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The Rover Boys on the Farm

by Edward Stratemeyer · in Portuguese

OS ROVER BOYS NA FAZENDA

OU

ÚLTIMOS DIAS EM PUTNAM HALL

POR ARTHUR M. WINFIELD (Edward Stratemeyer)

AUTOR DE THE ROVER BOYS AT SCHOOL, THE ROVER BOYS ON THE OCEAN, THE PUTNAM HALL SERIES, Etc.

ILUSTRADO

NOVA IORQUE GROSSET & DUNLAP EDITORES

Fabricado nos Estados Unidos da América

PREFÁCIO.

MEUS CAROS RAPAZES: Com isto apresento-lhes "Os Rover Boys na Fazenda", o décimo segundo volume da "Série Rover Boys para Jovens Americanos".

É um grande número de volumes para escrever sobre um mesmo grupo de personagens, não é? Quando comecei a série, há muitos anos, tinha em mente, como já lhes disse antes, escrever três livros, possivelmente quatro. Mas assim que escrevi "Os Rover Boys na Escola", "Os Rover Boys no Oceano" e "Os Rover Boys na Selva", houve um apelo por mais, e então escrevi "Os Rover Boys no Oeste", "Nos Grandes Lagos", "Nas Montanhas", "Na Terra e no Mar", "No Acampamento", "No Rio", "Nas Planícies" e, depois, "Nas Águas do Sul", onde deixamos nossos heróis pela última vez.

Na presente história, como prometido no último volume, o cenário volta para a fazenda e para a querida e velha Putnam Hall, com todas as suas agradáveis associações. Como antes, Sam, Tom e Dick estão à frente, juntamente com vários de seus amigos, e há uma série de aventuras, algumas cômicas e outras estranhas e misteriosas. Na escola, as rivalidades são tão intensas quanto sempre, mas os rapazes Rover estão prontos para o desafio e provam seu valor em mais de uma ocasião.

Mais uma vez, agradeço aos meus numerosos leitores por todas as palavras gentis que disseram sobre as minhas histórias. Espero que o presente volume lhes agrade em todos os aspectos.

Afetuosa e sinceramente,

EDWARD STRATEMEYER

CONTEÚDO.

I. ALGO SOBRE OS ROVER BOYS

II. O QUE ACONTECEU NA MONTANHA

III. UMA CAVERNA MISTERIOSA

IV. NA FAZENDA

V. A HISTÓRIA DE RANDOLPH ROVER

VI. À ESPERA DE NOTÍCIAS

VII. UMA CAIXA DE CORREIO ESTRANHA

VIII. ÚLTIMOS DIAS NA FAZENDA

IX. NO SHOW DO VELHO OESTE

X. COLEGAS DE ESCOLA ALEGRES

XI. WILLIAM PHILANDER TUBBS

XII. O QUE ACONTECEU NAS ESCADAS

XIII. DORA, GRACE E NELLIE

XIV. NO ESTABELECIMENTO DE SORVETES

XV. UM PRESENTE SURPREENDENTE

XVI. A CAÇA A UMA COBRA

XVII. UMA CENA AGITADA NA SALA DE AULA

XVIII. ONDE TAD SOBBER DESAPARECE

XIX. O QUE ACONTECEU NA FESTA

XX. DICK E DORA

XXI. UMA CORRIDA DE TRENÓ

XXII. O PASSEIO ESTRANHO DE PELEG SNUGGERS

XXIII. FERIADOS NA FAZENDA

XXIV. UMA CAPTURA E UMA SURPRESA

XXV. NATAL NA FAZENDA

XXVI. A CORRIDA DE PATINS

XXVII. NO LAGO

XXVIII. NA CASA VELHA

XXIX. UM NAUFRÁGIO E UMA CAPTURA

XXX. ADEUS A PUTNAM HALL

OS ROVER BOYS NA FAZENDA

CAPÍTULO I

ALGO SOBRE OS ROVER BOYS

"Sam, este não é o caminho."

"Eu sei, Tom."

"Nós erramos o caminho", continuou Tom Rover, com um olhar sério em seu rosto geralmente alegre.

"Parece que sim", respondeu Sam Rover, seu irmão mais novo. "Acho que fizemos uma curva errada depois que descemos a encosta."

"O que está atrasando o Dick?"

"Não sei."

"Vamos chamá-lo", continuou Tom, e soltou um grito alto, ao qual seu irmão se juntou. A dupla ouviu atentamente, mas nenhuma resposta veio.

"Não gosto disso", disse Sam, com um olhar ansioso em seus olhos claros. "Talvez o Dick esteja em apuros."

"Talvez sim", respondeu Tom Rover.

Os dois rapazes estavam bem alto na encosta de uma montanha, e ao redor deles havia árvores altas, arbustos densos e imensas cristas de rochas. Tinha sido um dia claro e ensolarado, mas agora o céu estava nublado e parecia que ia chover.

"Temos que voltar pelo Dick", disse Tom, após uma pausa dolorosa. "Não adianta seguir sem ele."

"Espero que ele não tenha caído de algum penhasco e se machucado", retrucou seu irmão mais novo.

"Não entendo por que ele não nos responde, se está tudo bem", foi a resposta insatisfatória. "Vamos, ou a tempestade nos alcançará antes de descermos da montanha e estaremos encharcados quando chegarmos em casa."

Lado a lado, os irmãos refizeram seus passos — uma tarefa difícil, pois é muito mais fácil descer uma encosta íngreme do que subir.

Para aqueles que leram os volumes anteriores desta "Série Rover Boys", os dois irmãos recém-mencionados não precisarão de introdução especial. Os rapazes Rover eram três, sendo Dick o mais velho, o divertido Tom o seguinte, e Sam vindo por último. Todos eram rapazes brilhantes, animados, modernos, honestos e viris até a medula. Eles viviam em uma fazenda chamada Valley Brook, no estado de Nova Iorque — um local lindo de propriedade de seu tio, Randolph Rover, e sua esposa, Martha. O pai deles, Anderson Rover, também morava na fazenda quando estava em casa, mas ele passava muito tempo fora a negócios.

Da fazenda, os rapazes tinham sido enviados, alguns anos antes, para Putnam Hall, um lugar ideal de aprendizado, sobre o qual aprenderemos mais à medida que nossa história prosseguir. O que os rapazes fizeram lá ao chegar já foi relatado em "Os Rover Boys na Escola", o primeiro volume desta série.

Um curto período em Putnam Hall foi seguido por uma viagem no oceano e, depois, uma longa jornada até as selvas da África, em busca de Anderson Rover, que havia desaparecido. Então veio um grande passeio pelo oeste, e outro passeio pelos grandes lagos, seguido por algumas aventuras emocionantes nas montanhas do estado de Nova Iorque.

Vindo das montanhas, os três jovens esperavam voltar para Putnam Hall imediatamente, mas o destino ordenou o contrário e eles naufragaram no Oceano Pacífico, como relatado em "Os Rover Boys na Terra e no Mar". Eles tiveram uma tarefa difícil para conseguir voltar para casa, e então retornaram à escola e tiveram momentos esplêndidos enquanto estavam acampados com os outros cadetes.

Quando as férias estavam mais uma vez próximas, os rapazes logo resolveram o problema do que fazer. Seu tio Randolph tinha ficado com uma casa flutuante por causa de uma dívida. A embarcação estava localizada no Rio Ohio, e decidiu-se fazer uma viagem pelo Mississippi.

"Vai ser a melhor de todas!" declarou Tom, e eles começaram com muito entusiasmo, levando consigo "Songbird" Powell, um colega de escola viciado em fazer versos tolos que chamava de poesia, Fred Garrison, um rapaz corajoso que esteve ao lado deles em todas as situações, e Hans Mueller, um jovem alemão que ainda lutava com os mistérios da língua inglesa. Com os rapazes foi uma velha amiga, a Sra. Stanhope, e sua irmã, a Sra. Laning. Com a Sra. Stanhope estava sua única filha, Dora, a quem Dick Rover considerava a garota mais doce do mundo inteiro, e a Sra. Laning levava suas duas filhas, Grace e Nellie, amigas especiais de Sam e Dick.

A viagem na casa flutuante provou ser longa e cheia de acontecimentos, e durante esse tempo os rapazes e sua companhia encontraram Dan Baxter, Lew Flapp e vários outros inimigos. No Mississippi, a embarcação foi danificada e, enquanto era reparada, o grupo fez uma viagem para o interior, como relatado em "Os Rover Boys nas Planícies". Depois, a casa flutuante foi roubada, e o que isso levou foi relatado em detalhes em "Os Rover Boys nas Águas do Sul". Nesse volume, eles prestaram contas a vários dos canalhas que os haviam incomodado, e fizeram com que Dan Baxter se sentisse tão envergonhado de si mesmo que o valentão decidiu se reformar.

Exaustos da longa viagem, os rapazes Rover ficaram felizes em voltar para casa. Por quase uma semana, seus amigos permaneceram com eles na fazenda Valley Brook e depois partiram; os Stanhopes e Lanings para suas casas e Fred, Hans e Songbird para Putnam Hall.

"É claro que vocês vão voltar para o Hall?" Fred dissera ao partir.

"Voltar?" tinha sido a resposta de Tom. "Ora, vocês não conseguiriam nos manter longe nem com uma metralhadora!"

"Com certeza voltaremos", respondeu Dick Rover.

"E teremos os melhores momentos de todos", acrescentou Sam. "Estou realmente ansioso para ver a querida velha escola novamente."

"E o Capitão Putnam, e todos os outros", continuou Tom.

"E nos divertirmos um pouco, hein, Tom?" e Sam cutucou seu irmão divertido nas costelas.

"Bem, quando voltarmos, teremos que estudar um pouco", Dick tinha intervindo. "Vocês sabem o que o papai disse ontem?"

"Não, o quê?" disseram seus irmãos simultaneamente.

"Ele disse que estamos ficando velhos demais para ir para Putnam Hall — que deveríamos estar pensando em ir para a faculdade ou começar a trabalhar."

"Hum!" murmurou Tom, e ele ficou subitamente pensativo.

"Eu sei por que ele disse isso", disse Sam, com uma piscadela para seu irmão mais velho. "Ele sabe como o Dick é apaixonado pela Dora, e----"

"Ei! Pare com isso!" gritou Dick, seu rosto ficando vermelho. "Não foi nada disso. Estamos ficando bem velhos para Putnam Hall, e vocês sabem disso."

"Parece que eu nunca gostaria de deixar a querida velha escola", murmurou Tom. "Ora, é como um segundo lar para nós. Pense em todos os momentos alegres que tivemos lá — e na multidão de amigos que fizemos."

"E os inimigos", acrescentou Sam. "Não se esqueça deles, ou eles podem se sentir desprezados."

"Dan Baxter era nosso pior inimigo naquela escola, e ele vai se reformar, Sam."

"Talvez. Não ficarei convencido disso até ver realmente", respondeu o Rover mais novo.

"A propósito, recebi um postal do Dan hoje", disse Dick. "Ele está na Filadélfia e trabalhando para um fabricante de tapetes."

"Bem, se ele começou a trabalhar, isso é um bom sinal", disse Tom.

Ao chegarem na fazenda, os rapazes tinham sido recebidos por seu pai, mas agora Anderson Rover tinha ido embora em uma viagem de negócios que duraria vários dias. Como de costume, ele deixou os rapazes aos cuidados de seu irmão e da tia deles.

"Agora, descansem um pouco", foi o conselho do Sr. Rover ao partir. "Descansem o máximo que puderem e, quando voltarem para a escola, se sentirão brilhantes como um dólar."

"Prata ou papel, papai?" perguntou Tom, travesso.

"Ora, Tom----"

"Ah, eu sei o que quer dizer, papai, e ficarei quieto como uma mula com um saco de areia amarrado ao rabo", respondeu o filho divertido.

O dia após a partida de Anderson Rover da fazenda foi calmo o suficiente, mas na manhã seguinte o tio dos rapazes recebeu uma carta que parecia preocupá-lo um pouco.

"Devo tratar deste assunto sem demora", disse Randolph Rover à sua esposa.

"O que há de errado, Randolph?"

"Não acho que possa explicar a você, Martha. É sobre aqueles títulos da companhia de tração que comprei há alguns meses."

"Aqueles pelos quais você pagou dez mil dólares?"

"Sim."

"O que há com eles?"

"Como eu disse antes, não posso explicar — é um assunto bastante complicado."

"Eles são seus, não são, Randolph?"

"Ah, sim. Mas----"

"Eles não valem o que você pagou por eles?"

"Espero que sim."

"Você não pode descobrir e ter certeza?"

"É isso que vou fazer", respondeu Randolph Rover, e deu um suspiro profundo. Como meus antigos leitores sabem, ele era um indivíduo muito reservado, dedicado à pesquisa científica, especialmente no que diz respeito à agricultura, e sabia pouco sobre negócios.

"Se você foi enganado de alguma forma, deve ir atrás dos homens que lhe venderam os títulos", disse a Sra. Rover. "Não podemos nos dar ao luxo de perder tanto dinheiro."

"Não acredito que fui enganado — pelo menos, se fui, acho que a parte que me vendeu os títulos vai compensar, Martha. Saberei tudo sobre isso amanhã", respondeu Randolph Rover, e ali a conversa terminou.

CAPÍTULO II

O QUE ACONTECEU NA MONTANHA

Foi no dia em que Randolph Rover deveria ir à cidade de Carwell, a quinze milhas de distância, para ver sobre os títulos, que os três rapazes Rover planejaram um passeio de um dia.

"Vamos ao topo da Montanha Chase", sugeriu Sam. "Não vou lá há três anos."

"Apoio a sugestão", respondeu Tom. "Podemos levar um lanche e passar o dia", e assim foi combinado.

A Montanha Chase ficava a cerca de três milhas de distância, do outro lado das Cataratas Humpback, onde Sam uma vez teve uma aventura tão emocionante, como contado em detalhes em "Os Rover Boys na Escola". Era uma elevação irregular, e do topo podia-se ter uma vista da região por muitas milhas ao redor.

O dia parecia perfeito quando os três jovens começaram, e quando chegaram ao topo da montanha, desfrutaram do vasto panorama diante deles. Eles também desfrutaram do lanche substancial que sua tia Martha havia preparado, e comeram até que Tom estivesse pronto para "estourar os botões", como ele mesmo dizia.

"Vamos tentar um caminho novo para descer", disse Sam, quando chegou a hora de ir para casa, e ele e Tom lideraram o caminho, sobre uma série de cristas rochosas e penhascos que não eram nada fáceis de atravessar. Em alguns lugares, eles tiveram que descer três ou quatro metros, e uma vez Tom aterrissou sobre seu tornozelo de uma maneira que o fez gritar de dor.

"Cuidado com você mesmo", avisou Dick. "Se você torcer um tornozelo aqui em cima, teremos um trabalho para levá-lo para casa."

"Nada de tornozelo torcido para mim, obrigado", respondeu Tom. E ele foi mais cuidadoso depois disso.

À medida que Dick seguia seus irmãos, ele viu algo peculiar em um lado do caminho que estava seguindo. Parecia ser uma lancheira de metal suspensa em um galho de árvore por um pedaço de arame. A caixa estava pintada de vermelho e parecia ser nova.

"Isso é estranho", disse o rapaz Rover mais velho para si mesmo. "Quem deixaria algo assim naquela posição? Terei que investigar."

Sem contar a Sam e Tom o que ia fazer, Dick deixou o caminho e mergulhou nos arbustos que cresciam entre ele e a árvore da qual a caixa de metal estava suspensa. Entre os arbustos, o terreno era incerto, e mal tinha dado uma dúzia de passos quando sentiu-se afundar.

"Ei! Isso não vai dar!" gritou ele em alarme, e então mergulhou em um grande buraco, com alguns arbustos, musgo e folhas mortas caindo sobre ele.

Enquanto isso, Sam e Tom tinham seguido em frente. Chegando onde o caminho parecia se dividir, eles viraram à direita, apenas para descobrir, cinco minutos depois, que tinham cometido um erro.

"Onde no mundo pode estar o Dick?" murmurou Sam, depois que ele e seu irmão chamaram novamente. "Achei que ele estivesse logo atrás de nós."

"Eu também, Sam. É muito estranho o que aconteceu com ele. Se ele caiu de um penhasco----" Tom não terminou, mas deu um suspiro profundo.

Com o coração ansioso, os dois rapazes tentaram refazer seus passos pela encosta da montanha. Eles tiveram que subir um dos penhascos e, assim que conseguiram, começou a chover.

"Mais má sorte", resmungou Sam. "Se isso continuar, logo estaremos encharcados."

"Spit, spat, spo! Por onde foi aquele caminho da montanha!" gritou Tom, repetindo um verso frequentemente usado por crianças. "Dick! Dick!" ele gritou, com toda a força de seus pulmões. Então Sam juntou-se ao chamado mais uma vez. Mas, como antes, não houve resposta.

Deve-se confessar que os dois rapazes Rover estavam agora completamente alarmados. Como eles tinham subido a encosta da montanha, sabiam que deveriam estar perto do local onde viram Dick pela última vez. O que teria acontecido com seu irmão mais velho?

"Tom, você acha que ele poderia ter caído de algum penhasco e rolado até o fundo da montanha?" questionou Sam, ansiosamente.

"Como ele poderia rolar até o fundo com as árvores tão densas? Ele teria muitas chances de agarrar uma delas."

"Não se ele tivesse ficado inconsciente."

"Bem, onde ele pode estar?"

"Não sei."

Agora chovia constantemente e, para se proteger, os dois rapazes puxaram seus bonés bem para baixo sobre as cabeças e levantaram as golas de seus casacos. Eles pararam sob os galhos largos de uma árvore de cicuta.

"Isso supera tudo, é o que acontece", declarou Tom. "Talvez a terra tenha se aberto e o engolido!"

"Tom, isso não é brincadeira."

"E eu não estou brincando, Sam. Eu não consigo entender de jeito nenhum."

"É aquele o caminho ali?" continuou o Rover mais novo, apontando para um local além do lado oposto da árvore de cicuta.

"Parece um pouco", foi a resposta de Tom. "Podemos muito bem ir lá e ter certeza."

Saindo do abrigo da árvore, eles fizeram seu caminho através dos arbustos, que agora começavam a pingar por causa da chuva. À medida que progrediam, Sam empurrou um grande galho para longe de si e deixou que ele voltasse de repente, atingindo Tom bem na cara.

"Wow!" cuspiu o divertido Rover, enquanto cambaleava para trás. "Ei! Sam, você acha que eu preciso de um banho de chuveiro? Já estou molhado o suficiente." E Tom começou a limpar a água de seu rosto.

"Eu não quis deixar escapar", respondeu Sam. "Mas diga----"

O que Sam ia dizer mais nunca saberá, pois naquele momento ele sentiu-se escorregando para dentro de algum tipo de buraco. Ele tentou pular para trás, agarrou as pernas de Tom, e no instante seguinte ambos rolaram e dispararam para baixo, para fora da luz do dia e na escuridão total.

Eles foram pegos tão completamente de surpresa que nenhum disse uma palavra. Rolaram repetidamente, com uma chuva de terra, gravetos e folhas mortas caindo atrás deles. Então, aterrissaram em uma grande pilha de folhas apodrecidas e ficaram lá, com o fôlego quase nulo.

"O que--o que--onde estamos?" ofegou Sam, quando se sentiu capaz de falar.

"Diga, isso é uma nova escorregadeira?" perguntou Tom, que estava determinado a se divertir não importasse o que acontecesse.

"Você está machucado?"

"Acho que não, mas acho que meu fígado virou umas dez vezes. E você?"

"Apenas chacoalhado, só isso", respondeu Sam, após se levantar. "Diga, nós descemos rápido, não descemos?"

"Sim, e sem passagem de volta também." Tom olhou para cima. "Graças! O topo deste buraco está a uns quinze metros! Temos sorte de não termos quebrado o pescoço!"

"Agora que estamos aqui embaixo, a questão é, como saímos, Tom?"

"Não me faça charadas."

"Temos que sair de alguma forma."

"A menos que queiramos ficar aqui e economizar as despesas de um lote no cemitério."

"Tom!"

"Ah, eu sei que não é brincadeira, Sam. Mas o que há para fazer? Aqui há um buraco de pelo menos quinze metros de profundidade e as paredes são quase perpendiculares. Você acha que podemos subir? Tenho medo de que, se tentarmos, terminaremos quebrando o pescoço."

"Certamente é íngreme", respondeu o irmão mais novo, olhando para cima. "Diga!" ele acrescentou, de repente, "você acha que o Dick caiu em algum buraco como este?"

"Talvez; onde há um buraco, pode haver mais. Se ele caiu, esperemos que não tenha se matado."

Da melhor maneira que puderam, os dois rapazes olharam ao redor. O buraco era irregular em sua forma, mas tinha cerca de quatro metros e meio de diâmetro. Um lado era de rochas brutas e o outro de terra e raízes de árvores. No topo, os arbustos traiçoeiros cobriam todos os lados da abertura, ocultando parcialmente o poço aberto abaixo.

"A chuva está entrando bem forte", foi o comentário de Sam, pouco depois. "Eu me pergunto se há algum perigo deste buraco encher de água."

"Não acho, mas se encher, podemos nadar para fora."

"Ou nos afogar."

"Agora, quem está ficando triste?" perguntou Tom.

Para ficar fora do pior da chuva, Sam encostou em um dos lados do buraco. Ele sentiu ceder sob seu peso e, antes que pudesse se salvar, caiu em outro buraco, e Tom veio atrás dele.

Os rapazes ficaram assustados e ambos gritaram fortemente. Eles não caíram muito, no entanto — na verdade, eles rolaram mais, pois a segunda abertura estava em uma inclinação de quarenta e cinco graus. Eles bateram contra algo macio, mas desta vez não era uma margem de folhas apodrecidas.

"Sam! E Tom!"

"Dick!"

"De onde vocês vieram?"

"Como chegaram aqui?"

"Vocês estão machucados?"

"Não, e você?"

"Não."

Essas foram algumas das perguntas feitas e respondidas enquanto os três irmãos Rover encaravam uns aos outros. Outras perguntas seguiram-se rapidamente, e Dick contou como começara a buscar a caixa de lata e como descera de forma tão inesperada.

— Vocês precisam ter cuidado — advertiu ele. — Esta encosta da montanha está cheia de buracos e armadilhas. Eu desci por um buraco e então fui arremessado direto para outro.

— E nós fizemos a mesma coisa! — exclamou Tom. — Graças aos céus, nenhum de nós quebrou ossos!

— Vocês não nos ouviram chamar? — perguntou o mais jovem dos Rover.

— Achei que tinha ouvido algo, mas não tive certeza. Eu respondi.

— Nós não ouvimos você — respondeu Tom.

Dick tentara sair do buraco no qual caíra, mas sem sucesso. Agora, as paredes estavam ficando escorregadias por causa da chuva, tornando a subida mais difícil do que nunca.

— Estamos em apuros — suspirou Sam.

— Ora, temos que sair daqui de algum jeito — respondeu seu irmão mais velho. — Não podemos ficar aqui para sempre.

A abertura era quase quadrada, com três lados de rocha bruta. Ao tentar escalar algumas das pedras, Tom empurrou uma delas, que deslizou para fora da vista, revelando uma abertura adiante.

— Olá! Outro buraco! — gritou o rapaz, saltando para trás, consternado. — Ora, a velha montanha é praticamente repleta deles.

— Eu nunca estive neste lado da montanha antes — disse Dick. — Costumavam contar histórias estranhas sobre este lado.

— Não diziam que algumas partes eram assombradas? — perguntou Sam.

— Sim, e diziam que, anos atrás, muitos viajantes que passavam por aqui desapareciam.

— Bem, por que não desapareceriam, com tantos buracos por perto? — veio de Tom. — Se sairmos vivos, seremos sortudos.

Com muito cuidado, eles se puseram de mãos e joelhos e examinaram a abertura além das rochas.

— Acredito que seja uma caverna grande — anunciou Dick alguns minutos depois. — E se for, estou bem inclinado a dar uma olhada lá dentro. Talvez ela leve a alguma abertura na encosta da montanha por onde possamos sair.

CAPÍTULO III

UMA CAVERNA MISTERIOSA

A princípio, Sam e Tom opuseram-se a entrar na caverna, que parecia escura e proibitiva. Mas Dick insistiu que seguiria em frente, e, para não serem deixados para trás, eles o acompanharam.

— Acenderemos algum tipo de tocha — disse o mais velho dos Rover. — Têm fósforos?

— Sim, trouxe um bolso cheio — respondeu Sam. — Não sabia se iríamos querer fazer uma fogueira hoje ao meio-dia.

— Vamos querer uma agora, para secar nossas roupas — disse Tom. — Vamos pegar os gravetos mais secos.

Eles fizeram isso e, tendo entrado na caverna, fizeram uma fogueira de bom tamanho. Isso enviou um brilho avermelhado ao redor da caverna e, conforme os rapazes se moviam, sombras fantásticas dançavam nas paredes rochosas, aumentando a estranheza da cena.

Da fogueira, cada um dos jovens muniu-se de uma tocha e, assim equipados, moveram-se pela caverna com cuidado, tomando precauções para não cair em mais buracos. Logo encontraram a abertura na encosta da montanha, longa e estreita, descendo em declive.

— Não queremos nos perder — advertiu Sam.

— Ora, sempre podemos voltar para a fogueira — respondeu Dick.

— A menos que ela se apague para nós.

— Ela não vai se consumir por uma hora, tomei cuidado com isso antes de sairmos.

À medida que os rapazes avançavam pela caverna, encontraram uma pilha de ossos. Dick examinou-os cuidadosamente.

— Esqueletos? — indagou Sam, com a voz tremendo levemente.

— Sim, de cordeiros e porcos — foi a resposta seca. — Alguém transformou isto em um ponto de encontro e tem vivido do bom e do melhor.

— Talvez isso explique as perdas de Jerry Burden — sugeriu Tom. — Ele disse que perdeu um cordeiro na primavera passada e dois porcos.

— Sim, e o velho Richard Feltham perdeu um porco e algumas galinhas — acrescentou Dick. — Talvez este tenha sido um esconderijo de vagabundos.

— Você acha que eles ainda estão aqui? — questionou Sam. — Não queremos ter problemas.

— Tenho certeza de que não sei, Sam. Mas isto prova uma coisa.

— Que podemos sair da caverna?

— Exatamente. Veja, aqui está um casaco velho e um par de sapatos velhos. Alguém tem o hábito de vir aqui, e não tinha o hábito de entrar pelo caminho que usamos.

Eles seguiram em frente e logo chegaram a uma abertura maior. Aqui encontraram um pedaço de arreio velho e, mais adiante, onde o solo era macio, marcas de rodas de carroça.

— Alguém tem o hábito de dirigir bem até aqui! — exclamou Tom. — Com certeza vamos sair! — e seu rosto mostrava seu alívio.

— Escutem! O que é isso? — gritou Sam, recuando quando um estrondo estranho foi ouvido. — É um terremoto ou um deslizamento de terra?

— É trovão, só isso — disse Dick, um minuto depois, enquanto escutavam.

— Com certeza, a tempestade estava sobre nós quando caímos no primeiro buraco — respondeu o mais jovem dos Rover.

— Talvez possamos ficar contentes por estarmos sob abrigo, se a tempestade for ser forte — veio de Tom. — Mas vamos lá, quero ver a luz do dia novamente.

Ele avançou e então soltou um grito de espanto.

— Olhem!

Seus irmãos o fizeram. De um lado da caverna estavam empilhadas trinta ou quarenta caixas de mercadorias. A maioria delas estava vazia, mas três, endereçadas a um tal Jackson Dwight, em Carwell, estavam cheias e pregadas.

— Ora, vejam só! — murmurou Sam. — Dick...

— Os ladrões de carga! — exclamou o mais velho dos Rover. — Vocês não se lembram do que estava no jornal antes de irmos para o sul, e do que estava lá de novo apenas ontem? Eles têm desaparecido com cargas de Carwell, Boxton e meia dúzia de outras estações há mais de um ano. Os ladrões devem ter trazido seus pertences para cá, retirado parte do conteúdo das caixas e levado embora novamente.

— Certamente parece ser isso — respondeu Tom. — Restam apenas três caixas cheias. Será quando estas foram levadas?

— Provavelmente há pouco tempo — disse Dick. — As caixas parecem novas.

— Você acha que algum dos ladrões de carga está por perto? Se estiverem, queremos ficar fora do caminho deles, caso sejam personagens desesperados.

Eles seguiram em frente, e então Dick pediu uma parada repentina.

— Posso ver a luz do dia à frente — disse ele. — E alguém está se movendo por lá. Vamos apagar as tochas.

Sua sugestão foi rapidamente seguida, e os três irmãos Rover avançaram com cautela. Em sua extremidade externa, a caverna tornava-se mais larga, enquanto o teto tinha apenas cerca de três metros de altura.

— Olá, aqui está outra surpresa — sussurrou Dick, ao se aproximarem da abertura. — Olhem para aquilo!

Ele apontou para um lado da caverna e lá os outros viram um automóvel tipo runabout parado e, no banco, dois homens vestidos para uma viagem. Eles falavam com um terceiro homem, que estava recostado em uma roda dianteira, fumando um cachimbo de raiz de urze.

— Talvez eles sejam os ladrões de carga — sussurrou Tom. — Vamos sair de vista e ouvir o que eles têm a dizer.

Foi fácil manter-se fora de vista, pois as paredes da caverna eram muito irregulares naquele ponto. Eles se esconderam atrás de uma saliência e, rastejando por uma borda rochosa, conseguiram chegar a um ponto acima e ao lado do runabout, a não mais de quatro metros de distância.

— Então você não ia parar aqui, Merrick? — perguntou o homem encostado na roda.

— Não agora, Dangler — foi a resposta do homem com o cachimbo. — A tempestade nos levou para cá.

— Quando você espera encontrar esse Randolph Rover?

— Muito em breve.

— Ele deve ser fácil, é tão simplório.

— Ora, acho que podemos manipulá-lo perfeitamente — acrescentou o terceiro homem, que era alto e de bochechas finas.

— Bem, se o fizerem, não se esqueçam de que recebo minha parte, Pike — disse o homem chamado Dangler.

— Você não recebeu sempre sua parte? — exigiu Pike.

— Suponho que sim.

— E nós não lhe demos a informação sempre que alguma carga valiosa vinha por este caminho? — acrescentou o homem chamado Merrick.

— Sim, e recebi minha parte total dos lucros enquanto eu corria o risco — rosnou Dangler. — Está ficando perigoso, vou desistir depois da próxima grande carga — continuou o homem do cachimbo.

— Tudo bem, como desejar — respondeu Merrick. — Gostaria que esta tempestade passasse. A estrada vai ser terrível para nosso runabout.

— E ruim para minha carroça — rosnou Dangler em resposta.

Os rapazes ouviram a conversa com profundo interesse. A referência ao seu tio os surpreendeu, e eles se perguntaram o que os dois homens no runabout pretendiam fazer. Pela conversa, era evidente que pretendiam realizar algo ilegal.

— Eles vão pregar alguma peça no tio Randolph — sussurrou Sam. — Devemos ir para casa e avisá-lo.

— O que deveríamos fazer é mandar prender todo o bando — respondeu Tom. — Estão todos envolvidos no roubo de carga.

— É isso mesmo — disse Dick. — A questão é: como podemos fazer isso? Não somos páreo para esses três homens, e é muito provável que estejam armados.

Depois disso, os três homens conversaram em um tom tão baixo que os rapazes não conseguiram ouvir um quarto do que foi dito. Mas aprenderam o suficiente para saber que Merrick e Pike iriam encontrar seu tio e traí-lo de alguma forma, e ouviram as palavras "títulos de tração" e "cupons" várias vezes.

— O tio Randolph tinha dez mil dólares em títulos de uma companhia de tração — disse Dick. — Ele os comprou há pouco tempo. Eles pagam cinco e meio por cento de juros e ele os considerava um investimento de primeira classe.

— Ora, teremos que avisá-lo — disse Sam. — Ele é tão de bom coração que confiaria em quase qualquer um.

Merrick havia descido do runabout e saído da caverna. Agora ele voltou, disse algo aos outros e ligou o automóvel. No momento seguinte, ele tinha virado a máquina. Então, ela saiu da caverna e desceu por uma estrada razoavelmente boa em direção a Carwell. O homem chamado Dangler seguiu o runabout até a estrada e observou-o desaparecer em uma curva margeada por árvores. A tempestade agora estava indo para o oeste e a chuva havia cessado.

— Eles se foram! — gritou Tom. — Para onde?

— Talvez para nossa fazenda, para ver o tio Randolph — respondeu Sam. — Devemos segui-los o mais rápido que pudermos.

— Acho melhor capturarmos o sujeito que ficou para trás — disse Dick. — Devemos ser capazes de fazê-lo.

— É isso aí — disse Tom. — Com certeza podemos, sendo três contra um.

Dangler observou o runabout e então olhou para cima e para baixo na montanha por vários minutos. Então, de repente, começou a seguir em uma direção oposta à tomada pela máquina.

— Ele está indo embora! — gritou Sam.

— Vamos atrás dele! — chamou seu irmão mais velho, e correu para fora da caverna com os outros em seu encalço. Assim que ele fez isso, Dangler olhou para trás e os viu.

— Ei, vocês! — gritou ele, consternado.

— Pare! — gritou Dick. — Queremos você.

Diante dessa ordem, Dangler ficou mais surpreso do que nunca. Mas, de repente, pareceu perceber algo do que havia acontecido e começou a correr.

— Pare! — gritaram Tom e Sam, mas, diante disso, o homem apenas correu mais rápido.

— Vamos, temos que pegar aquele patife! — exclamou Dick, e começou a correr. Os outros seguiram o mais rápido que puderam, e uma perseguição rápida pela estrada da montanha se seguiu. Mas, se os rapazes podiam correr, o ladrão de carga também podia, e ele fez o melhor uso possível de suas pernas até chegar a uma trilha lateral. Então, ele entrou nela, e quando os irmãos Rover chegaram, ele havia desaparecido.

— Onde ele está? — ofegou Sam.

— Ele pegou este caminho, mas não está à vista — respondeu Dick. Ele mesmo estava quase sem fôlego.

— Vamos, ele deve estar em algum lugar por aqui — interveio Tom, e correu pela trilha por várias centenas de metros. Então, ele tropeçou em um tronco caído e caiu de cabeça nos arbustos e na grama molhada. Ele se levantou parecendo exausto e irritado.

— Nós o perdemos — anunciou Dick, de forma bastante lúgubre. — É uma pena, também. Ele merece ser preso.

— Acho melhor irmos para casa e avisar o tio Randolph — respondeu Sam. — Se não o fizermos, não se sabe o que aquele sujeito Merrick e aquele Pike podem fazer.

CAPÍTULO IV

NA FAZENDA

Os outros consideraram o conselho de Sam bom e, após mais uma busca por Dangler, viraram na direção de casa. Estavam a uns bons cinco quilômetros da fazenda e precisavam atravessar o rio acima das quedas d'água, acrescentando assim mais um quilômetro à jornada. Estava úmido e lamacento, e eles não haviam percorrido nem dois quilômetros quando Tom pediu uma parada.

— Estou exausto — anunciou ele. — Será que não podemos alugar uma charrete na próxima fazenda?

— Podemos tentar, de qualquer forma — respondeu Dick.

Logo após atravessar o rio, chegaram a uma pequena fazenda e contornaram até a cozinha, onde viram uma velha descascando ervilhas.

— Não podemos deixar vocês pegarem nenhuma carruagem — disse ela. — Os homens foram para a cidade e levaram os cavalos.

Os rapazes estavam prestes a sair quando Dick pensou em algo.

— A propósito, a senhora conhece um homem chamado Dangler? — perguntou ele.

— Claro que conheço — foi a resposta.

— Ele mora por aqui?

— Acho que ele mora onde bem entende. É um solteirão e vem e vai como quer. Ele costumava ter uma casa lá embaixo na estrada, mas pegou fogo no inverno passado.

— Então a senhora não tem ideia de onde ele está ficando agora?

— Não.

— A senhora conhece um homem chamado Merrick e outro homem chamado Pike? — continuou o mais velho dos irmãos Rover.

Diante disso, a velha balançou a cabeça.

— Nunca ouvi falar deles — disse ela.

— Esse Dangler tem parentes por aqui? — perguntou Tom.

— Nenhum que eu saiba.

— A senhora sabe que tipo de homem ele é? — perguntou Sam.

— Nunca falo sobre meus vizinhos — respondeu a velha, comprimindo seus lábios finos e continuando a descascar ervilhas.

Sentindo que seria inútil fazer mais perguntas, os três rapazes seguiram cansados para a próxima fazenda. Esta pertencia a um alemão gordo chamado Gus Schmidt, que conhecia os Rovers razoavelmente bem.

— Yah, eu deixo vocês pegarem uma carruagem — disse Gus Schmidt. — Mas vocês devem trazê-la de volta amanhã, hey?

— Nós traremos — respondeu Dick.

— Eu ouvi algumas histórias muito boas sobre vocês rapazes Rofer — continuou o Sr. Schmidt, enquanto atrelava seu cavalo. — Vocês estavam no Rifer Mississippi, hey?

— Estávamos — respondeu Sam. — E vocês foram lá para as planícies e pegaram alguns falsificadores, hey?

— Sim, tivemos algo a ver com isso — veio de Tom.

— E depois vocês foram pelo Golfo do México e encontraram um barco a vapor que não tinha ninguém nele — continuou Gus Schmidt. — Ach, é maravilhoso o que acontece com alguém, não é?

— O senhor nunca teve nada acontecendo com o senhor, Sr. Schmidt? — perguntou Sam.

— Só uma vez, e isso foi o bastante. Eu estive em Nova York, e os rapazes me chamaram de nomes. Então eu corri atrás deles, e eles foram perto de um porão cheio de água. Eu corri sobre uma tábua, e os rapazes viraram aquela tábua...

— E o senhor caiu na água — completou Tom.

— Nem um pouco! Eu pulei de volta para a calçada — respondeu Gus Schmidt, e então riu alegremente de sua pequena piada.

Os três irmãos Rover logo estavam na carruagem a caminho da fazenda. O cavalo que lhes fora emprestado era um animal veloz e eles fizeram um bom tempo, apesar da lama da estrada. A breve tempestade fora severa e, em um ponto, o leito da estrada estava consideravelmente erodido.

Os rapazes levaram a carruagem para o celeiro e a deixaram aos cuidados de Jack Ness, o homem de todos os serviços. Então, apressaram-se para a casa.

— Ah, rapazes, estou tão feliz que vocês voltaram! — exclamou a Sra. Rover ao vê-los. — Suponho que estejam encharcados. É melhor secarem suas roupas imediatamente, ou trocá-las, e eu vou buscar um chá quente para vocês beberem.

— Estamos bem, Tia Martha — respondeu Dick. — Estávamos sob abrigo durante o pior da tempestade. O tio Randolph está por perto?

— Não, ele foi a Carwell a negócios. Estou preocupada com ele, pois temo que tenha sido pego pela tempestade, já que foi de charrete.

— Por que ele foi? — questionou Tom, rapidamente.

— Oh, era um assunto particular.

— Sobre alguns títulos de companhias de tração? — perguntou Sam, que não conseguiu conter sua curiosidade.

— Sim. Mas como vocês sabem disso? — exigiu sua tia, espantada.

— Descobrimos algo hoje, tia — disse Dick. — É um negócio estranho. A senhora sabe para onde o tio Randolph ia?

— Você quer dizer em Carwell?

— Sim.

— Acho que para o hotel.

— Hum — ponderou o mais velho dos irmãos Rover. — Será que consigo falar com ele pelo telefone? — Pois uma linha telefônica havia sido instalada de Oak Run até a fazenda.

— Por que, Dick, há algo errado? — exigiu a Sra. Rover, empalidecendo.

— Espero que não, Tia Martha. Logo saberemos. Não se preocupe, por favor.

— Seu tio estava muito perturbado quando saiu.

— Vou tentar telefonar para ele imediatamente — disse Dick.

O telefone ficava no patamar da escada, onde a campainha podia ser facilmente ouvida lá em cima e lá embaixo, e Dick não perdeu tempo em tirar o fone do gancho e chamar a central em Oak Run.

— Quero falar com o hotel em Carwell — disse ele à telefonista. — É o 685 W — acrescentou.

— Não posso lhe dar Carwell — foi a resposta.

— Por que não?

— O relâmpago atingiu alguns de nossos postes e a linha está fora de serviço.

Essa foi uma notícia desanimadora e, por um momento, Dick ficou perplexo. Então, ele falou com a telefonista novamente.

— Pode chegar a Farleytown?

— Sim, mas a linha de Farleytown para Carwell também está caída — veio através do fio.

— Pode chegar a Deeming's Corners?

— Não. Não consigo chegar a Carwell de jeito nenhum — foi a resposta decidida, e Dick desligou o fone, muito desapontado.

— A tempestade destruiu o serviço telefônico — explicou ele aos outros. — A única maneira de chegarmos a Carwell é dirigindo até lá.

— Então vamos fazer isso, e imediatamente! — gritou Tom, que estivera falando com sua tia. — O tio Randolph levou aqueles dez mil dólares em títulos da companhia de tração com ele, e a Tia Martha diz que os títulos não eram registrados, então qualquer um poderia usá-los.

— Vocês acham que alguém vai roubar os títulos? — perguntou a tia.

— Dois homens estão armando algum plano, isso é tudo o que sabemos — disse Dick, achando imprudente manter sua tia no escuro por mais tempo. — E sabemos que os homens são patifes — acrescentou ele.

— Oh, será que eles... eles vão atacar seu tio?

— Não acho que sejam desse tipo — disse Sam. — Acho que tentarão tirar os títulos com algum plano esperto.

A tia detestava ver os rapazes partirem em uma missão de possível perigo, e ainda assim queria que seu marido fosse avisado. Os rapazes correram para o celeiro e pediram a Jack Ness que atrelasse uma parelha fresca de cavalos a uma carroça. Já estava escurecendo.

— Cuidem bem de vocês mesmos — gritou a Sra. Rover, enquanto eles partiam. — Se os postes de telefone e telégrafo estiverem caídos na estrada, tomem cuidado para não bater em nenhum deles.

Eles estavam dirigindo para o portão da grande fazenda quando viram Alexander Pop correndo atrás deles, brandindo algo na mão. Aleck era um homem de cor que trabalhara uma vez em Putnam Hall, mas que agora estava ligado à casa dos Rover.

— Eu estava pensando que talvez vocês rapazes não estivessem armados — disse ele. — Se não estiverem, não querem esta pistola? — E ele segurou uma arma que havia comprado enquanto estava na viagem pelo rio com eles.

— Não achei que haveria tiroteio — respondeu Dick. — Mas agora que você a trouxe, posso muito bem levar a pistola — e ele colocou a arma no bolso.

— Talvez vocês gostariam de levar este frango? — continuou o homem de cor. Ele adorava estar com os irmãos Rover em todas as ocasiões possíveis.

— Não, a carroça já está cheia — respondeu Dick. — Você faça o que puder para acalmar a Sra. Rover.

— Sim, diga a ela para não se preocupar conosco — acrescentou Tom.

— E não mencione a pistola — chamou Sam, enquanto o veículo se movia novamente.

Depois de deixar as imediações da fazenda, os rapazes tinham uma distância de treze milhas para percorrer. Parte da estrada passava pelo vale que dera o nome à fazenda, mas depois seguia subindo e descendo uma série de colinas, e através de vários trechos de floresta. Sob as árvores estava escuro, e eles tiveram que diminuir a velocidade por medo de acidentes.

"Perigo à frente!", gritou Sam de repente, e Dick, que estava guiando, parou a parelha. Atravessada na estrada havia uma árvore arrancada.

"Não dá para passar por ali", anunciou Sam, após uma inspeção. "E vai dar muito trabalho arrastá-la para fora do caminho."

"Vamos passar por cima dela", anunciou Dick. "Segurem-se firme, se não quiserem ser jogados para fora."

Ele chamou os cavalos, e a parelha avançou lentamente. Eles não saíam do estábulo havia vários dias e estavam inclinados a dançar e corcovear. Eles entraram em meio aos galhos da árvore e então um dos animais empinou e tentou recuar.

"Vamos, Dan!", gritou Dick. "Nada dessa palhaçada! Vamos, eu disse!"

O outro cavalo queria seguir em frente, e arrastou seu companheiro para mais fundo nos galhos da árvore. Então, sem aviso, o animal teimoso deu um salto, superou a árvore e começou a descer a estrada em velocidade vertiginosa.

"Cuidado, a parelha está disparando!", berrou Sam, e então parou subitamente, pois ele, assim como os outros, corria o risco de ser arremessado da carroça.

CAPÍTULO V

A HISTÓRIA DE RANDOLPH ROVER

Era um momento de perigo, e todos os irmãos Rover percebiam isso plenamente. A carroça era resistente, mas a estrada tinha sido muito erodida pela tempestade e estava muito irregular, e os solavancos ameaçavam a cada instante jogar um rapaz ou outro de cabeça para fora.

"Ôpa! ôpa!", gritava Dick, fazendo o melhor que podia para segurar a parelha. Mas, como mencionado antes, eles não saíam havia vários dias e estavam, consequentemente, cheios de energia e inclinados a continuar. Cada um estava com o freio nos dentes, então puxar as rédeas era de pouca utilidade.

"Se não pararmos logo, algo vai acontecer", foi o comentário de Tom, e mal ele tinha falado quando caíram em um sulco e Sam foi lançado para cima e por cima de uma roda dentro de um arbusto. Então a parelha continuou como antes.

Deixando a floresta para trás, chegaram a um grande campo aberto, onde o solo era bastante macio.

"Vire aqui, Dick, se puder", gritou Tom.

"É o que estou tentando fazer", respondeu o mais velho dos irmãos Rover, puxando uma rédea com toda a força.

A princípio, os cavalos se recusaram a sair da estrada, mas finalmente a tensão em uma das rédeas funcionou e Dan virou à direita, arrastando seu companheiro consigo. À medida que as rodas da carroça afundavam no solo macio do campo, o esforço tornou-se maior e, finalmente, os cavalos diminuíram para um passo e foram então parados com facilidade.

"Será que o Sam se machucou?", foram as primeiras palavras de Dick, enquanto ele saltava para o chão e corria para as cabeças da parelha para acalmá-los.

"Ele saiu com pressa, isso é certo", foi a resposta de Tom. "Você consegue segurá-los agora?"

"Sim, o fogo todo já saiu deles."

"Então vou correr de volta e ver o Sam." E Tom partiu em um trote em direção ao local onde ocorrera o contratempo com seu irmão mais novo. Ele encontrou Sam sentado em uma pedra esfregando o pulso esquerdo.

"Machucou?", ele perguntou ansiosamente.

"Este pulso está um pouco dolorido e meu joelho está esfolado", foi a resposta. "Eles escaparam e te jogaram para fora?"

"Não, Dick conseguiu pará-los virando para um campo macio. É sorte você não ter quebrado o pescoço."

"Eu poderia ter quebrado se não tivesse caído nos arbustos, Tom. Céus, como a carroça balançava para cima e para baixo!"

Mancando um pouco por causa do joelho machucado, Sam seguiu seu irmão pela estrada. Eles descobriram que Dick tinha levado a parelha para fora do campo. Ele, também, ficou contente em saber que Sam não estava gravemente ferido.

"O que faremos agora?", perguntou Tom. "Não gosto muito de confiar nessa parelha."

"Ah, eles já se acalmaram agora", afirmou Dick. "Tenho certeza de que não vão querer fugir de novo."

"Queremos chegar a Carwell o mais rápido possível, mas não queremos fazer isso quebrando nossos pescoços", continuou o Rover brincalhão.

Mais uma vez os três jovens subiram na carroça e Dick guiou a parelha. O fogo agora tinha acabado e eles seguiram em seu passo normal. Tinha ficado tão escuro que os rapazes tiveram que acender uma lanterna que haviam trazido.

"Escutem!", disse Sam de repente, e ergueu a mão. Vindo da escuridão, ouviram o chug-chug constante de um automóvel. Parecia estar vindo em direção a eles.

"Talvez seja o runabout com aqueles dois homens!", gritou Tom.

"Se for, vamos tentar pará-los", respondeu Dick.

Eles pararam a parelha e ouviram. Por alguns segundos o chug-chug aproximou-se, depois morreu à distância à esquerda deles.

"A máquina deve ter pegado uma estrada lateral", foi o comentário de Dick.

"Sim, e podemos muito bem seguir em frente", respondeu Tom.

Mais uma vez seguiram seu caminho. Menos de cem jardas foram percorridas quando chegaram à estrada lateral. Na estrada lamacenta, os rastros dos pneus de borracha do automóvel eram claramente visíveis.

"Se tivéssemos certeza de que eram os homens, poderíamos ir atrás deles", disse Sam.

"Não os alcançaríamos com os cavalos", respondeu Dick.

"E poderia ser outra máquina", acrescentou Tom. "Há muitas delas em Carwell."

Eles estavam agora a duas milhas da cidade e as casas de fazenda estavam se tornando mais numerosas. Assim que chegaram a uma rua pavimentada, Tom soltou uma exclamação:

"Lá vem o Tio Randolph agora!"

Ele apontou para a frente, onde a luz de um poste incidia sobre um cavalo e uma charrete. No assento desta última estava Randolph Rover, conduzindo contentemente.

"Olá, Tio Randolph!", gritou Dick, e parou a carroça.

"Ora, Dick!", exclamou o tio, olhando para os três rapazes com surpresa. "O que os traz aqui a esta hora da noite?"

"Viemos procurar o senhor, Tio Randolph", disse Tom, e acrescentou: "Seus títulos da companhia de tração estão seguros?"

"Meus títulos? O que vocês sabem sobre meus títulos?" E agora a charrete parou ao lado da carroça.

"Sabemos que dois homens estão atrás deles", disse Sam.

"Oh, eu pensei que isso fosse um segredo", respondeu o Sr. Rover.

"Mas o senhor viu os homens?", perguntou Dick, impaciente.

"Ah, sim, e tive um livramento por pouco de ser enganado", respondeu o tio, calmamente.

"Ah, então o senhor escapou", disse Dick, e ele e seus irmãos deram um suspiro de alívio.

"Sim, eu escapei", respondeu Randolph Rover. "Foi muito gentil da parte do Sr. Jardell vir até mim como ele fez", continuou ele.

"Sr. Jardell?", perguntou Tom. "Quem é ele?"

"Ora, o tesoureiro da companhia de tração."

"Então o senhor não viu um homem chamado Merrick e outro chamado Pike?", perguntou Sam.

"Ora, não. Quem são eles?"

"Dois patifes que estavam armando algum esquema. Achamos que eles estavam atrás dos seus títulos da companhia de tração."

"Ha! talvez... Mas não, isso não poderia ser", murmurou o Sr. Rover, limpando os óculos que usava. "Eu... er... eu realmente não entendo isso, rapazes."

"Conte-nos o que o senhor tem feito, tio, e então nós contaremos o que sabemos", disse Dick.

"Um! Bem, vocês sabem que há algum tempo investi dez mil dólares em títulos da companhia de tração... consegui-os através de um agente em Nova York."

"Sim."

"Bem, há cerca de uma semana recebi uma carta particular do Sr. Jardell, da companhia de tração, afirmando que havia algo errado com os títulos. Algumas chapas tinham sido roubadas e títulos falsificados foram impressos."

"Sim."

"Fui solicitado a manter segredo sobre o assunto, pois se os fatos se tornassem geralmente conhecidos, o público ficaria assustado e os títulos cairiam no mercado de ações. O Sr. Jardell disse que me encontraria em Carwell e pediria ao impressor que examinasse meus títulos e descobrisse se eram genuínos ou não."

"E o que o senhor fez então?", perguntou Dick, que começou a desconfiar, como diz o ditado.

"Enviei uma mensagem ao Sr. Jardell dizendo que o encontraria no hotel de Carwell hoje. Nós nos encontramos, e ele e seu impressor, um homem chamado Grimes, disseram que os títulos que eu possuía eram falsificados."

"E depois?"

"Claro que fiquei muito angustiado", continuou Randolph Rover, calmamente. "Eu não sabia o que fazer. Mas o Sr. Jardell foi muito gentil a esse respeito. Ele disse que levaria os títulos e faria com que a empresa emitisse bons em seu lugar. Ele me deu um recibo por eles, e deverei receber os bons títulos na próxima semana."

"Por que ele lhe daria títulos bons por títulos ruins?", disse Tom, que, como Dick, tinha quase certeza de que algo estava errado.

"Eu também fiz essa pergunta, Thomas, mas ele disse que a reputação de sua empresa estava em jogo. Ele não queria que o público em geral soubesse que títulos falsos estavam no mercado."

"Tio Randolph, o senhor conhece este Sr. Jardell pessoalmente?", perguntou Dick.

"Ora... er... não exatamente. Mas as cartas dele..."

"Como ele era?"

Da melhor maneira que pôde, o Sr. Rover descreveu o homem e também seu companheiro. Os rapazes trocaram olhares.

"Merrick e Pike", murmurou Tom.

"O que foi que você disse, Thomas?"

"Achamos que esses homens eram vigaristas", disse Sam.

"Vigaristas! Oh, meu caro Samuel, impossível!", gritou Randolph Rover horrorizado. "Ora, eles eram cavalheiros muito gentis, muito gentis. Eles me perguntaram como ia minha agricultura científica, e ambos tinham lido meu artigo na Review sobre o enxerto de videiras, e..."

"Mas nós conhecemos esses sujeitos", disse Dick, "e eles são chamados de Merrick e Pike."

"E eles conversaram sobre passar o senhor para trás", acrescentou Tom. "É por isso que o seguimos até Carwell. Onde estão os homens agora?"

"Eles foram embora. Mas..."

"Eles estavam em um runabout verde... um automóvel runabout?"

"Eles tinham um runabout, sim. Não me lembro da cor."

"Os mesmos sujeitos!", gritou Dick. "Tio Randolph, a menos que estejamos muito enganados, o senhor foi enganado, roubado! Eles roubaram seus dez mil dólares em títulos!"

CAPÍTULO VI

AGUARDANDO NOTÍCIAS

Randolph Rover levou vários minutos para compreender as várias declarações feitas pelos rapazes. Que ele realmente tivesse sido enganado por homens tão bem-falantes como os que conhecera no hotel de Carwell parecia extraordinário para ele.

"Entendi que os títulos não eram registrados", disse Dick.

"Isso é verdade", gemeu seu tio.

"Então qualquer um poderia usá-los."

"Sim, embora eu tenha os números... em uma folha na minha escrivaninha em casa."

"Bem, isso tornará mais difícil para os patifes se desfazerem deles", disse Sam.

"Eu gostaria de pegar esse Merrick e esse Pike, e dar uns socos na cabeça deles", comentou Tom. Irritava-o imensamente ver com que facilidade seu parente de mente aberta tinha caído na armadilha dos vigaristas.

"Mas pode haver algum engano", disse Randolph Rover, em tom desolado. "Aquele Merrick ousaria se passar pelo Sr. Jardell?"

"Vigaristas fazem qualquer coisa", respondeu Sam.

"Podemos ter certeza desse ponto enviando uma mensagem aos escritórios da companhia de tração", respondeu Dick. "O senhor tem certeza de que o Sr. Jardell é o tesoureiro?"

"Sim... Sr. Andrew D. Jardell."

"Vamos voltar à cidade e ver se conseguimos pegá-lo pelo telefone de longa distância ou por telégrafo."

Balançando a cabeça tristemente, Randolph Rover deu meia-volta com sua charrete e seguiu os rapazes até o escritório central da companhia telefônica. Aqui tudo era atividade por causa dos fios rompidos, mas as comunicações estavam sendo gradualmente retomadas. Eles procuraram na lista telefônica e, finalmente, conseguiram uma conexão que, alguns minutos depois, os colocou em comunicação com a residência particular de Andrew D. Jardell na cidade.

"O Sr. Jardell está em casa?", perguntou Dick, que estava fazendo a ligação.

"O Sr. Jardell está fora", foi a resposta.

"Ele está em ou perto de Carwell, estado de Nova York?"

"Não, ele está em Paris, e tem estado lá há duas semanas."

"A senhora tem certeza disso?"

"Sim."

"Quem é a senhora?"

"Sou a Sra. Jardell. Quem é você?"

"Meu nome é Richard Rover. Meu tio, Randolph Rover, foi enganado por alguns títulos da companhia de tração por um homem que disse ser o Sr. Jardell."

"Céus! Você não me diga! Bem, meu marido não teve nada a ver com isso, pode ter certeza. Ele foi primeiro para Londres e depois para Paris, e em um ou dois dias ele deve partir para a Suíça. Sua saúde está muito fraca e o médico disse que ele precisava da viagem."

Mais conversa se seguiu, e a Sra. Jardell aconselhou Dick a se comunicar com a companhia de tração imediatamente, e ele disse que faria isso.

"Não era o Sr. Jardell de jeito nenhum, Tio Randolph", disse o jovem, ao desligar o telefone. "Tudo não passou de um golpe inteligentemente planejado, e a menos que o senhor consiga recuperar os títulos, perderá o dinheiro."

Com esse anúncio, o Sr. Rover quase desmaiou, pois ele era um homem bastante retraído e pouco teve a ver com negócios desde sua viagem à África com os rapazes, conforme relatado em "The Rover Boys in the Jungle". Ele não sabia o que fazer e ficou esfregando as mãos nervosamente.

"Os vigaristas!", ele murmurou. "Realmente, está chegando a um ponto em que ninguém pode ser confiável!"

"A melhor coisa que podemos fazer é enviar uma mensagem para as várias cidades para parar o runabout com os dois homens dentro à vista e fazer com que os patifes sejam detidos pelas autoridades", disse Dick, que sentiu que precisava assumir o comando da situação.

"Essa é a ideia!", gritou Tom, "e quanto mais cedo começarmos, melhor."

"Vamos descobrir para onde aquela estrada lateral leva", acrescentou Sam, "quero dizer, a estrada em que ouvimos o automóvel."

Dentro de uma hora, várias mensagens tinham sido enviadas por telefone e telégrafo. Já estava ficando tarde e os Rovers mal sabiam o que fazer a seguir. Do tio, os rapazes ouviram toda a história sobre os títulos, mas a nova luz lançada sobre o assunto não ajudou em nada.

Eles também contaram às autoridades sobre a caverna e as caixas armazenadas lá, e alguns homens foram imediatamente enviados para investigar e tomar posse do que quer que pudesse ser encontrado.

"Acho que alguns de nós deveriam ir para casa", disse Sam. "Tia Martha não vai para a cama até voltarmos, e ela ficará muito preocupada."

Foi finalmente decidido que Tom e Dick deveriam permanecer no hotel de Carwell durante a noite e que Sam e seu tio voltariam para casa na charrete. A parelha foi acomodada no estábulo do hotel, e então todos foram para a sala de jantar para um jantar tardio.

"Estou com tanta fome quanto dois ursos", anunciou Tom.

"Bem, eu não direi não a uma boa comida", respondeu Sam.

Randolph Rover mal conseguia comer. Agora que percebia o que tinha ocorrido, recriminava-se amargamente por ter sido tão iludido.

"Eles falaram sobre agricultura científica apenas para me deixar de bom humor", disse ele, amargamente. "Eu vejo tudo! Oh, se eu pudesse colocar minhas mãos neles!"

Depois que o Sr. Rover e Sam partiram, Dick e Tom vagaram pelo hotel e arredores por três horas. Eles aguardavam ansiosamente alguma mensagem sobre os dois vigaristas, mas nada veio. Então, exaustos pelo dia extenuante que tiveram, foram para a cama e dormiram profundamente até a manhã seguinte.

Antes de tomar o café da manhã, pediram por mensagens. Havia uma de um vilarejo chamado Bahan, dizendo que um runabout verde com dois homens tinha passado por lá por volta da meia-noite. Mas os homens não tinham sido capturados, e não se sabia o que tinha acontecido com eles.

Ao meio-dia, a linha telefônica entre Oak Run e Carwell estava funcionando novamente, e os rapazes enviaram notícias para casa. Depois, deixaram instruções no hotel, para que quaisquer mensagens que chegassem pudessem ser transmitidas para a fazenda Rover.

"Bem, eu nunca vi!", gritou Dick, de repente.

"O que foi agora?", perguntou seu irmão.

"Aquele ladrão de carga, e aquelas coisas na caverna..."

"Humph! Esqueci completamente disso. Eu estava pensando apenas nos títulos do Tio Randolph."

"Vamos descobrir se algo foi feito."

No quartel-general da polícia local, eles descobriram que uma carroça tinha acabado de chegar, carregada com as três caixas cheias de mercadorias localizadas na caverna. Uma busca ainda estava em andamento por Dangler, mas até agora ele não tinha sido localizado.

"Isso esclarece o mistério dos roubos de carga", disse um oficial aos rapazes. "Só espero que possamos colocar nossas mãos em Bill Dangler."

"Vocês o conhecem?", perguntou Dick.

"Ah, sim. Anos atrás ele costumava trabalhar para a divisão de carga da ferrovia."

"Vocês sabem algo sobre esse Merrick e o sujeito chamado Pike?"

"Não, mas nossa ideia é que os três homens estavam no negócio juntos. Provavelmente esse Merrick e esse Pike realizaram esse caso dos títulos da companhia de tração como um negócio paralelo."

"Os roubos de carga foram grandes?", perguntou Sam.

"Não tão grandes de uma vez, mas eles vêm acontecendo há meses, e o total de quatro estações diferentes ao longo da linha soma muitos milhares de dólares."

"Bem, espero que peguemos todos os três homens, e quaisquer outros que possam estar aliados a eles", disse Dick, e então ele e Tom foram embora. Pouco depois, eles estavam na carroça a caminho de casa.

Quando chegaram à fazenda, descobriram que seu tio tinha enviado uma longa carta aos oficiais da companhia de tração, relatando em detalhes o que tinha ocorrido. Em resposta, os funcionários da empresa disseram que colocariam um detetive particular no caso, e isso foi feito. Mas as semanas se passaram e nada foi visto ou ouvido de Merrick e Pike, e o que tinha acontecido com os títulos desaparecidos permaneceu um mistério.

"Estou ansioso para dar uma olhada naquela caverna onde a carga roubada estava armazenada", disse Sam um dia. "Que tal se formos até lá?"

"Isso serve para mim", respondeu Dick. "Quero saber sobre outra coisa... aquela caixa de lata vermelha que vi pendurada em uma árvore."

"Ah, sim, eu tinha me esquecido disso", acrescentou Tom. "Bem, vamos a pé ou de carroça?"

Decidiu-se ir de carroça até a caverna e, não sabendo quanto tempo ficariam fora, os rapazes levaram um lanche.

"Agora, cuidem-se", avisou Randolph Rover. "Não caiam em mais nenhum buraco."

"Vamos tentar ficar atentos!", gritou Tom.

Então Dick estalou o chicote, e a parelha partiu em bom ritmo, o mais velho dos Rover, no entanto, mantendo-os sob controle. Era um dia claro e bonito. Os rapazes não sonhavam com a estranha aventura que os aguardava.

CAPÍTULO VII

UMA ESTRANHA CAIXA DE CORREIO

"Não vai demorar muito para termos que voltar para Putnam Hall", observou Sam, enquanto seguiam de carroça. "Querida escola! Como eu a amo!"

"É uma pena que estejamos ficando velhos demais para ir para lá", disse Tom. "Mas não podemos ser meninos para sempre."

"Ficarei feliz em ver os outros rapazes novamente", disse Dick.

"Vocês sabem o que eu penso?", declarou Tom. "Acho que os cadetes de Putnam Hall são o melhor grupo de rapazes do mundo!"

"Jogando confetes em si mesmo, Tom?", disse Sam, com uma risada.

"Bem, você não concorda comigo?"

"Com certeza concordo, Sam, e o Capitão Putnam é o melhor professor do mundo. Puxa, mas não vamos nos divertir quando voltarmos!"

"Teremos que fazer um banquete em honra ao nosso retorno", disse Dick, e sorriu aquele sorriso quieto dele que significava tanto.

A distância até a caverna foi logo percorrida, e os rapazes amarraram sua parelha em uma árvore nas redondezas. Entraram e descobriram que tudo, até as caixas vazias, tinha sido levado embora. O local tinha sido explorado por vários curiosos.

"É estranho que esta caverna não tenha sido descoberta antes", foi o comentário de Dick, depois de passarem meia hora andando por lá.

"Talvez a abertura para a estrada não fosse tão grande antigamente", sugeriu Tom. "Dangler pode ter aumentado a abertura, para que pudesse entrar com a carroça."

"Isso é verdade. Bem, daqui para a frente será um lugar comum para piqueniques. Sua fama se espalhará por quilômetros ao redor." E Dick estava certo, e a caverna é um local bem conhecido naquela parte do estado de Nova York até hoje.

Os rapazes tinham trazido consigo duas lanternas elétricas de bolso, como são chamadas — lanternas que haviam comprado durante seu passeio pelo rio — e, com elas acesas, caminharam até o extremo fundo da caverna e ao longo das várias passagens que subiam a encosta da montanha.

"Foi aqui que caímos", disse Dick, apontando o local.

"Eu gostaria que pudéssemos cair para fora — e aterrissar na montanha lá fora", retrucou seu irmão mais novo. "Então, talvez você pudesse localizar aquela lancheira de lata, ou o que quer que fosse."

"Eu subiria, Muito em breve, Se eu tivesse, Um grande balão!"

cantou Tom, alegremente. "Mas como não parece haver um balão à mão, o que há de errado em tentar subir?", acrescentou.

"E derrubar várias toneladas de terra e rocha na sua cabeça", disse Dick. "Melhor ir devagar. Já sabemos o quão traiçoeiros são esses buracos. Você sairá de um apenas para entrar em outro que é pior."

"Eu trouxe um laço", disse Sam.

"Um laço?", perguntaram os outros.

"Claro, aquele que comprei quando estávamos no oeste. Pensei que poderíamos usá-lo para subir. É leve, mas forte, e podemos laçar uma árvore ou um toco lá em cima com ele."

"Viva! Sam resolveu o problema de como os irmãos Rover subirão na vida!", exclamou Tom, alegremente. "Sam, tente sua habilidade, sem dúvida."

"Mostrem-me a árvore ou o toco e eu o farei", respondeu seu irmão prontamente.

Da melhor maneira que puderam, eles rastejaram de uma parte do buraco para um ponto que era um pouco mais alto. Então encontraram uma rocha saliente acima deles e Sam lançou a laçada do seu laço sobre ela.

"Será que aguenta?", perguntou Dick. "Você não vai querer tentar subir e cair."

Com cautela, Sam puxou o laço. Ele se firmou, e ele subiu impulsionando-se com as mãos, pois era um atleta razoável. Então seus irmãos o seguiram. Eles agora estavam em uma saliência de rocha, e o topo do buraco ainda estava três metros e meio acima deles.

"Ali está uma pequena árvore, Sam", disse Tom, olhando para cima. "Se você conseguir laçá-la, acho que ficaremos bem."

Mais uma vez, o Rover mais novo começou a usar o laço. À medida que balançava para cima, ele errou a árvore e passou silvando para fora da vista sobre a borda do buraco.

"Ai!", veio o grito inesperado de cima. "Oh, meu olho!"

"Olá! Você atingiu alguém!", exclamou Dick.

"Eu não sabia que havia alguém lá em cima", respondeu Sam, enquanto a laçada do laço escorregava para baixo.

Os três irmãos Rover olharam para cima. Ouviram um movimento apressado nos arbustos e tiveram um vislumbre rápido do rosto de um homem. No instante seguinte, o homem desapareceu, murmurando algo para si mesmo.

"Era Dangler!", exclamou Dick.

"Você tem certeza?", perguntaram os outros dois, num só fôlego.

"Quase positivo."

Dick mal tinha pronunciado as últimas palavras quando, lá de cima, veio uma chuva de terra e pedras, empurradas sobre a borda. Os rapazes foram atingidos pelas pedras e parte da terra caiu em seus olhos. Então, uma segunda leva do mesmo tipo desceu.

"Pa--pare com isso!", gaguejou Tom, quando pôde falar. "Você quer nos matar?"

Não houve resposta, mas mais terra e pedras desceram, até que os rapazes ficaram quase cobertos. Eles não sabiam o que fazer, até que Dick sugeriu que descessem da saliência e buscassem segurança na caverna. Enquanto desciam, uma pedra de tamanho considerável os seguiu, raspando o ombro de Tom e fazendo-o soltar um grito agudo de dor.

"Você está ferido, Tom?", perguntaram seus dois irmãos.

"Oh, não é nada", ofegou Tom. "Mas eu gostaria de colocar minhas mãos naquele canalha, isso sim!"

"Estou certo agora de que deve ser Dangler", disse Dick. "Ninguém mais por aqui tentaria nos ferir. Ele está furioso porque o expusemos. Ele deve saber que os oficiais da lei estão à sua procura."

"Eu gostaria que pudéssemos pegar o canalha", murmurou Tom.

"Que tal subirmos a montanha pelo lado de fora?", sugeriu Sam. "O dia está perfeitamente claro e ainda é cedo. Saberemos o suficiente para tomar cuidado com armadilhas. Se pudermos pegar esse Dangler, nós três seremos capazes de lidar com ele."

"Se vamos tentar algo assim, temos que nos apressar", respondeu Dick. "Ele não ficará nesta localidade por muito tempo — agora que sabe que foi descoberto."

"Talvez ele pense que não o vimos", veio de Tom.

"Bem, isso será a nosso favor. Mas ele saberá que alguém virá atrás dele por ter jogado terra e pedras."

Tendo comido um almoço rápido e regado com água de uma fonte próxima, os três rapazes começaram a subida da montanha. Isso foi um trabalho árduo e os fez suar bastante.

"Ainda bem que não sou gordo", disse Tom. "Se fosse, estaria sem fôlego, com certeza."

"Acho melhor ficarmos quietos assim que chegarmos às proximidades dos buracos", advertiu Dick.

Meia hora de escalada difícil levou os rapazes até a vizinhança de onde tinham caído pela primeira vez nos buracos que levavam à caverna, e então avançaram cautelosamente e em silêncio quase absoluto. Pararam para ouvir várias vezes, mas não ouviram nada além do canto de alguns pássaros e o gotejar da água sobre as rochas.

Chegando ao topo do buraco de onde a terra e as pedras haviam sido jogadas, olharam ao redor com interesse. Onde o solo era macio, podiam ver pegadas de sapatos muito maiores do que os que eles próprios usavam.

"Aqui está o rastro dele, indo embora", disse Dick, após um exame minucioso.

"Ali está sua caixa de lata!", gritou Sam, apontando para o objeto, ainda pendurado em uma árvore distante.

"Espere até eu ver o que há nela", respondeu seu irmão mais velho. "Não levará mais que um ou dois minutos."

"Cuidado com os buracos!", advertiu Tom.

Sentindo o caminho através do mato, Dick aproximou-se da caixa de lata pendurada. Era um objeto pequeno e agora estava aberto. Ele sentia-se certo de que, quando a vira antes, ela estava fechada.

A caixa provou estar vazia e Dick ficou, de certa forma, desapontado. Ele olhou para o chão e viu vários pedaços de papel, alguns com aparência velha e outros novos. Ele pegou alguns dos pedaços e viu que tinham sido escritos a lápis, mas as palavras ou partes de palavras eram indecifráveis.

"Bem, o que você acha disso?", questionou Sam, quando ele e Tom se aproximaram.

"Acho que sei o que é isso", respondeu Dick.

"O quê?"

"Uma espécie de correio particular. Alguém tinha o hábito de deixar mensagens aqui, e Dangler ou outra pessoa pegava as mensagens de tempos em tempos."

CAPÍTULO VIII

ÚLTIMOS DIAS NA FAZENDA

"Acredito que você esteja certo", disse Tom, depois que ele também examinou alguns dos pedaços de papel espalhados ao redor. "Aqui está a palavra 'caixa' e aqui está a palavra 'sábado'."

"Sim, e aqui estão as palavras, 'carga rápida'", acrescentou Sam. "Isso não era nada mais do que uma caixa de correio para os ladrões de carga."

"Mas por que foi colocada aqui?", questionou Dick. "É um lugar muito isolado e difícil de chegar."

"Talvez alguém tivesse que passar por aqui", respondeu Tom. "Veja, aqui há uma espécie de trilha."

"Sim, e aqui estão aquelas mesmas pegadas grandes!", exclamou Sam. "Pelo que sabemos, elas podem levar a alguma casa ou cabana na encosta da montanha."

Tendo recolhido a maioria dos pedaços de papel e colocado em seus bolsos para exame posterior, os três irmãos Rover seguiram o caminho ou trilha que tinham descoberto. Ela seguia ao longo da encosta da montanha até onde havia uma pequena clareira, protegida por uma série de rochas de onde brotava uma fonte, brilhando intensamente sob o sol.

"Eu gostaria de beber mais um pouco", disse Sam; "estou terrivelmente com sede hoje."

"Espere!", advertiu Dick, e pegou seu irmão mais novo pelo braço.

"O que houve, Dick?"

"Vejo uma cabana de troncos — ali adiante, entre as árvores."

"Sim, e eu vejo Dangler!", gritou Tom, de repente. "Lá vai ele, com um grande embrulho sobre o ombro!" E ele apontou para a parte de trás da cabana de troncos. Um homem estava desaparecendo atrás de uma franja de arbustos. O embrulho que carregava parecia estar amarrado em uma manta de cavalo. Ele estava correndo o mais rápido que podia.

Por um momento, os rapazes não souberam o que fazer. Então correram para a cabana e entraram. Ela continha apenas um cômodo, e logo descobriram que estava deserta. Na lareira, um fogo estava morrendo, e os restos de uma refeição estavam espalhados sobre uma caixa que servia de mesa.

"Este deve ter sido o esconderijo de Dangler", foi o comentário de Dick. "Ele deve ter voltado para buscar suas coisas."

"Sim, e isso explica por que a estranha caixa de correio estava posicionada lá atrás", disse Tom.

"Vocês não vão tentar pegá-lo?", perguntou Sam, impaciente.

"Com certeza", respondeu Dick, e saiu correndo, com os outros atrás dele.

"Fiquem para trás!", ouviram Dangler gritar, quando apareceram na trilha atrás da cabana de troncos. "Fiquem para trás, ou será pior para vocês!"

"Pare!", chamou Dick. "É melhor você desistir, Dangler; você está destinado a ser pego algum dia."

"Nem um pouco! Estou armado e aviso-os para ficarem para trás", respondeu o ladrão de carga, e então uma curva da trilha o escondeu da vista.

"Você acha que ele teria coragem de atirar?", perguntou Tom.

"Não há como saber o que um homem desesperado fará", respondeu Dick. "É melhor sermos cautelosos."

Depois disso, avançaram com cuidado. Logo a trilha saiu em uma estrada de montanha e esta passou por algumas rochas e cruzou outras duas estradas. Eles não viram mais Dangler, e as pegadas haviam desaparecido.

"Ele nos escapou", disse Tom, parando e descansando em uma árvore caída. "Que sorte, de qualquer maneira!"

"Ele voltou à cabana para buscar suas coisas", ponderou Sam. "Acho que ele vai deixar a vizinhança, e talvez para sempre."

Chateados com o fracasso em pegar o ladrão de carga, os rapazes procuraram pela vizinhança por um tempo e depois refizeram seus passos até a cabana de troncos. Lá encontraram vários artigos antigos de vestuário e alguns jornais.

"Aqui está um envelope", disse Sam, pescando o objeto de trás da caixa que servia de mesa. "Está endereçado a William Dangler. Deve ter sido alguma carta que ele recebeu."

"Tem algo dentro?"

"Não."

"Qual é o carimbo postal?"

"Está quase apagado", disse Sam. Ele levou o envelope para a luz. "Bem, eu declaro! Ithaca!"

"Ithaca!", gritou Tom.

"Ora, essa é a cidade onde paramos para pegar o barco para Putnam Hall", exclamou Dick.

"Eu sei disso."

"Isso é interessante, para dizer o mínimo", foi o comentário do Rover mais velho. "Será que Dangler tem amigos ou comparsas em Ithaca?"

"Devemos notificar a polícia sobre isso", disse Tom. "E quanto antes, melhor."

Satisfeitos por não poderem saber mais nada permanecendo perto da cabana de troncos, os rapazes partiram e, dentro de uma hora, estavam em sua carroça e a caminho da fazenda. De lá, ligaram para as autoridades e informaram-lhes o que tinham aprendido. Outra busca foi imediatamente instituída para Bill Dangler, mas o canalha não foi capturado.

No dia seguinte, o Sr. Anderson Rover chegou em casa, e os rapazes e Randolph Rover tiveram que informá-lo de tudo o que tinha acontecido. Ele balançou a cabeça quando ouviu sobre os títulos não registrados.

"Temo que vocês nunca mais os vejam, Randolph", disse ele ao irmão.

"Eu mesmo temo isso", foi a resposta lúgubre.

Anderson Rover tinha vindo para casa para ver seus rapazes partirem para a escola.

"Quero que vocês aproveitem ao máximo suas oportunidades enquanto estiverem em Putnam Hall neste período", disse ele, "pois será o último de vocês."

"Sim, eu sei disso", respondeu Tom. "Mas depois disso, o quê?"

"Conversaremos sobre isso mais tarde, Tom. Vocês precisam ir para a faculdade ou se preparar para entrar nos negócios."

"Eu gostaria de ir para a faculdade!", intrometeu-se Dick.

"Eu também — se soubesse que tipo de lugar era", acrescentou Tom.

"Se fosse um lugar tão bom quanto Putnam Hall, eu aceitaria na hora", veio de Sam.

Os dias seguintes passaram rapidamente. Durante esse tempo, Dick recebeu uma carta de Dan Baxter, o antigo valentão de Putnam Hall, que o interessou bastante. Esta carta dizia, em parte, o seguinte:

"Fico feliz em dizer que agora estou indo muito bem. Tentei várias posições e agora sou vendedor viajante de uma grande casa de carpetes. Recebo quinze dólares por semana, todas as minhas despesas e uma comissão sobre as vendas, então me considero sortudo.

"Quando olho para trás, para o que eu era, Dick, quase não consigo perceber a mudança que ocorreu. Mas sinto-me mais feliz do que jamais fui, e espero viver para ainda me tornar um homem de verdade. Estou tentando abandonar todos os meus maus hábitos, e não fumo nem bebo um copo de bebida alcoólica desde que deixei vocês no sul."

* * * * *

"Esse é o tipo de carta que gosto de receber", disse Dick, enquanto deixava seus irmãos lerem a comunicação. "Faz bem ao coração de um rapaz, não é?"

"Estou feliz por termos dado a ele aqueles cem dólares", disse Sam. "Você acha que ele vai pagar de volta?"

"Aqui está um pós-escrito em que ele diz que enviará um vale-postal na próxima semana."

"Ele certamente pretende se recompor", disse Tom. "Bem, agora que ele virou uma página nova, desejo-lhe a melhor sorte."

Quase antes que percebessem, era hora de deixar a fazenda e viajar para Putnam Hall. Todos ficaram tristes em vê-los partir.

"Eu não suporto que vocês meninos fiquem longe de jeito nenhum!", lamentava Aleck Pop. "Simplesmente não parece natural ter vocês longe, é isso mesmo!"

"Oh, nós voltaremos um dia, Aleck", respondeu Dick. "E se formos em alguma viagem mais tarde, talvez levemos você conosco."

"Eu quase gostaria de ser garçom novamente no Hall", suspirou o homem de cor.

"Eles não podem dispensar você daqui", disse Sam.

"Oh, eu sei disso, Sam."

Os baús dos rapazes tinham sido embalados e enviados com antecedência, então tudo o que carregavam consigo eram suas malas de viagem. Seu pai os levou até a estação ferroviária em Oak Run, e seu tio, sua tia e os outros ao redor da fazenda saíram na varanda para vê-los partir.

"Agora sejam bons rapazes", advertiu sua tia Martha. "E cuidem-se para não ficarem doentes."

"E não deixem de estudar o máximo que puderem", disse seu tio Randolph. "Lembrem-se de que nada é tão grandioso quanto o conhecimento neste mundo."

"Vocês fiquem longe de encrencas!", gritou Aleck Pop, balançando um dedo de advertência para Tom, que sorriu abertamente.

E então a carruagem partiu, e a viagem para Putnam Hall começou.

CAPÍTULO IX

NO ESPETÁCULO DO VELHO OESTE

Como meus velhos leitores sabem, Putnam Hall estava localizado não muito longe da vila de Cedarville, no Lago Cayuga. Para chegar à escola, os rapazes precisavam pegar um trem até Ithaca e depois embarcar em um pequeno vapor do lago que parava em Cedarville e em vários outros pontos ao longo da costa.

"Parece que faz muito tempo desde que estivemos no Hall", observou Dick, enquanto se acomodavam no trem.

"E quantas coisas aconteceram desde então!", exclamou Sam. "Posso dizer uma coisa, teremos uma história para contar aos outros, não teremos?"

"Acho que Songbird, Fred e Hans Mueller já contaram tudo", respondeu Tom. "Muito provavelmente, Songbird inventou alguns versos sobre isso."

A viagem até Ithaca durou várias horas, e eles almoçaram ao meio-dia no vagão-restaurante. Era um dia lindo, e os rapazes apreciaram a paisagem tanto como se nunca a tivessem visto antes.

"Espero que consigamos uma boa conexão para Cedarville", disse Sam, quando deixaram o trem e começaram a caminhar para o cais de onde o Golden Star fazia suas viagens no lago. Mas estavam destinados ao desapontamento: o barco a vapor tinha sofrido uma avaria e estaria atrasado duas horas ou mais.

Como não havia nada a fazer senão esperar, os rapazes despacharam suas malas de viagem e começaram um passeio pela cidade. Logo descobriram que um espetáculo do velho oeste estava dando uma exibição lá e, consequentemente, o local estava lotado com pessoas dos distritos vizinhos.

"Eu não me importaria de ir ao espetáculo do velho oeste", observou Tom. "Vocês acham que temos tempo?"

"Poderíamos passar uma hora lá, de qualquer maneira", respondeu Sam.

"Depende de onde o espetáculo será realizado", veio de Dick.

Logo descobriram que o local do espetáculo não ficava longe e seguiram para lá. A exibição já tinha começado, e eles entraram no grande recinto tipo tenda o mais rápido possível.

O show era razoavelmente bom, e os rapazes desfrutaram bastante da montaria de truques dos cowboys e do tiro ao alvo sofisticado. Depois vieram algumas cavalgadas selvagens de índios reais.

"Quase faz um rapaz sentir que gostaria de estar em um cavalo ele mesmo", disse Tom. Ele gostava muito de andar a cavalo.

"Ei, eu quero que vocês olhem ali", disse Sam, apontando para os assentos a alguma distância. "Vocês veem aquele homem sentado perto da parte de baixo — logo ao lado daquele rapaz com a cesta de amendoins?"

Tom e Dick olharam na direção apontada, e o Rover mais velho deu um salto.

"Sam, você acha que é o sujeito chamado Merrick?", exclamou.

"Ele não se parece com ele?"

"Certamente se parece — agora que você menciona", veio de Tom. "E, aliás, você não se lembra daquele envelope pego na cabana de troncos? Tinha o carimbo postal de Ithaca."

"É verdade! Talvez esse Merrick more aqui."

"Vamos até lá e dar uma olhada mais de perto nele", disse Dick, e deixou seu assento, seguido pelos outros.

Havia uma grande multidão, então eles tiveram certa dificuldade em abrir caminho até onde o homem estava localizado. Em sua pressa, Dick esbarrou em um garçom que vendia limonada e derramou o conteúdo de dois copos no chão.

"Desculpe-me", disse ele.

"Ei! Você tem que pagar pela limonada", rugiu o garçom, irritado. "Pague logo, seu palhaço desastrado!"

"Veja aqui, meu amigo, eu vou pagar, mas quero que entenda que não pode me chamar de palhaço", disse Dick, irritado.

"Ah! Vá embora com isso! Pague logo, entendeu?"

"Aqui está o seu dinheiro", e Dick estendeu dez centavos. "Agora, eu sou um palhaço ou não?"

"Bem, er----"

"Sou ou não?", e o Rover mais velho fechou os punhos. Ele sabia que precisava "pegar o touro pelos chifres" com um indivíduo como aquele à sua frente.

"Desculpe-me", murmurou o sujeito e se afastou. "Eu... er... suponho que você não teve culpa."

Sam e Tom tinham ido na frente e agora estavam perto do homem que supunham ser Merrick.

"Sem erro aqui!", declarou Sam, ao ter uma visão boa e direta do rosto do sujeito.

"Ele nos vê!", exclamou Tom, um segundo depois. "Ele está tentando fugir."

O rapaz estava certo, Merrick os tinha visto. Ele estava muito espantado, pois não imaginava que eles estivessem naquela vizinhança. Ele deixou seu assento apressadamente e, abrindo caminho através da multidão, começou a seguir para a entrada do grande recinto tipo tenda.

Nesse momento, Dick estava se aproximando e Sam e Tom rapidamente o informaram do que estava acontecendo. Todos os três Rover abriram caminho através da grande multidão atrás de Merrick, mas, antes que pudessem se aproximar, o canalha já estava do lado de fora e correndo entre várias carruagens e carroças paradas naquela vizinhança.

"Vamos atrás dele!", gritou Tom. "Devemos capturá-lo se pudermos!"

Eles partiram em uma corrida rápida, mas Merrick também podia correr, e o medo agora dava velocidade aos seus pés que voavam. O vigarista continuou correndo, com os irmãos Rover a menos de uma quadra atrás dele. Então, quando chegaram a vários prédios altos, Merrick disparou em torno de uma esquina e fora da vista.

Quando os irmãos Rover chegaram à esquina, olharam em todas as direções à procura do homem. Apenas algumas pessoas estavam por perto, já que a maioria dos habitantes da cidade estava no espetáculo.

"Será que ele seguiu em frente ou entrou em alguma rua lateral?", ponderou Dick.

"Vou seguir em frente", disse Sam. "Dick, você pode pegar uma rua lateral e Tom pode pegar a outra", e lá se foi o mais jovem dos Rover, com uma nova arrancada de velocidade.

O conselho de Sam foi considerado bom e, logo, todos os garotos se dispersaram. A rua que Tom seguiu era ladeada por cortiços altos e terminava em pouco mais que um beco.

Ao chegar a outra esquina, Tom parou e olhou em todas as direções. Ao virar a cabeça, viu um homem espreitar da porta de um cortiço. Então, a cabeça foi puxada para trás rapidamente.

"Merrick!", murmurou Tom para si mesmo, e voltou para o cortiço, que era um prédio de quatro andares. De um lado havia uma espécie de beco e, além dele, outros cortiços e os fundos de um grande edifício usado como fábrica e escritórios.

Tom encontrou a porta da frente do cortiço escancarada e não hesitou em entrar. Ninguém estava à vista, mas ele ouviu passos apressados no andar de cima.

"Merrick! É melhor você desistir!", ele gritou. "Desça aqui!"

"Cuide da sua vida, rapaz!", veio a resposta. "Se tentar me seguir, vai se dar mal."

Destemido por essa ameaça, Tom subiu as escadas de dois em dois degraus. Enquanto o fazia, ouviu Merrick subir um segundo lance e depois um terceiro.

"Deve achar que pode se esconder no telhado", pensou Tom. "Bem, vou encurralá-lo se puder."

Enquanto Tom corria pelo corredor do terceiro andar, uma porta se abriu e uma velha o confrontou.

"O que vancê qué aqui?", perguntou ela, com um forte sotaque irlandês.

"Estou atrás de um ladrão", respondeu Tom.

"Um ladrão! Com certeza não há ladrão algum nesta casa."

"Ele acabou de entrar aqui vindo da rua."

"Nossa, é verdade mesmo? Para onde ele foi?"

"Eu não sei. Como se chega ao telhado?"

"Pela escada no fundo do corredor."

A velha apontou na direção, e Tom seguiu apressado. Logo ele alcançou uma escada de madeira comum que levava a um alçapão, que estava escancarado. Enquanto o jovem subia a escada, o alçapão foi batido e fechado, quase atingindo o topo de sua cabeça. Então, ele ouviu passos apressados pelo telhado.

"Talvez ele pense que pode pular para um dos outros prédios", disse Tom para si mesmo. "Bem, se ele pode fazer isso, eu também posso."

Ele empurrou o alçapão com dificuldade, pois era pesado. Então, com cautela, pois não queria levar um chute na cabeça, ele olhou em volta do telhado do cortiço. Ninguém estava à vista.

Com cautela, Tom saiu no telhado. Várias chaminés não estavam longe, e ele se perguntou se Merrick estava escondido atrás delas.

"Eu gostaria de ter um porrete ou algo assim", pensou ele. "Eu teria dificuldade aqui em cima se houvesse uma luta corpo a corpo."

Com os olhos atentos, Tom seguiu em direção a uma chaminé e depois a outra. O vigarista não estava lá, nem no telhado adjacente. Então, o jovem desceu de mãos e joelhos e olhou sobre a borda do cortiço, pelo lado do beco. Ali havia uma escada de incêndio de ferro, indo do quarto andar até o segundo. Na escada de incêndio, ele viu Merrick, descendo até o chão com toda a rapidez possível.

CAPÍTULO X

VELHOS COLEGAS DE ESCOLA ALEGRES

Evidentemente, o vigarista havia saltado do telhado para o patamar superior da escada de incêndio. Ele estava agora quase no fundo.

"Pare!", gritou Tom, mas ele sabia que a ordem era inútil. Ao som de sua voz, Merrick olhou para cima e murmurou algo que o garoto não conseguiu entender. Então, ele se balançou a partir do patamar inferior da escada de incêndio e caiu no chão.

"Se ele pode descer desse jeito, eu também posso", pensou Tom, e no momento seguinte ele estava descendo a escada da mesma maneira que o vigarista fizera. Ao chegar ao segundo patamar da escada, ele viu Merrick virar a esquina do beco e desaparecer na rua logo adiante.

Quando Tom saiu na rua, quase esbarrou nos braços de dois homens corpulentos que tinham saído do cortiço. Ambos o seguraram pelos braços.

"O que significa isso, rapaz?", perguntou um, selvagemente. "Fazendo o papel de ladrão sorrateiro?"

"Estou atrás de um ladrão", foi a resposta. "Vocês viram um homem correndo?"

"Não, e não achamos que tenha havido homem algum", respondeu um dos moradores do cortiço.

"Bem, havia um homem sim", disse Tom. "Vamos, se vocês me ajudarem a pegá-lo, eu os recompensarei bem."

"O que ele roubou?"

"Alguns títulos no valor de dez mil dólares — eles pertenciam ao meu tio", explicou Tom, apressadamente.

A promessa de uma recompensa tornou os homens atentos e eles logo concordaram em ajudar Tom o máximo possível. Então Dick e Sam apareceram e tiveram que ser informados sobre o que havia acontecido.

Os dois homens conheciam bem o distrito de cortiços e fábricas, e lideraram uma busca que durou mais de meia hora; um policial também foi chamado para o serviço.

"Ouvi falar desse caso dos títulos", disse o policial. "Eu gostaria de colocar minhas mãos em Merrick."

Mas a caçada foi inútil, pois Merrick não pôde ser encontrado. Pelo trabalho, Tom deu aos dois homens do cortiço um dólar a cada um, com o qual eles tiveram que se dar por satisfeitos. O policial prometeu relatar o assunto na sede e, como parecia não haver mais nada a fazer, os três irmãos Rover caminharam até o cais do barco a vapor, enviando, no entanto, um telegrama a Randolph Rover, relatando brevemente o que havia ocorrido.

"É uma grande pena não termos pegado esse Merrick", suspirou Tom, enquanto navegavam ao longo da margem do lago. "Talvez nunca mais o vejamos ou ouçamos falar dele."

"Bem, nós não queremos Merrick tanto quanto queremos os títulos da companhia de tração do Tio Randolph", respondeu Dick. "Se ele se desfez dos títulos, não adiantará muito pegá-lo — a menos, é claro, que ele possa recuperar os títulos."

"E pode ser que ele não estivesse com os títulos", acrescentou Sam. "Aquele sujeito Pike pode tê-los manuseado."

"Isso também é verdade — embora eu de alguma forma ache que Merrick seja o principal mentor desse golpe."

"Eu também acho isso", disse Tom.

O Golden Star era um pequeno e elegante barco de rodas laterais com um convés de tamanho razoável na proa e na popa. Os garotos sentaram-se no convés dianteiro e, enquanto o barco navegava ao longo da margem do lago, apontaram muitas localidades conhecidas por eles.

"Ali foi onde fomos na caça ao papel", disse Sam.

"Sim, e ali foi onde fomos em um dos acampamentos", acrescentou Tom.

"Uma vez viemos pescar aqui embaixo", disse Dick. "Um dos garotos caiu na água."

"Foi John Fenwick, o sujeito que costumávamos chamar de Mumps", disse Tom. "A propósito, pergunto-me o que terá sido dele?"

"Foi para o oeste, eu acho", respondeu Sam. "Um dos garotos disse que ele estava no ramo de seguros com algum parente."

"Ele era um grande bajulador de Dan Baxter."

"Era mesmo, mas ele também tinha seus pontos positivos."

Assim a conversa continuou, até que Cedarville foi alcançada. Devido ao atraso, já estava escuro, e os garotos se perguntavam se encontrariam algum transporte para levá-los ao Hall.

"Olá, aqui está Peleg Snuggers com a charrete!", gritou Sam, quando o funcionário faz-tudo da escola apareceu. "Como vai você, Peleg?"

"De primeira", respondeu o homem, sorrindo. "Estou esperando por vocês há um bom tempo."

"Desculpe, mas não conseguimos fazer o capitão apressar o barco", respondeu Dick.

"Peleg, você é um colírio para olhos cansados", disse Tom, apertando a mão do homem de uma maneira que o fez estremecer. "Como vai sua avó?"

"Ora, Mestre Tom, eu não tenho..."

"E seu tio-bisavô? Já se livrou das telhas?"

"Ora, Mestre Tom, eu não tenho nenhum..."

"E sua prima de segundo grau por parte da irmã da sua primeira esposa? Ela se recuperou da falência cardíaca que teve quando o canário teve um ataque?"

"Agora, veja bem, Mestre Tom, não vá brincar com um homem velho..."

"Brincando, Peleg?", retrucou Tom, solenemente. "Ora, você sabe que eu nunca brinco." E ele assumiu um ar de ofendido.

"Não brinca, é? Bem, se você não for o maior brincalhão que Putnam Hall já viu, então eu comerei meu chapéu", declarou Peleg. "Pulem dentro e não me perguntem sobre avôs, nem irmãs de esposa, nem nada. Vocês não estão com fome?"

"Com fome? Eu poderia comer um tijolo frito em óleo de limão."

"Então, a menos que vocês se apressem, não vão jantar."

"Ah, a Sra. Green vai conseguir algo para nós, não tenha medo", disse Dick, mencionando a governanta de Putnam Hall, que era uma mulher generosa e de bom coração, mesmo que um pouco "apimentada" às vezes.

"Todos os outros garotos estão aqui agora?", perguntou Dick, enquanto partiam na direção de Putnam Hall.

"Acho que a maioria deles está, Mestre Dick. Com tanta gente chegando e saindo, mal consigo acompanhar."

"Fred Garrison, Songbird Powell e Hans Mueller estão de volta?", perguntou Sam.

"Sim, e eles me contaram algumas histórias maravilhosas de suas façanhas lá no sul."

"Larry Colby e George Granbury estão aqui?", questionou Dick.

"Sim."

"Ficarei feliz em encontrar Larry e George novamente", continuou Dick. "Suponho que eles terão algo a contar sobre o que fizeram durante as férias."

"Toda vez que venho ao Hall, penso na primeira vez que cheguei", disse Tom. "Você se lembra de como eu soltei aquele bombinha gigante?"

"Sim, e de como o velho Josiah Crabtree lhe deu voz de prisão por isso", acrescentou Sam. "Onde será que o velho Crabtree está agora?"

"Ele saiu da prisão", respondeu Peleg Snuggers. "Soube disso por um homem em Cedarville. O homem disse que Crabtree foi para o Canadá."

"Espero que ele fique por lá e nunca tente incomodar a Sra. Stanhope novamente", foi o comentário de Dick.

Cerca de metade da distância até o Hall havia sido percorrida quando houve um grito na estrada e Peleg Snuggers teve que puxar as rédeas de sua equipe. Então, vários garotos apareceram, vestidos com uniformes de cadetes, pois Putnam Hall era uma academia militar.

"Uau! aqui estão eles, pessoal! Viva os Rover!"

"Rover de nome e rover por natureza!"

"Diga, Tom, como é ser levado à deriva no Golfo do México?"

"Sam, você não quer se tornar um cowboy de verdade?"

"Dick, quando eu comprar um barco-casa, vou contratá-lo como capitão."

E então os estudantes na estrada subiram na charrete e se amontoaram sobre os Rover, abraçando-os e tentando apertar suas mãos ao mesmo tempo.

"Larry, feliz em vê-lo, mas, por favor, não me sufoque."

"Eu vou te amar, George, contanto que você não enfie seu cotovelo nas minhas costelas."

"Eu sabia que Fred nos encontraria."

"Você me dá a honra disso", veio de Hans Mueller. "Eu disse àqueles rapazes para virem logo."

"Bom para você, Hansy, velho amigo!", gritou Sam, e deu ao cadete alemão um abraço apertado.

"Songbird, por que você não abre a torneira da poesia e deixa fluir?", perguntou Larry Colby, que, mesmo sendo um oficial de uma das companhias, era tão alegre quanto o resto dos estudantes.

"Sim, dê-nos algo, por favor", disse Tom. "Algo sobre 'noite tranquila', 'lembranças carinhosas', 'gatos famintos' e coisas do tipo."

"Humph! 'noite tranquila' e 'gatos famintos'!", bufou Songbird Powell. "Você deve pensar que eu dirijo um moinho de picadinho em vez de..."

"De jeito nenhum, querido Songbird!", cantarolou Tom. "Todos nós sabemos que você é o único proprietário da maior fábrica de poemas do estado de Nova York. Deixe fluir, com certeza."

"Se você não recitar, nós vamos cantar", disse Dick.

"Não, não façam isso — ainda não", implorou Songbird. "Tenho um verso ou dois prontos", e ele começou, em tons lentos e medidos:

"De volta ao querido Putnam Hall! De volta aos dias de outrora! De volta aos bons e velhos tempos! Que tenhamos muitos outros agora! De volta às nossas lições e livros, E aos professores também, De volta aos exercícios e horas de folga..."

"E ao ensopado de carneiro!"

terminou Tom. "Não se esqueça de incluir os maravilhosos ensopados de carneiro da Sra. Green."

"Nada de ensopados de carneiro nisso!", bufou Songbird. "A última linha era: 'Quando os dias eram brilhantes e azuis'", e então ele continuou:

"Adoramos nos reunir aqui novamente, E falar dos tempos que virão, E tramar e planejar, e planejar e tramar... E planejar e tramar... e tramar e planejar... E planejar... e planejar... e planejar..."

"Songbird, você tramou e planejou demais", interrompeu Dick, enquanto o aspirante a poeta hesitava. "Vamos cantar uma música."

"Essa é a ideia!", gritou Fred Garrison, e começou a música bem conhecida de todos eles:

"Putnam Hall é o lugar para mim! Tra la lee! Tra la lee! Putnam Hall é o lugar para mim! A melhor escola que eu conheço!"

E então, enquanto a charrete entrava no campus, eles entoaram o grito de guerra da escola, o que atraiu uma multidão de estudantes para testemunhar a chegada dos garotos Rover.

CAPÍTULO XI

WILLIAM PHILANDER TUBBS

Como meus velhos leitores sabem, Putnam Hall era uma bela estrutura de tijolo e pedra, situada no centro de um grande terreno, delimitado em dois lados por bosques de cedros. À frente ficava o campus e a estrada de carroças e, além disso, uma encosta que levava ao lago. Nos fundos, havia ricas terras agrícolas, cultivadas exclusivamente para o benefício da instituição. Além da escola, havia um edifício equipado como ginásio, e também vários celeiros e cocheiras. O Hall foi construído na forma da letra E e tinha três andares. Continha inúmeras salas de aula, um escritório particular, um grande refeitório e dormitórios grandes e pequenos.

O diretor da escola era o Capitão Victor Putnam, que era solteiro e tão gentil quanto rígido. O Capitão Putnam era formado em West Point e tinha modelado sua escola de certa forma seguindo aquela famosa instituição governamental. Quando a escola foi organizada pela primeira vez, os garotos Rover não foram para lá, mas vários outros rapazes brilhantes e animados foram, e o que esses cadetes realizaram já foi relatado em uma série de histórias chamada "A Série Putnam Hall", começando com "Os Cadetes de Putnam Hall". Esses rapazes tiveram algumas disputas terríveis com o assistente principal, Josiah Crabtree, e ficaram felizes quando os Rover apareceram e tornaram a vida tão difícil para Crabtree que ele teve que sair. George Strong era agora o primeiro assistente no lugar de Crabtree, e os cadetes o consideravam um professor segundo seus próprios corações.

"Viva! Aqui estão os Rover!", foi o grito que veio do campus. "Bem-vindos de volta!"

"Rapazes, fico feliz em vê-los novamente", disse o Capitão Putnam, enquanto aparecia na porta da frente e apertava suas mãos. "Pelo que ouvi, vocês tiveram tempos bastante agitados durante as últimas férias."

"É verdade, Capitão", respondeu Dick. "Estou feliz em estar de volta."

"Eu também estou feliz", disseram Tom e Sam, e todos apertaram as mãos. Então, os garotos foram instruídos a ir para o refeitório, onde um jantar quente os aguardava. Lá, a Sra. Green os encontrou com seu rosto redondo, rosado e sorridente.

"Ouvi histórias maravilhosas sobre vocês", disse a governanta. "Declaro, vocês terão que ir para um museu!"

"Não antes do jantar, de qualquer forma", respondeu Tom, secamente. E então todos os presentes riram.

Terminado o jantar, os garotos subiram para o dormitório e, ali, tantos cadetes quanto possível se amontoaram para conversar sobre as façanhas das férias passadas. Larry Colby passou o tempo na costa do Maine, e George Granbury esteve nas Mil Ilhas e em Montreal.

"Sim, Crabtree está no Canadá", disse George. "Eu o encontrei em Montreal, e posso dizer que ele parecia bastante acabado."

"Bem, ele merece estar acabado", foi o comentário de Dick. Ele não conseguia esquecer como o ex-professor tentara hipnotizar a viúva Stanhope para se casar com ele, de modo que pudesse obter posse do dinheiro que ela mantinha em confiança para Dora.

É claro que todos os garotos queriam saber sobre Dan Baxter, pois ele fora um personagem principal no Hall por muitos anos. Alguns balançaram a cabeça com a ideia do ex-valentão se reformar.

"Será a maior surpresa que já ouvi", foi o comentário de Larry.

"Ele vai conseguir — marquem minhas palavras", disse Dick.

"Esperemos que sim", disse George.

"Bem, parece que Putnam Hall não sofrerá por falta de um valentão", disse Fred. "Temos um novo aqui que é tão ruim quanto Dan Baxter jamais foi."

"Quem é ele?", questionou Dick, com interesse.

"Um sujeito chamado Tad Sobber. Ele é um sujeito grande e autoritário, quase sem educação, e quer mandar em todo mundo. Não consigo entender como o Capitão Putnam o aceitou como aluno."

"Ele veio bem recomendado, é por isso", respondeu Songbird. "Mas acho que o capitão descobriu que a recomendação era falsa."

"Ele não vai mandar em mim", disse Tom, decididamente.

"Não queremos valentões aqui", disse Dick. "O dia para todos esses já passou."

"Dizemos o mesmo!", gritaram vários cadetes.

Naquele momento, houve uma batida na porta, e um jovem alto, usando um colarinho incomumente alto e punhos muito grandes, entrou.

"Bem, se não é nosso velho amigo, William Philander Tubbs!", gritou Dick, correndo para frente e apertando a mão do estudante dândi.

"Olá, Tubbsey, velho amigo!", disse Tom, alegremente. "Qual é o preço da melhor colônia agora?"

"Muito... ah... feliz em vê-los novamente", arrastou Tubbs. "Mas... er... por favor, não me chamem de Tubbsey, porque não é meu nome, sabe."

"Claro, Buttertub... quero dizer, Washtub", respondeu Tom. "Você fez escova no cabelo ultimamente?"

"Ora, Tom, eu nunca faço escova no cabelo — estraga a cor, sabe", explicou William Philander. "Eu uso..."

"Cola com um batedor de ovos", terminou Tom, com uma piscadela para seus amigos. "A propósito, Tubblets, você sabe o que ouvi algumas garotas dizerem semana passada? Elas disseram que achavam que você era um figurino da moda."

"Elas disseram mesmo?", empolgou-se o dândi, muito satisfeito. "Quem... er... disse isso?"

"Duas garotas que moram a não muitos quilômetros daqui."

"Você... ah... não sabe por acaso os nomes delas?"

"Não. Mas posso contar tudo sobre elas."

"Ah! Então, por favor, conte, Tom", disse o dândi, ansioso. Ter jovens senhoras pensando nele o agradava imensamente.

"Bem, essas são um par de jovens senhoras que trabalham em uma lavanderia. Talvez elas lavem suas camisas. Elas são de cor, e..."

"De cor!", ofegou o dândi, e então uma onda de risadas surgiu, em meio à qual William Philander começou a sair da sala.

"Não vá embora bravo, Billy", gritou Tom. "Não é legal até mesmo ter duas donzelas de pele escura pensando em você?"

"Não, não é — é... é horrível!", respondeu William Philander. "Acho que vocês estão... er... tirando sarro de mim."

"Nunca fiz tal coisa na minha vida, meu caro amigo — é contra meus regulamentos internos. Mas como você tem passado desde a semana antes do mês que vem?"

"Tive férias deliciosas."

"Levou as garotas para tomar sorvete e chás amarelos todos os dias em que não estava jogando golfe ou amarelinha, suponho."

"Eu... er... levei as jovens senhoras algumas vezes — tivemos momentos gloriosos, sabe. Uma noite de luar no Lago George que nunca esquecerei, sabe. Estávamos em um pequeno barco a remo e a lua estava brilhando sobre a água, e Geraldine e eu..."

"Sorte da Geraldine!", suspirou Tom. "E três vezes sorte de Philander Willander... quero dizer, William Philander!"

"Você não consegue fazer um poema sobre Geraldine, Songbird?", perguntou Sam.

"E não se esqueça de incluir o luar", disse Dick.

"E as ondas prateadas e a brisa murmurante", acrescentou Fred.

"Quanto mais velha que você é Geraldine, afinal?", perguntou Tom.

"Geraldine é..."

"Você não precisa contar a idade dela se ela tiver mais de trinta anos, Billy", disse Larry. "A idade dela é sagrada depois disso, você sabe."

"E não nos conte nem se ela tiver dentes postiços", veio de Sam.

"E não faz nenhuma diferença real se o cabelo é dela ou não."

"É dela se for pago", disse Tom. "Você não supõe que uma garota por quem Billy se apaixonaria usaria tranças que foram roubadas?"

"E pensar que ela pode ser gorda!", suspirou Sam. "Espero que ela não pese mais de noventa quilos, Willy."

"Ah, meu Deus!", gritou o dândi, em desespero. "Eu quero que vocês se lembrem..."

"—Que ela é sua e só sua," completou Tom. "Sim, ninguém vai passear na sua plantação de milho, Bill — não por cima do meu cadáver. Mas conte-nos — em segredo, se for preciso — ela calça número trinta e seis ou quarenta?"

"Se vocês não pararem com essa brincadeira..." ofegou o dândi.

"Ele vai guardar seus segredos terríveis só para si", exclamou Tom, melancolicamente. "Puxa! E que pena! Mas não importa, todos nós iremos ao casamento, Tubblets, e traremos limões se você quiser?"

"Quem disse que eu ia me casar?"

"Vai ser uma cerimônia na igreja ou apenas uma pequena reunião privada em casa?" continuou Tom, seriamente. "Se for na igreja, e você quiser todos nós como corretores... quero dizer, recepcionistas, então..."

"Estaremos todos prontos para o serviço", completou Dick. "Não perderia a chance por uma fazenda com uma mula cega de brinde."

"Vots der madder mid me peing a flower girl?" perguntou Hans, sorrindo abertamente.

"Não, Hansy, você terá que carregar as abas do paletó do Billy para ele", disse Fred. "O último estilo de Londres, sabe como é, é deixá-las arrastando atrás como..."

"Oh, parem! Parem!" gritou William Philander, levando as mãos aos ouvidos. "Vocês são todos perfeitamente horríveis, sabia! Não ficarei mais um minuto!" e ele fugiu do dormitório, com as risadas da multidão ecoando em seus ouvidos enquanto partia.

CAPÍTULO XII

O QUE ACONTECEU NAS ESCADAS

Em poucos dias, os irmãos Rover sentiram-se perfeitamente em casa mais uma vez — de fato, era como se nunca tivessem partido, como disse Sam. A maioria dos estudantes era de velhos amigos, embora houvesse uma boa quantidade de novos alunos.

Foi apenas no final da semana que Dick Rover entrou em contato com Tad Sobber, um jovem atarracado, com uma juba de cabelo preto e olhos frios e penetrantes. Sobber estava com um colega chamado Nick Pell, e ambos olhavam para Dick de uma maneira calculista que era altamente ofensiva.

"Ele é o sujeito que faz o papel de herói", sussurrou Sobber para Pell, de uma maneira destinada a alcançar os ouvidos de Dick. "Quer fazer um show de exibicionismo o tempo todo."

Sem hesitar, Dick virou-se.

"Esse comentário foi direcionado a mim?" ele perguntou, bruscamente.

Sua rapidez pegou Tad Sobber desprevenido.

"E se fosse?" ele perguntou de volta.

"Eu não gosto disso, só isso."

"Humph! Não me importa se você gosta ou não", resmungou Sobber.

"Veja bem, Tad Sobber, vamos chegar a um entendimento", disse Dick, calmamente. "Entendo que você está tentando intimidar todo mundo nesta escola. Ora, isso não pode ser. Já tivemos vários valentões aqui e nos livramos de todos eles. Não queremos mais."

"Humph! Tentando ser o valentão você mesmo, hein?" zombou Sobber.

"Não, estou apenas lhe dando um aviso. Os outros garotos me contaram sobre você."

"Tad tem o direito de agir como bem entender", intrometeu-se Nick Pell.

"Não, ele não tem. O Capitão Putnam espera que todo aluno aqui seja um cavalheiro."

"Ah, não pregue, Rover", gritou Tad Sobber. "Posso cuidar de mim mesmo sem seus conselhos."

"Bem, aviso-o para manter distância no que me diz respeito e manter a língua civilizada na boca", disse Dick.

Onde essa guerra de palavras poderia ter levado, não se sabe. Exatamente naquele momento, o sino da escola tocou, e todos os alunos tiveram que se apressar para suas respectivas aulas.

Pode-se mencionar aqui que Sam, Tom e Dick estavam agora na mesma série. Isso pode causar estranheza, mas o fato é que Sam, por muito trabalho no semestre anterior, alcançou Tom, enquanto Dick, por estar ausente cuidando de alguns negócios para seu pai em várias ocasiões, tinha ficado um pouco para trás.

"Tive uma pequena discussão com Sobber", disse Dick aos seus irmãos, quando teve a chance, e relatou os detalhes.

"Ele disse algo sobre mim pelas minhas costas", disse Sam. "Não sei o que foi, mas tenho certeza de que não foi nada elogioso."

"Devemos vigiá-lo", disse Tom. "Se não o fizermos, ele pode tentar nos jogar sujo."

Como este seria seu último semestre em Putnam Hall, todos os Rover decidiram dar o seu melhor nos estudos, então não perderam tempo com brincadeiras durante as aulas. Uma ou duas vezes, Tom achou difícil resistir a pregar uma peça, mas um olhar de Dick geralmente o fazia voltar aos livros novamente.

Era agora a temporada de futebol americano, e vários times da escola haviam sido organizados. Tom e Dick estavam em um time, liderado por Larry Colby. Havia outro time liderado por Tad Sobber, e nele Nick Pell era o quarterback. Como Sobber conseguiu a capitania desse time era um mistério.

"Eles querem jogar contra nós no próximo sábado", disse Larry, certa tarde. "O que vocês dizem?" Ele fez a pergunta aos seus companheiros do time principal.

"Não faço muita questão de jogar contra Sobber e Pell", disse Tom, prontamente.

"Exatamente o que eu sinto", acrescentou Dick. "Mas jogarei se os outros quiserem."

Alguns protestaram, mas no final a partida foi marcada e começou nos campos da escola às duas horas da tarde do sábado seguinte.

"Acho que será inútil tentar qualquer jogo de massa", disse Larry. "Sobber e Pell e alguns dos outros são pesados demais para nós. Teremos que confiar em alguns passes velozes e corridas rápidas."

No primeiro tempo do jogo, o time de Sobber marcou dez pontos, enquanto o de Larry não marcou nada.

"Sobber é brutal demais para mim", disse Tom. "Ele me chutou deliberadamente nas canelas."

"Se ele fizer de novo, derrube-o", aconselhou Dick, prontamente.

O time de Larry entrou no segundo tempo com vigor. Logo fizeram um gol e seguiram com mais dois. Então, Sobber pediu uma falta, mas não foi concedida.

"Se alguém está cometendo falta é você", disse Dick. "Você cometeu falta contra Tom duas vezes. Se fizer de novo..."

"Não se importe, Dick", interrompeu Larry. "Continue jogando ou desista", acrescentou ele para Tad Sobber.

"Quero que Dick Rover entenda que ele..." começou Sobber, quando outro jogador o puxou de volta. Algumas palavras acaloradas se seguiram, e então o jogo prosseguiu. O time de Larry fez outro touchdown e chutou o gol — e assim obteve uma vitória substancial, para desgosto de Sobber e de seu comparsa, Nick Pell.

"Não adianta falar, esses irmãos Rover me deixam doente", disse Sobber, quando ele e Nick Pell estavam sozinhos. "Todo mundo nesta escola parece bajulá-los."

"Se eu fosse você, teria partido para cima de Dick Rover no campo", respondeu Pell.

"Bem, eu queria, mas os outros não permitiram. Mas vou dar uma lição nele qualquer dia — e uma lição em Tom também", acrescentou Sobber, com maldade.

Dois dos garotinhos da escola ficaram doentes e, para mantê-los quietos, foram levados para o andar superior da instituição, e um dos garçons negros foi incumbido de levar suas refeições até eles. Dick conhecia ambos os rapazes e frequentemente subia para visitá-los e animá-los um pouco.

Um dia, ele estava justamente voltando de uma visita aos estudantes doentes quando ouviu um barulho no corredor do segundo andar. Ele olhou para as escadas e viu Tom e Tad Sobber perto de um patamar, tendo uma discussão acalorada. Nick Pell estava se aproximando, assim como Fred e Hans.

"Por um triz eu não lhe daria uma bela surra, Rover", dizia o valentão. "Você não pode mandar em mim, entenda isso."

"Bem, eu quero que você mantenha distância, Tad Sobber", respondeu Tom. "E insisto que você me chutou de propósito durante o jogo de futebol."

Ambos os rapazes estavam caminhando para o patamar da escada, e Dick e os outros que ouviram as palavras seguiram. Então, de repente, a multidão que estava reunida viu Sobber agarrar Tom pelo pescoço.

"So... solte!", ofegou Tom.

"Tome isso!" retrucou o valentão, e bateu a cabeça de Tom contra a parede.

Houve uma confusão perto da escada, e ambos os rapazes caíram contra o corrimão.

"Cuidado, Tom!" gritou Dick. "Ele vai te jogar escada abaixo!" E ele tentou ir em auxílio do irmão. Mas antes que pudesse chegar ao local, os dois contendores haviam se separado.

"Isso é para você!" rugiu Sobber, e mirou um golpe no olho de Tom. Tom desviou e depois soltou seu punho direito. O golpe atingiu o queixo do valentão. Ele cambaleou para trás, perdeu o equilíbrio e caiu escada abaixo.

Justo quando o valentão ia para trás, uma porta lateral do refeitório se abriu e o garçom negro que levava a comida para os rapazes doentes lá em cima saiu. Ele segurava uma bandeja cheia de iguarias nas mãos. Crash! Sobber caiu na bandeja, e ele, os pratos e o garçom foram ao chão em um monte confuso.

"Pelo amor de Deus!" ofegou o garçom. "O que você fez comigo?"

"Oh!" gemeu o valentão, e tentou se levantar. Em uma bochecha ele tinha um pouco de geleia e sua mão e a frente de sua camisa estavam cobertas de caldo. A cena era tão cômica que os rapazes no patamar não puderam deixar de rir.

"Você estragou o jantar todo!" foi o comentário do garçom, enquanto se levantava e examinava os destroços. A comida havia se espalhado em todas as direções e metade dos pratos estava quebrada.

"Não foi minha culpa!" rosnou Tad Sobber. "Tom Rover me jogou escada abaixo."

"A culpa foi sua", gritou Tom. "Você começou a briga, eu não."

"Alguém tem que pagar por esse estrago", disse o garçom. "Eu não vou fazer isso. Ora, eu deveria processar você por danos, é isso mesmo!" acrescentou ele, olhando furiosamente para Sobber.

"Vou acertar as contas com Tom Rover por isso!" exclamou o valentão, e olhou para o alto da escada, para os estudantes que riam. "Vou fazer com que ele ria do outro lado do rosto!"

E ele subiu as escadas com a intenção de atacar Tom novamente.

CAPÍTULO XIII

DORA, GRACE E NELLIE

Que Tad Sobber estava em uma fúria total era fácil de perceber. Seus olhos estavam cheios de ódio e ele parecia pronto para voar em cima de Tom e despedaçá-lo.

Todos os garotos esperavam ver uma grande briga, e alguns se afastaram do patamar para dar aos contendores mais espaço.

Mas antes que qualquer coisa pudesse ser feita, Dick saltou para a frente e barrou o progresso do valentão.

"Pare com isso, Sobber", disse ele calma, mas firmemente.

"Saia do meu caminho, Dick Rover!" rugiu o valentão. "Isso não é da sua conta."

"Então farei com que seja da minha conta", respondeu o mais velho dos irmãos Rover. "Você não vai atacar meu irmão aqui."

"Não se preocupe, Dick — eu posso cuidar dele", intrometeu-se Tom, corajosamente, e cerrou os punhos. "Talvez ele queira descer as escadas novamente e quebrar mais alguns pratos."

"Não quando John Fly estiver carregando-os", disse o garçom negro, que ficava olhando para os destroços com um rosto sóbrio. "Não quero mais esses tombos, eu não!" E ele balançou a cabeça de lã decisivamente.

O barulho chamou inúmeros cadetes para a cena, e agora George Strong, o professor principal, apareceu.

"Qual é o problema aqui?" ele exigiu.

Por um momento ninguém respondeu, e ele olhou com espanto para os pratos quebrados e a comida espalhada.

"Foi um acidente, senhor", disse John Fly. "Aquele jovem cavalheiro caiu da escada e me derrubou, bandeja e tudo, senhor."

"Você caiu da escada, Sobber?"

"Não, senhor, fui jogado por Tom Rover", respondeu o valentão.

"Jogado?" repetiu o professor principal, surpreso.

"Ele me atacou e eu revidei", explicou Tom. "Foi culpa dele que caiu da escada. Se ele tivesse me deixado em paz, não teria havido problema."

"É falso — ele me bateu primeiro", disse o valentão.

"Isso não é verdade", gritou Fred. "Sobber deu o primeiro golpe."

"Yah, dot is der fact alretty," intrometeu-se Hans. "Ele pegou Dom pela garganta e bateu a cabeça dele na parede tão forte como nunca foi!"

"Ele me bateu primeiro, não bateu, Nick?" disse o valentão, virando-se para seu comparsa.

"Eu... acho que sim", gaguejou Nick Pell. Ele não se atreveu a contar uma mentira deslavada. "Acho que foi tudo culpa do Tom Rover", acrescentou ele, após um olhar carrancudo de Sobber.

"Todos vocês sabem que é contra as regras lutar nesta escola", disse o Sr. Strong, severamente.

"Bem, só lutei depois que fui atacado", respondeu Tom, obstinadamente.

"Sr. Strong, acredite ou não, meu irmão diz a pura verdade", veio de Dick. "Eu estava vindo do quarto de Larmore e vi tudo. Se você estivesse no lugar do Tom, teria feito o que ele fez."

Essas palavras francas de Dick fizeram George Strong hesitar. Ele conhecia bem os irmãos Rover e sabia que eles geralmente estavam com a razão. Mais do que isso, ele havia pego Tad Sobber em uma mentira apenas no dia anterior.

"Todos vocês podem ir para seus quartos e eu verei isso mais tarde", disse ele. "Sobber, como você quebrou os pratos, terá que pagar por eles."

"O Rover não pode pagar metade da conta?" rosnou o valentão.

"Não, pois não vejo como ele possa ser culpado por isso."

Depois disso, seguiram-se algumas palavras ásperas. Tad Sobber foi insolente e, consequentemente, foi levado para um depósito que era ocasionalmente usado como "guarda" pelos professores e pelo Capitão Putnam. Lá ele teve que ficar em confinamento solitário por vinte e quatro horas e com o tipo mais simples de dieta. Essa prisão deixou Sobber furioso, e ele jurou que se vingaria de Tom e Dick por isso, mesmo que lhe custasse a vida.

"Eles podem ter conseguido derrubar outros rapazes nesta escola, mas não vão me derrubar", foi o que ele disse a Nick Pell.

"Bem, você deve ir devagar no que faz", respondeu Pell. "Tenho conversado com alguns dos outros e aprendi que eles superaram vários rapazes que estiveram aqui em diferentes épocas — Dan Baxter, Lew Flapp e alguns outros."

"Humph! Não tenho medo deles", rosnou Tad Sobber. "Suponho que eles pensem, porque são ricos e viajaram um pouco, que podem mandar em todo mundo. Bem, vou mostrar a eles um truque ou dois antes de acabar com eles."

Depois que Tad Sobber saiu do confinamento, os irmãos Rover pensaram que ele poderia tentar pregar alguma peça contra Tom e, consequentemente, mantiveram os olhos abertos. Mas nada aconteceu por alguns dias, e então ocorreu de uma maneira mais inesperada.

Os garotos se dedicaram aos estudos, mas não era da natureza deles trabalhar sem diversão. No sábado seguinte, pediram permissão para visitar Cedarville, para comprar algumas coisas que Sam e Tom precisavam. Eles levaram Songbird e Hans e foram a pé, sendo o tempo ideal para caminhar. Pouco antes de sair, viram Sobber e Pell se apressarem, também em direção à cidade.

"Eu me pergunto para onde eles estão indo?" ponderou Dick.

"Sobber vai pegar um barco a vapor para Ithaca", respondeu Songbird. "Eu o ouvi falar com o Capitão Putnam sobre isso."

"Pell vai junto?"

"Acho que não."

Os três irmãos Rover e seus amigos estavam logo a caminho. Sentiam-se com o melhor dos espíritos, e Powell não pôde resistir à tentação de explodir em seu habitual doggerel:

"Adoro vagar por colinas e vales, Na calma ou na tempestade, ou na ventania, Adoro o vale e a colina, O riacho e o curso da água, Adoro o lago amplo e plácido..."

"Onde podemos nadar ou patinar",

completou Tom, e então continuou:

"E lembre-se, de todo o resto, Adoro o velho Putnam Hall acima de tudo!"

"Esse último sentimento me atinge", disse Fred. "Sabe de uma coisa, rapazes, não há lugar como nossa escola."

"I dink I make me some boetry alretty", disse Hans, solenemente, e começou:

"Adoro ouvir o zumbido dos insetos, Adoro mastigar chiclete! Adoro ver a lua brilhar lá fora..."

"E adoro comer meu chucrute",

acrescentou Tom alegremente. "Songbird, você não pode inventar um verso bem legal sobre chucrute e queijo Limburger para o benefício do Hans?"

"A ideia de poesia sobre chucrute e queijo Limburger!" bufou o poeta com nojo.

"Bem, de qualquer forma, os versos sobre o queijo seriam bons e fortes", foi o comentário de Dick.

"Um poema sobre chucrute não serviria para esta era do automóvel", disse Sam, secamente.

"Por que não?" perguntou Tom.

"Porque o chucrute pertence ao repolho", respondeu o mais jovem dos Rover, e então desviou de um golpe que Tom lhe deu de brincadeira.

"Não vou tentar fazer mais versos", disse Songbird. "Toda vez que tento..."

"Alô, aqui vem uma carruagem com três jovens senhoras nela", chamou Dick.

"Elas me parecem familiares", anunciou Tom. "Sim, são Dora Stanhope e Grace e Nellie Laning!" ele gritou.

"Bem, isso é um prazer", disse Songbird, e esqueceu tudo o que ia dizer sobre sua feitura de versos.

A carruagem logo os alcançou. Era um veículo de dois assentos, e no banco da frente estavam Dora e Nellie, e atrás, Grace e a Sra. Stanhope.

"Estávamos indo parar em Putnam Hall por alguns minutos", disse Dora, depois que as saudações terminaram. "O dia estava tão lindo que não pudemos resistir à tentação de sair para um longo passeio."

"Sinto muito que não estaremos no Hall para recebê-las", respondeu Dick, e ele deu a Dora um olhar tão sincero que a bela garota corou.

"As garotas têm algo na manga", disse a Sra. Stanhope. "E elas queriam ver vocês e o Capitão Putnam sobre isso."

"Estamos organizando uma festinha", anunciou Nellie. "Vai acontecer na casa de Dora em algum momento deste outono. Queríamos saber se o Capitão Putnam deixaria você e alguns de seus amigos irem."

"Oh, ele terá que nos deixar ir!" gritou Tom. "Puxa, eu não perderia uma festa por nada!" E ele disse isso de forma tão cômica que todas as garotas riram.

"Ainda não marcamos nenhuma data", disse Grace. "Mas vocês vão falar com o Capitão Putnam sobre isso, não vão? Pensamos que vocês poderiam formar um grupo de uns oito ou dez rapazes e vir no carro."

"É como se já estivesse feito", anunciou Sam, com uma reverência profunda. "Por favor, coloque-me em seu cartão para o primeiro two-step."

"Und put me town for a dree-steps", acrescentou Hans, e com isso houve outra risada.

"Não sei se teremos dança ou não", disse a Sra. Stanhope. "Mas tentaremos nos divertir."

"Quem vocês querem que a gente convide — se pudermos ir?" perguntou Dick.

"Oh, Dick, vamos deixar isso com você. É claro que queremos todos os que estavam no barco-casa", e Dora olhou para os Rover, Songbird e Hans.

"Com Fred, isso fará seis. Devo convidar Larry Colby e George Granbury?"

"Se você quiser — e mais dois. Mas, por favor, não convide aqueles garotos que acabamos de encontrar", continuou Dora, apressadamente.

"Você quer dizer Tad Sobber e Nick Pell?" perguntou Tom, rapidamente.

"Um chamou o outro de Nick. Ele era um rapaz muito grande", disse a Sra. Stanhope.

"Sobber e Pell, com certeza", murmurou Tom. "O que eles fizeram?"

"Ficaram bem no meio da estrada e não queriam sair do caminho", explicou Grace. "Acho que eles foram perfeitamente horríveis!"

"Eles nos fizeram desviar para um lado e quase caímos em uma vala", acrescentou Dora.

"E então, depois que passamos, eles caíram na gargalhada de nós", continuou Nellie. "Eles certamente não foram nada educados."

"Teremos que acertar as contas com Sobber e Pell por isso", disse Dick, e seu rosto assumiu uma expressão séria que não prenunciava nada de bom para os cadetes que haviam desempenhado um papel tão pouco cavalheiresco em relação às suas amigas.

CAPÍTULO XIV

NO ESTABELECIMENTO DE SORVETES

Os Laning e os Stanhope tinham gozado da melhor saúde desde que voltaram do sul. A Sra. Stanhope não era mais a pessoa pálida e delicada que tinha sido, e sua antiga maneira nervosa tinha desaparecido completamente. As bochechas das três garotas eram como rosas, e não era de se admirar que os Rover as considerassem as jovens senhoras mais agradáveis de todo o mundo.

"Gostaria que estivéssemos em uma carruagem", observou Tom, depois que o veículo partiu. "Assim poderíamos ter saído para passear juntos."

"Eu sei o que o Tom gostaria", disse Sam. "Uma charrete bonita e um cavalo lento, e a Nellie ao seu lado----"

"Humph, por favor, troque os nomes para Sam e Grace e você chegará mais perto", respondeu Tom, com o rosto ficando vermelho.

"Vou inventar um poema sobre eles qualquer dia desses", disse Songbird. "Vou chamá-lo de--deixe-me ver--ah, sim--As Três Belas Donzelas de Cedarville."

"Não!" gritou Dick. "Songbird, se você ousar fazer algo assim----"

"Você terá que deixar a Dora de fora de qualquer maneira", disse Tom. "Se não fizer isso, o Dick vai cair em cima de você com certeza. Ele----"

"Diga, o que houve com Sobber e Pell?" interrompeu o Rover mais velho, com o rosto bem vermelho. "Sinto vontade de puni-los por fazerem as moças dirigirem para dentro da vala."

"Vamos nos lembrar disso", respondeu Sam. "Se os pegarmos em Cedarville, vamos falar sobre o assunto e ver o que eles têm a dizer em sua própria defesa."

"Falando em festa", observou Songbird, enquanto se aproximavam da vila, "vocês perceberam que não tivemos nenhum tipo de banquete no Hall desde que voltamos para a rotina?"

"Fred estava dizendo a mesma coisa há apenas alguns dias", respondeu Tom. "Certamente deveríamos fazer algum tipo de comemoração."

"Vot você vos going to plow owid?" perguntou Hans inocentemente.

"Expulsar o recheio de uma torta de carne, Hansy."

"Vere you vos plow dem to, Dom?"

"Expulsá-los para dentro do seu estômago. Fazer um banquete--uma festa--um enche-pança, por assim dizer--algo para comer, queijo, sanduíches, bolo, torta, pudim, geleia, laranjas, bananas, banha, sal, pudim de ameixa, palitos de dente, sorvete, nabos e outras iguarias", continuou o divertido Rover, rapidamente.

"Ach, yah, entendo agora, ain't it! Eu gosto desses banquetes. Nós fazemos ele em um dos quartos já agora, hey?"

"Se a turma estiver disposta", disse Sam. "Por mim, voto a favor."

"Secundo a moção", disse Tom, prontamente. "Fica decidido por voto unânime que faremos um banquete na escola, em alguma noite num futuro próximo, às onze horas, G. M."

A ideia de um banquete agradou a todos os rapazes. Eles sempre comiam o suficiente durante as horas regulares das refeições no Hall, mas havia algo tentador na ideia de fazer um banquete escondido certa noite em um dos dormitórios. Eles já tinham feito vários desses no passado e tinham sido fonte de muita diversão.

"Vamos descer ao cais do barco a vapor e ver se conseguimos avistar Pell e Sobber", sugeriu Dick. "Se Sobber vai para Ithaca, o mais provável é que vá pelo Golden Star."

Eles estavam caminhando pela rua principal de Cedarville quando por acaso olharam para a principal loja de doces. Lá, em frente à fonte de soda, estavam o valentão do Hall e seu comparsa. Eles estavam bebendo refrigerante e conversando com uma jovem que os atendia.

"Olá, aqui estão eles!" gritou Sam, e parou.

Ao olharem para o local, viram Tad Sobber esticar a mão sobre o balcão e agarrar a balconista pelos cachos. Ele segurou firme, sorrindo para o rosto dela, enquanto ela tentava se desvencilhar.

"O canalha desprezível!" gritou Dick. "Ele tenta se tornar o mais detestável possível para todos que encontra."

"Oh, por favor, solte!" veio a voz da garota através da porta aberta. "Você está me machucando!"

"Não se preocupe, não vou te machucar", respondeu Sobber, ainda sorrindo.

"Mas eu--eu não quero que puxem meus cachos", implorou a garota assustada. "Oh, por favor, solte, não vai?"

"Eu quero que você----" começou o valentão, mas não terminou, pois naquele momento sentiu a mão de Dick em sua orelha. Em seguida, ele recebeu um puxão que o fez doer excessivamente.

"Ai!" ele gritou, e soltou a garota. "Oh, minha orelha! Dick Rover, por que você fez isso?"

"Eu fiz para te fazer comportar", respondeu Dick, severamente. "Sobber, eu realmente não achei que você pudesse ser tão mesquinho", continuou ele.

"Eu--eu não estava machucando a garota", resmungou o valentão. "E não é da sua conta de qualquer maneira", acrescentou ele, subitamente, em um acesso de raiva.

"Depois disso, deixe-a em paz."

Tad Sobber encarou Dick por um instante. Então ele levantou seu copo de refrigerante e tentou jogá-lo no rosto de Dick. Mas Sam viu o movimento, empurrou o braço do valentão, e o refrigerante foi parar na orelha de Nick Pell.

"Ei, pare!" rugiu Nick Pell, enquanto o refrigerante escorria pelo seu pescoço. "Por que você fez isso?"

"A culpa foi do Sam Rover", respondeu Sobber.

"Meu colarinho novinho em folha está estragado!"

"Mande a conta para o seu comparsa", disse Tom.

"Vou me vingar de vocês!" rugiu o valentão, e levantou o copo de refrigerante vazio sobre a cabeça de Dick. Mas agora Tom avançou e arrancou o copo da mão de Sobber. Enquanto isso, a garota atrás do balcão tinha ficado mais assustada do que nunca e correu para os fundos da loja para pedir ajuda.

Parecia que poderia haver uma briga de verdade, mas em poucos segundos o proprietário da loja apareceu, armado com um cabo de esfregão que tinha pegado. Ele era pai da garota, e ela lhe contou como Tad Sobber a tinha agarrado pelos cabelos.

"Veja bem", começou o dono da loja de doces, e brandiu seu cabo de esfregão para o valentão. Então Sobber recuou do estabelecimento e Nick Pell fez o mesmo, e ambos começaram a correr rua acima.

"O que vocês, cadetes, querem dizer com vir aqui e incomodar minha filha?" exigiu o dono da loja, furioso. "Se não sabem se comportar, é melhor ficarem longe."

"Nós não machucamos sua filha", disse Sam.

"Meu irmão aqui fez o que pôde para salvá-la de ser incomodada", disse Tom.

"Oh, eu conheço vocês, cadetes! São todos farinha do mesmo saco!" resmungou o dono da loja. "Quero que saiam--e fiquem fora!"

"Sim, mas----" começou Dick.

"Nada de 'mas', rapaz. Quero que saia."

"Pai, ele fez o outro garoto soltar meus cachos", explicou a garota. "Ele pegou o outro garoto pela orelha."

"Pode ser, Fanny, mas esses jovens sangue-quente são todos iguais. Não quero o comércio deles. Eles devem cair fora, e ficar longe."

"Vamos, pessoal", disse Dick. "Não ficaremos se não somos bem-vindos." Ele se virou novamente para o dono da loja. "Mas quero que se lembre de uma coisa: nós não tivemos nada a ver com o incômodo à sua filha."

"Eles pagaram pelo refrigerante?" perguntou o homem subitamente.

"Não", respondeu a garota.

"Então essa turma tem que pagar", continuou o dono da loja, irracionalmente. "Quanto foi?"

"Dez centavos."

"Nós não compramos nada e não pagaremos por nada", disse Sam.

"Nem um centavo eu pagarei", acrescentou Songbird.

"Did vos a outrages!" explodiu Hans. "Se vocês nos insultarem mais, eu vou chamar um policial agora mesmo!" E ele estufou o peito indignado.

"Bem, caiam fora, e rápido!" gritou o homem, e levantou seu cabo. "Não me deixem pegar nenhum de vocês aqui dentro de novo também!"

"Não se preocupe--podemos gastar nosso dinheiro em outro lugar", disse Tom.

"Onde sejamos tratados decentemente", acrescentou Dick, e saiu da loja de doces.

Uma vez do lado de fora, os rapazes discutiram a situação por dez minutos, mas sem satisfação. Todos estavam indignados com a forma como o dono da loja os tratara, e Tom queria voltar escondido e pregar uma peça nele, mas Dick se opôs.

"Deixa pra lá, Tom. Ele é um homem mesquinho, só isso."

"Bem, vou mostrar para o pessoal o quão generoso ele é", respondeu Tom, com um sorriso repentino. "Esperem aqui alguns minutos", e ele correu para uma loja próxima onde vendiam papelaria. Quando saiu, tinha uma folha de papel de bom tamanho na mão e também vários selos vermelhos grandes.

"O que é isso?" perguntou Sam.

"É um cartaz para a vitrine da frente do dono da loja de doces."

Com cautela, Tom voltou à loja. Viu que o proprietário estava na sala dos fundos, servindo sorvete para vários clientes que tinham entrado. A garota também estava nos fundos. Rapidamente, Tom colou a folha de papel sob a vitrine, prendendo-a com os selos gomados. O papel dizia o seguinte:

BUQUÊS DE ROSAS GRÁTIS PARA TODAS AS JOVENS SENHORAS QUE COMPRAREM SORVETE AQUI HOJE. ENTREM!

"Agora vamos esperar por um pouco de diversão", disse Tom.

Eles não tiveram que esperar muito. O barco a vapor tinha chegado e vários passageiros estavam subindo a rua. Logo, um grupo de três garotas e um jovem avistou o cartaz.

"Oh, Clara", gritou uma das garotas. "Rosas grátis nesta época do ano, só de pensar!"

"Vamos entrar", disse o jovem, e liderou o caminho para dentro da loja. Então outro jovem apareceu com uma garota e eles também leram o cartaz e entraram. Logo, duas solteironas pararam e leram o anúncio.

"Eu amo sorvete, Angelina", disse uma. "Vamos entrar, tomar chocolate e pegar os buquês também." E elas seguiram a multidão para dentro.

A loja tinha duas janelas laterais, que estavam abertas alguns centímetros pela parte inferior para ventilação, e os cadetes se esgueiraram até essas janelas para ouvir a conversa. Todos pediram sorvete e começaram a comer, e então perguntaram pelos buquês.

"Buquês?" perguntou o dono da loja, confuso.

"Ora, sim", disse o jovem que tinha trazido as três garotas.

"Se não se importar, eu gostaria de rosas Jack", disse uma das donzelas.

"E eu gosto de American Beauties", disse outra.

"Não me importo com o tipo que receberei, desde que seja um grande cacho", acrescentou a terceira garota.

"Do que vocês estão falando?" exigiu o dono da loja.

"Estamos falando sobre os buquês que você está dando", disse o jovem. Ele tinha comido quase todo o seu sorvete e as garotas quase tinham terminado.

"Não estou dando nenhum buquê."

"Ora, sim, você está!" gritaram as garotas.

"Claro!" intrometeu-se uma das solteironas, desconfiada. "E eu quero um cacho de rosas tão bom quanto qualquer outra pessoa."

"Eu também", acrescentou a segunda solteirona.

"Vocês estão todos loucos?" exigiu o dono da loja. "Não estou dando nada."

"O quê!" exigiu o jovem que tinha entrado com uma garota. "Seu cartaz não diz isso. Diz 'buquês de rosas grátis para todas as jovens senhoras que comprarem sorvete hoje aqui'. Você tem que dar a esta jovem seu buquê ou eu não pagarei por este sorvete!"

"Onde está esse cartaz?" exigiu o dono da loja, e quando avisado, correu para fora e rasgou o anúncio em pedaços. "Isso é um--um ultraje! Eu não coloquei esse cartaz!"

Depois disso, houve uma guerra verbal que durou vários minutos. Ninguém queria pagar pelo sorvete comido, e como ele não podia fornecer os buquês, o dono da loja não podia cobrar. Em um acesso de fúria, ele expulsou os aspirantes a clientes e então começou a procurar pela pessoa que lhe tinha pregado tal peça. Mas os cadetes de Putnam Hall tinham se retirado daquela vizinhança e tiveram o cuidado de se manter fora de vista.

CAPÍTULO XV

UM PRESENTE SURPREENDENTE

O barco a vapor teve que carregar considerável carga em Cedarville, então permaneceu no pequeno cais durante a maior parte de meia hora. Durante esse tempo, os Rovers e seus amigos viram Tad Sobber e Nick Pell caminhando pela vila, mas não falaram com eles.

"Olá, aqui está algo novo", disse Songbird, enquanto passavam pelas lojas. "Um museu de dez centavos!"

"Uma coisa dessas nunca dará lucro aqui", foi o comentário de Dick. "Não há gente suficiente."

"É para ficar apenas uma semana", disse Sam, depois de ler o cartaz sobre a porta.

"Será que eles realmente têm cem cobras na coleção?" refletiu Tom, também lendo o cartaz. "Se for verdade, seria divertido se o bando se soltasse."

"Querem entrar e olhar as cobras?" perguntou Songbird.

"Eu não quero", respondeu Hans. "Se eu olhar para tantas dessas coisas nojentas, não conseguiria dormir por um mês ou sete dias, ain't it!" E ele estremeceu.

Enquanto os rapazes se afastavam, por acaso olharam para trás e viram Tad Sobber e Nick Pell saindo do "museu", assim chamado. O valentão estava conversando com um homem ligado ao show, um sujeito que costumava ficar do lado de fora, "anunciando" como se diz--isto é, pedindo às pessoas que subissem e entrassem para ver as maravilhas lá dentro.

"Sobber deve conhecer aquele sujeito", foi o comentário de Dick, mas não pensou mais nisso até muito tempo depois. Um pouco mais tarde, viram o valentão embarcar no barco a vapor, e Nick Pell voltou sozinho para Putnam Hall.

Os rapazes compraram as coisas que queriam e retornaram à escola. Eles não viram Nick Pell até o dia seguinte, e então este não lhes deu atenção. Sobber não retornou a Putnam Hall durante a maior parte de uma semana. Então, ele apareceu muito pensativo e olhava para todos os rapazes Rover de um jeito astuto e especulativo.

"Ele está com raiva de nós", disse Tom, mas o quanto Tad Sobber "estava com raiva" dos Rovers ainda estava por ser descoberto.

Os rapazes não tinham se esquecido do banquete proposto, e foi arranjado que aconteceria no dormitório ocupado pelos Rovers e alguns outros na terça-feira seguinte, à noite, assim que todas as luzes fossem apagadas. A notícia foi passada discretamente, e os rapazes Rover pensaram que apenas seus amigos íntimos sabiam do que estava acontecendo, mas eles estavam enganados.

Por puro acidente, Nick Pell ouviu Larry Colby e Fred Garrison falando sobre o banquete. Tinha sido arranjado que Larry e Fred contribuiriam com um grande bolo de passas e os dois rapazes estavam se perguntando como poderiam trazê-lo da padaria em Cedarville até o dormitório sem serem vistos.

"Não importa, daremos um jeito de alguma forma, mesmo que tenhamos que usar uma corda", disse Larry.

"Eles vão fazer um banquete", disse Nick Pell, correndo até Tad Sobber com a história. "Deveríamos contar ao Capitão Putnam e estragar as coisas para eles."

"Isso não nos trará benefício nenhum, Nick", respondeu o valentão. "O capitão pensa muito bem dos Rovers--ele não os puniria muito, especialmente porque este é o último semestre deles aqui. Vou pensar em outra coisa. Quero fazer algo com eles que se lembrem enquanto viverem."

"Você parece estar extra amargurado contra os Rovers desde que voltou de Ithaca", disse Pell, curioso.

"Estou? Bem, tenho bons motivos para estar amargurado", rosnou Tad Sobber. "Apenas me deixe colocar minha cabeça para pensar, e eu vou dar um jeito neles, e não se esqueça disso!"

Naquela noite, o valentão pediu permissão para ir a Cedarville para tratar de negócios importantes. Ele foi sozinho, e uma vez na cidade, apressou-se diretamente para o museu já mencionado. O proprietário tinha feito poucos ou nenhuns negócios na vila e estava prestes a se mudar para outro lugar.

Quando Tad Sobber retornou a Putnam Hall, ele carregava sob o braço uma caixa de papelão pesada que levava com grande cuidado. Ele escondeu essa caixa em um canto do celeiro, entre um pouco de feno solto.

"Estou pronto para dar um jeito nos Rovers agora", disse ele a Nick Pell. "Mantenha sua boca fechada, mas seus olhos bem abertos."

"O que você vai fazer?"

"Apenas espere e verá."

No horário marcado, os Rovers e seus amigos se reuniram no dormitório para o banquete. Uma grande quantidade de coisas boas tinha sido obtida, incluindo sanduíches de frango, bolo, laranjas e limonada. Tom tinha até pedido a um comerciante em Cedarville que embalasse várias barras de sorvete, e estas agora descansavam em gelo picado em uma bacia.

"Diga, mas isso é um toque dos velhos tempos", disse Sam. "Vocês se lembram do primeiro banquete que fizemos aqui, quando Mumps ficou morrendo de medo?"

"Certamente que sim!" gritou um dos outros estudantes. "Um brinde aos bons velhos tempos!" e ele ergueu seu copo de limonada aos lábios.

Em pouco tempo, o banquete estava a todo vapor. Havia um monitor de corredor que deveria estar de guarda, mas Tom tinha o subornado com uma fatia de bolo, alguns doces e uma laranja, e ele estava se mantendo em um corredor da frente, onde não podia ouvir o que estava acontecendo.

"Se não fosse pelo barulho, poderíamos cantar", disse Sam. "Como está, sugiro que Songbird recite 'Mary Had a Little Cow', ou algo igualmente edificante."

"Posso lhes dar um verso original que intitulei de 'Quando as Flores Enchem o Pomar, Querida Molly'", respondeu o autor de versos medíocres.

"Gracioso, isso soa como uma nova partitura de nove centavos", murmurou Dick.

"Você não pode assobiar?" sugeriu Tom. "Pode soar melhor."

"Toque em um pente fino", sugeriu Larry.

"Quem está pronto para sorvete?" perguntou Tom, depois que uma risada geral surgiu. "Isso não vai ficar duro para sempre."

Todos estavam prontos, e as barras foram cortadas, os pedaços colocados em pequenos pratos de madeira que tinham sido providenciados, e passados adiante. Depois vieram mais bolo e frutas.

No meio da diversão, houve uma batida súbita e inesperada na porta.

"Quem pode ser?" sussurraram vários alarmados.

"Apaguem as luzes!" disse Tom. "Aqueles que não pertencem aqui, fiquem debaixo das camas." E ele começou a tirar as evidências do banquete de vista, Dick e Sam ajudando-o.

Com corações trêmulos, os foliões esperaram pela batida ser repetida, e esperaram ouvir o som da voz do Capitão Putnam ou a do primeiro professor assistente.

"Bartlett poderia ter nos avisado", sussurrou Fred. Bartlett era o monitor que tinha sido subornado.

Nenhuma outra batida veio na porta, nem ninguém exigiu entrada. Os rapazes esperaram por vários segundos, cada um prendendo a respiração em ansiedade.

"Quem pode ser?" perguntou Sam ao seu irmão mais velho.

"Suponho que seja melhor eu ir ver", disse Dick. "Talvez alguns dos outros rapazes estejam aprontando alguma."

Com cautela, ele se aproximou da porta do corredor e a abriu. Apenas uma luz fraca estava acesa, e por um instante ele não conseguiu ver nada. Então, avistou um objeto branco no chão e o pegou. Era uma caixa de papelão, amarrada com um barbante forte.

"Isso deve ser algum tipo de brincadeira", disse ele, e voltou para o dormitório com a caixa nas mãos. "Acendam a luz e deixem-me ver o que é isso."

As luzes foram acesas e vários dos rapazes começaram a comer as coisas que tinham sido varridas para fora da vista. Todos olhavam curiosamente para a caixa de papelão.

"Aqui está um cartão no topo", disse Dick, e começou a lê-lo. A inscrição era a seguinte:

Para os Rapazes Rover, de suas amigas, Dora, Grace e Nellie.

Mantenham segredo entre vocês e seus amigos no banquete.

"Como raios eles sabiam que íamos fazer um banquete?" questionou Sam.

"E como eles conseguiram contrabandear a caixa para dentro do Hall?" perguntou Larry.

"Abra e veja o que tem dentro, Dick", veio de Tom. "Aposto que eles nos enviaram algo bom."

"Talvez seja um bolo em forma de pão", disse Fred.

"Ou um pudim", interrompeu Hans. "Eu adoro pudins de chocolate, yah!"

"Você não consegue embalar um pudim em uma caixa muito bem", comentou Songbird.

Segurando a caixa com uma mão, Dick desfez o barbante e tirou a tampa.

No instante seguinte, ele deu um grito de horror e Tom, que estava por perto, fez o mesmo e caiu sobre uma cadeira em seu susto.

Pois, de dentro da caixa, deslizou uma cobra real e viva, com mais de um metro de comprimento, e com olhos brilhantes e perigosos!

CAPÍTULO XVI

A CAÇA POR UMA COBRA

"É uma cobra!"

"E está viva!"

"Cuidado, ou ela vai morder você!"

"Lá vai ela pelo chão!"

Estes e vários outros gritos ecoaram pelo dormitório enquanto os cadetes viam o conteúdo da caixa. Vários tentaram recuar, e Hans tropeçou em Tom e ambos foram parar em um monte.

"Não deixe essa cobra me morder!" rugiu o jovem alemão.

"Talvez seja venenosa!" veio de Larry. Ele tinha buscado segurança saltando em uma cama.

Lentamente, a cobra erguera-se da caixa para encarar vários dos rapazes. Então, seus olhos frios e miúdos fixaram-se em Dick e ela soltou um silvo vicioso. Isso era mais do que o mais velho dos Rover podia suportar, e ele deixou a caixa e a cobra caírem apressadamente. A cobra deslizou para fora de vista debaixo de uma cama.

"Isso é uma brincadeira, sem dúvida", murmurou Sam. "Quem será que a pregou?"

"Você acha que as garotas enviariam uma cobra?" questionou Larry.

"Claro que não", respondeu Tom, que havia se levantado às pressas. "Isso é obra de algum inimigo."

"Cuidado! A cobra está ficando agitada!" gritou Sam, e ele estava certo; o réptil deixara o abrigo da cama e estava ziguezagueando pelo quarto, na direção de Songbird.

O aspirante a poeta não parou para discutir com Sua Serpentidade, mas, soltando um grito selvagem, saltou para o topo de um pequeno suporte que ficava em um canto. O suporte era frágil e veio abaixo com um estrondo, os destroços atingindo a cauda da cobra. Ela chicoteou e deu um bote no pé de Songbird, mas o rapaz foi ágil demais e saltou para a cama.

"Temos que matar essa cobra", observou Dick, depois que o réptil desapareceu por um momento debaixo de um lavatório. "Se não..."

Estrondo! Foi um prato que Sam atirou na cobra, quando sua cabeça apareceu por um instante. Depois, caiu uma chuva de sapatos, escovas, pratos e uma barra de sabão. Mas a cobra não ficou seriamente ferida. Ela sibilou viciosamente e ziguezagueou de um lado para o outro do dormitório, fazendo com que todos os rapazes subissem nos móveis.

"Essa barulheira vai acordar todo mundo na escola", disse Dick, e ele estava certo. Os rapazes mal tiveram tempo de tirar a maior parte das evidências da festa do caminho quando ouviram uma batida na porta.

"Cuidado aí!" gritou Tom. "Não abram essa porta se prezam pela vida!"

"O que houve?" veio a voz de George Strong.

"Uma cobra!" respondeu Dick, e então continuou num sussurro: "Rápido, rapazes, tirem o resto das coisas do caminho!"

Seus amigos entenderam, e os restos da festa foram varridos para debaixo das cobertas num piscar de olhos.

"Você disse que havia uma cobra aí dentro?" exigiu o professor.

"Sim, senhor", disse Sam. "Ele está bem perto da porta agora." E o que ele disse era verdade.

Pensando que o mais jovem dos Rover poderia estar brincando, o primeiro professor assistente abriu a porta cautelosamente e espiou para dentro do dormitório. Então, ele também soltou um grito de alarme, pois a cobra avançou e fez menção de morder seu pé. Para não ser pego, ele recuou, deixando a porta aberta cerca de trinta centímetros. Através dessa abertura, a cobra deslizou e desapareceu no corredor semiescuro.

A essa altura, Putnam Hall estava em alvoroço, e os rapazes saíam para os corredores exigindo saber se havia um incêndio ou um roubo. Logo o Capitão Putnam apareceu, envolto em um roupão e usando chinelos.

"Cuidado, todos vocês!" gritou George Strong. "É uma cobra e ela está solta em algum lugar deste corredor."

"Uma cobra!" exclamou o diretor de Putnam Hall. "De onde ela veio?"

"Estava no dormitório ali. Ouvi um barulho e fui ver o que estava acontecendo, e a cobra saiu do quarto e fugiu naquela direção", e George Strong apontou com a mão.

"Hum!" murmurou o Capitão Putnam. "Isso precisa ser investigado. Que tipo de cobra era?"

"Não sei, senhor, mas tinha pelo menos noventa centímetros de comprimento e sibilou alto enquanto passava por mim."

"Mais uma das travessuras dos rapazes, suponho. Mas isso é ir longe demais, especialmente se o réptil for venenoso."

As luzes foram acesas e aumentadas o máximo possível, e seguiu-se uma busca por todos os corredores. Quando os cadetes souberam que uma cobra estava realmente à solta na escola, muitos dos tímidos ficaram muito assustados.

"Ele pode envenenar um companheiro e matá-lo", disse um rapaz.

"Oh, não suporto cobras", disse outro. "Se ela viesse para cima de mim, com certeza teria um ataque."

A busca pela cobra continuou durante a maior parte de uma hora, mas sem sucesso. Peleg Snuggers foi forçado a participar da caçada e quase desmaiou quando viu algo debaixo de um suporte em um canto afastado.

"A cobra! A cobra!" ele gritou e começou a correr. Mas o que ele vira provou não ser nada além de um pedaço de corda velha de janela, e o faz-tudo foi motivo de tantas risadas que ficou feliz em sair de fininho.

"Ela deve ter descido as escadas", disse Dick, e então foi feita uma busca no andar de baixo. Ali, algumas janelas tinham sido deixadas abertas para ventilação, e o Capitão Putnam disse que era possível que o réptil tivesse escapado dessa maneira. Ele não acreditava muito nisso, mas achou que a cobra deveria ser inofensiva e queria dizer algo para acalmar os alunos que eram tímidos.

"Como a cobra entrou no quarto de vocês?" perguntou ele mais tarde aos Rover e seus colegas de dormitório.

"Ela veio nesta caixa", respondeu Dick, trazendo a caixa de papelão em questão. "Alguém bateu na porta e, quando a abrimos, a caixa estava no chão."

O Capitão Putnam olhou para a caixa e para a inscrição.

"Suas amigas devem ter gostos peculiares", disse ele, sorrindo.

"Claro que foi um truque, só para nos fazer pegar a caixa e abri-la", respondeu Tom.

"Você suspeita de alguém, Thomas?"

"Bem... não exatamente", disse o brincalhão Rover, lentamente.

"O que você tem a dizer, Samuel?"

"Tenho certeza de que não consigo imaginar quem poderia enviar aquela caixa."

"Richard, o que você pode me dizer sobre isso?"

Dick pausou e respirou fundo.

"Não posso lhe dizer nada agora, Capitão Putnam", respondeu ele lentamente. "Mas tenho uma ideia de como essa caixa veio parar aqui. Porém, odiaria acusar alguém a menos que tivesse certeza."

"O Sr. Strong disse que a cobra tinha pelo menos noventa centímetros."

"Certamente tinha tudo isso."

"Você acha que era uma cobra venenosa?"

"Não era uma cascavel, nem qualquer tipo de cobra que se encontre habitualmente nesta parte do nosso país, disso tenho certeza."

"Então você a viu bem?"

"Sim."

"Certamente não fazia ideia de que cobras desse tamanho pudessem ser encontradas perto da escola."

"Tenho quase certeza de que essa cobra nunca foi encontrada por aqui. Durante minhas viagens, estudei um pouco as cobras, e aquela variedade era estranha para mim."

"Entendo." O diretor de Putnam Hall refletiu por um momento. "Bem, é muito estranho. Mas, como a cobra desapareceu, acho que podemos nos retirar mais uma vez. Não imagino que tenhamos algo a temer."

Passou-se uma hora boa até que a escola ficasse quieta. Muitos dos rapazes estavam com medo de ir para a cama, e os professores não podiam culpá-los. Os Rover e seus amigos reuniram-se para discutir a situação em sussurros e, ao mesmo tempo, remover todos os vestígios da festa que fora tão curiosamente interrompida.

"Dick, o que você acha disso?" perguntou Tom.

"Acho que Tad Sobber é o culpado, Tom, mas não queria dizer isso ao Capitão Putnam."

"Você acha que ele conseguiu a cobra daquele museu?"

"Acho."

"Eu penso o mesmo", acrescentou Sam. "Você não se lembra de como ele estava conversando com aquele propagandista, como se fossem amigos? Certamente foi Sobber quem pregou essa peça."

"Se foi Sobber, deveríamos dar o troco", disse Songbird, sombriamente. "Uma cobra! Ugh, me dá arrepios só de pensar."

"Você não quer compor uma ode em sua homenagem?" questionou Tom, secamente. "Poderia ser assim:

Uma cobra sibilante e deslizante Manteve a escola toda desperta; Cada rapaz num susto terrível Estava à espera de uma mordida!"

"Você pode zombar se quiser, mas acho que não é caso de riso", observou Fred. "Imagine um sujeito ir dormir e acordar para encontrar aquela cobra rastejando sobre ele! Phew! fale sobre pesadelos!"

"Certamente faria um sujeito se sentir estranho", respondeu Sam. "Mas digo, Dick, se você tem certeza de que Sobber fez isso, por que não podemos dar o troco na mesma moeda?"

"Estou disposto, mas como isso pode ser feito?"

"Espere até amanhã à noite e eu mostrarei a vocês", respondeu o mais jovem dos Rover. "Isto é, a menos que a cobra seja pega nesse meio tempo."

"Você tem um plano para se vingar?" perguntou Larry.

"Sim."

"Enton vá em frente com certeza", veio de Hans. "Se esse sujeito Sobber for culpado, ele deveria ser pendurado no fundo do mar agora mesmo!"

"Só espere, e daremos um jeito no Sr. Tad Sobber", respondeu Dick. "Ele desejará nunca ter visto uma cobra." Ele tinha uma noção do que seu irmão Sam estava planejando fazer.

CAPÍTULO XVII

UMA CENA AGITADA NA SALA DE AULA

A caça pela cobra continuou durante todo o dia seguinte, mas sem sucesso. A essa altura, a empolgação havia diminuído e muitos dos cadetes esqueceram o incidente. Alguns disseram que devia ser uma brincadeira e riram pelas costas de George Strong.

"É uma das travessuras de Tom Rover", disse um aluno. "Aposto que ele está rindo por dentro de George Strong e do Capitão Putnam."

"Você acha que era uma cobra viva?" perguntou outro.

"Não, provavelmente era um brinquedo com um barbante."

No sigilo de seu quarto, Tad Sobber e Nick Pell riram alegremente da empolgação criada, isto é, Pell riu e o valentão riu com ele. Mas Sobber, no fundo, estava preocupado.

A verdade é que ele esperava que a cobra fosse morta. O homem que lhe vendera o réptil dissera que era da América Central e venenosa, mas acrescentara que a cobra estava doente e não era capaz de causar danos. Sobber não se importaria se Dick ou seus irmãos fossem mordidos pela cobra, mas o fato de o réptil estar à solta era outra história.

"Você acha que ela seria venenosa o suficiente para matar alguém?" perguntou Pell, subitamente, e ele ficou sério enquanto falava.

"Oh, não, claro que não", respondeu o valentão, mas ele desviou o rosto enquanto falava. Ele havia pago cinco dólares pela cobra e agora estaria disposto a dar uma quantia igual para ter certeza de sua morte.

À tarde, Sam liderou o caminho até uma pequena vitrine de répteis que ficava na parede do laboratório da escola. Nela havia uma cobra empalhada quase do tamanho daquela que havia desaparecido.

"Acho que podemos assustar Sobber e Pell com isso", disse ele aos seus irmãos.

"De qualquer forma, podemos tentar", respondeu Tom, aderindo ao plano imediatamente.

"Temos que ter cuidado com o que fazemos", acrescentou Dick. "Caso contrário, a dupla vai desconfiar."

Eles conversaram sobre o assunto e conseguiram levar a cobra para o andar de cima sem que ninguém os visse. Depois, fizeram uma visita ao dormitório ocupado pelo valentão e seus comparsas e passaram alguns fios pretos resistentes pelo chão e em outros lugares. Depois disso, contaram a Songbird e aos seus outros amigos o que havia sido feito.

Naquela noite, Sobber, Pell e seus amigos foram para a cama como de costume. Mas mal tinham apagado as luzes quando ouviram um som de farfalhar curioso no chão, perto da porta.

"O que é isso?" perguntou Pell, que tendia a ser nervoso.

"Não sei, com certeza", respondeu Sobber.

O farfalhar continuou, e algo parecia se mover pelo chão. Imaginando o que poderia ser, o valentão se levantou e acendeu uma luz. Então, ele deu um grito e recuou.

"A cobra!"

"Onde ela está?" gritou Pell, sentando-se ereto na cama e com os cabelos em pé.

"Ali está ela, no canto."

"A cobra! A cobra!" chamaram os outros rapazes no quarto, e alguns estavam tão assustados que mergulharam debaixo das cobertas.

A luz não era forte o suficiente para ver claramente, e ninguém teve coragem de fazer uma iluminação maior. Sobber estava no centro do quarto e, enquanto fazia isso, a cobra subitamente pareceu voar pelo ar diretamente para ele.

"Oh!" ele gritou. "Vá embora!" e ele se jogou na cama e cobriu-se com um cobertor. Ele sentiu o réptil atravessar a cama e ficou ali tremendo de terror mortal. Então ele ouviu algo se movendo pelo chão.

"Essa cobra está decidida a me morder!" murmurou ele para si mesmo. "Oh, por que eu a trouxe para a escola!"

"Alguém chame o Capitão Putnam!" veio de Nick Pell. Ele estava tão assustado que mal conseguia falar.

Havia uma campainha de emergência perto da porta, para ser usada em caso de incêndio, e um dos rapazes a acionou. Imediatamente o alarme soou e, em poucos minutos, os corredores estavam cheios de alunos como na noite anterior, enquanto alguns dos professores e Peleg Snuggers apareciam com extintores de incêndio químicos nas mãos.

"Onde é o incêndio?"

"Devo telefonar para o corpo de bombeiros de Cedarville?"

"Alguém se queimou?"

"Em que quarto é?"

Essas foram algumas das perguntas feitas. Então, o Capitão Putnam correu para o local.

"É a cobra de novo!" lamentou um dos cadetes, que agora estava de pé sobre sua cama, com os olhos arregalados.

"Você tem certeza?"

"Sim, a cobra está aqui dentro", respondeu Tad Sobber. "Ora, ela praticamente saltou sobre a minha cama!"

"Ela tentou me morder na cara!" veio de Nick Pell, que estava tão agitado que mal sabia o que estava dizendo.

Mais luzes foram acesas, e o Capitão Putnam saiu para buscar uma espingarda.

"Se eu a avistar, vou explodi-la em pedaços", disse ele a George Strong.

Seguiu-se uma longa busca, e então veio um grito repentino de um canto do dormitório.

"Lá está ela!"

"Atire nela, Capitão Putnam!"

O diretor da escola mirou e aproximou-se lentamente. Então, ele subitamente abaixou o cano de sua espingarda, deu um passo à frente e pegou a cobra pela cauda.

"É uma cobra empalhada", disse ele. "Ela pertence à vitrine no laboratório."

"Uma cobra empalhada?" questionou Tad Sobber, e quando percebeu a verdade, ele foi o rapaz mais furioso daquela escola.

"Veja aqui", disse o diretor da escola, voltando-se para Dick. "Foi isso que vocês viram ontem à noite?"

"Não, senhor", foi a resposta imediata. "O que vimos foi uma cobra real e viva."

"Com certeza foi", disse George Strong.

"Você tem certeza de que esta é da vitrine do laboratório, Capitão Putnam?" questionou Andrew Garmore, um dos professores.

"Sim, eu a conheço bem. Além disso, aqui está a etiqueta nela."

"Bem, eu olhei a vitrine hoje cedo e ela estava cheia como sempre esteve."

"É um truque comigo!" rugiu Tad Sobber, furiosamente. "Espere só, vou dar o troco em alguém por isso!" E ele olhou severamente para os Rover.

"Sobber deve gostar de cobras, eu o vi no museu em Cedarville um dia", respondeu Dick, encarando o valentão corajosamente. Com isso, Sobber ficou vermelho e saiu de fininho.

"Para a cama, todos vocês", disse o Capitão Putnam bruscamente. "Investigarei isso pela manhã."

Como na noite anterior, levou um longo tempo para a escola se acalmar. Os irmãos Rover e seus amigos deram uma boa risada sobre o sucesso do truque.

"Nossa! Como Sobber está furioso", disse Fred. "Vocês precisam tomar cuidado, ele fará quase qualquer coisa para se vingar."

A investigação prometida no dia seguinte não se concretizou, pelo motivo de o Capitão Putnam ter sido chamado para tratar de negócios importantes. Assim, dois dias se passaram, e o incidente da cobra foi novamente praticamente esquecido pela maioria dos alunos.

No dia seguinte, o diretor da escola voltou e disse que iniciaria sua investigação naquela tarde após a sessão escolar.

"E deixem-me dizer uma coisa", anunciou ele. "Quem quer que tenha trazido aquela cobra real para esta academia terá que sofrer as consequências."

Naquela tarde, em uma das salas de aula, alguns dos alunos estavam recitando história quando, de repente, um grito selvagem ecoou pelo ar e Nick Pell foi visto saltar de seu assento e fugir de sua mesa como se um demônio estivesse atrás dele.

"O que houve, Pell?" exigiu o professor.

"A--a cobra!" gemeu Nick. "Oh, sou um rapaz morto!"

"Onde ela está?" perguntaram uma dúzia de vozes.

"Na minha mesa! Ela acabou de me morder na mão! Oh, sou um rapaz morto, sei que sou!" E Nick Pell tremia da cabeça aos pés em seu terror.

O anúncio de que a cobra estava na mesa de Nick foi recebido de várias maneiras pelos rapazes presentes. Alguns acharam que deveria ser a cobra real e outros acharam que poderia ser apenas um truque. Com cautela, o professor aproximou-se da mesa, armado com uma régua. Então veio um som sibilante e a cobra colocou a cabeça para fora.

"Ela está viva!" gritaram uma dúzia de cadetes.

"Matem-na! Matem-na!"

"Vão vocês e matem-na!"

"Eu não tenho nada."

"Nem eu."

"Atirem um livro nela", sugeriu Tom, e lançou seu César. Sua pontaria foi boa e a cobra foi atingida no pescoço e caiu no chão. Então, os rapazes atiraram livros, réguas e tinteiros no réptil, e ele foi levado para um canto. Dick pegou um grande livro de geografia, deixou-o cair em cima da cobra e pisou nele. O réptil se contorceu, mas não conseguiu escapar, e em alguns segundos foi morto.

"Esse é o fim daquela cobra", disse Sam, dando um suspiro de alívio. "E estou muito feliz por isso."

"Estou envenenado! Estou envenenado!" gritou Nick Pell. "Vejam, minha mão já está inchando!"

"Vocês acham que ele foi realmente mordido?" sussurrou Tom.

"Parece que sim", respondeu Dick. "Uma pena, se a cobra realmente fosse venenosa."

A essa altura, o Capitão Putnam havia entrado. Ele olhou para a cobra morta e deu um pulo.

"Aquela coisa mordeu você, Pell?" questionou ele.

"Sim, senhor, bem aqui, na, na palma da mão", gritou o jovem. "Vejam como está inchando."

"Telefonarei para um médico imediatamente. Venha ao meu escritório e verei o que posso fazer por você."

Nick certamente fora mordido e agora a mão estava duas vezes o seu tamanho normal, enquanto a dor era aguda. O rapaz tremia como uma folha.

"Estou envenenado, eu sei que estou!" ele lamentou. "É tudo culpa de Tad Sobber também! Oh, se eu morrer!" E então, de repente, ele caiu no chão em convulsões.

CAPÍTULO XVIII

NO QUAL TAD SOBBER DESAPARECE

Todos os que estavam perto de Nick Pell ficaram espantados ao ver o rapaz cair no chão. O Capitão Putnam e Dick Rover o levantaram. Seus olhos estavam revirando assustadoramente e suas mandíbulas abriam e fechavam com um estalo que era nauseante.

"Algo está certamente errado com ele", sussurrou Sam para Tom.

"Sim, ele não agiria dessa forma se estivesse apenas assustado", foi a resposta. "E vejam a mão dele!"

"Vamos levá-lo para um dos quartos de hóspedes", disse o Capitão Putnam. "E, Sr. Strong, cuide para que tenhamos um médico aqui o mais rápido possível. Diga-lhe que é um caso de envenenamento por cobra e pergunte-lhe pelo telefone o que seria melhor fazermos."

Nick Pell foi levado para o andar de cima. A essa altura, ele parara de se mover e jazia como um tronco nas mãos daqueles que o apoiavam.

Muitos tinham ouvido ele mencionar Tad Sobber e todos olharam para o valentão com indagação. Sobber estava mortalmente pálido, mas conseguiu manter uma aparência ousada.

"Não sou o culpado", disse ele, em resposta a uma pergunta de um dos professores. "Não coloquei a cobra na mesa de Pell."

"Você trouxe a cobra para a escola?"

"Certamente não", respondeu o valentão descaradamente. Ele decidiu ficar longe de problemas, mesmo que fosse necessário mentir para isso.

Um chamado urgente foi enviado ao Doutor Fremley de Cedarville, e ele veio tão rapidamente quanto sua égua pôde trazê-lo. Apenas os professores e o médico foram permitidos no quarto com Pell, então os cadetes não sabiam o que aconteceu.

"É claro como a luz do dia", disse Dick ao seu irmão e aos seus amigos. "Sobber pegou a cobra e a colocou na caixa. É por isso que Pell disse que ele era o culpado."

"Mas Sobber disse a um professor que não trouxe a cobra para o Salão", respondeu Songbird.

"Eu não acredito nele", veio de Tom.

"Nem eu", acrescentou Sam. "Ele é um ovo podre, se é que já existiu um."

O envenenamento de Nick Pell lançou um desânimo sobre toda a escola, e nem os professores nem os alunos conseguiam se concentrar nas aulas. O médico permaneceu com o paciente por duas horas, e quando ele saiu, parecia muito grave.

"Ele não está de forma alguma fora de perigo", anunciou o médico. "Mas esperemos pelo melhor. Acho que os pais dele devem ser notificados."

Isso foi feito, e o Sr. e a Sra. Pell vieram logo no dia seguinte para ver seu filho. Encontraram-no com um pouco de febre e fora de si, gritando continuamente para que Sobber tirasse a cobra dali.

"Richard, quero vê-lo", disse o Capitão Putnam naquela noite, e levou Dick ao seu escritório particular. Lá, ele exigiu saber o que o Rover mais velho sabia sobre o incidente da cobra.

"Capitão Putnam, vou lhe contar tudo do início ao fim", respondeu Dick. "Se eu tiver que sofrer, aceitarei minha punição, e Tom e Sam dizem que estão prontos para fazer o mesmo." E, então, Dick relatou os detalhes do problema com o valentão e Pell, e de como ele e seus irmãos, Songbird e Hans, tinham visto Sobber e Pell no museu onde as cobras estavam. Depois, ele contou sobre a festa e como a cobra havia sido descoberta na caixa.

"Eu guardei a caixa", acrescentou ele, "e o senhor pode olhar a escrita se desejar. Acho que é a letra de Tad Sobber, embora um pouco disfarçada."

O endereço na caixa foi investigado pelo diretor do Salão, que pediu várias redações que Tad Sobber havia escrito. O valentão ficou muito perturbado quando teve que entregar as redações a George Strong.

"Para que é isso?", perguntou ele, com uma carranca no rosto.

"O Capitão Putnam as quer", respondeu o professor, e não disse mais nada.

Com olhos ansiosos, o valentão observou o primeiro assistente desaparecer no escritório com as redações. Então, olhando para garantir que não estava sendo observado, ele se esgueirou até a porta e encostou o ouvido na fechadura. O que ouviu encheu-o de um alarme crescente.

"É a caligrafia de Sobber, sem dúvida", disse o Capitão Putnam, após comparar as redações com o endereço na tampa da caixa. "Será que ele sabia que a cobra era venenosa?"

"Talvez Nick Pell possa dizer isso — depois que ele se recuperar do seu problema", respondeu Dick.

"Desde que ele se recupere, Richard."

"O senhor não acha que ele vai se recuperar?", gritou Dick, em consternação.

"Pode não se recuperar. É um caso muito sério, segundo me informa o Doutor Fremley."

"O que o Sr. Pell diz sobre isso?"

"Ele quer que eu investigue. Ele diz que pode mandar alguém ser preso por isso — e dificilmente posso culpá-lo. Foi uma coisa vil de se fazer — trazer uma cobra venenosa para a escola."

Ao mencionar a prisão, Tad Sobber cerrou os dentes com força.

"Acho que já está na hora de eu desaparecer", murmurou ele. "Talvez seja melhor eu ir embora e me juntar ao Tio Sid." E ele se afastou silenciosamente até o seu quarto. Permaneceu lá por cerca de dez minutos, depois saiu furtivamente por um caminho dos fundos, com um volume de tamanho considerável sob o braço.

Ao final da entrevista no escritório, o Capitão Putnam mandou chamar Tad Sobber. Um dos monitores foi cumprir a tarefa e voltou em um quarto de hora com a informação de que o rapaz não podia ser encontrado.

"Ele tinha permissão para sair das dependências?", perguntou o capitão aos professores.

"Não de mim", disse um instrutor após o outro.

Então, Peleg Snuggers foi enviado para caçar o valentão e logo voltou com a informação de que Sobber não estava nas redondezas, mas tinha sido visto por dois dos cadetes caminhando na direção de Cedarville. Sobber havia dado a um dos cadetes um bilhete para o diretor do Salão. Dizia o seguinte:

"Preciso ir à vila tratar de um assunto de grande importância. Explicarei quando voltar. — T. Sobber."

"Talvez ele tenha ido descobrir sobre aquela cobra", sugeriu Tom.

"Como ele poderia?", veio do seu irmão mais novo. "O zelador do museu foi embora."

"Tad pode saber para onde ele se mudou", acrescentou Larry.

Um dia inteiro se passou e o valentão não apareceu. Então, o Capitão Putnam foi de carro até a vila e tentou encontrá-lo, mas sem sucesso. Ele soube que o homem do museu havia enviado seu equipamento para Boston.

"Ele fugiu", disse o diretor do Salão ao Sr. Pell e a George Strong. "Estou convencido agora de que ele era culpado. Mas, como Nick sabia disso, ele deve ter tido alguma participação", acrescentou.

"Espero que meu filho se recupere", respondeu o Sr. Pell, com um suspiro profundo. Mas os dias se passaram e Nick Pell ainda permanecia em mau estado, muito fraco e fora de si na maior parte do tempo. Durante seus intervalos de lucidez, ele contou como Sobber havia comprado a cobra por cinco dólares, o dono dizendo que ela estava doente e morreria em breve. Ele acrescentou que o valentão havia dito que esperava que a cobra mordesse um dos Rovers.

"Eu não queria que ele usasse a cobra", disse o paciente, "mas ele insistiu e me disse para manter minha boca fechada sobre isso." Depois disso, o pobre Nick começou a delirar novamente e teve que receber um remédio para ficar quieto. Durante um de seus bons momentos, ele foi transferido para uma casa localizada a cerca de oitocentos metros de Putnam Hall, onde pudesse obter o benefício de silêncio absoluto. Seu pai voltou aos negócios, mas sua mãe permaneceu para cuidar do filho.

As férias de Ação de Graças estavam próximas, mas os irmãos Rover decidiram permanecer no Salão e não ir para casa até o Natal. Além disso, eles estavam se preparando para a festa no chalé dos Stanhope, que aconteceria na quarta-feira seguinte à noite. Eles tinham visto Dora, Nellie e Grace várias vezes, e todas haviam se preparado para "o melhor momento de todos", como as garotas diziam. O Capitão Putnam deu aos rapazes permissão para usar o veículo de transporte e permitiu que deixassem a escola no dia da festa, às seis horas.

"Uau! Lá vamos nós!", gritou Tom, enquanto pegava o chicote e o estalava ruidosamente. "Segurem-se, pessoal! Peleg, não deixe a equipe perder o ritmo", ele continuou, para o cocheiro.

"E não vá fazer com que eles fujam, Mestre Tom", respondeu o cocheiro, severamente.

"É uma viagem longa e não queremos nos atrasar", disse Dick. "Então, acelere o máximo que puder."

"Diga, Tubby, onde está sua cartola?", perguntou Sam ao cadete almofadinha, que fazia parte do grupo.

"Eu... ah... achei que não seria... ah... exatamente apropriado", balbuciou William Philander. "Não sendo... ah... traje de gala, sabe."

"Ele estava com medo de amassá-la", disse Fred. "Viva! Estamos partindo! Agora, por uma boa noite de diversão!"

Eles teriam uma boa noite de diversão — e uma aventura muito incomum com ela.

CAPÍTULO XIX

O QUE ACONTECEU NA FESTA

Era uma noite clara e brilhante quando os rapazes foram de carro até o chalé dos Stanhope. Todos estavam de bom humor e cantavam e brincavam à vontade. Por enquanto, o problema com Tad Sobber estava totalmente esquecido. Até o momento, nada mais se ouvira sobre o valentão, e todos estavam satisfeitos por ele ter deixado tanto Putnam Hall quanto Cedarville, talvez para sempre.

"Um rapaz me disse que ele costumava morar com um tio na cidade de Nova York", disse Larry. "Ele não sabia o nome do tio."

Quando o veículo chegou à casa dos Stanhope, encontraram o chalé bem iluminado. Dora havia convidado várias de suas amigas e estas, junto com suas primas, Grace e Nellie, já estavam presentes. Os rapazes soltaram um brado vibrante ao pararem no bloco de montaria, e as garotas saíram para recebê-los.

"Estão todos aqui?", gritou Dora.

"Todos aqui", foi a resposta.

"Bom!", gritaram várias das garotas.

"Acho que chegamos um pouco cedo", observou Dick. "Mas queríamos ter certeza de que não nos atrasaríamos, e a viagem é longa."

"Vocês não chegaram nem um pouco cedo demais", respondeu Dora, e estendeu-lhe sua mão delicada, que ele apertou ardentemente.

Logo os rapazes estavam descendo do veículo, e um aperto de mão geral se seguiu. Aqueles que não se conheciam foram apresentados, e todos entraram na casa, onde um quarto no andar de cima havia sido preparado para a recepção dos cadetes.

"Agora, todos devem se sentir perfeitamente à vontade", disse a Sra. Stanhope, que estava sendo auxiliada pela Sra. Laning e pelo Sr. Laning. Os mais velhos prepararam os refrescos enquanto os jovens sentavam-se na sala de estar e na sala de visitas.

A princípio, como em todas as festas, havia um pouco de rigidez, mas isso logo foi quebrado por Tom perguntando com uma voz solene:

"Diga, alguém trouxe um iceberg no bolso? Se trouxe, por favor, coloque-o no fogão da cozinha para descongelar."

"Oh, Tom!", gritou Nellie, e todas as garotas riram. Então, o "gelo foi quebrado" e todos começaram a falar ao mesmo tempo. Até William Philander ficou satisfeito, pois descobrira uma garota alta e esguia que se encaixava exatamente no seu gosto e que o achava encantador.

No início, eles jogaram meia dúzia de jogos diferentes e fizeram charadas, e Songbird recitou um poema escrito em homenagem à ocasião. O poema era o melhor esforço que ele já fizera em termos de versos e, claro, todos aplaudiram. Então, Grace disse que ele deveria publicá-lo no jornal semanal de Cedarville, e isso deixou o poeta muito satisfeito.

"Talvez você consiga um dólar por linha por ele, Songbird", sugeriu Dick.

"Se ele conseguir, deixaremos que divida conosco", acrescentou Tom, e isso causou risos.

Logo os refrescos foram anunciados, e os rapazes e garotas formaram pares e entraram na sala de jantar. Ali, uma longa mesa estava posta, decorada com folhas de outono e as cores de Putnam Hall. Havia seis velas coloridas na mesa, cada uma com uma elaborada cúpula vermelha, e o efeito geral era caloroso e agradável. Havia muitas coisas boas para comer, incluindo sorvete congelado em todo tipo de forma. Quando as formas foram passadas, Dick recebeu um tambor-mor, Tom um Tio Sam, e Sam um dirigível. Hans recebeu um gordinho holandês, o que o divertiu imensamente.

"Isto parece exatamente com alguns garotos da Pátria", observou ele.

Com o sorvete vieram bombons de papel, cheios de todo tipo de coisa feita de papel, e logo um rapaz estava usando um avental, outro uma touca de dormir, e assim por diante. Dora ganhou uma jaqueta amarela, e Nellie uma touca de padeiro, enquanto Grace saltitava usando um chapéu de aba larga com mais de trinta centímetros de altura. Havia muitas risadas, e os mais velhos não hesitaram em participar. Nozes e passas seguiram o sorvete, e então os jovens voltaram para a sala de estar e para a sala de visitas para terminar seus jogos e ouvir um pouco de música.

"Dora, você deve tocar para nós", disse Dick, e a levou ao piano. Então, enquanto alguns dos outros se reuniam em volta, a garota tocou "Waiting for the Wagon", "Aunt Dinah's Quilting Party" e várias outras favoritas, que a multidão cantou com entusiasmo.

"Acho que já está na hora de irmos", sussurrou Fred para Dick, logo depois. "Sei que você gostaria que Dora tocasse a noite toda para você, mas não pode ser."

Dick olhou para o seu relógio.

"Puxa! Tão tarde assim!", exclamou ele baixinho. "Sim, teremos que ir."

"Vamos cantar 'Home, Sweet Home'", sugeriu um dos rapazes, e Dora começou com os acordes de abertura. Eles estavam no meio da primeira estrofe quando Dick, por acaso, olhou em direção a uma das janelas e parou abruptamente.

Um homem estava do lado de fora, espiando a festa.

Era Merrick!

"Bem, essa não!", explodiu o Rover mais velho, e sua exclamação repentina fez Dora olhar para ele curiosamente e parar de tocar.

"O que houve, Dick?"

"Você viu aquele homem na janela? Ele se foi agora."

"Eu não vi ninguém."

"Quem era?", perguntou Tom, rapidamente.

"Era aquele canalha do Merrick!"

"Merrick!", exclamou Sam. "O sujeito que pegou os títulos do Tio Randolph?"

"O próprio."

"Oh, Dick, você deve estar enganado."

"Eu não estava enganado — eu o vi claro como a luz do dia. Vou procurá-lo", acrescentou o Rover mais velho, pois o homem havia desaparecido.

Ele correu para a porta do saguão, e os outros rapazes o seguiram. As garotas permaneceram na sala, muito assustadas, pois já passava da meia-noite.

Ao chegar à varanda, Dick viu uma forma escura se esgueirando ao longo de uma fileira de arbustos perto da cerca do jardim.

"Ali está ele!", exclamou. "Pare!", gritou ele, em voz alta. "Pare, eu lhe digo!"

"Quem você disse que era?", perguntou John Laning, ao sair da cozinha com uma bengala robusta na mão.

"Aquele canalha do Merrick, um dos dois homens que roubaram os títulos da companhia de tração do meu tio", explicou Dick.

"O que ele estaria fazendo aqui?"

"Eu não sei. Lá vai ele, pulando a cerca!"

"Ele está correndo em direção à estrada lateral!", exclamou Sam. "Vamos atrás dele!"

"Esperem até pegarmos nossos chapéus e casacos", disse Tom, e correu de volta para pegar os itens mencionados. Isso levou alguns minutos, e quando ele voltou, Merrick já não estava mais à vista.

Os três Rovers correram para a estrada lateral, Fred Garrison e o Sr. Laning com eles.

"Eu gostaria de ter uma pistola", comentou John Laning. "Não há como saber o quão desesperado pode ser um personagem como aquele vilão."

"Eu gostaria de saber se ele veio a pé ou a cavalo", disse Dick.

"Você acha que ele nos seguiu até este lugar?", perguntou Sam.

"Tenho certeza de que não sei. A coisa toda parece muito estranha para mim."

Não havia lua, mas as estrelas brilhavam intensamente, então eles podiam ver razoavelmente bem na estrada. Ao chegarem a uma curva, Tom apontou para frente.

"Ali está ele, entrando nos arbustos!"

"É melhor ele não seguir por ali", foi o comentário do Sr. Laning, "a menos que conheça bem o terreno."

"Por que não?", perguntou Sam.

"Logo depois daquele trecho de floresta fica o Pântano de Nixon, como é chamado — um lugar tão pantanoso e traiçoeiro quanto se pode encontrar por quilômetros. Se ele não tomar cuidado, ficará preso lá e nunca mais sairá."

"O senhor conhece o pântano?", perguntou Dick. "Quero dizer, os bons caminhos?"

"Razoavelmente bem — eu costumava vir aqui quando era menino — para colher mirtilos. Eles são abundantes do outro lado do pântano."

"Então, suponho que o senhor lidere o caminho e nós seguiremos."

Eles logo estavam na floresta e viram um caminho bem definido correndo para o leste. Além dele ficava o Pântano de Nixon, e ainda mais adiante, outra floresta.

Eles estavam com medo de ter perdido o rastro do homem que perseguiam quando ouviram um estalo à frente, seguido por um curto grito de alarme. Merrick havia tropeçado em um tronco caído e mergulhado de cabeça em alguns arbustos espinhosos. Levou algum tempo para se soltar, e enquanto isso os perseguidores se aproximavam.

"Eu o vejo!", gritou Tom. "Ele está virando à direita!"

"Ele está indo para a pior parte do pântano", foi o comentário do Sr. Laning. "Se ele não tomar cuidado..."

Um minuto depois, um grito selvagem ecoou à frente. O grito foi repetido duas vezes, e então tudo ficou tão silencioso quanto um túmulo.

"Ele deve ter caído no pântano", exclamou Dick.

"Sim, e muito provavelmente ele está se afogando", acrescentou John Laning.

CAPÍTULO XX

DICK E DORA

Os rapazes estavam quase com medo de penetrar mais na floresta, pois achavam o solo cada vez mais úmido e esponjoso sob seus pés. Todos pararam e se reuniram em torno do Sr. Laning.

"O senhor acha que ele realmente se afogou?", perguntou Sam, com um leve tremor.

"Pode ser", foi a resposta do fazendeiro. "Conheço um homem que se afogou aqui há alguns anos, e todos os anos gado é perdido aqui. O fundo do pântano é muito viscoso, e uma vez que a pessoa entra, ela afunda e desaparece."

"O que devemos fazer?", questionou Tom.

"Podemos seguir em frente, mas queremos ser muito cuidadosos. Não deem um passo até terem certeza de onde estão pisando. Se sentirem que estão afundando, agarrem-se a alguma árvore ou arbusto."

O Sr. Laning liderou o caminho e os rapazes o seguiram, até percorrerem uma distância de quinze ou dezoito metros. Ali, o solo era tão macio que tiveram que saltar de uma raiz de árvore ou touceira de arbustos para outra. Enquanto avançavam, ouviam atentamente qualquer som vindo de Merrick, mas nenhum veio.

"Olá, o que é isto?", gritou Dick, logo depois, e moveu-se para o lado, perto de uma poça de água escura e traiçoeira. "Um chapéu de homem!"

Ele o pegou e o virou. Por dentro estavam as iniciais, S. A. M.

"Deve ser de Merrick", continuou ele. "Ele pode ter afundado aqui?"

Os outros vieram ao seu chamado e todos olharam para o chapéu, que estava deitado na lama ao lado da poça. Então, um fósforo foi riscado, e todos olharam em volta e para dentro da poça enquanto essa luz fraca durava. Nenhum outro vestígio do homem desaparecido podia ser visto.

"Merrick, onde você está?", chamou Dick. "Se você precisa de ajuda, diga, e tentaremos tirá-lo daí."

"Você acha que ele responderia a esse chamado?", perguntou Fred.

"Acho que ele preferiria ir para a prisão a morrer neste pântano", foi a resposta.

Os estudantes e o Sr. Laning moveram-se cautelosamente ao redor da borda do pântano por meia hora e então retornaram para a estrada. Para marcar o local onde o chapéu fora encontrado, Dick pendurou o objeto em um galho de árvore.

"Podemos voltar à luz do dia e fazer outra busca", disse ele. "E podemos notificar as autoridades também."

Quando voltaram ao chalé dos Stanhope, encontraram os outros esperando ansiosamente pelo seu retorno.

"Vocês o pegaram?"

"Ele feriu vocês?"

"Não, não o pegamos, e ninguém está ferido", respondeu o Sr. Laning. "Nós o perdemos no pântano, e não há como dizer onde ele está agora."

"Quero colocar as mãos nele por dois motivos — isto é, se ele estiver vivo", disse Dick. "Quero recuperar aqueles títulos e quero saber o que o trouxe a este chalé."

"Talvez ele tenha vindo aqui para roubar os Stanhope", sussurrou Tom. "Mas não vou contar a eles, pois isso os assustará demais."

"Não, não diga uma palavra, Tom. Se você disser, a Sra. Stanhope ficará tão nervosa quanto sempre esteve."

"Eu e minha família vamos ficar aqui esta noite", anunciou o Sr. Laning; "então podemos sair em busca desse homem logo cedo pela manhã."

"E eu irei de carro, se o Capitão Putnam me permitir", respondeu Dick.

O aparecimento de Merrick havia lançado um balde de água fria no encerramento da festa, e os Rovers estavam bastante silenciosos enquanto voltavam para a escola. Era tarde demais para falar com o Capitão Putnam naquela noite, mas Dick levantou cedo e viu o diretor do Salão antes do café da manhã.

"Espero que tenham se divertido ontem à noite", disse o Capitão Putnam, sorrindo.

"Nós nos divertimos, senhor", disse Dick. "Mas nossa festa terminou de uma maneira que não esperávamos", e então ele contou o que havia ocorrido.

O capitão ouvira falar dos títulos desaparecidos da companhia de tração, e ele permitiu prontamente que Dick voltasse ao chalé, usando um cavalo e uma charrete para esse fim. Sam e Tom queriam ir também, mas o Capitão Putnam se opôs.

"Acho que um é suficiente, especialmente porque o Sr. Laning também está lá", disse ele.

Com um bom cavalo e uma charrete leve, não demorou muito para o Rover mais velho chegar ao chalé dos Stanhope. A família tinha acabado de tomar café da manhã e ficou surpresa ao vê-lo tão cedo.

"Você não comeu nada?", perguntou Dora. "Se não, entre logo, e prepararei uma omelete e um café para você."

— Não, obrigado, Dora — ele sussurrou. — Terei que esperar por isso até que estejamos mantendo casa juntos. Então...

— Oh, Dick! — ela exclamou e corou como uma rosa.

— Tomei café da manhã enquanto dirigia até aqui — uma laranja e alguns sanduíches — continuou o jovem. — A Sra. Green preparou-os para mim. Há alguma novidade?

— Não. O tio John está esperando por você. Ele está no depósito de lenha, experimentando umas botas de borracha velhas. Ele diz que é preciso usar botas de borracha para entrar no pântano.

Dick correu para o depósito de lenha e descobriu que o Sr. Laning tinha desenterrado dois pares de botas, e ele vestiu um par enquanto o fazendeiro calçava o outro. Um pouco mais tarde, ambos entraram na charrete e subiram a estrada pela qual haviam viajado na noite anterior. Depois, amarraram o cavalo a uma árvore e seguiram pela trilha que levava à beira do pântano.

— Olá, o chapéu sumiu! — exclamou Dick, ao chegar perto da poça negra.

— Talvez tenha caído no chão — sugeriu John Laning.

Ambos olharam em volta, mas não conseguiram ver nada da cobertura de cabeça desaparecida. Então Dick avistou um pedaço de papel preso à árvore.

— Aqui está uma mensagem de algum tipo — disse ele, e leu. A mensagem dizia o seguinte:

"Acho que enganei vocês desta vez. Fiquei na árvore o tempo todo. Quando vocês lerem isto, estarei a quilômetros de distância. Até a próxima."

— Hum! — resmungou Dick. — O que você acha disso? — E passou a mensagem para seu companheiro.

— Ele certamente nos enganou — respondeu o Sr. Laning. — Suponho que aqueles gritos fossem apenas para nos deixar desprevenidos. É uma pena que não tenhamos levado o chapéu dele como lembrança da ocasião — como vocês, jovens, dizem. — E o fazendeiro sorriu.

— Talvez ele ainda esteja por perto — sugeriu Dick. — Se ele tentou nos enganar uma vez, pode tentar de novo.

— É verdade. Não fará mal dar uma boa olhada por aqui enquanto estamos nisso, Dick.

Eles passaram toda a manhã caminhando ao redor do pântano e tentando rastrear os movimentos de Merrick, mas sem sucesso. Nada referente ao canalha foi encontrado, e quando ambos se sentiram exaustos e famintos, voltaram para o chalé dos Stanhope. Lá, as moças e as senhoras tinham um jantar quente esperando por eles e serviram-nos generosamente, terminando com uma torta de maçã que Dora havia feito especialmente para Dick.

— Está ótima! — ele disse a ela, dissimuladamente.

— Então você gostou? — ela respondeu, com um sorriso.

— Se gostei? Dora, quando estivermos mantendo casa, você fará para mim uma torta como esta duas vezes por semana — acrescentou ele, seriamente.

— Dick, se você não parar com suas brincadeiras...

— Oh, não estou brincando, Dora. É claro que, se você não estiver disposta a fazer uma torta para mim de vez em quando...

— Oh, não é isso... farei todas as tortas que você quiser. Mas... mas... — E então Dora corou tão furiosamente que teve que sair correndo da sala. Dick olhou para ela com saudade e deu um suspiro monumental. Ele desejava que todos os seus dias na academia tivessem acabado e que ele estivesse engajado nos negócios e estabelecido na vida. Ele sabia exatamente que tipo de lar queria e quem queria nele além de si mesmo — e talvez Dora também soubesse.

— Mas ainda não posso pensar nessas coisas — ele refletiu, ao terminar o jantar. — Primeiro preciso ir para o mundo, entrar nos negócios e provar meu valor.

Com a refeição terminada, decidiu-se que Dick e o Sr. Laning deveriam dirigir até Cedarville e entrar em contato com as autoridades locais e também com as de Ithaca. Isso foi feito, e no dia seguinte uma nova busca foi feita por Merrick. Mas ele não pôde ser encontrado; e ali, por enquanto, o assunto descansou.

— Acho que ouviremos falar dele novamente algum dia — disse Dick, e ele estava certo; eles ouviram falar do vigarista, e quando menos esperavam.

CAPÍTULO XXI

UMA CORRIDA DE TRENÓ

— Uau! Hurra! Está nevando!

Assim gritou Tom um dia, ao irromper na biblioteca do Hall, onde Dick, Sam e vários outros estavam lendo livros e as últimas revistas.

— Forte? — perguntou Sam, largando a revista que segurava.

— Não, mas constante. Peleg Snuggers diz que vai ser uma queda pesada, e ele geralmente sabe.

— E ele adora tempestades de neve — acrescentou Fred, com uma risada. — Você se lembra da vez em que fizemos um grande forte e tivemos uma batalha de verdade?

— Com certeza lembro! — gritou Larry. — Foi ótimo! Deveríamos fazer algo desse tipo neste inverno.

— Eu esperava que pudéssemos patinar antes que nevasse — disse Songbird.

— Bem, não podemos ter todas as coisas boas de uma vez — respondeu Dick. — Acho uma forte tempestade de neve muito alegre. De alguma forma, quando neva, sempre sinto vontade de assobiar e cantar.

— E eu sinto vontade de compor versos — murmurou o poeta da escola, e continuou:

— Oh, a neve, a linda neve, Caindo quando o vento sopra. Caindo tanto de dia quanto de noite, Deixando a terra uma visão maravilhosa! Oh, a neve, a neve celestial!...

— Molhando nossos pés por onde quer que a gente vá!

continuou Tom, e acrescentou:

— Oh, a neve, Quando o vento sopra, Ela dita o ritmo E atinge nosso rosto E ficamos congelados Até os dedos dos pés E na lama, Que é como purê, Não podemos parar, Mas caímos de cara!

— Tom, a primeira coisa que você sabe, você estará tirando os louros de Songbird dele — observou Larry.

— Pereça o pensamento! — respondeu o Rover brincalhão, tragicamente.

— Não espero que você chame isso de poesia — veio de Songbird, com profundo desgosto. — Ora, Hans pode fazer melhor do que isso; não é, Dutchy?

— Com certeza, eu posso inventar uma poesia fina — respondeu Hans. — Apenas escutem isto. Eu fiz uma noite quando não conseguia dormir.

— Era um pequeno pássaro, Ele senta sobre uma árvore, Aquele pequeno pássaro estava feliz Como um pequeno pássaro poderia ser Um caçador com uma arma Perto daquela árvore ele deitou, Ele atirou sua arma horrível, E aquele pássaro... ele voou para longe!

— Bom para Hans! — gritou Dick, e houve uma risada geral. Então a reunião na biblioteca terminou e todos os cadetes foram para fora ver como a neve estava. Em pouco tempo, havia o suficiente no chão para fazer bolas de neve, e então uma batalha real aconteceu por toda parte. Contanto que tomassem cuidado para não quebrar nenhuma janela, o Capitão Putnam não se importava com isso, e de seu escritório o mestre do Hall e George Strong observavam o esporte.

— Faz a gente se sentir jovem de novo — comentou o capitão ao seu primeiro assistente.

— Eu quase gostaria de ir lá fora eu mesmo — respondeu George Strong.

— Lembro-me de um ano em que tivemos uma grande guerra de bolas de neve em West Point — continuou o capitão. — Foi realizada no estilo militar normal e durou meio dia. Nosso lado foi vitorioso, mas tivemos que lutar desesperadamente para vencer. Fui atingido no queixo e na orelha, e três dos cadetes foram nocauteados. Mas foi um bom treino, pois nos mostrou um pouco do que significava uma luta corpo a corpo.

A neve caiu durante todo aquele dia e noite, e na manhã seguinte cobria o chão a uma profundidade de cerca de trinta centímetros. Estava um pouco úmida e de primeira qualidade para fazer bonecos de neve e bolas de neve.

— Vamos fazer uma estátua do Capitão Putnam — disse Fred, e assim foi feito, sendo a estátua quase três metros de altura. Deve-se confessar que não era uma semelhança muito boa, mas parecia notavelmente feroz com alguns talos de palha para um bigode, um pedaço de pau plano para uma espada e um boné militar velho no topo da cabeça. Quando ele a viu, o Capitão Putnam riu tão calorosamente quanto qualquer um. Por mais velho que estivesse ficando, ele nunca se permitia esquecer o tempo em que era um menino.

A uma certa distância do Hall havia uma colina de tamanho razoável e esta era usada pelos cadetes para deslizar. Assim que a escola terminou naquele dia, os rapazes trouxeram seus trenós e bobs, e logo a colina estava cheia de garotos, suas risadas alegres ecoando por toda parte. Os Rovers tinham um bob grande e este era usado pelos três e também por vários de seus amigos.

— Vou apostar uma corrida com vocês! — gritou Dick, que estava no comando do bob. Ele se dirigiu a outro estudante chamado Peter Slade. Slade tinha um bob grande e vinha se gabando de que este poderia vencer qualquer outro bob na colina.

— Tudo bem — respondeu Slade. Ele era um jovem esguio, meio preguiçoso e dado a muitas gabolices.

Logo foi arranjado que cada bob deveria levar seis garotos, e Fred, Hans e Songbird foram com os Rovers. Os dois bobs alinharam-se lado a lado, e Larry Colby deu a ordem de partida.

— Estamos indo! — gritou Tom, dando um empurrão e saltando atrás.

No início, os dois bobs mantiveram-se lado a lado. A pista estava em ótimas condições, e todos os outros cadetes alinharam-se de cada lado para observar o resultado da corrida.

— Hurra pelos Rovers!

— Hurra por Peter Slade!

— Que vença o melhor bob! — gritou um estudante, entusiasmado.

— Boa sorte para você, Tom! — gritou George Granbury, e jogou uma bola de neve que acertou Tom no pescoço.

— Obrigado! — gritou Tom, sacudindo o punho. — Vou retribuir com juros quando tiver a chance.

Metade do percurso foi logo percorrida e ainda os bobs mantinham-se lado a lado. Mas então o bob dos Rovers começou a ficar para trás.

— Hurra, vamos vencer! — gritou um dos garotos no outro bob.

— Eu disse que podia te vencer! — gritou Peter Slade para Dick.

— A corrida ainda não terminou — rebateu o mais velho dos garotos Rover.

Continuaram os dois bobs, e gradualmente aquele pertencente a Peter Slade ficou um comprimento inteiro à frente. Dick olhou para trás ansiosamente.

— Algo parece estar prendendo sob os corredores — disse ele. — Olhem e vejam se está tudo limpo.

Os garotos atrás olharam, e de repente Songbird soltou um grito.

— É o cachecol de Hans! Hans, vá e coloque aquela ponta do cachecol ao redor do seu pescoço e não deixe que ela arraste sob o bob!

O jovem alemão estava usando um cachecol antiquado ao redor do pescoço, com as pontas soltas voando atrás. Uma ponta tinha ficado sob os corredores do bob e estava arranhando na neve.

— Bem, eu nunca! — gritou Hans, e puxou o cachecol tão vigorosamente que o longo bob começou a virar de lado.

— Cuidado aí! — gritou Sam. — Não nos derrube!

— Espere, vou soltar o cachecol — veio de Songbird, e guiou o cachecol para fora do bob. Então Hans pegou as pontas e amarrou-as ao redor de sua cintura.

O arrasto tinha feito o bob dos Rovers ficar dois comprimentos atrás do outro, e Peter Slade e seus companheiros sentiam-se certos da vitória.

— Você não pode nos tocar, Dick Rover! — chamou Slade, triunfante.

— Adeus! — chamou outro garoto. — Diremos aos que estão no pé da colina que vocês estão chegando.

— Estamos fazendo melhor tempo? — perguntou Tom, ansiosamente. — Se não estivermos, vou descer e empurrar — acrescentou ele, brincando.

— Segure-se firme agora! — gritou Dick, e um instante depois o bob desceu por uma crista da colina. Livre do arrasto, disparou como uma flecha de um arco, e logo começou a subir em direção ao trenó de Peter Slade.

— Os Rovers estão se aproximando!

— Sim, mas é tarde demais para vencer!

— Temos que vencer! — gritou Sam.

E então ambos os bobs passaram por outra crista e correram para o final do percurso, a menos de cem jardas de distância.

CAPÍTULO XXII

O PASSEIO ESTRANHO DE PELEG SNUGGERS

A corrida agora tinha atingido seu ponto crítico e todos os cadetes na colina esperavam o resultado com grande interesse. O bob pertencente a Peter Slade ainda estava dois comprimentos à frente, e parecia muito provável que Peter seria o vencedor.

Mas com a passagem da última crista, o bob dos Rovers parecia ter sido dotado de uma nova vida. Sem resistência nos corredores, disparou para frente com uma velocidade que surpreendeu até Dick. Constantemente, ganhava terreno sobre o outro bob, até que, quando o final do percurso estava a apenas cinquenta jardas de distância, os dois estavam quase lado a lado.

— Dê tudo de si, Pete! — gritou um dos garotos no bob de Slade, mas Peter não podia fazer mais nada.

— É um empate! — gritaram vários, mas mal as palavras foram ditas quando o bob dos Rovers disparou à frente e chegou ao final do percurso como vencedor por vinte e cinco pés.

— Hurra! Os Rovers vencem!

— Eu digo a vocês, vocês não podem passar a perna em Dick Rover e sua turma!

Peter Slade ficou muito contrariado por ter a vitória arrebatada de suas mãos, e começou a resmungar algo sobre a corrida não ter sido justa.

— Concordo com você, não foi justa — respondeu Sam. — O cachecol de Hans prendeu sob nossos corredores e nos segurou bastante.

— Se não fosse por isso, teríamos vencido por três vezes a distância — acrescentou Tom.

— Hum! — resmungou Peter Slade. — Acho que vocês saltaram uma vez e empurraram.

— Eu não fiz isso — respondeu Tom, calorosamente.

— Acho que você fez.

— E eu digo que não fiz — e agora Tom fechou os punhos.

— Oh, não briguem — interveio Larry, que estava por perto. — Se Peter não está satisfeito, por que não correr de novo?

— Estou disposto — respondeu Dick, prontamente.

— Estou cansado de andar — disse Slade. — Eu... er... não estou me sentindo muito bem e isso me balança demais.

— Então deixe que outros usem o bob.

— Não, ele precisa de revisão, e vou consertá-lo — foi a resposta de Slade, que começou a se afastar em direção ao Hall, arrastando seu bob atrás de si.

— Ele está com medo de correr — disse George. — Nossa! Como deixa alguns caras furiosos serem derrotados!

Pode-se mencionar aqui que Peter Slade tinha sido um dos comparsas de Tad Sobber, e agora que Sobber tinha ido embora, ele assumiu a tarefa de preencher o lugar do valentão no grupo específico ao qual pertencia. Ele era um jovem de temperamento explosivo e já tinha se envolvido em mais de uma briga desde sua chegada ao Putnam Hall.

Os garotos que não podiam andar na colina divertiam-se fazendo algumas grandes bolas de neve, que deixavam rolar colina abaixo. Uma das bolas de neve feitas tinha quase dois metros e meio de diâmetro, e era uma grande visão vê-la descer, ficando cada vez maior conforme progredia.

— Olá, tive uma ideia! — gritou Tom, enquanto observava o rolar das grandes bolas de neve.

— Algo novo, Tom? — perguntou Larry.

— Acho que sim. Vamos dar um rolo a Peleg Snuggers. Vai fazer bem a ele... chacoalhar seu fígado, e tudo mais.

— Você quer dizer rolá-lo colina abaixo? — perguntou um estudante chamado Morley.

— É isso.

— Pode machucá-lo.

— Não se colocarmos um sobretudo de neve nele primeiro — respondeu Tom.

— O que você quer dizer? — perguntou outro estudante.

— Vamos rolar uma bola grande em forma de ovo e cavar o meio. Então, por algum truque, podemos fazer Peleg rastejar para dentro, e...

— É isso! — gritou George Garrison. — Vamos lá. Onde está Peleg?

— Lá embaixo nos estábulos.

Com mãos ávidas, os cadetes começaram a trabalhar e rolaram uma bola grande em forma de ovo, depois cavaram o meio com uma pá. Enquanto isso, uma mensagem foi enviada ao encarregado geral de que ele era necessário no topo da colina imediatamente.

— Devem querer que eu conserte um trenó — refletiu ele, e correu, levando consigo algumas ferramentas, pregos e corda. Ele frequentemente fazia favores aos cadetes, que lhe davam "gorjetas" em troca.

Quando Peleg Snuggers chegou ao topo da colina, a grande bola de neve estava pronta para uso.

— Aqui está Peleg! — gritou Tom. — Ele pode fazer o truque para nós. Pode, não pode, Peleg?

— O que é isso, Tom? — perguntou o encarregado geral, inocentemente.

— Queremos prender este cordão no buraco através daquela grande bola de neve, mas não queremos que se cruze — continuou Tom, ansiosamente. — Você pode pegar o cordão, rastejar para lá e então passar a ponta para fora e sobre a ponta desta pá, e então passá-la em volta para a outra extremidade?

— Por que... er... eu não entendo — gaguejou Peleg Snuggers.

— Explicarei depois que você estiver dentro da bola — disse Tom. — Aqui está o cordão — e ele levou o encarregado geral até o buraco e o ajudou a entrar.

Não suspeitando de um truque, Snuggers rastejou para dentro da grande bola de neve. Antes que pudesse fazer qualquer coisa com o cordão que lhe foi dado, os cadetes correram para frente e deram um empurrão na bola de neve em direção à borda da colina.

— Ei! Parem com isso! — rugiu o encarregado geral, tentando sair de costas.

— Segure firme... a bola de neve está escapando de nós! — gritou Tom. — Alguém impeça que ela desça a colina!

— Não podemos segurá-la! — gritou Larry, sorrindo ao mesmo tempo.

— Ela vai descer... que pena! — lamentou outro.

— Ei, deixem-me sair! — gritou Peleg Snuggers, mas naquele momento a bola de neve começou a girar. — Vou ser morto! Oh, céus, acho que vocês fizeram isso de propósito, seus patifes!

— Nunca! — veio a resposta prontamente.

— Aproveite o passeio enquanto tem a chance, Peleg!

— Você tem uma passagem gratuita para o pé da colina!

— Deixem-me sair! Parem ela! — gritou Snuggers, e eles viram seus pés em uma extremidade da grande bola de neve e suas mãos na outra. — Eu não suporto rolar, de jeito nenhum!

— Você não está de pé — chamou Sam. — Você está apenas rolando.

A grande bola de neve disparou colina abaixo, e os cadetes atrás dela. Conforme progredia, tornava-se cada vez maior. Viram Peleg Snuggers enfiar a cabeça para fora de uma extremidade, e a cabeça girava e girava como um pião.

— Acho que ele ficará um tanto tonto quando a viagem terminar — observou Songbird.

Finalmente, a bola de neve parou em um trecho de pasto. Os estudantes correram a tempo de ver Peleg Snuggers rastejar para fora de mãos e joelhos. Quando ele se levantou, cambaleou como se estivesse embriagado.

— Digam, seus jovens vilões! — ele ofegou, e então teve que parar para recuperar o fôlego.

— Oh, Peleg, por que você saiu correndo com nossa bola de neve? — perguntou Tom, inocentemente.

— Foi uma coisa maldosa de se fazer — disse Dick.

— Queríamos nos divertir com aquela bola — acrescentou Sam.

— Eu... saí... correndo... com a... a bola de neve? — ofegou o encarregado geral. — Quero que vocês saibam...

— Oh, nós sabemos tudo sobre isso — interrompeu Tom. — Eu sei qual é o problema. Você tem bebido e não sabia o que estava fazendo.

— Talvez devêssemos relatar isso ao Capitão Putnam — disse Larry. — Beber não é permitido por aqui, sabe.

— Não bebi uma gota... é o rolar que me deixou tonto — rugiu Peleg Snuggers. — Oh, céus, não consigo ficar em pé — e ele esbarrou na grande bola de neve e sentou-se em um monte.

— Vou dizer o que acho que você deveria fazer — prosseguiu Tom, calmamente. — Acho que você deveria rolar nossa bola de neve de volta para cima da colina para nós.

— Rolá-la de volta? — bufou Snuggers. — Ora, quatro cavalos não conseguiriam puxar esse peso de neve colina acima! Não vou tocar na bola de neve.

— Então, pelo menos, pague-nos pelo passeio que você teve — sugeriu Sam.

— Não vou fazer isso também! É um truque, é isso que é! — rosnou o encarregado geral, e levantou-se instavelmente. — Vou ficar doente por uma semana depois disso, sei que vou!

— Não se preocupe — disse Dick, calmamente. — Apenas peça à Sra. Green para lhe dar uma dose de pílulas "Whirl Around" cor-de-rosa, e você ficará bem de novo.

— Nunca mais virei a esta colina, nem por ninguém — resmungou o encarregado geral, e saiu andando. Então ele se virou para olhar os cadetes. — Façam qualquer coisa desse tipo de novo e contarei ao Capitão Putnam sobre vocês, vejam se não conto. Não serei um carrossel, ou pião para ninguém! — E então ele correu para os estábulos e desapareceu.

Quase antes de se darem conta, as férias de meio de inverno estavam próximas, e os irmãos Rover foram para casa aproveitar o Natal e o Ano Novo. No caminho, pararam em várias lojas em Ithaca, onde compraram diversos presentes de Natal. Alguns deles foram enviados pelo correio. Dick enviou um belo livro para Dora, e Tom e Sam enviaram livros para Grace e Nellie. Os rapazes também se uniram para dar um alfinete de gravata para a Sra. Stanhope e outro para a Sra. Laning, e enviaram uma gravata ao Sr. Laning. O Capitão Putnam não foi esquecido, e eles também lembraram de George Strong. O restante de suas compras eles levaram para casa, para distribuir lá.

Vários dos outros estudantes tinham ido até Ithaca com eles, e ali o grupo jantou em um dos hotéis — o mesmo lugar onde Tom certa vez pregou sua grande peça em Josiah Crabtree.

— A propósito, quem sabe algo sobre Nick Pell? — perguntou um dos estudantes, enquanto jantavam.

— Ele foi levado para sua casa na cidade — respondeu George Granbury.

— Ele está melhor? — indagou Dick.

— Dizem que ele melhora em alguns dias, mas em outros piora. O veneno de alguma forma afetou sua mente.

— Que coisa terrível de acontecer — murmurou o mais velho dos Rover, e então estremeceu ao pensar no que poderia ter acontecido se a cobra o tivesse picado.

— Alguma notícia de Tad Sobber? — perguntou outro cadete. Ele olhou para cada um dos outros, mas todos balançaram a cabeça.

— É estranho para onde ele foi — disse Songbird. — Será que o Capitão Putnam tentou entrar em contato com os parentes dele?

— Ele só tem um tio, e o capitão não conseguiu encontrá-lo — respondeu outro jovem que estava presente.

À medida que o jantar prosseguia, os rapazes se animaram, e ao final cantaram várias canções. Depois, os Rover tiveram de correr para o trem e conseguiram embarcar exatamente quando ele estava saindo da estação.

— Olá! — gritou Sam, ao se jogar em um assento, apontando pela janela do vagão.

— O que houve agora? — perguntou Tom.

— Eu vi um sujeito na plataforma da estação que parecia o Tad Sobber!

— Tem certeza de que era o Sobber? — exigiu Dick.

— Não, não tenho certeza absoluta... mas o sujeito parecia muito com o Tad.

— Deve ter sido um engano — foi o comentário de Tom. — O que ele estaria fazendo por Ithaca?

— Bem, ele tem de ficar em algum lugar, Tom.

— Mas ele não ficaria tão perto de Cedarville... ele provavelmente iria para alguma cidade grande — observou Dick.

Enquanto o trem seguia viagem, os irmãos Rover discutiram o assunto, mas não chegaram a conclusão alguma.

— Suponho que ele esteja escondido esperando para ver se Nick Pell vai se recuperar — disse Dick. — Ele sabe que, se Nick não se recuperar, estará sujeito a ser processado.

Na estação de Oak Run, os rapazes encontraram seu pai esperando-os com o grande trenó da família. Todos se acomodaram, e sobre a neve crocante partiram para a fazenda Valley Brook.

— Não preciso perguntar como estão se sentindo — disse Anderson Rover. — Cada um de vocês parece a própria imagem da saúde.

— Nunca me senti melhor em toda a minha vida — declarou Dick, e Tom e Sam disseram o mesmo.

— O Tio Randolph ouviu algo mais sobre os títulos da sua companhia de tração? — perguntou Tom, enquanto seguiam viagem.

— Nem uma palavra — respondeu o pai. — É uma grande perda para ele.

— Você acha que tentaram o golpe em mais alguém? — perguntou Sam.

— Não ouvimos falar disso.

Ao chegarem em casa, os rapazes foram calorosamente recebidos pelo tio e pela tia, bem como pelos outros na casa. A tia tinha uma ceia quente esperando por eles, e enquanto comiam, todo o assunto dos títulos desaparecidos foi discutido minuciosamente. Os rapazes souberam que um detetive particular ainda estava no encalço de Merrick e Pike, mas até aquele momento não havia relatado nada de importante.

— Acredito que aqueles patifes... ou pelo menos Merrick... devam pertencer à região do Lago Cayuga — observou Dick. — Caso contrário, não teríamos visto Merrick em Ithaca e lá na propriedade dos Stanhope.

— Fui muito ingênuo ao deixá-los me enganar. Na próxima vez serei mais cuidadoso — disse Randolph Rover.

Os rapazes souberam por Jack Ness que a caça nas matas atrás da fazenda estava boa, e dois dias antes do Natal saíram com o empregado. Foram atrás de coelhos e esquilos, e cada um levou sua espingarda e um almoço reforçado, pois esperavam ficar fora durante a maior parte do dia.

O tempo estava claro e frio, o sol brilhando intensamente sobre a neve. Viajaram diretamente para uma parte da mata que sabiam ser um local favorito dos coelhos, e não demorou muito para que espantassem vários deles.

— Lá vão eles! — gritou Dick, e mirou. Bang! Bang! sua arma disparou, e os estampidos da arma de Tom seguiram-se logo depois. Três coelhos caíram, e alguns minutos mais tarde Sam derrubou mais um.

— Quatro para começar não está nada mal — comentou Tom, enquanto a caça era colocada em suas bolsas. — Mesmo que não consigamos mais nada, não teremos de voltar para casa de mãos vazias.

Ao meio-dia, eles tinham atravessado a mata e tinham onze coelhos e três esquilos em sua conta. Então, Tom sugeriu que fizessem uma fogueira e descansassem enquanto comiam, e assim foi feito.

— Eu gostaria que pudéssemos derrubar uma ou duas raposas — disse Jack Ness. — Elas têm incomodado as galinhas ultimamente... levaram duas anteontem.

— Você sabe onde elas se escondem? — perguntou Dick.

— Acho que vêm daquela direção — e o empregado apontou com a mão para o norte.

— Vamos caminhar naquela direção depois do almoço — sugeriu Sam. — Mesmo que não avistemos nenhuma raposa, podemos encontrar tantos coelhos e esquilos quanto em qualquer outro lugar.

Os outros concordaram, e metade da tarde foi gasta pelos quatro caçadores em um local novo para eles. Uma raposa foi avistada, e Jack Ness atingiu o animal nos quartos traseiros, e então Sam o abateu com um tiro no flanco.

— Bem, isso faz uma raposa a menos, de qualquer forma — disse o empregado.

Eles continuaram e derrubaram dois coelhos e um peru selvagem. A essa altura, estavam bem cansados, e Tom sugeriu que partissem para casa.

— É uma longa caminhada — disse ele — e quando chegarmos, acho que estaremos todos prontos para descansar.

— Quanto a isso, estou pronto para descansar agora — disse Sam. — Caminhar pela neve não é tarefa fácil.

— Especialmente se as pernas de um sujeito não forem muito compridas — retrucou Dick, com um sorriso.

— Bem, as minhas são tão longas quanto deveriam ser — respondeu Sam prontamente. — Elas alcançam o chão, e as suas não alcançam mais do que isso — e então houve uma risada geral, com Jack Ness gargalhando alto.

O empregado disse que conhecia um atalho para a fazenda, e eles o seguiram por uma trilha na mata e depois por um caminho feito anos antes pelos carvoeiros. Logo avistaram uma cabana, de cuja chaminé a fumaça subia.

— Quem mora aqui? — perguntou Dick.

— Um velho chamado Derringham — respondeu Jack Ness. — Ele é muito idoso e um pouco desequilibrado. Ganha a vida vendendo ervas e cascas para remédios. Anos atrás, dizem, ele era um curandeiro, mas não tinha certificado ou algo assim, então as autoridades acabaram com o negócio dele. Depois disso, ele ficou estranho e se mudou para a floresta.

— Vamos entrar e vê-lo — disse Tom, cuja curiosidade fora despertada. Ele caminhou corajosamente até a cabana e bateu com força na porta em ruínas.

— Quem é, pai? — ele ouviu alguém perguntar, com uma voz assustada.

— Não sei, senhor — foi a resposta, na voz de um velho.

— Não quero ver ninguém — continuou o primeiro interlocutor. — Mande embora, quem quer que seja.

— Vá embora! — gritou o velho. — Não quero ninguém por aqui.

A essa altura, todo o grupo que estava do lado de fora já se encontrava diante da porta. O rosto de Tom mostrava que ele fora tomado por uma surpresa repentina.

— Evidentemente, o velho não quer visitas — foi o comentário de Dick.

— Tem mais alguém lá dentro com ele — sussurrou Tom. — Pela voz, eu diria que é Bill Dangler!

CAPÍTULO XXIV

UMA CAPTURA E UMA SURPRESA

Os outros ficaram muito espantados com o que Tom disse, e mal podiam acreditar que tinham ouvido corretamente.

— Bill Dangler! — gritou Sam, mas Tom colocou a mão sobre a boca do irmão para silenciá-lo. Então, ele assentiu vigorosamente.

— O que aquele ladrão de carga estaria fazendo aqui? — questionou Dick, em um sussurro.

— Não faço ideia. Mas tenho quase certeza de que era a voz de Dangler. Se vocês se lembram, ela tem um certo tom estridente.

— Sim, eu sei disso.

Durante essa conversa, houve murmúrios na cabana que os que estavam do lado de fora não conseguiram entender. Então, o velho veio em direção à porta e deslizou um ferrolho no lugar.

— Quero que vão embora! — disse ele bruscamente. — Não gosto de estranhos por aqui.

— Não vamos machucá-lo, Sr. Derringham — disse Dick. — Viemos fazer uma visita amigável.

— O senhor não gostaria de um belo coelho nosso? — perguntou Tom, determinado a entrar na cabana de alguma forma.

— Não tenho dinheiro para comprar coelhos.

— Nós lhe daremos um de presente — disse Sam.

— Não quero presentes de ninguém. Quero que vão embora — disse o velho, em um tom agudo e nervoso.

— Sr. Derringham, o senhor não se lembra de mim? — perguntou Jack Ness. — Eu costumava comprar ervas e agrião do senhor. Gostaria de falar com o senhor por um minuto.

— Quem é você?

— Sou Jack Ness, o homem que trabalha na fazenda Rover.

— A fazenda Rover! — murmurou uma voz na cabana. — Não os deixe entrar! Não faça isso!

— Tenho certeza de que é Dangler! — gritou Tom, cujos ouvidos estavam atentos. — Se ele está realmente aí, nós o encurralamos!

— Sim, e ele não escapará de nós novamente — acrescentou Dick.

— Se ele tentar, podemos detê-lo com uma dose de chumbo — sugeriu Sam.

Depois disso, houve uma pausa, com os rapazes sem saber exatamente como proceder. Tom pressionou a porta, mas ela se recusou a ceder.

— Eu disse para irem embora! — gritou o velho, após mais alguns sussurros dentro da cabana. — Se não forem, vou pegar minha arma.

— Somos quatro e estamos todos armados — respondeu Dick. — Portanto, é melhor não atirar. Mas você tem de abrir essa porta. Não lhe faremos nenhum mal.

— O que vocês querem aqui dentro?

— Queremos ver quem está aí dentro com você — respondeu Tom, corajosamente.

— Vocês não sabem que estou sozinho?

— Você não está sozinho — disse Sam.

— Bem, eu sei o que é melhor — foi a resposta hesitante. — Se eu tivesse certeza de que não me machucariam, eu os deixaria entrar.

— Não lhe faremos mal algum — respondeu Dick.

Houve um movimento na cabana e o que parecia ser o cair de uma porta. Então, o velho Derringham apareceu novamente.

— Vocês têm certeza de que não vão me roubar se eu abrir a porta? — perguntou ele.

— Não lhe queremos mal algum... se fizer o que é certo — disse Tom.

Então, a porta foi aberta, e os irmãos Rover e Jack Ness foram confrontados por um homem com pelo menos setenta anos de idade. Ele tinha cabelos brancos como a neve e uma barba nevada que chegava à cintura.

Os rapazes e o empregado entraram apressadamente na cabana e olharam em volta. Ninguém além de Derringham estava à vista. Dick olhou para o chão sob a mesa e viu algo que parecia um alçapão.

— Ele deve ter entrado no porão — disse ele aos outros, e fez um movimento para frente.

— Pare, não toque nessa mesa! — gritou o velho, alarmado.

— Sr. Derringham, escute-me — disse o mais velho dos irmãos Rover, com firmeza. — Estamos atrás de um criminoso... um homem que, por anos, roubou cargas valiosas da companhia ferroviária. Sabemos que ele está em algum lugar na sua propriedade. Se proteger esse criminoso, ou ajudá-lo a escapar, o senhor será culpado de um crime.

Com essa forte afirmação, o velho começou a tremer, e olhou de um para o outro diante dele, alarmado.

— Eu... eu Bill Dangler disse que não era verdade... que era uma conspiração contra ele — murmurou ele.

— É verdade, e não há conspiração contra ele, exceto para fazê-lo pagar pela penalidade de seus crimes — interveio Tom. — Se você o escondeu, é melhor entregá-lo.

— Eu conheço você — disse o velho Derringham, voltando-se para Jack Ness. — Você costumava me pagar bons preços pelo que comprava de mim. Posso confiar em você? — continuou ele, suplicante.

— Certamente pode, e pode confiar nesses rapazes também — foi a resposta do empregado. — Se quer ficar longe de problemas, é melhor nos ajudar o máximo que puder.

A essa altura, Dick tinha empurrado a mesa para o lado. Sob a base de um dos pés, ele encontrou um pequeno anel de ferro, conectado à porta no chão. Ele puxou, e a porta se abriu, revelando um pequeno porão abaixo, usado principalmente pelo velho para o armazenamento de vegetais de inverno e as raízes que colhia.

— Dangler, é melhor você subir! — gritou Dick. — Não vai adiantar tentar se esconder.

— O que vocês querem de mim? — veio uma voz carrancuda lá de baixo.

— Você sabe muito bem o que queremos.

— Eu não fiz nada.

— Você pode dizer isso à polícia, depois que for trancado. Suba.

Lenta e cabisbaixo, Bill Dangler saiu do pequeno porão e subiu para o chão da cabana. Ele olhou com reprovação para o velho, que tremia novamente.

— Vou me vingar de você por ter me traído — murmurou ele.

— Dizem que você é um ladrão — respondeu o velho. — Se for, não quero ter mais nada com você. Sou pobre, mas sou honesto... todos que me conhecem sabem disso.

— Ele não vai machucá-lo — interveio Tom. — Ele logo estará atrás das grades.

Um olhar para o grupo de quatro, com suas espingardas, convenceu o ladrão de carga de que a fuga estava fora de questão.

— Suponho que terei de me entregar — rosnou ele. — Mas não sou tão culpado quanto vocês pensam.

— Você é culpado o suficiente — disse Sam.

— Eu não planejei aqueles roubos de carga.

— Quem planejou então? — questionou Tom.

— Merrick e Pike. Não me importo em entregá-los, pois eles me traíram.

— Merrick é o cabeça da gangue? — perguntou Dick.

— Sim.

— Onde ele está agora?

— Se eu contar, vocês me deixam ir?

— Não posso fazer isso, Dangler.

— Bem, não me importo de qualquer maneira. Merrick não me tratou bem, e ele deve sofrer. Ele tem um esconderijo a alguns quilômetros da cidade de Ithaca, se vocês sabem onde é.

— Sim, no Lago Cayuga.

— É lá mesmo.

— Você diz a alguns quilômetros da cidade — continuou Sam. — O que quer dizer com isso?

— Ele e alguns dos amigos dele, Pike entre eles, têm um ponto de encontro ao longo do lago. É uma casa antiga, sem pintura e com janelas muito estreitas, pelo que me disseram. Encontrem essa casa e provavelmente encontrarão Merrick e Pike.

— Eu pensei que esses rapazes fossem da cidade — disse Sam.

— Eles são, mas de vez em quando acham conveniente desaparecer, e então vão para aquele lugar no Lago Cayuga. É uma propriedade antiga que costumava pertencer à irmã de Merrick.

— Devemos ser capazes de encontrar esse lugar — disse Tom aos irmãos. — Especialmente se era uma propriedade familiar.

— O nome da irmã também era Merrick, ou ela era casada? — perguntou Sam.

— Ela era viúva, pelo que me disseram. Quando morreu, deixou o filho sob os cuidados de Merrick... mas não acredito que ele tenha cuidado muito do menino.

— Qual era o nome dela? — perguntou Dick.

— Sobber... Mary Ann Sobber.

— Sobber! — exclamaram os três irmãos Rover.

— É isso mesmo.

— Vocês já ouviram o nome do filho? — perguntou Dick.

— Não me lembro... sim, eu lembro. Merrick teve uma carta dele uma vez. O nome do menino era Tad Sobber. Ele estava em um internato em algum lugar.

CAPÍTULO XXV

NATAL NA FAZENDA

— O que vocês acham disso?

— Não é a maior de todas as surpresas?

— Bem, eu sinto muito pelo Tad.

Tais foram as exclamações dos três irmãos Rover após ouvirem a declaração de Bill Dangler de que o rapaz que fugira de Putnam Hall era sobrinho de Merrick.

— Você tem certeza disso? — perguntou Dick.

— Certamente que sim. Mas por que vocês estão tão interessados na irmã de Merrick e seu filho?

— Vou contar — respondeu Tom. — Tad Sobber costumava estudar conosco, mas fugiu há pouco tempo e não temos notícias dele desde então.

— Puxa! Então é isso! Talvez ele esteja com o tio.

— É bem provável. Será que ele sabe que o tio é um ladrão?

— Não sei nada sobre isso. Sid Merrick é um sujeito astuto e pode exibir a fachada mais inocente que vocês já viram.

— O que você sabe sobre Pike?

— Ah, John Pike é apenas uma ferramenta, assim como eu fui.

Depois disso, Bill Dangler parecia ansioso para aliviar sua mente, e relatou muitos dos detalhes dos roubos de carga. Ele disse que tudo fora planejado por Sid Merrick, e que outros dois homens estavam envolvidos além dele mesmo e Pike, e nomeou os homens. Ele disse que Merrick vendera as coisas roubadas em várias cidades grandes.

— Ele dividia com os outros? — perguntou Dick.

— Supunha-se que ele fizesse isso, mas não acho que qualquer um de nós tenha recebido a parte que nos cabia.

O velho Derringham ouviu o relato do ladrão com grande interesse. Mas logo correu e pegou Bill Dangler pelo braço.

— Quero que você vá embora! — gritou ele, quase ferozmente. — Não quero nenhum ladrão sob o meu teto!

— Ele irá, e imediatamente — declarou Dick. — Está ficando tarde, e é uma longa caminhada até Oak Run.

— Ele me deve um dólar por tê-lo mantido por vários dias — continuou o velho.

— Então é melhor ele pagar — disse Tom.

Dangler quis objetar, mas no final pagou pela hospedagem, e então todo o grupo partiu, com o velho observando-os curiosamente. Que ele fora inteiramente inocente no caso, não podia haver a menor dúvida.

— Agora, Dangler, não vai adiantar tentar escapar — disse Dick, enquanto caminhavam pela neve. — Somos quatro contra um e estamos armados.

— Não tentarei fugir — foi a resposta obstinada.

— Se você der às autoridades toda a ajuda que puder, talvez, quando chegar o julgamento, eles sejam um pouco mais brandos com você — interveio Tom.

— Espero que sim. Fui convencido a entrar nessa. Eu costumava ser um homem honesto — respondeu o ladrão de carga.

— Bem, antes de morrer, você aprenderá que "a honestidade é a melhor política" — observou Sam.

— Já aprendi isso. Perdi todos os meus velhos amigos e não posso mais me mostrar em lugar nenhum.

O grupo teve de caminhar um bom quilômetro e meio antes de chegar a uma fazenda onde pudessem conseguir uma parelha e um trenó grande o suficiente para levar todos até Oak Run. Então eles partiram em ritmo acelerado e, por volta da hora do jantar, chegaram à fazenda Rover.

Aqueles na fazenda ficaram muito espantados com a "caça trazida", como declarou Anderson Rover. Os rapazes esperaram o tempo suficiente para fazer uma refeição, deram algo para o prisioneiro comer, e então partiram para Oak Run com seu pai e Dangler. Lá, o ladrão de carga foi colocado sob a custódia do policial local, que trancou o homem no sótão de sua própria casa.

Naquela noite e no dia seguinte, o telégrafo e o telefone ficaram ocupados, e alguns oficiais da lei de Ithaca visitaram a antiga propriedade dos Sobber. Encontraram o lugar deserto e nenhum rastro de Merrick, Pike ou Tad Sobber foi encontrado.

— É uma pena — declarou Dick, quando a notícia chegou. — Eu tinha certeza de que pegaríamos os patifes.

Das autoridades, os rapazes aprenderam uma coisa: que a propriedade dos Sobber ficava na mesma estrada que passava pelo chalé dos Stanhope.

"Isso pode explicar o fato de Merrick ter vindo espiar pela janela naquela noite", disse Dick. "Talvez ele estivesse de passagem e quisesse ver o que estava acontecendo."

"Muito provavelmente ele estava procurando uma oportunidade para roubar o local", foi o comentário severo de Tom.

No dia de Natal, os rapazes receberam vários presentes valiosos e retribuíram a todos com presentes. Houve um grande jantar em família, como só a tia Martha sabia preparar, e é desnecessário dizer que todos fizeram justiça ao banquete. Depois do jantar, os rapazes saíram para uma guerra de bolas de neve e convenceram Aleck Pop e Jack Ness a fazer o mesmo. Os meninos atacaram o homem de cor e Jack Ness com tanto vigor que a dupla teve de correr para o celeiro.

"Pelos céus, rapazes!", gritou Aleck Pop, depois de receber uma bola de neve na orelha. "Vocês trabalham com essas bolas de neve como se saíssem de uma metralhadora Gatling!"

Durante a semana entre o Natal e o Ano Novo, Bill Dangler foi transferido para a cadeia do condado, onde aguardaria a decisão do grande júri. Enquanto isso, as autoridades continuaram a busca por Merrick, Pike e os outros, mas sem sucesso.

"Eu gostaria muito de saber o que aconteceu com Tad Sobber", comentou Dick. "É uma pena se ele depende de um sujeito como Merrick para seu sustento."

"Talvez a mãe dele tenha lhe deixado algum dinheiro", disse Tom.

Finalmente chegou o dia em que os rapazes voltaram para Putnam Hall. No trem, encontraram Larry Colby e George Granbury e contaram o que haviam descoberto.

"Recebi notícias de Nick Pell ontem", disse Larry. "Ele está melhorando gradualmente, mas levará algum tempo até que ele volte a ser o mesmo."

"Ele ainda culpa Tad Sobber?"

"Sim, e diz que nunca mais terá nada a ver com Sobber."

"Ninguém pode culpá-lo por isso", disse Sam.

"Não acredito que Sobber voltará a Putnam Hall", opinou Tom. "Especialmente quando descobrir que sabemos que ele é sobrinho de um vigarista como Merrick."

Em poucos dias, os rapazes voltaram a se dedicar aos estudos. Os Rovers estavam extremamente ansiosos para construir um bom histórico, e sempre que uma lição era difícil demais para Tom ou Sam, Dick os ajudava o quanto podia. O irmão Rover mais velho lamentava ter perdido sua posição anterior por causa da ausência, mas estava encantado por saber que ele e seus irmãos terminariam agora sua educação em Putnam Hall juntos.

"Eu não suportaria pensar em ser separado de vocês", disse ele a Tom e Sam.

"Nós não queremos ser separados", respondeu Tom.

"Essa é a fala certa!", declarou Sam. "Vamos ficar juntos sempre!"

Cerca de uma semana após o retorno à escola, a neve derreteu e veio uma onda de frio que proporcionou uma patinação excelente. Imediatamente, todos os rapazes pegaram seus patins e, durante as horas vagas, divertiram-se muito no lago.

Certa tarde, uma corrida foi organizada entre meia dúzia de rapazes, incluindo Dick, Larry Colby e Peter Slade. Slade tinha certeza de que venceria e andava por aí se gabando disso.

"Já participei de seis corridas de patins", declarou ele, "e venci todas elas."

"Ele deve ser um patinador famoso", disse Tom, quando soube disso. "Dick, não acho que você terá muitas chances contra ele."

"Não sei. Sabe o que eu acho do Peter Slade? Acho que ele é um grande fanfarrão."

"Eu penso o mesmo. Ainda assim, se ele venceu seis corridas, deve entender alguma coisa de competição."

"Bem, se eu perder, não vou chorar por isso", disse Dick, e a conversa terminou ali.

A corrida seria de duas milhas — uma milha ao longo da margem do lago e uma milha de volta. No horário marcado, os competidores se alinharam e, a um sinal de George Strong, que concordara em dar a largada, eles partiram.

Era fácil ver que Peter Slade era um bom patinador e, quase sem esforço, ele foi para a frente durante o primeiro quarto da corrida. Mas então Larry e Dick começaram a pressioná-lo, e quando a volta de uma milha foi feita, Larry estava a apenas dois metros atrás, com Dick quase em seus calcanhares.

"Vai, Slade, você pode vencer facilmente!"

"Alcance-o, Larry!"

"Coloque mais pressão, Dick!", gritou Tom, entusiasmado.

E então o ponto de retorno foi ultrapassado por todos os corredores e a luta na reta final começou.

CAPÍTULO XXVI

A CORRIDA DE PATINAÇÃO

Por quase meia milha, Peter Slade manteve a liderança com facilidade, mas então sua respiração começou a falhar. Olhando por cima do ombro, viu Larry e Dick se aproximando.

"Não, desta vez não!", murmurou ele, e deu uma nova arrancada que aumentou sua vantagem em dois metros.

"Peter Slade vai vencer!"

"Vejam como ele está deixando os outros para trás!"

Assim surgiram os gritos e parecia certo que o jovem mencionado não poderia ser derrotado.

Mas agora, tanto Larry quanto Dick "se esforçaram ao máximo", como eles mesmos expressaram. Quando ainda faltava um quarto de milha, Dick deu um pique e emparelhou com seu amigo.

"Desculpe, mas preciso passar!", gritou ele, alegremente.

"Vamos lá, vamos os dois!", gritou Larry, bem-humorado, e então a dupla fez um esforço extra e, num momento, emparelhou-se de cada lado de Peter Slade.

"Olá, eles estão alinhados!"

"Lá vai Larry Colby na frente!"

"Dick Rover está indo com ele!"

"Diga, mas isso é que é patinar, hein? Olhe só o Dick disparar!"

"Sandwick está chegando também!"

"E Marley também!"

As últimas observações eram verdadeiras. O quarto e o quinto garoto estavam agora logo atrás de Slade. Enquanto Dick e Larry disparavam à frente, ainda lado a lado, Sandwick ultrapassou Slade, assim como Marley. Nesse meio tempo, o sexto garoto havia perdido um patim e abandonado a corrida.

Com um esforço final desesperado, Peter Slade tentou ganhar o primeiro lugar. Mas seu fôlego havia acabado, assim como sua força, e ele ficou cada vez mais para trás.

"Hurra, aí vêm eles!"

"É um empate entre Dick e Larry!"

"Marley é o terceiro!"

"Sim, e Sandwick o quarto."

"Peter Slade é o quinto."

"Humph! E o Peter disse que ia ganhar com certeza!"

Então, os patinadores cruzaram a linha, Dick e Larry lado a lado, rindo alegremente. Assim que a corrida terminou, eles deram os braços para mostrar seu bom espírito esportivo. Depois, Marley chegou com Sandwick em seus calcanhares. Com profundo desdém, Peter Slade se recusou a terminar a corrida, desviou para um lado e correu para o abrigo de barcos, onde tirou os patins e desapareceu.

"Foi uma corrida bem patinada", declarou George Strong. Em seguida, perguntou a Dick e Larry se queriam desempatar.

"Não vamos nos incomodar", disse Dick, após consultar seu amigo. "Estamos satisfeitos em deixar como está, considerando que não havia prêmio a ser concedido."

O fato de ter perdido a corrida de patinação tornou Peter Slade mais azedo do que nunca e, depois disso, sempre que encontrava Dick, ele encarava o irmão Rover mais velho de forma desafiadora.

"Ele age como se tivesse um rancor pessoal contra mim", disse Dick aos seus irmãos.

"Bem, ele age assim comigo também", respondeu Tom.

"Ele deveria levar uma surra bem dada", foi o comentário de Sam.

Peter Slade não parecia se importar que Larry o tivesse vencido — sua inimizade era direcionada principalmente a Dick.

Slade estava em uma das classes inferiores, mas, certo dia, um dos professores anunciou uma palestra sobre os navios de guerra da marinha americana, e um grande número de alunos compareceu para ouvir e tomar notas.

No meio da palestra, Dick teve ocasião de passar por um dos corredores. Ao passar por Peter Slade, este estendeu a mão e o atingiu no joelho. A mão de Slade estava suja de tinta e a tinta foi parar no uniforme limpo de Dick.

"Por que você fez isso?", exigiu Dick, parando.

"Cale a boca!", sussurrou Slade, de forma agressiva.

"Estou com vontade de puxar suas orelhas", continuou Dick.

"Vai encarar?", rugiu o valentão, saltando. "Tente!" E, ao dizer isso, ele desferiu um golpe em direção à cabeça de Dick.

O golpe atingiu o ombro de Dick, deixando uma marca de tinta. O irmão Rover mais velho havia saltado para o lado. Mas agora ele saltou para frente, e um golpe bem direcionado de seu punho fez Slade cambalear para trás sobre uma carteira.

"Parem com isso!", gritou o professor, alarmado, encerrando sua palestra abruptamente.

"Uma briga! Uma briga!", gritaram vários dos rapazes, deixando seus lugares para cercar Dick e o valentão.

Slade ficou atordoado por um momento, mas, ao se recuperar, avançou sobre Dick e tentou forçá-lo a ir ao chão. A dupla girou para lá e para cá, batendo nas carteiras e derrubando alguns livros. O professor tentou intervir, mas, antes que pudesse fazê-lo, eles se separaram. Então, Dick atingiu Slade com um golpe certeiro no olho esquerdo, o que fez o valentão cair em uma carteira próxima.

"Parem, imediatamente!", gritou o professor e, voltando-se para alguns dos rapazes, acrescentou: "Chamem o Capitão Putnam imediatamente."

A sala estava em alvoroço, e muitos queriam que Dick e Slade continuassem a batalha. Mas o soco no olho havia tirado a coragem do valentão e ele não se levantou para continuar o confronto.

"O que significa isso?", exigiu o Capitão Putnam ao entrar, encarando Dick e Slade severamente.

"Significa que aquele sujeito deveria levar uma boa surra, senhor", respondeu Dick, corajosamente, apontando para o valentão.

"A culpa é dele, não é minha", intrometeu-se Peter Slade, apressadamente. "Ele começou."

"Isso não é verdade, Capitão Putnam. Eu estava passando pela carteira dele quando ele esticou a mão e espalhou tinta no meu joelho", e Dick apontou para suas calças sujas. "Eu não ia aceitar isso e disse a ele. Então ele pulou e me bateu no ombro, deixando mais tinta em mim. Depois disso, eu o atingi."

"Não é verdade!", rugiu Peter Slade.

"Essa é a verdade", disseram vários. "A mão de Peter está cheia de tinta."

"Ele derrubou um tinteiro logo antes de Dick passar", disse Fred. "Eu o vi fazer isso."

"Eu também", acrescentou Songbird.

"Vocês viram?", perguntou o Capitão Putnam ao instrutor.

"Não vi nada até que os rapazes estivessem brigando no corredor", respondeu o professor que estava ministrando a palestra.

"Capitão Putnam, tenho certeza de que Dick Rover não tem culpa", disse um aluno muito quieto chamado Rames. "Slade colocou a tinta em Rover e deu o primeiro golpe — disso tenho certeza."

"Foi o meu tinteiro que ele derrubou", veio de outro rapaz. "Eu disse a ele para deixá-lo em paz, mas ele não me deu ouvidos."

"Oh, vocês estão todos contra mim!", rugiu Peter Slade.

"Evidentemente, você é o culpado", disse o diretor do Hall, severamente. "Quero que você e Richard Rover venham ao meu escritório. Rames, você pode vir também, e você, Brocton."

No escritório, uma investigação completa foi realizada. Vários outros cadetes foram chamados para testemunhar, e ficou provado que Peter Slade era o único responsável pelo que havia ocorrido.

"Você não deveria tê-lo atacado, Richard", disse o capitão a Dick. "Mas, dadas as circunstâncias, não posso culpá-lo. Pode ir."

Por sua má conduta, Peter Slade foi confinado na "guarda" por três dias. O olho roxo que Dick lhe dera não desapareceu muito rápido e, quando ele saiu e retomou seu lugar entre os estudantes, era uma visão digna de nota. Que ele estava muito furioso com o irmão Rover mais velho, é fácil imaginar.

"Vou acertar as contas com ele um dia", murmurou ele.

"Dick, você precisa ficar de olho em Slade", disse Tom, um dia, ao passar pelo valentão no corredor.

"Acho que é melhor você mesmo ficar de olho nele, Tom."

"Vou fazer isso, não tema. O que o capitão fez a respeito do seu uniforme manchado?"

"Fez Slade pagar pela limpeza."

"Ele pagou?"

"Ele teve que pagar — o Capitão Putnam colocou na conta dos pais dele."

"Isso foi justo."

"Claro que foi. Mas entendi que isso deixou Slade furioso. Ah, ele certamente está com raiva de nós", continuou Dick, e o assunto foi encerrado.

CAPÍTULO XXVII

NO LAGO

Quase antes que os rapazes percebessem, o inverno havia acabado e a primavera estava chegando. O gelo no lago desapareceu como mágica, e as colinas atrás de Putnam Hall ganharam um novo frescor verdejante, agradável de se ver.

Com a chegada do tempo quente, os cadetes passavam grande parte de seu tempo livre ao ar livre. Alguns começaram a remar, e entre eles estavam Sam e Tom. Larry Colby havia se tornado o proprietário de um veleiro de bom tamanho, e frequentemente levava alguns de seus amigos para um passeio pelo lago.

"Vocês sabem o que eu gostaria de fazer?", disse Dick um dia. "Gostaria de visitar aquela antiga propriedade dos Sobber e ver como ela está."

"Muitas vezes pensei nisso", respondeu Sam. "Como será que podemos conseguir isso?"

O assunto foi discutido na presença de Larry, e o cadete que possuía o veleiro disse que poderiam fazer a viagem naquela embarcação, desde que o diretor de Putnam Hall lhes desse a permissão necessária.

"Pediremos ao Capitão Putnam imediatamente", declarou Dick.

A permissão foi concedida para sair de Putnam Hall cedo na manhã seguinte de sábado, desde que o tempo estivesse bom, e ficou combinado que o grupo seria composto pelos três irmãos Rover, Larry, Fred e Songbird. O capitão disse que preferia que voltassem no sábado à noite, mas que poderiam ficar fora durante o domingo, se achassem necessário.

"Vocês acham que teremos alguma pista sobre Merrick e Tad Sobber?", perguntou Dick, com um leve sorriso.

"Possivelmente", respondeu o Capitão Putnam, sorrindo de volta. "Vocês, Rovers, são ótimos rapazes para descobrir as coisas."

O veleiro era equipado com uma pequena cabine, e nela os rapazes colocaram um pequeno estoque de provisões, além de uma espingarda e algumas linhas de pesca. Eles deixaram o Hall após o café da manhã e ficaram felizes com a promessa de um dia quente, com a brisa na direção certa.

"Vocês terão que me dizer para onde conduzir o veleiro", disse Larry, depois que a vela mestra foi içada. "Não sei onde fica aquela casa antiga."

"Temos uma ideia geral de onde fica", respondeu Dick. "Claro, podemos ter alguma dificuldade em encontrá-la. Mas, se ficarmos confusos, podemos ir até a margem e perguntar às pessoas que vivem nas redondezas."

A distância a ser percorrida ao longo da margem do lago era de cerca de doze milhas, então os rapazes tinham uma bela viagem pela frente. Eles se revezaram no leme e disseram que gostavam muito do veleiro.

Cerca de quatro milhas haviam sido percorridas quando a brisa começou a diminuir. Isso era exasperante, mas não havia o que fazer, então os rapazes tiraram o melhor proveito da situação. Enquanto o veleiro derivava, eles pegaram alguns apetrechos de pesca, e não demorou muito para que Sam trouxesse um peixe de bom tamanho, do qual ele se sentiu bastante orgulhoso.

"Neste ritmo, levaremos até a noite para chegar àquela casa antiga", observou Dick, depois de terem pescado por meia hora. "É uma pena! Achei que chegaríamos lá ao meio-dia quando partimos, mesmo que a brisa diminuísse."

"Ah, acho que a brisa vai começar de novo logo", disse Tom esperançoso. "Vamos aproveitar esta pescaria enquanto temos a chance", acrescentou ele, tendo acabado de fisgar um verdadeiro prêmio da pesca.

Ao meio-dia, eles tinham uma boa quantidade de peixes em sua conta, e então Sam propôs que fossem para a margem, fizessem uma fogueira e cozinhassem alguns para o almoço.

"Não adianta lamentar o vento", disse ele.

"Se não fosse pelo veleiro, poderíamos ir a pé até a casa antiga", respondeu Dick.

"Eu não gostaria de deixar meu barco em qualquer lugar", disse Larry. "Alguém poderia fugir com ele — e ele custou um bom dinheiro."

"Você poderia deixá-lo aos cuidados de algum fazendeiro por aqui", sugeriu Songbird, e então acrescentou suavemente:

"Pois o que é um barco sem uma brisa? É como uma floresta sem suas árvores. É como uma mesa sem uma perna,----"

"Ou um peão azul grande sem sua ponta!", terminou Tom. "Mas eu proponho que acampemos e cozinhamos os peixes", continuou ele. "Podemos fazer uma refeição deliciosa, junto com as coisas que trouxemos."

A ideia de ir para a margem prevaleceu, e logo eles haviam amarrado o veleiro e baixado a vela mestra. Havia gravetos à mão e, tendo acendido uma fogueira, eles limparam alguns dos peixes e os colocaram para assar. Eles tinham uma panela com eles na qual fizeram café, e também tiraram pão, bolachas, bolo e algumas frutas. Eles tinham um pouco de carne, mas deixaram para uma possível necessidade futura.

Os cadetes levaram seu tempo na refeição, e só por volta das duas horas embarcaram novamente no *Polly*, como Larry havia nomeado sua embarcação.

"Acho que a brisa está voltando", gritou Dick, levantando a mão.

"Que venha!", foi o grito, e à medida que o vento refrescava, todos se sentiram muito melhor. Logo o *Polly* estava deslizando sobre o lago tão rapidamente quanto quando haviam começado.

"Vocês sabem o que eu acho?", disse Songbird, que estava na popa olhando para as colinas distantes. "Acho que teremos mais vento do que gostaríamos antes da noite."

"Você acha que vem uma ventania?", perguntou Fred.

"Parece que sim. Vocês veem aquelas nuvens escuras começando a aparecer ali?"

"Bem, não me importo com uma ventaniazinha", disse Dick. "Na verdade, acho que gostaria da emoção." E os outros disseram o mesmo.

Eles ainda estavam a cerca de duas milhas do local onde supunham que a casa antiga estava localizada, quando de repente escureceu e a brisa refrescou muito. Então veio uma lufada de ar que inclinou o *Polly* para o lado.

"Oi! Isso não vai dar certo!", gritou Fred, alarmado. "Não queremos virar!"

"Talvez fosse melhor recolhermos um pouco de vela", acrescentou Songbird nervosamente.

Ele mal havia falado quando veio outra lufada de vento que fez com que todos se agarrassem ao convés para evitar serem jogados ao mar. O céu estava agora muito escuro e havia alguns flocos de neve no ar.

"É uma rajada de neve de primavera, é isso que é", anunciou Dick. "Não acho que vá durar mais de dez ou quinze minutos."

"É demais para o *Polly*", veio de Larry. "Baixem a vela mestra, por favor?"

Vários saltaram para fazer o solicitado, e mal a vela havia sido baixada e guardada quando veio uma rajada feroz que os empurrou para perto da margem.

"Ali há uma enseada — podemos entrar ali para nos abrigar!", gritou Sam, e o veleiro foi conduzido de acordo. A enseada era bem protegida por árvores e eles ancoraram em um local que parecia particularmente convidativo.

Os rapazes temiam que chovesse e se perguntavam o que fariam para não se molhar, já que a cabine do veleiro era pequena demais para acomodar mais de duas ou três pessoas do grupo. Mas nenhuma chuva veio, e logo a rajada de neve desapareceu. O vento, no entanto, em vez de diminuir, soprava mais forte do que nunca.

"Estou feliz por não estarmos no meio do lago", observou Fred. "Certamente viraríamos!"

"Isso está se transformando em um vendaval, com certeza", respondeu Dick. "E o pior é que não se sabe quanto tempo vai durar."

Não havia nada a fazer a não ser esperar, e, para se manterem aquecidos, os cadetes armaram um pedaço de lona no convés do veleiro e se acomodaram na cabine. Ali, agachados, contaram histórias e conversaram por mais de uma hora.

"Proponho que sigamos em frente", disse Tom, finalmente. "O vento não está tão forte quanto antes."

Embora duvidassem da sabedoria da decisão, os outros votaram por prosseguir e seguiram remando para fora da enseada. Apenas a vela de proa do *Polly* foi içada, o que os fez seguir a uma velocidade razoável.

Dick estava na proa e, finalmente, pediu a Larry que virasse o veleiro em direção à margem.

"Acho que já devemos estar nas redondezas daquela casa agora", disse ele. "E logo adiante há uma bela enseada onde o veleiro ficará tão bem abrigado quanto estava na outra."

Consequentemente, Larry virou o Polly para dentro, e os outros rapazes arriaram a vela. Eles ancoraram entre várias árvores altas, onde o veleiro ficava quase oculto à vista.

Tendo se certificado de que o barco não poderia se soltar, os seis garotos, liderados por Dick, seguiram pela margem até encontrarem algo parecido com um caminho. Ao chegar a uma leve elevação, Dick apontou com a mão.

"Aquela não é uma casa, do outro lado da colina?", perguntou ele.

"Sim!", exclamou Tom. "E, pela aparência, eu diria que é o lugar que estamos procurando!"

CAPÍTULO XXVIII

NA VELHA CASA

Os irmãos Rover e seus amigos aproximaram-se da velha casa com bastante interesse. Dick liderava o grupo, estabelecendo um ritmo que tornava difícil para os outros acompanharem.

"Não tenha tanta pressa, Dick", repreendeu Fred. "A casa não vai fugir."

"Dick quer ter certeza se aquele Merrick está por perto", respondeu Songbird. "E não posso culpá-lo."

A antiga propriedade dos Sobber era cercada por um bosque de árvores igualmente envelhecidas. Uma das árvores havia tombado, levando consigo um canto do telhado. Por essa abertura, os pássaros entravam e saíam.

"Não acredito que haja uma alma por perto", observou Tom, enquanto paravam diante da construção.

"Nada como tocar a campainha!", gritou Sam, e subindo na varanda dilapidada, ele ergueu a antiga aldrava da porta e a usou vigorosamente. Em seguida, ouviu-se um estrondo e o mais jovem dos Rover sentiu o assoalho da varanda ceder.

"Cuidado, um poste está caindo!", gritou Dick, em tom de aviso, e Sam teve tempo apenas de saltar para longe quando o poste de canto da varanda caiu, permitindo que o telhado acima cedesse alguns centímetros.

"Parece-me que o prédio inteiro está à beira de um colapso", foi o comentário de Songbird.

"Sim, e não sei se quero entrar ou não", acrescentou Larry.

"Certamente parece instável", admitiu Dick. "Não acho que alguém se arriscaria a ficar muito tempo aqui dentro."

Deixando a parte da frente, eles contornaram a velha casa e espiaram através de várias das janelas quebradas. Lá dentro, tudo era sujeira e teias de aranha, com algumas peças de mobília quebrada espalhadas. Ao olhar por uma janela, Tom viu um rato grande atravessar o assoalho às pressas.

"Acho que os ratos são os únicos inquilinos", disse ele secamente. "E eles não pagam aluguel."

"Com alguns pássaros no andar de cima, na frente", acrescentou Sam. "Bem, vamos entrar ou não?"

"Eu vou entrar", declarou Dick, e empurrou a velha porta da cozinha. O ambiente estava úmido e mofado, pois a chuva havia encharcado boa parte do reboco, fazendo-o cair.

A grande lareira aberta parecia encardida e proibitiva com suas barras e correntes de ferro. Um caldeirão de ferro estava sobre a chaminé, com uma rachadura no fundo.

"Alguém fez um fogo aqui não faz muito tempo!", disse Dick, apanhando um pedaço de jornal semicarbonizado. Ele o virou. "Aqui está uma data. Este jornal tem apenas quatro dias!"

"Então, quem quer que tenha feito fogo aqui visitou esta casa nos últimos quatro dias", disse Larry em um sussurro dramático.

"Uau! Escutem só que detetive o Larry está se tornando!", exclamou Tom. "Um autêntico Bowery Bob, o Detetive dos Jornais!"

"Talvez tenha sido apenas algum curioso que veio aqui", sugeriu Fred.

Com cautela, pois o assoalho estava muito podre, os cadetes moveram-se de um cômodo a outro da velha casa.

"Tem alguma coisa aí?", perguntou Tom a Sam, enquanto este espreitava um quarto que era ainda mais escuro.

"Não consigo distinguir", foi a resposta, e Sam deu um passo à frente. Então, de repente, houve um zumbido estranho, e algo atingiu o ouvido do mais jovem dos Rover, fazendo-o recuar assustado.

"Pare com isso!", gritou ele.

"O que foi?", questionou Tom, enquanto os outros corriam para o local.

"Alguma coisa me atingiu no ouvido!"

"Tem alguém aí?"

"Deve ter."

"Saia daí, seja quem for!", gritou Fred, enquanto Dick apontava sua espingarda para a porta.

Não houve resposta, mas um segundo depois o zumbido recomeçou, e então um grande morcego voou para a luz, passando de raspão pelo rosto de Tom.

"Um morcego!"

"Deixe-o ir!", disse Songbird, e então o morcego voou por uma janela e desapareceu.

"Ah!", murmurou Sam, e soltou um suspiro de alívio. "Eu... eu pensei que alguém tivesse me atacado!"

"Eu trouxe uma daquelas lanternas elétricas de bolso", disse Tom. "Deixe-me usá-la."

Ele acendeu a pequena lâmpada elétrica e, com seus raios, inspecionaram o aposento. Era um quarto, e em um canto havia uma velha armação de cama sobre a qual repousava um colchão de palha mofado. Em outro canto havia um armário contendo várias prateleiras.

"Aqui está um tinteiro velho", disse Dick, trazendo-o para fora. "E aqui estão os restos de uma caixa de papel de carta e envelopes."

"Alguma carta?", perguntou Fred.

Eles olharam ao redor, mas a princípio não conseguiram encontrar escritos de qualquer espécie. Contudo, atrás de uma das prateleiras, em uma fresta, descobriram várias folhas de papel e levaram-nas para a luz para ler.

"São partes de cartas do Sr. Sobber para sua esposa", disse Dick. "Devem ter sido escritas pelo pai de Tad."

"Ele fala aqui de Merrick", acrescentou Tom, que examinava uma página borrada. "Merrick é irmão da Sra. Sobber, sem dúvida."

"Dessas cartas, eu diria que o Sr. Sobber esteve em uma viagem marítima", continuou o mais velho dos Rover. "E me parece que ele era um homem honesto, pois diz à esposa que espera que Merrick abandone seus hábitos de jogo."

Do quarto, os rapazes entraram no que fora a sala de estar da casa. Estava quase vazia. Para um lado da sala havia uma entrada, e lá estava uma escada que levava ao segundo andar e outra que levava ao porão.

"Bem, vamos subir ou descer?", perguntou Dick.

"Vamos ver como é o porão primeiro", respondeu Sam. "Talvez encontremos um pote de ouro lá."

"Ou alguns esqueletos", acrescentou Tom.

"Ugh! Não fale em esqueletos", gritou Songbird, com um calafrio. "Já estou arrepiado!"

"Cuidado para não quebrar o pescoço na escada", alertou Larry, e então Dick liderou o caminho para baixo, segurando a luz à sua frente.

Se lá em cima estava úmido, lá embaixo estava muito pior, e os garotos tremeram apesar de si mesmos. O porão tinha apenas um chão de terra batida, coberto de lodo e mofo. Havia pouco ali para interessá-los, além de um velho baú que, quando forçaram a abertura, revelou-se vazio.

"Escutem!", gritou Tom, de repente, e levantou a mão.

"O que você ouviu?", exigiram vários dos outros.

"Achei ter ouvido alguém andando lá em cima. Lá está de novo!"

Todos prestaram atenção e ouviram o som inconfundível de passos na escada que levava ao segundo andar.

"Quem está aí em cima?", chamou Dick, virando-se para sair do porão, seguido por seus irmãos e amigos.

"Fiquem onde estão!", veio a resposta em uma voz áspera. "Nenhum de vocês ouse sair desse porão!"

"É Merrick!", exclamou Tom.

Mal havia ele falado quando ouviram uma porta bater com força e um ferrolho ser passado. Então, os passos afastaram-se.

"Ele fechou a porta do porão!", gritou Dick, iluminando para cima. "Estamos trancados!"

"Escutem! Ouvi mais de uma pessoa correndo da casa", disse Larry.

"Aquele Pike deve estar com ele."

"Ou então o Tad Sobber."

O mais rápido que pôde, Dick subiu a velha escada e tentou a porta. Estava em condições razoavelmente boas e não cedeu.

"Arrombe-a!", gritou Tom, indo ajudar seu irmão.

"Temos que sair e capturar esses patifes", disse Sam. "Você não consegue abrir a porta?"

"Deveríamos conseguir", respondeu Dick. "Aqui, segure a luz e pegue a arma."

Em poucos segundos, Dick, Tom e Songbird estavam pressionando a porta com toda a força. Todos estavam no degrau mais alto da escada do porão.

"Agora, todos juntos!", gritou Dick, e eles empurraram com todas as forças. Então, ouviu-se um estalo abaixo deles e, um instante depois, a escada do porão desabou, carregando-os consigo. Enquanto caíam em um monte confuso, a escada atingiu a lanterna elétrica e a quebrou. Também derrubou a espingarda da mão de Sam.

Bang! A arma disparou, com um estrondo que, no espaço confinado do porão, foi ensurdecedor.

"Estou morto! Estou morto!", veio de Larry, um instante depois. "Vocês arrancaram minha mão!"

CAPÍTULO XXIX

UM DESTROÇO E UMA CAPTURA

"Saiam de cima dos meus dedos!"

"Por favor, deixem-me sair deste buraco!"

"Ora, como vou levantar se você vai ficar sentado nas minhas pernas?"

Essas e mais algumas exclamações vieram dos garotos enquanto tentavam se libertar dos destroços da escada caída. O pequeno porão estava cheio de fumaça da espingarda, e Larry dançava por ali, balançando a mão ferida no ar. Tudo estava em completa escuridão, pois as pequenas janelas estavam tão cobertas de sujeira e teias de aranha que nenhuma luz penetrava por elas.

"Cuidado com essa arma!", gritou Dick, quando pôde falar. "Lembrem-se, apenas um cano disparou."

"Larry, você está realmente morto?", questionou Sam, que, de alguma forma, sentia-se responsável, já que a arma estivera em suas mãos.

"N-não, mas fui atingido nos dedos", veio do garoto ferido. "O tiro passou bem perto da minha cabeça também!"

"Acendam uma luz, alguém", chamou Fred. "Songbird, você tem alguns fósforos."

O poeta do Hall acendeu um fósforo, e com essa luz fraca os rapazes olharam, antes de tudo, para a mão danificada de Larry. Felizmente, a carga de chumbo apenas raspou o polegar e o dedo médio, e constatou-se que Larry estava mais assustado do que ferido. A mão foi enfaixada com um par de lenços.

"Quando voltarmos ao barco, você vai querer lavar bem os ferimentos", disse Dick.

Tom pegou a lanterna elétrica de bolso, mas descobriu que não conseguia fazê-la funcionar. Novamente ficaram na escuridão até que outro fósforo fosse aceso.

"Não podemos alcançar aquela porta com a escada caída", foi o comentário de Dick. "Vamos quebrar uma janela."

Isso foi facilmente realizado, e um a um os cadetes rastejaram para fora do porão. Foi um aperto, especialmente para Fred, que era um tanto grande na cintura.

"Acho que aqueles caras que fugiram pensaram que não conseguiríamos passar por aquela janela", disse Songbird.

"Se fosse um centímetro menor, eu teria ficado preso", respondeu Fred.

Eles olharam por todo o prédio antigo, mas ninguém estava à vista. A porta da frente estava escancarada, e eles deduziram corretamente que os outros haviam partido por ali.

"A questão é: para que lado eles foram?", perguntou Dick.

"Você acha que eles foram a pé?", perguntou Sam. "Eles podem ter uma carruagem."

"Ou um barco", acrescentou Larry. "Oh, espero que possamos pegá-los, só para fazê-los pagar por esses meus dedos machucados!" E ele cerrou os dentes, pois os ferimentos doíam um bocado.

"Larry, espero que você não pense que foi culpa minha", observou Sam.

"De jeito nenhum, Sam. Foi apenas um acidente, só isso. Estou feliz que aqueles que estavam na escada não tenham se machucado."

"Bem, meu joelho não parece nada bom", disse Tom. "Acho que o arranhei bastante."

"Devemos tentar encontrar aqueles caras primeiro ou subir e dar uma olhada?", perguntou Songbird.

"Vamos tentar encontrá-los primeiro", disse Dick. "Podemos voltar aqui a qualquer momento."

"Tenho um plano", disse Tom. "Vamos nos espalhar em todas as direções. Se alguém vir qualquer coisa deles, dê o assobio da escola."

"Ótimo! Essa é a ideia!", exclamou Sam. "Quanto mais cedo, melhor."

Em mais um minuto, os seis cadetes caçavam em seis direções diferentes aqueles que perseguiam. Larry, Songbird e Fred foram para a margem do lago, enquanto os três irmãos Rover percorriam a estrada e entravam na floresta além.

Quase meia hora se passou na busca quando os outros rapazes ouviram um assobio vindo da margem do lago. O sinal veio de Larry e foi repetido várias vezes.

"Ele quer que sejamos rápidos", disse Sam a Dick, quando se encontraram, e começaram a correr. Encontraram Larry vindo em direção a eles, gesticulando freneticamente.

"Depressa!", chamou ele.

"O que houve?", perguntou Dick.

"Eles acabaram de passar em um veleiro e estão indo para o outro lado do lago."

"Os dois homens?", perguntou Sam.

"Sim, e Tad Sobber também."

"Tad!"

"Sim. O barco deles não devia estar muito longe do meu. Vi os dois homens subirem a bordo e então Tad saiu de uma cabine, e todos os três içaram as velas o mais rápido que puderam e seguiram na direção da ponta das três rochas — vocês lembram do lugar?"

"Lembro — o lugar onde fomos colher nozes uma vez", disse Dick.

Nesse momento, os outros cadetes estavam chegando e ouviram com profundo interesse o que Larry tinha a dizer. Enquanto isso, todos correram para o Polly, e o veleiro foi afastado da enseada com varas, e a vela mestra e a bujarrona foram içadas. Como Larry não estava em condições de governar, Dick assumiu o leme.

"Eles vão escapar se puderem", observou Songbird. "Você acha que, se chegarmos muito perto deles, vão atirar em nós ou algo assim?"

"Não dá para saber", respondeu Dick. "Mas vou carregar aquele cano vazio da espingarda e, se eles ousarem atirar, eu atirarei de volta", acrescentou com determinação.

O outro barco estava à vista, mas a uns bons oitocentos metros de distância, e era uma questão séria se o Polly conseguiria chegar perto da embarcação antes que a ponta das três rochas fosse alcançada.

"Bem, se eles forem para a terra, podemos capturar o barco de qualquer maneira", observou Sam. "Isso já será alguma coisa."

"Provavelmente o barco foi apenas alugado. O dono pode não saber que patifes são esses caras."

"A embarcação me pareceu velha e desajeitada", disse Larry. "Se você pilotar o Polly com cuidado, talvez consiga alcançá-la — se eles não nos pregarem alguma peça."

A perseguição estava agora em pleno andamento, e os cadetes a bordo do veleiro faziam tudo ao seu alcance para ganhar velocidade. Havia uma brisa favorável, tendo o vendaval diminuído enquanto estavam na casa.

"Não acho que eles entendam muito de pilotar um barco", disse Tom, pouco depois. "O que eles estão fazendo agora?"

"Eles estão voltando!", gritou Sam. "Veja, eles estão indo para aquela enseada ali. Eles não vão até as três rochas."

"Que enseada é aquela?", perguntou Songbird. "É o lugar onde fomos pescar no dia em que pegamos a tartaruga?"

"Sim."

"Então é melhor eles tomarem cuidado! Não se lembram daquelas rochas afiadas, bem perto da entrada da enseada?"

Aqueles que estiveram pescando no dia mencionado lembravam-se das rochas, e observaram o barco à frente com profundo interesse. O vento havia refrescado um pouco e a embarcação girou rapidamente, correndo para a enseada. Podiam ver um dos homens tentando arriar a vela mestra.

"Eles estão em águas perigosas!", gritou Dick.

Ele mal havia pronunciado as palavras quando viram o barco bater em alguma coisa, estremecer da proa à popa e recuar. Depois seguiu em frente e bateu uma segunda vez. Um segundo depois, virou para bombordo, jogando os dois homens e Tad Sobber no lago!

"Eles bateram nas rochas!"

"O barco está afundando!"

"Estão todos na água!"

"Arriem a vela mestra!", gritou Larry. "Não queremos ficar presos nas rochas! Afaste-se, Dick!"

Dick girou o leme e, em poucos segundos, a vela mestra desceu com um baque e foi presa pelos outros. A bujarrona ainda estava içada, e isso bastou para fazê-los avançar lentamente até o local onde a catástrofe ocorrera.

Encontraram Pike se debatendo na água, gritando vigorosamente por socorro. Sid Merrick e Tad Sobber haviam nadado para a parte mais próxima da margem, a cerca de sessenta metros de distância.

"Aqui, segure isto e eu o puxarei", disse Tom, estendendo uma vara para Pike. O homem que se debatia fez conforme o pedido de bom grado e foi rapidamente puxado para o convés. Então, o Polly foi virado em direção à margem e a bujarrona foi arriada.

Não foi uma tarefa fácil trazer o veleiro, pois tinham de se cuidar das rochas, e quando isso foi concluído, Sid Merrick e Tad Sobber haviam desembarcado e corriam para a floresta com toda a velocidade possível. Dick ergueu sua espingarda e disparou para assustá-los, mas eles continuaram, e em poucos minutos desapareceram da vista.

CAPÍTULO XXX

ADEUS A PUTNAM HALL

Deixando John Pike aos cuidados dos outros, os três irmãos Rover partiram atrás de Sobber e Merrick. Seguiram o rastro por algum tempo com facilidade, pois os fugitivos estavam encharcados do banho involuntário.

"Temos uma vantagem", disse Dick, enquanto corriam. "Estando molhados, eles atrairão atenção, e seremos capazes de segui-los dessa forma."

Cerca de quatrocentos metros haviam sido percorridos quando ouviram um barulho nos arbustos não muito à frente deles. Em seguida, veio um grito de dor tanto de Merrick quanto de Tad Sobber.

"Ai! Estou sendo picado até a morte!"

"Saia de cima de mim! Oh! oh! oh!"

"São vespas, Tad! Corra, ou elas virão atrás de nós!"

"E-eu não consigo correr! Oh! uma me picou no olho!", gritou Tad Sobber.

Então, os irmãos Rover ouviram o homem e o garoto avançarem, Tad gritando de dor a cada passo.

"Esperem! Não podemos ir por ali!", gritou Tom, que não tinha o menor desejo de cair no ninho de vespas como os outros provavelmente haviam feito. "Vamos dar a volta!" E ele saltou para a esquerda.

À medida que progrediam, ouviam Tad Sobber ainda gritando descontroladamente, e ouviam Sid Merrick instando-o a correr mais rápido.

"Eu também fui picado — em uma dúzia de lugares!", disse o ladrão de títulos. "Mas não devemos ser capturados."

"Oh, é horrível!", gemeu Tad. "Mal consigo suportar a dor!" E ele continuou, segurando o braço do tio. Ambos estavam, de fato, em uma situação lastimável.

Mas, ao saírem em uma estrada, a sorte os favoreceu. Encontraram um homem negro dirigindo um carro de passeio. Ele estava sozinho e eles rapidamente o contrataram para levá-los até a cidade mais próxima.

"Caímos no lago por acidente", disse Sid Merrick. "Queremos chegar a um lugar onde possamos trocar de roupa."

"E conseguir algo para essas picadas de vespa", acrescentou Tad Sobber. "Se eu não conseguir algo logo, vou enlouquecer de dor."

Enquanto os três irmãos Rover corriam em direção à estrada, Dick viu uma carteira grande e chata caída no chão. Ele disparou até ela e a apanhou.

"Merrick deve ter deixado cair isso", disse ele. "Está molhada, e há uma vespa morta grudada nela. Acho que as vespas o fizeram esquecer que a tinha."

Colocando a carteira no bolso, Dick correu para a estrada e olhou para os dois lados. Mas Merrick e Sobber haviam partido, e o que aconteceu com eles, os garotos só descobriram no dia seguinte, e então já era tarde demais.

"O que tem nessa carteira?", perguntou Sam, depois que a caçada terminou por enquanto.

"Logo saberemos", disse seu irmão mais velho, e abriu o couro ainda úmido. Dentro havia várias notas bancárias e um envelope volumoso.

"Os títulos da companhia de tração que faltavam para o tio Randolph!", gritou Dick, tirando-os para fora. "Isso é o melhor de tudo!"

"Estão todos aí?", perguntou Tom.

Dick contou-os rapidamente.

"Sim — dez de mil dólares cada."

"Hurrah!", gritou Sam. "O tio Randolph não vai ficar feliz quando souber disso!"

Os garotos estavam muito animados com a descoberta, e agora que tinham os títulos, concluíram que uma busca mais aprofundada por Sid Merrick podia esperar. Eles não se importavam se Tad Sobber fosse capturado ou não, pois não achavam que o valentão fosse um grande criminoso.

Ao voltarem para o veleiro, descobriram que os outros tinham amarrado as mãos de John Pike atrás das costas. O ladrão estava muito submisso e declarou que Sid Merrick era o culpado por tudo.

"Ele queria vender os títulos muitas vezes", disse Pike. "Mas sabia que o Sr. Rover tinha anunciado os números nos jornais e estava com medo de fazê-lo. Disse que esperaria até que o caso esfriasse. Então, ele pretendia vender tudo, dividir o dinheiro e ir para a Europa."

Pike acrescentou que o barco pertencia a ele mesmo. Era uma embarcação velha e tinha permissão para ficar sobre as rochas. Descobriu-se mais tarde que Pike morara anteriormente na margem do lago e, assim, tornara-se conhecido de Merrick e dos Sobber.

Assim que possível, o ladrão capturado foi entregue às autoridades, e Dick enviou uma mensagem para casa informando seu tio sobre o que havia ocorrido. Isso trouxe tanto Randolph Rover quanto o pai dos garotos.

"Vocês certamente se saíram maravilhosamente bem", disse Randolph Rover, ao pegar seus títulos. "Se vocês não fossem tão ricos, eu gostaria de recompensá-los."

"Não queremos nenhuma recompensa", disse Dick. "Mas lamento que não tenhamos capturado Merrick."

Por muito tempo, as autoridades tentaram capturar Sid Merrick e também se esforçaram para descobrir o paradeiro de Tad Sobber, mas sem sucesso. Eles tinham desaparecido, e isso parecia ser o fim. A casa velha foi visitada novamente, mas nada de valor foi encontrado lá. Mais tarde, alguns andarilhos atearam fogo nela e foi queimada até o chão. Um mês depois, John Pike e outro ladrão de carga que fora capturado foram julgados por seus delitos e enviados para a prisão. As autoridades usaram Bill Dangler como testemunha contra eles e, consequentemente, Dangler foi solto. Estranhamente, Dangler tomou jeito e tornou-se um homem trabalhador em uma pedreira de estrada de ferro a alguns quilômetros de Carwell.

Com o mistério dos títulos da companhia de tração esclarecido, os irmãos Rover retornaram a Putnam Hall para completar seu último período naquela instituição de ensino. Eles se dedicaram diligentemente aos estudos e, quando chegaram os exames finais, todos foram aprovados com louvor.

"Uau! Estou feliz que esses exames acabaram!", gritou Tom. "Sinto como se um peso de cem libras tivesse sido tirado dos meus ombros."

"Eu também estou feliz", respondeu Sam.

"E estou feliz que todos nós tenhamos nos saído tão bem", acrescentou Dick. "Nossos boletins agradarão ao pai, ao Tio Randolph e à Tia Martha."

Tinha sido organizado que as cerimônias de formatura seriam realizadas em uma escala bastante elaborada, e muitas pessoas foram convidadas a comparecer. Isso trouxe todos os Rover e também os Stanhope e os Laning para Putnam Hall. Dick fora chamado para proferir o discurso de despedida e fez um pronunciamento tão comovente que foi vigorosamente aplaudido. Sam e Tom apareceram em um diálogo cômico, com Fred e Larry, e isso foi recebido com gargalhadas. Songbird recitou um poema original que era uma vasta melhoria em relação à maior parte de seus versos medíocres, e Hans e alguns dos outros cantaram em um quarteto que teria feito jus ao grupo de canto da faculdade comum.

"Oh, foi esplêndido, Dick!", disse Dora, depois que tudo terminou e os cumprimentos estavam na ordem do dia. E seus olhos brilhavam como estrelas enquanto ela apertava a mão dele.

"Eu só via você, Dora, quando me levantei para falar", ele sussurrou. "E é por isso que fiz o meu melhor."

"Você e Sam deveriam subir ao palco", disse Nellie para Tom. "Aquele diálogo foi divertido demais!"

"Ri até as lágrimas virem", acrescentou Grace. "Foi um programa esplêndido do início ao fim."

"Muito bem, meus meninos, muito bem", disse Anderson Rover, enquanto pegava cada um pela mão. "Nunca estive tão orgulhoso de vocês como estou hoje."

"Agora que terminamos nossos estudos aqui, o que faremos a seguir?", questionou Dick, seriamente.

"Resolveremos essa questão neste verão", respondeu seu pai. "Mas, enquanto isso..." O Sr. Rover pausou e olhou para seu filho mais velho pensativo.

"Mas o quê, pai?"

"Eu lhe direi quando chegarmos em casa, Dick — não adianta eu tentar fazer isso nesta agitação. Tenho algo muito incomum a propor", respondeu Anderson Rover, e qual seria essa proposta, e o que resultou dela, será relatado em outro volume, a ser intitulado "Os Irmãos Rover na Ilha do Tesouro; Ou, O Estranho Cruzeiro do Iate a Vapor". Nesse volume, encontraremos muitos de nossos velhos amigos novamente e também aprenderemos algo sobre o desaparecimento de Sid Merrick e Tad Sobber.

Naquela noite, a celebração em Putnam Hall continuou. Os cadetes acenderam uma enorme fogueira no campus e, ao redor dela, dançaram, cantaram e fizeram discursos. Eles aplaudiram a todos, desde o Capitão Putnam até Peleg Snuggers, e as festividades continuaram até a meia-noite. Então os garotos foram para a cama — mas não para dormir — pois não era aquela a última noite na escola? Inúmeros truques foram pregados, incluindo um em Peter Slade que aquele jovem nunca esqueceu. Isso deixou o valentão tão irritado que ele declarou que ia deixar Putnam Hall para sempre, e ele foi, e ninguém sentiu sua falta.

"E agora para casa!", gritou Dick na manhã seguinte enquanto se vestia.

"E novas aventuras", acrescentou Tom.

"Mas eu realmente odeio deixar a querida e velha Putnam Hall", suspirou Sam, e então os outros suspiraram também.

Não foi até o meio-dia que os três irmãos Rover estavam prontos para partir, tendo primeiro se despedido de seus numerosos amigos. Então eles apertaram a mão do Capitão Putnam.

"Odiamos muito ter que deixar você", disse Dick, seriamente.

"E eu odeio que vocês vão, Richard", foi a resposta. "Vocês devem visitar a Hall algum dia no futuro."

"E você deve vir nos ver, Capitão Putnam", disse Tom.

"Sim, de fato", acrescentou Sam.

"Eu irei", respondeu o mestre da Hall.

Então os garotos apertaram as mãos novamente e correram para a carruagem. Alguns garotos que ficaram para trás soltaram um grito:

"Adeus, Dick!"

"Sinto muito por você ir, Tom!"

"Que nos encontremos novamente, Sam!"

"Adeus, a todos!", foi o grito de resposta. "Adeus à querida e velha Putnam Hall!"

Então o chicote estalou, a carruagem partiu da porta; e os dias dos irmãos Rover na escola militar de Putnam Hall chegaram ao fim.

O FIM

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Isso Não é Tudo!

Você gostaria de saber o que aconteceu com os bons amigos que você fez neste livro?

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A FAMOSA SÉRIE DOS IRMÃOS ROVER

Por ARTHUR M. WINFIELD

(EDWARD STRATEMEYER)

Belos Envoltórios em Cores Completas

Nenhuma história para garotos jamais publicada alcançou a tremenda popularidade desta famosa série. Desde a publicação do primeiro volume, Os Irmãos Rover na Escola, alguns anos atrás, mais de três milhões de cópias desses livros foram vendidas. São histórias bem escritas que tratam dos irmãos Rover em uma grande variedade de atividades e aventuras. Cada volume contém algo de interesse para todo garoto que ama aventuras.

OS IRMÃOS ROVER

OS IRMÃOS ROVER NA ESCOLA OS IRMÃOS ROVER NO OCEANO OS IRMÃOS ROVER NA SELVA OS IRMÃOS ROVER NO OESTE OS IRMÃOS ROVER NOS GRANDES LAGOS OS IRMÃOS ROVER NAS MONTANHAS OS IRMÃOS ROVER EM TERRA E MAR OS IRMÃOS ROVER NO ACAMPAMENTO OS IRMÃOS ROVER NO RIO OS IRMÃOS ROVER NAS PLANÍCIES OS IRMÃOS ROVER EM ÁGUAS DO SUL OS IRMÃOS ROVER NA FAZENDA OS IRMÃOS ROVER NA ILHA DO TESOURO OS IRMÃOS ROVER NA FACULDADE OS IRMÃOS ROVER NO LESTE OS IRMÃOS ROVER NO AR OS IRMÃOS ROVER EM NOVA YORK OS IRMÃOS ROVER NO ALASKA OS IRMÃOS ROVER NOS NEGÓCIOS OS IRMÃOS ROVER EM UMA EXCURSÃO OS IRMÃOS ROVER EM COLBY HALL OS IRMÃOS ROVER NA ILHA DAS RAQUETES DE NEVE OS IRMÃOS ROVER SOB A LONA OS IRMÃOS ROVER EM UMA CAÇADA OS IRMÃOS ROVER NA TERRA DA SORTE OS IRMÃOS ROVER NO RANCHO BIG HORN OS IRMÃOS ROVER NO LAGO BIG BEAR OS IRMÃOS ROVER NAUFRAGADOS OS IRMÃOS ROVER NA TRILHA DO PÔR DO SOL OS IRMÃOS ROVER GANHANDO UMA FORTUNA

A SÉRIE PUTNAM HALL

OS CADETES DE PUTNAM HALL OS RIVAIS DE PUTNAM HALL OS CAMPEÕES DE PUTNAM HALL A REBELIÃO DE PUTNAM HALL O ACAMPAMENTO DE PUTNAM HALL O MISTÉRIO DE PUTNAM HALL

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A SÉRIE TOM SWIFT Por VICTOR APPLETON

Estilo Uniforme de Encadernação. Envoltórios Coloridos Individuais. Cada Volume Completo em Si Mesmo.

Todo garoto possui alguma forma de gênio inventivo. Tom Swift é um garoto brilhante e engenhoso, e suas invenções e aventuras tornam a leitura o mais interessante possível.

TOM SWIFT E SUA MOTOCICLETA TOM SWIFT E SEU BARCO A MOTOR TOM SWIFT E SEU DIRIGÍVEL TOM SWIFT E SEU BARCO SUBMARINO TOM SWIFT E SUA MENSAGEM SEM FIO TOM SWIFT E SEU RUNABOUT ELÉTRICO TOM SWIFT ENTRE OS FABRICANTES DE DIAMANTES TOM SWIFT NAS CAVERNAS DE GELO TOM SWIFT E SEU CORREDOR DO CÉU TOM SWIFT E SEU RIFLE ELÉTRICO TOM SWIFT NA CIDADE DE OURO TOM SWIFT E SEU PLANADOR AÉREO TOM SWIFT EM CATIVEIRO TOM SWIFT E SUA CÂMERA MÁGICA TOM SWIFT E SEU GRANDE HOLOFOTE TOM SWIFT E SEU CANHÃO GIGANTE TOM SWIFT E SEU FOTOTELEFONE TOM SWIFT E SEU NAVIO DE GUERRA AÉREO TOM SWIFT E SEU GRANDE TÚNEL TOM SWIFT NA TERRA DAS MARAVILHAS TOM SWIFT E SEU TANQUE DE GUERRA TOM SWIFT E SEU BATEDOR AÉREO TOM SWIFT E SUA BUSCA SUBMARINA TOM SWIFT ENTRE OS COMBATENTES DE INCÊNDIO TOM SWIFT E SUA LOCOMOTIVA ELÉTRICA TOM SWIFT E SEU BARCO VOADOR TOM SWIFT E SEU GRANDE JORRO DE PETRÓLEO TOM SWIFT E SEU BAÚ DE SEGREDOS TOM SWIFT E SEU EXPRESSO AÉREO TOM SWIFT CIRCULANDO O GLOBO TOM SWIFT E SUAS IMAGENS FALANTES TOM SWIFT E SUA CASA SOBRE RODAS TOM SWIFT E SEU GRANDE DIRIGÍVEL

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A SÉRIE DON STURDY Por VICTOR APPLETON Autor da "Série Tom Swift"

Todo garoto de sangue quente desfrutará das aventuras emocionantes de Don Sturdy. Na companhia de seus tios, um caçador de animais de grande porte, o outro um cientista notável, ele viaja longe e extensamente — para as selvas da América do Sul, através do Saara, profundamente na selva africana, onde os vulcões do Alaska entram em erupção, descendo entre os caçadores de cabeças de Bornéu e muitos outros lugares onde há perigo e emoção. Todo garoto que conheceu Tom Swift se tornará imediatamente o companheiro inseparável do audacioso Don Sturdy.

DON STURDY NO DESERTO DO MISTÉRIO DON STURDY COM OS GRANDES CAÇADORES DE SERPENTES DON STURDY NOS TÚMULOS DE OURO DON STURDY ATRAVÉS DO POLO NORTE DON STURDY NA TERRA DOS VULCÕES DON STURDY NO PORTO DOS NAVIOS PERDIDOS DON STURDY ENTRE OS GORILAS DON STURDY CAPTURADO POR CAÇADORES DE CABEÇAS DON STURDY NA TERRA DOS LEÕES DON STURDY NA TERRA DOS GIGANTES

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A SÉRIE DOS GAROTOS DO RÁDIO (Marca Registrada) Por ALLEN CHAPMAN Autor da "Série Ferroviária", Etc.

Ilustrado. Cada Volume Completo em Si Mesmo.

Aqui está uma série que fornece detalhes completos do trabalho de rádio, tanto no envio quanto no recebimento — como aparelhos grandes e pequenos podem ser feitos e operados, e com essa informação real, há as histórias dos garotos do rádio e suas aventuras. Cada história é um registro de aventuras emocionantes — resgates, fugas por um triz da morte, feitos audaciosos nos quais o rádio desempenha um papel principal. Cada volume é tão fascinante, tão rigorosamente atualizado e preciso que todos os garotos modernos os lerão com deleite.

Cada volume tem um prefácio de Jack Binns, o conhecido especialista em rádio.

O PRIMEIRO SEM FIO DOS GAROTOS DO RÁDIO OS GAROTOS DO RÁDIO EM OCEAN POINT OS GAROTOS DO RÁDIO NA ESTAÇÃO DE ENVIO OS GAROTOS DO RÁDIO NA PASSAGEM DA MONTANHA OS GAROTOS DO RÁDIO RASTREANDO UMA VOZ OS GAROTOS DO RÁDIO COM OS GUARDA-FLORESTAIS OS GAROTOS DO RÁDIO COM A PATRULHA DE ICEBERGS OS GAROTOS DO RÁDIO COM OS COMBATENTES DA ENCHENTE OS GAROTOS DO RÁDIO NA ILHA DO SINAL OS GAROTOS DO RÁDIO NO VALE DO OURO OS GAROTOS DO RÁDIO AJUDANDO OS PRESOS PELA NEVE OS GAROTOS DO RÁDIO NO PACÍFICO OS GAROTOS DO RÁDIO AO RESGATE

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A SÉRIE FERROVIÁRIA Por ALLEN CHAPMAN Autor dos "Garotos do Rádio", Etc.

Estilo Uniforme de Encadernação. Ilustrado.

Cada Volume Completo em Si Mesmo.

Nesta linha de livros, é revelado todo o funcionamento de um grande sistema ferroviário americano. Há aventuras em abundância — acidentes ferroviários, corridas através de incêndios florestais, a perseguição de uma locomotiva "selvagem", o desaparecimento de um vagão pagador com uma grande quantia de dinheiro a bordo — mas há muito mais do que isso — a intensa rivalidade entre ferrovias e ferroviários, a elaboração de horários de circulação, a chegada "no horário" apesar de todos os obstáculos, e a manipulação de títulos ferroviários por homens maus que desejam governar ou arruinar.

RALPH DA ESTAÇÃO DE MANOBRA; ou, Destinado a se tornar um Ferroviário. RALPH NA TORRE DE COMANDO; ou, Limpando o Caminho. RALPH NA LOCOMOTIVA; ou, O Jovem Foguista do Correio Expresso. RALPH NO EXPRESSO TERRESTRE; ou, Os Julgamentos e Triunfos de um Jovem Engenheiro. RALPH, O DISPATCHER DE TRENS; ou, O Mistério do Vagão Pagador. RALPH NO TREM DO EXÉRCITO; ou, O Feito Mais Audacioso do Jovem Ferroviário. RALPH NO VOO DA MEIA-NOITE; ou, O Acidente no Vale das Sombras. RALPH E A BOLSA DE CORREIO PERDIDA; ou, Os Títulos do Governo Roubados. RALPH NA DIVISÃO DA MONTANHA; ou, Lutando contra Chamas e Enchentes. RALPH E OS SABOTADORES DE TRENS; ou, O Segredo dos Vagões de Carga Azuis.

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A SÉRIE DOS IRMÃOS HARDY Por FRANKLIN W. DIXON

Ilustrado. Cada Volume Completo em Si Mesmo.

OS IRMÃOS HARDY são filhos de um célebre detetive americano e, durante as férias e seu tempo livre da escola, eles ajudam seu pai rastreando pistas eles mesmos.

O TESOURO DA TORRE

Um criminoso moribundo confessou que seu saque tinha sido escondido "na torre". Restou aos Irmãos Hardy fazer uma descoberta surpreendente que esclareceu o mistério.

A CASA NO PENHASCO

A casa estava vaga e supunha-se que era assombrada. O Sr. Hardy começou a investigar — e desapareceu! Um conto estranho, com muita emoção.

O SEGREDO DO VELHO MOINHO

Dinheiro falso estava em circulação, e o limite foi atingido quando a Sra. Hardy pegou um pouco de um estranho. Um conto cheio de emoções.

OS AMIGOS DESAPARECIDOS

Dois dos amigos dos Irmãos Hardy fazem uma viagem de carro pela costa. Eles desaparecem e estão quase sendo resgatados por seus amigos quando todos são capturados. Uma história emocionante de aventura.

CAÇANDO O OURO ESCONDIDO

O Sr. Hardy é ferido ao rastrear algum ouro roubado. Uma caçada pelos garotos leva a uma mina abandonada, e lá as coisas começam a acontecer. Uma história do oeste que todos os garotos vão gostar.

O MISTÉRIO DA ESTRADA DA COSTA

Automóveis estavam desaparecendo misteriosamente da Estrada da Costa. Restou aos Irmãos Hardy resolver o mistério.

O SEGREDO DAS CAVERNAS

Quando os garotos chegaram às cavernas, encontraram inesperadamente um estranho velho eremita.

O MISTÉRIO DA ILHA DA CABANA

Uma história de aventuras estranhas em uma ilha rochosa.

O MISTÉRIO DO GRANDE AEROPORTO

Os Irmãos Hardy resolvem o mistério do desaparecimento de algumas correspondências valiosas.

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AS HISTÓRIAS DE VOO DE TED SCOTT Por FRANKLIN W. DIXON

Ilustrado. Cada Volume Completo em Si Mesmo.

Nenhum assunto capturou tão completamente a imaginação da jovem América quanto a aviação. Esta série foi inspirada pelos recentes feitos audaciosos do ar, e é dedicada a Lindberg, Byrd, Chamberlin e outros heróis dos céus.

SOBRE O OCEANO PARA PARIS; ou, O voo de longa distância audacioso de Ted Scott. RESGATADO NAS NUVENS; ou, Ted Scott, Herói do Ar. SOBRE AS ROCHOSAS COM O CORREIO AÉREO; ou, Ted Scott, Perdido na Natureza. PRIMEIRA PARADA HONOLULU; ou, Ted Scott, sobre o Pacífico. A BUSCA PELOS VOADORES PERDIDOS; ou, Ted Scott, Sobre as Índias Ocidentais. AO SUL DO RIO GRANDE; ou, Ted Scott, Em uma Missão Secreta. ATRAVÉS DO PACÍFICO; ou, O Salto de Ted Scott para a Austrália. A ÁGUIA SOLITÁRIA DA FRONTEIRA; ou, Ted Scott e os Contrabandistas de Diamantes. VOANDO CONTRA O TEMPO; ou, Quebrando o Recorde de Oceano a Oceano. SOBRE AS TRILHAS DA SELVA; ou, Ted Scott e os Exploradores Desaparecidos. PERDIDO NO POLO SUL; ou, Ted Scott na Terra da Nevasca. PELO AR PARA O ALASKA; ou, A Busca de Ted Scott no Vale das Pepitas.

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HISTÓRIAS DO OESTE PARA GAROTOS Por JAMES CODY FERRIS

Envoltórios Coloridos Individuais e Ilustrações de WALTER S. ROGERS

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Contos emocionantes do grande oeste, contados primordialmente para garotos, mas que serão lidos por todos que amam mistério, ação rápida e aventuras nos grandes espaços abertos.

Os Garotos Manly, Roy e Teddy, são os filhos de um velho fazendeiro, proprietário de muitos milhares de cabeças de gado. Os jovens sabem como cavalgar, como atirar e como cuidar de si mesmos sob quaisquer circunstâncias.

Os cowboys do Rancho X Bar X são cowboys de verdade, no trabalho quando necessário, mas cheios de diversão e audácia — um grupo que qualquer leitor ficará encantado em conhecer.

OS GAROTOS DO X BAR X NO RANCHO OS GAROTOS DO X BAR X NO CANYON DO TROVÃO OS GAROTOS DO X BAR X NO RIO DOS REDEMOINHOS OS GAROTOS DO X BAR X NA TRILHA DO GRANDE BISÃO OS GAROTOS DO X BAR X NO RODEIO OS GAROTOS DO X BAR X NO ACAMPAMENTO DE PEPITAS OS GAROTOS DO X BAR X NA PASSAGEM DO RUSTLER OS GAROTOS DO X BAR X NA PASSAGEM DO GRIZZLY OS GAROTOS DO X BAR X PERDIDOS NAS ROCHOSAS

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Histórias de Futebol Americano e Beisebol

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Os Livros de Ralph Henry Barbour para Garotos

Nestas histórias genuínas, espirituosas e atualizadas sobre a vida dos garotos, há algo que atrairá todos os garotos com o amor pela masculinidade, limpeza e espírito esportivo no coração.

LEFT END EDWARDS LEFT TACKLE THAYER LEFT GUARD GILBERT CENTER RUSH ROWLAND FULLBACK FOSTER LEFT HALF HARMON RIGHT END EMERSON RIGHT GUARD GRANT QUARTERBACK BATES RIGHT TACKLE TODD RIGHT HALF HOLLINS

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A Série Tod Hale

TOD HALE NO ACAMPAMENTO TOD HALE COM A TRIPULAÇÃO TOD HALE NO SCRUB

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Os Livros de Christy Mathewson para Garotos

Todo garoto quer saber como jogar bola da maneira mais justa e correta. Esses livros sobre garotos e beisebol estão cheios de interesse e informação saudáveis e masculinos.

PITCHER POLLOCK CATCHER CRAIG FIRST BASE FAULKNER SECOND BASE SLOAN PITCHING IN A PINCH

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THIRD BASE THATCHER, Por Everett Scott.

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HISTÓRIAS DE VOO PARA GAROTOS

NO AR COM ANDY LANE Por EUSTACE L. ADAMS

Ilustrado. Cada Volume Completo em Si Mesmo.

O Sr. Adams, o autor desta série de voo para garotos, é um aviador experiente e teve muitas aventuras emocionantes no ar — tanto como membro da famosa Lafayette Escadrille na Guerra Mundial quanto no Serviço de Aviação Naval dos Estados Unidos, voando com os esquadrões que patrulhavam a Costa do Atlântico. Suas histórias revelam não apenas sua habilidade em contar episódios aéreos audaciosos e emocionantes, mas também seu conhecimento de primeira mão dos aeroplanos modernos e as maravilhosas melhorias técnicas que foram feitas nos últimos anos. Andy Lane voa nas máquinas mais recentes e altamente desenvolvidas no campo da aviação.

QUINZE DIAS NO AR

Andy reabastece seu navio no ar e estabelece um novo recorde de resistência.

SOBRE O GELO POLAR

Em um barco voador gigante, Andy vence seu inimigo em uma corrida para o Polo Sul.

CORRENDO AO REDOR DO MUNDO

Em uma série de voos emocionantes, Andy vence uma corrida aérea ao redor do globo para ganhar um prêmio de $100.000.

O DIRIGÍVEL FUGITIVO

Através de céus enevoados, Andy Lane traz de volta o maior dirigível de transporte de passageiros do mundo, levado embora pelas asas de uma tempestade.

PIRATAS DO AR

Andy Lane pilota o avião de passageiros gigante Apex No. 4 através do Atlântico diante de probabilidades quase avassaladoras.

NAS ASAS DA CHAMA

Andy faz um pouso forçado na selva sul-americana no meio da noite e tem experiências emocionantes com os nativos.

O MOINHO DE VENTO VOADOR

Andy Lane e sua tripulação inquieta decolam em um autogiro monstruoso em busca de tesouros piratas.

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LIVROS CAMARADAS PARA GAROTOS

Ilustrados. Sobrecapas coloridas individuais.

Contos dos velhos tempos dos pioneiros do Oeste e dos campos de ouro da Califórnia; contos de mistério, humor, aventura; histórias emocionantes sobre esportes e aviação. Há uma ampla gama de assuntos nesta lista de títulos — todos de autores renomados de livros para garotos.

LEFTY LEIGHTON Por Percy Keese Fitzhugh NUMBER 44 Por Harold M. Sherman BILL DARROW'S VICTORY Por William Heyliger THE STORY OF TERRIBLE TERRY Por Percy Keese Fitzhugh BEYOND THE DOG'S NOSE Por Harold M. Sherman DING PALMER, AIR DETECTIVE Por Harold M. Sherman BEAN-BALL BILL Por William Heyliger MARK GILMORE, SCOUT OF THE AIR Por Percy Keese Fitzhugh CAMERON MACBAIN, BACKWOODSMAN Por Harold M. Sherman FLYING HEELS Por Harold M. Sherman FLASHING STEEL Por Harold M. Sherman BUFFALO BOY Por J. Allan Dunn THE CLOUD PATROL Por Irving Crump SPIFFY HENSHAW Por Percy Keese Fitzhugh THE PILOT OF THE CLOUD PATROL Por Irving Crump DON RAIDER, TRAIL BLAZER Por Harold M. Sherman TUCK SIMMS, FORTY-NINER Por Edward Leonard WIGWAG WEIGAND Por Percy Keese Fitzhugh HERVEY WILLETTS Por Percy Keese Fitzhugh SKINNY McCORD Por Percy Keese Fitzhugh

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