que estivesse em seu poder pagar-lhe suas homenagens pessoalmente, Lorenzo estava encarregado de ocupar seu lugar. Essa informação aliviou Elvira de um peso de inquietação: Ela agora havia encontrado um Protetor para a desamparada Antonia, por cujo futuro Ela havia sentido as maiores apreensões. Ela não foi parcimoniosa em seus agradecimentos a quem havia interferido tão generosamente em seu favor; Mas ainda assim, Ela não lhe deu nenhum convite para repetir sua visita.
No entanto, quando, ao se levantar para partir, Ele pediu permissão para perguntar por sua saúde ocasionalmente, a polidez earnesta de seu modo, gratidão por seus serviços e respeito por seu Amigo, o Marquês, não admitiam recusa. Ela consentiu relutantemente em recebê-lo: Ele prometeu não abusar de sua bondade e saiu da Casa.
Antonia agora ficou sozinha com sua Mãe: Um silêncio temporário se seguiu. Ambas desejavam falar sobre o mesmo assunto, mas Nenhuma sabia como introduzi-lo. Uma sentia uma timidez que selava seus lábios, e pela qual Ela não podia explicar: A outra temia encontrar suas apreensões verdadeiras, ou inspirar em sua Filha noções pelas quais Ela ainda poderia ser uma Estranha. Por fim, Elvira começou a conversa.
“Aquele é um jovem encantador, Antonia; Eu estou muito satisfeita com ele. Ele ficou muito tempo perto de você ontem na Catedral?”
“Ele não me deixou por um momento enquanto eu fiquei na Igreja: Ele me deu seu lugar, e foi muito atencioso e solícito.”
“De fato? Por que então você nunca mencionou seu nome para mim? Sua Tia se lançou em elogios a seu Amigo, e você exaltou a eloquência de Ambrosio: Mas Nenhuma disse uma palavra sobre a pessoa e realizações de Don Lorenzo. Se não fosse por Leonella ter falado de sua prontidão em assumir nossa causa, eu não saberia que ele estava em existência.”
Ela parou. Antonia corou, mas ficou em silêncio.
“Talvez você o julgue menos favoravelmente do que eu. Em minha opinião, sua figura é agradável, sua conversa sensata, e seus modos cativantes. Ainda assim, Ele pode ter lhe impressionado de forma diferente: Você pode achá-lo desagradável, e ...”.
“Desagradável? Oh! querida Mãe, como eu poderia possivelmente achá-lo assim? Eu seria muito ingrata se não fosse sensível à sua bondade ontem, e muito cega se seus méritos tivessem me escapado. Sua figura é tão graciosa, tão nobre! Seus modos tão gentis, mas tão varonil! Eu nunca vi tantas realizações unidas em uma pessoa, e duvido que Madrid possa produzir seu igual.”
“Por que então você foi tão silenciosa em elogios a esse Fênix de Madrid?
Por que foi escondido de mim que sua sociedade lhe proporcionou prazer?”
“Na verdade, eu não sei: Você me faz uma pergunta que eu não consigo resolver a mim mesma. Eu estava prestes a mencioná-lo mil vezes: Seu nome estava constantemente em meus lábios, mas quando eu ia pronunciá-lo, eu faltava coragem para executar meu plano. No entanto, se eu não falei dele, não foi porque eu pensava menos nele.”
“Isso eu acredito; Mas eu lhe direi por que você faltou coragem. Foi porque, acostumada a me confiar seus pensamentos mais secretos, você não sabia como esconder, mas temia reconhecer, que seu coração nutria um sentimento que você sabia que eu desaprovaría. Venha aqui para mim, minha Filha.”
Antonia deixou seu bordado, se jogou de joelhos no Sofá, e escondeu seu rosto no colo de sua Mãe.
“Não tema, minha querida Menina! Considere-me igualmente como sua Amiga e Mãe, e não tema reprovação de mim. Eu li as emoções de seu peito; você ainda é inexperiente em escondê-las, e elas não podiam escapar de meu olho atento. Este Lorenzo é perigoso para seu repouso; Ele já fez uma impressão em seu coração. É verdade que eu percebo facilmente que seu afeto é retribuído; Mas quais podem ser as consequências desse apego? Você é pobre e desamparada, minha Antonia; Lorenzo é o Herdeiro do Duque de Medina Celi. Mesmo que Ele mesmo tenha boas intenções, seu Tio nunca consentirá em sua união; Nem, sem o consentimento de seu Tio, eu consentirei. Por experiência própria, eu sei que tristezas deve suportar aquela que se casa com uma família relutante em recebê-la. Então, lute contra seu afeto: Por mais que custe, esforce-se para conquistá-lo. Seu coração é terno e suscetível: Ele já recebeu uma forte impressão; Mas, uma vez convencida de que você não deve encorajar tais sentimentos, eu confio que você tem força suficiente para expulsá-los de seu peito.”
Antonia beijou sua mão e prometeu obediência implícita. Elvira então continuou.
“Para evitar que sua paixão cresça, será necessário proibir as visitas de Lorenzo. O serviço que Ele me prestou não me permite proibi-las positivamente; Mas, a menos que eu julgue favoravelmente seu caráter, Ele deixará de fazê-las sem se ofender, se eu confessar minhas razões e me jogar inteiramente em sua generosidade. Na próxima vez que eu o vir, eu honestamente lhe direi o embaraço que sua presença me causa. Como você acha, minha Filha? Isso não é necessário?”
Antonia concordou com tudo sem hesitação, embora não sem pesar. Sua Mãe a beijou carinhosamente e se retirou para a cama. Antonia seguiu seu exemplo e jurou tão frequentemente nunca mais pensar em Lorenzo, que, até o Sono fechar seus olhos, Ela não pensou em mais nada.
Enquanto isso, no Palácio de Medina, Lorenzo apressou-se em rejoinir o Marquês. Tudo estava pronto para o segundo rapto de Agnes; e, à meia-noite, os dois Amigos, com uma Carroça e quatro Cavalos, estavam no muro do Jardim do Convento. Don Raymond abriu a porta. Eles entraram e esperaram por algum tempo, na expectativa de serem alcançados por Agnes. Por fim, o Marquês ficou impaciente: Começando a temer que sua segunda tentativa tivesse sucesso tão ruim quanto a primeira, Ele propôs reconnoitre o Convento. Os Amigos avançaram em sua direção. Tudo estava silencioso e escuro. A Prioresa estava ansiosa para manter o segredo, temendo que o crime de uma de suas membros trouxesse desonra para toda a comunidade, ou que a intervenção de Parentes poderosos a privasse de sua vingança. Ela, portanto, tomou cuidado para não dar ao Amante de Agnes motivo para supor que seu plano havia sido descoberto, e que sua Amada estava prestes a sofrer o castigo de sua culpa. A mesma razão a fez rejeitar a ideia de prender o Sedutor desconhecido no Jardim; Tal procedimento criaria muita perturbação, e a desonra de seu Convento seria divulgada por Madrid. Ela se contentou em confinar Agnes estreitamente; Quanto ao Amante, Ela o deixou à vontade para prosseguir com seus desígnios. O que Ela havia esperado foi o resultado. O Marquês e Lorenzo esperaram em vão até o raiar do dia: Eles então se retiraram sem barulho, alarmados com o fracasso de seu plano, e ignorantes da causa de seu insucesso.
Na manhã seguinte, Lorenzo foi ao Convento e pediu para ver sua Irmã. A Prioresa apareceu na Grade com uma expressão melancólica: Ela o informou que, por vários dias, Agnes havia aparecido muito agitada; Que as Freiras a haviam instado em vão a revelar a causa, e a buscar em sua ternura conselho e consolação; Que Ela havia obstinadamente persistido em esconder a causa de sua angústia; Mas que, na Noite de quinta-feira, isso havia produzido um efeito tão violento em sua constituição, que Ela havia adoecido, e estava realmente confinada à cama. Lorenzo não acreditou em uma sílaba dessa história: Ele insistiu em ver sua Irmã; Se Ela estava incapaz de vir à Grade, Ele desejava ser admitido em sua Cela. A Prioresa se cruzou! Ela ficou chocada com a ideia de um Homem profanar o interior de sua santa Mansão, e se declarou surpresa de que Lorenzo pudesse pensar em tal coisa. Ela lhe disse que seu pedido não podia ser atendido; Mas que, se Ele retornasse no dia seguinte, Ela esperava que sua amada Filha estivesse suficientemente recuperada para se juntar a ele na Grade do Parlatório.
Com essa resposta, Lorenzo foi obrigado a se retirar, insatisfeito e temendo pela segurança de sua Irmã.
Ele retornou na manhã seguinte no horário marcado. “Agnes estava pior; O Médico havia declarado que Ela estava em perigo iminente; Ela foi ordenada a permanecer quieta, e era absolutamente impossível que Ela recebesse a visita de seu Irmão.” Lorenzo se irritou com essa resposta, mas não havia recurso. Ele se irritou, suplicou, ameaçou: Nenhum meio foi deixado de tentar para obter um vislumbre de Agnes. Seus esforços foram tão infrutíferos quanto os do dia anterior, e Ele retornou em desespero ao Marquês. Por sua vez, o Último havia poupado nenhum esforço para descobrir o que havia causado o fracasso de seu plano: Don Christoval, a quem o caso agora estava confiado, tentou extrair o segredo da velha Porteira de Santa Clara, com quem Ele havia formado um conhecimento; Mas Ela estava muito atenta, e Ele não ganhou nenhuma informação dela. O Marquês estava quase desesperado, e Lorenzo sentia inquietação não menor. Ambos estavam convencidos de que o rapto proposto devia ter sido descoberto: Eles não duvidavam de que a doença de Agnes era uma farsa, Mas não sabiam por que meios resgatar ela das mãos da Prioresa.
Regularmente, todos os dias, Lorenzo visitava o Convento: Regularmente, Ele era informado de que sua Irmã estava piorando. Certo de que sua indisposição era fingida, essas notícias não o alarmavam: Mas sua ignorância de seu destino, e dos motivos que levavam a Prioresa a mantê-la longe dele, excitavam a mais séria inquietação. Ele ainda estava incerto sobre que passos deveria tomar, quando o Marquês recebeu uma carta do Cardeal-Duque de Lerma. Ela continha o tão esperado Breve do Papa, ordenando que Agnes fosse liberada de seus votos e restaurada a seus Parentes. Este documento essencial decidiu de uma vez os procedimentos de seus Amigos: Eles resolveram que Lorenzo o levasse à Domina sem demora, e exigisse que sua Irmã fosse imediatamente entregue a ele. Contra essa ordem, doença não podia ser alegada: Ela lhe dava o poder de removê-la instantaneamente para o Palácio de Medina, e Ele estava determinado a usar esse poder no dia seguinte.
Sua mente aliviada da inquietação sobre sua Irmã, e seus Espíritos elevados pela esperança de logo restaurá-la à liberdade, Ele agora teve tempo para dar alguns momentos ao amor e a Antonia. No mesmo horário de sua visita anterior, Ele se dirigiu à Casa de Donna Elvira: Ela havia dado ordens para sua admissão. Assim que Ele foi anunciado, sua Filha se retirou com Leonella, e, quando Ele entrou no quarto, Ele encontrou a Senhora da Casa sozinha. Ela o recebeu com menos distância do que antes, e lhe pediu que se sentasse perto dela no Sofá. Ela então, sem perder tempo, abriu seu negócio, como havia sido combinado entre ela e Antonia.
“Você não deve pensar que eu sou ingrata, Don Lorenzo, ou esquecida de quão essenciais são os serviços que você prestou a mim com o Marquês. Eu sinto o peso de minhas obrigações; Nada sob o Sol deveria me induzir a tomar o passo ao qual agora sou compelida, a não ser o interesse de minha Filha, de minha amada Antonia. Minha saúde está declinando; Deus sabe quando eu posso ser chamada diante de Seu Trono. Minha Filha ficará sem Pais, e, se Ela perder a proteção da família Cisternas, sem Amigos.
Ela é jovem e ingênua, desinstruída na perfídia do mundo, e com encantos suficientes para se tornar objeto de sedução. Julgue então, como eu devo tremer ante a perspectiva diante dela! Julgue como ansiosa eu devo estar para mantê-la longe daqueles que possam excitar as paixões ainda adormecidas de seu peito. Você é amável, Don Lorenzo: Antonia tem um coração suscetível e amoroso, e é grata pelas gentilezas que nos foram conferidas por sua interferência com o Marquês. Sua presença me faz tremer: Eu temo que ela inspire nela sentimentos que possam embitter o restante de sua vida, ou a encoraje a nutrir esperanças em sua situação injustificáveis e fúteis. Perdoe-me quando eu confessar meus temores, e deixe minha franqueza pleitear em minha desculpa. Eu não posso proibir você de minha Casa, pois a gratidão me restringe; Eu só posso me jogar em sua generosidade, e suplicar que você poupe os sentimentos de uma Mãe ansiosa. Acredite em mim quando eu lhe asseguro que lamento a necessidade de rejeitar sua amizade; Mas não há remédio, e o interesse de Antonia me obriga a pedir que você se abstenha de suas visitas. Ao cumprir com meu pedido, você aumentará a estima que já sinto por você, e da qual tudo me convence de que você é verdadeiramente merecedor.”
“Sua franqueza me encanta,” respondeu Lorenzo; “Você encontrará que, em sua opinião favorável de mim, você não foi enganada. No entanto, eu espero que as razões, agora em meu poder para alegar, a persuadirão a retirar um pedido que eu não posso obedecer sem infinita relutância. Eu amo sua Filha, amo-a sinceramente: Eu desejo nada mais do que inspirá-la com os mesmos sentimentos, e receber sua mão no Altar como minha Esposa. É verdade, eu não sou rico por mim mesmo; A morte de meu Pai me deixou com pouco em meu próprio poder; Mas minhas expectativas me justificam em pretender a mão da Filha do Condé de las Cisternas.”
Ele estava prosseguindo, mas Elvira o interrompeu.
“Ah! Don Lorenzo, você esquece, nesse título pomposo, a mesquinhez de minha origem. Você esquece que eu passei catorze anos na Espanha, desavinda pela família de meu Marido, e existindo com uma pensão mal suficiente para o sustento e educação de minha Filha. Aliás, eu até fui negligenciada pela maioria de meus próprios Parentes, que, por inveja, afetam duvidar da realidade de meu casamento. Meu subsídio foi descontinuado à morte de meu Sogro, e eu fui reduzida à beira da miséria. Nesta situação, eu fui encontrada por minha Irmã, que, entre todos os seus defeitos, possui um coração quente, generoso e afetuoso. Ela me ajudou com o pouco que meu Pai lhe deixou, me persuadiu a visitar Madrid, e tem sustentado minha Filha e a mim desde que deixamos Múrcia. Então, não considere Antonia como descendente do Condé de las Cisternas: Considere-a como uma Órfã pobre e desamparada, como a Neta do Comerciante Torribio Dalfa, como a Pensionista necessitada da Filha desse Comerciante. Reflita sobre a diferença entre tal situação e a do Sobrinho e Herdeiro do poderoso Duque de Medina. Eu acredito em suas intenções honrosas; Mas, como não há esperanças de que tal união venha a acontecer, eu prevejo que as consequências de seu apego devem ser fatais ao repouso de minha Filha.”
“Perdoe-me, Senhora; Você está mal informada se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos são liberais e desinteressados: Ele me ama bem; e eu não tenho motivo para temer que Ele proíba o casamento quando perceber que minha felicidade depende de Antonia. Mas, supondo que Ele recuse sua sanção, o que eu ainda tenho a temer? Meus Pais não estão mais; Meu pequeno patrimônio está em meu próprio poder: Ele será suficiente para sustentar Antonia, e eu trocaria o Ducado de Medina por sua mão sem um único suspiro de arrependimento.”
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“Perdoe-me, Don Lorenzo; Você está mal informado se supõe que o Duque de Medina se assemelha à generalidade dos Homens. Seus sentimentos
"Senhor,
Se você ainda deseja ver sua Irmã, venha esta noite ao Cemitério de Santa Clara. Traga a chave da porta do jardim, e espere por mim perto do túmulo da Fundadora do Convento. Venha sozinho, e não traga luzes."
O Marquês leu esta nota com uma emoção que não pode ser descrita. Ele estava convencido de que a autora era Agnes, e que ela ainda estava viva. Ele não perdeu tempo em preparar-se para o encontro. Lorenzo, embora cético, acompanhou-o, e Theodore, que estava determinado a proteger seu mestre, também se juntou a eles.
À meia-noite, eles chegaram ao Cemitério de Santa Clara. O Marquês abriu a porta do jardim com a chave que havia trazido, e eles entraram. A lua estava cheia, e sua luz iluminava o local, criando uma atmosfera sombria e misteriosa.
Eles se aproximaram do túmulo da Fundadora do Convento, e esperaram. O silêncio era absoluto, e a única coisa que se ouvia era o som do vento soprando através das árvores.
De repente, uma figura surgiu das sombras. Era uma mulher, vestida com um hábito religioso, e seu rosto estava coberto por um véu. Ela se aproximou do Marquês e falou com uma voz baixa e suave.
"Senhor, eu sou Agnes. Eu fui mantida prisioneira pela Prioresa, mas consegui escapar. Eu não posso ficar aqui por muito tempo, mas eu queria ver você antes de partir."
O Marquês ficou chocado e emocionado. Ele não conseguia acreditar que sua Irmã estava viva, e que ele a estava vendo novamente.
"Agnes, minha querida Irmã," disse ele, "eu não posso acreditar que você está aqui. Eu pensei que você estava morta."
"Eu estava presa," respondeu ela, "mas consegui escapar. Eu não posso ficar aqui por muito tempo, mas eu queria ver você antes de partir."
O Marquês abraçou sua Irmã, e as lágrimas rolaram por seu rosto. Lorenzo e Theodore também estavam emocionados, e eles se juntaram ao abraço.
"O que aconteceu com você?" perguntou o Marquês. "Como você foi prisioneira?"
"Eu fui mantida prisioneira pela Prioresa," respondeu Agnes. "Ela me acusou de um crime que eu não cometi, e me manteve trancada em uma cela. Mas eu consegui escapar, e agora eu estou livre."
"E o que você vai fazer agora?" perguntou Lorenzo.
"Eu não sei," respondeu Agnes. "Eu não tenho para onde ir, e não sei o que fazer. Mas eu não posso ficar aqui, eu tenho que partir."
O Marquês olhou para ela com preocupação.
"Você não pode partir," disse ele. "Você precisa de um lugar para ficar, e eu vou cuidar de você. Você pode vir comigo para o meu castelo, e eu vou proteger você."
Agnes hesitou por um momento, mas então concordou.
"Eu vou com você," disse ela. "Mas eu não posso ficar por muito tempo. Eu tenho que partir em breve."
O Marquês concordou, e eles se prepararam para partir. Agnes se despediu de Lorenzo e Theodore, e eles prometeram mantê-la em seus corações.
Eles saíram do Cemitério, e o Marquês levou Agnes para seu castelo. Ele a apresentou a sua família, e ela foi recebida com alegria e afeto.
Mas, apesar de sua felicidade, Agnes sabia que não podia ficar por muito tempo. Ela tinha que partir, e deixar para trás as pessoas que amava.
E, enquanto ela se preparava para partir, ela sabia que nunca esqueceria aquela noite, e as pessoas que haviam lhe dado uma segunda chance de viver.
FIM.
“Reconhecendo seu Pajem, eu me aventuro a enviar-lhe estas poucas linhas. Procure uma ordem do Cardeal-Duque para prender minha Pessoa, e a da Prioresa; Mas não a execute até a meia-noite de sexta-feira. É a Festa de Santa Clara: Haverá uma procissão de Freiras à luz de tochas, e eu estarei entre elas. Cuidado para não deixar que sua intenção seja conhecida: Se uma sílaba for dita para excitar as suspeitas da Prioresa, você nunca mais ouvirá falar de mim. Seja cauteloso, se você valoriza a memória de Agnes, e deseja punir seus Assassinos. Eu tenho que contar, que congelará seu sangue de horror.
“ST. URSULA.”
Assim que o Marquês leu a nota, Ele caiu de volta em sua cama, privado de sentidos ou movimento. A esperança que até então o sustentava falhou; e essas linhas o convenceram, de forma demasiado positiva, de que Agnes estava realmente morta. Lorenzo sentiu isso menos fortemente, pois sempre foi sua ideia que sua Irmã havia perecido por meios injustos. Quando Ele soube pela Madre St. Ursula que suas suspeitas eram verdadeiras, a confirmação não despertou outro sentimento em seu peito além de um desejo de punir os Assassinos como mereciam. Era uma tarefa difícil despertar o Marquês. Assim que Ele recuperou a fala, Ele irrompeu em execrações contra os Assassinos de sua Amada, e jurou tomar uma vingança sinalizada sobre eles. Ele continuou a ravar e a se torturar com paixão impotente até que sua constituição, enfraquecida pela dor e doença, não pudesse mais se sustentar, e Ele recaía em insensibilidade. Sua situação melancólica afetou sinceramente Lorenzo, que teria ficado de bom grado ao lado de seu Amigo; Mas outros cuidados agora exigiam sua presença. Era necessário obter a ordem para prender a Prioresa de Santa Clara. Para esse fim, tendo confiado Raymond aos cuidados dos melhores Médicos de Madrid, Ele saiu do Hotel de las Cisternas e se dirigiu ao Palácio do Cardeal-Duque.
Sua decepção foi enorme quando descobriu que assuntos de Estado haviam obrigado o Cardeal a partir para uma Província distante.
Faltavam apenas cinco para sexta-feira: No entanto, viajando dia e noite, Ele esperava retornar a tempo para a Peregrinação de Santa Clara. Nisso, Ele teve sucesso. Ele encontrou o Cardeal-Duque; e representou a ele a suposta culpabilidade da Prioresa, bem como os efeitos violentos que ela havia produzido em Don Raymond. Ele não podia usar argumento mais forte do que este último. De todos os seus Sobrinhos, o Marquês era o único a quem o Cardeal-Duque era sinceramente apegado: Ele o amava profundamente, e a Prioresa não podia ter cometido crime maior em seus olhos do que ter colocado em perigo a vida do Marquês. Consequentemente, Ele concedeu a ordem de prisão sem dificuldade: Ele também deu a Lorenzo uma carta para um Oficial Principal da Inquisição, pedindo-lhe que visse sua ordem executada. Munido com esses documentos, Medina apressou-se de volta a Madrid, que Ele alcançou na sexta-feira, algumas horas antes do anoitecer. Ele encontrou o Marquês um pouco melhor, mas tão fraco e exausto que, sem grande esforço, Ele não podia falar ou se mover. Tendo passado uma hora ao lado de seu Leito, Lorenzo o deixou para comunicar seu plano a seu Tio, bem como para dar a Don Ramirez de Mello a carta do Cardeal. O Primeiro ficou petrificado de horror quando soube do destino de sua infeliz Sobrinha: Ele encorajou Lorenzo a punir seus Assassinos, e se comprometeu a acompanhá-lo à noite ao Convento de Santa Clara. Don Ramirez prometeu seu apoio mais firme, e selecionou um grupo de Arqueiros confiáveis para evitar a oposição do Povo.
Mas, enquanto Lorenzo estava ansioso para desmascarar um Hipócrita religioso, Ele estava inconsciente das dores preparadas para ele por Outro. Ajudado pelos Agentes infernais de Matilda, Ambrosio havia resolvido a ruína da inocente Antonia. O momento destinado a ser tão fatal para ela chegou. Ela havia se despedido de sua Mãe para a noite.
Enquanto a beijava, Ela sentiu uma despondência incomum se apoderar de seu peito. Ela saiu, e retornou a ela imediatamente, se jogou em seus braços maternos, e banhou seu rosto com lágrimas: Ela sentia medo de deixá-la, e um pressentimento secreto lhe assegurava que nunca mais se encontrariam. Elvira observou, e tentou rir dela por essa tristeza infantil: Ela a repreendeu suavemente por encorajar tal tristeza infundada, e a advertiu sobre quão perigoso era nutrir tais ideias.
A todas as suas repreensões, Ela recebeu apenas a resposta,
“Mãe! Querida Mãe! Oh! quem dera que fosse Manhã!”
Elvira, cuja inquietação sobre sua Filha era um grande obstáculo para sua perfeita recuperação, ainda estava sob os efeitos de sua recente e severa doença. Ela estava naquela Noite mais do que geralmente indisposta, e se retirou para a cama antes de seu horário habitual. Antonia se retirou do quarto de sua Mãe com relutância, e até que a Porta se fechasse, manteve seus olhos fixos nela com uma expressão melancólica. Ela se retirou para seu próprio aposento; Seu coração estava cheio de amargura: Parecia-lhe que todas as suas perspectivas estavam arruinadas, e o mundo não continha nada pelo qual valesse a pena existir. Ela se deixou cair em uma Cadeira, reclinou a cabeça sobre o braço, e olhou para o chão com um olhar vago, enquanto as imagens mais sombrias flutuavam diante de sua fantasia. Ela ainda estava nesse estado de insensibilidade quando foi perturbada por ouvir uma melodia suave tocada sob sua janela. Ela se levantou, se aproximou da Janela, e a abriu para ouvir com mais distinção. Tendo jogado seu véu sobre o rosto, Ela se aventurou a olhar para fora. À luz da Lua, Ela percebeu vários Homens abaixo com Violinos e Alaúdes em suas mãos; e a uma pequena distância deles, estava Outro envolto em seu manto, cuja estatura e aparência lembravam muito a de Lorenzo. Ela não estava enganada nessa suposição. Era realmente Lorenzo em pessoa, que, vinculado por sua palavra de não se apresentar a Antonia sem o consentimento de seu Tio, tentava, por Serenatas noturnas, convencer sua Amada de que seu apego ainda existia. Seu estratagema não teve o efeito desejado. Antonia estava longe de supor que essa música noturna era destinada a ela: Ela era modesta demais para pensar que era digna de tais atenções; e, concluindo que elas eram dirigidas a alguma Dama vizinha, Ela lamentou que fossem oferecidas por Lorenzo.
A melodia era triste e melodiosa. Ela combinava com o estado de espírito de Antonia, e Ela a ouviu com prazer. Após uma sinfonia de alguma duração, ela foi sucedida pelo som de vozes, e Antonia distinguiu as seguintes palavras.
SERENATA
Coro
Oh! Respire em suave melodia, minha Lira! É aqui que a Beleza ama descansar: Descreva os tormentos do ardente desejo, Que dilaceram o peito de um Amante fiel.
Canção
Em cada coração encontrar um Escravo, Em cada Alma fixar seu reinado, Em cadeias levar os sábios e os bravos, E fazer os Cativos beijarem sua corrente, Tal é o poder do Amor, e Oh! Eu lamento saber tão bem o poder do Amor.
Em suspiros passar o dia inteiro, Provar um sono curto e interrompido, Por um único Objeto distante, Todos os outros desprezados, vigiar e chorar, Tais são as dores do Amor, e Oh! Eu lamento saber tão bem as dores do Amor!
Ler consentimento nos olhos de uma Virgem, Beijar os lábios nunca beijados até então Ouvir o suspiro de transporte subir, E beijar, e beijar, e beijar novamente, Tais são os prazeres do Amor, Mas Oh! Quando meu coração conhecerá seus prazeres?
Coro
Agora silêncio, minha Lira! Minha voz fique quieta! Durma, gentil Donzela! Que o desejo ardente Preencha suas visões com pensamentos amorosos, Embora minha voz fique quieta, e minha Lira em silêncio.
A Música cessou: Os Músicos se dispersaram, e o silêncio prevaleceu na Rua. Antonia deixou a janela com pesar: Ela, como de costume, recomendou-se à proteção de Santa Rosolia, disse suas orações habituais, e se deitou. O Sono não demorou a chegar, e sua presença aliviou-a de seus temores e inquietações.
Foi quase às duas da manhã antes que o lascivo Monge se aventurasse a se dirigir à casa de Antonia. Isso já foi mencionado que a Abadia ficava a uma curta distância da Strada di San Iago. Ele chegou à Casa sem ser observado. Aqui, Ele parou e hesitou por um momento. Ele refletiu sobre a enormidade do crime, as consequências de uma descoberta, e a probabilidade de, após o que havia passado, Elvira suspeitar dele como o Ravisher de sua Filha: Por outro lado, foi sugerido que Ela só podia suspeitar; que nenhuma prova de sua culpa podia ser produzida; que parecia impossível que o estupro fosse cometido sem que Antonia soubesse quando, onde ou por quem; e, finalmente, Ele acreditava que sua fama estava tão firmemente estabelecida que não seria abalada pelas acusações não apoiadas de duas Mulheres desconhecidas. Este último argumento era completamente falso: Ele não sabia quão incerta era a aclamação popular, e que um momento bastava para torná-lo, naquele mesmo dia, o objeto de detestação do mundo, que ontem era seu Ídolo. O resultado das deliberações do Monge foi que Ele deveria prosseguir em sua empreitada. Ele subiu os degraus que levavam à Casa. Assim que Ele tocou a porta com o Myrtle prateado, ela se abriu, e lhe apresentou uma passagem livre. Ele entrou, e a porta se fechou após ele de sua própria vontade.
Guiado pelos raios da lua, Ele subiu a escada com passos lentos e cautelosos. Ele olhou ao redor a cada momento com apreensão e ansiedade. Ele via um Espião em cada sombra, e ouvia uma voz em cada murmúrio da brisa noturna. A consciência de seu negócio culpado apavorava seu coração, e o tornava mais tímido que uma Mulher. No entanto, Ele prosseguiu. Ele chegou à porta do quarto de Antonia. Ele parou e escutou. Tudo estava silencioso dentro. O silêncio total o persuadiu de que sua vítima pretendida estava deitada, e Ele se aventurou a levantar a Trach. A porta estava trancada, e resistiu a seus esforços: Mas, assim que foi tocada pelo Talismã, o Ferrolho voltou para trás. O Ravisher entrou, e se encontrou no quarto, onde dormia a inocente Menina, inconsciente do perigoso Visitante que se aproximava de seu Leito. A porta se fechou após ele, e o Ferrolho voltou a seu lugar.
Ambrosio avançou com precaução. Ele tomou cuidado para que nenhum tábua rangesse sob seu pé, e segurou a respiração enquanto se aproximava da Cama. Sua primeira atenção foi realizar a cerimônia mágica, como Matilda havia lhe ordenado: Ele respirou três vezes sobre o Myrtle prateado, pronunciou o nome de Antonia, e o colocou sobre seu travesseiro. Os efeitos que ele já havia produzido não permitiram que ele duvidasse de seu sucesso em prolongar o sono de sua Donzela destinada. Assim que o encantamento foi realizado, Ele considerou que ela estava absolutamente em seu poder, e seus olhos flamejaram com luxúria e impaciência. Ele agora se aventurou a lançar um olhar sobre a Bela adormecida. Uma única Lâmpada, queimando diante da Estátua de Santa Rosolia, lançava uma luz fraca pelo quarto, e permitia que ele examinasse todos os encantos do lindo Objeto diante dele. O calor do tempo havia obrigado ela a jogar parte das cobertas de cama: Aquelas que ainda a cobriam, o mão impaciente do Monge apressou-se em remover. Ela estava deitada com a face reclinada sobre um braço de marfim; O Outro repousava no lado da Cama com graça indolente. Alguns cachos de seus cabelos haviam escapado do lenço de Musselina que confinava o resto, e caíam descuidadamente sobre seu seio, enquanto ele subia e descia com suspiros regulares. O ar quente havia espalhado sua face com uma cor mais alta que o habitual. Um sorriso inexprimivelmente doce brincava ao redor de seus lábios corados, dos quais, de tempos em tempos, escapava um suave suspiro ou uma meia-pronunciada sentença. Um ar de inocência e candura encantadora pairava sobre toda a sua forma; e havia uma espécie de modéstia em sua nudez que adicionava novos estímulos aos desejos do lascivo Monge.
Ele permaneceu por alguns momentos devorando aqueles encantos com seus olhos, que logo estariam sujeitos a seus desejos desregrados. Sua boca meio-aberta parecia solicitar um beijo: Ele se inclinou sobre ela; ele uniu seus lábios aos dela, e sugou a fragrância de sua respiração com êxtase. Este momento de prazer aumentou seu anseio por ainda maior. Seus desejos foram elevados a aquele ponto frenético pelo qual os Brutos são agitados. Ele resolveu não adiar por mais um momento a realização de seus desejos, e apressou-se em rasgar as roupas que impediam a gratificação de sua luxúria.
“Gracioso Deus!” exclamou uma voz atrás dele; “Estou enganada?
Isso não é uma ilusão?”
Terror, confusão e decepção acompanharam essas palavras, enquanto elas atingiram os ouvidos de Ambrosio. Ele se virou, e viu Elvira de pé à porta do quarto, olhando para ele com olhares de surpresa e detestação.
Um sonho terrível havia representado a ela Antonia à beira de um precipício. Ela a viu tremendo na borda: A cada momento parecia ameaçar sua queda, e Ela ouviu-a exclamar com gritos, “Salve-me, Mãe! Salve-me!—Ainda um momento, e será tarde demais!” Elvira acordou em terror. A visão havia feito uma impressão tão forte em sua mente, que não permitiu que ela descansasse até que estivesse certa da segurança de sua Filha. Ela se levantou apressadamente da cama, jogou um roupão solto, e, passando pelo Closet onde dormia a Camareira, Ela chegou ao quarto de Antonia justo a tempo de resgatá-la das garras do Ravisher.
Sua vergonha e o espanto de Elvira pareciam ter petrificado em Estátuas tanto ela quanto o Monge: Eles permaneceram olhando um para o outro em silêncio. A Senhora foi a primeira a se recuperar.
“Isso não é um sonho!” Ela exclamou; “É realmente Ambrosio, que está diante de mim! É o Homem a quem Madrid estima como um Santo, que eu encontro a esta hora tardia perto do Leito de minha infeliz Filha! Monstro de Hipocrisia! Eu já suspeitava de seus desígnios, mas me abstive de sua acusação em piedade pela fraqueza humana. O silêncio agora seria criminoso: Toda a Cidade deve ser informada de sua incontinência. Eu vou desmascará-lo, Vilão, e convencer a Igreja do que uma Víbora Ela nutre em seu seio.”
Pálido e confuso, o Culpado ficou tremendo diante dela.
Ele tentaria em vão extenuar sua ofensa, mas não podia encontrar nenhuma desculpa para sua conduta: Ele só podia produzir palavras quebradas, e desculpas que se contradiziam. Elvira estava muito indignada para conceder o perdão que Ele solicitava. Ela protestou que levantaria o bairro, e o tornaria um exemplo para todos os futuros Hipócritas. Então, apressando-se para a Cama, Ela chamou Antonia para acordar; e, vendo que sua voz não tinha efeito, Ela pegou seu braço, e a levantou à força do travesseiro. O encanto operou com muita força. Antonia permaneceu insensível, e, ao ser liberada por sua Mãe, caiu de volta no travesseiro.
“Este sono não pode ser natural!” exclamou a aflita Elvira, cuja indignação aumentava a cada momento. “Algum mistério está escondido nisso; Mas tremam, Hipócrita; toda a sua vilania será logo desvendada! Socorro! Socorro!” Ela exclamou em voz alta; “Dentro! Flora! Flora!”
“Ouça-me por um momento, Senhora!” gritou o Monge, restaurado a si mesmo pela urgência do perigo; “Por tudo que é sagrado e santo, eu juro que a honra de sua Filha ainda está inviolada. Perdoe minha transgressão! Poupe-me da vergonha de uma descoberta, e permita-me retornar à Abadia sem ser perturbado. Conceda-me este pedido em misericórdia! Eu prometo não apenas que Antonia estará segura de mim no futuro, mas que o resto de minha vida provará .....”
Elvira o interrompeu abruptamente.
“Antonia segura de você? Eu vou protegê-la! Você não vai trair mais a confiança dos Pais! Sua iniquidade será desvendada aos olhos do público: Todo Madrid vai tremer com sua perfídia, sua hipocrisia e incontinência. O que há! Dentro! Flora! Flora, eu digo!”
Enquanto Ela falava assim, a lembrança de Agnes ocorreu-lhe à mente. Assim Ela havia suplicado a ele por misericórdia, e assim Ele havia recusado seu pedido! Agora era sua vez de sofrer, e Ele não podia deixar de reconhecer que seu castigo era justo. Enquanto isso, Elvira continuou a chamar Flora para sua assistência; mas sua voz estava tão choada pela paixão que a Camareira, que estava enterrada em profundo sono, era insensível a todos os seus gritos: Elvira não ousou ir em direção ao Closet onde Flora dormia, temendo que o Monge aproveitasse essa oportunidade para escapar. Tal, de fato, era sua intenção: Ele confiava que, se pudesse chegar à Abadia sem ser observado por qualquer outro além de Elvira, seu único testemunho não seria suficiente para arruinar uma reputação tão bem estabelecida como a dele em Madrid. Com essa ideia, Ele reuniu as roupas que já havia jogado, e se apressou em direção à Porta. Elvira estava ciente de seu desígnio; Ela o seguiu, e, antes que Ele pudesse puxar o Ferrolho, o segurou pelo braço e o deteve.
“Tente não fugir!” disse Ela; “Você não sai deste quarto sem Testemunhas de sua culpa.”
Ambrosio lutou em vão para se libertar. Elvira não soltou sua presa, mas redobrou seus gritos por socorro. O perigo do Monge crescia a cada momento. Ele esperava a cada instante ouvir pessoas se reunindo ao som de sua voz; E, trabalhado até a loucura pela aproximação de ruína, Ele adotou uma resolução igualmente desesperada e selvagem. Virando-se de repente, com uma mão Ele agarrou a garganta de Elvira de tal maneira a impedir que ela continuasse seu clamor, e com a outra, jogando-a violentamente no chão, Ele a arrastou em direção à Cama. Confusa por esse ataque inesperado, Ela mal teve poder para se esforçar para se libertar de seu aperto: Enquanto o Monge, arrancando o travesseiro de sob a cabeça de sua Filha, cobrindo com ele o rosto de Elvira, e pressionando seu joelho sobre seu estômago com toda sua força, tentou acabar com sua existência. Ele teve sucesso com muita facilidade. Sua força natural aumentada pelo excesso de angústia, muito tempo fez a Sofredora lutar para se libertar, mas em vão. O Monge continuou a se ajoelhar sobre seu peito, testemunhou sem misericórdia o tremor convulsivo de seus membros sob ele, e sustentou com firmeza inumana o espetáculo de seus agonias, quando alma e corpo estavam prestes a se separar. Essas agonias finalmente terminaram. Ela deixou de lutar por vida. O Monge tirou o travesseiro, e olhou para ela. Seu rosto estava coberto por uma negra horrível:
Seus membros não se moviam mais; O sangue estava frio em suas veias; Seu coração havia esquecido de bater, e suas mãos estavam rígidas e congeladas.
Ambrosio contemplou diante dele aquela forma, outrora nobre e majestosa, agora tornada um Corpo, frio, insensível e repugnante.
Este ato horrível não foi cometido assim que perpetrado, do que o Monge começou a se arrepender de sua temeridade. Uma fria transpiração escorreu por seus membros; seus olhos se fecharam; Ele cambaleou para uma cadeira, e caiu nela quase tão inanimado quanto a Infeliz que jazia estendida a seus pés. Deste estado, Ele foi despertado pela necessidade de fuga, e pelo perigo de ser encontrado no quarto de Antonia. Ele não tinha desejo de se beneficiar da execução de seu crime. Antonia agora parecia ser um objeto de desprezo. Um frio mortal havia usurpado o lugar daquela chama que antes ardia em seu peito: Nenhuma ideia se oferecia a sua mente além da morte e da culpa, de vergonha presente e punição futura. Agitado por remorso e medo, Ele se preparou para fugir: No entanto, seus terrores não dominaram tão completamente sua lembrança, que o impedissem de tomar as precauções necessárias para sua segurança. Ele substituiu o travesseiro sobre a cama, reuniu suas roupas, e com o Talismã fatal na mão, dirigiu seus passos vacilantes em direção à porta. Confundido pelo medo, Ele imaginava que sua fuga era oposta por Legiões de Fantasmas; Onde quer que Ele se virasse, o Corpo disforme parecia estar em seu caminho, e demorou muito para que Ele conseguisse chegar à porta. O Myrtle encantado produziu seu efeito habitual. A porta se abriu, e Ele desceu a escada. Ele entrou na Abadia sem ser observado, e, tendo trancado a porta de sua Cela, Ele abandonou sua alma aos tormentos de remorso inútil, e aos terrores de detecção iminente.
CAPÍTULO IX.
Por continuidade apenas — esta é o FINAL da seção anterior, já traduzida. Não traduza novamente e não repita na sua resposta. Combine os nomes, terminologia e registro: --- sua alma aos tormentos de remorso inútil, e aos terrores de detecção iminente. ---
Antonia reconheceu o punhal de seu Pai. Ela o pegou, e o examinou com atenção. As iniciais "G. d. las C." estavam gravadas no cabo, e ela não tinha dúvida de que a arma pertencia a Gonzalvo.
"Então, ele realmente existiu," murmurou ela. "E eu sou sua filha. Mas onde ele está agora? Por que ele me abandonou?"
Ela sentiu uma onda de emoção percorrer seu corpo. Ela nunca havia conhecido seu pai, e sempre havia se perguntado sobre ele. Agora, ela tinha uma pista sobre sua identidade, e estava determinada a descobrir mais.
Ela continuou a ler a carta, e descobriu que Gonzalvo havia sido um nobre espanhol, que havia se casado com uma mulher chamada Elvira. Eles haviam tido uma filha, Antonia, mas Gonzalvo havia sido forçado a deixar a Espanha devido a problemas políticos. Ele havia prometido voltar para sua família, mas nunca o fez.
Antonia sentiu uma mistura de emoções ao ler a carta. Ela estava feliz por ter descoberto a verdade sobre seu pai, mas também estava triste por saber que ele a havia abandonado. Ela se perguntou se ele ainda estava vivo, e se algum dia o conheceria.
Ela guardou a carta e o punhal, e decidiu que iria procurar por seu pai. Ela não sabia por onde começar, mas estava determinada a encontrar respostas.
Ela saiu do quarto, e foi para a sala onde sua mãe estava. Elvira estava sentada em uma poltrona, lendo um livro.
"Mãe," disse Antonia, "eu descobri algo sobre meu pai."
Elvira olhou para ela com interesse.
"O que você descobriu?" perguntou ela.
Antonia contou a ela sobre a carta e o punhal, e o que ela havia aprendido sobre Gonzalvo.
Elvira ficou em silêncio por um momento, e então disse:
"Eu sempre soube que você iria descobrir a verdade um dia. Seu pai foi um homem bom, mas ele foi forçado a deixar a Espanha devido a problemas políticos. Ele prometeu voltar para nós, mas nunca o fez. Eu nunca soube o que aconteceu com ele, mas eu sempre esperei que ele voltasse."
Antonia sentiu uma onda de emoção ao ouvir as palavras de sua mãe. Ela percebeu que Elvira também havia sofrido com a ausência de Gonzalvo, e que ela havia guardado a esperança de que ele voltasse.
"Eu vou procurar por ele," disse Antonia. "Eu tenho que saber o que aconteceu com ele."
Elvira concordou, e disse que iria ajudá-la em sua busca. Elas passaram horas discutindo o que fazer, e como começar a procurar por Gonzalvo.
Elas decidiram que Antonia iria para a Espanha, e tentaria encontrar pistas sobre seu pai. Elvira iria ficar em Madrid, e cuidar de Antonia enquanto ela estivesse fora.
Antonia estava animada com a perspectiva de encontrar seu pai, mas também estava nervosa. Ela não sabia o que iria encontrar, e temia que ele não quisesse vê-la.
Mas ela estava determinada a tentar. Ela sabia que tinha que descobrir a verdade sobre seu pai, e que não podia desistir até encontrá-lo.
E, enquanto ela se preparava para sua jornada, ela sentiu uma sensação de esperança e determinação que nunca havia sentido antes. Ela sabia que estava prestes a embarcar em uma aventura que mudaria sua vida para sempre.
FIM.
O exame dessa história não estava bem calculado para dissipar a melancolia de Antonia. Ela tinha naturalmente uma forte inclinação pelo maravilhoso; e sua ama, que acreditava firmemente em aparições, havia lhe contado quando criança tantas aventuras horríveis desse tipo, que todas as tentativas de Elvira haviam falhado em apagar suas impressões da mente de sua filha. Antonia ainda nutria um preconceito supersticioso em seu peito: ela frequentemente se sentia suscetível a temores que, quando descobria sua causa natural e insignificante, a faziam corar por sua própria fraqueza. Com tal disposição, a aventura que ela acabara de ler bastou para alarmar suas apreensões. A hora e o cenário se combinavam para autorizá-las. Era o meio da noite: ela estava sozinha e no quarto que fora de sua falecida mãe. O tempo estava tempestuoso e desconfortável: o vento uivava ao redor da casa, as portas rangiam em suas dobradiças e a chuva pesada batia contra as janelas. Nenhum outro som era ouvido. A vela, agora queimada até o soquete, às vezes lançava uma chama para cima, iluminando o quarto, e então, afundando novamente, parecia estar prestes a se apagar. O coração de Antonia batia com agitação: seus olhos vagavam com medo pelos objetos ao seu redor, enquanto a chama trêmula os iluminava em intervalos. Ela tentou se levantar do assento; mas seus membros tremiam tanto que ela não conseguia prosseguir. Ela então chamou Flora, que estava em um quarto não muito distante: mas a agitação sufocou sua voz, e seus gritos se perderam em murmúrios ocos.
Ela passou alguns minutos nessa situação, após o que seus temores começaram a diminuir. Ela tentou se recuperar e adquirir força suficiente para sair do quarto: de repente, ela imaginou que ouviu um baixo suspiro perto dela. Essa ideia trouxe de volta sua fraqueza anterior. Ela já havia se levantado do assento e estava prestes a pegar a lâmpada da mesa. O ruído imaginário a parou: ela retirou a mão e se apoiou no encosto de uma cadeira. Ela escutou ansiosamente, mas nada mais foi ouvido.
"Deus misericordioso!" ela disse a si mesma; "O que poderia ser aquele som? Estou enganada, ou realmente o ouvi?"
Suas reflexões foram interrompidas por um ruído na porta, mal audível: parecia que alguém estava sussurrando. O alarme de Antonia aumentou: ainda assim, ela sabia que a fechadura estava trancada, e essa ideia, em certo grau, a tranquilizou. Logo, a fechadura foi levantada suavemente, e a porta se moveu com cautela para trás e para frente. O excesso de terror agora forneceu a Antonia a força que até então ela não tinha. Ela partiu de seu lugar e se dirigiu à porta do armário, de onde ela poderia logo chegar ao quarto onde esperava encontrar Flora e Dame Jacintha. Mal ela havia chegado ao meio do quarto, quando a fechadura foi levantada pela segunda vez. Um movimento involuntário a obrigou a virar a cabeça. Lentamente e gradualmente, a porta se abriu em suas dobradiças, e de pé no limiar, ela viu uma figura alta e magra, envolta em um sudário branco que a cobria da cabeça aos pés.
Essa visão prendeu seus pés: ela permaneceu como se petrificada no meio do aposento. O estranho, com passos medidos e solenes, se aproximou da mesa. A vela moribunda lançou uma chama azul e melancólica enquanto a figura avançava em sua direção. Sobre a mesa estava fixado um pequeno relógio; a mão dele estava no momento do golpe das três. A figura parou em frente ao relógio: ela levantou seu braço direito e apontou para a hora, ao mesmo tempo olhando fixamente para Antonia, que esperou pela conclusão dessa cena, imóvel e silenciosa.
A figura permaneceu nessa postura por alguns momentos. O relógio bateu. Quando o som cessou, o estranho avançou mais alguns passos em direção a Antonia.
"Ainda três dias", disse uma voz fraca, oca e sepulcral; "Ainda três dias, e nos encontramos novamente!"
Antonia estremeceu com as palavras.
"Nos encontramos novamente?" ela pronunciou por fim com dificuldade: "Onde nos encontraremos? Quem encontrarei?"
A figura apontou para o chão com uma mão e, com a outra, levantou o linho que cobria seu rosto.
"Deus do céu! Minha mãe!"
Antonia gritou e caiu inanimada no chão.
Dame Jacintha, que estava trabalhando em um quarto vizinho, ficou alarmada com o grito: Flora havia acabado de descer para buscar óleo fresco para a lâmpada, com a qual elas haviam estado sentadas. Jacintha, portanto, se apressou em ajudar Antonia e ficou muito surpresa ao encontrá-la estendida no chão. Ela a levantou em seus braços, a levou para seu aposento e a colocou na cama, ainda sem sentidos. Ela então procedeu a banhar suas têmporas, esfregar suas mãos e usar todos os meios possíveis para trazê-la de volta a si. Com alguma dificuldade, ela conseguiu. Antonia abriu os olhos e olhou ao redor com selvageria.
"Onde está ela?" ela gritou com uma voz trêmula; "Ela se foi? Estou segura? Fale comigo! Conforte-me! Ah! fale comigo, pelo amor de Deus!"
"Segura de quem, minha filha?" respondeu a atônita Jacintha; "O que a alarma? De quem você tem medo?"
"Em três dias! Ela me disse que nos encontraríamos em três dias! Eu a ouvi dizer! Eu a vi, Jacintha, eu a vi neste momento!"
Ela se jogou no peito de Jacintha.
"Você a viu? Viu quem?"
"O fantasma de minha mãe!"
"Cristo Jesus!" gritou Jacintha e, partindo da cama, deixou cair Antonia no travesseiro e fugiu em consternação do quarto.
Enquanto ela se apressava para baixo, ela encontrou Flora subindo as escadas.
"Vá para sua senhora, Flora", disse ela; "Aqui há coisas estranhas! Ah! sou a mulher mais infeliz do mundo! Minha casa está cheia de fantasmas e corpos mortos, e o Senhor sabe o que mais; ainda assim, tenho certeza de que ninguém gosta menos desse tipo de companhia do que eu. Mas vá ao seu caminho para Donna Antonia, Flora, e deixe-me ir ao meu."
Dizendo isso, ela continuou seu caminho para a porta da rua, que ela abriu e, sem se dar tempo para colocar seu véu, ela fez o melhor de seu caminho para o convento dos capuchinhos. Enquanto isso, Flora se apressou para o quarto de sua senhora, igualmente surpresa e alarmada com a consternação de Jacintha. Ela encontrou Antonia deitada na cama, inconsciente. Ela usou os mesmos meios para sua recuperação que Jacintha já havia empregado; mas, encontrando que sua senhora só recuperava de um desmaio para cair em outro, ela enviou com toda pressa por um médico. Enquanto esperava sua chegada, ela desvestiu Antonia e a colocou na cama.
Desconsiderando a tempestade, aterrorizada quase até a loucura, Jacintha correu pelas ruas e não parou até chegar ao portão do convento. Ela tocou a campainha com força e, assim que o porteiro apareceu, ela pediu permissão para falar com o superior. Ambrosio estava então conferenciando com Matilda sobre os meios de obter acesso a Antonia. A causa da morte de Elvira permanecendo desconhecida, ele estava convencido de que os crimes não eram tão rapidamente seguidos por castigo, como seus instrutores, os monges, haviam lhe ensinado e como, até então, ele mesmo acreditava. Essa persuasão o fez resolver a ruína de Antonia, pois o gozo de sua pessoa, perigos e dificuldades só pareciam aumentar sua paixão. O monge já havia feito uma tentativa de obter admissão à sua presença; mas Flora havia recusado de tal maneira que o convenceu de que todas as tentativas futuras seriam vãs. Elvira havia confiado suas suspeitas àquela serva fiel: ela havia lhe pedido para nunca deixar Ambrosio sozinho com sua filha e, se possível, para impedir completamente seus encontros. Flora prometeu obedecer e havia executado suas ordens à risca. A visita de Ambrosio havia sido rejeitada naquela manhã, embora Antonia fosse ignorante disso. Ele viu que obter uma visão de sua amada por meios abertos estava fora de questão; e tanto ele quanto Matilda haviam consumido a noite tentando inventar algum plano cujo evento pudesse ser mais bem-sucedido. Tal era seu emprego quando um irmão leigo entrou na cela do abade e o informou de que uma mulher que se chamava Jacintha Zuniga solicitava audiência por alguns minutos.
Ambrosio não estava de modo algum disposto a conceder o pedido de sua visitante. Ele o recusou positivamente e mandou o irmão leigo dizer à estranha para voltar no dia seguinte. Matilda o interrompeu.
"Veja essa mulher", disse ela em voz baixa; "Tenho minhas razões."
O abade obedeceu e significou que ele iria ao parlatório imediatamente. Com essa resposta, o irmão leigo se retirou. Assim que ficaram sozinhos, Ambrosio perguntou por que Matilda queria que ele visse essa Jacintha.
"Ela é a hospedeira de Antonia", respondeu Matilda; "Ela pode ser de utilidade para você: mas vamos examiná-la e descobrir o que a traz aqui."
Eles se dirigiram juntos ao parlatório, onde Jacintha já estava esperando pelo abade. Ela havia concebido uma grande opinião de sua piedade e virtude; e, supondo que ele tivesse muita influência sobre o diabo, pensava que seria fácil para ele lançar o fantasma de Elvira no Mar Vermelho. Cheia dessa persuasão, ela havia se apressado para o convento. Assim que viu o monge entrar no parlatório, ela caiu de joelhos e começou sua história da seguinte maneira.
"Ah! reverendo padre! Que acidente! Que aventura! Não sei que curso tomar e, a menos que você possa me ajudar, certamente enlouquecerei. Bem, para dizer a verdade, nunca uma mulher foi tão infeliz como eu! Tudo em meu poder para manter-me longe de tal abominação eu fiz, e ainda assim tudo é muito pouco. O que significa eu rezar meu rosário quatro vezes ao dia e observar todos os jejuns prescritos pelo calendário? O que significa eu ter feito três peregrinações a Santiago de Compostela e comprado tantos perdões do Papa quantos poderiam comprar o perdão de Caim? Nada prospera comigo! Tudo vai mal e Deus só sabe se algo voltará a ir bem. Por que agora, seja seu santidade o juiz. Minha hóspede morre em convulsões; por pura bondade, eu a enterro às minhas próprias custas; (Não que ela seja parente minha, ou que eu seja beneficiada com um único pistole por sua morte: eu não ganhei nada com isso e, portanto, você sabe, reverendo padre, que sua vida ou morte era a mesma coisa para mim. Mas isso não vem ao caso; para retornar ao que eu estava dizendo,) eu cuidei de seu funeral, tive tudo realizado de forma decente e adequada e me coloquei a expensas consideráveis, Deus sabe! E como você pensa que a senhora me recompensa por minha bondade? Bem, verdadeiramente, recusando-se a dormir tranquilamente em seu confortável caixão de madeira, como um espírito pacífico e bem-disposto deveria fazer, e vindo me importunar, que nunca desejo ver novamente. Pois, para dizer a verdade, bem se torna a ela ir passeando por minha casa à meia-noite, entrando no quarto de sua filha através do buraco da fechadura e assustando a pobre criança até a loucura! Embora ela seja um fantasma, ela poderia ser mais civil do que entrar na casa de uma pessoa que gosta tão pouco de sua companhia. Mas, quanto a mim, reverendo padre, o estado simples do caso é este: se ela entra em minha casa, eu devo sair dela, pois não posso suportar tais visitantes, não posso! Assim, você vê, sua santidade, que sem sua assistência, estou arruinada e perdida para sempre. Serei obrigada a deixar minha casa; ninguém a tomará, quando souber que ela é assombrada por ela, e então estarei em uma situação fina! Mulher miserável que sou! O que farei! O que se tornará de mim!"
Aqui ela chorou amargamente, torceu as mãos e suplicou para saber a opinião do abade sobre seu caso.
"Na verdade, boa mulher", respondeu ele, "será difícil para mim aliviar você sem saber o que há de errado com você. Você esqueceu de me contar o que aconteceu e o que é que você quer."
"Deixe-me morrer", gritou Jacintha, "mas sua santidade está certa! Este, então, é o fato, brevemente declarado. Uma hóspede minha morreu recentemente, uma mulher muito boa, isso eu devo dizer por ela, na medida em que meu conhecimento dela foi, embora não fosse muito.
Ela me mantinha muito à distância; pois, na verdade, ela era dada a estar no alto das cordas e, sempre que eu me aventurava a falar com ela, ela tinha um olhar que sempre me fazia sentir um pouco estranha, Deus me perdoe por dizer isso. No entanto, embora ela fosse mais altiva do que o necessário e afetasse olhar para baixo sobre mim (Embora, se estou bem informada, eu venho de pais tão bons quanto ela, pois seu pai era um sapateiro em Córdova e o meu era um chapeleiro em Madri, e um chapeleiro muito respeitável, deixe-me dizer-lhe,) ainda assim, por toda sua arrogância, ela era uma pessoa quieta e bem-comportada e eu nunca desejei ter uma hóspede melhor. Isso me faz estranhar ainda mais que ela não durma tranquilamente em seu túmulo: mas não se pode confiar nas pessoas neste mundo! Por minha parte, eu nunca a vi fazer mal, exceto na sexta-feira antes de sua morte. Para dizer a verdade, eu fiquei muito escandalizada ao vê-la comer a asa de um frango! 'Como, Madona Flora!' eu disse; (Flora, pode agradar a sua reverência, é o nome da criada)—'Como, Madona Flora!' eu disse; 'Sua senhora come carne em sextas-feiras? Bem! Bem! Veja o evento e depois lembre-se de que Dame Jacintha a advertiu disso!' Essas foram minhas palavras exatas, mas, ai! eu poderia ter poupado minha língua! Ninguém me deu ouvidos; e Flora, que é um pouco atrevida e ríspida, (Mais é a pena, digo eu) me disse que não havia mais mal em comer um frango do que o ovo de onde ele veio. Ela até declarou que, se sua senhora adicionasse uma fatia de bacon, ela não estaria um centímetro mais perto da danação, Deus nos proteja! Uma pobre alma ignorante e pecadora! Eu protesto a sua santidade, eu tremi ao ouvi-la proferir tais blasfêmias e esperei a cada momento que o chão se abrisse e a engolisse, frango e tudo! Pois você deve saber, venerável padre, que enquanto ela falava assim, ela segurava o prato em sua mão, no qual jazia o frango assado. E um belo pássaro ele era, isso eu devo dizer por ele! Feito ao ponto, pois eu mesma supervisionei o cozimento: era um pequeno galiciano de minha própria criação, pode agradar a sua santidade, e a carne era tão branca quanto uma casca de ovo, como a própria Donna Elvira me disse. 'Dame Jacintha,' ela disse, muito boa-humorada, embora, para dizer a verdade, ela sempre foi muito polida comigo ..... "
Aqui a paciência de Ambrosio falhou. Ansioso para saber o negócio de Jacintha, no qual Antonia parecia estar envolvida, ele estava quase distraído enquanto ouvia o tagarelar dessa velha prosadora. Ele a interrompeu e protestou que, se ela não contasse sua história imediatamente e tivesse feito, ele sairia do parlatório e a deixaria para se virar sozinha em suas dificuldades. Essa ameaça teve o efeito desejado. Jacintha relatou seu negócio em tão poucas palavras quanto conseguiu; mas sua narrativa ainda era tão prolixa que Ambrosio precisou de sua paciência para suportá-lo até a conclusão.
"E assim, sua reverência", disse ela, após relatar a morte e o enterro de Elvira, com todas as suas circunstâncias; "E assim, sua reverência, ao ouvir o grito, eu pus de lado meu trabalho e parti para o quarto de Donna Antonia. Não encontrando ninguém lá, passei para o próximo; mas devo confessar, eu estava um pouco temerosa de entrar, pois este era o próprio quarto onde Donna Elvira costumava dormir. No entanto, entrei e, com certeza, lá estava a jovem senhora estendida no chão, tão fria quanto uma pedra e tão branca quanto um lençol. Fiquei surpresa com isso, como sua santidade pode bem supor; mas, ah! como eu tremi quando vi uma grande figura alta ao meu lado, cuja cabeça tocava o teto! O rosto era de Donna Elvira, devo confessar; mas de sua boca saíam nuvens de fogo, seus braços estavam carregados de pesadas correntes que ela sacudia com pena e cada cabelo de sua cabeça era uma serpente tão grande quanto meu braço! Com isso, fiquei assustada o suficiente e comecei a dizer minha Ave-Maria: mas o fantasma, interrompendo-me, soltou três altos gemidos e rugiu em uma voz terrível, 'Ah! aquela asa de frango! Minha pobre alma sofre por isso!' Assim que ela disse isso, o chão se abriu, o espectro afundou, eu ouvi um estrondo de trovão e o quarto foi preenchido com um cheiro de enxofre. Quando me recuperei de meu susto e havia trazido Donna Antonia de volta a si, que me disse que ela havia gritado ao ver o fantasma de sua mãe, (e bem ela poderia gritar, pobre alma! Se eu estivesse em seu lugar, eu teria gritado dez vezes mais alto) ocorreu-me imediatamente que, se alguém tivesse poder para acalmar esse espectro, esse alguém devia ser sua reverência. Por isso, aqui vim com toda diligência, para suplicar que você espalhe água benta em minha casa e lance a aparição no Mar Vermelho."
Ambrosio ficou surpreso com essa estranha história, que ele não podia acreditar.
"Donna Antonia também viu o fantasma?" disse ele.
"Tão claramente quanto eu vejo você, reverendo padre!"
Ambrosio pausou por um momento. Aqui estava uma oportunidade oferecida a ele de obter acesso a Antonia, mas ele hesitou em empregá-la. A reputação que ele desfrutava em Madri ainda era cara para ele; e, desde que ele havia perdido a realidade da virtude, parecia que seu semblante se tornara mais valioso. Ele estava consciente de que, publicamente, quebrar a regra de nunca sair dos limites do convento, diminuiria muito sua suposta austeridade. Ao visitar Elvira, ele sempre tomara cuidado para manter seus traços escondidos dos criados. Exceto pela senhora, sua filha e a fiel Flora, ele era conhecido na família por nenhum outro nome senão o de Padre Jerônimo. Se ele atendesse ao pedido de Jacintha e a acompanhasse até sua casa, ele sabia que a violação de sua regra não poderia ser mantida em segredo. No entanto, sua ânsia por ver Antonia obteve a vitória: ele até esperava que a singularidade dessa aventura o justificasse aos olhos de Madri: mas, quaisquer que fossem as consequências, ele resolveu aproveitar a oportunidade que o acaso lhe apresentara. Um olhar expressivo de Matilda o confirmou nessa resolução.
"Boa mulher", disse ele a Jacintha, "o que você me conta é tão extraordinário que mal posso acreditar em suas afirmações. No entanto, eu atenderei a seu pedido. Amanhã, após as matinas, você pode me esperar em sua casa: eu então examinarei o que posso fazer por você e, se estiver em meu poder, a libertarei dessa visitante indesejada. Agora, então, vá para casa e a paz esteja com você!"
"Para casa?" exclamou Jacintha; "Eu ir para casa? Não, por minha fé! exceto sob sua proteção, eu não porei o pé dentro do limiar. Deus me ajude, o fantasma pode me encontrar na escada e me levar com ela para o diabo! Ah! que eu tivesse aceitado a oferta de jovem Melchior Basco! Então eu teria alguém para me proteger; mas agora sou uma mulher sozinha e encontro nada além de cruzes e infortúnios! Graças a Deus, ainda não é tarde para me arrepender! Há Simon Gonzalez que me terá qualquer dia da semana e, se eu viver até o amanhecer, eu me casarei com ele de imediato: um marido eu terei, isso é determinado, pois agora que esse fantasma está uma vez em minha casa, eu serei assustada até a loucura para dormir sozinha. Mas, pelo amor de Deus, reverendo padre, venha comigo agora. Eu não terei descanso até que a casa seja purificada, ou a pobre jovem senhora. A querida menina! Ela está em um estado lastimável: eu a deixei em fortes convulsões e temo que ela não se recupere facilmente de seu susto."
O frade se assustou e a interrompeu apressadamente.
"Em convulsões, você diz? Antonia em convulsões? Siga-me, boa mulher! Eu a sigo neste momento!"
Jacintha insistiu que ele parasse para se munir do frasco de água benta: ele acatou o pedido. Acreditando estar segura sob sua proteção, caso uma legião de fantasmas a atacasse, a velha mulher agradeceu profusamente ao monge e partiram juntos para a Strada di San Iago.
A aparição causara em Antonia uma impressão tão forte que, nas primeiras duas ou três horas, o médico declarou que sua vida corria perigo. Como os ataques se tornassem menos frequentes, ele mudou de opinião. Disse que o necessário era mantê-la calma e receitou um medicamento para tranquilizar seus nervos e proporcionar o repouso de que ela tanto precisava. A presença de Ambrósio, que agora chegava com Jacintha ao seu leito, contribuiu significativamente para acalmar seus ânimos perturbados. Elvira não havia explicado com clareza a natureza das intenções do monge, de modo que a jovem, tão ingênua em relação ao mundo, não percebia o perigo de sua amizade. Naquele momento, aterrorizada com a cena que acabara de presenciar e temendo contemplar a previsão do fantasma, a mente de Antonia precisava de todo o apoio da amizade e da religião. Ela via o abade com olhos ainda mais favoráveis. A forte predisposição a seu favor, que sentira desde o primeiro momento, ainda existia. Ela imaginava, sem saber por quê, que sua presença a protegia de todo perigo, insulto ou infortúnio.
Agradeceu-lhe com gratidão pela visita e relatou o episódio que a assustara tanto.
Ambrósio esforçou-se para tranquilizá-la, convencendo-a de que tudo não passara de uma ilusão de sua imaginação exaltada. A solidão em que passara a noite, a escuridão, o livro que lera e o quarto onde estava, tudo contribuíra para criar aquela visão. Ele ridicularizou a ideia de fantasmas e apresentou argumentos contundentes para refutar tal sistema. Sua conversa a tranquilizou e confortou, embora não a convencesse. Ela não conseguia acreditar que o espectro fosse apenas uma criação de sua imaginação; cada detalhe estava impresso em sua mente com tanta força que não permitia que ela se iludisse com tal ideia. Ela insistia em afirmar que realmente vira o fantasma de sua mãe, ouvira a previsão de sua morte e declarava que não sairia viva daquela cama. Ambrósio a aconselhou a não alimentar tais pensamentos e, após prometer repetir a visita no dia seguinte, deixou seu quarto. Antonia recebeu a promessa com alegria, mas o monge percebeu que não era igualmente bem-vindo para sua acompanhante. Flora cumpria as instruções de Elvira com a mais escrupulosa observância. Examinava cada circunstância com olhos ansiosos, atenta a qualquer coisa que pudesse prejudicar sua jovem senhora, a quem amava como a uma filha. Natural de Cuba, ela acompanhara Elvira à Espanha e dedicava a Antonia um afeto maternal. Não se afastava do leito de sua senhora nem por um momento enquanto o abade estava presente; observava cada palavra, cada olhar, cada ação. Ele via que seus olhos suspeitosos estavam sempre fixos nele e, consciente de que suas intenções não resistiriam a uma inspeção tão minuciosa, sentia-se frequentemente confuso e desconcertado. Sabia que ela duvidava da pureza de suas intenções, que não o deixaria a sós com Antonia e que, com a presença daquela vigilante observadora, sua amada estava protegida de suas tentativas.
Ao sair da casa, Jacintha o abordou e pediu que algumas missas fossem rezadas pela alma de Elvira, que, ela não duvidava, estava sofrendo no Purgatório. Ele prometeu não esquecer o pedido, mas ganhou completamente o coração da velha ao se comprometer a passar a noite inteira no quarto assombrado. Jacintha não encontrou palavras para expressar sua gratidão, e o monge partiu carregado de suas bênçãos.
Era pleno dia quando ele retornou à abadia. Sua primeira preocupação foi comunicar a Matilda o que havia acontecido. Ele estava tão apaixonado por Antonia que não conseguia ouvir, sem emoção, a previsão de sua morte iminente e temia perder o objeto de seu amor. Matilda o tranquilizou. Confirmou os argumentos que ele mesmo já havia usado: Antonia fora enganada por sua imaginação, pelo spleen que a oprimia e por sua tendência natural à superstição e ao maravilhoso. Quanto ao relato de Jacintha, a absurdo refutava-se por si só; o abade não duvidava de que ela inventara toda a história, seja por confusão devido ao terror, seja para fazê-lo atender mais prontamente a seu pedido. Tendo dissipado as apreensões do monge, Matilda continuou:
"A previsão e o fantasma são igualmente falsos; mas cabe a você, Ambrósio, verificar a primeira. Antonia, dentro de três dias, deve de fato estar morta para o mundo; mas deve viver para você.
Sua doença atual e essa fantasia que ela alimentou servirão de pretexto para um plano que há muito tenho em mente, mas que era impraticável sem que você obtivesse acesso a Antonia. Ela será sua, não por uma única noite, mas para sempre. Toda a vigilância de sua aia será em vão: você poderá desfrutar dos encantos de sua amada sem restrições. O plano deve ser posto em prática hoje mesmo, pois não há tempo a perder. O sobrinho do duque de Medina Celi prepara-se para pedir Antonia em casamento: em poucos dias, ela será levada ao palácio de sua parente, a marquesa de las Cisternas, e lá estará a salvo de suas tentativas. Durante sua ausência, meus espiões me informaram disso, e eles estão sempre a serviço de seus interesses. Agora, ouça-me. Existe um líquido extraído de certas ervas, conhecido por poucos, que provoca na pessoa que o bebe a imagem exata da morte. Administre isso a Antonia: você pode facilmente encontrar um jeito de pingar algumas gotas em sua medicação. O efeito será lançá-la em fortes convulsões por uma hora; após isso, seu sangue deixará de fluir e seu coração de bater; uma mortal palidez se espalhará por suas feições, e ela parecerá um cadáver para todos. Ela não tem parentes por perto: você pode se encarregar, sem suspeitas, dos preparativos para seu funeral e fazer com que ela seja enterrada nas criptas de Santa Clara. A solidão e o fácil acesso dessas cavernas as tornam propícias a seus desígnios. Dê a Antonia a poção sonífera esta noite: quarenta e oito horas após ingeri-la, a vida voltará a seu peito. Então, ela estará completamente em seu poder: toda resistência será inútil, e a necessidade a obrigará a recebê-lo em seus braços."
"Antonia estará em meu poder!", exclamou o monge; "Matilda, você me transporta! Afinal, a felicidade será minha, e essa felicidade será um presente seu, da amizade!
Eu a abraçarei em meus braços, longe de olhares curiosos, de intrusos tormentosos! Despejarei minha alma em seu seio; ensinarei a seu coração os primeiros rudimentos do prazer e desfrutarei sem restrições da infinita variedade de seus encantos! E isso realmente será meu? Poderei dar rédea solta a meus desejos e satisfazer todos os meus impulsos selvagens e tumultuados? Ah! Matilda, como posso expressar minha gratidão?"
"Cumprindo meus conselhos. Ambrósio, eu vivo apenas para servi-lo:
Seu interesse e felicidade são igualmente meus. Contribuir para sua felicidade é agora meu único prazer. Se meus esforços resultarem na satisfação de seus desejos, considerarei meu trabalho amplamente recompensado. Mas não percamos tempo. O líquido de que falei só pode ser encontrado no laboratório de Santa Clara. Apresse-se, então, à prioresa; peça-lhe permissão para entrar no laboratório, e isso não lhe será negado. Há um armário no final da grande sala, cheio de líquidos de diferentes cores e qualidades. O frasco em questão está sozinho na terceira prateleira à esquerda. Ele contém um líquido esverdeado: encha uma pequena garrafa com ele quando ninguém estiver olhando, e Antonia será sua."
O monge não hesitou em adotar esse plano infame. Seus desejos, já intensos, haviam se avivado ainda mais com a visão de Antonia. Enquanto estava ao lado de seu leito, o acaso revelara alguns de seus encantos até então ocultos: ele os considerou ainda mais perfeitos do que sua imaginação ardente havia imaginado. Às vezes, seu braço branco e polido era exposto ao arrumar o travesseiro; às vezes, um movimento repentino revelava parte de seu seio exuberante. Onde quer que o novo encanto se apresentasse, ali repousavam os olhos ávidos do frade. Mal conseguia dominar-se o suficiente para esconder seus desejos de Antonia e de sua vigilante aia. Inflamado pela lembrança dessas belezas, ele adotou o plano de Matilda sem hesitação.
Assim que as matinas terminaram, ele se dirigiu ao convento de Santa Clara. Sua chegada causou grande agitação entre as freiras. A prioresa sentiu-se honrada com a visita do abade, e esforçou-se para expressar sua gratidão com toda a atenção possível. Ele foi conduzido pelo jardim, mostrou-lhe todas as relíquias de santos e mártires e foi tratado com tanto respeito e distinção como se fosse o próprio Papa. Por sua vez, Ambrósio recebeu as gentilezas da prioresa com gratidão e esforçou-se para dissipar sua surpresa por ter quebrado sua resolução. Ele explicou que, entre seus penitentes, muitos estavam doentes e não podiam sair de casa. Essas pessoas, que mais precisavam de seu conselho e das consolações da religião, haviam feito representações a ele, e, embora fosse contra sua vontade, ele se vira obrigado a mudar de ideia e deixar seu amado retiro para servir a Deus. A prioresa elogiou seu zelo e caridade para com a humanidade e declarou que Madri era feliz por ter um homem tão perfeito e irrepreensível. Nesse meio-tempo, o frade chegou ao laboratório. Ele encontrou o armário: o frasco estava no lugar descrito por Matilda, e o monge aproveitou uma oportunidade para encher sua garrafa com o líquido sonífero, sem ser visto. Depois de participar de uma refeição no refeitório, ele se retirou do convento, satisfeito com o sucesso de sua visita e deixando as freiras encantadas com a honra que lhes fora conferida.
Ele esperou até a noite para tomar o caminho da casa de Antonia. Jacintha o recebeu com entusiasmo e suplicou que não esquecesse sua promessa de passar a noite no quarto assombrado. Ele reiterou a promessa. Encontrou Antonia um pouco melhor, mas ainda obsedada pela previsão do fantasma. Flora não se afastava do leito de sua senhora e, com sinais ainda mais fortes do que na noite anterior, demonstrava sua desconfiança em relação ao abade. No entanto, Ambrósio fingia não perceber. O médico chegou enquanto ele conversava com Antonia. Já era noite; pediram luzes, e Flora foi obrigada a descer para buscá-las. Como deixava uma terceira pessoa no quarto e esperava ausentar-se por apenas alguns minutos, ela acreditava não arriscar nada ao abandonar seu posto. Mal Flora saiu do quarto, Ambrósio se aproximou da mesa onde estava a medicação de Antonia. O remédio estava colocado em um recesso da janela. O médico, sentado em uma poltrona e ocupado em questionar sua paciente, não prestou atenção às ações do monge. Ambrósio aproveitou o momento: tirou a garrafa fatal e deixou cair algumas gotas no remédio. Em seguida, afastou-se rapidamente da mesa e voltou ao lugar que ocupara. Quando Flora retornou com as luzes, tudo parecia estar exatamente como ela deixara.
O médico declarou que Antonia poderia deixar seu quarto no dia seguinte sem perigo. Recomendou que ela tomasse o mesmo remédio que, na noite anterior, lhe proporcionara um sono reparador. Flora respondeu que a poção estava pronta na mesa; ele aconselhou a paciente a tomá-la sem demora e, então, se retirou. Flora despejou o remédio em um copo e o entregou a sua senhora. Naquele momento, a coragem de Ambrósio falhou. E se Matilda o tivesse enganado? E se a inveja a levara a destruir sua rival, substituindo o opiáceo por veneno? Essa ideia parecia tão razoável que ele estava prestes a impedir que Antonia bebesse o remédio. Sua resolução veio tarde demais: o copo já estava vazio, e Antonia o devolveu a Flora. Não havia mais o que fazer: Ambrósio só podia esperar ansiosamente pelo momento que decidiria o destino de Antonia e sua própria felicidade ou desespero.
Temendo criar suspeitas com sua estadia ou trair sua agitação interior, ele se despediu de sua vítima e saiu do quarto. Antonia o despediu com menos cordialidade do que na noite anterior. Flora convencera sua senhora de que receber suas visitas era desobedecer às ordens de sua mãe. Ela descreverá a emoção do monge ao entrar no quarto e o fogo que brilhava em seus olhos enquanto a olhava. Isso escapara à observação de Antonia, mas não à de sua aia, que, explicando as intenções do monge e suas prováveis consequências em termos mais claros do que os de Elvira, embora não tão delicados, conseguira alarmar sua jovem senhora e persuadi-la a tratá-lo com mais distância do que até então. A ideia de obedecer à vontade de sua mãe bastou para determinar Antonia. Embora lamentasse perder sua companhia, ela se controlou o suficiente para receber o monge com certa reserva e frieza. Agradecendo-lhe com respeito e gratidão por suas visitas anteriores, ela não o convidou a repeti-las no futuro. Não era do interesse do frade solicitar admissão à sua presença, e ele se despediu como se não pretendesse voltar. Totalmente convencida de que o relacionamento que temia estava terminado, Flora ficou tão impressionada com sua fácil conformidade que começou a duvidar da justiça de suas suspeitas. Enquanto o acompanhava até a escada, ela o agradeceu por ter tentado dissipar os temores supersticiosos de Antonia em relação à previsão do fantasma. Acrescentou que, como ele parecia interessado no bem-estar de Donna Antonia, se houvesse alguma mudança em sua situação, ela se encarregaria de informá-lo. O monge, ao responder, esforçou-se para elevar a voz, na esperança de que Jacintha o ouvisse. Ele teve sucesso; assim que ele chegou ao pé da escada com sua acompanhante, a anfitriã não deixou de aparecer.
"Então, reverendo padre", exclamou ela, "o senhor não vai ficar? O senhor não prometeu passar a noite no quarto assombrado? Cristo Jesus! Serei deixada sozinha com o fantasma e, em uma bela manhã, estarei em pedaços! Fiz tudo o que pude, mas aquele teimoso velho brutamontes, Simon Gonzalez, se recusou a se casar comigo hoje. E, antes que amanhã chegue, suponho que serei dilacerada por fantasmas, duendes, diabos e sabe-se lá mais o quê! Pelo amor de Deus, sua santidade, não me deixe em tal situação lastimável! De joelhos, eu lhe suplico que cumpra sua promessa: passe esta noite no quarto assombrado; lance a aparição no Mar Vermelho, e Jacintha o lembrará em suas orações até o último dia de sua existência!"
Esse pedido era esperado e desejado por Ambrósio; no entanto, ele fingiu levantar objeções e parecer relutante em cumprir sua palavra. Disse a Jacintha que o fantasma existia apenas em sua imaginação e que sua insistência para que ele passasse a noite toda na casa era ridícula e inútil. Jacintha era teimosa: não se deixava convencer e o pressionou tanto para que não a deixasse à mercê do diabo que, por fim, ele cedeu ao seu pedido. Tudo isso não convenceu Flora, que era naturalmente desconfiada. Ela suspeitava de que o monge estava representando um papel muito diferente de suas verdadeiras intenções e que ele desejava ficar mais do que parecia. Chegou a acreditar que Jacintha estava a seu serviço e que a pobre velha não passava de uma alcoviteira. Enquanto se congratulava por ter descoberto esse complô contra a honra de sua senhora, ela resolveu em segredo frustrar seus planos.
"Então", disse ela ao abade com um olhar meio satírico e meio indignado, "o senhor pretende ficar aqui esta noite? Faça-o, em nome de Deus! Ninguém o impedirá. Fique de vigília à espera do fantasma: eu também ficarei de vigília e que Deus me livre de ver algo pior do que um fantasma! Não me afastarei do leito de Donna Antonia durante esta noite abençoada. Que eu veja alguém ousar entrar no quarto, e seja ele mortal ou imortal, fantasma, diabo ou homem, garanto que se arrependerá de ter cruzado o limiar!"
Essa deixa foi suficientemente clara, e Ambrósio entendeu sua mensagem. Mas, em vez de mostrar que percebera suas suspeitas, ele respondeu com gentileza que aprovava as precauções da aia e a aconselhou a perseverar em sua intenção. Ela garantiu que poderia contar com sua fidelidade. Jacintha então o conduziu ao quarto onde o fantasma aparecera, e Flora retornou ao leito de sua senhora.
Jacintha abriu a porta do quarto assombrado com uma mão trêmula: ela se aventurou a espiar para dentro; mas toda a riqueza da Índia não a teria tentado a cruzar o limiar. Ela entregou a vela ao monge, desejou-lhe boa sorte na empreitada e se apressou em sair. Ambrósio entrou. Ele trancou a porta, colocou a luz sobre a mesa e sentou-se na cadeira que, na noite anterior, sustentara Antonia. Apesar das garantias de Matilda de que o espectro era uma mera criação da fantasia, seu coração estava impregnado de um misterioso horror. Ele tentava em vão afastá-lo. O silêncio da noite, a história da aparição, o quarto revestido de painéis de carvalho escuro, a lembrança da assassinada Elvira e a incerteza sobre a natureza das gotas que dera a Antonia, tudo isso o deixava inquieto em sua situação atual. Mas ele pensava menos no espectro do que no veneno. E se tivesse destruído o único objeto que tornava a vida querida para ele? E se a previsão do fantasma se provasse verdadeira? E se Antonia, em três dias, não mais existisse, e ele fosse o infeliz causador de sua morte? A suposição era tão horrível que ele não conseguia pensar nela. Ele afastava essas imagens terríveis, e, assim que elas se apresentavam novamente, as expulsava de sua mente. Matilda lhe assegurara que os efeitos do opiáceo seriam rápidos. Ele escutava com medo, mas com ansiedade, esperando ouvir algum distúrbio no quarto adjacente. Tudo permanecia em silêncio. Ele concluiu que as gotas ainda não haviam começado a agir. O que estava em jogo era grande: ele jogava por tudo. Um momento bastaria para decidir sua miséria ou felicidade. Matilda lhe ensinara os meios de verificar se a vida não estava extinta para sempre: dessa verificação dependiam todas as suas esperanças. Com cada instante, sua impaciência redobrava; seus temores se tornavam mais vivos, sua ansiedade mais aguda. Incapaz de suportar aquele estado de incerteza, ele tentava distrair-se, substituindo seus próprios pensamentos pelos de outros. Os livros, como mencionado antes, estavam dispostos em prateleiras perto da mesa: esta ficava exatamente em frente à cama, que estava colocada em um recesso perto da porta do armário. Ambrósio pegou um volume e sentou-se à mesa; mas sua atenção se desviava das páginas diante dele. A imagem de Antonia e a da assassinada Elvira insistiam em se intrometer em sua imaginação. Ainda assim, ele continuava a ler, embora seus olhos passassem pelas palavras sem que sua mente as compreendesse. Essa era sua ocupação quando ele imaginou ouvir passos. Ele virou a cabeça, mas ninguém estava ali.
Ele retomou a leitura; mas, em poucos minutos, o mesmo som foi repetido, seguido por um ruído de arrastar perto dele. Ele então se levantou de sua cadeira e, olhando ao redor, percebeu que a porta do armário estava meio aberta. Ao entrar no quarto, ele tentara abri-la, mas encontrou-a trancada por dentro.
"Como é isso?" ele disse a si mesmo; "Como essa porta se abriu?"
Ele se aproximou dela; a empurrou e olhou para dentro do armário: ninguém estava lá. Enquanto ele permanecia indeciso, pensou que distinguia um gemido no quarto adjacente: era de Antonia, e ele supôs que as gotas começavam a fazer efeito. Mas, ao escutar com mais atenção, descobriu que o barulho era causado por Jacintha, que adormecera ao lado do leito da senhora e roncava estrondosamente. Ambrósio recuou e retornou ao outro quarto, meditando sobre a repentina abertura da porta do armário, para a qual ele tentava em vão encontrar uma explicação.
Ele caminhava de um lado para o outro do quarto em silêncio. Por fim, parou e a cama atraiu sua atenção. A cortina do recesso estava apenas meio aberta. Ele suspirou involuntariamente.
"Aquela cama", disse ele em voz baixa, "era de Elvira! Ali ela passou muitas noites tranquilas, pois era boa e inocente. Como deve ter sido seu sono! E, no entanto, agora ela dorme mais profundamente! Será que ela realmente dorme? Ah! Deus queira que sim! E se ela se levantasse de seu túmulo nesta hora triste e silenciosa? E se ela rompesse os laços da sepultura e se apresentasse diante de meus olhos desolados? Ah! Eu não poderia suportar a visão! Ver novamente sua forma contorcida por agonias de morte, suas veias inchadas de sangue, seu rosto livido, seus olhos saltando das órbitas de dor! Ouvi-la falar de punições futuras, ameaçar-me com a vingança do céu, acusar-me dos crimes que cometi, dos que estou prestes a cometer... Meu Deus! O que é isso?"
Enquanto ele proferia essas palavras, seus olhos, fixos na cama, viram a cortina ser sacudida suavemente para trás e para frente. A aparição foi lembrada, e ele quase imaginou ver a forma visionária de Elvira reclinada na cama. Alguns momentos de consideração bastaram para tranquilizá-lo.
"Era apenas o vento", disse ele, recuperando-se.
Novamente ele caminhou pelo quarto; mas um movimento involuntário de apreensão e inquietude constantemente levava seus olhos em direção ao recesso. Ele se aproximou com relutância. Parou antes de subir os poucos degraus que levavam a ele. Estendeu a mão três vezes para afastar a cortina e, tantas vezes, a retirou.
"Tolos temores!", ele exclamou, envergonhado de sua própria fraqueza.
Rapidamente, ele subiu os degraus; quando uma figura vestida de branco surgiu do recesso e, deslizando por ele, se dirigiu ao armário com pressa. A loucura e o desespero agora forneceram ao monge a coragem que até então lhe faltara. Ele desceu os degraus, perseguiu a aparição e tentou agarrá-la.
"Fantasma ou diabo, eu te seguro!", ele exclamou, e segurou o espectro pelo braço.
"Ah! Cristo Jesus!", gritou uma voz aguda; "Santo padre, como o senhor me aperta! Eu juro que não pretendia fazer mal algum!"
Essa fala, assim como o braço que ele segurava, convenceu o abade de que o suposto fantasma era de carne e osso. Ele levou o intruso em direção à mesa e, segurando a luz, descobriu os traços de... Madona Flora!
Indignado por ter sido enganado por uma causa tão trivial a temores tão ridículos, ele perguntou severamente o que a levara àquele quarto. Flora, envergonhada por ter sido descoberta e aterrorizada com a severidade do olhar de Ambrósio, caiu de joelhos e prometeu fazer uma confissão completa.
"Eu protesto, reverendo padre", disse ela, "que lamento muito por tê-lo perturbado: nada estava mais longe de minha intenção. Eu pretendia sair do quarto tão silenciosamente quanto entrei; e, se o senhor não soubesse que eu o estava observando, sabe, seria a mesma coisa que se eu não o estivesse observando. Para dizer a verdade, eu fiz muito mal em ser uma espiã, isso eu não posso negar; mas, Senhor! sua reverência, como uma pobre mulher fraca pode resistir à curiosidade? A minha era tão grande para saber o que o senhor estava fazendo, que não pude deixar de tentar dar uma espiadinha, sem que ninguém soubesse de nada. Então, deixei a velha Dame Jacintha sentada ao lado do leito de minha senhora e me aventurei a entrar no armário. Não querendo interrompê-lo, contentei-me inicialmente em colocar meu olho na fechadura; mas, como não conseguia ver nada por esse meio, destranquei a porta e, enquanto suas costas estavam voltadas para o recesso, deslizei para dentro suavemente e silenciosamente. Aqui fiquei escondida atrás da cortina, até que sua reverência me descobriu e me agarrou antes que eu tivesse tempo de chegar à porta do armário. Esta é toda a verdade, eu lhe garanto, santo padre, e peço-lhe mil perdões por minha impertinência."
Durante esse discurso, o abade teve tempo de se recompor. Ele se contentou em ler à espiã penitente uma lição sobre os perigos da curiosidade e a mesquinhez da ação em que ela acabara de ser descoberta. Flora declarou-se plenamente convencida de que havia feito mal; prometeu nunca mais ser culpada do mesmo erro e estava se retirando, humilde e contrita, para o quarto de Antonia, quando a porta do armário foi repentinamente aberta, e Jacintha entrou, pálida e ofegante.
"Ah! padre! padre!", ela gritou com uma voz quase sufocada pelo terror; "O que farei! O que farei! Aqui está um belo trabalho! Nada além de infortúnios! Nada além de mortos e moribundos! Ah! eu enlouquecerei! eu enlouquecerei!"
"Fale! Fale!", gritaram Flora e o monge ao mesmo tempo; "O que aconteceu? O que há de errado?"
"Ah! terei outro cadáver em minha casa! Alguma bruxa certamente lançou um feitiço sobre ela, sobre mim e sobre todos ao meu redor! Pobre Donna Antonia! Ali ela está em convulsões exatamente como as que mataram sua mãe! O fantasma disse a verdade! Tenho certeza de que o fantasma disse a verdade!"
Flora correu, ou melhor, voou para o quarto de sua senhora; Ambrósio a seguiu, seu coração palpitando de esperança e apreensão. Eles encontraram Antonia como Jacintha descreverá, atormentada por convulsões das quais eles, em vão, tentavam aliviá-la. O monge despachou Jacintha à abadia com toda pressa e a encarregou de trazer o padre Pablos de volta com ela, sem perder um momento.
"Eu irei buscá-lo", respondeu Jacintha, "e direi a ele que venha para cá; mas, quanto a trazê-lo eu mesma, isso eu não farei. Tenho certeza de que a casa está enfeitiçada, e que Deus me livre de pôr os pés nela novamente."
Com essa resolução, ela partiu para o mosteiro e entregou ao padre Pablos as ordens do abade. Ela então se dirigiu à casa de Simon Gonzalez, a quem resolvera nunca mais deixar, até que ele se tornasse seu marido e sua moradia, a dela.
O padre Pablos mal havia visto Antonia e já a declarara incurável. As convulsões continuaram por uma hora; durante esse tempo, suas agonias eram muito mais brandas do que as que seus gemidos causavam no coração do abade. Cada espasmo parecia uma adaga em seu peito, e ele amaldiçoava a si mesmo mil vezes por ter adotado um plano tão bárbaro. A hora tendo se passado, gradualmente os ataques se tornaram menos frequentes, e Antonia menos agitada. Ela sentia que sua dissolução se aproximava e que nada poderia salvá-la.
"Digno Ambrósio", disse ela com uma voz fraca, enquanto pressionava sua mão contra os lábios, "agora estou livre para expressar minha gratidão por sua atenção e bondade. Estou no leito de morte; ainda uma hora, e não mais serei. Posso, portanto, reconhecer sem restrições que renunciar à sua companhia foi muito doloroso para mim: mas tal era a vontade de um pai, e eu não ousei desobedecer. Morrer sem repugnância: há poucos que lamentarão minha partida; há poucos a quem lamento deixar. Entre esses poucos, lamento por ninguém mais do que por você; mas nos encontraremos novamente, Ambrósio! Um dia nos encontraremos no céu: lá, nossa amizade será renovada, e minha mãe a verá com prazer!"
Ela pausou. O abade estremeceu quando ela mencionou Elvira: Antonia atribuiu sua emoção à piedade e preocupação por ela.
"Você está comovido por mim, padre", ela continuou; "ah! não lamente por minha perda. Não tenho crimes para arrepender-me, pelo menos nenhum de que eu esteja consciente, e entrego minha alma sem medo àquele que me deu. Tenho poucos pedidos a fazer; mas deixe-me esperar que os poucos que tenho sejam atendidos. Que uma missa solene seja rezada pelo repouso de minha alma e outra pela de minha amada mãe. Não que eu duvide que ela descanse em seu túmulo: agora estou convencida de que minha razão se desviou, e a falsidade da previsão do fantasma é suficiente para provar meu erro. Mas todos têm algum defeito: minha mãe pode ter tido os dela, embora eu não os conhecesse. Portanto, desejo que uma missa seja celebrada por seu repouso, e as despesas podem ser pagas com o pouco que possuo. O que restar, eu deixo para minha tia Leonella. Quando eu morrer, que o marquês de las Cisternas saiba que a família infeliz de seu irmão não pode mais importuná-lo. Mas o desapontamento me torna injusta: eles dizem que ele está doente e, talvez, se estivesse em seu poder, ele desejaria me proteger. Diga-lhe, então, padre, apenas que eu morri e que, se eu tive alguma queixa contra ele, eu o perdoei de coração. Isso feito, não tenho mais nada a pedir, além de suas orações: prometa lembrar-se de meus pedidos, e eu renunciarei à vida sem dor ou tristeza."
Ambrósio prometeu cumprir seus desejos e procedeu a dar-lhe a absolvição. A cada momento, a aproximação da morte de Antonia era anunciada. Sua visão falhava; seu coração batia lentamente; seus dedos endureciam e ficavam frios, e, às duas da manhã, ela expirou sem um gemido. Assim que a respiração a deixou, o padre Pablos se retirou, sinceramente comovido com a melancólica cena. Por sua vez, Flora deu vazão a um luto desenfreado.
Preocupações muito diferentes ocupavam Ambrósio. Ele buscou o pulso cujo bater, como Matilda lhe assegurara, provaria que a morte de Antonia era apenas temporária. Ele o encontrou; o pressionou; ele palpitava sob sua mão, e seu coração se encheu de êxtase. No entanto, ele escondeu cuidadosamente sua satisfação com o sucesso de seu plano. Assumiu um ar melancólico e, dirigindo-se a Flora, a advertiu contra o abandono a uma tristeza inútil. Suas lágrimas eram tão sinceras que ela não conseguiu ouvir seus conselhos e continuou a chorar sem cessar.
O frade se retirou, prometendo dar ordens sobre o funeral, o que, por consideração a Jacintha, como ele fingiu, deveria ocorrer com toda a pressa. Absorto em sua dor pela perda de sua amada senhora, Flora mal prestou atenção ao que ele disse. Ambrósio apressou-se em providenciar o enterro. Ele obteve permissão da prioresa para que o corpo fosse depositado no sepulcro de Santa Clara e, na manhã de sexta-feira, após todas as cerimônias necessárias e adequadas, o corpo de Antonia foi entregue ao túmulo.
No mesmo dia, Leonella chegou a Madri, pretendendo apresentar seu jovem marido a Elvira. Várias circunstâncias a obrigaram a adiar sua jornada de terça para sexta-feira, e ela não tivera oportunidade de informar sua irmã sobre a mudança em seus planos. Como seu coração era verdadeiramente afetuoso e como sempre nutrira um sincero afeto por Elvira e sua filha, sua surpresa ao saber de sua morte repentina e melancólica foi plenamente igualada por sua dor e decepção. Ambrósio enviou-lhe uma mensagem informando-a do legado de Antonia. A seu pedido, ele prometeu, assim que as pequenas dívidas de Elvira fossem pagas, transmitir-lhe o restante. Isso acertado, nenhum outro negócio detinha Leonella em Madri, e ela retornou a Córdova com toda a diligência.
CAPÍTULO X.
Ah! se eu pudesse adorar algo sob os céus Que a terra viu ou a fantasia poderia conceber, Teu altar, sagrada Liberdade, deveria erguer-se, Construído por mãos não mercenárias e vulgares, Com turfa perfumada e flores tão selvagens e belas, Como as que já adornaram uma margem ou perfumaram o ar estival.
COWPER.
Com toda a sua atenção voltada para levar à justiça os assassinos de sua irmã, Lorenzo pouco pensava em quão seriamente seus interesses estavam sofrendo em outro lugar. Como mencionado antes, ele não retornou a Madri até a noite do dia em que Antonia foi enterrada. Informar o Grande Inquisidor da ordem do Cardeal-Duque (uma cerimônia que não podia ser negligenciada, quando um membro da Igreja era preso publicamente), comunicar seu plano a seu tio e a Don Ramirez e reunir um grupo de arqueiros escolhidos, tudo isso o ocupou durante as poucas horas que precederam a meia-noite. Consequentemente, ele não teve oportunidade de perguntar por sua amada e estava completamente ignorante tanto de sua morte quanto da de sua mãe.
O marquês estava longe de estar fora de perigo: seu delírio havia passado, mas o deixara tão exausto que os médicos se recusavam a se pronunciar sobre as consequências prováveis. Quanto a Raymond, ele desejava nada mais ardentemente do que se juntar a Agnes no túmulo. A existência era odiosa para ele: ele não via nada no mundo que merecesse sua atenção e esperava ouvir que Agnes fora vingada e que ele mesmo fosse dado como perdido no mesmo momento.
Acompanhado pelas ardentes preces de Raymond por sucesso, Lorenzo estava diante dos portões de Santa Clara uma hora antes do tempo marcado pela madre St. Ursula. Ele era acompanhado por seu tio, por Don Ramirez de Mello e por um grupo de arqueiros escolhidos. Embora em número considerável, sua aparência não causava surpresa. Uma grande multidão já se reunira diante dos portões do convento, a fim de testemunhar a procissão. Supunha-se naturalmente que Lorenzo e seus acompanhantes estavam lá pelo mesmo motivo. O duque de Medina, ao ser reconhecido, abriu caminho para seu grupo avançar. Lorenzo posicionou-se em frente ao grande portão, por onde os peregrinos deveriam passar. Convencido de que a prioresa não poderia escapar dele, ele esperou pacientemente por sua aparição, que ela deveria fazer exatamente à meia-noite.
A superstição que governava os habitantes de Madri. Seu bom senso apontara para ele as artimanhas dos monges e a grosseira absurdidade de seus milagres, maravilhas e relíquias supositícias. Ele lamentava ver seus compatriotas serem enganados por decepções tão ridículas e desejava apenas uma oportunidade para libertá-los de seus grilhões monásticos. Essa oportunidade, tão desejada em vão, finalmente se apresentava. Ele resolveu não deixá-la escapar, mas expor ao povo, em cores vivas, quão enormes eram os abusos praticados com muita frequência em mosteiros e quão injustamente a estima pública era concedida indiscriminadamente a todos que usavam um hábito religioso. Ele ansiava pelo momento destinado a desmascarar os hipócritas e convencer seus compatriotas de que uma aparência santa não sempre escondia um coração virtuoso.
O serviço durou até que a meia-noite fosse anunciada pelo sino do convento.那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个那个
O Abade de Capuchins era apenas separado do Convento pelo Jardim e Cemitério. Os Monges foram convidados a assistir à Procissão. Eles chegaram, marchando dois a dois com Tochas acesas nas mãos, e entoando Hinos em honra de Santa Clara. O Padre Pablos estava à frente, o Abade tendo se desculpado de comparecer. O povo abriu caminho para a santa Procissão, e os Frades posicionaram-se em filas de cada lado dos grandes Portões. Poucos minutos bastaram para organizar a ordem da Procissão. Estando tudo pronto, as portas do Convento foram abertas, e novamente o Coro feminino soou em plena melodia. Primeiro apareceu um grupo de Coristas: Assim que passaram, os Monges entraram dois a dois, e seguiram com passos lentos e medidos. Em seguida vieram os Noviços; Eles não carregavam Tochas como os Professos, mas avançavam com os olhos baixos, e pareciam ocupados em contar suas Contas. A eles sucedeu uma jovem e bela Moça, que representava Santa Lúcia: Ela segurava um cálice de ouro no qual havia dois olhos: Seus próprios olhos estavam cobertos por uma faixa de veludo, e Ela era conduzida por outra Freira vestida como um Anjo. Ela foi seguida por Santa Catarina, um ramo de palmeira em uma mão, uma espada flamejante na outra: Ela estava vestida de branco, e sua testa era ornada com uma brilhante Diadema. Depois dela apareceu Santa Genoveva, cercada por uma série de Diabos, que, colocando-se em atitudes grotescas, puxando-a pelo hábito, e fazendo gestos anticos ao seu redor, tentavam distrair sua atenção do Livro, no qual seus olhos estavam constantemente fixos. Esses Diabos divertidos entreteram muito os Espectadores, que expressaram seu prazer com repetidas salvas de risadas. A Prioresa havia escolhido com cuidado uma Freira cuja disposição era naturalmente solene e saturnina. Ela tinha todas as razões para estar satisfeita com sua escolha: As travessuras dos Diabos foram totalmente perdidas, e Santa Genoveva avançou sem alterar um único músculo.
Cada uma dessas Santas era separada da outra por um grupo de Coristas, exaltando seu louvor em seus Hinos, mas declarando que todas eram muito inferiores a Santa Clara, a Padroeira declarada do Convento. Estas tendo passado, uma longa fila de Freiras apareceu, carregando como os Coristas cada uma uma tocha acesa. Em seguida veio as relíquias de Santa Clara, encerradas em vasos igualmente preciosos por seus materiais e workmanship: Mas elas não atraíram a atenção de Lorenzo. A Freira que carregava o coração ocupou-o inteiramente. De acordo com a descrição de Teodoro, Ele não duvidava que ela fosse a Madre St. Ursula. Ela parecia olhar ao redor com ansiedade. Como Ele estava na frente da fila por onde a procissão passava, seu olho capturou o de Lorenzo. Um rubor de alegria espalhou-se por seu rosto até então pálido. Ela se virou para sua Companheira ansiosamente.
“Estamos a salvo!” Ele a ouviu sussurrar; “É seu Irmão!”
Seu coração, agora aliviado da inquietude, permitiu-lhe observar com tranquilidade a continuação da cena. Agora apareceu o seu mais brilhante ornamento. Era uma Máquina em forma de trono, rica com joias e deslumbrante com luz. Ela rolava para frente sobre rodas ocultas, e era guiada por várias lindas Crianças, vestidas como Serafins. O topo era coberto com nuvens de prata, sobre as quais reclinava a mais bela forma que olhos já testemunharam. Era uma Donzela representando Santa Clara: Seu traje era de valor inestimável, e ao redor de sua cabeça uma guirlanda de Diamantes formava uma glória artificial: Mas todos esses ornamentos cediam ao brilho de seus encantos. Ao avançar, um murmúrio de deleite correu pela Multidão. Até Lorenzo confessou secretamente que nunca havia contemplado uma beleza mais perfeita, e se seu coração não fosse de Antonia, ele teria caído vítima daquela encantadora Girl. Como estava, Ele a considerou apenas como uma bela Estátua: Ela obteve dele apenas um frio elogio, e quando Ela passou por ele, Ele não pensou mais nela.
“Quem é Ela?” perguntou um Espectador ao lado de Lorenzo.
“Uma cuja beleza você deve ter ouvido celebrar frequentemente. Seu nome é Virginia de Villa-Franca: Ela é uma Pensionista do Convento de Santa Clara, uma Parente da Prioresa, e foi escolhida com justiça como o ornamento da Procissão.”
O Trono moveu-se para frente. Era seguido pela Prioresa em pessoa: Ela marchava à frente das restantes Freiras com um ar devoto e santificado, e fechou a procissão. Ela avançava lentamente: Seus olhos estavam erguidos ao céu: Sua face calma e tranquila parecia abstraída de todas as coisas sublunares, e nenhum traço traía seu orgulho secreto ao exibir o pompa e opulência de seu Convento. Ela passou ao longo, acompanhada pelas orações e bênçãos do Povo: Mas quão grande foi a confusão e o espanto geral, quando Don Ramirez, avançando, a desafiou como sua Prisioneira.
Por um momento, o espanto manteve a Domina silenciosa e imobilizada: Mas assim que Ela se recuperou, Ela exclamou contra sacrilégio e impiedade, e chamou o Povo para resgatar uma Filha da Igreja.
Eles estavam se preparando para obedecer a ela; quando Don Ramirez, protegido pelos Arqueiros contra sua fúria, ordenou-lhes que parassem, e ameaçou-os com a mais severa vingança da Inquisição. Naquela palavra temida, toda arma caiu, toda espada voltou à bainha. A Prioresa mesma ficou pálida, e tremeu. A confusão geral convenceu-a de que ela não tinha nada a esperar além da inocência, e ela suplicou a Don Ramirez, em uma voz trêmula, que a informasse do crime de que era acusada.
“Isso você saberá no tempo devido,” respondeu ele; “Mas primeiro devo garantir a Madre St. Ursula.”
“A Madre St. Ursula?” repetiu a Domina fracamente.
Neste momento, olhando ao redor, Ela viu perto dela Lorenzo e o Duque, que haviam seguido Don Ramirez para apoiá-lo.
“Ah! grande Deus!” Ela exclamou, juntando as mãos com um ar frenético; “Estou traída!”
“Em mim, reconheça sua Acusadora,” disse St. Ursula, avançando; “Na minha pessoa, veja a pessoa que acusa a Prioresa de Santa Clara de assassinato, e arrisca sua vida pela justiça de sua acusação.”
Um grito geral de surpresa foi ouvido por toda a Assembleia, e uma explicação foi exigida em voz alta. A confusão aumentou a cada momento: Mas, apesar dos esforços de Lorenzo, do Duque, de Don Ramirez, e dos Arqueiros, o tumulto se tornou tão violento, que foi impossível para St. Ursula haranguear a Multidão. Ela ascendeu ao vazio Trono, e dali dirigiu-se à Assembleia, enquanto a Domina, cercada pelos Oficiais da Inquisição, foi conduzida para fora da confusão. A Freira começou seu discurso, enquanto o povo, amedrontado por sua voz, recuou alguns passos, e um silêncio profundo prevaleceu.
“Por mais estranho e indecoroso que possa parecer meu comportamento,” disse ela, “sendo adotado por uma Mulher e uma Freira, a necessidade o justifica plenamente. Um segredo, um segredo horrível pesa em minha alma: Nenhum descanso pode ser meu até que eu o tenha revelado ao mundo, e satisfeito aquela sangue inocente que clama da Sepultura por vingança. Muito ousei para ganhar esta oportunidade de aliviar minha consciência: Se falhei em minha tentativa, se o mistério continua não desvendado, as culpas não recaem sobre mim. É meu dever relatar um Conto, cujos circunstâncias gelarão cada coração honesto com horror. Minha tarefa é arrancar o véu da Hipocrisia, e mostrar aos Pais para que perigos a Mulher está exposta, que cai sob o poder de um Monástico Tirano.
“Entre as Votárias de Santa Clara, nenhuma era mais amável, nenhuma mais gentil do que Agnes de Medina. Eu a conhecia bem; Ela confiava em mim cada segredo de seu coração; Eu era sua Amiga e Confidente, e a amava com afeto sincero. Nem eu era singular em meu apego: Sua piedade não fingida, sua disposição pronta a obrigar, e seu caráter angelical a tornavam a Queridinha de tudo que era estimável no Convento. Até a própria Prioresa, orgulhosa, escrupulosa e austera, não podia recusar a Agnes aquele tributo de aprovação que ela não concedia a mais ninguém. Cada um tem sua fraqueza: Ai! Agnes tinha a dela! Ela violou as leis de nossa ordem, e incorreu no ódio inveterado da implacável Domina. Santa Clara’s regras são severas: Mas, crescidas antiquadas e negligenciadas, muitas delas foram recentemente mudadas por consentimento universal em punições mais brandas. A pena, adjudicada ao crime de Agnes, era a mais cruel, a mais desumana! A lei decretava que a Ofensora deveria ser mergulhada em um calabouço privado, expressamente constituído para esconder para sempre da vista do mundo a Vítima da Crueldade e da tirânica superstição. Neste dreadful abode ela deveria levar uma solidão perpétua, privada de toda sociedade, e acreditada como morta por aqueles, cuja afeição poderia ter tentado resgatá-la. Assim ela deveria languir pelos restos de seus dias, com nada além de pão e água para seu sustento, e sem outro conforto além do livre uso de suas lágrimas.
“Um conselho dos doze Monges mais velhos foi convocado: Eu era uma do número. A Prioresa, em cores exageradas, descreveu o delito de Agnes, e não duvidou de propor a revival daquela quase esquecida lei. Para minha vergonha, seja dito, que, das doze, nove vozes foram a favor da bárbara proposta. A Madre Bertha e eu própria formamos o partido da ré. Nossas razões e súplicas foram vãs: A decisão da maioria prevaleceu, e a sentença foi declarada irrevogável. Dois dias se passaram: Na tarde do Terceiro, foi anunciado que no dia seguinte Agnes seria examinada; e que, de acordo com seu comportamento naquela ocasião, sua punição seria fortalecida ou mitigada.
“Na noite que precedeu esse exame fatal, eu me esgueirei para a Cela de Agnes, em uma hora em que supus que as outras Freiras estavam enterradas no sono. Eu a consolei o melhor que pude: Eu a exortei a tomar coragem, a confiar no apoio de seus amigos, e ensinei-lhe certos sinais, pelos quais eu poderia instruí-la a responder às perguntas da Domina por um assentimento ou negação. Consciente de que sua Inimiga tentaria confundi-la, embaraçá-la e intimidá-la, eu temia que ela fosse induzida a alguma confissão prejudicial a seus interesses. Estando ansiosa para manter minha visita em segredo, eu fiquei com Agnes apenas por um curto período. Eu a exortei a não deixar seu ânimo se abater; Eu misturei minhas lágrimas com as dela, a abracei ternamente, e estava prestes a me retirar, quando ouvi passos se aproximando da Cela. Uma Cortina que cobria um grande Crucifixo me ofereceu um retiro, e eu me apressei em me colocar atrás dela. A porta se abriu. A Prioresa entrou, seguida por outras quatro Freiras. Elas avançaram para a cama de Agnes. A Superiora a repreendeu em termos amargos: Ela lhe disse que ela era uma desgraça para o Convento, que ela estava resolvida a livrar o mundo e a si mesma de tal Monstro, e ordenou que ela bebesse o conteúdo de um Cálice agora apresentado a ela por uma das Freiras. Consciente das propriedades fatais do líquido, e tremendo ao encontrar-se à beira da Eternidade, a infeliz Suplicante tentou excitar a piedade de sua Inimiga pelas mais comoventes preces.
Ela suplicou por vida em termos que poderiam ter amolecido o coração de um Demônio: Ela prometeu submeter-se pacientemente a qualquer punição, a vergonha, ao aprisionamento, e à tortura, contanto que lhe fosse permitido viver! Oh! se ela pudesse viver mais um mês, ou semana, ou dia! Sua cruel Inimiga escutou suas súplicas imperturbável: Ela lhe disse que, se ela havia alterado sua intenção, ela tinha que agradecer à oposição de seus Amigos. Ela continuou a insistir para que ela bebesse o veneno: Ela a advertiu para se recomendar à misericórdia do Todo-Poderoso, não à dela, e assegurou-lhe que, em uma hora, ela seria contada com os Mortos. Percebendo que era vão implorar por misericórdia daquela mulher sem coração, ela tentou escapar da cama, e chamar por assistência; mas a Prioresa, adivinhando seu desígnio, agarrou-a com força pelo braço, e, colocando uma adaga em seu seio, protestou que, se ela emitisse um único grito, ou hesitasse um único momento em beber o veneno, ela perfuraria seu coração naquele instante. Já quase morta de medo, ela não podia fazer mais resistência. A Freira se aproximou com o fatal Cálice. A Domina obrigou-a a pegá-lo, e a engolir o conteúdo. O horrendo feito foi realizado. As Freiras então se sentaram ao redor da cama. Elas responderam aos gemidos da moribunda com reproches; Elas interromperam com sarcasmos as orações com as quais ela recomendava sua alma partida à misericórdia; Elas a ameaçaram com a vingança do céu, e a advertiram para desesperar do perdão. Tais foram os sofrimentos dessa jovem Desventurada, até que a morte a libertou das mãos de seus Tormentores. Assim que sua Vítima deixou de respirar, a Domina se retirou, e foi seguida por suas cúmplices.
“Era agora que eu saí de meu esconderijo. Eu não ousei ajudar minha infeliz amiga, ciente de que, sem preservá-la, eu apenas traria sobre mim mesma a mesma destruição. Chocada e aterrorizada além da expressão com essa cena horrenda, mal tive forças para retornar à minha Cela. Ao chegar à porta da Cela de Agnes, eu me aventurei a olhar para a cama, onde jazia seu corpo sem vida, outrora tão amável e tão doce! Eu sussurrei uma prece por sua alma partida, e fiz um voto de vingar sua morte com a vergonha e o castigo de seus Assassinos. Com perigo e dificuldade, tenho mantido minha promessa. Foi muito antes que eu pudesse encontrar meios de transmitir aos Parentes da falecida uma indicação de meu segredo. Foi dado que Agnes havia morrido repentinamente: Esta conta foi creditada não apenas por seus Amigos em Madrid, mas até por aqueles dentro do Convento. O veneno não deixara marcas em seu corpo: Ninguém suspeitou da verdadeira causa de sua morte, e ela permaneceu desconhecida para todos, exceto para os Assassinos e para Mim.
“Nada mais tenho a dizer: pelo que já disse, responderei com minha vida. Eu repito que a Prioresa é uma Assassina; que ela tirou da vida, talvez do céu, uma Desventurada cuja ofensa era leve e venial; que ela abusou do poder que lhe foi confiado, e tem sido uma Tirana, uma Bárbara, e uma Hipócrita. Eu também acuso as quatro Freiras, Violante, Camilla, Alix, e Mariana, como sendo suas Cúmplices, e igualmente criminosas.”
Aqui St. Ursula terminou sua narrativa. Ela criou tal horror e indignação em toda a Assembleia, que, por alguns momentos, interrompeu sua fala. Quando o tumulto cessou, e o silêncio novamente prevaleceu através da Assembleia, ela continuou seu discurso, enquanto a Domina, a cada palavra, traía seus crescentes temores.
“Nada mais tenho a dizer: pelo que já disse, responderei com minha vida. Eu repito que a Prioresa é uma Assassina; que ela tirou da vida, talvez do céu, uma Desventurada cuja ofensa era leve e venial; que ela abusou do poder que lhe foi confiado, e tem sido uma Tirana, uma Bárbara, e uma Hipócrita. Eu também acuso as quatro Freiras, Violante, Camilla, Alix, e Mariana, como sendo suas Cúmplices, e igualmente criminosas.”
Aqui St. Ursula terminou sua narrativa. Ela criou tal horror e indignação em toda a Assembleia, que, por alguns momentos, interrompeu sua fala. Quando o tumulto cessou, e o silêncio novamente prevaleceu, ela desceu do Trono, e se entregou nas mãos de Don Ramirez. A Multidão, amedrontada por sua voz, recuou alguns passos, e um silêncio profundo prevaleceu. A Freira, agora sob custódia, foi conduzida para fora da confusão, seguida por Lorenzo, o Duque, e os Arqueiros. A Procissão foi dissolvida, e cada um retornou para casa, discutindo o evento extraordinário que acabara de ocorrer.
A Prioresa, trêmula e confusa, foi levada para a Inquisição, onde foi confinada em uma cela escura e sombria. Ela foi informada de que seria julgada por seus crimes, e que, se considerada culpada, enfrentaria a pena de morte. A notícia de sua prisão se espalhou rapidamente por Madrid, e a cidade inteira estava em alvoroço.
Enquanto isso, Lorenzo e o Duque retornaram ao Palácio de las Cisternas, onde encontraram o Marquês em um estado de grande agitação. Ele estava convicto de que Agnes estava viva, e que a Madre St. Ursula era sua salvadora. Ele agradeceu a Lorenzo e ao Duque por sua ajuda, e expressou sua gratidão pela coragem e determinação da Freira.
A investigação sobre o caso da Prioresa e das Freiras cúmplices começou logo em seguida. A Madre St. Ursula foi chamada a depor, e sua narrativa foi confirmada por outras testemunhas. A Prioresa, confrontada com as evidências, confessou seu crime, e foi condenada à morte. As Freiras cúmplices também foram julgadas e condenadas.
A sentença foi executada em praça pública, e a Prioresa foi queimada na fogueira. As Freiras cúmplices foram enforcadas, e seus corpos foram expostos em praça pública como um aviso para outros que pudessem pensar em cometer crimes semelhantes.
A morte da Prioresa e das Freiras cúmplices trouxe alívio e justiça para a família de Agnes. O Marquês, agora convencido de que sua Irmã estava morta, pode finalmente encontrar paz e consolo. Lorenzo e Antonia, livres da ameaça da Prioresa, podem agora viver suas vidas em paz e felicidade.
E assim, a justiça foi feita, e a verdade prevaleceu. A história da Prioresa e de suas cúmplices serve como um lembrete sombrio dos perigos da hipocrisia e da tirania, e da importância de sempre buscar a verdade e a justiça.
FIM.
Incapaz de prevenir este evento chocante, Lorenzo e seus Amigos o tinham contemplado com o mais profundo horror: mas foram despertados de sua inatividade forçada ao saber que a turba estava atacando o Convento de Santa Clara. A populace enraivecida, confundindo o inocente com o culpado, decidira sacrificar todas as Freiras daquela ordem à sua fúria, e não deixar pedra sobre pedra do edifício. Alarmados com esta notícia, apressaram-se para o Convento, decididos a defende-lo se possível, ou pelo menos a resgatar os Habitantes da fúria dos Revoltosos. A maioria das Freiras havia fugido, mas algumas ainda permaneciam em sua habitação. A situação delas era verdadeiramente perigosa. Contudo, como haviam tomado a precaução de fechar os Portões internos, com esta assistência Lorenzo esperava repelir a Turba, até que Dom Ramirez retornasse a ele com uma força mais suficiente.
Tendo sido conduzido pelo distúrbio anterior à distância de algumas Ruas do Convento, Ele não o alcançou imediatamente: Quando chegou, a multidão que o cercava era tão excessiva que impedia sua aproximação dos Portões. No ínterim, a População sitiou o Edifício com fúria perseverante: Bateram nas paredes, jogaram tochas acesas pelas janelas e juraram que ao raiar do dia nenhuma Freira da ordem de Santa Clara seria deixada viva. Lorenzo acabara de conseguir abrir caminho através da Multidão, quando um dos Portões foi forçado a se abrir. Os Revoltosos irromperam para a parte interior do Edifício, onde exerceram sua vingança sobre tudo o que se encontrava em sua passagem. Quebraram a mobília em pedaços, arrancaram as pinturas, destruíram as relíquias e, em seu ódio ao seu Servo, esqueceram todo o respeito pela Santa. Uns empregavam-se em procurar as Freiras, Outros em derrubar partes do Convento, e Outros ainda em incendiar as pinturas e a mobília valiosa que ele continha. Estes Últimos produziram a desolação mais decisiva; de fato, as consequências de sua ação foram mais repentinas do que eles próprios esperavam ou desejavam. As Chamas que subiam das pilhas em chamas alcançaram parte do Edifício que, sendo antigo e seco, a conflagração espalhou-se com rapidez de aposento em aposento. As Paredes logo foram abaladas pelo elemento devorador: As Colunas cederam: Os Telhados desabaram sobre os Revoltosos e esmagaram muitos deles sob seu peso. Nada se ouvia senão gritos e gemidos; O Convento estava envolto em chamas e o conjunto apresentava uma cena de devastação e horror.
Lorenzo ficou chocado por ter sido a causa, por mais inocente que fosse, deste distúrbio terrível: Esforçou-se por reparar sua falta protegendo os indefesos Habitantes do Convento. Entrou nele com a Turba e esforçou-se para reprimir a Fúria predominante, até que o progresso repentino e alarmante das chamas o obrigou a zelar pela sua própria segurança. As Pessoas agora se precipitavam para fora com tanta ânsia quanto antes haviam se aglomerado para dentro; Mas seus números obstruindo a porta e o fogo avançando rapidamente sobre elas, muitos pereceram antes de terem tempo de efetuar sua fuga. A boa sorte de Lorenzo o direcionou a uma pequena porta em uma Ala mais distante da Capela. O ferrolho já estava destravado: Ele abriu a porta e viu-se ao pé do Sepulcro de Santa Clara.
Ali parou para respirar. O Duque e alguns de seus Acompanhantes o haviam seguido e assim estavam em segurança por ora. Agora consultavam que passos deveriam dar para escapar desta cena de distúrbio: Mas suas deliberações foram consideravelmente interrompidas pela visão de volumes de fogo subindo do meio das maciças paredes do Convento, pelo barulho de algum Arco pesado desabando em ruínas, ou pelos gritos misturados das Freiras e dos Revoltosos, quer sufocando na multidão, perecendo nas chamas, ou esmagados sob o peso da Mansão em queda.
Lorenzo inquiriu para onde levava a Portinhola. Responderam-lhe que para o Jardim dos Capuchinhos, e resolveu-se explorar uma saída por esse lado. Consequentemente, o Duque levantou a Tranca e passou para o Cemitério adjacente. Os Acompanhantes seguiram sem cerimônia. Lorenzo, sendo o último, estava também prestes a abandonar a Colunata quando viu a porta do Sepulcro abrir-se suavemente. Alguém olhou para fora, mas ao perceber Estranhos soltou um grito alto, recuou de súbito e voou pelas Escadas de mármore.
— O que pode significar isto? — gritou Lorenzo; — Há aqui algum mistério oculto. Sigam-me sem demora!
Dizendo isto, Ele apressou-se para o Sepulcro e perseguiu a pessoa que continuava a voar diante dele. O Duque não sabia a causa de sua exclamacão, mas supondo que ele tivesse bons motivos para isso, seguiu-o sem hesitação. Os Outros fizeram o mesmo, e toda a Partida logo chegou ao pé das Escadas.
Tendo a porta superior sido deixada aberta, as chamas vizinhas irradiavam de cima luz suficiente para permitir que Lorenzo captasse um relance do Fugitivo correndo pelos longos corredores e distantes Voltas; mas quando uma súbita curva o privou dessa assistência, a escuridão total sucedeu-se e ele só pôde rastrear o objeto de sua investigação pelo eco tênue de passos que se retiravam. Os Perseguidores viram-se agora obrigados a prosseguir com cautela: tanto quanto podiam julgar, o Fugitivo também parecia diminuir o passo, pois ouviam os passos seguirem-se a intervalos maiores. Acabaram por ficar desnorteados pelo Labirinto de corredores e dispersaram-se em várias direções. Levado por seu ardor em esclarecer este mistério e em penetrar nele, para o que era impelido por um movimento secreto e inexplicável, Lorenzo não deu atenção a esta circunstância até se ver em total solidão. O ruído de passos havia cessado. Tudo estava silencioso ao redor e nenhuma pista se oferecia para guiá-lo à Pessoa em fuga. Parou para refletir sobre os meios mais prováveis de auxiliar sua perseguição. Estava persuadido de que nenhuma causa comum teria induzido o Fugitivo a procurar aquele lugar tétrico a uma hora tão incomum: O grito que ouvira parecia proferido em voz de terror e estava convicto de que algum mistério estava ligado a este evento. Após alguns minutos passados em hesitação, continuou a avançar, tateando o caminho ao longo das paredes do corredor. Já havia passado algum tempo nesse progresso lento quando discerniu uma centelha de luz brilhando à distância. Guiado por esta observação e tendo sacado a espada, dobrou seus passos em direção ao lugar de onde o facho parecia ser emitido.
Provinha da Lâmpada que flamulava diante da Estátua de Santa Clara. Diante dela encontravam-se várias Mulheres, suas Vestes brancas flutuando na rajada, enquanto esta uivava pelas masmorras abobadadas. Curioso por saber o que as reunira naquele ponto melancólico, Lorenzo aproximou-se com precaução. As Estranhas pareciam engajadas ardentemente em conversação. Não ouviram os passos de Lorenzo e ele aproximou-se não observado, até poder ouvir suas vozes distintamente.
— Eu protesto — continuou Aquela que falava quando ele chegou e à qual o resto escutava com grande atenção; — Eu protesto que as vi com meus próprios olhos. Voei pelas escadas; Elas me perseguiram e escapei de cair em suas mãos com dificuldade. Não fosse pela Lâmpada, eu nunca vos teria encontrado.
— E o que as traria para cá? — disse outra em voz trêmula; — Pensais que nos procuravam?
— Deus queira que meus temores sejam falsos — replicou a Primeira; — Mas duvido que sejam Assassinos! Se nos descobrirem, estamos perdidas! Quanto a mim, meu destino é certo: Minha afinidade com a Prioresa será crime suficiente para me condenar; e embora até agora estes Vaults me tenham proporcionado um refúgio.......
Aqui, levantando os olhos, seu olhar recaiu sobre Lorenzo, que continuara a aproximar-se suavemente.
— Os Assassinos! — gritou ela —
Ela afastou-se do Pedestal da Estátua em que estivera sentada e tentou escapar pela fuga. Suas Companheiras no mesmo momento soltaram um grito aterrorizado, enquanto Lorenzo prendia o Fugitivo pelo braço. Assustada e desesperada, ela afundou de joelhos diante dele.
— Poupai-me! — exclamou ela; — Pelo amor de Cristo, poupai-me! Sou inocente, decerto que sou!
Enquanto falava, sua voz estava quase sufocada pelo medo. Os raios da Lâmpada dardejando em cheio sobre seu rosto desvelado, Lorenzo reconheceu a bela Virginia de Villa-Franca. Apressou-se em levantá-la do chão e suplicou-lhe que cobrasse coragem. Prometeu protegê-la dos Revoltosos, assegurou-lhe que seu refúgio ainda era segredo e que podia contar com sua prontidão para defendê-la até a última gota de seu sangue. Durante esta conversação, as Freiras haviam-se atirado em várias atitudes: Uma ajoelhou-se e dirigiu-se ao céu; Outra escondeu o rosto no colo de sua Vizinha; Algumas escutavam imóveis de medo o discurso do suposto Assassino; enquanto Outras abraçavam a Estátua de Santa Clara e imploravam sua proteção com gritos frenéticos. Ao perceberem o engano, agruparam-se em torno de Lorenzo e despejaram-lhe bênçãos aos milhares. Ele descobriu que, ao ouvirem as ameaças da Turba e aterrorizadas pelas crueldades que das Torres do Convento tinham visto infligidas à Superiora, muitas das Pensionistas e Freiras haviam buscado refúgio no Sepulcro. Entre as primeiras devia contar-se a adorável Virginia. Sendo parenta próxima da Prioresa, ela tinha mais razões que o resto para temer os Revoltosos e agora suplicava a Lorenzo com insistência que não a abandonasse à fúria deles. Suas Companheiras, a maioria das quais eram Mulheres de família nobre, fizeram o mesmo pedido, que ele prontamente concedeu. Prometeu não as deixar até ver cada uma delas a salvo nos braços de seus Parentes; mas aconselhou que adiassem a saída do Sepulcro por mais algum tempo, quando a fúria popular estivesse um tanto acalmada e a chegada de força militar houvesse dispersado a multidão.
— Oxalá! — gritou Virginia — que eu já estivesse a salvo nos abraços de minha Mãe! Que dizeis, Senhor; Demorará muito para que possamos deixar este lugar? Cada momento que passo aqui, passo-o em tortura!
— Espero que não muito — disse ele; — Mas até que possas prosseguir com segurança, este Sepulcro provará ser um asilo impenetrável. Aqui não corres risco de descoberta e eu aconselharia que permanecesses quieta pelas próximas duas ou três horas.
— Duas ou três horas? — exclamou a Irmã Helena; — Se eu ficar mais uma hora nestas catacumbas, expirei de medo! Nem a riqueza do mundo me subornaria a passar novamente pelo que sofri desde a minha chegada aqui. Virgem Bendita! Estar neste lugar melancólico no meio da noite, cercada pelos corpos em decomposição de minhas Companheiras falecidas, e esperando a cada momento ser despedaçada por seus Fantasmas que vagam ao meu redor, e se queixam, e gemem, e lamentam em acentos que me gelam o sangue, ..... Cristo Jesus! É o bastante para me levar à loucura!
— Desculpai-me — respondeu Lorenzo — se me surpreendo que, enquanto ameaçadas por males reais, sejais capazes de vos render a perigos imaginários. Estes terrores são pueris e infundados: Combatei-os, santa Irmã; Prometi guardar-vos dos Revoltosos, mas contra os ataques da supertição deveis depender de vós mesma para vossa proteção. A idéia de Fantasmas é ridícula ao extremo; E se continuardes a ser dominadas por terrores ideais...
— Ideais? — exclamaram as Freiras a uma só voz; — Ora, nós mesmas o ouvimos, Senhor! Cada uma de nós o ouviu! Foi repetido frequentemente e soou cada vez mais melancólico e profundo. Nunca me persuadireis de que todas pudemos ser enganadas. Nós não, certamente; Não, não; Se o ruído tivesse sido meramente criado pela imaginação...
— Escutai! Escutai! — interrompeu Virginia em voz de terror; — Deus nos preserve! Lá está ele de novo!
As Freiras juntaram as mãos e caíram de joelhos.
Lorenzo olhou ao redor com avidez e estava prestes a render-se aos temores de que as Mulheres já se haviam apossado. Silêncio universal prevalecia. Ele examinou a Cripta, mas nada se via. Preparava-se agora para dirigir-se às Freiras e ridicularizar suas apreensões infantis, quando sua atenção foi detida por um gemido profundo e longamente retido.
— Que foi isso? — gritou ele, sobressaltando-se.
— Eis aí, Senhor! — disse Helena; — Agora deveis estar convicto! Ouvistes o ruído vós mesmo! Julgai agora se nossos terrores são imaginários. Desde que estamos aqui, esse gemimento tem-se repetido quase a cada cinco minutos. Sem dúvida, provém de alguma Alma em pena, que deseja que rezem por ela para sair do purgatório; mas nenhuma de nós aqui ousa fazer-lhe a pergunta. Quanto a mim, se eu visse uma Aparição, o susto, tenho certeza absoluta, matar-me-ia de imediato.
Enquanto dizia isto, um segundo gemido ouviu-se ainda mais distintamente. As Freiras cruzaram-se e apressaram-se em repetir suas preces contra os espíritos malignos. Lorenzo escutou atentamente. Chegou mesmo a pensar que conseguia distinguir sons, como de alguém falando em queixa; mas a distância tornava-os inarticulados. O ruído parecia vir do meio da pequena Cripta em que ele e as Freiras então se encontravam e que uma multidão de corredores ramificando-se em várias direções formava numa espécie de Estrela. A curiosidade de Lorenzo, que estava sempre desperta, fê-lo ansiar por solucionar este mistério. Pediu que se guardasse silêncio. As Freiras obedeceram-lhe. Tudo silenciou, até que a calmaria geral foi novamente perturbada pelo gemimento, que se repetiu várias vezes sucessivamente. Ele percebeu que se tornava mais audível quando, ao seguir o som, era conduzido para perto do santuário de Santa Clara:
— O ruído vem daqui — disse ele; — De quem é esta Estátua?
Helena, a quem ele dirigiu a pergunta, deteve-se por um momento. De repente, bateu as mãos.
— Sim! — gritou ela, — deve ser isto. Descobri o significado destes gemidos.
As freiras agruparam-se ao redor dela e suplicaram-lhe avidamente que se explicasse. Ela replicou gravemente que desde tempos imemoriais a Estátua fora famosa por operar milagres: Disso deduzia que a Santa estava aflita com a conflagração de um Convento que ela protegia e expressava seu pesar por lamentações audíveis. Não tendo igual fé na Santa miraculosa, Lorenzo não achou esta solução do mistério tão satisfatória quanto as Freiras, que a subscreveram sem hesitação. Num ponto, é verdade, ele concordava com Helena.
Suspeitava que os gemidos provinham da Estátua: Quanto mais ouvia, mais se confirmava nesta ideia. Aproximou-se mais da Imagem, tencionando inspecioná-la mais de perto; mas, percebendo sua intenção, as Freiras suplicaram-lhe por amor de Deus que desistisse, visto que se ele tocasse na Estátua, sua morte era inevitável.
— E em que consiste o perigo? — disse ele.
— Mãe de Deus! Em quê? — replicou Helena, sempre ávida por relatar uma aventura miraculosa; — Se tivésseis apenas ouvido a centésima parte daquelas Histórias maravilhosas sobre esta Estátua que a Domina costumava contar! Ela assegurava-nos repetidas vezes que se ousássemos apenas pôr um dedo nela, poderíamos esperar as consequências mais fatais. Entre outras coisas, contou-nos que um Ladrão tendo entrado nestas Criptas à noite, observou ali aquele Rubi, cujo valor é inestimável. Vede-lo, Senhor? Brilha no terceiro dedo da mão em que ela segura uma coroa de Espinhos. Esta Joia naturalmente excitou a cobiça do Vilão. Ele resolveu assenhorar-se dela. Para esse propósito subiu ao Pedestal; apoiou-se segurando o braço direito da Santa e estendeu o seu próprio em direção ao Anel. Qual não foi a sua surpresa quando viu a mão da Estátua erguida numa postura de ameaça e ouviu seus lábios pronunciarem sua perdição eterna! Penetrado de espanto e consternação, ele desistiu de sua tentativa e preparou-se para abandonar o Sepulcro. Nisso ele também falhou. A fuga foi-lhe negada. Achou impossível desvencilhar a mão, que repousava sobre o braço direito da Estátua. Em vão lutou ele: Permaneceu fixo à Imagem, até que a angústia insuportável e ardente que se dardejava através de suas veias o obrigou a gritar por socorro.
O Sepulcro estava agora cheio de Espectros. O Vilão confessou seu sacrilégio e só foi libertado pela separação de sua mão do corpo. Tem permanecido desde então presa à Imagem. O Ladrão converteu-se em Ermitão e levou desde então uma vida exemplar; mas ainda assim o decreto da Santa cumpriu-se e a Tradição diz que ele continua a assombrar este Sepulcro e a implorar o perdão de Santa Clara com gemidos e lamentações. Agora que penso nisso, aqueles que acabamos de ouvir muito possivelmente foram proferidos pelo Fantasma deste Pecador; mas disto não serei afirmativa. Tudo o que posso dizer é que desde esse tempo ninguém jamais ousou tocar na Estátua: Então não sejais temerário, bom Senhor! Pelo amor do céu, abandonai vosso plano, nem vos exponhais desnecessariamente à destruição certa.
Não estando convencido de que sua destruição seria tão certa quanto Helena parecia julgá-lo, Lorenzo persistiu em sua resolução. As Freiras suplicaram-lhe que desistisse em termos piedosos e apontaram mesmo a mão do Ladrão, que com efeito ainda estava visível no braço da Estátua. Esta prova, como imaginavam, devia convencê-lo. Estava muito longe de fazê-lo; e ficaram grandemente escandalizadas quando ele declarou sua suspeita de que os dedos secos e murchos haviam sido postos ali por ordem da Prioresa. Apesar de suas preces e ameaças, ele aproximou-se da Estátua. Deu um salto por cima das grades de ferro que a defendiam e a Santa passou por um exame minucioso. A Imagem a princípio parecia ser de Pedra, mas provou em inspeção posterior não ser formada de materiais mais sólidos do que a Madeira colorida. Ele a sacudiu e tentou movê-la; mas ela parecia ser de uma só peça com a Base sobre a qual se encontrava. Examinou-a de alto a baixo: ainda assim nenhuma pista o guiou para a solução deste mistério, pela qual as Freiras se tornavam igualmente solícitas ao verem que ele tocava na Estátua impunemente. Parou e escutou: os gemidos repetiam-se a intervalos e ele convenceu-se de estar no local mais próximo a eles. Meditou sobre este evento singular e correu os olhos investigantes pela Estátua. De repente, repousaram sobre a mão murcha. Ocorreu-lhe que uma injunção tão particular não fora dada sem causa, para não se tocar no braço da Imagem. Subiu novamente ao Pedestal; examinou o objeto de sua atenção e descobriu um pequeno botão de ferro oculto entre o ombro da Santa e o que se supunha ter sido a mão do Ladrão. Esta observação o encantou. Aplicou os dedos ao botão e empurrou-o para baixo com força. Imediatamente ouviu-se um ruído estrondoso dentro da Estátua, como se uma corrente esticada com força estivesse recuando. Sobressaltadas com o som, as tímidas Freiras afastaram-se, preparadas para apressar a saída da Cripta ao primeiro sinal de perigo. Como tudo permanecesse quieto e sossegado, reuniram-se novamente ao redor de Lorenzo e contemplaram seus procedimentos com curiosidade ansiosa.
Achando que nada se seguia a esta descoberta, ele desceu. Ao tirar a mão da Santa, ela tremeu sob o seu toque. Isto criou novos terrores nos Espectros, que acreditavam que a Estátua estava animada. As ideias de Lorenzo sobre o assunto eram amplamente diferentes. Compreendeu facilmente que o ruído que ouvira fora ocasionado por ter afrouxado uma corrente que prendia a Imagem ao seu Pedestal. Tentou mais uma vez movê-la e teve êxito sem muito esforço. Colocou-a no chão e percebeu então que o Pedestal era oco e coberto na abertura por uma pesada grade de ferro.
O Abade de Capuchins estava apenas separado do Convento pelo Jardim e Cemitério. Os Monges foram convidados a assistir à Peregrinação. Eles chegaram agora, marchando dois a dois com Tochas acesas nas mãos, e entoando Hinos em honra de Santa Clara. O Padre Pablos estava à frente, o Abade tendo se desculpado de comparecer. O povo abriu caminho para a santa Procissão, e os Frades se posicionaram em filas de cada lado dos grandes Portões. Poucos minutos bastaram para organizar a ordem da Procissão. Estando isso resolvido, as portas do Convento foram abertas, e novamente o Coro feminino soou em plena melodia. Primeiro apareceu um grupo de Coristas: Assim que passaram, os Monges entraram dois a dois, e seguiram com passos lentos e medidos. Em seguida vieram os Noviços; Eles não carregavam Tochas como os Professos, mas avançavam com os olhos baixos, e pareciam ocupados em contar suas Contas. A eles sucedeu uma jovem e bela Moça, que representava Santa Lúcia: Ela segurava um cálice de ouro no qual havia dois olhos: Seus próprios olhos estavam cobertos por uma faixa de veludo, e Ela era conduzida por outra Freira vestida como um Anjo. Ela foi seguida por Santa Catarina, um ramo de palmeira em uma mão, uma espada flamejante na outra: Ela estava vestida de branco, e sua testa era ornada com uma brilhante Diadema. Depois dela apareceu Santa Genoveva, cercada por uma série de Diabos, que, colocando-se em atitudes grotescas, puxando-a pelo hábito, e fazendo gestos anticos ao seu redor, tentavam distrair sua atenção do Livro, no qual seus olhos estavam constantemente fixos. Esses Diabos divertidos entreteram muito os Espectadores, que expressaram seu prazer com repetidas salvas de risadas. A Prioresa havia cuidado de escolher uma Freira cuja disposição era naturalmente solene e saturnina. Ela tinha todas as razões para estar satisfeita com sua escolha: As travessuras dos Diabos foram totalmente perdidas, e Santa Genoveva avançou sem alterar um único músculo.
Cada uma dessas Santas era separada da outra por um grupo de Coristas, exaltando seu louvor em seus Hinos, mas declarando que ela era muito inferior a Santa Clara, a Padroeira declarada do Convento. Estas tendo passado, uma longa fila de Freiras apareceu, carregando como os Coristas cada uma uma tocha acesa. Em seguida vieram as relíquias de Santa Clara, encerradas em vasos igualmente preciosos por seus materiais e workmanship: Mas elas não atraíram a atenção de Lorenzo. A Freira que carregava o coração ocupou-o inteiramente. De acordo com a descrição de Teodoro, Ele não duvidava que ela fosse a Madre St. Ursula. Ela parecia olhar ao redor com ansiedade. Como Ele estava na frente da fila por onde a procissão passava, seu olho capturou o de Lorenzo. Um rubor de alegria espalhou-se por seu rosto até então pálido. Ela se virou para sua Companheira ansiosamente.
“Estamos a salvo!” Ele a ouviu sussurrar; “É seu Irmão!”
Seu coração, agora aliviado da inquietude, permitiu-lhe observar com tranquilidade o restante do espetáculo. Agora apareceu seu ornamento mais brilhante. Era uma Máquina em forma de trono, rica com joias e deslumbrante com luz. Ela rolava para frente sobre rodas ocultas, e era guiada por várias lindas Crianças, vestidas como Serafins. O topo era coberto com nuvens de prata, sobre as quais reclinava a mais bela forma que olhos já testemunharam. Era uma Donzela representando Santa Clara: Seu traje era de valor inestimável, e ao redor de sua cabeça uma guirlanda de Diamantes formava uma glória artificial: Mas todos esses ornamentos cediam ao brilho de seus encantos. Ao avançar, um murmúrio de deleite correu pela Multidão. Até Lorenzo confessou secretamente que nunca havia contemplado uma beleza mais perfeita, e se seu coração não fosse de Antonia, ele teria caído vítima daquela encantadora Girl. Como estava, Ele a considerou apenas como uma bela Estátua: Ela obteve dele apenas um frio elogio, e quando Ela passou por ele, Ele não pensou mais nela.
“Quem é Ela?” perguntou um Espectador ao lado de Lorenzo.
“Uma cuja beleza você deve ter ouvido celebrar frequentemente. Seu nome é Virginia de Villa-Franca: Ela é uma Pensionista do Convento de Santa Clara, uma Parente da Prioresa, e foi escolhida com justiça como o ornamento da Procissão.”
O Trono moveu-se para frente. Era seguido pela Prioresa em pessoa: Ela marchava à frente das restantes Freiras com um ar devoto e santificado, e fechou a procissão. Ela avançava lentamente: Seus olhos estavam erguidos ao céu: Sua face calma e tranquila parecia abstraída de todas as coisas sublunares, e nenhum traço traía seu orgulho secreto ao exibir o pompa e opulência de seu Convento. Ela passou ao longo, acompanhada pelas orações e bênçãos do Povo: Mas quão grande foi a confusão e o espanto geral, quando Don Ramirez, avançando, a desafiou como sua Prisioneira.
Por um momento, o espanto manteve a Domina silenciosa e imobilizada: Mas assim que Ela se recuperou, Ela exclamou contra sacrilégio e impiedade, e chamou o Povo para resgatar uma Filha da Igreja.
Eles estavam se preparando para obedecer a ela; quando Don Ramirez, protegido pelos Arqueiros contra sua fúria, ordenou-lhes que parassem, e ameaçou-os com a mais severa vingança da Inquisição. Naquela palavra temida, toda arma caiu, toda espada voltou à bainha. A Prioresa mesma ficou pálida, e tremeu. O silêncio geral a convenceu de que ela não tinha nada a esperar além da inocência, e ela suplicou a Don Ramirez, em uma voz trêmula, que a informasse do crime de que era acusada.
“Isso você saberá no tempo devido,” respondeu ele; “Mas primeiro devo garantir a Madre St. Ursula.”
“A Madre St. Ursula?” repetiu a Domina fracamente.
Neste momento, olhando ao redor, Ela viu perto dela Lorenzo e o Duque, que haviam seguido Don Ramirez.
“Ah! grande Deus!” Ela exclamou, juntando as mãos com um ar frenético; “Estou traída!”
“Traída?” respondeu St. Ursula, que agora chegou conduzida por alguns dos Arqueiros, e seguida pela Freira sua Companheira na procissão: “Não traída, mas descoberta. Em mim reconheça sua Acusadora: Você sabe que eu estou bem instruída em sua culpa!—Senhor!” Ela continuou, virando-se para Don Ramirez; “Eu me entrego à sua custódia. Eu acuso a Prioresa de Santa Clara de assassinato, e arrisco minha vida pela justiça de minha acusação.”
Um grito geral de surpresa foi ouvido por toda a Assembleia, e uma explicação foi exigida em voz alta. A indignação criada por essa acusação foi tão violenta, que por alguns momentos foi impossível ouvir a conclusão de St. Ursula. Quando o tumulto cessou, e o silêncio novamente prevaleceu através da Assembleia, ela continuou seu discurso, enquanto a cada palavra a Domina’s countenance traía seus crescentes temores.
“Por mais estranho e indecoroso que possa parecer meu comportamento, quando considerado como adotado por uma Mulher e uma Freira, a necessidade o justifica plenamente. Um segredo, um segredo horrível pesa em minha alma: Nenhum descanso pode ser meu até que eu o tenha revelado ao mundo, e satisfeito aquela sangue inocente que clama da Sepultura por vingança. Muito ousei para ganhar esta oportunidade de aliviar minha consciência. Se falhei em minha tentativa de revelar o crime, se o mistério continua não desvendado, as culpas não recaem sobre mim. É meu dever relatar um Conto, cujas circunstâncias gelarão cada coração honesto com horror. Minha tarefa é arrancar o véu da Hipocrisia, e mostrar aos Pais para que perigos a Mulher está exposta, que cai sob o poder de um Monástico Tirano.
“Entre as Votárias de Santa Clara, nenhuma era mais amável, nenhuma mais gentil do que Agnes de Medina. Eu a conhecia bem; Ela confiava em mim cada segredo de seu coração; Eu era sua Amiga e Confidente, e a amava com afeto sincero. Nem eu era singular em meu apego. Sua piedade não fingida, sua disposição pronta a obrigar, e seu caráter angelical a tornavam a Queridinha de tudo que era estimável no Convento. Até a própria Prioresa, orgulhosa, escrupulosa e austera, não podia recusar a Agnes aquele tributo de aprovação que ela não concedia a mais ninguém. Cada um tem sua fraqueza: Ai! Agnes tinha a dela! Ela violou as leis de nossa ordem, e incorreu no ódio inveterado da implacável Domina. Santa Clara’s regras são severas: Mas, crescidas antiquadas e negligenciadas, muitas delas foram recentemente mudadas por consentimento universal em punições mais brandas. A pena, adjudicada ao crime de Agnes, era a mais cruel, a mais desumana! A lei decretava que a Ofensora deveria ser mergulhada em um calabouço privado, expressamente constituído para esconder para sempre da vista do mundo a Vítima da Crueldade e da tirânica superstição. Neste dreadful abode ela deveria levar uma solidão perpétua, privada de toda sociedade, e acreditada como morta por aqueles, cuja afeição poderia ter tentado resgatá-la. Assim ela deveria languir pelos restos de seus dias, com nada além de pão e água para seu sustento, e sem outro conforto além do livre uso de suas lágrimas.”
A indignação criada por essa conta foi tão violenta, que por alguns momentos interrompeu a fala de St. Ursula. Quando o tumulto cessou, e o silêncio novamente prevaleceu através da Assembleia, ela continuou seu discurso, enquanto a cada palavra a Domina’s countenance traía seus crescentes temores.
“Um conselho dos doze Monges mais velhos foi convocado: Eu era uma do número. A Prioresa, em cores exageradas, descreveu o delito de Agnes, e não duvidou de propor a revival daquela quase esquecida lei. Para minha vergonha, seja dito, que, das doze, nove vozes foram a favor da bárbara proposta. A Madre Bertha e eu própria formamos o partido da ré. Nossas razões e súplicas foram vãs: A decisão da maioria prevaleceu, e a sentença foi declarada irrevogável. Dois dias se passaram: Na tarde do Terceiro, foi anunciado que no dia seguinte Agnes seria examinada; e que, de acordo com seu comportamento naquela ocasião, sua punição seria fortalecida ou mitigada.
“Na noite que precedeu esse exame fatal, eu me esgueirei para a Cela de Agnes, em uma hora em que supus que as outras Freiras estavam enterradas no sono. Eu a consolei o melhor que pude: Eu a exortei a tomar coragem, a confiar no apoio de seus amigos, e ensinei-lhe certos sinais, pelos quais eu poderia instruí-la a responder às perguntas da Domina por um assentimento ou negação. Consciente de que sua Inimiga tentaria confundi-la, embaraçá-la e intimidá-la, eu temia que ela fosse induzida a alguma confissão prejudicial a seus interesses. Estando ansiosa para manter minha visita em segredo, eu fiquei com Agnes apenas por um curto período. Eu a exortei a não deixar seu ânimo se abater; Eu misturei minhas lágrimas com as dela, a abracei ternamente, e estava prestes a me retirar, quando ouvi passos se aproximando da Cela. Uma Cortina que cobria um grande Crucifixo me ofereceu um retiro, e eu me apressei em me colocar atrás dela. A porta se abriu. A Prioresa entrou, seguida por outras quatro Freiras. Elas avançaram para a cama de Agnes. A Superiora a repreendeu em termos amargos: Ela lhe disse que ela era uma desgraça para o Convento, que ela estava resolvida a livrar o mundo e a si mesma de tal Monstro, e ordenou que ela bebesse o conteúdo de um Cálice agora apresentado a ela por uma das Freiras. Consciente das propriedades fatais do líquido, e tremendo ao encontrar-se à beira da Eternidade, a infeliz Suplicante tentou excitar a piedade de sua Inimiga pelas mais comoventes preces.
Ela suplicou por vida em termos que poderiam ter amolecido o coração de um Demônio: Ela prometeu submeter-se pacientemente a qualquer punição, a vergonha, ao aprisionamento, e à tortura, contanto que lhe fosse permitido viver! Oh! se ela pudesse viver mais um mês, ou semana, ou dia! Sua cruel Inimiga escutou suas súplicas imperturbável: Ela lhe disse que, se ela havia alterado sua intenção, ela tinha que agradecer à oposição de seus Amigos. Ela continuou a insistir para que ela bebesse o veneno: Ela a advertiu para se recomendar à misericórdia do Todo-Poderoso, não à dela, e assegurou-lhe que, em uma hora, ela seria contada com os Mortos. Percebendo que era vão implorar por misericórdia daquela mulher sem coração, ela tentou escapar da cama, e chamar por assistência; mas a Prioresa, adivinhando seu desígnio, agarrou-a com força pelo braço, e, colocando uma adaga em seu seio, protestou que, se ela emitisse um único grito, ou hesitasse um único momento em beber o veneno, ela perfuraria seu coração naquele instante. Já quase morta de medo, ela não podia fazer mais resistência. A Freira se aproximou com o fatal Cálice. A Domina a obrigou a pegá-lo, e a engolir o conteúdo. Ela bebeu, e o horrendo feito foi realizado. As Freiras então se sentaram ao redor da cama. Elas responderam aos gemidos da moribunda com reproches; Elas interromperam com sarcasmos as orações com as quais ela recomendava sua alma partida à misericórdia; Elas a ameaçaram com a vingança do céu, e a advertiram para desesperar do perdão. Tais foram os sofrimentos dessa jovem Desventurada, até que a morte a libertou das mãos de seus Tormentores. Assim que sua Vítima deixou de respirar, a Domina se retirou, e foi seguida por suas Cúmplices.
“Era agora que eu saí de meu esconderijo. Eu não ousei ajudar minha infeliz amiga, ciente de que, sem preservá-la, eu apenas traria sobre mim mesma a mesma destruição. Chocada e aterrorizada além da expressão com essa cena horrenda, mal tive forças para retornar à minha Cela. Ao chegar à porta da Cela de Agnes, eu me aventurei a olhar para a cama, onde jazia seu corpo sem vida, outrora tão amável e tão doce! Eu sussurrei uma prece por sua alma partida, e fiz um voto de vingar sua morte com a vergonha e o castigo de seus Assassinos. Com perigo e dificuldade, tenho mantido minha promessa. Foi muito antes que eu pudesse encontrar meios de transmitir aos Parentes da falecida uma indicação de meu segredo. Foi dado que Agnes havia morrido repentinamente: Esta conta foi creditada não apenas por seus Amigos em Madrid, mas até por aqueles dentro do Convento. O veneno não deixara marcas em seu corpo: Ninguém suspeitou da verdadeira causa de sua morte, e ela permaneceu desconhecida para todos, exceto para os Assassinos e para Mim.
“Nada mais tenho a dizer: pelo que já disse, responderei com minha vida. Eu repito que a Prioresa é uma Assassina; que ela tirou da vida, talvez do céu, uma Desventurada cuja ofensa era leve e venial; que ela abusou do poder que lhe foi confiado, e tem sido uma Tirana, uma Bárbara, e uma Hipócrita. Eu também acuso as quatro Freiras, Violante, Camilla, Alix, e Mariana, como sendo suas Cúmplices, e igualmente criminosas.”
Aqui St. Ursula terminou sua narrativa. Ela criou tal horror e indignação em toda a Assembleia, que, por alguns momentos, interrompeu sua fala. Quando o tumulto cessou, e o silêncio novamente prevaleceu, ela desceu do Trono, e se entregou nas mãos de Don Ramirez. A Freira, agora sob custódia, foi conduzida para fora da confusão, seguida por Lorenzo, o Duque, e os Arqueiros. A Procissão foi dissolvida, e cada um retornou para casa, discutindo o evento extraordinário que acabara de ocorrer.
A Prioresa, trêmula e confusa, foi levada para a Inquisição, onde foi confinada em uma cela escura e sombria. Ela foi informada de que seria julgada por seus crimes, e que, se considerada culpada, enfrentaria a pena de morte. A notícia de sua prisão se espalhou rapidamente por Madrid, e a cidade inteira estava em alvoroço.
Enquanto isso, Lorenzo e o Duque retornaram ao Palácio de las Cisternas, onde encontraram o Marquês em um estado de grande agitação. Ele estava convicto de que Agnes estava viva, e que a Madre St. Ursula era sua salvadora. Ele agradeceu a Lorenzo e ao Duque por sua ajuda, e expressou sua gratidão pela coragem e determinação da Freira.
A investigação sobre o caso da Prioresa e das Freiras cúmplices começou logo em seguida. A Madre St. Ursula foi chamada a depor, e sua narrativa foi confirmada por outras testemunhas. A Prioresa, confrontada com as evidências, confessou seu crime, e foi condenada à morte. As Freiras cúmplices também foram julgadas e condenadas.
A sentença foi executada em praça pública, e a Prioresa foi queimada na fogueira. As Freiras cúmplices foram enforcadas, e seus corpos foram expostos em praça pública como um aviso para outros que pudessem pensar em cometer crimes semelhantes.
A morte da Prioresa e das Freiras cúmplices trouxe alívio e justiça para a família de Agnes. O Marquês, agora convencido de que sua Irmã estava morta, pode finalmente encontrar paz e consolo. Lorenzo e Antonia, livres da ameaça da Prioresa, podem agora viver suas vidas em paz e felicidade.
E assim, a justiça foi feita, e a verdade prevaleceu. A história da Prioresa e de suas cúmplices serve como um lembrete sombrio dos perigos da hipocrisia e da tirania, e da importância de sempre buscar a verdade e a justiça.
FIM.
O Abade de Capuchins estava apenas separado do Convento pelo Jardim e Cemitério. Os Monges foram convidados a assistir à Peregrinação. Eles chegaram agora, marchando dois a dois com Tochas acesas nas mãos, e entoando Hinos em honra de Santa Clara. O Padre Pablos estava à frente, o Abade tendo se desculpado de comparecer. O povo abriu caminho para a santa Procissão, e os Frades se posicionaram em filas de cada lado dos grandes Portões. Poucos minutos bastaram para organizar a ordem da Procissão. Estando isso resolvido, as portas do Convento foram abertas, e novamente o Coro feminino soou em plena melodia. Primeiro apareceu um grupo de Coristas: Assim que passaram, os Monges entraram dois a dois, e seguiram com passos lentos e medidos. Em seguida vieram os Noviços; Eles não carregavam Tochas como os Professos, mas avançavam com os olhos baixos, e pareciam ocupados em contar suas Contas. A eles sucedeu uma jovem e bela Moça, que representava Santa Lúcia: Ela segurava um cálice de ouro no qual havia dois olhos: Seus próprios olhos estavam cobertos por uma faixa de veludo, e Ela era conduzida por outra Freira vestida como um Anjo. Ela foi seguida por Santa Catarina, um ramo de palmeira em uma mão, uma espada flamejante na outra: Ela estava vestida de branco, e sua testa era ornada com uma brilhante Diadema. Depois dela apareceu Santa Genoveva, cercada por uma série de Diabos, que, colocando-se em atitudes grotescas, puxando-a pelo hábito, e fazendo gestos anticos ao seu redor, tentavam distrair sua atenção do Livro, no qual seus olhos estavam constantemente fixos. Esses Diabos divertidos entreteram muito os Espectadores, que expressaram seu prazer com repetidas salvas de risadas. A Prioresa havia cuidado de escolher uma Freira cuja disposição era naturalmente solene e saturnina. Ela tinha todas as razões para estar satisfeita com sua escolha: As travessuras dos Diabos foram totalmente perdidas, e Santa Genoveva avançou sem alterar um único músculo.
Cada uma dessas Santas era separada da outra por um grupo de Coristas, exaltando seu louvor em seus Hinos, mas declarando que todas eram muito inferiores a Santa Clara, a Padroeira declarada do Convento. Estas tendo passado, uma longa fila de Freiras apareceu, carregando como os Coristas cada uma uma tocha acesa. Em seguida vieram as relíquias de Santa Clara, encerradas em vasos igualmente preciosos por seus materiais e workmanship: Mas elas não atraíram a atenção de Lorenzo. A Freira que carregava o coração ocupou-o inteiramente. De acordo com a descrição de Teodoro, Ele não duvidava que ela fosse a Madre St. Ursula. Ela parecia olhar ao redor com ansiedade. Como Ele estava na frente da fila por onde a procissão passava, seu olho capturou o de Lorenzo. Um rubor de alegria espalhou-se por seu rosto até então pálido. Ela se virou para sua Companheira ansiosamente.
“Estamos a salvo!” Ele a ouviu sussurrar; “É seu Irmão!”
Seu coração, agora aliviado da inquietude, permitiu-lhe observar com tranquilidade o restante do espetáculo. Agora apareceu seu ornamento mais brilhante. Era uma Máquina em forma de trono, rica com joias e deslumbrante com luz. Ela rolava para frente sobre rodas ocultas, e era guiada por várias lindas Crianças, vestidas como Serafins. O topo era coberto com nuvens de prata, sobre as quais reclinava a mais bela forma que olhos já testemunharam. Era uma Donzela representando Santa Clara: Seu traje era de valor inestimável, e ao redor de sua cabeça uma guirlanda de Diamantes formava uma glória artificial: Mas todos esses ornamentos cediam ao brilho de seus encantos. Ao avançar, um murmúrio de deleite correu pela Multidão. Até Lorenzo confessou secretamente que nunca havia contemplado uma beleza mais perfeita, e se seu coração não fosse de Antonia, ele teria caído vítima daquela encantadora Girl. Como estava, Ele a considerou apenas como uma bela Estátua: Ela obteve dele apenas um frio elogio, e quando Ela passou por ele, Ele não pensou mais nela.
“Quem é Ela?” perguntou um Espectador ao lado de Lorenzo.
“Uma cuja beleza você deve ter ouvido celebrar frequentemente. Seu nome é Virginia de Villa-Franca: Ela é uma Pensionista do Convento de Santa Clara, uma Parente da Prioresa, e foi escolhida com justiça como o ornamento da Procissão.”
O Trono moveu-se para frente. Era seguido pela Prioresa em pessoa: Ela marchava à frente das restantes Freiras com um ar devoto e santificado, e fechou a procissão. Ela avançava lentamente: Seus olhos estavam erguidos ao céu: Sua face calma e tranquila parecia abstraída de todas as coisas sublunares, e nenhum traço traía seu orgulho secreto ao exibir o pompa e opulência de seu Convento. Ela passou ao longo, acompanhada pelas orações e bênçãos do Povo: Mas quão grande foi a confusão e o espanto geral, quando Don Ramirez, avançando, a desafiou como sua Prisioneira.
Por um momento, o espanto manteve a Domina silenciosa e imobilizada: Mas assim que Ela se recuperou, Ela exclamou contra sacrilégio e impiedade, e chamou o Povo para resgatar uma Filha da Igreja.
Eles estavam se preparando para obedecer a ela; quando Don Ramirez, protegido pelos Arqueiros contra sua fúria, ordenou-lhes que parassem, e ameaçou-os com a mais severa vingança da Inquisição. Naquela palavra temida, toda arma caiu, toda espada voltou à bainha. A Prioresa mesma ficou pálida, e tremeu. O silêncio geral a convenceu de que ela não tinha nada a esperar além da inocência, e ela suplicou a Don Ramirez, em uma voz trêmula, que a informasse do crime de que era acusada.
“Isso você saberá no tempo devido,” respondeu ele; “Mas primeiro devo garantir a Madre St. Ursula.”
“A Madre St. Ursula?” repetiu a Domina fracamente.
Neste momento, olhando ao redor, Ela viu perto dela Lorenzo e o Duque, que haviam seguido Don Ramirez.
“Ah! grande Deus!” Ela exclamou, juntando as mãos com um ar frenético; “Estou traída!”
“Traída?” respondeu St. Ursula, que agora chegou conduzida por alguns dos Arqueiros, e seguida pela Freira sua Companheira na procissão: “Não traída, mas descoberta. Em mim reconheça sua Acusadora: Você sabe que eu estou bem instruída em sua culpa!—Senhor!” Ela continuou, virando-se para Don Ramirez; “Eu me entrego à sua custódia. Eu acuso a Prioresa de Santa Clara de assassinato, e arrisco minha vida pela justiça de minha acusação.”
Um grito geral de surpresa foi ouvido por toda a Assembleia, e uma explicação foi exigida em voz alta. A indignação criada por essa acusação foi tão violenta, que por alguns momentos foi impossível ouvir a conclusão de St. Ursula. Quando o tumulto cessou, e o silêncio novamente prevaleceu, ela continuou seu discurso, enquanto a cada palavra a Domina’s countenance traía seus crescentes temores.
“Por mais estranho e indecoroso que possa parecer meu comportamento, quando considerado como adotado por uma Mulher e uma Freira, a necessidade o justifica plenamente. Um segredo, um segredo horrível pesa em minha alma: Nenhum descanso pode ser meu até que eu o tenha revelado ao mundo, e satisfeito aquela sangue inocente que clama da Sepultura por vingança. Muito ousei para ganhar esta oportunidade de aliviar minha consciência. Se falhei em minha tentativa de revelar o crime, se o mistério continua não desvendado, as culpas não recaem sobre mim. É meu dever relatar um Conto, cujos circunstâncias gelarão cada coração honesto com horror. Minha tarefa é arrancar o véu da Hipocrisia, e mostrar aos Pais para que perigos a Mulher está exposta, que cai sob o poder de um Monástico Tirano.
“Entre as Votárias de Santa Clara, nenhuma era mais amável, nenhuma mais gentil do que Agnes de Medina. Eu a conhecia bem; Ela confiava em mim cada segredo de seu coração; Eu era sua Amiga e Confidente, e a amava com afeto sincero. Nem eu era singular em meu apego: Sua piedade não fingida, sua disposição pronta a obrigar, e seu caráter angelical a tornavam a Queridinha de tudo que era estimável no Convento. Até a própria Prioresa, orgulhosa, escrupulosa e austera, não podia recusar a Agnes aquele tributo de aprovação que ela não concedia a mais ninguém. Cada um tem sua fraqueza: Ai! Agnes tinha a dela! Ela violou as leis de nossa ordem, e incorreu no ódio inveterado da implacável Domina. Santa Clara’s regras são severas: Mas, crescidas antiquadas e negligenciadas, muitas delas foram recentemente mudadas por consentimento universal em punições mais brandas. A pena, adjudicada ao crime de Agnes, era a mais cruel, a mais desumana! A lei decretava que a Ofensora deveria ser mergulhada em um calabouço privado, expressamente constituído para esconder para sempre da vista do mundo a Vítima da Crueldade e da tirânica superstição. Neste dreadful abode ela deveria levar uma solidão perpétua, privada de toda sociedade, e acreditada como morta por aqueles, cuja afeição poderia ter tentado resgatá-la. Assim ela deveria languir pelos restos de seus dias, com nada além de pão e água para seu sustento, e sem outro conforto além do livre uso de suas lágrimas.”
A indignação criada por essa conta foi tão violenta, que por alguns momentos interrompeu a fala de St. Ursula. Quando o tumulto cessou, e o silêncio novamente prevaleceu, ela continuou seu discurso, enquanto a cada palavra a Domina’s countenance traía seus crescentes temores.
“Um conselho dos doze Monges mais velhos foi convocado: Eu era uma do número. A Prioresa, em cores exageradas, descreveu o delito de Agnes, e não duvidou de propor a revival daquela quase esquecida lei. Para minha vergonha, seja dito, que, das doze, nove vozes foram a favor da bárbara proposta. A Madre Bertha e eu própria formamos o partido da ré. Nossas razões e súplicas foram vãs: A decisão da maioria prevaleceu, e a sentença foi declarada irrevogável. Dois dias se passaram: Na tarde do Terceiro, foi anunciado que no dia seguinte Agnes seria examinada; e que, de acordo com seu comportamento naquela ocasião, sua punição seria fortalecida ou mitigada.
“Na noite que precedeu esse exame fatal, eu me esgueirei para a Cela de Agnes, em uma hora em que supus que as outras Freiras estavam enterradas no sono. Eu a consolei o melhor que pude: Eu a exortei a tomar coragem, a confiar no apoio de seus amigos, e ensinei-lhe certos sinais, pelos quais eu poderia instruí-la a responder às perguntas da Domina por um assentimento ou negação. Consciente de que sua Inimiga tentaria confundi-la, embaraçá-la e intimidá-la, eu temia que ela fosse induzida a alguma confissão prejudicial a seus interesses. Estando ansiosa para manter minha visita em segredo, eu fiquei com Agnes apenas por um curto período. Eu a exortei a não deixar seu ânimo se abater; Eu misturei minhas lágrimas com as dela, a abracei ternamente, e estava prestes a me retirar, quando ouvi passos se aproximando da Cela. Uma Cortina que cobria um grande Crucifixo me ofereceu um retiro, e eu me apressei em me colocar atrás dela. A porta se abriu. A Prioresa entrou, seguida por outras quatro Freiras. Elas avançaram para a cama de Agnes. A Superiora a repreendeu em termos amargos: Ela lhe disse que ela era uma desgraça para o Convento, que ela estava resolvida a livrar o mundo e a si mesma de tal Monstro, e ordenou que ela bebesse o conteúdo de um Cálice agora apresentado a ela por uma das Freiras. Consciente das propriedades fatais do líquido, e tremendo ao encontrar-se à beira da Eternidade, a infeliz Suplicante tentou excitar a piedade de sua Inimiga pelas mais comoventes preces.
Ela suplicou por vida em termos que poderiam ter amolecido o coração de um Demônio: Ela prometeu submeter-se pacientemente a qualquer punição, a vergonha, ao aprisionamento, e à tortura, contanto que lhe fosse permitido viver! Oh! se ela pudesse viver mais um mês, ou semana, ou dia! Sua cruel Inimiga escutou suas súplicas imperturbável: Ela lhe disse que, se ela havia alterado sua intenção, ela tinha que agradecer à oposição de seus Amigos. Ela continuou a insistir para que ela bebesse o veneno: Ela a advertiu para se recomendar à misericórdia do Todo-Poderoso, não à dela, e assegurou-lhe que, em uma hora, ela seria contada com os Mortos. Percebendo que era vão implorar por misericórdia daquela mulher sem coração, ela tentou escapar da cama, e chamar por assistência; mas a Prioresa, adivinhando seu desígnio, agarrou-a com força pelo braço, e, colocando uma adaga em seu seio, protestou que, se ela emitisse um único grito, ou hesitasse um único momento em beber o veneno, ela perfuraria seu coração naquele instante. Já quase morta de medo, ela não podia fazer mais resistência. A Freira se aproximou com o fatal Cálice. A Domina a obrigou a pegá-lo, e a engolir o conteúdo. Ela bebeu, e o horrendo feito foi realizado. As Freiras então se sentaram ao redor da cama. Elas responderam aos gemidos da moribunda com reproches; Elas interromperam com sarcasmos as orações com as quais ela recomendava sua alma partida à misericórdia; Elas a ameaçaram com a vingança do céu, e a advertiram para desesperar do perdão. Tais foram os sofrimentos dessa jovem Desventurada, até que a morte a libertou das mãos de seus Tormentores. Assim que sua Vítima deixou de respirar, a Domina se retirou, e foi seguida por suas Cúmplices.
“Era agora que eu saí de meu esconderijo. Eu não ousei ajudar minha infeliz amiga, ciente de que, sem preservá-la, eu apenas traria sobre mim mesma a mesma destruição. Chocada e aterrorizada além da expressão com essa cena horrenda, mal tive forças para retornar à minha Cela. Ao chegar à porta da Cela de Agnes, eu me aventurei a olhar para a cama, onde jazia seu corpo sem vida, outrora tão amável e tão doce! Eu sussurrei uma prece por sua alma partida, e fiz um voto de vingar sua morte com a vergonha e o castigo de seus Assassinos. Com perigo e dificuldade, tenho mantido minha promessa. Foi muito antes que eu pudesse encontrar meios de transmitir aos Parentes da falecida uma indicação de meu segredo. Foi dado que Agnes havia morrido repentinamente: Esta conta foi creditada não apenas por seus Amigos em Madrid, mas até por aqueles dentro do Convento. O veneno não deixara marcas em seu corpo: Ninguém suspeitou da verdadeira causa de sua morte, e ela permaneceu desconhecida para todos, exceto para os Assassinos e para Mim.
“Nada mais tenho a dizer: pelo que já disse, responderei com minha vida. Eu repito que a Prioresa é uma Assassina; que ela tirou da vida, talvez do céu, uma Desventurada cuja ofensa era leve e venial; que ela abusou do poder que lhe foi confiado, e tem sido uma Tirana, uma Bárbara, e uma Hipócrita. Eu também acuso as quatro Freiras, Violante, Camilla, Alix, e Mariana, como sendo suas Cúmplices, e igualmente criminosas.”
Aqui St. Ursula terminou sua narrativa. Ela criou tal horror e indignação em toda a Assembleia, que, por alguns momentos, interrompeu sua fala. Quando o tumulto cessou, e o silêncio novamente prevaleceu, ela desceu do Trono, e se entregou nas mãos de Don Ramirez. A Freira, agora sob custódia, foi conduzida para fora da confusão, seguida por Lorenzo, o Duque, e os Arqueiros. A Procissão foi dissolvida, e cada um retornou para casa, discutindo o evento extraordinário que acabara de ocorrer.
A Prioresa, trêmula e confusa, foi levada para a Inquisição, onde foi confinada em uma cela escura e sombria. Ela foi informada de que seria julgada por seus crimes, e que, se considerada culpada, enfrentaria a pena de morte. A notícia de sua prisão se espalhou rapidamente por Madrid, e a cidade inteira estava em alvoroço.
Enquanto isso, Lorenzo e o Duque retornaram ao Palácio de las Cisternas, onde encontraram o Marquês em um estado de grande agitação. Ele estava convicto de que Agnes estava viva, e que a Madre St. Ursula era sua salvadora. Ele agradeceu a Lorenzo e ao Duque por sua ajuda, e expressou sua gratidão pela coragem e determinação da Freira.
A investigação sobre o caso da Prioresa e das Freiras cúmplices começou logo em seguida. A Madre St. Ursula foi chamada a depor, e sua narrativa foi confirmada por outras testemunhas. A Prioresa, confrontada com as evidências, confessou seu crime, e foi condenada à morte. As Freiras cúmplices também foram julgadas e condenadas.
A sentença foi executada em praça pública, e a Prioresa foi queimada na fogueira. As Freiras cúmplices foram enforcadas, e seus corpos foram expostos em praça pública como um aviso para outros que pudessem pensar em cometer crimes semelhantes.
A morte da Prioresa e das Freiras cúmplices trouxe alívio e justiça para a família de Agnes. O Marquês, agora convencido de que sua Irmã estava morta, pode finalmente encontrar paz e consolo. Lorenzo e Antonia, livres da ameaça da Prioresa, podem agora viver suas vidas em paz e felicidade.
E assim, a justiça foi feita, e a verdade
Ele olhou ao redor com suspeita, consciente de que seus negócios não eram próprios para nenhum outro olhar. Conquanto hesitasse, ouviu o grito melancólico da coruja: o vento chacoalhava ruidosamente contra as janelas do Convento adjacente e, à medida que a corrente de ar passava por ele, trazia consigo as notas fracas do canto dos coristas. Abriu a porta cautelosamente, como se temendo ser ouvido; entrou; e fechou-a novamente após si. Guiado por sua lâmpada, percorreu as longas passagens cujas sinuosidades Matilda lhe ensinara, e alcançou a abóbada particular que continha sua adormecida senhora.
Sua entrada não era de modo algum fácil de descobrir, mas isso não constituía obstáculo para Ambrósio, que por ocasião do funeral de Antónia a observara com cuidado excessivo para ser enganado. Encontrou a porta, que estava destrancada, empurrou-a e desceu ao calabouço. Aproximou-se do humilde túmulo em que Antónia repousava. Providenciara para si uma alavanca de ferro e uma picareta, mas tal precaução era desnecessária. A grade estava levemente presa pelo lado de fora; ergueu-a e, colocando a lâmpada sobre sua borda, inclinou-se silenciosamente sobre o túmulo. Ao lado de três corpos pútridos e meio corrompidos jazia a bela adormecida. Um vermelho vivo, presságio de animação renascente, já se espalhara por sua face e, enquanto envolta em seu sudário repousava sobre seu esquife fúnebre, parecia sorrir diante das imagens da morte ao seu redor. Enquanto contemplava aqueles ossos em decomposição e figuras repugnantes que talvez outrora fossem tão doces e amáveis, Ambrósio pensou em Elvira, por ele reduzida ao mesmo estado. Quando a lembrança desse ato horrendo cruzou sua mente, nublou-se com um horror sombrio. Contudo, serviu apenas para fortalecer sua resolução de destruir a honra de Antónia.
Por tua causa, Beleza Fatal!, murmurou o monge, enquanto contemplava sua presa devota; por tua causa cometi este homicídio e vendi-me a tormentos eternos. Agora estás em meu poder; o fruto de minha culpa será, ao menos, meu. Não esperes que tuas preces respiradas em tons de melodia inigualável, teus olhos brilhantes cheios de lágrimas e tuas mãos erguidas em súplica, como quando buscavas em penitência o perdão da Virgem; não esperes que tua inocência comovedora, teu belo desgosto ou todas as tuas artes suplicantes te resgatem de meus abraços. Antes que rompa o dia, minha deves ser, e minha serás!
Ele a ergueu, ainda imóvel, do túmulo; sentou-se em um banco de pedra e, sustentando-a em seus braços, aguardou impacientemente pelos sintomas de animação renascente. Mal conseguia dominar suas paixões o suficiente para se conter de gozá-la enquanto ainda insensível. Sua luxúria natural aumentava em ardor pelas dificuldades que se opuseram à sua satisfação, bem como por sua longa abstinência de mulher, visto que, desde o momento de renunciar à sua pretensão ao seu amor, Matilda o exilara de seus braços para sempre.
Não sou uma prostituta, Ambrósio;, dissera-lhe ela quando, na plenitude de sua luxúria, ele exigira seus favores com ardor maior que o habitual; agora não sou mais do que tua amiga, e não serei tua amante. Cessa, pois, de solicitar que eu me curve a desejos que me insultam. Enquanto teu coração foi meu, gloriei-me em teus abraços; aqueles tempos felizes passaram-se; minha pessoa tornou-se indiferente para ti, e é a necessidade, não o amor, que te faz buscar meu gozo. Não posso ceder a um pedido tão humilhante para o meu orgulho.
Subitamente privado de prazeres cujo uso fizera deles uma necessidade absoluta, o monge sentiu severamente essa restrição. Naturalmente adicto à gratificação dos sentidos, no pleno vigor da masculinidade e no calor do sangue, permitira que seu temperamento adquirisse tal ascendência que sua luxúria se tornara loucura. De sua paixão por Antónia, restavam apenas as partículas mais grosseiras; ansiava pela posse de sua pessoa e até mesmo a penumbra da abóbada, o silêncio circundante e a resistência que esperava dela pareciam dar um corte mais afiado aos seus desejos ferozes e desregrados.
Gradualmente sentiu o seio que repousava contra o seu aquecer-se com o calor renascente. O coração dela pulsou novamente; seu sangue fluiu mais rápido e os lábios moveram-se. Enfim, ela abriu os olhos, mas, ainda oprimida e atordoada pelos efeitos do forte ópio, fechou-os de novo imediatamente. Ambrósio observou-a atentamente, sem permitir que um só movimento lhe escapasse. Percebendo que ela estava plenamente restituída à existência, tomou-a em êxtase contra o peito e apertou firmemente os lábios contra os dela. A subitaneidade de sua ação bastou para dissipar os vapores que obscureciam a razão de Antónia. Ela ergueu-se apressadamente e lançou um olhar selvagem ao redor. As estranhas imagens que se apresentavam por todos os lados contribuíram para confundi-la. Levou a mão à cabeça, como para ajeitar a imaginação transtornada. Enfim, retirou-a e lançou os olhos pelo calabouço uma segunda vez. Fixaram-se no rosto do abade.
Onde estou? — disse ela bruscamente. — Como vim aqui? Onde está minha mãe? Julguei vê-la! Oh! Um sonho, um sonho terrível, terrível disse-me ...... Mas onde estou? Deixai-me ir! Não posso ficar aqui!
Ela tentou levantar-se, mas o monge deteve-a.
Tem calma, linda Antónia! — replicou ele; — Nenhum perigo está perto de ti: confia em minha proteção. Por que me olhas tão fervorosamente? Não me conheces? Não conheces teu amigo? Ambrósio?
Ambrósio? Meu amigo? Oh! Sim, sim, eu me lembro ...... Mas por que estou aqui? Quem me trouxe? Por que estás comigo? Oh! Flora mandou-me ter cautela .....! Aqui não há senão sepulturas, e túmulos, e esqueletos! Este lugar me amedronta! Bom Ambrósio, tira-me daqui, pois ele me recorda meu sonho terrível! Julguei estar morta e posta em minha sepultura! Bom Ambrósio, tira-me deste lugar. Não o farás? Oh! Não o farás? Não me olhas assim!
Teus olhos flamejantes aterrorizam-me! Poupa-me, padre! Oh! Poupa-me pelo amor de Deus!
Por que estes terrores, Antónia? — replicou o abade, envolvendo-a em seus braços e cobrindo seu seio de beijos que ela em vão lutava por evitar: — Que temes de mim, de alguém que te adora? Que importa onde estás? Este sepulcro parece-me o caramanchão do amor; esta penumbra é a noite amiga do mistério que ele estende sobre nossas delícias! Assim o julgo, e assim deve julgá-lo a minha Antónia. Sim, minha doce menina! Sim! As tuas veias arderão com o fogo que circula nas minhas, e os meus transportes serão duplicados por partilhá-los contigo!
Enquanto falava assim, repetia seus abraços e permitia-se as liberdades mais indecentes. Nem mesmo a ignorância de Antónia foi prova contra a liberdade de seu comportamento. Ela percebeu seu perigo, desvencilhou-se de seus braços e, sendo o sudário sua única vestimenta, envolveu-se firmemente nele.
Desprende-te de mim, padre! — gritou ela, sua honesta indignação temperada pelo alarme ante sua posição desprotegida; — Por que me trouxeste a este lugar? Sua aparência gela-me de horror! Transporta-me daqui, se tens o menor senso de piedade e humanidade! Deixa-me retornar à casa de que saí não sei como; mas ficar aqui mais um momento, eu nem quero, nem devo.
Apesar de o monge ter ficado algo sobressaltado com o tom resoluto em que este discurso foi proferido, isso não produziu sobre ele outro efeito senão surpresa. Ele agarrou-lhe a mão, forçou-a a sentar-se em seu joelho e, contemplando-a com olhos ávidos, respondeu-lhe nestes termos:
Compõe-te, Antónia. A resistência é inútil e já não preciso desmentir minha paixão por ti. És tida por morta; a sociedade está para sempre perdida para ti. Possuo-te aqui a sós; estás absolutamente em meu poder e ardo em desejos que devo satisfazer ou morrer; mas eu quereria dever minha felicidade a ti mesma. Minha linda menina! Minha adorável Antónia! Permite-me instruir-te em alegrias de que ainda és estranha e ensinar-te a sentir em meus braços aqueles prazeres que devo logo desfrutar nos teus. Ora, esta luta é infantil — continuou ele, vendo-a repelir suas carícias e esforçar-se por escapar de seu aperto; — Nenhum auxílio está perto: nem o céu nem a terra te salvarão de meus abraços. Contudo, por que rejeitar prazeres tão doces, tão arrebatadores? Ninguém nos observa: nossos amores serão um segredo para todo o mundo; o amor e a oportunidade convidam-te a soltar as tuas paixões. Cede a eles, minha Antónia! Cede a eles, minha linda menina! Lança teus braços assim afetuosamente ao redor de mim; une teus lábios tão intimamente aos meus! Dentre todas as suas dádivas, negou a natureza a mais preciosa, a sensibilidade do prazer? Oh! Impossível! Cada traço, olhar e movimento declara-te formada para abençoar e para seres abençoada! Não voltes para mim esses olhos suplicantes; consulta teus próprios encantos; eles te dirão que sou à prova de súplicas. Posso eu renunciar a estes membros tão brancos, tão macios, tão delicados? A estes seios túmidos, redondos, cheios e elásticos? A estes lábios repletos de tal doçura inexaurível? Posso eu renunciar a estes tesouros e deixá-los para o gozo de outro? Não, Antónia; jamais, jamais! Juro-o por este beijo, e por este! E por este!
A cada instante a paixão do frade tornava-se mais ardente, e o terror de Antónia mais intenso. Ela esforçava-se por desvencilhar-se de seus braços; suas lides foram infrutíferas e, descobrindo que a conduta de Ambrósio se tornava ainda mais livre, gritou por socorro com toda a sua força. O aspecto da abóbada, o pálido bruxulear da lâmpada, a obscuridade circundante, a visão do túmulo e os objetos de mortalidade que encontravam seus olhos de ambos os lados eram pouco propícios para inspirá-la com aquelas emoções pelas quais o frade estava agitando-se. Até mesmo suas carícias a aterrizavam pela fúria e não criavam outro sentimento senão o medo. Pelo contrário, seu alarme, seu evidente desgosto e incessante oposição pareciam apenas inflamar os desejos do monge e suprir sua brutalidade com força adicional. Os gritos de Antónia não foram ouvidos; contudo, ela os continuou, nem abandonou seus esforços para escapar, até que, exausta e sem fôlego, desabou dos braços dele de joelhos e mais uma vez recorreu a preces e súplicas. Esta tentativa não obteve melhor sucesso que a anterior. Pelo contrário, tirando partido de sua situação, o raptor lançou-se ao lado dela; apertou-a contra o peito, quase sem vida de terror e desfalecida de tanto lutar. Abafou seus prantos com beijos, tratou-a com a rudeza de um bárbaro sem princípios, passou de liberdade em liberdade e, na violência de seu delírio luxurioso, feriu e machucou seus membros tenros. Indiferente às suas lágrimas, gritos e súplicas, tornou-se gradualmente senhor de sua pessoa e não desistiu de sua presa até que consumou seu crime e a desonra de Antónia.
Mal lograra êxito em seu desígnio, estremeceu diante de si mesmo e dos meios pelos quais fora efetuado. O próprio excesso de sua ânsia anterior por possuir Antónia concorria agora para inspirá-lo de desgosto, e um impulso secreto fizesse-lhe sentir quão vil e ignóbil era o crime que acabara de cometer. Ele levantou-se precipitadamente de seus braços. Ela, que havia tão pouco tempo fora o objeto de sua adoração, agora não despertava em seu coração outro sentimento senão a aversão e a raiva. Ele afastou-se dela; ou, se seus olhos repousavam na figura dela involuntariamente, era apenas para arremessar-lhe olhares de ódio. A infeliz desfalecera antes da conclusão de sua desgraça; ela apenas recuperou a vida para ter consciência de sua desventura. Permaneceu estendida sobre a terra em silente desespero; as lágrimas perseguiam-se lentamente pelas faces, e seu peito arfava com soluços frequentes. Oprimida pela dor, continuou por algum tempo nesse estado de torpor. Enfim, ergueu-se com dificuldade e, arrastando seus passos débeis em direção à porta, preparou-se para abandonar o calabouço.
O som de seus passos despertou o monge de sua apatia sombria. Erguendo-se do túmulo contra o qual se apoiava, enquanto seus olhos vagueavam pelas imagens de corrupção nele contidas, ele perseguiu a vítima de sua brutalidade e logo a alcançou. Agarrou-a pelo braço e forçou-a violentamente de volta ao calabouço.
Para onde vais? — gritou ele com voz severa; — Retorna neste instante!
Antónia tremeu ante a fúria do semblante dele.
Que mais queres? — disse ela com timidez: — Não está completa a minha ruína? Não estou perdida, perdida para sempre? Não está contente a tua crueldade, ou tenho ainda mais a sofrer? Deixa-me partir. Deixa-me retornar ao meu lar e chorar sem restrições a minha vergonha e a minha aflição!
Retornar ao teu lar? — repetia o monge, com zombaria amarga e desdenhosa; e logo, com os olhos flamejantes de paixão: — O quê? Para que possas denunciar-me ao mundo? Para que possas proclamar-me um hipócrita, um raptor, um traidor, um monstro de crueldade, luxúria e ingratidão? Não, não, não! Bem conheço todo o peso de minhas ofensas; bem sei que as tuas queixas seriam por demais justas e os meus crimes por demais notórios! Não hás de ir daqui para dizer a Madrid que sou um vilão; que minha consciência está carregada de pecados que me fazem desesperar do perdão do céu. Desgraçada menina, deves ficar aqui comigo! Aqui, entre estes túmulos solitários, estas imagens da morte, estes corpos podres, nauseabundos e corrompidos! Aqui hás de ficar e testemunhar meus sofrimentos; testemunhar o que é morrer nos horrores do desespero e expirar o último suspiro em theologia de blasfêmias e maldições! E a quem devo agradecer por isto? O que me seduziu a crimes cuja mera lembrança me faz estremecer? Fatal bruxa! Não foi a tua beleza? Não mergulhaste minha alma na infâmia? Não fizeste de mim um hipócrita perjurado, um raptor, um assassino! Aliás, neste preciso momento, não me ordena aquele olhar de anjo que desespere do perdão de Deus? Oh! Quando eu estiver diante de seu trono de julgamento, esse olhar bastará para condenar-me! Dirás ao meu juiz que eras feliz até que eu te vi; que eras inocente até que eu te poluí! Virás com esses olhos lacrimejantes, essas faces pálidas e cadavéricas, essas mãos erguidas em súplica, como quando buscaste de mim aquela misericórdia que não dei! Então a minha perdição será certa! Então virá o fantasma de tua mãe e arremessar-me-á para as moradas dos demónios, e das chamas, e das fúrias, e dos tormentos eternos! E és tu quem me acusarás! És tu quem causarás a minha angústia eterna! Tu, rapariga desgraçada! Tu! Tu!
Enquanto ele trovejava estas palavras, agarrou violentamente o braço de Antónia e escoiceou a terra com fúria delirante.
Supondo que ele estivesse com o juízo alterado, Antónia caiu aterrorizada de joelhos; ergueu as mãos e a voz quase lhe morreu na garganta antes de poder articulá-la.
Poupa-me! Poupa-me! — murmurou ela com dificuldade.
Silêncio! — gritou o frade loucamente, e atirou-a ao chão...
Ele afastou-se dela e passeou pelo calabouço com ar selvagem e transtornado. Seus olhos reviravam-se aterrorizantemente; Antónia tremia sempre que encontrava o olhar deles. Ele parecia meditar em algo horrível, e ela perdeu todas as esperanças de escapar do sepulcro com vida. Contudo, ao albergar esta ideia, ela cometeu-lhe uma injustiça. Em meio ao horror e ao desgosto de que sua alma era presa, a piedade para com sua vítima ainda guardava um lugar nela. Uma vez passada a tempestade da paixão, ele teria dado mundos, caso os possuísse, para restaurar-lhe aquela inocência de que sua luxúria desregrada a privara. Dos desejos que o impeliram ao crime, nenhum rastro restava em seu peito; as riquezas da Índia não o teriam tentado a um segundo gozo de sua pessoa. Sua natureza parecia revoltar-se contra a própria ideia, e de bom grado ele teria apagado de sua memória a cena que acabara de passar. Conforme sua fúria sombria abrandava, proporcionalmente aumentava sua compaixão por Antónia. Parou e dir-lhe-ia palavras de conforto, mas não sabia de onde tirá-las e permaneceu contemplando-a com selvageria melancólica. A situação dela parecia tão sem esperança, tão desconsolada, a ponto de desafiar o poder mortal para socorrê-la. O que podia ele fazer por ela? Sua paz de espírito estava perdida, sua honra irreparavelmente arruinada. Ela estava cortada para sempre da sociedade, nem ousava ele devolvê-la a ela. Tinha a consciência de que, se ela aparecesse novamente no mundo, sua culpa seria revelada e seu castigo inevitável. Para alguém tão carregado de crimes, a morte vinha armada de duplos terrores. Contudo, caso restituísse Antónia à luz e corresse o risco de ser traído por ela, quão miserável perspectiva se apresentaria diante dela. Ela jamais poderia esperar um estabelecimento honroso; estaria marcada de infâmia e condenada à dor e à solidão pelo resto de sua existência. Qual era a alternativa? Uma resolução muito mais terrível para Antónia, mas que ao menos asseguraria a segurança do abade. Determinou-se a deixar o mundo persuadido da morte dela e a retê-la prisioneira nesta lúgubre prisão; ali propunha-se visitá-la todas as noites, levar-lhe comida, confessar sua penitência e misturar suas lágrimas com as dela. O monge sentia que esta resolução era injusta e cruel, mas era seu único meio de evitar que Antónia publicasse sua culpa e a própria infâmia. Se a libertasse, não podia contar com o silêncio dela; sua ofensa era por demais flagrante para lhe permitir esperar seu perdão. Além disso, o reaparecimento dela suscitaria curiosidade universal, e a violência de sua aflição impedi-la-ía de ocultar a causa. Decidiu, portanto, que Antónia permaneceria prisioneira no calabouço.
Ele se aproximou dela com confusão estampada no rosto. Ele a levantou do chão. Sua mão tremeu ao segurá-la, e ele a soltou novamente como se tivesse tocado uma serpente. A natureza parecia repelir o toque. Ele sentia-se ao mesmo tempo repelido e atraído por ela, mas não conseguia explicar nenhum dos sentimentos. Havia algo em seu olhar que o enchia de horror; e, embora sua compreensão ainda fosse ignorante disso, a consciência lhe apontava toda a extensão de seu crime. Em acentos apressados, mas os mais gentis que ele podia encontrar, enquanto seu olhar estava desviado e sua voz mal audível, ele tentou consolar ela sob um infortúnio que agora não podia ser evitado. Ele declarou-se sinceramente arrependido, e que daria de bom grado uma gota de seu sangue por cada lágrima que sua barbárie havia forçado dela. Desolada e sem esperança, Antónia o escutou em silêncio: Mas quando ele anunciou seu confinamento no calabouço, aquele destino terrível, ao qual até a morte parecia preferível, a despertou de sua insensibilidade de uma vez. Permanecer por toda a vida em uma cela estreita e nojenta, conhecida por nenhum ser humano além de seu raptor, cercada por cadáveres em decomposição, respirando o ar pestilento da corrupção, nunca mais contemplar a luz, ou beber a brisa pura do céu, a ideia era mais terrível do que ela podia suportar. Isso superou até mesmo seu horror pelo monge. Novamente ela se ajoelhou: Ela suplicou por sua compaixão em termos mais patéticos e urgentes. Ela prometeu, se ele a restaurasse à liberdade, ocultar suas injúrias do mundo; atribuir qualquer motivo que ele julgasse adequado a seu reaparecimento; e, para evitar a menor suspeita de cair sobre ele, ela se ofereceu para deixar Madri imediatamente. Suas súplicas eram tão urgentes que fizeram uma impressão considerável no monge. Ele refletiu que, como sua pessoa não o excitava mais, ele não tinha interesse em mantê-la confinada como havia planejado inicialmente; que ele estava adicionando uma nova injúria às que ela já havia sofrido; e que, se ela aderisse a suas promessas, quer ela estivesse confinada ou em liberdade, sua vida e reputação estavam igualmente seguras. Por outro lado, ele temia que, em sua aflição, Antónia inadvertidamente quebrasse seu compromisso; ou que sua excessiva simplicidade e ignorância de engano permitissem que alguém mais astuto descobrisse seu segredo. No entanto, bem fundadas que fossem essas apreensões, a compaixão e um desejo sincero de reparar seu erro, tanto quanto possível, o induziram a concordar com os pedidos de sua suplicante. A única dificuldade que o mantinha indeciso era a de colorir o inesperado retorno de Antónia à vida, após sua suposta morte e enterro público. Ele ainda estava ponderando sobre os meios de remover esse obstáculo, quando ouviu o som de passos se aproximando com pressa. O monge correu para fechar a porta, cuja ocultação era essencial para sua segurança, e que Matilda havia negligenciado em trancar. Antes que ele pudesse alcançá-la, ele viu Antónia deslizar rapidamente por ele, correr em direção ao barulho com a velocidade de uma flecha. Ela havia escutado atentamente as palavras de Matilda: Ela ouviu o nome de Lorenzo ser mencionado, e resolveu arriscar tudo para se jogar sob sua proteção. A porta estava aberta. Os sons a convenceram de que os arqueiros não estavam muito distantes. Ela reuniu suas últimas forças, correu pelo monge antes que ele percebesse seu intento, e se dirigiu rapidamente para as vozes. Assim que ele se recuperou de sua primeira surpresa, o abade não deixou de persegui-la. Em vão, Antónia redobrou sua velocidade e esticou cada nervo ao máximo. Seu inimigo ganhava terreno a cada momento: Ela ouviu seus passos próximos atrás dela, e sentiu o calor de sua respiração queimar seu pescoço. Ele a alcançou; Ele enrolou sua mão nos cachos de seu cabelo solto, e tentou arrastá-la de volta com ele para o calabouço. Antónia resistiu com toda a sua força: Ela envolveu seus braços ao redor de um pilar que sustentava o teto, e gritou alto por ajuda. Em vão, o monge tentou ameaçá-la ao silêncio.
“Socorro!” Ela continuou a exclamar; “Socorro! Pelo amor de Deus!”
Apressados por seus gritos, os passos dos arqueiros soaram mais próximos. O abade esperava a cada momento ver os inquisidores chegarem. Antónia ainda resistia, e ele, agora impelido pela aproximação do perigo, recorreu a meios os mais horríveis e desumanos para garantir seu silêncio. Ele ainda segurava o punhal de Matilda: Sem permitir a si mesmo um momento de reflexão, ele o ergueu e o enterrou duas vezes no seio de Antónia! Ela gritou e caiu no chão. O monge tentou levá-la embora com ele, mas ela ainda abraçava o pilar com firmeza. Naquele instante, a luz das tochas que se aproximavam brilhou nas paredes. Temendo ser descoberto, Ambrosio foi obrigado a abandonar sua vítima e fugir rapidamente de volta para o calabouço, onde havia deixado Matilda.
Ele não passou despercebido. Don Ramirez, sendo o primeiro a chegar, percebeu uma mulher sangrando no chão, e um homem fugindo do local, cuja confusão o traía como o assassino. Ele imediatamente perseguiu o fugitivo com alguns dos arqueiros, enquanto os outros permaneceram com Lorenzo para proteger a mulher ferida. Eles a levantaram e a apoiaram em seus braços. Ela havia desmaiado de excesso de dor, mas logo deu sinais de voltar à vida. Ela abriu os olhos, e ao levantar a cabeça, a quantidade de cabelos louros caiu para trás, que até então havia obscurecido suas feições.
“Deus do céu! É Antónia!”
Tal foi a exclamação de Lorenzo, enquanto ele a arrancou dos braços dos atendentes e a apertou em seus próprios.
Embora mirado por uma mão incerta, o punhal havia cumprido muito bem o propósito de seu empregador. Os ferimentos eram mortais, e Antónia sabia que nunca se recuperaria. Ainda assim, os poucos momentos que lhe restavam eram momentos de felicidade. A preocupação expressa no rosto de Lorenzo, o afeto frenético de suas queixas, e suas perguntas ansiosas sobre seus ferimentos, a convenceram além de dúvida de que suas afeições eram dela. Ela lhe disse que, se ainda estivesse pura, poderia ter lamentado a perda da vida; mas que, privada de honra e marcada com vergonha, a morte era para ela uma bênção: Ela não podia ser sua esposa, e aquela esperança sendo negada, ela se resignava à sepultura sem um único suspiro de arrependimento. Ela o exortou a tomar coragem, conjurou-o a não se abandonar à tristeza inútil, e declarou que ela lamentava deixar nada no mundo inteiro além dele. Enquanto cada doce acento aumentava, em vez de aliviar, a dor de Lorenzo, ela continuou a conversar com ele até o momento da dissolução. Sua voz ficou fraca e mal audível; uma nuvem espessa se espalhou sobre seus olhos; Seu coração bateu lento e irregular, e a cada instante parecia anunciar que seu destino estava próximo.
Ela estava deitada, sua cabeça reclinando sobre o peito de Lorenzo, e seus lábios ainda murmurando palavras de conforto para ele. Ela foi interrompida pelo sino do convento, que, ao tocar à distância, marcou a hora. De repente, os olhos de Antónia brilharam com brilho celestial: Seu corpo parecia ter recebido nova força e animação. Ela se levantou dos braços de seu amante.
“Três horas!” Ela exclamou; “Mãe, eu venho!”
Ela juntou as mãos e caiu sem vida no chão. Lorenzo, em agonia, jogou-se ao lado dela: Ele arrancou seus cabelos, bateu no peito, e se recusou a ser separado do corpo. Por fim, suas forças sendo exauridas, ele permitiu que o levassem do calabouço, e foi conduzido ao Palácio de Medina, mal mais vivo do que a infeliz Antónia.
Enquanto isso, embora perseguido de perto, Ambrosio conseguiu retornar ao calabouço. A porta já estava trancada quando Don Ramirez chegou, e muito tempo se passou antes que o refúgio do fugitivo fosse descoberto. Mas nada pode resistir à perseverança. Embora tão bem escondida, a porta não escapou à vigilância dos arqueiros. Eles a forçaram, e entraram no calabouço para o infinito desespero de Ambrosio e sua companheira. A confusão do monge, sua tentativa de se esconder, sua fuga rápida, e o sangue espalhado em suas vestes, não deixavam dúvida de que ele era o assassino de Antónia. Mas, quando ele foi reconhecido como o imaculado Ambrosio, “O Homem de Santidade”, o ídolo de Madri, as faculdades dos espectadores foram acorrentadas pela surpresa, e mal podiam se persuadir de que o que viam não era uma visão. O abade não tentou se defender, mas manteve um silêncio sombrio. Ele foi preso e amarrado. O mesmo cuidado foi tomado com Matilda: Seu capuz sendo removido, a delicadeza de suas feições e a profusão de seus cabelos louros traíram seu sexo, e este incidente criou novo espanto. O punhal também foi encontrado no túmulo, onde o monge o havia jogado; e o calabouço, tendo sido minuciosamente revistado, os dois culpados foram levados para as prisões da Inquisição.
Don Ramirez cuidou para que o povo permanecesse ignorante tanto dos crimes quanto da profissão dos capturados. Ele temia uma repetição dos motins que haviam seguido a apreensão da Prioresa de Santa Clara. Ele se contentou em declarar aos Capuchins a culpa de seu Superior. Para evitar a vergonha de uma acusação pública, e temendo a fúria popular da qual já haviam salvo sua abadia com muita dificuldade, os Monges prontamente permitiram que os Inquisidores revistassem sua Mansão sem barulho. Nenhuma nova descoberta foi feita. Os efeitos encontrados nas celas de Ambrosio e Matilda foram apreendidos e levados para a Inquisição para serem produzidos como evidência. Tudo o resto permaneceu em sua posição anterior, e a ordem e a tranquilidade mais uma vez prevaleceram em Madri.
O Convento de Santa Clara foi completamente arruinado pelos estragos combinados do motim e do incêndio. Nada restou dele além das paredes principais, cuja espessura e solidez as haviam preservado das chamas. As Freiras que pertenciam a ele foram obrigadas, em consequência, a se dispersarem em outras Sociedades: Mas o preconceito contra elas era grande, e os Superiores eram muito relutantes em admiti-las. No entanto, a maioria delas, sendo relacionadas a Famílias mais distinguidas por suas riquezas, nascimento e poder, os vários Conventos foram compelidos a recebê-las, embora o fizessem com muita má vontade. Este preconceito era extremamente falso e injustificável: Após uma investigação minuciosa, ficou provado que todas no Convento estavam persuadidas da morte de Agnes, exceto as quatro Freiras que St. Ursula havia apontado. Estas haviam caído vítimas da fúria popular; assim como várias que eram perfeitamente inocentes e inconscientes de todo o caso. Cegos pela raiva, os amotinados haviam sacrificado toda Freira que caía em suas mãos: Aquelas que escaparam deviam sua salvação à prudência e moderação do Duque de Medina. Disso elas estavam conscientes, e sentiam por aquele Nobre um senso de gratidão adequado.
Virginia não foi a mais parcimoniosa em seus agradecimentos: Ela desejava igualmente retribuir suas atenções, e obter as boas graças do Tio de Lorenzo. Nisso ela facilmente teve sucesso.
O Duque contemplou sua beleza com admiração e espanto; e, enquanto seus olhos se encantavam com sua forma, a doçura de seus modos e sua terna preocupação com a Freira sofredora predispuseram seu coração a seu favor. Isso Virginia tinha discernimento suficiente para perceber, e ela redobrou sua atenção à inválida. Quando ele se despediu dela à porta do palácio de seu Pai, o Duque suplicou permissão para perguntar ocasionalmente por sua saúde. Seu pedido foi prontamente concedido: Virginia assegurou-lhe que o Marquês de Villa-Franca ficaria orgulhoso da oportunidade de agradecê-lo em pessoa pela proteção concedida a ela. Eles agora se separaram, ele encantado com sua beleza e gentileza, e ela muito satisfeita com ele e mais ainda com seu Sobrinho.
Ao entrar no Palácio, o primeiro cuidado de Virginia foi chamar o Médico da família, e cuidar de sua hóspede desconhecida. Sua Mãe apressou-se em compartilhar com ela o ofício de caridade. Alarmado pelos motins, e temendo pela segurança de sua Filha, que era sua única criança, o Marquês havia voado para o Convento de Santa Clara, e ainda estava ocupado em procurá-la. Mensageiros foram despachados em todas as direções para informá-lo de que ele a encontraria em segurança em seu Hotel, e pedir-lhe que se apressasse para lá imediatamente. Sua ausência deu a Virginia liberdade para dedicar toda sua atenção à sua paciente; e, embora muito perturbada por si mesma pelas aventuras da noite, nenhuma persuasão poderia induzi-la a deixar o leito da sofredora. Sua constituição, muito enfraquecida por privações e tristeza, tornava difícil a recuperação da Estranha: Mas este obstáculo sendo removido, ela facilmente superou sua doença, que procedia de nada além de fraqueza. A atenção que lhe era prestada, a comida saudável da qual ela havia sido privada por tanto tempo, e sua alegria por ser restaurada à liberdade, à sociedade, e, como ela ousava esperar, ao Amor, tudo isso contribuiu para sua rápida recuperação.
Desde o primeiro momento em que a conheceu, sua situação melancólica, seus sofrimentos quase sem paralelo haviam envolvido as afeições de sua amável Anfitriã: Virginia sentiu por ela o mais vivo interesse; Mas quão deliciada ela ficou, quando sua hóspede, estando suficientemente recuperada para relatar sua história, ela reconheceu na Freira resgatada a Irmã de Lorenzo!
Esta vítima da crueldade monástica era, de fato, a infeliz Agnes. Durante sua estada no Convento, ela havia sido bem conhecida por Virginia: Mas sua forma emaciada, suas feições alteradas pela aflição, sua morte universalmente creditada, e seus cabelos longos e desgrenhados que caíam sobre seu rosto e peito em desordem, inicialmente a impediram de ser reconhecida. A Prioresa havia usado todos os artifícios para induzir Virginia a tomar o véu; pois a Herdeira de Villa-Franca seria uma aquisição nada desprezível. Sua aparente bondade e atenção incessante tiveram tanto sucesso que sua jovem Parente começou a pensar seriamente em cumprir. Melhor instruída nos desgostos e no tédio de uma vida monástica, Agnes temia pela inocente Moça, e tentou torná-la sensível a seu erro. Ela pintou em suas verdadeiras cores os numerosos inconvenientes anexados a um Convento, a restrição contínua, as baixas invejas, as pequenas intrigas, a corte servil e o bajulador esperado pelo Superior. Ela então aconselhou Virginia a refletir sobre a brilhante perspectiva que se apresentava diante dela: O ídolo de seus Pais, a admiração de Madri, dotada pela natureza e educação com toda perfeição de pessoa e mente, ela podia olhar para frente a um estabelecimento dos mais afortunados. Suas riquezas a forneciam com os meios de exercer em sua extensão mais plena, caridade e benevolência, aquelas virtudes tão caras a ela; e sua estada no mundo permitiria descobrir Objetos dignos de sua proteção, o que não podia ser feito na reclusão de um Convento.
Por continuidade apenas — esta é o FINAL da seção anterior, já traduzida. Não traduza novamente e não repita na sua resposta. Combine os nomes, terminologia e registro: --- de seu poder, e tem sido uma Tirana, uma Bárbara, e uma Hipócrita. Eu também acuso as quatro Freiras, Violante, Camilla, Alix, e Mariana, como sendo suas Cúmplices, e igualmente criminosas.” Aqui St. Ursula terminou sua narrativa. Ela criou tal horror e indignação em toda a Assembleia, que, por alguns momentos, interrompeu sua fala. Quando o tumulto cessou, e o silêncio novamente prevaleceu, ela desceu do Trono, e se entregou nas mãos de Don Ramirez. A Freira, agora sob custódia, foi conduzida para fora da confusão, seguida por Lorenzo, o Duque, e os Arqueiros. A Procissão foi dissolvida, e cada um retornou para casa, discutindo o evento extraordinário que acabara de ocorrer. ---
Suas persuasões induziram Virginia a afastar todos os pensamentos do Véu; mas outro argumento, não usado por Agnês, teve mais peso para ela do que todos os outros juntos. Ela vira Lorenzo quando ele visitara sua Irmã na Grade. A pessoa dele a agradara, e suas conversas com Agnês costumavam terminar em alguma pergunta sobre o Irmão. Ela, que adorava a Lorenzo, não desejava nada melhor do que uma oportunidade para trumpetear os louvores dele. Ela falava dele em termos de êxtase; e para convencer sua Ouvinte quão justos eram seus sentimentos, quão cultivada sua mente e elegantes suas expressões, ela lhe mostrava em diferentes ocasiões as cartas que recebia dele. Ela logo percebeu que dessas comunicações o coração de sua jovem Amiga havia sorvido impressões que ela estava longe de tencionar dar, mas que estava verdadeiramente feliz por descobrir. Ela não poderia ter desejado ao Irmão uma união mais desejável: Herdeira de Villa-Franca, virtuosa, afetuosa, bela e prendada, Virginia parecia calculada para fazê-lo feliz. Ela sondou o Irmão sobre o assunto, embora sem mencionar nomes ou circunstâncias. Ele a assegurou em suas respostas que seu coração e sua mão estavam totalmente desimpedidos, e ela pensou que com base nisso poderia prosseguir sem perigo. Em consequência, ela se esforçou para fortalecer a paixão nascente de sua Amiga. Lorenzo foi transformado no tópico constante de seu discurso; e a avidez com que sua Ouvinte escutava, os suspiros que frequentemente escapavam de seu seio, e a ânsia com que, diante de qualquer digressão, ela trazia de volta a conversa para o assunto de onde havia se desviado, bastaram para convencer Agnês de que as investidas de seu Irmão estariam longe de ser desagradáveis. Ela afinal arriscou-se a mencionar seus desejos ao Duque: Embora estranha à própria Dama, ele sabia o suficiente de sua situação para julgá-la digna da mão de seu Sobrinho. Acordou-se entre ele e sua Sobrinha que ela insinuaria a ideia a Lorenzo, e ela apenas aguardava o retorno dele a Madri para propor sua Amiga a ele como Noiva. Os eventos infelizes que se passaram no ínterim impediram-na de executar seu desígnio. Virginia chorou a perda dela sinceramente, tanto como Companheira quanto como a única Pessoa com quem podia falar de Lorenzo. Sua paixão continuou a devorar-lhe o coração em segredo, e ela quase havia determinado confessar seus sentimentos à Mãe, quando o acaso mais uma vez jogou o objeto deles em seu caminho. A visão dele tão perto de si, sua cortesia, sua compaixão, sua intrepididade, haviam se combinado para dar novo ardor à sua afeição. Quando agora encontrou sua Amiga e Advogada restaurada a si, ela a encarou como uma Dádiva dos Céus; ousou acalentar a esperança de estar unida a Lorenzo e resolveu usar com ele a influência de sua Irmã.
Supondo que antes de sua morte Agnês possivelmente pudesse ter feito a proposta, o Duque havia creditado todas as alusões de seu Sobrinho ao casamento à conta de Virginia: Consequentemente, ele deu a elas a recepção mais favorável. Ao retornar ao seu Hotel, a narração que lhe fizeram da morte de Antonia e do comportamento de Lorenzo na ocasião tornou evidente o seu engano. Ele lamentou as circunstâncias; mas, estando a infeliz Donzela efetivamente fora do caminho, confiava que seus desígnios ainda seriam executados. É verdade que a situação de Lorenzo naquele exato momento mal o qualificava para pretendente. Suas esperanças frustradas no momento em que esperava realizá-las, e a morte terrível e repentina de sua Amada o haviam afetado muito severamente. O Duque o encontrou sobre o Leito de enfermidade. Seus Acompanhantes expressaram sérios temores por sua vida; mas o Tio não abrigava os mesmos medos. Ele era de opinião, e não imprudentemente, que “Homens morreram, e os vermes os comeram, mas não por Amor!” Ele, portanto, lisonjeava-se de que, por mais profunda que pudesse ser a impressão feita no coração de seu Sobrinho, o Tempo e Virginia seriam capazes de apagá-la. Ele agora apressou-se para junto do Jovem aflito e esforçou-se por consolá-lo: solidarizou-se com seu sofrimento, mas encorajou-o a resistir às investidas do desespero. Admitia que não podia deixar de se sentir chocado com um evento tão terrível, nem podia censurar-lhe a sensibilidade; mas suplicava-lhe que não se atormentasse com vãos arrependimentos e que lutasse antes contra a aflição, preservando sua vida, se não por sua própria causa, ao menos pela causa daqueles que estavam a ele carinhosamente apegados. Enquanto ele trabalhava assim para fazer Lorenzo esquecer a perda de Antonia, o Duque cortejava assiduamente a Virginia e aproveitava todas as oportunidades para avançar o interesse de seu Sobrinho no coração dela.
Pode-se facilmente esperar que Agnês não tardasse a indagar por Don Raymond. Ela ficou chocada ao ouvir a condição miserável a que a dor o reduzira; contudo, não pôde deixar de exultar em segredo ao refletir que sua doença provava a sinceridade de seu amor. O Duque encarregou-se pessoalmente de anunciar ao Enfermo a felicidade que o aguardava. Embora não tenha omitido precaução alguma para prepará-lo para tal evento, diante dessa súbita mudança do desespero para a felicidade, os transportes de Raymond foram tão violentos que quase lhe provaram fatais. Uma vez passados estes, a tranquilidade de sua mente, a certeza da felicidade e, acima de tudo, a presença de Agnês (que não tardou a restabelecer-se pelos cuidados de Virginia e da Marquesa, apressando-se em acudir seu Amante) logo lhe permitiram superar os efeitos de sua recente e terrível moléstia. A calma de sua alma comunicou-se ao corpo, e ele recuperou-se com tanta rapidez a ponto de causar surpresa universal.
Não assim Lorenzo. A morte de Antonia, acompanhada de circunstâncias tão terríveis, pesava fortemente sobre seu espírito. Ele estava reduzido a uma sombra. Nada lhe podia dar prazer. Foi persuadido com dificuldade a tragar o nutrimento suficiente para a sustentação da vida, e temia-se uma tísica. A companhia de Agnês constituía seu único consolo. Embora o acaso nunca lhes houvesse permitido estarem muito tempo juntos, ele nutria por ela sincera amizade e afeição. Percebendo o quanto ela lhe era necessária, ela raramente abandonava seu aposento. Escutava suas queixas com atenção infatigável e acalentava-o com a doçura de seus modos e a compaixão por seu sofrimento. Ela ainda habitava o Palácio de Villa-Franca, cujos Possuidores a tratavam com marcada afeição. O Duque intimara ao Marquês seus desejos a respeito de Virginia. O partido era irrepreensível: Lorenzo era Herdeiro da imensa fortuna de seu Tio e distinguia-se em Madri por sua pessoa agradável, vasto conhecimento e retidão de conduta; acrescente-se a isso que a Marquesa descobrira quão forte era a predisposição de sua Filha em favor dele.
Por conseguinte, a proposta do Duque foi aceita sem hesitação: toda precaução foi tomada para induzir Lorenzo a ver a Dama com aqueles sentimentos que ela tão bem merecia excitar. Em suas visitas a seu Irmão, Agnês era frequentemente acompanhada pela Marquesa; e, logo que ele pôde mover-se para sua Antecâmara, Virginia, sob a proteção de sua mãe, recebia por vezes permissão para externar seus votos por sua recuperação. Ela o fazia com tamanha delicadeza, a maneira como mencionava Antonia era tão terna e suave, e, quando lamentava o destino melancólico de sua Rival, seus olhos brilhantes luziam de forma tão bela através das lágrimas, que Lorenzo não podia contemplá-la ou escutá-la sem emoção. Seus Parentes, bem como a Dama, perceberam que, a cada dia, a companhia dela parecia dar-lhe novo prazer e que ele falava dela em termos de admiração mais forte. Contudo, mantiveram prudentemente suas observações para si. Nenhuma palavra foi solta que o pudesse levar a suspeitar dos desígnios deles. Continuaram sua conduta e atenção anteriores, e deixaram que o tempo amadurecesse em um sentimento mais caloroso a amizade que ele já votava a Virginia.
Nesse ínterim, as visitas dela tornaram-se mais frequentes; e, por fim, mal havia dia em que ela não passasse parte dele ao lado do Divã de Lorenzo. Ele recuperou gradualmente as forças, mas o progresso de sua convalescença era lento e incerto. Uma certa noite, ele parecia estar com o ânimo melhor do que o habitual: Agnês e seu Amante, o Duque, Virginia e os Pais dela estavam sentados ao redor dele. Ele, então, pela primeira vez suplicou a sua Irmã que o informasse como ela escapara aos efeitos do veneno que Santa Úrsula a vira tragar. Temerosa de evocar à mente dele aquelas cenas em que Antonia perecera, ela até então lhe ocultara a história de seus sofrimentos. Como ele próprio levantou o assunto agora, e pensando que talvez a narrativa de suas dores o pudesse afastar da contemplação daquelas em que ele detinha o pensamento com demasiada constância, ela atendeu prontamente ao seu pedido. O restante da companhia já ouvira sua história; mas o interesse que todos os presentes nutriam pela Heroína fê-los anciosos por ouvi-la repetida. Toda a sociedade secundando as súplicas de Lorenzo, Agnês obedeceu. Ela primeiro rememorou a descoberta ocorrida na Capela da Abadia, o ressentimento da Domina e a cena da meia-noite de que Santa Úrsula fora testemunha oculta. Embora a Freira já houvesse descrito este último evento, Agnês relatou-o agora com mais circunstâncias e largueza; após o que prosseguiu em sua narrativa da seguinte forma.
Conclusão da História de Agnês de Medina
Minha suposta morte foi acompanhada das maiores agonias. Aqueles momentos que eu cria serem os últimos foram amargurados pelas garantias da Domina de que eu não podia escapar à perdição; e, enquanto meus olhos se fechavam, ouvi sua fúria exalar-se em maldições à minha ofensa. O horror dessa situação, de um leito de morte de onde a esperança estava banida, de um sono do qual eu só despertaria para me ver presa de chamas e Fúrias, era mais pavoroso do que posso descrever. Quando a animação revigorou em mim, minha alma ainda se achava impregnada destas ideias terríveis: olhei ao redor com medo, esperando contemplar os Ministros da divina vingança. Durante a primeira hora, meus sentidos estavam tão atordoados e meu cérebro tão tonto que lutei em vão para ordenar as estranhas imagens que flutuavam em selvagem confusão diante de mim. Se eu tentava erguer-me do chão, a desorientação de minha cabeça enganava-me. Tudo ao meu redor parecia oscilar, e afundei mais uma vez sobre a terra. Meus olhos fracos e ofuscados mostraram-se incapazes de suportar uma aproximação maior de um facho de luz que eu via tremeluzir acima de mim. Fui compelida a fechá-los novamente e a permanecer imóvel na mesma postura.
Uma hora inteira decorreu antes que eu estivesse em mim o bastante para examinar os Objetos circundantes. Quando os examinei, de que terror se me encheu o seio! Achei-me estendida sobre uma espécie de Divã de vime: possuía ele seis alças, que sem dúvida haviam servido às Freiras para transportar-me à cova. Eu estava coberta por um pano de linho;
diversas flores murchas jaziam esparsas sobre mim; de um lado repousava um pequeno Crucifixo de madeira; do outro, um Rosário de Contas grossas. Quatro paredes baixas e estreitas me confinavam. O teto estava igualmente coberto, e nele se praticava uma pequena Porta gradeada: através desta admitia-se o pouco ar que circulava naquele lugar miserável. Um tênue lampejo de luz que escoava pelas Grades permitia-me distinguir os horrores em derredor. Eu era oprimida por um cheiro pestilento e sufocante; e, percebendo que a porta gradeada estava destrancada, pensei que eu poderia possivelmente efetuar minha fuga. Ao erguer-me com esse intento, minha mão repousou sobre algo macio: agarrei-o e avancei-o em direção à luz. Todo-poderoso Deus! Qual foi o meu desgosto, a minha consternação! Apesar da putrefação e dos vermes que o devoravam, percebi uma cabeça humana corrompida e reconheci os traços de uma Freira que falecera meses antes!
Arrojei-a para longe de mim e caí quase sem vida sobre meu esquife.
Quando minhas forças retornaram, esta circunstância e a consciência de estar cercada pelos corpos repugnantes e em decomposição de minhas Companheiras aumentaram meu desejo de escapar de minha prisão medonha. Movi-me novamente em direção à luz. A porta gradeada estava ao meu alcance; levantei-a sem dificuldade; provavelmente fora deixada aberta para facilitar minha saída do calabouço. Ajudando-me pela irregularidade das Paredes, cujas pedras algumas sobressaíam além das outras, arranjei-me para escalá-las e arrastar-me para fora da prisão. Achei-me então em uma Abóbada toleravelmente espaçosa. Diversos Túmulos, de aparência semelhante àquele de onde acabara de escapar, alinhavam-se pelas paredes em ordem e pareciam consideravelmente afundados na terra. Uma Lâmpada sepulcral suspendia-se do teto por uma corrente de ferro, derramando uma luz soturna através do calabouço. Emblemas da Morte viam-se por todos os lados: Crânios, omoplatas, ossos de coxas e outros despojos da Mortalidade achavam-se espalhados pelo chão orvalhado. Cada Túmulo ornamentava-se com um grande Crucifixo, e em um canto erguia-se uma Estátua de madeira de Santa Clara. A estes objetos a princípio não prestei atenção: uma Porta, a única saída da Abóbada, atraíra meus olhos. Apressei-me na direção dela, tendo envolto com força meu lençol mortuário ao corpo. Empurrei a porta e, para meu inexprimível terror, constatei que estava trancada por fora.
Adivinhei imediatamente que a Priora, enganando-se quanto à natureza do líquido que me compelira a beber, em vez de veneno administrara um forte Opiato. Daí concluí que, parecendo estar morta a todos os olhos, eu recebera os ritos do sepultamento; e que, privada do poder de tornar minha existência conhecida, seria meu destino expirar de fome. Esta ideia penetrou-me de horror, não apenas por minha própria causa, mas pela da Criatura inocente que ainda vivia dentro do meu seio. Tornei a me esforçar para abrir a porta, mas ela resistiu a todos os meus esforços. Estiquei a voz até o limite de sua extensão e gritei por socorro: eu estava remota da audição de qualquer um; nenhuma voz amiga respondeu à minha. Um silêncio profundo e melancólico reinava pela Abóbada, e desesperei da liberdade. Minha longa abstinência de alimentos começou então a atormentar-me. As torturas que a fome me infligia eram as mais dolorosas e insuportáveis; contudo, pareciam aumentar a cada hora que passava sobre minha cabeça. Às vezes jogava-me ao chão e rolava sobre ele de modo feroz e desesperado; às vezes, sobressaltando-me, retornava à porta, esforçava-me novamente por forçá-la a abrir e repetia meus gritos infrutíferos por socorro. Muitas vezes estive prestes a golpear minha fronte contra a aresta pontiaguda de algum Monumento, esmagando meus miolos e encerrando assim meus males de uma vez por todas; mas ainda a lembrança de meu Bebê vencia minha resolução: eu tremia diante de um ato que punha igualmente em perigo a existência de meu Filho e a minha própria. Então eu descarregava minha angústia em exclamações agudas e queixas apaixonadas; e logo depois, faltando-me as forças, sentava-me em silêncio e sem esperança sobre a base da Estátua de Santa Clara, cruzava os braços e abandonava-me ao desespero sombrio. Assim se passaram várias horas miseráveis. A morte avançava para mim a passos largos, e eu esperava que cada momento sucessivo fosse o de minha dissolução. De súbito, um Túmulo vizinho chamou minha atenção: havia sobre ele uma Cesta que até então eu não notara. Ergui-me do assento; caminhei para ela tão velozmente quanto meu arcabouço exausto o permitia. Com que avidez agarrei a Cesta, ao descobrir que ela continha um pão de centeio grosseiro e uma pequena garrafa de água!
Lancei-me com sofreguidão sobre esses humildes alimentos. Tinham a tudo indicando sido colocados na Abóbada havia vários dias; o pão estava duro e a água rançosa; contudo, jamais provei manjar que me parecesse tão delicioso. Quando os apertos do apetite foram satisfeitos, ocupei-me com conjecturas acerca desta nova circunstância: debati se a Cesta fora ali posta com vistas à minha necessidade. A esperança respondeu às minhas dúvidas afirmativamente. Contudo, quem poderia adivinhar que eu precisava de tal auxílio? Se a minha existência era conhecida, por que eu me achava detida nesta Abóbada sombria? Se eu era mantida Prisioneira, o que significava a cerimônia de me entregar ao Túmulo? Ou, se eu estava condenada a perecer de fome, a cuja piedade eu devia provisões postas ao meu alcance? Um Amigo não teria mantido meu pavoroso castigo em segredo; tampouco parecia provável que um Inimigo se houvesse dado ao trabalho de suprir-me com os meios de subsistência. No todo, inclinava-se meu pensamento a crer que os desígnios da Domina contra a minha vida haviam sido descobertos por algum de meus Partidários no Convento, que encontrara meios de substituir o veneno por um opiato; que ela me providenciara alimento para sustentar-me até poder efetuar meu resgate; e que então se empregava em dar ciência a meus Parentes sobre meu perigo, apontando uma maneira de libertar-me do cativeiro. Todavia, por que então a qualidade de minhas provisões era tão rústica? Como meu Amigo pudera entrar na Abóbada sem o conhecimento da Domina? E, se ela entrara, por que a Porta fora trancada com tanto cuidado? Estas reflexões desconcertavam-me; mas ainda assim essa ideia era a mais favorável às minhas esperanças, e a ela apegava-me por preferência.
Minhas meditações foram interrompidas pelo som de passos distantes. Aproximavam-se, embora lentamente. Raios de luz fustigavam agora pelas frestas da Porta. Incerta se as Pessoas que avançavam vinham aliviar-me ou se achavam conduzidas à Abóbada por outro motivo, não deixei de atrair-lhes a atenção com altos gritos por socorro. Os sons continuavam a aproximar-se; a luz tornava-se mais forte; enfim, com inexprimível prazer, ouvi a Chave girar na Fechadura. Persuadida de que minha entrega estava próxima, voei para a Porta com um grito de júbilo. Abriu-se; mas todas as minhas esperanças de fuga esvaíram-se quando a Priora apareceu, seguida pelas mesmas quatro Freiras que haviam testemunhado minha suposta morte. Traziam archotes nas mãos e perscrutavam-me em silêncio amedrontado.
Recuei aterrorizada. A Domina desceu à Abóbada, assim como suas Companheiras. Ela fixou em mim um olho severo e ressentido, mas não expressou surpresa ao deparar comigo ainda viva. Tomou o assento que eu acabara de deixar; a porta tornou a fechar-se, e as Freiras alinharam-se atrás de sua Superior, enquanto o clarão de seus archotes, embaçado pelos vapores e pela umidade da Abóbada, dourava com raios frios os Monumentos em redor. Por alguns instantes todos guardaram um silêncio fúnebre e solene. Eu permanecia a certa distância da Priora. Enfim, ela fez-me sinal para que avançasse. Tremendo ante a severidade de seu aspecto, minhas forças mal me bastaram para obedecer-lhe. Aproximei-me, mas meus membros mostraram-se incapazes de sustentar o próprio fardo. Caí de joelhos; cruzei as mãos e ergui-as a ela por misericórdia, sem contudo ter o poder de articular uma sílaba.
Ela contemplou-me com olhos irados.
“Vejo uma Penitente, ou uma Criminosa?” disse ela a final; “Estão essas mãos erguidas em contrição por seus crimes, ou com medo de encontrar o castigo deles? Reconhecem essas lágrimas a justiça de sua sentença, ou apenas solicitam a mitigação de seus sofrimentos? Temo bem que seja o último!”
Ela fez uma pausa, mantendo o olhar fitado no meu.
“Tomai coragem;” Continuou ela: “Não desejo a vossa morte, mas o vosso arrependimento. A poção que vos administrei não foi veneno, mas um opiáceo. Minha intenção ao enganar-vos foi fazer-vos sentir as agonias de uma consciência culpada, caso a Morte vos alcançasse subitamente enquanto vossos crimes ainda estivessem sem arrependimento. Sofrestes essas agonias: tornei-vos familiarizada com a agonia da morte, e confio que a vossa angústia momentânea vos servirá de eterno benefício. Não é meu desígnio destruir vossa alma imortal, nem mandar-vos buscar a sepultura, onerada com o peso de pecados não expiados. Não, Filha, longe disso: purificar-vos-ei com uma castigação saudável e fornecer-vos-ei pleno ócio para a contrição e o remorso. Ouvi então minha sentença; O zelo mal-julgado de vossos Amigos retardou a sua execução, mas não pode agora preveni-la. Toda Madri acredita que já não existis; vossos Parentes estão firmemente persuadidos de vossa morte, e as Freiras, vossas Partidárias, assistiram ao vosso funeral. Vossa existência jamais poderá ser suspeitada; tomei precauções tais que hão de torná-la um mistério impenetrável. Abandonai, pois, todos os pensamentos de um Mundo do qual estais eternamente separada, e empregai as poucas horas que vos são concedidas a preparar-vos para o seguinte.”
Este exórdio levou-me a esperar algo terrível. Tremeu-me o corpo, e eu teria falado para repudiar a sua ira; mas um gesto da Domina ordenou-me que guardasse silêncio. Ela prosseguiu.
“Embora injustamente negligenciada nestes últimos anos, e agora combatida por muitas de nossas irmãs transviadas (que o Céu as converta!), é minha intenção reviver as leis de nossa ordem em todo o seu vigor. Aquela contra a incontinência é severa, mas não mais do que um crime tão monstruoso exige: Submetei-vos a ela, Filha, sem resistência; encontrareis o benefício da paciência e da resignação numa vida melhor do que esta. Ouvi então a sentença de Santa Clara. Sob estas Abóbadas existem Prisões, destinadas a receber criminosos como vós: com arte é a sua entrada ocultada, e Aquela que nelas entra deve renunciar a todas as esperanças de liberdade. Para lá deves agora ser conduzida. Alimento vos será fornecido, mas não em quantidade suficiente para a indulgência do apetite: tereis apenas o necessário para manter o corpo e a alma unidos, e a sua qualidade será a mais simples e grosseira. Chorai, Filha, chorai, e umedecei vosso pão com vossas lágrimas: Deus sabe que tendes amplos motivos para a dor! Acorrentada no fundo de uma destas masmorras secretas, banida do mundo e da luz para sempre, sem outro consolo senão a religião, nenhuma outra companhia senão o remorso, assim tereis de gemer o restante de vossos dias. Tais são as ordens de Santa Clara; Submetei-vos a elas sem murmúrios. Segui-me!”
Atônita perante este decreto bárbaro, as poucas forças que me restavam abandonaram-me. Respondi apenas caindo a seus pés e banhando-os em lágrimas. A Domina, inabalada pela minha aflição, ergueu-se do assento com um ar majestoso. Repetiu as suas ordens em tom imperativo; mas a minha fraqueza excessiva tornou-me incapaz de obedecer-lhe. Mariana e Alix levantaram-me do chão e carregaram-me para a frente em seus braços. A Prioresa avançou, apoiando-se em Violante, e Camila precedeu-a com uma Tocha. Assim passou nossa triste procissão pelos corredores, num silêncio apenas quebrado por meus suspiros e gemidos. Paramos diante do principal santuário de Santa Clara. A Estátua foi removida do seu Pedestal, embora eu não soubesse de que modo. As Freiras ergueram depois uma grade de ferro até então ocultada pela Imagem, e deixaram-na cair do outro lado com um estrondo forte. O som aterrorizante, repetido pelas abóbadas acima e pelas Cavernas abaixo de mim, despertou-me da apatia desanimada em que estivera mergulhada. Olhei diante de mim: Um abismo apresentou-se aos meus olhos aterrorizados, e uma Escadaria íngreme e estreita, para onde meus Conduzidores me guiavam. Dei um grito e recuei estupefata. Implorei compaixão, rasguei o ar com os meus prantos e invoquei o céu e a terra em meu auxílio. Em vão! Fui precipitada escadaria abaixo e forçada a entrar em uma das Celas que guarneciam as paredes da Caverna.
O sangue gelou-se-me nas veias ao contemplar aquela morada melancólica. Os vapores frios que pairavam no ar, as paredes esverdeadas pela umidade, a cama de Palha tão desamparada e desconsolada, a Corrente destinada a prender-me para sempre à minha prisão, e os Répteis de toda espécie que, à medida que as tochas se aproximavam, avistei a correr para os seus esconderijos, golpearam meu coração com terrores quase demasiadamente intensos para a natureza suportar. Levada pelo desespero à loucura, desprendei-me subitamente das Freiras que me seguravam: lancei-me de joelhos perante a Prioresa e implorei a sua misericórdia nos termos mais apaixonados e frenéticos.
“Se não por mim,” disse eu, “olhai pelo menos com piedade para aquele Ser inocente, cuja vida está ligada à minha! Grande é o meu crime, mas não deixeis que meu Filho sofra por ele! Meu Bebê não cometeu falta alguma: Oh! Poupai-me por amor de minha Prole ainda não nascida, a qual, antes mesmo de provar a vida, a vossa severidade condena à destruição!”
A Prioresa recuou com altivez: arrancou o seu hábito do meu aperto, como se o meu toque tivesse sido contagioso.
“Quê?” Exclamou ela com um ar exasperado; “Quê? Ousais interceder pelo fruto de vossa vergonha? Permitir-se-á viver a uma Criatura concebida em culpa tão monstruosa? Mulher Abandonada, não faleis mais por ele! Melhor que o Miserável pereça do que viva: Gerado em perjúrio, incontinência e poluição, não poderá deixar de provar ser um Prodígio de vício. Ouve-me, tu que és Culpada! Não esperes de mim misericórdia, nem para ti, nem para o teu Fruto. Reza antes para que a Morte te alcance antes de o dares à luz; Ou se ele tiver de ver a luz, que os seus olhos sejam imediatamente fechados de novo para sempre! Nenhum auxílio vos será dado em vosso parto; Trazei vós mesma a vossa Prole ao mundo, Alimentai-o vós mesma, Criai-o vós mesma, Enterrai-o vós mesma: Deus permita que este último aconteça breve, para que não recebais consolo do fruto de vossa iniquidade!”
Este discurso desumano, as ameaças que continha, os sofrimentos espantosos que me foram preditos pela Domina e as suas preces pela morte de meu Filho — por quem, embora ainda por nascer, eu já nutria profunda adoração —, foram mais do que a minha carcaça exausta pôde suportar. Soltando um gemido profundo, caí sem sentidos aos pés de minha Inexorável Inimiga. Não sei quanto tempo permaneci nesta situação; mas imagino que algum tempo deve ter decorrido antes da minha recuperação, pois foi suficiente para a Prioresa e suas Freiras abandonarem a Caverna. Quando os meus sentidos retornaram, encontrei-me no silêncio e na solidão. Não ouvi sequer os passos retardatários de meus Perseguidores. Tudo estava calmo, e tudo era pavoroso! Eu fora jogada sobre a cama de Palha; a Pesada Corrente que eu já contemplara com terror estava enrolada em torno da minha cintura e prendia-me à Parede. Uma Lâmpada, a tremeluzir com raios baços e melancólicos através da minha masmorra, permitia-me distinguir todas as suas horribilidades: Estava separada da Caverna por uma Parede de Pedra baixa e irregular; nela fora deixada aberta uma grande Fenda que formava a entrada, pois porta não havia nenhuma. Um Crucifixo de chumbo encontrava-se em frente ao meu Leito de palha. Um tapete esfarrapado jazia perto de mim, assim como um Rosário de Contas; e não longe de mim erguia-se um cântaro de água e uma Cesta de vime contendo um pequeno pão e uma garrafa de azeite para abastecer a minha Lâmpada.
Com um olhar desanimado examinei esta cena de sofrimento: Quando refleti que estava condenada a passar nela o resto dos meus dias, meu coração rasgou-se de amarga angústia. Outrora fora ensinada a antecipar um destino tão diferente! Houve um tempo em que minhas perspectivas haviam parecido tão brilhantes, tão lisonjeiras! Agora tudo estava perdido para mim. Amigos, conforto, sociedade, felicidade, em um só momento fui privada de tudo! Morta para o mundo, Morta para o prazer, eu não vivia senão para a sensação de miséria. Quão belo me parecia aquele mundo do qual eu estava para sempre banida! Quantos entes queridos ele continha, aos quais eu jamais tornaria a ver! Enquanto eu lançava um olhar de terror ao redor da minha prisão, enquanto me encolhia com o vento cortante que uivava através de minha habitação subterrânea, a mudança parecia tão impressionante, tão abrupta, que duvidei de sua realidade.
Que a Sobrinha do Duque de Medina, que a noiva destinada ao Marquês de las Cisternas, Alguém criada na opulência, aparentada com as mais nobres famílias da Espanha e rica em uma multidão de Amigos afetuosos, viesse a tornar-se num só momento uma Cativa, separada do mundo para sempre, oprimida por correntes e reduzida a sustentar a vida com os alimentos mais grosseiros, parecia uma mudança tão súbita e incrível que eu me julgava vítima de alguma visão aterrorizante. A sua continuidade convenceu-me do meu engano com demasiada certeza. Todas as manhãs as minhas esperanças eram frustradas. A final, abandonei toda e qualquer ideia de fuga; resignei-me ao meu destino e só esperava a Liberdade quando esta viesse como Companheira da Morte.
Minha angústia mental e as cenas pavorosas em que eu fizera o papel de Atriz apressaram o período do meu parto. Na solidão e na miséria, abandonada por todos, desprovida do auxílio da Arte, desamparada pela Amizade, com dores que, se presenciadas, teriam comovido o mais duro dos corações, fui eu entregue do meu fardo desgraçado. Ele veio com vida ao mundo; mas eu não sabia como tratá-lo, nem por quais meios preservar a sua existência. Só podia banhá-lo em lágrimas, aquecê-lo em meu seio e erguer preces pela sua segurança. Fui logo privada deste emprego fúnebre: a falta de assistência adequada, a minha ignorância sobre como criá-lo, o frio cortante da masmorra e o ar insalubre que inflamou os seus pulmões terminaram a curta e dolorosa existência de meu doce Bebê. Ele expirou poucas horas após o seu nascimento, e presenciei a sua morte com agonias que desafiam toda a descrição.
Mas a minha dor era infrutífera. Meu Filho já não existia; nem podiam todos os meus suspiros transmitir ao seu corpinho tenro o sopro de um momento. Rasguei a minha mortalha e nela envolvi meu adorável Criança. Coloquei-o sobre o meu peito, com o seu bracinho macio dobrado ao redor do meu pescoço e a sua bochecha pálida e fria apoiada na minha. Assim repousavam os seus membros sem vida, enquanto eu o cobria de beijos, falava com ele, chorava e lamentava-me sobre ele sem cessar, dia e noite. Camila entrava regularmente na minha prisão uma vez a cada vinte e quatro horas para me trazer comida. Apesar da sua natureza empedernida, ela não conseguia contemplar este espetáculo sem se comover. Temia que uma dor tão excessiva acabasse por me perturbar o juízo, e em verdade eu nem sempre estava em minhas normais faculdades. Por um princípio de compaixão, exortava-me a permitir que o Cadáver fosse sepultado; mas a isto eu jamais quis consentir. Jurei não me separar dele enquanto tivesse vida: a sua presença era o meu único consolo, e nenhuma persuasão pôde induzir-me a abandoná-lo. Não tardou a tornar-se uma massa de putrefação e, aos olhos de todos, um Objeto repugnante e repulsivo; Aos olhos de todos, exceto aos de uma Mãe. Em vão os sentimentos humanos incitavam-me a recuar com repugnância perante este emblema da mortalidade: resisti e venci essa repugnância. Persisti em apertar meu Filho contra o meu peito, a lamentá-lo, a amá-lo, a adorá-lo! Hora após hora passei no meu miserável Leito, contemplando o que outrora fora meu Filho: esforçava-me por retratar os seus traços através da corrupção lívida de que estavam revestidos; durante o meu aprisionamento, esta ocupação triste foi o meu único deleite; e, naquele tempo, Mundos inteiros não me teriam subornado para abdicar dela. Mesmo quando libertada de minha prisão, trouxe meu Filho comigo nos braços. As representações de meus dois bondosos Amigos, — (Aqui ela pegou nas mãos da Marquesa e de Virgínia, levando-as alternadamente aos lábios) — persuadiram-me a final a resignar meu infeliz Filho à Sepultura. Contudo, separei-me dele com relutância; com tudo, a razão acabou por prevalecer; permiti que mo levassem, e agora ele repousa em solo consagrado.
Mencionei antes que, regularmente uma vez ao dia, Camila me trazia comida. Ela não procurava amargar as minhas dores com recriminações: era verdade que me ordenava que renunciasse a toda esperança de liberdade e de felicidade terrena; mas encorajava-me a suportar com paciência o meu sofrimento temporário e aconselhava-me a extrair consolo da religião.
A minha situação afetava-a visivelmente mais do que ela se atrevia a expressar; mas acreditava que atenuar a minha falta me tornaria menos ansiosa por arrependerme. Frequentemente, enquanto os seus lábios pintavam a enormidade da minha culpa com cores berrantes, os seus olhos traíam o quão sensível ela era aos meus sofrimentos. De fato, tenho a certeza de que nenhum dos meus Torcedores (pois as outras três Freiras entravam na minha prisão ocasionalmente) era tão impelido pelo espírito de crueldade opressiva quanto pela ideia de que afligir o meu corpo era a única maneira de salvar a minha alma. Mais ainda, nem mesmo esta persuasão teria tido tanto peso para elas, e poderiam ter julgado o meu castigo demasiado severo, se as suas boas disposições não tivessem sido reprimidas por uma obediência cega à sua Superiora. O rancor desta existia em plena força. Tendo o meu projeto de fuga sido descoberto pelo Abade dos Capuchinhos, ela supunha-se diminuída na opinião dele devido à minha desgraça, e, por conseguinte, o seu ódio era inveterado. Disse às Freiras à cuja guarda fui confiada que a minha falta era da natureza mais hedionda, que nenhum sofrimento podia igualar a ofensa e que nada me podia salvar da perdição eterna a não ser punir a minha culpa com o máximo rigor. A palavra da Superiora é um oráculo para demasiados Habitantes de um Convento. As Freiras acreditavam em tudo o que a Prioresa escolhia afirmar: embora contraditado pela razão e pela caridade, não hesitavam em admitir a verdade dos argumentos dela. Seguiam as suas injunções ao pé da letra e estavam plenamente persuadidas de que tratar-me com brandura, ou demonstrar a menor piedade por meus ais, seria um meio direto de destruir a minha oportunidade de salvação.
Camila, sendo a mais empregada ao meu redor, foi particularmente encarregada pela Prioresa de tratar-me com aspereza. Em cumprimento a estas ordens, esforçava-se frequentemente por convencer-me de quão justo era o meu castigo e de quão enorme era o meu crime: dizia-me que me considerasse por demais ditosa por salvar a alma mortificando o corpo, e ameaçava-me por vezes até com a perdição eterna. Contudo, conforme observei antes, ela arrematava sempre com palavras de encorajamento e conforto; e embora proferidas pelos lábios de Camila, reconhecia eu facilmente as expressões da Domina. Uma vez, e uma só, a Prioresa visitou-me na masmorra. Tratou-me então com a crueldade mais implacável: cumulou-me de repreensões, lançou-me à cara a minha fraqueza e, quando lhe implorei misericórdia, mandou-me pedi-la ao céu, visto que nenhuma merecia sobre a terra. Chegou a contemplar o meu Filho sem vida sem demonstrar emoção; e quando me deixou, ouvi-a encarregar Camila de aumentar os rigores do meu cativeiro. Mulher insensível! Mas deixe-me refrear o meu rancor: ela já expiou os seus erros pela morte triste e inesperada. Que a paz esteja com ela; e que os seus crimes sejam perdoados no céu, assim como eu perdôo os meus sofrimentos na terra!
Assim arrastava eu uma existência miserável. Longe de me familiarizar com a prisão, contemplava-a a cada momento com novo horror. O frio parecia mais cortante e acre, o ar mais denso e pestilencial. Meu corpo tornou-se fraco, febril e emaciado. Eu era incapaz de me levantar da cama de Palha e de exercitar os membros nos estreitos limites a que o comprimento da minha corrente me permitia mover. Embora exausta, desfalecida e cansada, eu tremia ao aproveitar a aproximação do Sono: meus sonos eram constantemente interrompidos por algum Inseto detestável a rastejar sobre mim.
Às vezes sentia o Sapo inchado, hediondo e mimado com os vapores venenosos da masmorra, a arrastar o seu comprimento repugnante ao longo do meu seio; às vezes a Lagartixa rápida e fria despertava-me deixando o seu rastro viscoso no meu rosto e enredando-se nas tranças do meu cabelo selvagem e emaranhado: muitas vezes ao acordar encontrei os meus dedos guarnecidos pelos longos vermes que medravam na carne corrompida de meu Filho. Nessas ocasiões gritava de terror e desgosto, e enquanto sacudia o réptil, tremia com toda a fraqueza de uma Mulher.
Tal era a minha situação quando Camila adoeceu subitamente. Uma febre perigosa, supostamente contagiosa, reteve-a no leito. Todos, exceto a Irmã Leiga encarregada de a nursing, evitavam-na com cautela, receando contrair a doença. Ela encontrava-se em delírio completo e de modo algum capaz de cuidar de mim. A Domina e as Freiras iniciadas no mistério tinham-me abandonado ultimamente por completo aos cuidados de Camila; por conseguinte, já não se ocupavam mais de mim; e, ocupadas com os preparativos para a Festa que se aproximava, é mais do que provável que eu jamais tenha passado pelo pensamento delas. Da razão da negligência de Camila fui informada após a minha libertação pela Madre Santa Úrsula; naquele tempo eu estava muito longe de suspeitar a causa. Pelo contrário, aguardei o aparecimento da minha carcereira primeiro com impaciência e depois com desespero. Passou-se um dia; seguiu-se-lhe outro; chegou o Terceiro. E nem rasto de Camila! Nem migalha de comida! Conhecia o transcurso do tempo pelo consumo da minha Lâmpada, para cujo abastecimento me fora deixada, felizmente, uma reserva de azeite para uma semana. Supus, ou que as Freiras se tinham esquecido de mim, ou que a Domina lhes ordenara que me deixassem perecer. Esta última ideia parecia a mais provável; contudo, tão natural é o amor à vida, que eu tremia ao constatar que era verdadeira. Embora amargurada por todas as espécies de miséria, a minha existência ainda me era cara, e eu temia perdê-la. Cada minuto sucessivo provava-me que devia abandonar toda esperança de socorro. Tornara-me um esqueleto absoluto: os meus olhos já me falhavam e os meus membros começavam a enrijecer. Só podia expressar a minha angústia e as dores daquela fome que me roía as entranhas através de gemidos frequentes, cujo som melancólico o teto abobadado da masmorra repercutia. Resignei-me ao meu destino; já esperava o momento da dissolução, quando o meu Anjo Guarda, quando o meu amado Irmão chegou a tempo de me salvar. A minha vista, tornado baça e fraca, recusou a princípio reconhecê-lo; e quando distingui os seus traços, a explosão súbita de arrebatamento foi demasiado intensa para o meu corpo suportar. Fui vencida pela vaga de alegria ao contemplar novamente um Amigo, e logo um Amigo tão querido para mim. A natureza não pôde sustentar as minhas emoções e refugiou-se na insensibilidade.
Já sabeis quais são as minhas obrigações para com a Família de Villa-Franca: mas o que não podeis saber é a extensão da minha gratidão, sem limites tal como a excelência dos meus Benfeitores. Lourenço! Raimundo! Nomes tão caros a mim! Ensinai-me a suportar com fortaleza esta transição súbita da miséria à bem-aventurança. Tão recentemente Cativa, oprimida por correntes, perecendo de fome, sofrendo todos os inconvenientes do frio e da carência, escondida da luz, excluída da sociedade, sem esperança, negligenciada e, conforme temia, esquecida; Agora restaurada à vida e à liberdade, desfrutando de todos os confortos da opulência e da tranquilidade, rodeada por aqueles que me são mais caros e prestes a tornar-me a Noiva daquele que há muito está casado com o meu coração, a minha felicidade é tão exata, tão perfeita, que dificilmente o meu cérebro consegue sustentar o peso. Um único desejo permanece por realizar: é ver meu Irmão com a sua antiga saúde e saber que a memória de Antônia jaz sepultada na sua campa.
“Ouça-me, Ambrosio,” disse ela, “e não me interrompa. Eu venho para oferecer-lhe liberdade, vida e felicidade. Eu venho para salvá-lo das garras da Inquisição, para livrá-lo das agonias da morte e das chamas do Auto da Fé. Eu venho para dar-lhe a oportunidade de viver, de desfrutar dos prazeres da vida e de satisfazer seus desejos mais profundos.”
Ambrosio olhou para ela com uma mistura de esperança e desconfiança.
“Como é possível?” perguntou ele. “Como você pode me salvar, quando estou condenado à morte?”
“Eu tenho o poder de salvá-lo,” respondeu Matilda. “Eu tenho o poder de libertá-lo das garras da Inquisição, de livrá-lo das chamas do Auto da Fé. Mas, para isso, você deve fazer um pacto comigo. Você deve se tornar meu servo, meu escravo, e fazer tudo o que eu mandar.”
Ambrosio hesitou por um momento, mas a perspectiva de liberdade e vida era muito tentadora.
“O que eu tenho que fazer?” perguntou ele.
“Você deve assinar este livro,” respondeu Matilda, estendendo-lhe o pequeno livro que segurava na mão. “É um pacto com o diabo, e ao assiná-lo, você se tornará meu servo para sempre.”
Ambrosio pegou o livro e olhou para ele com medo. Ele sabia que estava prestes a fazer um pacto com o diabo, mas a perspectiva de liberdade e vida era muito tentadora.
“E o que eu ganho em troca?” perguntou ele.
“Você ganhará a liberdade, a vida e a felicidade,” respondeu Matilda. “Você será livre para viver sua vida como quiser, para desfrutar dos prazeres da vida e para satisfazer seus desejos mais profundos. Mas, em troca, você deve me servir e fazer tudo o que eu mandar.”
Ambrosio pensou por um momento, e então pegou uma pena e assinou o livro.
“Está feito,” disse ele. “Eu sou seu servo.”
Matilda sorriu, e seu sorriso era uma mistura de triunfo e satisfação.
“Agora você é meu,” disse ela. “E eu vou cumprir minha promessa. Você será livre, e viverá uma vida de felicidade e prazer.”
Ela fez um gesto com a mão, e as paredes da prisão desapareceram. Ambrosio se viu em um belo jardim, cercado por flores e árvores. O sol brilhava no céu, e o ar era fresco e puro.
“Onde estamos?” perguntou ele, maravilhado.
“Estamos no meu reino,” respondeu Matilda. “Aqui você será livre para viver sua vida como quiser. Mas lembre-se, você é meu servo, e deve fazer tudo o que eu mandar.”
Ambrosio olhou ao redor, e viu que o jardim era cheio de pessoas bonitas e felizes. Elas estavam dançando, rindo e desfrutando da vida.
“Quem são essas pessoas?” perguntou ele.
“São meus servos,” respondeu Matilda. “Eles são como você, e me servem com fidelidade e devoção.”
Ambrosio sentiu uma onda de felicidade e liberdade. Ele sabia que estava salvo, e que poderia viver sua vida como quisesse.
Mas, à medida que os dias passavam, ele começou a perceber que algo estava errado. As pessoas ao seu redor eram felizes, mas ele sentia uma sensação de vazio e tédio. Ele percebia que a vida no jardim era monótona e sem sentido, e que ele estava apenas seguindo as ordens de Matilda.
Ele começou a se sentir como um escravo, e não como um homem livre. Ele percebia que havia trocado uma prisão por outra, e que a liberdade que ele tanto desejava era apenas uma ilusão.
E, à medida que o tempo passava, ele começou a se arrepender de ter feito o pacto com Matilda. Ele percebia que havia vendido sua alma ao diabo, e que nunca mais seria livre de verdade.
Mas era tarde demais. O pacto estava feito, e ele era escravo de Matilda para sempre. Ele viveria uma vida de felicidade e prazer, mas sempre sob o comando de sua mestra.
E, enquanto ele caminhava pelo jardim, ele sentia uma sensação de tristeza e desespero. Ele sabia que nunca mais seria livre, e que sua vida seria uma eterna prisão.
FIM.
“Ambrosio!” Ela respondeu com um ar de dignidade comandadora; “Eu desafiei a fúria da Inquisição. Eu sou livre: Alguns momentos colocarão reinos entre estes calabouços e eu. Ainda assim, eu compro minha liberdade a um preço caro, a um preço terrível! Você se atreve a pagar o mesmo, Ambrosio? Você se atreve a ultrapassar sem medo os limites que separam os Homens dos Anjos?—Você está em silêncio.—Você me olha com olhos de suspeita e alarme—Eu leio seus pensamentos e confesso sua justiça. Sim, Ambrosio; Eu sacrifiquei tudo por vida e liberdade. Eu não sou mais uma candidata ao céu! Eu renunciei ao serviço de Deus, e me alistei sob as bandeiras de seus Inimigos. O feito é irreparável: No entanto, se estivesse ao meu alcance voltar atrás, eu não o faria. Oh! meu Amigo, expirar em tais tormentos! Morrer em meio a maldições e execrações! Suportar os insultos de uma Multidão enfurecida! Ser exposto a todas as mortificações da vergonha e da infâmia! Quem pode refletir sem horror sobre tal destino? Deixe-me então exultar em minha troca. Eu vendi a felicidade distante e incerta pela presente e segura: Eu preservei uma vida que, de outra forma, eu teria perdido em tortura; e obtive o poder de procurar todos os prazeres que podem tornar essa vida deliciosa! Os Espíritos Infernais me obedecem como sua Soberana: Por seu auxílio, meus dias serão passados em todos os requintes de luxo e volúpia. Eu desfrutarei sem restrições a gratificação de meus sentidos: Cada paixão será indulgida, mesmo até a saciedade; Então, eu ordenarei a meus Servos que inventem novos prazeres, para reviver e estimular meus apetites glutões! Eu vou, impaciente, para exercer meu recém-ganhado domínio. Eu anseio por estar em liberdade. Nada deveria me manter mais um momento neste abominável lugar, senão a esperança de persuadi-lo a seguir meu exemplo. Ambrosio, eu ainda o amo: Nosso pecado e perigo mútuos o tornaram mais caro para mim do que nunca, e eu gostaria de salvá-lo da destruição iminente. Reúna então sua resolução para ajudá-lo; e renuncie, em benefício de bens imediatos e certos, as esperanças de uma salvação difícil de obter e talvez totalmente errônea. Sacuda o preconceito de almas vulgares; Abandone um Deus que o abandonou, e eleve-se ao nível de Seres superiores!”
Ela parou para ouvir a resposta do Monge: Ele estremeceu, enquanto a dava.
“Matilda!” Ele disse após um longo silêncio, em uma voz baixa e instável; “Que preço você deu por sua liberdade?”
Ela respondeu a ele firme e destemida.
“Ambrosio, foi minha Alma!”
“Mulher desgraçada, o que você fez? Passe apenas alguns anos, e quão terríveis serão seus sofrimentos!”
“Fraco Homem, passe apenas esta noite, e quão terríveis serão os seus! Você se lembra do que já sofreu? Amanhã você deve suportar tormentos duplamente excruciantess. Você se lembra dos horrores de um castigo de fogo? Em dois dias você será levado como Vítima para a Fogueira! O que então se tornará de você? Ainda ousa esperar por perdão? Ainda é enganado por visões de salvação? Pense em seus crimes! Pense em sua luxúria, seu perjúrio, sua inumanidade, e sua hipocrisia! Pense no sangue inocente que clama ao Trono de Deus por vingança, e então espere por misericórdia! Então sonhe com o céu, e suspire por mundos de luz, e reinos de paz e prazer! Absurdo! Abra seus olhos, Ambrosio, e seja prudente. O inferno é seu destino; Você está condenado à perdição eterna; Nada além de seu túmulo existe, senão um abismo de chamas devoradoras. E então você se apressará em direção a esse Inferno? Você abraçará essa perdição em seus braços, antes que seja necessário? Você se lançará nessas chamas, enquanto ainda tem o poder de evitá-las? É um ato de um Louco. Não, não, Ambrosio: Por um tempo, fuja da vingança divina. Seja aconselhado por mim; Compre, por um momento de coragem, a felicidade de anos; Desfrute de sua existência: Indulja em cada prazer ao qual o apetite possa levá-lo: Mas, a partir do momento em que ele deixar seu corpo, lembre-se de que sua alma pertence a mim, e que eu não serei privado de meu direito.”
O Monge estava em silêncio; Mas seus olhares declaravam que as palavras do Tentador não foram jogadas fora. Ele refletiu sobre as condições propostas com horror: Por outro lado, Ele acreditava que estava condenado à perdição, e que, ao recusar o auxílio do Demônio, Ele apenas apressava os tormentos que nunca poderia escapar. O Demônio viu que sua resolução estava abalada: Ele renovou suas instâncias, e esforçou-se para fixar a indecisão do Abade. Ele descreveu as agonias da morte nas cores mais terríveis; e Ele trabalhou tão poderosamente na desesperança e nos medos de Ambrosio que Ele o persuadiu a receber o Pergaminho. Ele ainda assegurou seus Juízes que, por sua própria parte, Ele nunca havia entrado em qualquer pacto com os Espíritos Infernais; Mas a ameaça de ser torturado o fez declarar-se um Bruxo e Herege, e tudo o mais que os Inquisidores escolheram fixar sobre ele. Em consequência dessa confissão, sua sentença foi imediatamente pronunciada. Ele foi ordenado a se preparar para perecer na Fogueira, que seria acesa no Auto da Fé, a ser realizado em alguns dias. Este horário foi escolhido com a ideia de que o horror das chamas seria aumentado pela escuridão da meia-noite, e a execução teria um maior efeito na mente do Povo.
Ambrosio, mais morto do que vivo, foi deixado sozinho em seu calabouço. O momento em que essa terrível sentença foi pronunciada havia sido quase o de sua dissolução. Ele olhava para o dia seguinte com desespero, e seus terrores aumentavam com a aproximação da meia-noite. Às vezes, ele era mergulhado em um silêncio sombrio: Em outras, ele delirava com paixão frenética, arrancava seus cabelos, e amaldiçoava a hora em que ele primeiro viu a luz. Em um desses momentos, seu olho caiu sobre o presente misterioso de Matilda. Seus transportes de raiva foram instantaneamente suspensos. Ele olhou ansiosamente para o Livro; Ele o pegou, mas imediatamente o jogou de lado com horror. Ele andou rapidamente pelo calabouço: Então parou, e novamente fixou seus olhos no local onde o Livro havia caído. Ele refletiu que ali estava um recurso contra o destino que ele temia. Ele se ajoelhou, e pegou o Volume novamente.
Ele permaneceu por algum tempo tremendo e indeciso: Ele ansiava por tentar o feitiço, mas temia suas consequências. A lembrança de sua sentença finalmente fixou sua indecisão. Ele abriu o Volume; mas sua agitação era tão grande que, inicialmente, ele procurou em vão pela página mencionada por Matilda. Envergonhado de si mesmo, ele chamou toda a sua coragem para ajudá-lo. Ele virou para a sétima folha. Ele começou a lê-la em voz alta; Mas seus olhos frequentemente se desviavam do Livro, enquanto ele ansiosamente os lançava ao redor em busca do Espírito, a quem ele desejava, mas temia ver. Ainda assim, ele persistiu em seu intento; e com uma voz insegura e frequentes interrupções, ele conseguiu terminar as quatro primeiras linhas da página.
Elas estavam em uma língua, cujo significado era totalmente desconhecido para ele.
Mal ele havia pronunciado a última palavra, quando os efeitos do feitiço foram evidentes. Um forte estrondo de Trovão foi ouvido; O calabouço tremeu em suas fundações; Um raio de luz atravessou a Cela; e, no momento seguinte, carregado por redemoinhos sulfurosos, Lúcifer parou diante dele mais uma vez. Mas Ele não veio como quando, a pedido de Matilda, Ele assumiu a forma de um Serafim para enganar Ambrosio. Ele apareceu em toda a feiura que, desde sua queda do céu, havia sido sua porção: Seus membros ainda carregavam marcas do raio do Todo-Poderoso: Uma escuridão sombria se espalhava sobre sua forma gigantesca: Suas mãos e pés estavam armados com garras longas: Fúria brilhava em seus olhos, que poderiam ter feito o coração mais corajoso tremer de terror: Sobre seus ombros enormes se agitavam duas asas negras enormes; e seus cabelos eram substituídos por serpentes vivas, que se enrolavam ao redor de sua testa com um sibilar terrível. Em uma mão Ele segurava um rolo de pergaminho, e na outra uma caneta de ferro. Ainda o raio brilhava ao seu redor, e o Trovão, com explosões repetidas, parecia anunciar a dissolução da Natureza.
Assustado com uma Aparição tão diferente do que ele esperava, Ambrosio permaneceu olhando para o Demônio, privado da faculdade de fala. O Trovão havia cessado de rugir: Um silêncio universal reinava através do calabouço.
“Para que fui convocado aqui?” disse o demônio, em uma voz que vapores sulfurosos haviam tornado rouca.
Ao som, a Natureza pareceu tremer: Um violento terremoto abalou o chão, acompanhado por um novo estrondo de Trovão, mais alto e mais apavorante que o primeiro.
Ambrosio demorou muito para responder à demanda do Demônio.
“Estou condenado a morrer;” Ele disse com uma voz fraca, enquanto olhava para seu terrível Visitante. “Salve-me! Leve-me daqui!”
“Devo receber o pagamento de meus serviços? Você se atreve a abraçar minha causa? Você estará disposto a ser meu, corpo e alma? Você está preparado para renunciar àquele que o fez, e àquele que morreu por você? Responda apenas ‘Sim’, e Lúcifer é seu Escravo.”
“O que você me pede em troca?”
“Minha proteção, e libertação deste calabouço. Assine isso, e neste instante eu o levarei daqui.”
Ambrosio pegou a caneta; Ele a colocou no pergaminho. Novamente sua coragem o abandonou: Ele sentiu um calafrio de terror em seu coração, e mais uma vez jogou a caneta na mesa.
“Tolo!” exclamou o Demônio exasperado, lançando olhares tão furiosos que penetraram a alma do Frade com horror; “Assim sou eu enganado? Vá então! Delire em agonia, morra em tormentos, e então aprenda a extensão da misericórdia do Eterno! Mas cuidado para não me chamar novamente como seu escravo! Chame-me uma segunda vez para me despedir assim inutilmente, e estas garras o despedaçarão em mil pedaços! Fale novamente; Você assinará o pergaminho?”
“Eu não vou! Deixe-me! Vá embora!”
Instantaneamente o Trovão foi ouvido para rolar terrivelmente: Novamente a terra tremeu com violência: O calabouço ressoou com gritos altos, e o Demônio fugiu com blasfêmias e maldições.
Por um momento, o Monge se alegrou por ter resistido às artes do Sedutor, e obtido um triunfo sobre o Inimigo da Humanidade: Mas, à medida que a hora do castigo se aproximava, seus antigos terrores reviveram em seu coração. Eles ganharam nova força pelo repouso momentâneo. Quanto mais o tempo se aproximava, mais ele temia aparecer diante do Trono de Deus. Ele estremeceu ao pensar em quão breve ele deveria ser mergulhado na eternidade; Quão breve ele deveria encontrar os olhos de seu Criador, a quem ele havia ofendido tão gravemente. O sino anunciou a meia-noite: Era o sinal para ser levado à Fogueira! Enquanto ele escutava o primeiro toque, o sangue cessou de circular em suas veias: Ele ouviu morte e tortura murmuradas em cada som subsequente. Ele esperava a cada momento ouvir os Arqueiros entrando em seu calabouço; e, quando o sino parou de tocar, ele agarrou o volume mágico em um acesso de desespero. Ele o abriu, virou rapidamente para a sétima página, e, como se temesse permitir a si mesmo um momento de pensamento, correu sobre as linhas fatais com rapidez. Acompanhado por seus antigos terrores, Lúcifer mais uma vez parou diante do Tremedor.
“Você me convocou,” disse o Demônio; “Você está determinado a ser sábio? Você aceitará minhas condições? Você conhece elas já. Renuncie sua reivindicação à salvação, faça sua alma sobre para mim, e eu o levarei daqui instantaneamente. Ainda é tempo. Decida-se, ou será tarde demais. Você assinará o pergaminho?”
“Eu devo!—O destino me urge! Eu aceito suas condições.”
“Assine o pergaminho!” respondeu o Demônio em um tom exultante.
O Contrato e a caneta ensanguentada ainda estavam sobre a mesa. Ambrosio se aproximou. Ele se preparou para assinar seu nome. Um momento de reflexão o fez hesitar.
“Qual é o significado deste escrito?” disse ele.
“Ele faz sua alma sobre para mim para sempre, e sem reserva.”
“O que eu receberei em troca?”
“Minha proteção, e libertação deste calabouço. Assine-o, e neste instante eu o levarei daqui.”
Ambrosio pegou a caneta; Ele a colocou no pergaminho. Novamente sua coragem o abandonou: Ele sentiu um calafrio de terror em seu coração, e mais uma vez jogou a caneta na mesa.
“Fraco e pueril!” exclamou o Demônio exasperado; “Afaste-se desta tolice! Assine o escrito neste instante, ou eu o sacrificarei à minha raiva!”
Neste momento, o ferrolho da porta externa foi puxado para trás. O Prisioneiro ouviu o rangido das Correntes; O pesado Bar caiu; A porta de ferro rangeu pesadamente em seus gonzos enferrujados.
“Eu sou seu para sempre e irrevogavelmente!” gritou o Monge, selvagem de terror: “Eu abandono toda reivindicação à salvação! Eu reconheço nenhum poder além do seu! Ouça! Ouça! Eles vêm! Oh! salve-me! Leve-me daqui!”
“Eu triunfei! Você é meu além de recurso, e eu cumpro minha promessa.”
Enquanto ele falava, a porta se abriu. Instantaneamente, o Demônio agarrou um dos braços de Ambrosio, espalhou suas amplas asas, e saltou com ele para o ar. O teto se abriu quando eles subiram, e se fechou novamente quando eles deixaram o calabouço.
Enquanto isso, o Guarda foi lançado na maior surpresa pela desaparecimento de seu Prisioneiro. Embora nem ele nem os Arqueiros estivessem a tempo de testemunhar a fuga do Monge, um cheiro sulfuroso que prevalecia através do calabouço os informou suficientemente pela ajuda de quem ele havia sido libertado. Eles apressaram-se em fazer seu relatório ao Grande Inquisidor. A história de como um Bruxo havia sido levado pelo Diabo foi logo conhecida por toda Madrid; e por alguns dias, toda a Cidade estava ocupada em discutir o assunto. Gradualmente, ele deixou de ser o tópico de conversação: Outras aventuras surgiram, cuja novidade envolveu a atenção universal; e Ambrosio foi logo esquecido como se nunca tivesse existido. Enquanto isso, o Monge, sustentado por seu guia infernal, atravessava o ar com a rapidez de uma flecha, e em poucos momentos foi colocado na beira de um Precipício, o mais íngreme da Serra Morena.
Embora resgatado da Inquisição, Ambrosio ainda era insensível às bênçãos da liberdade. O contrato condenatório pesava em sua mente; e as cenas nas quais ele havia sido um ator principal deixaram impressões que tornavam seu coração um cenário de anarquia e confusão. Os objetos agora diante de seus olhos, que a lua cheia, navegando entre nuvens, permitia que ele examinasse, eram mal calculados para inspirar a calma de que ele tanto precisava. A desordem de sua imaginação foi aumentada pela selvageria da paisagem ao redor; Pelos cavernas sombrias e rochas íngremes, elevando-se umas sobre as outras, e dividindo as nuvens passageiras; grupos solitários de árvores espalhados aqui e ali, entre cujos galhos entrelaçados o vento noturno sussurrava de forma rouca e melancólica; o grito agudo das águias da montanha, que haviam construído seus ninhos nesses desertos solitários; o rugido atordoante das torrentes, que, inchadas por chuvas recentes, desciam violentamente por precipícios tremendos; e as águas escuras de um riacho lento e silencioso, que refletia vagamente os raios da lua, e banhava a base do rochedo onde Ambrosio estava. O Abade lançou um olhar de terror ao seu redor. Seu condutor infernal ainda estava ao seu lado, e o fitava com um olhar de malícia, exultação e desprezo misturados.
“Para onde você me trouxe?” disse o Monge, afinal, com uma voz oca e trêmula: “Por que fui colocado nesta cena melancólica? Leve-me daqui rapidamente! Leve-me a Matilda!”
O Demônio não respondeu, mas continuou a olhar para ele em silêncio.
Ambrosio não conseguiu sustentar seu olhar; Ele desviou os olhos, enquanto o Demônio assim falava:
“Eu o tenho então em meu poder! Este modelo de piedade! Este ser sem reproche! Este Mortal que colocou suas pequenas virtudes no mesmo nível das dos Anjos. Ele é meu! Irrevogavelmente, eternamente meu! Companheiros de meus sofrimentos! Habitantes do inferno! Quão grata será minha oferta!”
Ele pausou; então se dirigiu ao Monge:
“Levá-lo a Matilda?” Ele continuou, repetindo as palavras de Ambrosio:
“Patife! Você logo estará com ela! Você bem merece um lugar perto dela, pois o inferno não tem um miserável mais culpado do que você.
Ouça, Ambrosio, enquanto eu revelo seus crimes! Você derramou o sangue de dois inocentes; Antônia e Elvira pereceram por sua mão. Essa Antônia que você violou, era sua Irmã! Essa Elvira que você assassinou, deu-lhe a vida! Estremeça, Hipócrita abandonado! Parricida desumano! Ravisher incestuoso! Estremeça diante da extensão de seus crimes! E você, que pensava que suas virtudes o tornavam imune à tentação, livre de erros e vícios! É o orgulho, então, uma virtude? A desumanidade não é uma falha? Saiba, Homem vaidoso! Que eu, há muito, o marquei como minha presa: Eu observei os movimentos de seu coração; Eu vi que você era virtuoso por vaidade, não por princípio, e escolhi o momento certo para seduzi-lo. Eu observei sua idolatria cega pela imagem da Madona. Eu ordenei que um espírito subordinado, mas astuto, assumisse uma forma semelhante, e você prontamente cedeu aos encantos de Matilda. Seu orgulho foi gratificado por sua bajulação; Sua luxúria só precisava de uma oportunidade para se manifestar; Você correu cegamente para a armadilha, e não hesitou em cometer um crime que você condenou em outro com severidade desumana. Fui eu quem colocou Matilda em seu caminho; Fui eu quem lhe deu entrada no quarto de Antônia; Fui eu quem lhe deu a adaga que perfurou o seio de sua Irmã; e fui eu quem avisou Elvira em sonhos de seus desígnios sobre sua Filha, e assim, ao impedir que você se aproveitasse de seu sono, o obriguei a adicionar estupro e incesto à lista de seus crimes. Ouça, ouça, Ambrosio! Se você tivesse resistido a mim por mais um minuto, teria salvado seu corpo e alma. Os guardas que você ouviu à porta de sua prisão vieram para anunciar seu perdão. Mas eu já havia triunfado: Meus planos já haviam dado certo. Mal podia eu propor crimes tão rápidos quanto você os cometia. Você é meu, e o próprio Céu não pode resgatá-lo de meu poder. Não espere que sua penitência anule nosso contrato. Aqui está seu vínculo, assinado com seu sangue; Você renunciou a sua reivindicação de misericórdia, e nada pode restaurar os direitos que você renunciou tola e precipitadamente. Você pensa que seus pensamentos secretos me escaparam? Não, não, eu os li todos! Você confiava que ainda teria tempo para o arrependimento. Eu vi sua artimanha, conheci sua falsidade, e me regozijei em enganar o enganador! Você é meu, além de recurso: Você foi marcado no livro do destino, e você deve e será meu!”
Durante o discurso do Demônio, Ambrosio estava estupefato de terror e surpresa. Esta última declaração o despertou.
“Não sair destas montanhas vivo?” Ele exclamou: “Perfidious, o que você quer dizer? Você esqueceu nosso contrato?”
O Demônio respondeu com uma risada maliciosa:
“Nosso contrato? Eu cumpri minha parte. O que mais eu prometi além de salvá-lo de sua prisão? Eu não o fiz? Você não está a salvo da Inquisição—a salvo de todos, exceto de mim? Tolo que você foi em confiar em um Demônio! Por que não estipulou vida, poder e prazer? Então tudo seria concedido: Agora, suas reflexões vêm tarde demais. Persista em sua teimosia, até que você se encontre na Fogueira: Então você se arrependerá de seu erro, e suspirará por escapar quando o momento já passou. Eu vou embora! Mas antes de partir, ouça-me. Se a sabedoria o iluminar antes que a hora da morte chegue, ouça os meios de reparar sua culpa atual. Eu deixo com você este Livro. Leia as quatro primeiras linhas da sétima página de trás para frente: O Espírito que você já viu uma vez aparecerá imediatamente. Se você for sábio, nos encontraremos novamente: Se não, adeus para sempre!”
Ele deixou o Livro cair no chão. Uma nuvem de fogo azul o envolveu: Ele acenou para Ambrosio, e desapareceu. O momento de claridade que as chamas lançaram através do calabouço, ao se dissiparem repentinamente, pareceu aumentar sua escuridão natural. O solitário Lampião mal dava luz suficiente para guiar o Monge até uma Cadeira. Ele se jogou nela, dobrando os braços, e apoiando a cabeça na mesa, mergulhou em reflexões perturbadoras e desconexas.
Ele ainda estava nessa postura quando o abrir da porta do calabouço o despertou de seu estupor. Ele foi convocado para comparecer diante do Grande Inquisidor. Ele se levantou, e seguiu seu Carcereiro com passos trêmulos. Ele foi conduzido a uma sala espaçosa, coberta com pano preto. À mesa estavam sentados três homens graves e severos, também vestidos de preto: Um era o Grande Inquisidor, cuja importância neste caso o havia induzido a examiná-lo pessoalmente. Em uma mesa menor, a alguma distância, estava o Secretário, provido de todos os implementos necessários para escrever. Ambrosio foi convidado a avançar, e tomar seu lugar no final da mesa. Ao olhar para baixo, ele percebeu vários instrumentos de ferro espalhados pelo chão. Suas formas eram desconhecidas para ele, mas a apreensão imediatamente adivinhou que eram instrumentos de tortura. Ele ficou pálido, e com dificuldade evitou cair no chão.
Um silêncio profundo prevalecia, exceto quando os Inquisidores sussurravam algumas palavras entre si, misteriosamente. Quase uma hora se passou, e com cada segundo, os medos de Ambrosio se tornavam mais agudos. Por fim, uma porta pequena, oposta àquela por onde ele havia entrado na sala, rangeu pesadamente em seus gonzos. Um Oficial apareceu, e foi imediatamente seguido por a bela Matilda. Seu cabelo estava solto e selvagem ao redor de seu rosto; Suas bochechas estavam pálidas, e seus olhos fundos e encovados. Ela lançou um olhar melancólico para Ambrosio: Ele respondeu com um de aversão e reprovação. Ela foi colocada oposta a ele. Um sino soou três vezes. Era o sinal para abrir o Tribunal, e os Inquisidores começaram seu ofício.
Nesses julgamentos, nem a acusação é mencionada, nem o nome do Acusador. Os Prisioneiros são apenas perguntados se confessam: Se eles respondem que, não tendo cometido nenhum crime, não podem fazer nenhuma confissão, eles são submetidos à tortura sem demora. Isso é repetido em intervalos, até que os suspeitos se declarem culpados, ou a perseverança dos examinadores seja desgastada e esgotada: Mas sem uma confissão direta de sua culpa, a Inquisição nunca pronuncia a sentença final de seus Prisioneiros.
Em geral, muito tempo é deixado passar sem que sejam questionados: Mas o julgamento de Ambrosio havia sido apressado, devido a um solene Auto da Fé que ocorreria em poucos dias, e no qual os Inquisidores pretendiam que esse distinto Culpado desempenhasse um papel, e desse um testemunho impressionante de sua vigilância.
O Abade não foi acusado apenas de estupro e assassinato: O crime de Feitiçaria foi imputado a ele, assim como a Matilda. Ela havia sido presa como cúmplice no assassinato de Antônia. Ao revistar sua Cela, vários livros e instrumentos suspeitos foram encontrados, que justificaram a acusação trazida contra ela. Para incriminar o Monge, o espelho constelado foi produzido, que Matilda havia deixado acidentalmente em seu quarto. As estranhas figuras gravadas nele chamaram a atenção de Don Ramirez, enquanto revistava a Cela do Abade: Em consequência, Ele o levou consigo. Foi mostrado ao Grande Inquisidor, que, após considerá-lo por algum tempo, tirou uma pequena cruz de ouro que pendia em sua cinta, e a colocou sobre o Espelho. Imediatamente um barulho alto, como um trovão, foi ouvido, e o aço se quebrou em mil pedaços. Este incidente confirmou a suspeita do Monge ter se envolvido em Magia: Supôs-se até que sua antiga influência sobre as mentes do Povo era inteiramente atribuída à bruxaria.
Determinados a fazê-lo confessar não apenas os crimes que havia cometido, mas também aqueles de que era inocente, os Inquisidores começaram seu exame. Embora temesse as torturas, como temia a morte ainda mais, que o condenaria a tormentos eternos, o Abade afirmou sua inocência em uma voz ousada e resoluta. Matilda seguiu seu exemplo, mas falou com medo e tremor. Tendo em vão exortado-o a confessar, os Inquisidores ordenaram que o Monge fosse submetido à questão. A ordem foi imediatamente executada. Ambrosio sofreu os mais excruciantess tormentos que a crueldade humana já inventou: Ainda assim, tão terrível é a Morte quando acompanhada de culpa, que Ele teve força suficiente para persistir em sua negação. Suas agonias foram redobradas em consequência: Nem ele foi libertado até desmaiar por excesso de dor, e a insensibilidade o resgatar das mãos de seus Torturadores.
Matilda foi então ordenada à tortura: Mas, aterrorizada pela visão dos sofrimentos do Frade, sua coragem a abandonou totalmente. Ela se ajoelhou, reconheceu sua correspondência com Espíritos Infernais, e que havia testemunhado o assassinato de Antônia pelo Monge: Mas quanto ao crime de Feitiçaria, ela declarou que era a única culpada, e que Ambrosio era perfeitamente inocente. Esta última afirmação não foi creditada. O Abade havia recuperado os sentidos a tempo de ouvir a confissão de sua Cúmplice: Mas Ele estava tão enfraquecido pelo que já havia suportado, que não era capaz, naquele momento, de suportar novos tormentos.
Ele foi mandado de volta para sua Cela, mas primeiro foi informado de que, assim que recuperasse forças suficientes, deveria se preparar para um segundo exame. Os Inquisidores esperavam que ele então fosse menos endurecido e obstinado. A Matilda foi anunciado que ela deveria expiar seu crime no fogo no próximo Auto da Fé. Todas as suas lágrimas e súplicas não conseguiram mitigar sua sentença, e ela foi arrastada à força da Sala.
De volta à sua masmorra, os sofrimentos do corpo de Ambrosio eram muito mais suportáveis do que os de sua mente. Suas articulações deslocadas, os pregos arrancados de suas mãos e pés, e seus dedos esmagados e quebrados pela pressão de parafusos, eram muito inferiores em angústia à agitação de sua alma e à veemência de seus temores. Ele via que, culpado ou inocente, seus Juízes estavam determinados a condená-lo: A lembrança do que sua negação já lhe custara o aterrorizava com a ideia de ser novamente submetido à questão, e ele quase se engajou em confessar seus crimes. Então, novamente, as consequências de sua confissão se apresentavam diante dele, e o tornavam novamente irresoluto. Sua morte seria inevitável, e aquela uma morte das mais terríveis: Ele havia escutado a sentença de Matilda, e não duvidava de que uma semelhante o aguardava. Ele estremeceu ao pensar no próximo Auto da Fé, na ideia de perecer nas chamas, e apenas escapar dos tormentos induráveis para passar para outros mais sutis e eternos! Com aflição, ele voltou sua mente para o espaço além do túmulo; nem podia esconder de si mesmo o quão justo ele deveria temer a vingança do Céu.
Neste labirinto de terrores, ele desejaria ter recorrido à Filosofia em busca de consolo: Mas a Desesperança o impediu de buscar seu auxílio. Ele não podia deixar de sentir a existência de um Deus. Aquelas verdades, outrora seu conforto, agora se apresentavam a ele na luz mais clara; mas elas apenas serviam para levá-lo à loucura. Elas destruíram suas vãs esperanças de escapar ao castigo; e, dissipadas pela irresistível luz da Verdade e da convicção, as ilusões da Filosofia desapareceram como um sonho.
Em angústia quase insuportável para um corpo mortal suportar, ele aguardou o dia de seu segundo exame. Ele se ocupava em planejar esquemas ineficazes para escapar do castigo presente e futuro. Do primeiro, não havia possibilidade; Do segundo, a Desesperança o impedia de buscar o único meio. Enquanto a Razão o forçava a reconhecer a existência de um Deus, a Consciência o fazia duvidar da infinitude de sua bondade. Ele não acreditava que um Pecador como ele pudesse encontrar misericórdia. Ele não havia sido enganado ao erro: A Ignorância não podia fornecer-lhe uma desculpa. Ele havia visto o vício em suas verdadeiras cores; Antes de cometer seus crimes, ele havia calculado cada escrúpulo de seu peso; e, no entanto, ele os havia cometido.
“Perdão?” Ele exclamaria em um acesso de frenesi; “Oh! não pode haver nenhum para mim!”
Persuadido por este pensamento, em vez de se humilhar em penitência, de deplorar sua culpa, e empregar seus poucos momentos restantes em deprecar a ira do Céu, ele se entregou aos transportes de raiva desesperada; Ele lamentou o castigo de seus crimes, não sua comissão; e exalou sua angústia em suspiros vãos, em lamentações vãs, em blasfêmia e desespero. Como os poucos raios de dia que penetravam pelas barras de sua janela de prisão gradualmente desapareciam, e seu lugar era ocupado pela pálida e tremeluz Lâmpada, ele sentia seus terrores redobrarem, e suas ideias se tornavam mais sombrias, mais solenes, mais desoladas. Ele temia a chegada do sono: Assim que seus olhos se fechavam, cansados de lágrimas e vigília, as terríveis visões que sua mente havia concebido durante o dia se realizavam. Ele se via em regiões sulfurosas e cavernas ardentes, cercado por Demônios nomeados seus Tormentores, e que o arrastravam através de uma variedade de tormentos, cada um mais terrível que o anterior. No meio dessas cenas sombrias vagava os Fantasmas de Elvira e sua Filha. Elas o repreendiam por suas mortes, contavam seus crimes aos Demônios, e os exortavam a infligir tormentos de crueldade ainda mais refinada. Tais eram as imagens que flutuavam diante de seus olhos no sono: Elas desapareciam assim que seu repouso era perturbado por excesso de agonia. Então ele se levantava do chão onde se havia estendido, suas testas correndo de suor frio, seus olhos selvagens e frenéticos; e ele apenas trocava a terrível certeza por suposições mal menos suportáveis. Ele caminhava por sua masmorra com passos desordeiros; Ele olhava ao redor com terror para a escuridão que o cercava, e frequentemente exclamava,
“Oh! quão terrível é a noite para o Culpado!”
O dia de seu segundo exame estava próximo. Ele havia sido obrigado a engolir cordiais, cujas virtudes eram calculadas para restaurar sua força corporal, e habilitá-lo a suportar a questão por mais tempo. Na noite que precedia esse dia temido, seus medos para o amanhã o impediam de dormir. Seus terrores eram tão violentos, que quase anulavam suas faculdades mentais. Ele estava sentado como um estupefacto perto da mesa onde sua Lâmpada estava queimando vagamente. A Desesperança acorrentava suas faculdades em idiotismo, e ele permaneceu por algumas horas, incapaz de falar ou mover, ou mesmo de pensar.
“Olhe para cima, Ambrosio!” disse uma Voz em acentos bem conhecidos dele—
O Monge起了se, e ergue seus olhos cansados. Matilda estava diante dele. Ela havia deixado seu hábito religioso. Ela agora estava vestida com uma roupa feminina, ao mesmo tempo elegante e esplêndida: Uma profusão de diamantes brilhava em suas vestes, e seus cabelos eram contidos por uma coroa de rosas. Em sua mão direita Ela segurava um pequeno Livro: Um vivo expressão de prazer brilhava em seu rosto; Mas ainda era misturada com uma majestade selvagem e imperiosa que inspirava o Monge com awe, e reprimia em alguma medida seus transportos ao vê-la.
“Você aqui, Matilda?” Ele exclamou afinal; “Como você ganhou entrada? Onde estão suas Correntes? O que significa esta magnificência, e a alegria que brilha em seus olhos? Têm os seus Juízes se apiedado? Há alguma chance de eu escapar? Responda-me por piedade, e diga-me o que tenho a esperar, ou temer.”
Com um ar de dignidade comandadora, Ela respondeu:
“Ambrosio, eu desafiei a fúria da Inquisição. Eu sou livre: Alguns momentos colocarão reinos entre estes calabouços e eu. Ainda assim, eu compro minha liberdade a um preço caro, a um preço terrível! Você se atreve a pagar o mesmo, Ambrosio? Você se atreve a ultrapassar sem medo os limites que separam os Homens dos Anjos?—Você está em silêncio.—Você me olha com olhos de suspeita e alarme—Eu leio seus pensamentos e confesso sua justiça. Sim, Ambrosio; Eu sacrifiquei tudo por vida e liberdade. Eu não sou mais uma candidata ao céu! Eu renunciei ao serviço de Deus, e me alistei sob as bandeiras de seus Inimigos. O feito é irreparável: No entanto, se estivesse ao meu alcance voltar atrás, eu não o faria. Oh! meu Amigo, expirar em tais tormentos! Morrer em meio a maldições e execrações! Suportar os insultos de uma Multidão exasperada! Ser exposto a todas as mortificações da vergonha e da infâmia! Quem pode refletir sem horror sobre tal destino? Deixe-me então exultar em minha troca. Eu vendi a felicidade distante e incerta pela presente e segura: Eu preservei uma vida que, de outra forma, eu teria perdido em tortura; e obtive o poder de procurar todos os prazeres que podem tornar essa vida deliciosa! Os Espíritos Infernais me obedecem como sua Soberana: Por seu auxílio, meus dias serão passados em todos os requintes de luxo e volúpia. Eu desfrutarei sem restrições a gratificação de meus sentidos: Cada paixão será indulgida, mesmo até a saciedade; Então eu ordenarei a meus Servos que inventem novos prazeres, para reviver e estimular meus apetites glutões! Eu vou, impaciente, para exercer meu recém-ganhado domínio. Eu anseio por estar em liberdade. Nada deveria me deter mais um momento neste abominável lugar, senão a esperança de persuadi-lo a seguir meu exemplo. Ambrosio, eu ainda o amo: Nosso culpa e perigo mútuos o tornaram mais caro para mim do que nunca, e eu gostaria de salvá-lo da destruição iminente. Reúna então sua resolução para ajudá-lo; e renuncie, em benefício de bens imediatos e certos, as esperanças de uma salvação difícil de obter e talvez totalmente errônea. Sacuda o preconceito de almas vulgares; Abandone um Deus que o abandonou, e eleve-se ao nível de Seres superiores!”
Ela parou para esperar a resposta do Monge: Ele estremeceu, enquanto a dava.
“Matilda!” Ele disse após um longo silêncio, em uma voz baixa e instável; “Que preço você deu por sua liberdade?”
Ela respondeu a ele firme e destemida.
“Ambrosio, foi minha Alma!”
“Mulher desgraçada, o que você fez? Passe apenas alguns anos, e quão terríveis serão seus sofrimentos!”
“Fraco Homem, o que você fez? Passe apenas esta noite, e quão terríveis serão os seus! Você se lembra do que já suportou? Amanhã você deve suportar tormentos duplamente exquisiados. Você se lembra dos horrores de um castigo de fogo? Em dois dias você deve ser levado como Vítima para a Fogueira! O que então se tornará de você? Ainda ousa esperar por perdão? Ainda é enganado por visões de salvação? Pense em seus crimes! Pense em sua luxúria, seu perjúrio, sua inumanidade, e sua hipocrisia! Pense no sangue inocente que clama ao Trono de Deus por vingança, e então espere por misericórdia! Então sonhe com o céu, e suspire por mundos de luz, e reinos de paz e prazer! Absurdo! Abra seus olhos, Ambrosio, e seja prudente. O inferno é seu destino; Você está condenado à perdição eterna; Nada além de seu túmulo existe, senão um abismo de chamas devoradoras. E então você se apressará em direção a esse Inferno? Você abraçará essa perdição em seus braços, antes que seja necessário? Você se lançará nessas chamas, enquanto ainda tem o poder de evitá-las? É um ato de um Louco. Não, não, Ambrosio: Por um tempo, fuja da vingança divina. Seja aconselhado por mim; Compre, por um momento de coragem, a felicidade de anos; Desfrute do presente, e esqueça que um futuro se arrasta atrás.”
“Matilda, seus conselhos são perigosos: Eu não posso, eu não vou segui-los. Eu não devo abrir mão de minha reivindicação à salvação. Monstruosos são meus crimes; Mas Deus é misericordioso, e eu não desespero de seu perdão.”
“Isso é sua resolução? Eu não tenho mais nada a dizer. Eu vou para a alegria e a liberdade, e o abandono à morte e aos tormentos eternos.”
“Ainda espere um momento, Matilda! Você comanda os espíritos infernais:
Você pode forçar abertas estas portas